Ambígua.
9 Sobre meu Eu
Notas iniciais
Me encontrei caminhando na rua
Batemos um papo e eu paguei a bebida
Fiquei sabendo de um monte de coisas,
Tenho razão pra me orgulhar?
Quando parei de priorizar, o melhor de mim?
Quando, meu Deus, passei a ignorar-me tão completamente?
Sinto falta, ah, sinto falta!
Que palavras tão mesquinhas! Sinto. falta.
Que razão tenho eu, para me apegar a elas como uma âncora ao passado?
"Sinto falta", crê no meu comodismo?
Ah, malditinhas! Como se sentir fosse a melhor desculpa
para não mover-me em nenhuma direção que saia da minha estrada pavimentada.
Sinto falta, pois então?
"Mais uma dose" ? Pergunto.
Nunca fui de beber, nada mudou. Trocados gastos rolam pelo balcão, e meus reflexos não condizem comigo.
Eu me encontrei caminhando na rua,
Era meu rosto, e meu corpo e todo o resto
Parei em alarme, era eu, inteira e algo faltava
Era meu rosto, veja bem, e meu corpo
Não! Não pode ser. Era tal qual um espelho imundo
Era uma casca oca
E meus olhos! Um dia terei tais olhos!
Um dia terei tais olhos?
Aqueles não eram em nada como os meus.
O banco range e o bate papo esmorece em dois densos silêncios.
Desconforto, e é isso.
Eu me encontrei na rua e eu tenho nós nos ombros e olheiras chupadas.
"Tudo bem com você?".
Desconforto, e um "não" murmurado entre dentes.
Não fiz tudo que tinha a fazer?
Não risquei cada mísera linha do tutorial da plenitude?
E daí se esqueci de respirar nos espaçamentos,
Se me atropelei em ânsia de atingir o final
BAM!
a linha de chegada rasgou, e eu vi o resultado ali na frente.
O resultado era o Eu expressionista, cubista;
Quem diria que um dia meu futuro
fora uma tela de Dalí?
Eu me encontrei caminhando na rua.
Me encontrei.
Me encontrei?
Me perdi.
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