Notas iniciais
Minha primeira história original, espero que gostem!

Eu poderia até falar que estava sem paciência para lidar com a minha mãe naquele momento,mas na verdade, eu nunca tive paciência com ela mesmo. Seus olhos tão verdes como a própria esmeralda me encaravam, acompanhados por seus lábios vermelhos e carnudos, estavam me tirando do sério, Robert, nosso chofer, apenas ria baixinho, vendo a expressão suicida de mamãe em cima de mim. Traidor.

Antes mesmo do carro parar por completo desci dele, ainda ouvindo o gritinho fino e irritado da minha mãe. Alguns segundos depois, ouvi o tão conhecido "ploc", "ploc", de seus Prada em contato com piso de madeira, que os conduzia para a entrada da casa — ou mansão. Passei pela porta, já no hall de entrada, que se consistia em um espaço amplo com uma pequena fonte do lado esquerdo, sendo acompanhado por dois sofás meia lua separados por duas ingrimes escadas e uma pequena mesa no meio deles, situados alguns metros abaixo do piso. Entre eles, havia uma linda escada, por qual tentei subir, sendo impedida logo no primeiro degrau com o que constatei sendo minha mãe segurando o meu braço. Bufei, contando mentalmente até dez para não fazer nenhuma besteira e me virei totalmente para ela, que me olhava feio.

– Esta foi definitivamente a gota d'água Amber Black Sheeran! — ela praticamente gritou, para logo depois se recompor e me olhar com olhos lacrimejantes: — Está vendo o que você me me obriga a fazer?

Reviro os olhos violentamente e me sento na escada com raiva, constatando o óbvio: se Lara não fosse modelo, com certeza seria atriz, pois além de ser fria e superficial como só ela sabe, ainda se fingia de santa, o que me dava uma maldita raiva! Entenda: eu tenho meus motivos para ser "rebelde" como ela mesma fala, "chata" e "marrenta" mais ela também não ajuda! Ta bom que eu extrapolei um pouquinho quando o filho daquele velho milionário vei me chamar pra dançar e eu dei uma joelhada nas suas 'partes baixas' (o que foi meio difícil pelo vestido que me obrigaram a usar) e depois um soco na sua cara falando que eu não ia ir pra cama com ele, mas fazer o que? Sou uma virgem puritana!... Só que não.

– Não venha com esse teatrinho patético pra cima de mim Lara, você sabe muito bem que eu não acredito nele! — gritei — Está tão descontente comigo? Me manda pro meu pai! — subi as escadas correndo, meus olhos e minha cabeça estavam doendo, precisava de um analgésico. Afinal, quem ela pensa que é?

Só porque é minha mãe não quer dizer que pode mandar e desmandar em mim! Se pelo menos tivesse me dado amor, atenção... Mas não! Ela preferi trabalhar ao invés disso, posar para fotos e sair com o Daniell, o empresario dela! E sempre que eu falo do meu pai, ou ela surta geral, ou me manda pro meu quarto! Até parece que tá escondendo algo. Eu em.

Entro no banheiro já me despindo daquela coisa preguenta e ligando o chuveiro. Fala sério! Só porque Lara tem um gênio difícil, não justifica ela ter falado "que eu estava em uma etapa ruim da minha vida, me envolvendo com coisas erradas"! Ta na cara que ela queria insinuar que eu estou usando drogas (o que eunão estou. Sou louca, não homicida), e é claro, se fazer de santa.

Arg!!!

Saio do banho vestindo o roupão e vou pro meu quarto, que é completamente oposto do meu banheiro. Enquanto o banheiro é branco e traz uma certa calma, meu quarto é todo colorido, como se estivéssemos em uma balada, e a lâmpada é tipo aquelas luzes próprias da balada mesmo, sabe? Elas ficam variando de verde, azul, vermelho e amarelo!

Pego o primeiro pijama que vejo, e me visto, não me importando se ele é curto ou não, abro as cortinas que dão passagem para o quarto e me deito na cama, pegando meu livro e começando a lê-lo de onde parei. Quando vou agradecer a Deus pelo total silêncio que esta tendo (ou seja, minha mãe não está secado o cabelo, nem tomando banho, nem se depilando...) uma desgraça bate na porta. Eu mereço, viu?

Falo um "entre", quando na verdade queria mandar a pessoa pro inferno. Lara entra em toda sua glória no meu quarto, o olhando com desprezo como sempre, para logo depois sentar-se em um dos bancos da minha 'mini-cozinha'. Me controlo para não bufar e me levando colocando o livro na estante, caminhando até a geladeira e pegando um picolé de uva, para logo após ficar na sua frente, atrás do balcão. Ela pegou um papel em sua bolsa e deslizou por cima do balcão, falando um simples "leia".

"Nós, do Colégio Miami Boarding High School (M.B.H.S), temos o prazer de convidar sua filha para..."

– O que? — berrei não terminando de ler, deixando meu picolé cair no chão. — Colégio Interno? Você enlouqueceu de vez não foi? Me colocar no meio de filhinhas de papai e playboyzinhos? Você quer o que? Que eu os mate? — indaguei.

– Quero você pronta amanhã ás 07:00 A.M. — informou, como se eu não tivesse surtado segundos atrás — Se não, diga adeus aos seus cartões de credito. — disse já no batente da porta.

– Até parece que eu me importo. — murmurei.

– Então diga adeus ao seu querido papai! — gritou cruzando o corredor.

Bati a porta com a maior força que tinha, apaguei a luz e fui me deitar, colocando o travesseiro na minha cara e gritando, com toda a raiva que tinha.

– Eu definitivamente odeia você Lara Black!

[...]

Acordei com Anne, minha criada e amiga, me balançando, cocei meus olhos numa tentativa falha de tirar a remela deles e levantei da cama, indo tomar um banho pra parecer menos sonâmbula. Lavei os cabelos que por incrível que parece não ficaram uma juba, peguei meu roupão e sai do banheiro, me arrepiando com o ar frio que entrava pela janela. Peguei outra toalha na cômoda e coloquei-a em minha cabeça, vendo Anne ajoelhada ao pé de uma mala branca que eu nunca uso por motivos óbvios (ela é branca), colocando roupas... Peraí, aquilo é roupa rosa?

– Mas... Que merda é essa Anne? — perguntei levantando uma blusa de alcinha... rosa.

– Sua mãe me mandou colocar só as roupas que ela escolheu Am! Você sabe, só sigo ordens. — reclamou em tom de desculpas. — Mas não se preocupe, as roupas que sua mãe escolheu só estão por cima. — falou, pegando carinhosamente a roupa que estava na minha mão e a dobrando, colocando-a na cama.

E quando eu pensava que a minha mãe já tinha feito de tudo...

– Porque você faz isso comigo em? — pergunto olhando teatralmente pra cima. — Por acaso fiz alguma coisa que te ofendeu? — resmunguei me jogando na cama, o que não deu muito certo, pois minha cabeça foi parar a centímetros do chão. Anne riu, me ofereceu a mão, me ajudando a levantar para logo depois e entregar umas roupas, junto com um par de calçados e um creme hidratante.

– Suas roupas. Lara disse que quer te ver como uma verdadeira dama.

Eu ri sarcástica, colocando o creme em cima da cômoda e indo vestir aquela roupa brega que se consistia em uma saia apertada rosa e um top branco.

– Como pode uma coisas dessas? — resmunguei tentando inutilmente vestir aquela coisa — Ai! Será que da pra você parar de rir da minha cara e vir me ajudar Anne? — rimos — Criada abusada!

[...]

Depois de Anne me ajudar a esconder minhas ultimas roupas, desci as escadas rumo a cozinha, onde os cozinheiros trabalhavam e andavam sem parar, fazendo seus afazeres. Uma coisa que me irrita e muita gente na minha casa, a conversa alheia, o barulho dos talheres, panela, e principalmente as faxineiras com os aspiradores ligados me irritam, mas hoje me senti acolhida por isso.

Sentei no banquinho de frente para a bancada, esperando Harry colocar meu lindo e maravilhoso prato de panquecas super-hiper-mega gostosas na minha frente, o que aconteceu segundos depois.

– Para minha querida e nem tão doce Sweety. — declarou sorrindo, mostrando seu perfeitos dentes brancos.

Sorri, peguei o garfo e coloquei um pequeno pedaço em minha boca, apreciando aquele sabor maravilhoso do mel puro e fazendo pequenos barulhos que mostravam meu contentamento com aquilo, o que fazia Harry rir. Bebi uma poupa de suco acompanhando minhas panquecas, dei um beijo na bochecha de Harry e subi para o quarto indo escovar os dentes.

– Minha bunda ta coçando nessa roupa! — digo para Anne saindo do banheiro, que me olha torto dando uma risadinha, pegando o resto das minhas malas e entregando-as a um segurança que me olhava pasmado, o que não durou muito, pois logo começou a levar as malas para a limousine — imagino eu. Fui o seguindo, juntamente com Anne até parar em frente ao carro.

– Já está pronta? — Lara perguntou enquanto folheava uma revista, em nem mesmo tirar seu olhar dela.

– Pra ir pra um inferno onde só tem pessoas mimadas? Nunca. — dou um último abraço em Anne e entro na limousine ouvindo a risada de Robert, que também entrou no carro. Foi só os portões da mansão abrir que uma pilha de paparazzis apareceu. Minha mãe continuava a folhear a revista, o que me deu uma ideia. Peguei o controle da limousine e apertei o botão 'Teto Solar', dei mas uma conferida em Lara, constatando que ela estava muito concentrada naquela revista, subi no banco colocando minha cabeça pra fora e gritei:

– Miami que se prepare, pois eu estou chegando bitches!

Mas se minha mãe achava que eu cairia sem lutar ela estava completamente enganada, — pensei, enquanto recebia uma bela bronca.

[...]

Só percebi que estávamos em frente ao aeroporto quando vi Robert tirando minhas malas do porta-malas. Dei uma bocejada saindo do carro, enquanto minha mãe conversava com alguém no celular, mexendo em suas unhas cor 'Delicate', feita pela sua manicure "particular".

Entramos no aeroporto, e logo que minha mãe avistou Daniell, imediatamente desligou o celular, lhe dando um selinho. Como não tinha nenhuma outra cadeira sobrando, sentei ao seu lado, levantando somente quando o locutor anunciou:

"Passageiros com destino a Miami, Flórida, se dirijam até a sala de embarque para fazerem o check-in."

Aproveitei que minha mãe estava dando outro selinho no Daniell (eca!) e sai praticamente correndo, arrastando minhas alas comigo, sem me importar se ela estaria correndo desesperadamente atras de mim com aquelas salto quinze.

Fiz o check-in o mais rápido possível e entrei no avião sem olhar pra trás. Peguei meus fones brancos da Apple, do qual tenho uma secreta paixão, e os coloquei, abrindo o iTunes no meu iPhone 6 Plus que ganhei de aniversário do papai. Minha mãe sentou em uma poltrona ao lado contrário da minha inclinando sua carreira — no que penso eu ser — um ângulo mais confortável, afinal estávamos na primeira classe.

Cliquei no ícone 'Aleatoriamente' sentindo o avião decolar, o que de certa forma me deu algum conforto. Mesmo eu não gostando totalmente dessa ideia, será bom eu me livrar dessa vida de 'aparências' da qual minha mãe convive, e também eu queria ferias já a algum tempo — mesmo estando de ferias num inferno chamado escola.

Fechei os olhos e relaxei o corpo na poltrona, ouvindo alguns segundos depois "My Happy Ending — Avril Lavigne" começar a tocar.

Notas finais
Comentem, e feliz ano novo! Mansão: http://www.webluxo.com.br/menu/imoveis/12/mansao-waterfront-1a.jpg Hall de entrada: http://data.whicdn.com/images/20086597/tumblr_lwvly13UWH1r5sjr2o1_500_large.jpg Quarto da Amber: http://28.media.tumblr.com/tumblr_lm5qkiFyzP1qjoynno1_400.jpg Suíte da Amber: http://www.revistasuacasa.arq.br/pr/wp-content/uploads/2014/02/126.jpg Look da Amber na festa: http://www.polyvore.com/cgi/set?.locale=pt-br&id=185471000 Pijama da Amber: http://www.polyvore.com/cgi/set?.locale=pt-br&id=182150963 Look rosa da Amber: http://www.polyvore.com/cgi/set?.locale=pt-br&id=185468924 Música My Happy Ending traduzida: https://www.youtube.com/watch?v=uqcTwhWizcA
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.