American Boy
18 Capítulo 18
Notas iniciais
Kurt começou a respirar pesadamente como se alguém tivesse o acordado com um balde de água. O castanho sentiu um leve formigamento em suas pernas. Blaine não podia estar voltando para os Estados Unidos naquela forma, sem comunicar ele ou no mínimo terminar o namoro. Kurt sentia uma necessidade enorme de dar um soco em alguém no momento.
– Jeff, diz que isso é mentira e ele está apenas dormindo. — Pediu Kurt tirando as cobertas de cima de seu corpo, colocando os pés no chão e coçando a cabeça.
– Kurt, eu realmente queria que fosse mentira. Ele iria estudar permanentemente aqui em Londres, mas ele decidiu voltar para os Estados Unidos e ficar em Nova Iorque. Isso já estava decidido desde o mês passado, mas parece que alguma coisa aconteceu e ele não sentiu mais vontade de ficar aqui.– Disse Jeff. O loiro sabia que as coisas entre o casal não estavam bem e que provavelmente a decisão de Blaine havia sido por isso, mas não queria ferir os sentimentos de Kurt.
Kurt colocou a mão na testa. O rapaz se sentia mal, como se um soco tivesse atingido seu estomago. Ele não queria perder o namorado agora. O inglês afastou o celular do ouvido e para ver as horas. Eram nove horas da manhã. Kurt colocou o telefone conferindo se seu plano iria dar certo.
– Jeff, que horas sai o voo de Blaine? — Questionou Kurt ficando de pé e indo para a janela ver quão ruim estava o frio e a nevasca. Estava nevando e tinham muita neve nas ruas, mas dava para os carros passarem, pois só as calçadas estavam cobertas de neve.
– Um momento.– O loiro tirou o telefone do ouvido e perguntou para Nick. — Blaine saiu daqui tem duas horas, mas não sabemos o horário do voo.– Disse Jeff ao voltar ao telefone. Blaine não havia contado justamente para o castanho não ir atrás dele, caso Jeff e Nick contassem sobre ele estar voltando para os Estados Unidos.
– Ok, já é o suficiente. – Kurt fechou sua cortina e depois foi para seu criado mudo e pegou seu relógio, colocando para poder “controlar” o tempo.
– Kurt, você vai fazer o que eu estou pensando?– O loiro tinha uma pontada de esperança em sua voz. Ele realmente acreditava que o castanho poderia trazer Blaine de volta.
– Se isso envolver trazer Blaine de volta; sim, você está pensando certo. – O castanho sorriu para o telefone. — Torça por mim Jeff. — Disse o castanho correndo para o seu armário e escolhendo alguma coisa.
– Traga nosso menino de volta.– Disse o Jeff. Kurt escutou algo vindo de Nick e sorriu mais amplo. Pelo menos ele não estava sozinho nessa.
– Eu vou tentar. — Kurt em seguida desligou o telefone e voltou para as roupas para poder focar melhor em apenas uma coisa.
O castanho sabia que seria difícil fazer uma look agora, por não saber que horas que Blaine iria sair e o momento não exigir uma super produção. Então o castanho vestiu um moletom de Blaine e colocou um par de galochas amarelas de Rachel, que por algum motivo estavam no quarto do castanho. Kurt se olhou no espelho novamente e arrumou se cabelo rapidamente.
O inglês atravessou correndo as cortinas que dividiam seu quarto dos demais cômodos e foi direto para a cozinha. Ele olhou em volta e viu seu pai sentando no balcão lendo um jornal e bebendo café e Finn preparando o resto do café na manhã no fogão. Finn percebeu que havia mais uma pessoa na sala e olhou para Kurt.
– Hey, irmãozinho. Bom-
– Finny, diz que o carro da Belle ficou com você. – Implorou Kurt. Agora o “Bonjour, Oliver” estava fazendo entrega a domicílio e Finn como era um dos poucos funcionários que sabia dirigir, ficava com o carro.
– Não... Mas por quê? — Perguntou o mais alto parando de mexer os ovos na frigideira.
– Pai... — O menino se virou para o pai com olhos suplicantes. Burt abaixou o jornal e olhou para o filho.
– Mas Kurt, você nem sabe dirigir. — Disse Burt.
– Na verdade eu só não tenho carteira... — O castanho abaixou a cabeça para receber a bronca que estava a caminho.
– O que? Finn, você anda dando aulas de direção para seu irmão e deixando ele pegar o carro? – Burt se virou bruscamente para o outro filho, que não sabia o que responder.
– E-eu não-
– Foi Blaine. Blaine me ensinou a dirigir. — Confessou o castanho, olhando para Finn que se acalmava mas logo ficava tão nervoso quanto Burt.
– Acho que eu vou precisar ter uma longa conversa com aquele garoto americano. — Burt tirou os olhos do filho e olhou para dentro de sua caneca, enquanto tomou um longo gole de seu café.
– Sim, mas se o senhor não me emprestar o carro a ligação para a América vai ficar cara. — Finn e Burt olharam intrigados para Kurt. — Pai, Blaine está indo embora. Eu preciso ir ao aeroporto. — Confessou o garoto.
– Porque ele foi embora? — Perguntou Finn abaixando o fogo e dando mais atenção ao irmão mais novo.
– O que está acontecendo aqui? — Perguntou Rachel entrando na cozinha amarrando o cabelo. — Kurt, posso saber porque está com as minhas galochas?
– Não tenho tempo pra isso Rachel. — O castanho se virou para o pai. – São muitas coisas envolvidas: ele descobriu sobre Sebastian, teve a dança de ontem, os ensaios. — Kurt fechou os olhos enquanto se xingava mentalmente. — E-eu não deveria ter mentido sobre os ensaios. Teria sido mais fácil e provavelmente ele ainda estaria aqui. – Kurt abriu os olhos e olhou para cima, diretamente nos olhos do pai. — Pai, por favor. Eu não posso perder.
Burt não teve muito contato com o genro, mas pelo o modo como todos falavam dele, o garoto parecia ser bom para o filho dele. Mas agora vendo Kurt falar daquela maneira do rapaz, Burt sentia que Blaine era realmente especial.
– Finny, avise Carole que fui com Kurt ao aeroporto. Vamos. — Disse o homem bebendo todo o café e se levantando.
– V-você vai me levar? — Perguntou o rapaz indo para a porta junto com o pai, que também ainda estava de pijamas.
– É, claro! Você vai precisar ir rápido e como você ainda está aprendendo, vai demorar duas horas um percurso, que normalmente se levaria em bem menos. – Burt pegou as chaves que estavam no porta-chave, o celular e a carteira na mesinha que ficava ao lado da porta.
– Valeu, pai. Valeu. — Disse o rapaz rolando a porta do apartamento,
– Vamos logo, garoto. — Disse o homem saindo pela porta e puxando o filho pelo braço. — Nos deseje sorte! — Gritou o homem.
– Pai, Blaine é meu namorado. — Disse o castanho enquanto os dois desciam as escadas.
– Mas meu genro e para de falar se não, eu subo essas escadas de volta. — Disse o homem. Rapidamente os dois chegaram ao saguão e passaram pelas portas de vidro. Burt virou para a direita e Kurt o seguiu. Estava um frio terrível, que nem o moletom do namorado estava aquecendo Kurt, muito menos as calças do pijama. O homem destravou as portas e os dois entraram no carro. Kurt já foi prendendo o cinto enquanto Burt ligava o carro. — Você sabe quanto tempo a gente tem? — Pediu o mais velho olhando o retrovisor para saber se podia sair da vaga.
– Blaine pode embarcar a qualquer momento. A única coisa que eu sei é que ele saiu de casa há duas horas atrás. — Disse Kurt tentando ajudar o pai de alguma forma.
– Então temos que correr. – Burt saiu da vaga e começou a colocar o cinto. — Kurt, se eu descobrir que você fez isso que eu vou fazer agora, eu te mato. — O homem pisou no acelerador e só não tirou fumaça do asfalto, pois estava chovendo e tinha restos de neve no asfalto. — Pai, me deixa usar seu celular. — O castanho pegou o celular do pai e discou o número de Blaine. O telefone chamou até que foi parar na caixa de mensagens. — Droga!
Burt parecia estar cada vez mais pisando no acelerador. Teve um momento onde o mecânico virou bruscamente o carro, chegando parecer com filmes de ação. O castanho bateu o braço com toda a força na porta. Quando ele ia protestar, Burt o cortou.
– Se segura. — O homem virou o volante para esquerda e logo depois para a direita. O homem deu um sorriso pelo seu feito. Kurt queria entender como o carro ainda não havia deslizado com a neve e batido em um poste.
– Quem é você e o que fez com o meu pai? — Dizia Kurt com a mão sobre o painel do carro sentindo uma leve dor em seu braço.
– Sou mecânico Kurt, tenho os meus truques com os carros. Se segura. — O homem deu mais uma virada brusca na esquina, chegando a assustar algumas pessoas na calça.
– Por favor, me garanta que vou chegar inteiro. — Disse o rapaz antes de seu pai virar mais uma vez de rua. — Pai, porque está indo por outro caminho? Vamos demorar mais. – Kurt entrou em desespero.
– Kurt, tenho mais Natais em Londres do que você, eu sei que o caminho para o aeroporto estará congestionado... Olha. — Disse o homem apontando com a sua cabeça para a sua esquerda.
Kurt olhou pela janela que estava ao lado de seu pai e viu uma fila de carros em mais ou menos uma quadra de distância. Burt realmente estava certo. Aeroportos e shoppings deveriam estar lotados, assim como os caminhos para eles. O castanho se perguntava porque nenhum deles pensava do mesmo modo que o pai. O pai cortava entre várias ruas para chegar o mais rápido ao seu destino. Enquanto Burt seguia caminho o mais veloz que podia, Kurt tentava falar com o namorado; mas Blaine parecia ter esquecido o celular em cima dos bancos do aeroporto ou simplesmente estava ignorando Kurt.
– Blaine não atende a droga desse telefone! — Kurt bateu no painel do carro enquanto mais uma vez tentava falar com o namorado. Burt virou em mais uma rua, batendo Kurt na porta do carro.
[...]
– Mãe? — Disse Blaine ao telefone.
– Blaine? Oh meu Deus. Filho, como você está? Como está Londres? Nick, Jeff, Kurt...– A mulher tinha um tom malicioso para falar do castanho. Blaine se segurou para dar a notícia de sua decisão o mais claro possível.
– Mãe, e-eu estou voltando para Westville. – O moreno parecia estar magoado por estar dizendo aquilo tão cedo.
– Não diga que está vindo passar o Natal conosco. – A mulher sorriu para o telefone.
– Passar o Natal, o Ano Novo e depois ir para Nova Iorque. – O moreno passou a mão pelos cabelos e quando desceu para o pescoço colocou sobre a boca.
– Blaine, você e Kurt já vão morar juntos? Querido, eu não-
– Não, mãe. — A mulher pôde ouvir a voz quebrantada do filho e notou que ele estava chorando. — Eu estou indo para casa sozinho e Kurt não existe mais em minha vida. Ele tem coisas do passado mal resolvidas e eu não consigo lidar com isso. — Blaine limpou as lágrimas com a manga da blusa. — E-eu vou esfriar minha cabeça aí em casa e depois me transferir para NYU. Chega de Londres, chega de se apaixonar. Só estou focando nas coisas boas a partir de hoje. — Terminou o moreno. — Eu vou desligar, preciso ir. Te vejo mais tarde, mãe.
– Até, meu menino. — A mulher desligou o telefone, assim como Blaine.
O moreno colocou o celular e o resto dos pertences em cima da esteira e passou pelo detector de metais. Ele estava decidido, nem por Kurt e nem por ninguém ele ficava em Londres.
[...]
– Andem suas mulas! — Burt buzinava e gritava para a fila de carros em sua frente.
– Nunca vamos chegar desse jeito. — Disse Kurt olhando o tamanho da fila para pegar apenas o cartão do estacionamento.
– Fica calmo. — Pediu Burt. Burt estava tão nervoso quanto Kurt, mas conseguiu pensar em algo. O homem abaixou todo o vidro e ficou com a cabeça para fora da janela.
– Pai, o que você pensa que está fazendo? Sai daí. — Repreendeu Kurt. Burt não respondeu nada, porque ele conseguiu o que queria. Quando um motoqueiro ia passar ao lado do carro, Burt colocou seu braço para fora da janela, fazendo o rapaz parar.
– Qual é tio? Tem gente aqui que precisa cumprir horário. — Pediu o homem dos olhos azuis que levantou a viseira do capacete.
– Cinquenta euros para deixar meu filho no aeroporto. — Pediu Burt. O castanho olhou pelo vidro do banco traseiro e bateu no braço do pai.
O homem estranhou de começo, mas quando Burt colocou a cabeça para dentro do carro para pegar o dinheiro, o homem andou um pouco em cima da moto e se curvou para olhar dentro do carro. Ele viu um castanho ao telefone.
– Com ele na minha garupa pode até ser de graça. — Disse o homem tirando o capacete e sorrindo para Kurt. O castanho levantou uma sobrancelha para o loiro. — Eai, vamos? — Chamou Kurt que juntou as sobrancelhas.
– Sem gracinhas com meu filho, por favor. – O homem entregou o dinheiro e o rapaz assentiu.
Kurt saiu do carro um pouco inseguro, deu a volta no carro do pai e foi para a parte de trás da moto, subindo um pouco desajeitadamente, por nunca ter feito aquilo antes.
– Pega meu capacete. — Disse o homem sorrindo. Kurt levantou a sobrancelha, mas lentamente aceitou. — Meu nome é Jake. – O garoto estendeu a mão, mas Kurt ignorou. Jake parecia ter a mesma idade que Kurt, era loiro dos olhos azuis, e se não fosse pelos lábios, poderia ser confundido com Sam.
– Prazer. Agora me leva para o aeroporto antes que eu fique sem namorado. — Kurt já estava de capacete e com as mãos nos ombros de Jake.
– Tem namorado, uh? Não me envolvo com esse tipo. – Disse Jake.
– E por algum acaso eu disse que estou disponível ou que gosto de badboys? — Desafiou Kurt.
– Ah é? — Jake sorriu e tirou os óculos escuros do bolso da jaqueta preta. — Se segura. – Kurt não aguentava mais escutar aquilo. O loiro arrancou com a moto fazendo com que Kurt segurasse na barriga de dele, que acabou sorrindo.
– Tomem cuidado! — Gritou Burt.
Jake começou a acelerar a moto e fazia zig-zag entre os carros. Enquanto Jake sorria pela a adrenalina que sua moto o proporcionava, Kurt não parava de gritar dentro do capacete. O castanho segurava a cintura de Jake com toda a força. Os dois passaram na frente de um carro que deu uma buzinada, o loiro apertou o botão e retirou o cartão do estacionamento. Os dois voltaram a acelerar e a moto teve descer uma ponte. Kurt sentiu frio na barriga e abaixou a cabeça no ombro de Jake para não ver a sua queda. Mas eles nem haviam vacilado na moto. Depois de algumas voltas pelo estacionamento, Jake achou um lugar para parar sua moto.
– Aí medroso, chegamos. – Disse Jake levantando uma perna, mas impossibilitado de sair porque Kurt estar o segurando forte demais. – Ei, você vai ficar sem namorado desse jeito. – Kurt foi levantando a cabeça lentamente e olhando em volta. O castanho tirou capacete e deu com ele no braço do loiro. – Ei!
– Imbecil! Quase me matou de medo. – Jake desceu da moto e logo depois Kurt. – Toma seu capacete. – O castanho empurrou com força o capacete na barriga do loiro.
– Relaxa, cara. – Jake prendeu a moto em uma grade que ficava na frente do estacionamento de carros. – Vamos atrás do seu carinha. – Disse Jake se afastando da moto.
– “Vamos”? – Kurt levantou uma sobrancelha.
– Não vou perder uma cena de filmes clichês. Sem contar que vai ser uma adrenalina para a minha véspera de Natal. – Kurt ficou parado no mesmo lugar com os braços cruzados. – Cara, foca no seu namorado. – Jake puxou o braço de Kurt e os dois saíram correndo. Os dois entraram no aeroporto e todos ficaram encarando os dois malucos. – Qual o seu nome? – Pediu Jake enquanto os dois corriam no aeroporto.
– Para quê? – Pediu Kurt correndo logo atrás.
– Para eu ter um nome para te chamar. – Disse Jake começando a subir as escadas. Kurt subiu logo depois.
– Kurt. Kurt Hummel. – Disse Kurt. Os dois terminaram de subir as escadas.
– Kurt, vamos precisar comprar uma passagem. – Disse Jake. – Eles só deixam passar dessa parte com uma passagem. – Disse ele apontando para os portões que seguiam para o raio-x.
– O que? Mas eu nem trouxe minha carteira. – Kurt parou no meio do caminho e começou a entrar em pânico, pensou em ligar par o pai, mas estava com o celular do homem. Jake colocou a mão no bolso e tirou sua própria carteira.
– E você reclamando porque eu vim... – Disse Jake sorrindo foi correndo até ao balcão para comprar uma passagem. Kurt deu um sorriso pelo o novo “amigo” e também correu para o balcão. – Uma passagem, por favor. – Pediu Jake ao menino atrás da mesa.
– Qual o destino, senhor? – Perguntou o menino prestes a digitar algo seu computador e medindo Jake da cabeça até onde o balcão permitia.
– O voo mais cedo para qualquer lugar. – Disse Kurt entrando na conversa. O homem conferiu no computador e o voo mais próximo era em dez minutos.
– Está em duzentos e cinquenta euros. – Disse o rapaz, disse secamente para Kurt, também o examinando.
– O que? Kurt acho que eu não tenho tudo isso. – Falou Jake olhando na sua carteira. Ele não era tão rico para emprestar uma quantia daquela. Jake pensou rápido. – A passagem mais barata pra hoje, por favor. – Falou o loiro. O rapaz novamente olhou no computador.
– Iowa, daqui há três horas e está custando cinquenta euros. – Falou o menino.
– Essa mesmo. – Jake tirou o dinheiro que Burt havia lhe dado do bolso da jaqueta e entregou ao garoto do balcão, que sorriu para o badboy.
Depois de alguns minutos o rapaz entregou a passagem para Kurt e o castanho saiu correndo. Jake não foi com o castanho, pois não viu necessidade de comprar mais uma passagem, mas aproveitou para conversar com o moreno que estava atrás do balcão. Kurt parou e olhou para trás, vendo o motoqueiro paquerando o menino, balançou a cabeça negativamente com um sorriso no rosto e voltou a correr para o detector de metais.
[...]
A mulher que ficava na frente do tubo conferindo que poderia embarcar, chamou a atenção de Blaine, que estava de cabeça baixa. O moreno entendeu que faltava alguns minutos para ela fechar a entrada.
O americano se levantou e começou a caminhar para a entrada, segurando sua passagem e seu celular. O moreno mostrou a passagem e teve permissão para entrar. Blaine entrou no tubo que o levaria até o avião. Ele caminhou por todo o tubo de cabeça baixa. Foi então que ele apertou os olhos e deixou algumas lágrimas pularem de seus olhos. Mas o que o moreno não viu, foi que Kurt havia parado na frente da entrada do tubo.
– Blaine! — Gritou Kurt ao moreno que lentamente foi desacelerando os passos. — Blaine, para!
O moreno reconheceu a voz e lentamente se virou. Quando o americano tirou os olhos do chão, pôde ver o rosto do namorado. Kurt tinha a sobrancelhas arqueadas, o peito subia e descia rapidamente, o cabelo dele estava bagunçado, o rosto vermelho e a roupas que ele provavelmente havia dormindo.
– Kurt? — Questionou o moreno como se estivesse vendo uma miragem. Era como se tudo na sua vida acabasse de entrar em câmera lenta, menos ele.
– Blaine, não vai embora! — Insistiu o castanho. A sua respiração começou a acelerar mais e seus olhos começaram a se encher de lágrimas. O inglês estava frustrado por não encontrar as palavras certas para tentar convencer Blaine. Com aquilo, Blaine começou voltar ao normal e andar lentamente até o namorado.
– Kurt, o que você está fazendo aqui? Como sabia que eu estava aqui e como me encontrou? — Pedia Blaine vendo o namorado em sua frente. Nem o moreno era capaz de acreditar no estado que estava Kurt.
– E-eu.. Vo-você... — Kurt se enrolava em pensamentos e emoções. — Porque você iria me deixar dessa forma, Blaine? — Pediu Kurt deixando uma lágrima escorrer pelas bochechas vermelhas e marcadas pelo vento.
– E-eu não... Eu não podia e nem posso mais ficar com você Kurt. — Disse Blaine quebrando um pouco mais o coração de Kurt, mas o moreno parecia tão certo daquilo.
– Senhores, eu preciso fechar o portão. — Pediu a mulher.
– Só um momento, por favor. — Pediu Kurt com olhos suplicantes. Como a mulher nunca havia entrado em uma situação embaraçosa como aquela, acabou deixando e contou o tempo em seu relógio. — Blaine, você não tem que ir embora. Na verdade você não pode. — Kurt em um movimento desesperado agarrou o braço de Blaine. — Fica. — Blaine olhou para aqueles dedos finos em seu braço e depois nos olhos azuis de Kurt. O moreno sentiu seus lábios começarem a tremer.
– Kurt, você... Você já tem alguém e essa pessoa não sou eu. — Disse Blaine. O moreno pôde ver que um loiro e Burt entraram correndo procurando por alguém, quando seus olhos caíram sobre os dois rapazes, eles pararam. Jake parecia ter conseguido algo com o garoto das passagens.
– Sim, Blaine é você. É você e ninguém mais que eu quero. — Kurt puxou mais o braço de Blaine. O moreno não sabia mais o que fazer, até que ele resolveu apelar.
– Vai embora, Kurt. Eu não quero mais te ver. Foi burrice ter vindo atrás de mim. — Blaine puxou seu braço bruscamente das mãos de Kurt. – Agora, se você me permite, eu tenho que ir. — Blaine começou a dar as costas para Kurt, mas o castanho foi mais rápido e pegou novamente no antebraço de Blaine.
– Não, eu não vou perder mais uma pessoa na minha vida. — Disse Kurt totalmente firme e segurando o fluxo de lágrimas por um momento. — Dessa vez eu posso mudar e não vou te deixar ir – O castanho reuniu toda a convicção que tinha.
Blaine mal podia acreditar no Kurt determinado em sua frente. Seu namorado se mostrava tão diferente: doce, carismático, dedicado, talentoso; mas dessa vez, era um lado que Blaine ainda não conhecia do inglês. Kurt mordia os lábios para não chorar. Blaine por um momento pensou em puxar seu braço, entrar naquele avião e ele e Kurt terminariam quebrados de suas formas, mas resolveu que a próxima resposta de Kurt determinaria tudo. Depois de alguns minutos, o moreno disse:
– Porque você beijou Sebastian? — Questionou Blaine sério. — E não me venha com "ele me beijou", porque de clichê já basta sua vinda até aqui. — Kurt engoliu as lágrimas e se preparou para a resposta que imaginou que seria feita mais cedo ou mais tarde.
– Nós nos beijamos. — Respondeu Kurt. Blaine morde vários cantos da boca e depois soltou uma risada para não socar uma parede. Kurt se preparou para o que poderia ser o final da discussão. — Foi o beijo de adeus-
– Ah, pelo o amor de Deus, não venha com essa. – Disse Blaine cortando Kurt.
– Eu estou falando a verdade. — Kurt soltou o braço de Blaine. — Sebastian foi alguém muito especial para mim e você sabe disso. Se imagine com seu primeiro namorado e terminar com ele a força, temendo algo ruim-
– Então agora que as coisas estão esclarecidas, porque você não vai ficar com ele? É só você esquecer que um dia fomos algo e tentar reviver o passado. – Blaine novamente cortou Kurt.
– Mas eu não quero reviver o passado, Blaine! Você não vê? — Kurt passou pela mulher e ficou cara a cara com Blaine. — Eu amei Sebastian, mas o que Robert fez acabou tento um proposito que hoje eu entendo e ele se chama Blaine Anderson. — Blaine continuou centrado, mas por dentro estava se derretendo. – Aquele beijo em Sebastian foi para oficializar o nosso fim, para podermos seguir em frente sabendo que nós tínhamos terminado por nós mesmos e assim termos certeza que acabou. Eu amei Sebastian, hoje eu tenho carinho por ele. — Kurt tomou folego e voltou a falar. — Se Sebastian e eu fossemos feitos um para outro, se ele e eu tivéssemos que manter o nosso amor, você acha que você teria me aparecido? O destino me trouxe você, porque foi você que me encontrou aquele dia na LU. — Blaine estava recebendo muita informação. Ele tomou tempo para pensar e Kurt para respirar. — Se meu amor por Sebastian fosse tão grande e eterno, eu não te amaria como eu faço. – Blaine levantou bruscamente a cabeça para Kurt. Ele podia sentir que seus olhos estavam prestes a pular.
– Você...
– Ninguém ama duas pessoas ao mesmo tempo, por isso eu sei que é você que eu realmente amo. Eu sei a diferença de como Sebastian me fez sentir, para o que você me faz sentir. O amor que um dia eu senti por Sebastian se tornou passado e hoje que eu sinto por você, nunca vai mudar, eu sei disso. – Kurt tomou folego novamente. — Blaine, eu te amo.
Todos ficaram em silêncio. Burt estava chorando pelas palavras do filho. Jake estava impressionado com Kurt. A mulher com o nome de Giovana chorava pela beleza do momento e sonhava em um dia ter aquele tipo de amor. Kurt tinha o corpo paralisado pelo medo. Ele havia revelado tudo o que lhe fazia vulnerável, ele fez aquilo de uma forma tão verdadeira e intensa, que Blaine foi o primeiro homem para quem havia se entregado de verdade, coisa que ia muito além de sexo. Ele encarava o moreno no fundo dos olhos, tentando achar a resposta antes que aquele silencio o matasse. Ele respirava mais calmo por finalmente ter tirando um peso de suas costas, como asas que haviam se aberto e lhe faziam voar pela a paz interior.
Blaine não sabia se havia se drogado e depois da sensação de lentidão havia tido uma alucinação com Kurt. O moreno não sabia o que responder, era como se o cérebro dele tivesse dado uma pane, prejudicando os movimentos totais do corpo.
Kurt o amava. Ele o amava de verdade. Um tipo de amor que foi possível esquecer o cara que ele mais amou na vida, agora se tornando nele. Blaine era o cara que Kurt mais havia amado. Blaine teve um momento para olhar para cima e ver os olhos suplicantes de Kurt, lhe pedindo para ficar. Blaine agora se perguntava se ele era capaz de mudar sua cabeça, que dissera que não ficaria por nada e nem por ninguém. Além de se perguntar se ele também amava Kurt. O rapaz que resumiu a estadia de Blaine em Londres, que o fez amar mais aquela cidade. Ele já o adorava e o admirava como pessoa, mas se perguntava se aquele amor havia crescido e se tornado algo diferente. Ele ficaria por Kurt? Ele entenderia e esqueceria o passado do rapaz? Porque ele teria que ir embora e ficar longe de uma pessoa que tinha feito tão bem a ele e que ele adorava descobrir cada detalhe sobre? O garoto que fazia uma enorme confissão dizendo que o amava, um amor que provavelmente ninguém nunca havia sentido por ele. Blaine olhou para Kurt, que recebeu sua resposta.
– Tudo vale a pena quando se ama alguém. Eu também te amo, Kurt.
O moreno despertou do seu momento de lucidez e correu para segurar a cintura de Kurt. Blaine saiu de dentro do tubo com Kurt em seus braços. Quando deixou o castanho no chão, segurou os dois lados do rosto do mesmo, olhou no fundo dos olhos azuis, que explodiam em alegria e a boca que sussurrava por Blaine. Kurt repousou as mãos na cintura de Blaine. O moreno puxou os lábios de Kurt com os próprios, sugando todo o sabor do castanho para si. As línguas recebiam um choque quando se tocavam. Blaine levantava Kurt cada vez mais alto ao mesmo tempo que ia perdendo o folego. Quando as bocas se separaram, eles puxavam o ar para si, mas ainda se mantendo perto. De longe o melhor beijo. Eles se beijaram mais uma vez com a mesma intensidade.
– Você tira meu folego. — Sussurrou Kurt depois de se separar.
– Uhu. Isso ai. Parabéns. — Gritou Jake ao fundo e batendo palmas.
– Quem... É o idiota? — Questionou Blaine sem folego, olhando meio grogue para Kurt.
– O babaca que ajudou a chegar na outra metade do caminho. — Respondeu Kurt.
Depois disso os dois se abraçaram e ignoraram o mundo a volta deles. Blaine sentia o coração de Kurt batendo tão forte quanto o seu. Os corações que pulsava por amor.
– Eu shippo vocês, caras! Eu. Shippo. Vocês.– Jake estava por todo o portão andando de um lado para outro e levantando os dois braços de alegria. Tudo era vigiado por Burt e Giovana.
Os dois, depois do que pareceram dez minutos, se separam e se encararam. Blaine tirou uns fios de cabelo do rosto de Kurt e sorriu para o castanho.
– Você é tudo o que eu preciso. — Disse Blaine sorrindo. Kurt sorriu de volta.
– Vamos para casa. — Kurt segurou a cintura de Blaine, que passou os braços pelas costas de Kurt, segurando o ombro do castanho.
[...]
Burt pagou Jake mais uma vez e deixou o motoqueiro com o cara das passagens. Blaine aproveitou e ligou para sua mãe, que ficou feliz e triste ao mesmo tempo por saber que o filho não estava voltando para casa; e pediu a mulher que fosse até o aeroporto pegar as bagagens do rapaz e manda-las de volta. O moreno também ligou para Jeff e Nick, que pediram falar com Kurt e agradeceram por longos minutos.
Kurt, Blaine e Burt voltaram para casa. Burt ficou como chofer, para deixar o filho aproveitar no banco de trás com o namorado. Quando chegaram na casa de Kurt. Todos se reuniram e tomaram café da manhã, felizes por Blaine estar de volta. Eles conversaram um pouco sobre o que havia acontecido. Kurt se sentia mais leve por todos a quem ele amava saber de tudo, inclusive Burt; que por sorte não teve a pressão aumentada e não foi atrás de Robert.
A tarde eles assistiriam filmes natalinos em casais. Kurt e Blaine mal assistiram o filme, pois tinham coisas mais interessantes para fazer. A noite eles tiveram a ceia e a trocaram presentes. Kurt ganhou um novo blazer, um terno completo de Finn e Rachel e Burt prometeu que daria um carro, já que o castanho havia aprendido a dirigir; o que deixou Kurt muito animado. Eles cantaram pelo menos uma música e depois Blaine foi dar um presente improvisado para Kurt.
[...]
O quarto estava abafado e quente. Os dois rapazes já tinham as respirações desaceleradas. Kurt tinha a cabeça sobre o peito nu de Blaine, que fazia círculos com o indicador no braço de Kurt. Nevava do lado de fora e provavelmente toda a casa estava dormindo.
– Que horas são? – Perguntou Kurt. O moreno tirou o braço que estava atrás da cabeça e olhou o relógio em seu pulso.
– Duas horas. – Disse Blaine voltando a encarar o teto.
– Então acho que eu já posso te entregar o seu presente. – Disse Kurt se sentando na cama e olhando para o moreno. Blaine levantou uma sobrancelha e passou mão pelas costas nuas de Kurt.
– E você já não deu? – Perguntou Blaine sorrindo e descendo a mão até o fim da coluna de Kurt.
– Esse foi o seu presente para mim. – Kurt sorriu e passou a mão pelo seu braço em uma tentativa de se aquecer. – Se sente e feche os olhos. – Instruiu Kurt. O moreno fez o que lhe foi pedido e esperou. Kurt abriu uma gaveta do criado mudo que ficava ao lado de sua cama e tirou uma caixa retangular, levando até o alcance da visão de Blaine. – Pode abriu. – Blaine abriu os olhos e viu a caixa na sua frente. – Feliz Natal.
– Obrigado, amor. – O moreno beijou os lábios do namorado e depois voltou a caixinha, que agora estava em suas mãos.
Blaine abriu a caixa e nela havia dois colares. Os dois tinham as cordinhas longas que deveriam deixar o pingente em cima do peitoral. Os pingentes eram em formato de quebra-cabeça e se juntavam quando estavam próximos. Blaine tirou o primeiro, que estava escrito “My missing puzzle piece” e na parte de trás escrito “Kurt”. No segundo estava escrito “I’m complete” e com o nome “Blaine” atrás.
– Isso foi porque essa foi sua primeira música para mim e é exatamente como nos sentimos. Eu sou uma parte de você que estava perdida e com você, eu me sinto completo. – Blaine encarou os colares e depois sorriu para Kurt. – Eu te amo. — Disse o castanho fazendo Blaine se arrepiar todinho por conta de seu sotaque, que excitava e deixava Blaine louco.
Kurt foi para frente e beijou Blaine apaixonadamente. Depois que se separaram, Kurt colocou o colar de Blaine nele e o moreno colocou o de Kurt nele.
– Eu te amo, Kurt. – Disse Blaine indo beijar o namorado mais uma vez.
Fale com o autor