Amber

1 Caro sr. Jefferson


Notas iniciais
"Morrer - dormir - Dormir! Talvez sonhar. Aí está o obstáculo! Os sonhos que hão de vir no sono da morte Quando tivermos escapado ao tumulto vital" — Hamlet, Shakespeare

Eu sou sua, eu disse.

Mas você sabia que eu não pertencia a ninguém. Você conseguia ver sob minha fachada e isso era... aterrorizante. Mas também era excitante. Onde essa relação iria nos levar?

Eu estava curiosa. Queria ir embora, e você prometeu me levar. Me levar... para onde?

Para minha própria perdição. Para o inferno. Eu era o fogo, e mesmo assim acabei me queimando. Eu devia ter previsto isso. Eu não sou tão inocente, tinha garantido. Que pena. Você queria inocência. Você não queria o caos. Você queria pureza, eu era perdição.

Você sempre foi louco, e eu sempre adorei mistérios. Daria pra brincar um pouco, não acha? E nós brincamos. Foi tão divertido enquanto durou! E agora... agora eu não sei se você foi o responsável por meu fim, ou se a culpa também foi minha. Eu tropecei na minha própria filosofia, na necessidade de fugir, e não vi quando era a hora de realmente ir embora.

Se eu tivesse visto, talvez eu não tivesse deixado essa tempestade para trás. Mas que ironia, eu acabei ficando presa. Eu costumava achar que após a morte nosso espírito ficaria livre... mas eu estava presa. A você, e a esse chão. Quem diria que eu jamais sairia de Arcadia Bay?

Pois é. Eu tive que ficar e assistir a todo esse show de horrores.

Impotente, sem poder fazer nada.

Eu poderia ter feito algo para mudar tudo isso? Talvez. Nunca saberemos. A verdade, independente de onde estivermos, é que ambos fomos responsáveis por esse caos.

O inferno está vazio e todos os demônios estão aqui, disse Shakespeare. E nós, Mark Jefferson, nós sabemos muito bem onde eles estão.

Você chegou ao fim do livro. Parabéns!