Ame No Orchestra
2 II- Goodbye, today's sunshine.
O coração acompanhava cada um dos passos sobre o asfalto molhado, falhando uma batida quando a caminhada era interrompida para que os olhos analisassem uma ou outra pessoa entre as várias que iam e vinham pela rua. Um cabelo parecido, um porte semelhante... Não, nenhuma delas era ele.
A chuva não era nenhum titã capaz de fazer transbordar uma represa ou coisa parecida, mas ainda era forte o suficiente para que suas calças, a partir dos joelhos, tivessem em pouco tempo se tornado pequenos reservatórios de água. Pensava poder encher uma jarra de um litro caso torcesse o pesado tecido sobre ela.
Riu-se baixo, parando junto a um poste e lançando um rápido olhar às luzes coloridas da casa de shows que ficara para trás.
— É tudo culpa sua – Sorriu de canto, tornando a dar as costas ao local e retomando sua caminhada. – Obrigado.
—
Gotejando, gotejando, uma, duas
— “Moro aqui perto”... Aqui perto... Aqui perto onde, garoto? – Reclamava um cansado e irritado Ryutaro, parando debaixo de uma árvore qualquer e buscando retomar seu fôlego. Havia repetido a mesma frase centenas de vezes nas incontáveis horas em que ia e vinha por aquela rua, à qual voltara poucas semanas depois do incidente com o garoto do guarda-chuva vermelho ao qual se sentia na obrigação de devolver o pertence.
Consultou o relógio de pulso, deixando escapar dos carnudos um suspiro inconformado. Ainda não acreditava que tinha sido tão imbecil a ponto de sair de Chiba para procurar em Kyoto alguém de quem não sabia absolutamente nada, e tudo para entregar um maldito guarda-chuva. Saber que o outro morava por perto era a única pista que tinha para encontrá-lo.
Mas... Onde ficava o “por perto”?
— Olha, eu cansei de te procurar. Se morar mesmo aqui perto – Sentou-se na grama, cruzando os braços frente ao peito e dividindo a atenção entre sua direita e sua esquerda, esperando para ver por qual ponta da rua o rapaz apareceria. – Então terá que passar por esta rua de novo.
O céu havia escurecido bastante no tempo em que o vocalista passou caminhando pelas redondezas, mas, dando voltas e mais voltas analisando minunciosamente cada estudante que cruzava seu campo de visão, o rapaz não foi capaz de perceber a mudança até uma repentina chuva abater-se sobre sua cabeça.
Do lado de fora, a chuva começa a cair delicadamente, como a previsão havia anunciado.
— Ah, merda! – Ralhou enquanto a mochila foi trazida das costas ao colo. O zíper foi aberto às pressas e, debaixo de blusas e pacotes de salgadinho, surgiu o problemático guarda-chuva vermelho puxado rapidamente e aberto sobre a cabeça do moreno que, encarando a rua, comprimiu os lábios. – Se seu guarda-chuva está comigo... Espero que tenha outro, garoto.
Pergunto-me se você levou seu guarda-chuva.
Levantou-se, optando por ir embora. Caminhou mais um pouco, embrenhando-se cada vez mais naquele bairro pacato. Os olhos não paravam quietos, tentando gravar a posição de cada casa e cada poste em seu trajeto – embora sua situação não diferisse muito da anterior e, debaixo daquele aguaceiro, tudo tivesse a mesma aparência. Ao parar para pensar, deu-se conta de que não podia ser um simples truque da água. O lugar era realmente simplório e, mesmo à luz do dia, as casas eram todas parecidas.
— Que fim de mundo esse em que você mora, garoto.
— É, eu também acho...
Sobressaltou-se. A cabeça se moveu rápido em busca da pessoa que o teria respondido até, debaixo do toldo de um pequeno armazém fechado, encontrar a figurinha de uniforme lhe sorrindo desajeitada.
Ryutaro quis fazer de conta que um sorriso não surgiu em seus lábios. Era ele.
“Adeus à luz do sol de hoje”, repeti diversas vezes.
— O que está fazendo aí? Achei que morasse “perto”... – Enfatizara o advérbio com certa ironia ao se aproximar e tomar um lugar junto ao mais jovem abaixo do toldo.
— E moro, mas a chuva me pegou de repente e fiquei preso aqui – Explicou-lhe o menor, apertando um pouco mais a pasta que trazia junto ao peito. – Eu perderia meus trabalhos da escola se me arriscasse a correr nessa tempestade. E... – Os olhos se fixaram à mão esquerda do mais velho. – Você est--
— Ryutaro – Apresentou-se o vocalista de uma forma quase grosseira.
— Ryutaro-san está com meu guarda-chuva – Corrigiu-se o rapazinho, desviando o olhar para um canto qualquer enquanto as bochechas adquiriam um sutil tom avermelhado que o maior se esforçou para ignorar.
— Vim atrás de você para devolvê-lo. Salvaram minha vida, você e ele. Obrigado.
Uma recusa feita no menear da cabeça em negação e os olhos grandes foram direcionados ao painel acinzentado ao longe.
— Não precisa. Olhe.
Os orbes do mais velho seguiram seus semelhantes, alcançando o ponto em questão. A chuva começava a diminuir e, em alguns segundos, cessava por completo. Um final tão inesperado quanto seu início.
E se você erguer os olhos para o céu verá gotas de luz lá
O olhar de Ryutaro para o moreno era um misto de espanto com mais espanto ainda.
— Garoto, você é assustador.
— Tatsuya – Disse o menor tendo nos lábios rosados o sorriso que parecia nunca sair dali. – Mas pode me chamar de Kaya.
— Kaya... Você é assustador. – Retribuiu-lhe o sorriso de um jeito meio torto que arrancou do outro um riso breve e infantil. – Mas por que Kaya?
— Kasei Tatsuya. Juntei o começo e o final para formar meu nome artístico.
— Nome artístico?
— Vou fazer muito sucesso cantando. Não dá pra ser chamado de Hime (5) a vida toda, parece muito... Bobo.
A sobrancelha esquerda de Ryutaro foi arqueada em dúvida.
— Sabe cantar alguma coisa?
— Canto numa banda de garagem.
— Oh...
Um silêncio constrangedor tomou conta do ambiente. Kaya, retraído em sua vergonha por estar expondo tanto da vida que podia ser para o outro tão desinteressante quanto era para si próprio. Ryutaro, xingando-se mentalmente por estar achando lindo aquele jeito tão único do menino Kaya. Um moleque no fim do colegial que não tinha medo de dizer seu nome ou contar seu sonho a alguém para quem, dias antes, o derrubou e ainda sumiu com seu guarda-chuva.
— Kaya...
— Hm?
— Também tenho uma banda de garagem, só pra você saber. Mas ela saiu da garagem há alguns dias e resolveu tocar em varandas... Tem como tirar algo artístico de “Ryutaro Arimura” pra me ajudar?
Os olhos escuros se arregalaram um pouco e o menino explodiu em uma deliciosa gargalhada, seguido do mais velho que, contagiado por aquela alegria espontânea, deixou-se rir livremente junto a ele.
Mais uma pancada de chuva fora de hora, desta vez mais forte. As gotas grossas batendo no toldo abafaram o som dos risos dos não mais desconhecidos que, como duas crianças desejando os brinquedos novos na vitrine de uma loja qualquer, encaravam a tempestade como se seus olhos pudessem captar uma coisa diferente dentro de cada pingo.
Nosso mundano dia-a-dia era tocado pela orquestra dos ecos produzidos pela chuva.
— Faz um som complicado – Pronunciou-se o vocalista mais velho, chegando a assustar pela concentração absoluta que dedicavam a não fazer nada.
— Você realmente não gosta de chuva...
— Não a odeio. Ou talvez odeie só um pouquinho quando ela cai sem me avisar, mas estarei bem enquanto existir um Kaya para que eu derrube no meio da rua e ainda ganhe dele um guarda-chuva de brinde – O menor tornou a curvar os lábios em um sorriso abobalhado. – De qualquer forma, o som é... Sei lá.
— É como eu disse da outra vez, você é engraçado. Sabe – Estendeu o braço, posicionando a palma em forma de concha para recolher as gotas que caíam de uma das bordas do toldo. – A chuva é como uma música que eu não sei quem compôs, mas aprendi a escutar sempre.
— Uma música?
O mais novo assentiu, sorrindo-lhe com ternura e gentilmente pousando o indicador molhado em seus lábios.
— Tente ouvir.
Silêncio. Nada além das respirações um pouco pesadas e os diferentes impactos dos pingos de chuva nas mais diversas superfícies, como no tecido esticado do toldo abaixo do qual os dois se protegiam.
— Ne, eu só ouço os pingos batendo nas coisas. – Concluiu Ryutaro, visivelmente confuso. – Para mim, é tudo barulho.
O moreno manteve aquele sorriso nos lábios, desviando o olhar para o horizonte coberto pela escuridão.
— Quando você lê essa letra tantas vezes e consegue notar tudo o que ela está querendo dizer, tudo mesmo, ela acaba se tornando especial. É quase como se fosse uma poesia feita pra você, inspirada em você, na sua vida. (6)
— Então eu tenho que... Ler a chuva?
— É... Algo assim.
Junto com o raio de sol que abria uma brecha entre um punhado de nuvens negras fazendo surgir um bonito arco-íris ao longe, estava formado um vínculo de igual beleza entre Ryutaro e Kaya que, a partir daquele dia, passaram a marcar encontros frequentes — sempre pegos de surpresa pela chuva da temporada, não importando em que lugar da cidade estivessem.
Sem me perder, era capaz de te encontrar no meio da cidade aonde os pecadores vêm e vão.
Passou a ser vital visitar Kyoto para encontrar Kaya que, a cada dia, surpreendia mais e mais o vocalista de Chiba. Conforme as estações iam mudando, Vê-lo partir, por alguma razão, dava-lhe uma sensação de vazio que precisava ser compensada a cada nova visita, fazendo com que se afeiçoasse a abraços espontâneos. Como uma espécie de droga, depois do primeiro abraço Ryutaro teve que admitir para si mesmo que aquele perfume de mulher provindo das roupas do novo amigo era tão necessário às suas narinas que abraçá-lo tornou-se um vício.
A chuva de verão adiantada banha as árvores de cerejeira, e também a mim
Esperando que você volte;
Adquiriu o péssimo hábito de dar desculpas aos companheiros de banda e, livre dos ensaios, fugir para Kyoto que, depois de tanto tempo, acabou por conhecer como a palma de sua mão. Desesperava-se quando o menor não aparecia, lançando constantes olhares ao relógio de pulso e, ao ver a figurinha surgindo ao longe em uma desengonçada corrida para diminuir o atraso, não conseguia conter um suspiro aliviado.
Um gato, molhado e mirrado, junto a você, sempre.
Ao mesmo tempo em que não tinham nada em comum, encontravam-se um no outro com cada conversa. Odiava toda aquela inocência ao mesmo tempo em que a amava. Odiava ser corrigido ao mesmo tempo em que amava aprender com ele, e também odiava perder a reação diante daquele sorriso, ao mesmo tempo em que amava ser o causador dele...
Mas amar era um verbo muito forte. Tão forte quanto... Chover, talvez.
Parecem hortênsias...
O brilhante florescer dos guarda-chuvas nas ruas
Passou-se o primeiro ano e a banda nomeada Plastic Tree, ainda não tão conhecida, aventurou-se em uma pequena turnê de conta própria pelo país. Logo após a apresentação em certa casa de shows em Kyoto, Ryutaro desapareceu, causando aos outros membros uma enorme preocupação. À exceção do esperto baixista que, tendo no canto dos lábios um sorriso torto, afirmava tê-lo visto saindo do clube com alguém da plateia que, durante o show, não tirava os olhos do excêntrico artista de jeito tão incompreensível e voz tão peculiar...
Seu guarda-chuva de vinil num vermelho intenso tingiu seu perfil com a mesma cor.
— Vão matar você, Tarou-kun – Dizia Kaya com dificuldade pela falta de fôlego enquanto corria pela rua larga ao lado do mais velho. – Vão matar a nós dois!
— Se encostarem um dedo em você... – Uma pausa na corrida, as mãos apoiadas nos joelhos e uma forte inspiração, prendendo nos pulmões todo o ar possível antes de soltá-lo pela boca. Ryutaro levantou a cabeça, fitando o amigo com visível deboche no rosto suado. – Eu corro. Todos ali são mais fortes que eu.
— Ora, seu... Vai deixar que eu apanhe sozinho? – Indignou-se o menor, acertando um tapa contra o ombro alheio.
— Ow! – Riu-se o vocal. Iria dizer qualquer coisa em sua defesa, entretanto, uma fortíssima chuva sem aviso prévio fez-se presente, fazendo os outros transeuntes correrem para os abrigos mais próximos.
Os pássaros escondidos nas árvores estão cansados de esperar o céu.
Por sorte, na pequena mochila de Kaya se encontrava o santo guarda-chuva vermelho que, retirado a toda velocidade dali de dentro, foi aberto sobre as cabeças de ambos.
Mas... Eu não odeio esta chuva...
Abrindo meu pequeno guarda-chuva, te convido para ficar embaixo dele.
— É um pouco pequeno pra dois, mas... Acho que cabemos deb--
Fora interrompido pelo inesperado unir de lábios sutilmente gelados aos próprios. A surpresa estampada nos olhos fora abandonada no baixar das pálpebras e, soltando o cabo do guarda-chuva deixando-o ir ao chão, ambos os braços foram passados em torno do pescoço alheio em um suave enlaçar. As línguas se buscando, acariciando-se mutuamente como velhas conhecidas e ofegos e gemidos baixíssimos levados com todo aquele aguaceiro que os ensopava de cima a baixo.
O ar frio corta nossa pele, na distância em que nossos dedos se tocaram.
— Namora comigo, Kaya...? – Atreveu-se a perguntar ao término do ósculo.
— Demorou muito pra pedir, Tarou-kun.
— Seu fedelho irritante...
— Seu atropelador de estudantes – Retrucou o pequeno, tornando a tomar os lábios do mais velho em um novo beijo que tirasse o pouco fôlego ainda restante a ambos.
Hoje, você prendeu seu cabelo, ontem, você tinha um olhar mais adulto,
Tingindo meus dias mundanos.
Era certo que as letras de Plastic Tree trariam aos jovens frequentadores do clube uma nova visão sobre os mais variados assuntos, incluindo o coração. A voz de Ryutaro tomando a forma dos pensamentos de cada um dos presentes só fez com que o nome da banda corresse de boca em boca e, diante de tantos pedidos, poucos meses depois, lá estavam eles novamente. Kaya, o fiel namorado de Ryutaro Arimura, encontrava-se em uma mesa não muito distante do pequeno palco, cantando junto as letras que o amado havia lhe ensinado – e outras que ele mesmo descobrira ao, em uma visita à casa do mais velho, encontrar escondidas em uma pasta debaixo do travesseiro. Tão concentrado que estava na performance do companheiro, mal percebeu os olhares de reprovação que Tadashi, o baixista, lançava-lhe de minuto em minuto.
— Ryu, quero levar um papo contigo – Disse Tadashi ao término da apresentação, dando as costas ao vocalista certo de que ele o seguiria. E assim aconteceu.
— Fala – Pediu Ryutaro com notável pressa de ir embora enquanto seguia a passos firmes pela rua, acompanhando o colega de banda.
— Não precisava esconder de mim.
— Do que está falando, Dashi? Nunca escondi nada de você.
— Não é difícil esconder alguém que já conhece todas as nossas músicas, sendo que nem conhecidos nós somos. Principalmente quando esse alguém está sentado numa das primeiras mesas e não tira os olhos de você.
— Ora, Kaya é--
— Kaya? Então esse é o nome dele? – “Traído por minha própria arrogância”, pensou Ryutaro diante da cara de espanto do colega. – Não acredito, Ryu. Foi por isso que me dispensou. Era por isso que faltava aos ensaios, fugia de mim pra encontrar esse pirralho!
— Meça as palavras, Tadashi – Ordenou ele, fechando a expressão.
— Não vou medir merda nenhuma! O que esse garoto tem que eu não tenho?
— Olhando esse seu surto sem sentido... – O indicador fora levado à testa. – Maturidade.
— Está me chamando de criança?
— Não era bem isso, mas se a carapuça serviu, vista.
— Como pode me dizer isso depois de tudo o que passamos?
— Passamos, conjugou bonito esse passado aí. Acabou, Dashi. Eu não o amava como amo Kaya e, se me der licença – Consultou o relógio, estalando os lábios em auto-reprovação. – Tsc, estou atrasado para me encontrar com ele agora.
Ia dar as costas ao outro quando a gola da camisa fora agarrada e puxada com força, promovendo um encontro violento das bocas dos dois músicos. Tadashi se esforçava para lhe domar os lábios enquanto Ryutaro, atordoado, tentava sem sucesso se esquivar de tal contato.
— Droga, Tadashi! Por que fez isso? – Ralhou, empurrando-o para longe de si assim que teve uma brecha e esfregando o antebraço nos lábios como se fosse possível limpar com a manga da jaqueta os resquícios daquele beijo indesejado. – Imagine o que Kaya faria se visse isso!
O sorriso torto estampou os lábios do baixista.
— Acho que ele não vai se importar mais.
Um movimento de cabeça indicando o resto da rua fez com que o moreno olhasse adiante. Ali à frente, inerte, jazia um jovem desolado. Lágrimas brilhantes corriam de seus olhos incrédulos, e os punhos cerrados nos lados do corpo subiram frente à boca como se fossem capazes de impedir que seu pranto lhe fugisse do controle.
Não chorar seria tarefa para algum deus. Ryutaro o havia traído e ele, sem forças nem para ofendê-lo, só pôde dar as costas ao casal e correr.
— Kaya! Espera!
Não havia tempo de brigar com Tadashi. O vocal disparou atrás de seu namorado equivocado, porém, foi inútil. O pequeno já havia desaparecido antes que pudesse alcançar a esquina.
O brilho de algo numa lixeira próxima chamou sua atenção. Ao se aproximar para verificar, o coração apertou com tal fúria que foi inevitável a ardência das lágrimas futuras dominar seus olhos negros. Era a aliança que dera de presente a Kaya pouco tempo depois do pedido de namoro. Aliança gêmea da dele que, para que não fosse questionado pelos amigos, sempre deixava dentro do bolso da calça.
Guardei a minha pena, e desapercebidamente, o céu começou a clarear
— Maldito... – Grunhiu ao recolher a peça e apertá-la junto ao lado esquerdo do peito, sentindo o rosto ser marcado por dois rastros de água morna que lhe desciam dos olhos. – Maldito seja você, Tadashi!
Você certamente sempre soube das mentiras que eu lhe contei, desde o início.
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