Ambígua.

8 Sobre abraçar o nunca


Notas iniciais
Olá.

Nunca; Disse um alguém qualquer.
E então Nunca mais falou.
E o nunca habitou sua mente.
E vagou causando estragos.
E o corroeu como lágrimas,
caindo amargamente.
É assim ficou;
Amargo.

Nunca; Pensou um velho marcado.
E então nunca mais tentou.
E as marcas afundaram em seu peito
Cortaram a fé que lhe dera sustento.
É assim ficou.
Dilacerado.

Nunca; Disse um Mestre ao aluno.
E isso então fixou
E nunca Voou para longe,
O usou nos momentos errados,
E assim ficou;
Corrompido.

Nunca; Ouviu um palhaço num rádio.
E o nunca achou confortável,
Ficar ali alastrado.
E ele nunca mais sorriu.
E a euforia sumiu.
Então logo ficou;
Infeliz.

Nunca; Repetiu uma criança em casa.
E seus pais nunca lhe disseram o contrário.
Então cresceu e adotou como um fato.
E Foi o que disse aos filhos.
E assim cresceram;
Desiludidos.

Nunca; Disse alguém maldoso.
Por que ele nunca pensou.
E suas palavras vibraram,
E o nunca se espalhou.
Agarrou-se em outras pessoas
E assim o mundo ficou;
Incrédulo.

Nunca; Alguém berrou.
E o som jorrou de seu corpo,
E todos entraram em sintonia.
E passaram a crer só no nunca.
O nunca que nunca conforta,
O nunca que nunca ajuda.
E assim o mundo ficou;
Nada mais que o mundo.
O mundo como ele é.

Nunca; ouviu alguém que não devia.
E depois disso o mundo só ficou;
Escuro.

Notas finais
Elogios alimentam a alma, críticas alimentam a obra.