Amava-te
1 Amava-te
Notas iniciais
Seus olhos estavam imersos em lágrimas salgadas, seu rosto branco e gelado como porcelana estava molhado, deixava as lágrimas escorrerem livremente. Ela, que era tão contida, em toda sua vida obedecendo ordens, não deixou-se seguir as ordens do coração. Não podia.
Por conta disto, seu grande amor, apenas um medíocre guarda do castelo, lhe deixou. Lhe deixara para partir à vida pós morte. Havia sido assassinado naquela manhã de outono, o sangue escarlate formava poças ao chão frio.
O que a deixava mais triste, além de perdê-lo para sempre sem dizer que o amava, era o fato de que nunca deixara seus sentimentos claros, e ainda aceitara se casar com o cruel rei, para salvar sua família da pobreza. Seu amor pelo homem assassinado era algo terrivelmente forte e intenso, porém secreto, platônico. Aquilo doía, era imensamente torturante. Era algo feito para sufocar-lhe. Todavia, agora ela sabia que até a morte sentiria falta do mesmo, chorando recostada na parede. Queria que ele estivesse lá, que estivesse vivo. Suas últimas palavras foram: "Amo-te, nunca esqueças de mim..." E assim, secando suas lágrimas e lutando contra seu coração despedaçado, ela disse a si mesma e ao demônio de sua mente: "Amava-te".
Fale com o autor