Ame no Aki Koro Ni
36 36 - Abre-se a cortina enferrujada. Parte II
Hideki voltavara para casa, nem sentia mais fome, apenas pensava na garota que havia balançado pela primeira vez com seu coração. Ele era um rapaz fechado, e apesar de ser um tanto popular no colégio, e receber propostas de várias garotas, nunca se entregava. Esperava o momento certo, a pessoa certa. Á 4 anos atrás, teve uma paixão passageira por Alya, mas ela sempre foi apaixonada por Sahishi, e quase todos sabiam disso, a amizade dos 3 era mais importante do que tudo, não trocaria por nada seus preciosos companheiros. Os jovens se conheciam á 6 anos, Hideki havia repetido na 6ª série, e então, s pessoas novas do ano seguinte o desprezavam por ser um aluno mais velho, e ainda mais com sua fama de delinqüente. Se isolava no fundo da classe, apenas ouvindo música, sem ligar para as aulas. Até que certo dia, um rapaz chegou até ele, e disse três palavras. As primeiras palavras que alguém de sua classe havia lhe dirigido.
Sahishi: Qualé cara, acorda!
Hideki pensava que tinha ouvido coisas. Não era possível que um aluno daquela classe que o menosprezava falasse com o mesmo. Apenas voltara a se debruçar na carteira e dormir. Mas novamente, podia ouvir uma voz em sua frente.
Sahishi: Você tem algum problema, é? e-e
Hideki então abrira seus olhos, e olhava para frente. Via que um garoto não muito alto, mas bem ‘chamativo’ estava lhe perturbando. Na hora pensou que ele queria arrumar briga, por isso já foi dizendo:
Hideki: Cara, eu não brigo na escola ok. Então se quiser alguma coisa, vamos conversar lá fora...
Sahishi: Você se droga? D: Por que eu iria querer brigar contigo?
Hideki: Sei lá, porque você parece ser o ‘líder’ da classe, e como todos aqui me odeiam..
Alya: Olha, acho que as pessoas daqui não te odeiam >< apenas tem medo de você (?)
Hideki: *Quem é essa?* Medo? Eu pareço um psicopata? Ò-Õ
Sahishi: Bem, vestido desse jeito...
Trajes do Hideki: *Calça preta, camisa preta de heavy metal e braceletes bontutos, usava uma bandana de caveiras e tinha um colar de cruz*
Hideki: Tsc, vocês são tão sem cultura, as pessoas daqui são todas iguais.
Alya: Isso eu concordo sabe, e até gosto do seu estilo =P
Hideki: Ei ei, esperem um pouco, se vocês falarem assim comigo, as pessoas vão ficar com raiva de vocês, não?
Sahishi: Cara, quem liga pros outros? Por que eu iria me infiltrar em panelinhas onde apenas o que sabem fazer é falar mal das pessoas?
Alya: Só queríamos que... você..
Hideki: Hã?
Sahishi: Quer entrar pro nosso grupo no trabalho de geografia? ‘O’
Hideki: WTF? Você ta me zuando cara?
Sahishi: Não ._., por que eu zuaria? Não temos mais ninguém e.. pensei que se você se juntasse pra fazer esse trabalho, poderia recuperar algumas notas, do jeito que ta indo vai ficar difícil passar de ano.
Hideki: *Eles estão falando sério? ‘-‘*
Alya: Muito prazer, me chamo Alya Kanazawa ^3^
Hideki: AH, O QUE? Kanazawa? D:
Sahishi: Sim, ela é neta do diretor ;D
Hideki: Hehe, vocês não parecem pessoas normais mesmo.
Sahishi: Me chame de Sahishi mesmo, não gosto de tanta formalidade.
Hideki: Então somos iguais nesse aspecto. Sou Hideki, mas se quiser, me chame de qualquer coisa.
Alya: Então, nos encontramos aqui na biblioteca amanhã, haaai!
Hideki não podia acreditar no que havia acontecido naquele momento. Pela primeira vez desde que reprovou de ano, pessoas foram legais consigo. Ao ir para casa, o garoto abria um enorme sorriso, estava feliz, finalmente, havia conseguido amigos.
Desde então, Hideki passou a ser um garoto mais aberto, sempre andava com os 2 novos amigos, até que com o passar do tempo, começara a fazer mais amizades, tudo graças á Sahishi. Ele nunca esqueceria isso.
1 de Fevereiro de 2009 — Sábado
A mãe de Hideki até estranhara o garoto ficar muito em seu quarto, costumava sempre sair pra rua, ainda mais em um sábado a tarde, isso a preocupara.
Mãe de Hideki: Filho... você... você está se drogando? Ç_Ç
Hideki: *Caindo da cama* MAS QUE DIABOS?
Mãe de Hideki: AH, entendi, será que você comprou revis..
Hideki: Mãe, dá um tempo ok e_e
O rapaz olhava o tempo todo para o relógio, queria que segunda-feira chegasse logo, rezava para isso, só precisava ver Louise de novo, pensava em sair pela cidade a fora procurando-a, mas era um município enorme, não teria chances de encontrá-la. Estava pensando em convidá-la para ir ao Karaokê na segunda-feira, e na saída de lá, frente ao lago da cidade, iria se declarar, estava mais do que disposto. Mesmo que tomasse um fora, ele não iria desistir, sua possessão não o deixaria.
3 de Fevereiro de 2009
Finalmente era segunda-feira! Hideki mal havia dormido noite passada, acordava totalmente disposto para ir a escola, se arrumava, com certa elegância, sua vaidade era tanto, que acabara não prestando atenção no relógio, e quando vira, já era quase hora do sinal. Se apressara, mas nem tanto, não queria ficar suado, não queria demonstrar nenhum defeito para a garota, seria o rapaz perfeito, a deixaria apaixonada também. Hideki chega na escola a tempo, enquanto o sinal tocara. Se apressa e sobe para a sala de aula, teria que esperar o intervalo para falar com Louise, se lamentava.
Sahishi: Puts O_O, quem é você?
Hideki: Hã? Não torra mano.
Alya: Hide-Kun, você tem alguma palestra ou algo do tipo? O3O’
Hideki: Mas por que tão dizendo isso? D: *vestido formalmente*
Sahishi: Nós temos 3 uniformes, e esse... é pra dias especiais ou de festivais. E nem NESSES DIAS EU TE VI USANDO ELES Ò-O
Hideki: Ah, é isso? É que ontem não deu pra secar os outros, hehe ^^’
Alya: Hm, será que é isso mesmo? -3- Desconfio..
Hideki: C-claro que é oras! O que está insinuando?
Sahishi: Poderia ser.../)
Alya: Que você foi obrigado pro sua mãe á se vestir melhor O:
Sahishi: Eu iria dizer que ele está afim de alguém D: qq
Hideki: Hã? Afim de quem cara? Haha, a Alya-Chan dessa vez chegou mais perto.
Alya: HÁ, I win =B
Sahishi: *Se sentindo o idiota*
O sinal para o intervalo batia, e mais do que depressa, Hideki não perdera tempo. Corria até o pátio a procura da menina, olhava para todos os cantos, mas não conseguia encontrá-la de forma alguma.
Hideki: *Cacete, essa porra de escola é muito grande, que se foda, vou perguntar pra geral!*
O rapaz então perguntara para quem passasse, se haviam visto uma garota baixa com longos cabelos lisos e castanhos. Até que alguém lhe soube responder.
Selene: Ah, você é o Hideki-Kun do 3ºC né? Fiquei sabendo que ganhou o campeonato de basquete com a escola *-*
Hideki: É, tanto faz. Mas então, onde a menina ta? D:
Selene: O que ela tem demais, hein? Ç-Ç
Hideki: Por favor ;_; me diga
Selene: O que ganho em troca? U-U
Hideki: *Vadia do caralho*. Bem, pode pedir qualquer coisa, apenas diga! *olhando pro relógio*
Selene: AH, sériooo? *w* Quero sair com você, sem mais.
Hideki: OK OK, onde ela ta pelo amor de Deus? ;____________;
Selene; Não vai molestar ela né? D=
Hideki: Vou acabar molestando você se não dizer!
Selene: Certo. Ela ta no terraço ‘u’, é, garota estranha. E então sexta-feira a gente se encontra Hide-Sama *-*, não se esque..
Hideki corria até o terraço, estava quase chorando, precisava encontrá-la, ao acabar de subir as escadas, seu coração batia acelerado, e quando abrira a porta, a pior imagem que podia ver, era refletida em seus negros olhos.
Hideki: *Isso... o que... o que é tudo isso? ...*
Louise estava sentada ao lado de Sahishi. Os dois sorriam, um para o outro, com suas faces bem próximas, pareciam estar quase se pegando. Naquele momento, Hideki preferia estar morto. Sua vida, o sentido que havia encontrado dias atrás, a chama que estava acessa dentro do seu peito, acabara de se apagar. Do céu ao inferno, em poucos dias. E o pior de tudo, seu melhor amigo, a pessoa que lhe trouxe á vida mais uma vez, as duas pessoas que mais considerava no mundo, pareciam estar apaixonadas. O garoto fechara a porta, e apenas sorria. Sorria enquanto chorava, e dava fortes socos na parede, até suas mãos sangrarem, algumas garotas viam e ficavam espantadas com a cena.
Hideki: *POR QUE MALDIÇÃO, POR QUE COMIGO?*
Corria pela escola toda, até sair da mesma. Continuara a correr pelas ruas, sem olhar para frente ou para os lados, apenas corria. Não sabia onde queria chegar, na verdade, não queria chegar a lugar algum. Sua tristeza era tanta, que no momento, ela era convertida em raiva, Hideki só queria ficar sozinho.
Mais calmo, ele caminhara até uma ponte local, queria se isolar do mundo, queria poder gritar, poder acordar desse pesadelo. Não era possível, havia algo errado, tinha certeza de que Louise seria dele, seria a garota de sua vida. Prometeu nunca desistir, mas ao se lembrar dela com Sahishi, seu coração se enchia de raiva, de desprezo, de nojo. Vomitara ás margens do rio, enquanto socava a água. Soltava vários gritos, enquanto arrancava a grama do solo. Por que isso havia acontecido? Era algum castigo de Deus? Se perguntava. Não encontrava saída, pensava até em suicídio. Motivos, inspirações, não mais existiam em sua vida. Até que um cachorro se aproxima, ele parecia estar incomodado com os berros de Hideki, e então começara a rosnar, e em seguida latir. Todos estavam contra o rapaz, o mundo atirava em sua direção. Sem sentimentos, sem nada, Hideki pegava um pedaço de ferro que estava as margens do rio, se aproximava do cachorro, e quando esse mesmo fora atacar o rapaz, ele o golpeava fortemente. O cachorro ficara meio sonso, e então corria embora, mas Hideki, correu atrás dele, e deu-lhe mais um golpe. Dessa vez o cachorro começara a sangrar. O sangue escorria por todo seu pelo, e então, ele começara a gemer, estava com medo, apesar de ser um cachorro de porte grande. Hideki sem piedade alguma, o encurralava na parede, e batia cada vez mais no cachorro, até seu corpo ficara coberto por sangue do animal. Acabara abrindo esse mesmo, e mesmo com a carne desse quase esmagada, ele continuara a bater. Ao ficar sem forças, ele soltara o ferro no chão, e começara a rir freneticamente.
Hideki: AHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAA
AAAAAAAHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAA
AAAAAAAAAAAAAAAAAAAAHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHH! MATAR... MATAR, EU VOU MATAR AQUELES MALDITOS, EU VOU ARRANCAR O CORAÇÃO DAQUELES MISERÁVEIS, HAAAAAAAHAHAHAHAHAHAHA!
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Próximo Capítulo: Abre-se a cortina enferrujada. Parte III
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