Amaterasu
21 Capítulo 20
Notas iniciais
Toská, Rússia.
27 de março de 2016
10:08 A.M.
— Isso lá é hora de acordar? – Sarada questionou assim que Sasuke, com cara de morto, apareceu na cozinha para tomar café da manhã. – Sakura e eu já estamos quase fazendo o almoço.
"Espero que não fique no nível daquele creme de camarão", pensou o moreno.
— Sarada, não exagera. – Riu a mulher. – Nós também acordamos tarde.
Sakura e Sarada estavam mais próximas uma da outra. A adolescente já amava Izanami e, embora ainda não tivesse digerido a mentira, estava aprendendo a gostar dela como Sakura. Só era um pouco estranho pensar nela como sua mãe.
— Eu ainda tô baqueado... – Sasuke sentou numa cadeira e então colocou um pouco de leite quente numa xícara azul.
— Sasuke! – Sarada revirou os olhos. – Já tem uns cinco dias que você adoeceu. Pelo amor de Deus, foi só um resfriado, você já está pronto pra outra.
— Não estou não. – Murmurou. – E sim, eu ainda estou ruim.
— Homem é mole mesmo. – Sakura não conteve o riso. – Sasuke, deixa de drama. Já tem dias que você não dá febre.
— Mas ainda tô doente. – Fingiu uma tosse. – Nossa... – Suspirou. Foi quando percebeu que, desde que Sakura estava em sua casa, ele sequer dava notícias e Fugaku poderia estar desconfiando de algo. – Que dia é hoje?
— 27. – Respondeu Sarada, então Sasuke arqueou uma sobrancelha após levar uma colherada de mamão até a boca.
— Estamos em março? – Perguntou de boca cheia e Sarada fez uma careta.
— É. – Falou enojada. – Engole antes de falar, Sasuke!
— Amanhã é dia 28 de março... – Levou o dedo indicador até o queixo, falando pensativo.
— Não me diga... — Bufou a menina, revirando os olhos.
— Sakura! – O Uchiha chamou a atenção da mulher que estava lavando a louça. – Amanhã é seu aniversário, né?
— Ah, é verdade. – Sakura se virou para os dois Uchiha que estavam sentados à mesa. – Nossa, eu nem lembrava disso.
— Espera aí... – Falou espantada. – Sakura é de março... Sasuke é de julho...
— Nossa, você sabe o mês do meu aniversário. – O moreno ficou realmente surpreso.
— Sakura, você é mais velha do que o Sasuke? – Uniu as sobrancelhas.
— Apenas alguns meses. – Respondeu risonha.
— Ora, o que são quatro meses? – Bufou o homem.
— Nada, foi só uma curiosidade. – Sarada deu de ombros.
Sakura terminou de lavar a louça e secou as mãos num pano de prato que logo foi deixado sobre a pia.
— Eu vou assistir na sala. – Anunciou a Haruno. – Quem ficar por último, lava as louças que sujarem.
— Bem... – Sarada se levantou lentamente quando Sakura foi para sala. – Acho que vou assistir também. As louças são suas, Sasuke.
— Psiu, espera. – Sasuke cochichou para Sarada e segurou em seu braço para que ela não saísse. – Quero falar com você. – Olhou para trás pra se certificar de que Sakura não estava mais ali perto.
— Sobre? – A menina se mostrou realmente curiosa e então se sentou novamente.
— Amanhã é aniversário da Sakura.
— Sim, você já disse.
— O que você acha de eu encomendar um bolo pra ela? – Sugeriu o moreno.
— Ora essa, você sabe fazer bolo e vai comprar um? – Uniu as sobrancelhas. – Por que você não faz um como fez no meu aniversário aquela vez?
— Ué, você ainda se lembra disso? – Sasuke questionou, confuso e surpreso, fazendo sua filha corar.
Sarada realmente se lembrava daquela caprichada cesta de doces que encontrou na casa de seus avós no dia do seu aniversário. Havia ido comemorar no Shopping com suas coleguinhas da escola, depois Itachi foi buscá-la e até então a menina estava triste por seu pai não ter dado as caras. Mas, quando chegou em casa, Mikoto lhe mostrou a boneca e as guloseimas que o próprio Sasuke havia feito para ela. Ainda estava um pouco triste por não ter visto seu pai num dia tão especial, mas ficou feliz por ter sido lembrada.
— Não importa. – Falou toda desconcertada e ajeitou os óculos. – Você vai fazer ou não?
— Você me ajuda?
— Ora, Sasuke. – Ralhou a menina. – Só vai ser legal se for surpresa. Como nós dois vamos fazer um bolo pra Sakura com ela aqui dentro de casa? – Arqueou uma sobrancelha. – Um de nós tem que sair de casa com ela, daí o outro faz o bolo.
— Isso é uma verdade... – Levou o dedo indicador até o queixo. — Ou nós a trancamos num quarto até tudo ficar pronto.
— Não cola. – Uma luz se acendeu na cabeça de Sarada. – Faz o seguinte: Você sai com ela e eu faço o bolo!
— Tá querendo dar uma de cupido de novo? – Indagou desconfiado.
— Lógico que não! – Respondeu.
Mesmo que mãe e filha estivessem mais próximas, Sarada ainda se sentia meio desconcertada de ficar só com Sakura, uma vez que a lembrança de que a rosada tentou se matar não saía de sua cabeça. Não conseguia deixar de se sentir culpada.
Ainda assim, estava tentando dar uma chance para seus pais.
— Só me garante que não vai ficar algo terrível.
— Pelo amor de Deus! – Bateu na própria testa. – Apenas deixe de ser inútil e chame a Sakura pra sair amanhã.
— Tá bem.
[...]
Toská, Rússia
28 de março de 2016
01:42 P.M.
Fugaku estava em seu escritório, olhando os papéis onde constavam os lucros de seus negócios. Estavam indo bem como sempre. Nunca teve problemas quanto a isto.
Olhou a data no canto da tela de seu computador. Havia mais de uma semana que Sarada não aparecia em sua casa, nem mesmo para falar com Mikoto, como era de costume.
Isto significava apenas uma coisa: Sarada sabia a verdade.
Não pensara isso apenas agora, a ideia rondava sua mente, mas era um homem cauteloso e resolveu esperar. Mas agora iria cumprir sua ameaça, iria matar Sakura Haruno como havia dito e tentaria fazer o mesmo com Sarada de forma indireta. Sasuke sentiria a dor de perdê-las e, depois, seria a vez de livrar-se dele.
Suspirou e olhou outros papéis com alguns trabalhos por fazer. Analisando algum que viesse a interessar sua neta e que fosse deveras complicado. Não havia blefado quando conversou com a Haruno.
Pegou o telefone e discou o número de um de seus agentes. Não demorou a ser atendido.
— Verifique se a Haruno está no apartamento dela, o mais rápido possível.
Não esperou, apenas desligou e recostou-se em sua cadeira para esperar a ligação com a resposta.
Abriu a gaveta e pegou sua pistola S&W 1911, colocando-a sobre a mesa. Queria estar preparado, caso ela estivesse sozinha. Continuou olhando a lista de trabalhos que deveria fazer. Alguns pedidos de assassinato, ameaças, entregas de armas. Suspirou, nenhum parecia o suficiente para o que queria.
Alguns minutos depois, o telefone tocou, indicando que era o seu subordinado.
— Ela está em casa? – Perguntou sem rodeios.
— Não senhor, ela não está em casa. A última vez que apareceu foi na quarta-feira, dia 23. Chegou e saiu em um Audi S8 preto, cujo motorista era um homem de cabelos negros. Acredito que seja o seu filho mais novo, senhor.
— Obrigado pelo serviço. – Resmungou e bateu o telefone com força no gancho. – Maldito Sasuke! – Rosnou entredentes.
Guardou sua S&W no casaco negro e se levantou da sua poltrona, indo em direção à saída do escritório, na intenção de fazer uma coisa completamente impensada.
Como aqueles dois tiveram coragem de contrariá-lo daquela forma? Sentia seu orgulho ferido, uma vez que Sasuke deveria temê-lo e respeitá-lo como um superior.
Ao invés disso, aquele inútil simplesmente ignorava suas ameaças. Ignorou tudo, absolutamente tudo, e, não demonstrando um pingo de zelo para com a vida da mãe de sua filha, contou toda a verdade para a menina.
Sasuke e Sakura já haviam sido avisados, portando não poderiam reclamar caso algo de ruim acontecesse com Sarada ou Sasuke, e Sakura fosse morta...
— Ei! – Mikoto chamou o marido quando o viu passar nervoso pela sala. – Ei, Fugaku, o que houve? Qual é o problema?
— O que houve? – O homem raivoso se virou para a esposa. Seu olhar dava até medo e, quase como um instinto, Mikoto sentia que aquilo tinha a ver com Sasuke. – Sakura Haruno, esse é o nome do problema.
— A mãe de Sarada? – Questionou confusa.
— A própria. – Respondeu furioso. – Ela está aqui, está se envolvendo com Sasuke e com certeza a Sarada já sabe de toda a verdade.
— Então é por isso que ela nunca mais apareceu... – Mikoto falou incrédula. – Não, Fugaku, isso não pode ser verdade.
— Isso é verdade e eu vou cortar o mal pela raiz agora mesmo! – Bradou.
— Calma, não se precipite, não faça uma loucura! Por favor. Sasuke é seu filho, Sarada é sua neta...
— Eu tô pouco me importando com isso agora, porra! – Berrou.
— Você tem certeza de que Sarada sabe da verdade? – Perguntou com a voz calma, tudo para não deixar seu marido mais alterado.
— Provas concretas eu não tenho, mas...
— Então. – A matriarca o interrompeu. – São apenas suposições, você não pode tomar atitudes baseando-se nesse seu achismo!
— Eu tenho certeza de que aquela vadia não honrou com a palavra dela... – Rosnou. – Eu quero matar a Sakura, quero arrancar até o último fio de cabelo rosa da cabeça dela.
— Espera! – Mikoto arregalou os olhos. – Rosa? – Seu rosto ficou contorcido em total confusão. – Izanami...
— Você conhecia Izanami Van Der Bilt? – O homem questionou com a voz um pouco mais calma. – Conhecia essa mulher?
— Eu a vi na casa do Sasuke, achei que era namorada ou ficante dele...
— Exatamente! – Riu sem humor. – Izanami Van Der Bilt é ninguém menos que Sakura Haruno, a mãe de Sarada!
— Não pode ser! – Disse a morena boquiaberta. – A Sarada adorava a Izanami e eu a achei uma mulher muito fina, educada... Jamais me passou pela cabeça que ela pudesse ser a Sakura.
Foi quando o diálogo que tiveram na casa de Sasuke sobre a mãe de Sarada lhe veio à mente.
Izanami não tocou no assunto à toa, aquilo teve um propósito.
Ninguém poderia afirmar naquele momento que Sarada já sabia da verdade, mas Mikoto tinha que admitir que havia essa possibilidade.
Ainda assim, precisava impedir o marido de cometer uma loucura.
— Não pode ser, mas é! – Disse o homem. – Eu não posso deixar isso passar impune, Mikoto! O Sasuke já me enfrentou demais, mas isso eu não vou tolerar!
— Você não pode fazer uma coisa sem ter total certeza! – A mulher aumentou seu tom de voz. – Só porque você acha que Sarada sabe da verdade não significa que ela realmente saiba, entenda isso!
— Por que ela está há dias sem aparecer aqui? – Arqueou uma sobrancelha.
— Não sei, mas pode ter mil motivos! – Tentou explicar. – Sakura é mãe e é óbvio que deve estar querendo ficar perto da filha, mas ela pode estar fazendo isso como Izanami.
— Eu quero aquela víbora longe da minha família. Vou matá-la na primeira oportunidade.
— Não perca a cabeça. – A mulher tentou se manter calma. – Eu vou até a casa do Sasuke hoje e converso com eles. Não faça nada precipitado, pois você pode se arrepender.
[...]
Toská, Rússia.
28 de março de 2016
02:30 P.M.
Sasuke tanto insistiu que Sakura, mesmo sem vontade, aceitou sair com ele. A rosada queria que Sarada também fosse junto, afinal, era o primeiro aniversário que passava junto de sua filha, mas a menina alegou que estava se sentindo indisposta.
O moreno dirigia pelas ruas movimentadas, pensando aonde levaria a rosada num horário daqueles. Seus encontros com mulheres sempre eram à noite, então não tinha noção de um lugar legal pra levar uma mulher antes das três da tarde.
— Pra onde vamos? – Indagou a rosada, nitidamente curiosa com o convite repentino do moreno.
Sasuke com certeza não tinha intenção de levá-la para a cama, então por que a chamaria pra sair?
Ele então deu a primeira resposta que lhe veio à cabeça:
— Shopping.
Até ele se surpreendeu com a resposta, uma vez que, na cabeça dele, assim como é com a maioria dos homens, Shopping é um local torturante e frequentado apenas por madames que não fazem nada da vida além de torrar o dinheiro dos maridos, ou por adolescentes que querem namorar fora das vistas dos pais.
— E nós vamos fazer o que no Shopping?
— Ué, vamos ao cinema. – Respondeu.
Com certeza ir ao cinema era muito melhor do que ficar rodando feito barata tonta no meio daquela infinidade de lojas.
— E vamos ver o quê?
— Filme. – Sasuke respondeu como se fosse óbvio, fazendo Sakura bufar.
— Idiota, eu tô perguntando qual filme vamos ver.
— Ora, você não específica. – Suspirou. – Não sei quais são os filmes em cartaz. Vamos escolher lá.
Logo ambos chegaram ao Golden North Mall, o maior Shopping de Toská e um dos maiores da Rússia.
Sasuke estacionou seu Audi e os dois entraram no Shopping. Sakura, vez ou outra, parava pra olhar as vitrines, mas Sasuke nem dava a chance de ela entrar em alguma loja.
Todavia, ao passar em frente à Dior, Sakura não resistiu e correu para dentro da loja.
Sasuke nem pôs seus pés naquela loja, pois não ia ter paciência para as frescuras de mulherzinha de Sakura, uma vez que com certeza ela experimentaria mil e uma peças de roupa.
O moreno apenas se sentou num banco que ficava do lado de fora da loja e esperou... Esperou... Esperou...
Estava se sentindo uma criança de castigo e já via a hora de Sakura sair dali de dentro e perguntar: "Sabe por que você está sentado aí?".
Teve uma ideia repentina.
Bem, era o aniversário de Sakura e ambos estavam num Shopping, rodeados de lojas. Inclusive, em frente à Dior estava a Bulgari, então por que não comprar alguma coisa pra ela.
Caminhou até a loja e viu várias joias lindas. Conhecia mais ou menos o gosto de Sakura, então não seria difícil presenteá-la, isso sem falar que as atendentes sempre estão lá pra ajudar.
Comprou rapidamente o que tinha de comprar e voltou para o cantinho da disciplina, ou melhor, para o banco onde estava sentado anteriormente.
Ele se surpreendeu ao ver a rosada sair de lá sem uma única sacola, pois aquilo significava que ele havia ficado plantado lá à toa. Em contrapartida, não teriam que carregar sacolas.
— Não comprou nada? – Levantou-se surpreso.
— Pelo contrário. – Respondeu. – Mas vou pegar na volta.
Sasuke suspirou derrotado. Na pior das hipóteses, Sakura iria inventar de comprar mais roupas na volta.
— Vamos logo ao cinema. – Chamou o moreno.
Para a decepção de Sasuke, a maioria das pessoas que estavam no cinema era adolescente e não tinha um único filme legal – na opinião do moreno – passando.
Era muito azar pra uma pessoa só. Sasuke sentia que, na vida, se ferrava tanto quanto Butters e Kenny em South Park.
— E então, Sasuke? – Questionou a Haruno.
— Ué, vamos embora. – Bufou.
— Não. – Protestou a rosada. – Você me fez sair de casa, ficar longe da minha filha no primeiro aniversário dela para nada? Eu quero ver... – Olhou para os cartazes, não tendo muito interesse em nenhum filme. Poderia desistir, mas já havia feito sua reclamação e seu orgulho falou mais alto. – Convergente! – Sequer sabia do que se tratava.
— Me poupe, Sakura!
— Sasuke, é meu aniversário! – Falou, franzindo o cenho.
Valia realmente a pena ficar no meio daqueles adolescentes irritantes fanáticos por essas sagas ridículas e totalmente sem sentido, só pra ver a jararaca cor de rosa feliz? Talvez, por ser aniversário dela, valia o esforço.
— Convergente? – Questionou com desânimo. – Podemos, pelo menos, pensar no caso de ver outra coisa? Até Zootopia deve ser melhor.
— Ok, então serei boazinha. – Suspirou. – Hum... Deixa eu pensar... – Olhou para todos os cartazes novamente. – Batman vs. Superman também parece uma boa.
— Eu prefiro Zootopia. – Comentou o moreno.
— Ah, então vamos ver Batman vs. Superman.
O moreno a encarou com os olhos semicerrados, fazendo a mulher rir.
— Você é péssima... – Silabou.
— Vai logo comprar as entradas e a pipoca.
Sem dizer nada, mas com vontade de se jogar de cima daquele Shopping, Sasuke, em sua última esperança, pegou seu iPhone e mandou uma mensagem para a sua filha, perguntando se o bolo já estava pronto. A resposta foi negativa e Sasuke bufou.
O jeito era se submeter àquela tortura.
Comprou as duas entradas e, em seguida, comprou um pacote grande de pipoca e dois refrigerantes.
Como um grande fã dos heróis da Marvel, Sasuke entrou naquela sala de cinema totalmente contra a sua vontade. Mas, como era aniversário da rosada e ele tinha que dar tempo para Sarada fazer um bolo – que ele rezava pra conseguir digerir após comer –, precisava fazer o sacrifício.
— Com certeza o filme do Capitão América vai ser melhor... – O Uchiha murmurou com os braços cruzados enquanto Sakura estava vidrada na cena em que o Bruce fazia exercícios sem camisa.
— Psiu! – A mulher repreendeu.
— Ah, fala sério! – Revirou os olhos. Sakura com certeza estava pouco se importando com o filme, mas com os atores que fazem os protagonistas. – Cadê a Mulher Maravilha para limpar a vista?
— Sasuke! – Rosnou entredentes. – Estou vendo o Bat-Lindo, por favor, não me interrompa!
— Estou vendo o Bat-Lindo, por favor, não me interrompa. – Ele imitou a voz da rosada com deboche e ouviu um "Shiii" de alguém que estava sentado atrás de si. – Shiii pra você também, cacete!
— Será possível? – A rosada repreendeu. – Sasuke, eu não quero que alguém venha aqui nos expulsar de novo!
— Mereço... – Bufou.
Então ambos ficaram calados e concentrados no filme. Sasuke se mostrava indiferente o tempo todo, enquanto Sakura, durante o confronto entre Clark e Bruce, demonstrava diversas emoções diferentes. Para o moreno, aquele filme estava sendo terrível, esperava que, pelo menos, tivesse uma cena pós-créditos.
Os efeitos especiais eram ótimos, disso ele não tinha dúvidas, mas sentia como se estivesse traindo seus heróis favoritos.
A coisa mudou quando Diana entrou em ação junto com Bruce e Clark.
— Agora o negócio ficou bom! – Sasuke se animou quando alguns adolescentes gritaram empolgados e a rosada revirou os olhos.
— Você tá secando a Mulher Maravilha? – A Haruno uniu as sobrancelhas. – Você está no nível desses moleques punheteiros. – Provocou.
— Foda-se, você estava secando o Bruce! – Retrucou.
— Tava tão na cara assim... – Questionou baixinho e Sasuke não conteve um riso.
A partir daí o filme passou a ficar mais interessante, na opinião de Sasuke. Pelo menos, em uma cena ou outra, ele podia "limpar as vistas" com a Diana.
No fim, o moreno tinha que admitir que foi divertido.
Exceto pelo fato de que tiveram as crianças e adolescentes que ficaram rindo alto, mastigando alto, falando alto e ainda teve um maldito pirralho que passou o filme inteiro empurrando a poltrona de Sasuke com os pés. Entretanto, como o local estava lotado de crianças e adolescentes, até mesmo por causa do horário, aquilo foi inevitável.
— Existe coisinha mais linda do que o Bruce Wayne? – Sakura questionou assim que ambos saíram da sala do cinema.
— Sim. – Assentiu o moreno. – Eu, no conforto e segurança do meu lar, longe desses mini demônios.
— Ninguém te merece. – Bufou. – Vai ficar dizendo que o filme foi uma merda só porque é fã da Marvel?
— Não é só por isso não. – Cruzou os braços em frente ao corpo. – Vingadores é muito melhor.
— As únicas partes boas desse filme são o Thor e o Capitão América!
— Tarada... – Estreitou os olhos. – Você está no nível daqueles moleques punheteiros.
— Credo. – Sakura não conseguiu conter um riso. – Tudo bem, vamos embora. Mas, primeiro, vamos passar na Dior para pegar minhas roupas.
Enquanto Sakura pegava suas roupas na loja e Sasuke esperava ao lado de fora, uma mensagem chegou no WhatsApp do moreno, era Sarada.
“Sasuke, aconteceu um imprevisto.”
“Enrola mais um pouco aí.”
O moreno travou o maxilar.
Teria que aguentar mais tempo de tortura naquele Shopping? Ele pensou que os jogos já tinham acabado.
"Enrolar por mais quanto tempo?"
Logo a mensagem foi enviada e Sarada respondeu:
"Mais uma hora."
Ele arregalou os olhos negros.
Mais uma hora naquele inferno?
Pelo visto, os jogos estavam apenas começando...
Sakura não demorou pra sair da loja com duas sacolas, enquanto isso o moreno pensava numa desculpa para eles não voltarem pra casa.
— Vamos? – Chamou a rosada.
— Sabe, eu... – Riu sem graça. – Eu tô com fome.
— Você devorou aquele balde de pipoca quase todo sozinho, Sasuke. – Falou com um sorriso. – Sério que tá com fome?
— Sakura, pipoca não enche. – Respondeu. – Vamos comer.
Sakura concordou em comer alguma coisa, mas colocou Sasuke para carregar as sacolas. Mesmo bufando de raiva por isso, ele aceitou e carregou aquelas sacolas que foram praticamente jogadas sobre si.
Chegando à praça de alimentação, Sasuke foi guiando a rosada direto para o McDonald's. Sakura estranhou, uma vez que não esperava que Sasuke gostasse de fast food... Bem, nada é impossível nesse mundo.
— Sasuke, por que não comemos em outro lugar? – Indagou a mulher. – Quem sabe comida japonesa...
O homem então olhou para o restaurante de comida japonesa, e este seria uma boa opção de não estivesse praticamente vazio.
Sim, ele escolheu estrategicamente o McDonald's, por ser o local mais cheio naquele momento, consequentemente demoraria mais tempo para o lanche ficar pronto.
— Não estou com vontade de comer sushi. – Respondeu.
— Ah, mas não precisa ser sushi.
— Quero um sanduíche enorme, com tudo que tem direito. – Foi andando com a rosada para a fila do McDonald's.
— Ah, o colesterol...
— E não invente de pedir salada e nem nada do tipo. – Alertou. – Estamos aqui pra comer porcaria.
— Ok... – Suspirou rendida. – Acho que vou preferir nuggets de frango no lugar de sanduíche. E suco no lugar de refrigerante.
— Qual parte do "Estamos aqui pra comer porcaria" você não entendeu?
— Sasuke, do meu lanche cuido eu. – Respondeu a rosada.
— Tá bom, sua fresca.
— Sasuke, essa fila tá muito grande. – Reclamou. – Tem lugar que está sem fila, não precisamos comer aqui.
— Mas eu quero aqui. – Insistiu. Na verdade ele nem gostava de ir no McDonald's ou qualquer outra rede de fast food. Nas poucas vezes em que ia ao shopping, o moreno preferia comer numa pizzaria, numa cantina italiana ou num restaurante de comida japonesa.
Mas a fila do McDonald's estava maior, então era uma boa forma para enrolar.
Após alguns minutos de pé e com Sakura reclamando, os dois finalmente fizeram seus pedidos e foram para uma mesa vazia.
— Nossa, demorou uma eternidade. – Reclamou a rosada enquanto colocava sua bandeja sobre a mesa.
— Já estamos com nossos lanches, não precisa mais reclamar.
— Minha fome triplicou desde que chegamos aqui até agora. – Ela se sentou e logo em seguida pegou o canudo e colocou no copo com suco de uva.
— Então que bom que você não pediu saladinha. – Sasuke riu e pegou seu ClubHouse, o maior sanduíche que havia no cardápio. Queria demorar o máximo possível.
— Como você consegue ter esse corpo? – A Haruno perguntou indignada ao ver não só o tamanho do sanduíche, mas também ao ver que Sasuke havia escolhido a batata frita maior.
— Minha genética é boa. – Deu uma piscadinha para a mulher que revirou os olhos.
— Nossa, que modéstia...
— Sakura, eu não sou uma pessoa sedentária. – Riu.
— Claro, suas missões na Amat...
— Shiii... – Ele interrompeu a rosada. – Não fale esse nome. – Sussurrou olhando para os lados como se temesse que alguém tivesse escutado.
— Eu ainda não me conformei com isso. – Deu uma mordida num nugguet. – E ainda envolveu a minha filha nessa palhaçada toda!
— Sakura, quando eu descobri, já era tarde. – Explicou. – Ela entrou como Uzume. Usou um nome falso para que eu não soubesse.
— Ela usou esse nome falso só pra você não desconfiar de nada?
— É. – Assentiu. – Eu sempre fui contra. Houve um tempo em que Sarada sonhou em fazer medicina e eu cheguei até a pensar que ela tiraria da cabeça a ideia de... Bem, você sabe. – A Haruno assentiu. – Mas não, essa nunca foi a vontade da Sarada, era vontade do meu pai unicamente pra me confrontar e ele fez a Sarada pensar que a vontade era dela.
— Aquele monstro induziu a minha filha a tomar esse caminho... – Falou indignada.
— É. – Abaixou o olhar. – Eu queria tanto que ela seguisse o sonho de ser médica. Eu iria adorar vê-la se formar, tomando um rumo diferente do da maioria dos Uchiha.
— Sasuke... – Sussurrou penalizada. Sakura compreendia tal sentimento.
"A Amaterasu é como uma maldição.", pensou o moreno.
— E você? – Sakura atraiu a atenção do Uchiha. – Cadê o Sasuke que sonhava em ser piloto?
— Sakura. – Riu com deboche. – Aquele sonho ficou no passado. Eu já me envolvi demais nessa vida e pra mim não tem mais volta, mas pra Sarada tem... Ela nunca me escuta, mas, quem sabe, se você falar com ela...
— Sasuke... – Ela o interrompeu. – Depois de tudo isso que aconteceu, você acha que ela me daria ouvidos? Acha mesmo que ela iria ligar pro que eu acho ou deixo de achar?
— É mais fácil você reconquistá-la, sabia? – Arqueou uma sobrancelha. – Ela queria nos ver juntos, lembra? Ela amava você como Izanami e está vendo que aquela mulher não era uma farsa. Sarada te ama, vai por mim, ela só é meio fechada e não sabe demonstrar sentimentos.
— Tal como o pai dela... – A frase de Sakura fez o moreno esboçar um sorriso mínimo. – Mas, você acha mesmo que ela vai aprender a me amar como mãe?
— Não só acho, como tenho certeza de que ela já te ama como mãe. Só precisa de um tempo pra se acostumar. – Respondeu com sinceridade. – Mas comigo as coisas são bem diferentes. Eu perdi o amor da minha filha e ela já não me vê mais como um pai.
— Não sei se você reparou, Sasuke, mas Sarada está mudando à medida que você também está. – Sakura sorriu de canto. – Essa mudança da Sarada depende mais de você do que dela, sabia?
O moreno não conteve um riso, embora mínimo. Foi quando sentiu seu celular vibrar no bolso, então tirou o iPhone e comemorou internamente ao ver uma mensagem de Sarada:
"Já podem vir."
Ambos terminaram de comer quase que em silêncio. Sasuke evitou puxar assunto, visto que queria logo ir para casa.
Com as sacolas da Dior, Sasuke e Sakura foram para o carro do Uchiha e este dirigiu pelas ruas de Toská em direção à sua casa.
— Abaixa o volume, Sasuke. – Sakura reclamou quando o pai de sua filha colocou Back in Black quase no volume máximo, torturando seus tímpanos.
— Ah, você era fã do AC/DC. – Retrucou o moreno.
— Sim, mas tá muito alto. – Ela levou sua mão até o som do carro e abaixou o volume.
— Não corta a liga. – Sasuke foi lá e aumentou o volume, foi quando começou a tocar Highway to Hell e o Uchiha aumentou ainda mais.
— Misericórdia! – Revirou os olhos. – O Sasuke sai da adolescência, mas a adolescência não sai do Sasuke.
Já que Sasuke dirigia com o som no volume máximo e ainda cantava desafinadamente, Sakura resolveu entrar na brincadeira, então foi mudando de música até chegar à favorita dela.
— Ei, quem deixou você mudar? – Sasuke a olhou indignado.
— Eu sei que você também gosta dessa. – Riu, foi quando começou a tocar Evil Walks e a expressão de indignação do rosto do moreno foi substituída por uma expressão alegre.
Sasuke ainda se lembrava de que ambos, na época em que estudavam juntos, tinham o mesmo gosto musical. Bandas que faziam muito sucesso desde os anos 70 e 80 e que são famosas até hoje. Ele não sabia se ela ainda era fã ou se estava apenas recordando os velhos tempos.
— Evil walks behind you.
Evil spleeps beside you.
Evil talks arouse you.
Evil walks behind you. – Ambos cantavam juntos.
[...]
Toská, Rússia
28 de março de 2016
06:43 P.M.
Mikoto já tinha certeza de que Sarada sabia de toda a verdade. Sabia que havia sido enganada a vida toda e com certeza estava muito magoada com todos.
Não estava gostando da história de que seu filho novamente se envolvia com a mulher que, há dezoito anos, foi responsável por vários conflitos dentro da família Uchiha... Sasuke foi obrigado a se mudar por três anos; Fugaku ficou meio paranoico quando Mikoto ia "visitar" Sakura às escondidas; Itachi teve a absurda ideia de sequestrar a menina quando recém-nascida; dentre outras coisas.
Resolveu então ir até a casa de seu filho para conversar melhor com ele, uma vez que ter um diálogo civilizado com Fugaku era uma missão quase impossível.
Pegou seu Mercedes GLS AMG e dirigiu calmamente até a casa de se filho mais novo.
Enquanto isso, na residência de Sasuke, Sarada se livrava do bolo que havia queimado – a primeira tentativa não deu certo – após ter decorado o bolo que havia feito para sua progenitora. Era de chocolate com recheio de coco e cobertura de brigadeiro. Não estava muito decorado, só tinha granulado mesmo, mas estava bonito e ali tinha bolo o suficiente para eles comerem por umas duas semanas.
O bolo estava sobre a mesa da sala de jantar. Sarada estava colocando as velas quando ouviu a campainha ser tocada. Por um instante imaginou que era Sasuke e Sakura, mas seu pai no tinha por que tocar a campainha da própria casa...
— Aquele inútil esqueceu a chave. – A menina revirou os olhos e foi andando a passos largos até a porta. Estava pronta para dar uma bronca em Sasuke por ter esquecido a chave, mas se surpreendeu ao abrir a porta e ver Mikoto. – Vó?
A menina estava boquiaberta, pois ela não esperava ver sua avó ali. Na verdade ainda estava um pouco magoada após ter descoberto a verdade e evitara vê-la por mais de uma semana.
— Posso entrar? – Questionou docemente e Sarada deu passagem para a mais velha.
Ela não conseguia, não podia crer que sua avó, que sempre foi uma pessoa tão meiga e que a criou com tanto carinho, foi capaz de ser cúmplice de tamanha monstruosidade. Ela é mãe e acatou a ideia de tirarem um bebê dos braços da própria mãe. Uma pessoa assim não deve ter coração.
— O que a senhora quer? – Sarada foi curta e grossa. Embora tenha falado com indiferença, sua voz não era tão fria.
— Ora, não posso visitar meu filho e minha neta? – Mikoto respondeu com outra pergunta, sentando-se no sofá da sala.
— Sim, pode, é que... – Ela mordeu o lábio inferior e se sentou no outro sofá.
— O que seu pai falou pra você? – Mikoto mudou seu tom de voz, falando mais séria, coisa rara quando vinda dela.
— A verdade.
— Até que ponto?
— Sou eu quem pergunta, vó! – Retrucou. – Até que ponto eles me contaram a verdade? A senhora foi cúmplice no meu sequestro?
Mikoto gelou. Realmente Sarada já estava ciente de tudo.
Arrependia-se disso e não aguentava mais essas mentiras. Não suportava pensar que sua neta a odiaria por isso, mas era o preço que merecia pagar por esses dezoito anos.
— Não fui cúmplice, mas acabei acatando a ideia.
— Então foi cúmplice! – Alarmou a Uchiha mais nova.
— Sarada, você conhece seu avô e seu tio, sabe que nada muda a cabeça deles. – Explicou. – Por um tempo, eu ajudei a Sakura em segredo, pois o Sasuke, antes de ir embora, me pediu para que eu não a deixasse desamparada. Ela sequer me via, mas eu pagava um bom dinheiro para a dona da pousada onde ela estava, tudo para que não faltasse nada para ela ou pra você. Mas me seguiram, descobriram onde a Sakura estava. Fugaku tem olhos e ouvidos em todo lugar, não foi difícil descobrir o dia em que você nasceu, tal como o hospital em que nasceu.
— Mas por que a senhora sustentou essa mentira? Por que não conversaram com a Sakura ao invés de me roubarem dela?
— Como eu iria explicar isso pra você? – Mikoto se alterou um pouco. – Seu avô proibiu qualquer um de tocar nesse assunto.
— Vocês tinham obrigação de ter me contado! – A menina se levantou num rompante. – Não deviam ter escondido a minha história de mim mesma!
— Sarada, se acalma. – Mikoto se levantou em seguida.
— Me fizeram crescer acreditando que a minha mãe é um monstro que me abandonou, sendo que ela foi uma vítima nisso tudo.
Sarada reconhecia que Sakura não passava de uma vítima em tudo isso. Só o que estava sendo complicado de perdoar era o fato de ela ter escondido que era mãe de Sarada quando descobriu isso.
— Eu admito que errei, mas você não pode me perdoar?
— Se a Sakura não tivesse voltado, quando iriam me contar que eu não fui abandonada, mas sim sequestrada quando nasci? – A adolescente questionou e Mikoto ficou em silêncio. – Foi o que eu pensei.
— Isso não é justo comigo! Eu te criei desde que você nasceu, Sarada. Eu te eduquei, dei amor, carinho e tudo que você precisou. E essa Sakura, ela fez o que? – Indagou a mulher já alterada. – Ela apareceu um dia desses na sua vida e já mudou a sua cabeça desse jeito? Você está rejeitando quem te criou por causa de uma pessoa que nunca fez nada por você?
— Não fez porque lhe foi tirado esse direito! – Respondeu. – E a senhora foi cúmplice disso!
Nesse momento a porta da frente se abriu e Sasuke apareceu na companhia de Sakura. Os dois riam feito criança, por causa do karaokê que ambos fizeram dentro do carro.
Mas os dois ficaram sérios ao ver Mikoto ali, principalmente também ao perceberem o clima tenso que pairava. Era notável que Mikoto e Sarada tiveram um desentendimento e Sasuke imaginava o porquê disso.
— Mãe? – Sasuke falou meio receoso e Sakura já fuzilava a avó de sua filha com o olhar.
— Vim fazer uma visita, mas vejo que não sou bem-vinda. – Disse a mais velha.
— Que bobagem... – Repondeu Sasuke. – A senhora é sempre bem-vinda.
— Estavam se divertindo juntos, eu presumo. – Encarou o moreno e a rosada como se os analisasse. Sakura, que estava de braço dado com Sasuke, permaneceu daquele jeito.
— Estávamos no Shopping. – Sasuke respondeu. – Fomos ao cinema e...
— Sasuke... – Sakura interrompeu o Uchiha. – Você não acha que já está um pouco crescido demais pra dar esse tipo de satisfação pra sua mãe?
— Ah, já entendi porque você anda sumido desse jeito. – A morena mais velha uniu as sobrancelhas. – É incrível o poder que as mulheres têm de virar a cabeça dos homens com tanta facilidade.
Mikoto também falava por si mesma, uma vez que conseguiu casar-se com um homem rico como queria, mesmo não o amando. Conseguiu deixá-lo enfeitiçado e engravidou na primeira oportunidade. Mikoto era a prova viva de que até os homens mais frios ficam bobos quando estão apaixonados.
— Está querendo insinuar o quê? – A rosada estreitou os olhos.
— Não é o que a senhora está pensando! A Sakura não é uma interesseira! – Sarada defendeu sua progenitora. – Ela está aqui em casa porque... – Suspirou. – Porque teve um pequeno problema de saúde. Ela passou mal e não tinha quem cuidasse dela.
— Problema de saúde? – Mikoto riu com deboche. – Você vai ser pai novamente, Sasuke?
—Quê? – O moreno arregalou os olhos. – Sakura não está grávida.
— E se estivesse novamente grávida do Sasuke, acredite, ninguém dessa maldita família chegaria perto do meu filho. – Sakura falou entre dentes, o que soou como uma ameaça.
— Se esquece de que fomos nós que criamos sua filha? – A mãe de Sasuke retrucou.
— Claro que não. – Respondeu a Haruno. – Assim como também não esqueço de que foram vocês que tiraram minha filha de mim por dezoito anos.
— Ela não poderia ter tido uma criação melhor! – Exclamou Mikoto. – Você era uma criança, que futuro poderia dar à Sarada? Admita que a melhor coisa para ela foi ter sido criada por nossa família.
— Mãe, por favor... – Sasuke insistiu, mas em vão.
Sabia que aquela conversa não estava fazendo bem para Sakura e muito menos para Sarada. Ouvir tais coisas de Mikoto, a mulher que a criou por tantos anos, com certeza estava sendo algo devastador para a adolescente.
— Eu jamais impediria a sua família de ter contato com a Sarada! – Bradou a rosada. – Não precisava disso! Eu não tenho culpa de os Uchiha serem uma família de criminosos!
— Já chega! – Sarada gritou, ponto um fim na briga entre sua avó e sua mãe. – Já chega disso. – Ela então olhou para Mikoto. – Vó, vai embora. – Pediu com a voz mais calma. – Essa conversa não vai levar ninguém a lugar algum.
— Tudo bem, eu vou. – Suspirou e então foi andando em direção à saída. Parou com a mão na maçaneta da porta e, por cima do ombro, olhou para Sarada. – Eu não esperava isso de você, Sarada.
Assim que a Uchiha mais velha saiu, Sarada se sentou no sofá com as mãos por cima do rosto. Sem dúvidas havia ficado abalada com aquela conversa e com a confirmação de tudo o que já haviam lhe contado: Sua vida foi uma mentira.
— Sarada, você está bem? – Sasuke sentou ao lado da menina e pôs a mão sobre seu ombro. – Olha pra mim.
— Minha avó tá com raiva de mim agora. – Suspirou. – Eu estava nervosa, mas não consigo sentir raiva dela.
É completamente natural que Sarada não conseguisse sentir raiva da mulher que foi sua figura materna por diversos anos. No entanto ela foi cúmplice em seu sequestro, ela omitiu a verdade por muito tempo e mentiu sobre Sakura, fazendo Sarada crer que havia sido abandonada por sua mãe biológica.
Foi tudo uma grande mentira.
Vendo o quanto Sarada estava nervosa e abalada, Sakura foi até a cozinha para pegar um copo com água para ela. Passando pela sala de jantar, a mulher viu o bolo com cobertura de brigadeiro sobre a mesa e até estranhou.
Voltou para a sala e parou de frente para Sarada, lhe entregando o copo com água.
— Obrigada. – A morena agradeceu e pegou o objeto da mão de Sakura.
— Me perdoa por isso, Sarada. Sei o quanto você ama a sua avó, afinal ela foi... A sua figura materna. – Mordeu o labo inferior, pensar sobre aquilo ainda machucava. – Não é fácil perdoar o que fizeram, não sei se algum dia chegarei a fazê-lo, mas eu prometo tentar por você. Prometo tentar deixar as coisas mais leves. Não quero machucar você mais do que já o fiz.
Sakura mordeu o lábio inferior, estava nervosa, não sabia mais o que falar para Sarada, sabia que aquela discussão havia machucado sua filha, não queria repetir aquilo. Abriu a boca novamente para falar, mas foi surpreendida por um abraço vindo da menor.
Ficou sem reação por alguns segundos, não passava por sua mente a ideia de ser abraçada por Sarada desde que contara a verdade. Passado o choque inicial, a abraçou de volta.
Sasuke sorriu olhando a cena. Sentia-se feliz por vê-las se dando bem.
[...]
A mulher andava apressadamente pela casa, estava furiosa e sabia muito bem de quem era a culpa.
Entrou no escritório de seu marido com brutalidade, o qual levantou de sua cadeira num rompante.
— Não sabe bater antes de en... – Antes que pudesse terminar a frase. Mikoto esbofeteou a face do Uchiha.
— Você é ridículo! – Pegou o mouse sem fio e jogou sobre ele.
— O que deu em você? Ficou louca? – Deu a volta em sua mesa e ficou de frente para a esposa.
— Por sua culpa a Sarada me odeia agora! – Gritou com lágrimas nos olhos.
— Aquela vadia cor de rosa contou tudo para ela? – Esbravejou. – Eu sabia!
O Uchiha pegou sua S&W que estava na gaveta, mas Mikoto o segurou e o empurrou contra a mesa com violência.
— O que você disse para ela?
— Eu não disse nada! Aquela Haruno e o inútil do seu filho quem contaram!
— Nosso filho! – Corrigiu. – Você me dá nojo, Fugaku! Se eu tivesse lhe impedido naquela época, não teria que ver minha neta decepcionada comigo!
— E você acha que eu ligo? – Riu em deboche e levou outro tapa.
— Eu não estou brincando! – Gritou. – Juro que quero te matar agora mesmo!
Mikoto estava furiosa, o próprio Uchiha não esperava tal atitude de sua mulher. Ela estava chorando descontroladamente.
— Preciso resolver uma coisa com aqueles dois... – A afastou com calma.
— Você não vai embora enquanto eu estiver nesta sala! Vai saber a loucura que está prestes a cometer.
— Eu disse àqueles dois que se dissessem a verdade para a Sarada, eu os mataria. E como um mafioso, cumprirei minha palavra.
— Você não é ninguém, Fugaku! Acha que eles têm medo de você? Se tivessem teriam escutado a sua ameaça. Mas veja só... – Riu em escárnio. – Eles nem ligaram para isso.
— Se não ligaram em vida, vão ligar na morte. – Tentou passar, mas novamente foi interrompido.
— E de que adianta fazer isso se Sarada já sabe de tudo?
— Eu já tomei a minha decisão, não se meta. – Falou friamente.
— Se você fizer isso, eu matarei você! – Ameaçou e ele riu. – Continua rindo. Você não pode se livrar de mim e muito menos me matar. Aliás, você não pode fazer nada, a polícia tá investigando o Sasuke, se você fizer algo a ele, não sairá impune.
A expressão do patriarca se tornou séria. Ela estava certa. Não podia fazer nada.
Virou-se para a mesa e a socou com raiva. Sasuke sempre impede seus planos.
— O que eu faço, então? – Se sentia humilhado por pedir conselhos à esposa insubmissa.
— Não sei. – Falou com sarcasmo. – Você não é o poderoso chefão, o senhor sabe tudo, o mafioso temido? Deve saber o que fazer melhor do que eu.
Mikoto saía da sala, e ao tocar na maçaneta da porta, se virou para ele e disse:
— Mas se mesmo assim quiser um conselho, sugiro que se mate. – E saiu.
[...]
Quando Sakura sentiu que Sarada não estava mais tensa, resolveu começar outro assunto:
— Eu sei que não é da minha conta, mas por que tem um bolo enorme em cima da mesa?
— Ai, droga! – A adolescente se afastou bruscamente de Sakura e bateu na própria testa, se odiando por não ter escondido o bolo. – Sakura, era pra ser uma surpresa. – Fechou a cara, então colocou o copo vazio sobre a mesinha de centro.
— Surpresa? – O rosto da mulher se contorceu em total confusão.
— É. – Assentiu. – Mas, pelo visto, a surpresa foi pro ralo.
— Tá dizendo que eu assisti Batman vs. Superman e fiquei meia hora numa fila do McDonald's à toa? – O Uchiha questionou indignado.
— Espera... – A Haruno olhou para os dois Uchiha sentados no sofá. – Vocês se uniram só pra me fazer uma surpresa.
— Era essa a intenção. – Respondeu a menina.
— Sakura, você acha mesmo que eu iria me deslocar da minha casa pra um Shopping assim do nada? – Arqueou uma sobrancelha. – É óbvio que não!
— Ainda não creio que vocês dois... Vocês dois... – Enfatizou a última parte. – Se uniram. Isso é quase um milagre.
— Não exagera. – Disse Sasuke. – Fizemos isso por você.
— Mas a surpresa não foi bem como planejamos... – Murmurou a morena. – E o primeiro bolo que eu fiz queimou... – Suspirou, fazendo Sasuke empalidecer. Ele rezava para que o bolo estivesse digerível. – Mas o segundo ficou tão lindo e tão gostoso...
— Ora essa, não vamos estragar meu bolo de aniversário. – A rosada esboçou um largo sorriso. – Vamos comer!
Sakura não poderia estar mais feliz. Sarada e Sasuke se uniram para lhe fazer uma surpresa de aniversário, algo realmente louvável. Sarada não tinha ódio da mãe e, aos poucos e com pequenos gestos, demonstrava que realmente a amava.
[...]
Realmente não tinha muito que fazer após comerem o bolo, mas o restante do aniversário de Sakura foi bem divertido.
Sarada pegou seu banco imobiliário e colocou na mesinha de centro da sala, onde os três passaram horas jogando enquanto comiam bolo com refrigerante.
Para a alegria de Sasuke, o bolo estava uma delícia. Parece que apenas o creme de camarão foi infeliz mesmo.
Sarada esqueceu um pouco do desentendimento com sua avó enquanto se divertia com seus pais. Sakura, embora não tivesse gostado de ver a filha no estado em que havia ficado anteriormente, preferiu não falar mais nada além do que já havia dito. Não havia mais o que falar, não havia palavras para consolar a menina.
Ela foi enganada a vida inteira e isso é fato, nenhuma palavra doce poderia apagar o que aconteceu.
Mas agora, Sarada parecia estar pouco se importando com isso. Aproveitou aquelas horas preciosas, divertindo-se com seu pai e sua mãe, tendo um momento em família como sempre sonhou.
Ainda estava um pouco magoada com seus pais, mas tinha que admitir que estava gostando daquilo.
— Ainda não acredito que vocês foram assistir Batman vs. Superman. – Disse a menina. – É bom?
— Ótimo. – Sakura respondeu com os olhos brilhando.
— Deadpool foi melhor. – Respondeu com indiferença o homem que simplesmente detestou o filme.
— Nem vem! – A rosada uniu as sobrancelhas. – Esse filme foi ótimo, muito melhor do que Deadpool, tenho certeza!
— Guerra Civil vai ser melhor, com certeza vai. – Sasuke falou convicto.
— Começou... – Murmurou a adolescente. – Ah, cansei desse jogo. – Ela se levantou do chão e esticou a coluna. – Esse papo sobre filmes me deu vontade de assistir um filme.
— Gostei da ideia. – Sasuke então pegou o controle e ligou a televisão, colocando na Netflix, assim que se sentou no sofá, ao lado de Sakura e Sarada.
— Qual? – Indagou a Haruno.
— Vingadores. – Sasuke esboçou um sorriso de canto.
— Eu já estava adivinhando... – Disse Sarada.
— Olha, eu fui obrigado a ver Batman vs. Superman e não tinha nem uma mísera cena pós-créditos!
— É porque o filme não é da Marvel, sua anta. – Sarada revirou os olhos.
— Exatamente. – Com o controle na mão, Sasuke selecionou o filme sem ao menos perguntar para Sakura ou Sarada se elas queriam ver.
— Pelo menos tem o Thor e o Capitão América. – A Haruno deu de ombros.
— Ah, o Thor e o Steve... – Suspirou a morena, então Sasuke olhou enojado para ambas.
— Ninguém merece, viu? – Balançou a cabeça em sinal negativo.
Eles conseguiram ver o filme inteiro, mesmo que os comentários das duas mulheres sobre o Thor e o Capitão América no meio do filme fizessem Sasuke querer pegar sua Glock42 e dar um tiro na própria cabeça.
Depois de verem o filme, resolveram assistir outro. No entanto, como a rosada era a aniversariante, nada mais justo do que ela escolher o filme:
— Nem fodendo! – Berrou o moreno. – Sakura, eu me recuso.
— Ah, por favor. – Ela resmungou. – Eu gosto desse filme, é um clássico!
— Sakura... – Sarada se manifestou. – Esse filme é de 1961.
— Um clássico! – Pontuou a Haruno.
— Sakura, esse filme é velho! – Explicou o moreno.
— Bonequinha de Luxo é um clássico! Audrey Hepburn é um dos maiores ícones do cinema. – A mulher cruzou os braços em frente ao corpo.
— Só o nome já é brochante. – Sasuke fez uma careta.
— Tá certo que é muito velho e parece horrível, mas podemos fazer um esforço porque é aniversário da Sakura. – Sarada sugeriu.
Sakura não conteve um riso. Era incrível como Sasuke e Sarada eram extremamente parecidos, não somente na aparência.
— Sugiro Star Wars. – Disse o moreno.
— Você não acabou de reclamar por Bonequinha de Luxo ser velho? – A rosada ergueu uma sobrancelha. – Quero um filme emocionante, com sentimentos.
— Ver o Obi-Wan Kenobi ser morto pelo ex discípulo não é suficiente? – Bufou.
— Eu concordo, mas quero ver o mesmo que a Sakura. – Sarada respondeu.
— Dois contra um. – A mulher provocou e Sasuke travou o maxilar. Não tinha saída para ele, o jeito era assistir o filme romântico e antigo. – Sasuke, aceita que dói menos.
— Tá, põe essa merda... – Murmurou e Sakura sorriu vitoriosa.
Enfim a discussão terminou e eles puderam ver o filme. Sakura ficava vidrada o tempo todo, pois sempre amou filmes mais velhos, considerados clássicos, e o único som que podia ser ouvido era dos bocejos de Sarada e Sasuke durante as cenas.
Pai e filha hora ou outra se olhavam e, mesmo em silêncio, concordavam que ver aquele filme era quase como uma tortura. Filmes de romance davam enjoo.
Após quase duas horas de filme, a tortura dos Uchiha acabou. Sasuke comemorou por isso, enquanto Sarada já estava dormindo desde a metade do filme, com a cabeça no ombro de Sakura, que fazia carinho nos cabelos lisos da mais nova.
— Tadinha... Foi demais pra ela... – Sasuke olhou penalizado para a filha que dormia toda torta no sofá.
— Deixa disso, o filme é ótimo! – Bufou a rosada.
— Tão ótimo que a Sarada tá hibernando. – Sasuke então se levantou do sofá e resolveu não acordar sua filha, mas pegá-la no colo para levá-la até sua cama – Nossa... Ela estava mais leve na última vez que a peguei.
— Imagino há quanto tempo deve ter sido. – Suspirou a mulher que levantou do sofá após desligar a televisão e largar o controle sobre a mesinha de centro. – Sasuke, espera. – Ela então tirou os óculos do rosto de Sarada, uma vez que poderia cair e quebrar. – Pronto.
Sasuke então subiu as escadas com Sarada no colo até o quarto da menina, onde a colocou sobre a cama e em seguida a cobriu com o edredom bege.
— Incrível como ela se parece com você. – A rosada fitou o rosto da filha adormecida após colocar sobre o criado mudo os óculos de armação vermelha.
— Ela também se parece com você, Sakura. – Respondeu. – Não tanto na aparência, mas se parece. Ela tem seus olhos e bastante da sua personalidade.
— Sabe... – A mulher colocou uma mecha de seu cabelo rosado atrás da orelha. – Eu costumava ficar imaginando como seria a aparência da minha Haruka. Eu mal a vi quando nasceu...
— Isso sem falar que bebês nascem com cara de joelho. – Sasuke a interrompeu e Sakura não pôde deixar de rir do comentário.
— Tem isso também. – Assentiu risonha. – Eu não fazia ideia de como deveria ser a aparência da minha filha. Ficava imaginando isso e, devo admitir, ela é muito mais linda do que eu imaginei.
— É engraçado como você ama a Sarada sem ao menos ter convivido com ela. Quer dizer, vocês se conhecem há pouquíssimo tempo.
— Não importa, Sasuke. Não importa, porque ela é minha filha e eu realizei um sonho ao encontrá-la.
— É bom ver você alegre de novo, Sakura. – O moreno esboçou um sorriso sincero ao ver que Sakura havia resgatado o brilho em seu olhar. O contato com Sarada realmente estava fazendo muito bem para a Haruno.
— Obrigada, Sasuke. – Virou-se para o Uchiha e olhou para seus olhos tão negros quanto envolventes. – Obrigada por se importar comigo e por estar lá pra mim.
— Eu te salvaria da morte mil vezes se fosse necessário. – Sorriu de canto, então levou sua mão até o queixo da rosada e passou levemente o dedão por seus lábios carnudos e extremamente convidativos.
— Você é mesmo um cafajeste... – Sussurrou com um ar de riso e levou ambas as mãos até o peito de Sasuke, ficando ainda mais próxima dele.
— Você sabe que eu não presto. – Respondeu no mesmo tom e então levou seus lábios de encontro com os da Haruno.
Dessa vez, como Sasuke já esperava, Sakura retribuiu aquele beijo que não foi tão repentino.
Sasuke não sabia o porquê de estar fazendo aquilo. Desejava a rosada, afinal ela era uma mulher extremamente atraente. Mas naquele momento não tinha a intenção de levá-la para a cama. Se ele não tinha segundas intenções, como o cafajeste nato que é, por que a beijou de maneira tão carinhosa e delicada? Por que tinha vontade de protegê-la e de consolá-la? Por que a desejava de uma forma pura?
Teria realmente se apaixonado pela rosada?
Sakura também não sabia por que retribuía aquele beijo, mas sentiu vontade de beijá-lo. Sentiu falta dos lábios de Sasuke nos seus. Recordou a época em que ambos eram apenas dois jovens inconsequentes tendo suas primeiras descobertas da vida.
Talvez tenha sido algum tipo de carência devido aos acontecimentos dos últimos dias. Sakura, até onde a própria sabe, jamais teve algum sentimento romântico para com Sasuke, e nem ele por ela. Então por que aquilo estaria acontecendo? Por que ambos queriam que o tempo simplesmente parasse naquele momento?
— É... – Sakura pigarreou quando seus lábios se afastaram dos de Sasuke. – Não foi melhor do que o abraço da Sarada, mas foi um belo presente de aniversário. – Falou meio envergonhada.
— E quem disse que as surpresas param por aí? – De dentro do seu casaco, Sasuke tirou uma caixinha vermelha aveludada. – Espero que goste.
Sasuke abriu a caixinha, expondo um belo colar de ouro cujo pingente era uma pequena e delicada esmeralda.
Os olhos da Haruno brilharam ao ver aquilo. Não pelo preço, uma vez que ela é uma mulher rica e pode comprar quantas joias sentir vontade, mas pelo gesto. Sasuke se lembrou dela e teve o trabalho de escolher uma joia belíssima para lhe presentear em seu aniversário.
— Eu não tenho palavras. – Sorriu. – É lindo.
— Fico feliz que tenha gostado.
— Põe pra mim?
— Claro.
Sasuke então retirou o colar da caixinha e a largou sobre o criado mudo de Sarada, ao lado dos óculos da menina. Sakura virou-se de costas para o moreno e colocou seus cabelos para frente, deixando livre seu delicado pescoço para que Sasuke pudesse colocar o colar.
Após abotoar a jaia, Sasuke deu um beijo delicado no pescoço de Sakura, fazendo-a se arrepiar.
— Acho melhor irmos para o quarto. – Sakura se virou novamente para Sasuke e ele sorriu de canto.
— Também acho uma boa ideia.
— Eu para o meu e você para o seu. – Caminhou até a porta do quarto que estava entreaberta, então parou com a mão sobre a maçaneta e olhou para o homem que continuava perto da cama de Sarada, parado feito um poste, e com cara de bobo. – O que foi, Sasuke?
— Nada não. – Ele riu enquanto balançava a cabeça em sinal negativo. Há poucos segundos não tinha nenhum tipo de segundas intenções com a Haruno e agora já imaginava mil e uma coisas pervertidas. – Também estou cansado. Acho que vou dormir.
Sasuke então saiu do quarto acompanhado de Sakura e, assim que a porta foi fechada, Sarada abriu os olhos e sorriu.
Realmente seus pais estavam apaixonados. De um jeito ou de outro, sua missão de cupido, mesmo interrompida, estava dando certo.
[...]
Toská, Rússia
29 de março de 2016
08:01 A.M.
— Bom, o que conseguiram? – Perguntou o delegado Nara.
— Assim como o senhor sugeriu, resolvemos começar investigando o legista Kabuto Yakushi. – Começou Hidan. – Infelizmente tanto o corpo de Deidara, quanto o de Kisame Hoshigaki foram velados, então só nos restaram analisar as fotos tiradas.
Neste momento, Kakuzu retirou de um envelope amarelo várias fotos do corpo das vítimas e as jogou sobre a mesa do delegado.
A Yamanaka pegou a imagem em que mostrava o soco no rosto de uma das vítimas e mostrou a todos ali presente, inclusive Hinata.
— Esta foto está em tamanho real, se observarmos bem, a julgar pelo tamanho, veremos que o assassino se trata de um homem. – Disse a loira. – Assim como o Yakushi afirmou.
Kakuzu pegou um outro envelope e dele tirou dois pequenos pacotes que continham uma bala cada, uma delas estava deformada.
— Esta bala nós tiramos da árvore daquele parque. – Disse o rapaz enquanto jogava um dos pacotes na mesa, em seguida o outro. – E esta foi retirada da cabeça da jovem Ayame. Provavelmente uma Desert Eagle e uma Glock 42, respectivamente.
— Mas ainda não entendi o que tudo isso tem a ver com a Karin. – A Hyuuga se manifestou confusa.
— A resposta está do seu lado. – Disse Hidan.
A morena olhou de um para o outro, mas nada encontrou. Somente o seu colega de trabalho, Kabuto.
— Eu? – Perguntou o Yakushi, o qual obteve resposta positiva.
— A Hyuuga mandou Karin Uzumaki investigar Sasuke Uchiha em segredo, e acabou “descobrindo” que ele por um acaso possuía as armas dos crimes aqui ditos. – Kakuzu fez sinal de aspas com as mãos. – Como acha que isto aconteceu?
— Ora essa, ela me enviou fotos na mesma hora. – Replicou Hinata. Nem se surpreendeu ao saber que o trio de Moscou já estava ciente da missão particular de sua cunhada. – Sem contar que as armas dos crimes são caras, não é qualquer pessoa que pode comprar, e os corpos e as pistolas foram encontrados em Toská. Fica fácil dizer que o Uchiha é um grande suspeito.
— Já se perguntou se ela não a enganava? – Supôs Ino. – Ela pode muito bem ter lhe dado provas falsas para que você acusasse o Uchiha injustamente e fosse demitida.
— Ela é minha família! – Protestou indignada.
— Até mesmo uma família pode ter pessoas falsas, Hyuuga... – Apontou Kakuzu.
— Com a melhor investigadora fora da jogada, o caminho ficaria livre para a segunda melhor subir de posição, que no caso é a Uzumaki. – Disse Hidan.
— É aí que entra o Yakushi. – Nara se pronunciou. – Não queremos insinuar nada, mas pode ser que você tenha colaborado com Karin para afastar a Hinata.
— Por quê? – O albino estava visivelmente surpreso.
— Você próprio afirma ter inveja da Hinata, por ela ser uma excelente investigadora. Inclusive, assim que a senhorita Yamanaka veio para Toská, o senhor pesquisou a ficha dela em Moscou. – Replicou.
— Isso é um absurdo! Estão acusando eles como se realmente quisessem me afastar! – Protestou a morena. – Isso é absolutamente impossível!
— Me diga, então, como é possível sua cunhada lhe entregar provas e quando vocês foram procurar na casa do Uchiha, elas sumiram? – Rebateu Ino. – Vejo duas possibilidade para isso: a primeira é de que ele era realmente inocente; a segunda é de que alguém passou esta informação para ele, se não foi você, só pode ter sido a Karin.
Hinata estava sem resposta diante de tais teorias e olhou para seu colega de trabalho de longa data. Não queria desconfiar dele e nem de Karin. Mas por ser uma investigadora profissional, tinha de concordar que essas suspeitas são absolutamente válidas.
— Nunca ouvi tanta difamação em toda a minha vida. – Kabuto se pronunciou irritado.
— São apenas suposições. – Shikamaru tentou acalmar o clima hostil que se instaurou ali, em vão.
— É possível que o senhor Yakushi e a senhorita Uzumaki tenham lhe passado informações que a fizessem acreditar que se tratava do Uchiha. – Kakuzu disse à mulher.
— Uma coisa que reforça isso é o depoimento de um dos vizinhos de Karin. – Hidan suspirou. – Perguntamos a ele se viu algo estranho no dia em que ela desapareceu, há um mês.
— Ele relatou tê-la visto entrando num carro preto, não lembra como era o homem, mas dizia que Karin estava muito bem arrumada. – A loira olhava para uma folha contendo as informações. – O que conversaram no telefone?
— Ela estava triste por eu ter sido afastada, dizia o tempo todo que a culpa era dela e pedia desculpas...
— Para alguém que foi a um encontro, não creio que ela estava triste. – Hidan cruzou os braços.
— O Uchiha tem um carro preto... – Arriscou Hinata.
— Mas você também tem um. – Cortou Kakuzu. – Bom, o seu marido tem...
— Como sabe? – Franziu o cenho.
— Investigamos isso também. – Deu de ombros. – Não se esqueça de que você também é suspeita no desaparecimento de Karin Uzumaki.
— Eu sou a vítima e suspeita ao mesmo tempo? – Arqueou a sobrancelha.
— Ela é suspeita de ter feito algo contra você, você é suspeita de fazer algo contra ela. Ao que me parece, pode ser um caso de vingança. – Ino explicou. – Isso, unido ao fato de que as provas contra o Uchiha terem se tornado quase inexistentes depois que a Uzumaki sumiu.
— Precisamos analisar todos os casos. Karin pode ter armado para cima de você, mas você também pode ter feito algo com ela. – Lembrou Hidan.
— Como as provas contra o Uchiha se tornaram quase inexistentes? – Vociferou. – Ele é o mais suspeito!
— Hinata, não se altere. – Ordenou o delegado.
— Você o acusou primeiro, Hinata, agora é você quem está sendo acusada. Aceite isso. – Disse o Yakushi.
— Afinal, de qual lado você está? – Replicou nervosa.
— De ninguém, ora essa! – Treplicou. – Eu também estou sendo acusado injustamente aqui, mas nós dois precisamos provar nossa inocência com provas concretas. – Respirou fundo. – Você não tem nem uma testemunha para dizer que você estava em casa à noite no dia 28 do mês passado?
— Tenho meu marido e filhos, mas família não pode depor. – Suspirou enquanto bagunçava os cabelos. – Desculpa, Kabuto, me exaltei.
— Tudo bem. – Deu uma tapinha de leve nas costas da mulher. – Vamos resolver isto com calma, até lá, vamos seguir trabalhando em prol da sociedade.
— Bom... Era isso o que queria falar agora. – Pigarreou Shikamaru. – Eu quero o distintivo dos dois em minha pesa e o porte legal de armas de vocês. Estão afastados até resolvermos este caso.
— O quê? – Berraram em uníssono, fazendo o moreno tampar os ouvidos.
— O que eu disse sobre se altera...? – Fora interrompido.
— Como assim afastados? – O Yakushi perguntou indignado. – Isso não é justo!
— Vocês são suspeitos de assassinato e sequestro, como acha que a mídia reagiria se soubesse que trabalhamos com pessoas assim? A população deixaria de acreditar na polícia. – Explicou Kakuzu.
— Então não deixe a mídia saber! – Rebateu a Hyuuga. – Não posso sair do trabalho e deixar minha família em perigo!
— Fique tranquila quanto a isso. – Disse Shikamaru. – Os seguranças permanecerão em sua casa, e agora na casa de Kabuto.
— Mesmo sendo suspeitos, ainda são nossos colegas de trabalho. – Ino encostou-se ao ombro do Yakushi e de Hinata, esta a afastou bruscamente.
A mulher pegou seu distintivo e porte legal de arma e os deixou sobre a mesa de seu chefe. Estava furiosa.
Saiu da sala batendo a porta com força e deixou grossas lágrimas rolarem.
Novamente fora afastada, isso era frustrante demais para ela.
Chutou uma lixeira que estava pelo caminho, entrou em sua sala e pegou sua bolsa.
Precisava esfriar sua mente, e de preferência, logo.
— Maldito seja, Uchiha! – Praguejou ao entrar no seu carro e dar partida. – Você não vai se safar! Que se dane a polícia! Se ela não me ajuda, eu irei atrás de você!
Dirigia nervosa pelas ruas da cidade. A hipótese de que Boruto continuava tendo algo com a Sarada deixava a mulher desconfortável, havia a ameaça feita por Sasuke, indiretamente, através de Himawari e agora, isso, fora expulsa de seu emprego uma segunda vez, graças àquele homem. Apesar de os seguranças de Shikamaru estarem de olho, não se sentia totalmente segura, ainda mais agora que eles não estavam ali apenas para proteger sua família, como também para vigiá-la como suspeita.
Precisava dizer para aquele maldito Uchiha que ela não estava intimidada, que ela não iria descansar até a justiça ser feita e ele, junto com toda a sua família suja, estarem atrás das grades.
Fora afastada novamente da polícia e tudo por culpa de Sasuke, mesmo que indiretamente. Tinha certeza de que ele e a filhinha dele eram culpados pelos crimes, mas, infelizmente, precisa-se de provas para trancafiar alguém em uma cela e, de alguma maneira que iria descobrir, elas estavam sendo apagadas pouco a pouco.
Eles iriam lhe pagar muito caro por tudo isso que estava acontecendo com ela. Sua família não estava segura e não admitiria que algo de ruim acontecesse com ela, nem que para isso Hinata precisasse se arriscar ao ponto de aparecer de cara limpa na residência do Uchiha.
Estacionou o carro de mau jeito na primeira vaga que avistou e saiu do automóvel, batendo a porta com certa força. Estava agitada e com os nervos à flor da pele. Sabia que deveria se acalmar, mas simplesmente não conseguia. Só de imaginar ficar cara a cara com Sasuke e não poder enfeitá-lo com belas algemas nos pulsos, sentia-se frustrada.
Cada passo que dava em direção à porta principal da residência era como se o caminho ficasse maior. Por fim, tocou a campainha e esperou até que fossem atendê-la. Ao ouvir o barulho da maçaneta girando, cruzou os braços e fez a melhor cara séria. Teria uma conversa com o Uchiha e exigiria algumas coisas.
— Pois nã... – A voz masculina falou abrindo a porta, mas logo se interrompeu ao ver quem estava esperando do lado de fora. – Você por aqui, Hyuuga? Que adorável surpresa. – Falou sério, nem fazendo questão de demonstrar ironia no tom de voz.
O Uchiha torcia para que Sakura não saísse do quarto e visse a Hyuuga ali. Para sua sorte, Sarada estava fora com Boruto.
— Infelizmente eu não posso dizer o mesmo. – Ela franziu o cenho. – Vim aqui para tratar de um assunto muito sério, Uchiha. Quem você pensa que é para me mandar aquela ameaça por meio de minha filha? Quão longe vai a sua covardia para falar aquelas coisas a uma criança?
Sasuke arregalou os olhos, fingindo surpresa.
— O quê? – Fingiu indignação. – Eu que devo perguntar: Quem você pensa que é? Primeiro aquela visita indesejada para revirar a minha casa, me acusando injustamente e sem provas e agora me acusa de ameaçar uma criança? – Como esperava, ele não recebeu resposta. – Você veio aqui só para isso?
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Seu apoio é fundamental. Torne-se um herói!— Escute aqui, Uchiha... – Hinata travou o maxilar. – Você pode até ferrar comigo, mas não se aproxime da minha família, está ouvindo? Pelo contrário você irá se arrepender. – Apontou o dedo indicador para o rosto de Sasuke.
— Eu não quero ferrar com ninguém. – Suspirou, batendo de leve com a costa da mão direita no dedo estendido da morena, afastando-o de si. – Eu poderia gastar meu tempo e dinheiro contratando um advogado para processar você e seus colegas por me acusarem sem provas, ainda mais de algo que não fiz. Mas para que gastá-los? Acredito que tenha sofrido punição pelo que me fizeram, não vou deixar de acreditar na eficiência da polícia por causa de um equívoco seu, a lei está acima de você. – Olhou para a mulher sem demonstrar nenhuma emoção.
— Cínico... – Hinata bufou. – Você e a sua família baixa podem até estar livres por enquanto, mas, se depender de mim, logo estarão definhando atrás das grades.
— E ainda vem aqui, na minha casa, acusar minha família. – Sasuke murmurou revirando os olhos. – Me pergunto o porquê de eu estar aqui na minha própria casa ouvindo os seus desaforos.
— Porque você é culpado, sabe disso. – Jogou as cartas e sorriu vitoriosa ao ver a expressão irritada que o Uchiha fez.
— Não... É porque eu tenho educação e não fico fazendo escândalos na entrada de casas alheias. – Arqueou uma sobrancelha. – Agora quer fazer o favor de virar as costas e sair da minha frente? Você está incomodando. Estou começando a mudar de ideia sobre gastar tempo e dinheiro te processando.
— Eu já estava indo mesmo. Só vim avisar que você vai me pagar caro por tudo. Vai pagar por cada crime que cometeu. – Hinata ameaçou friamente e chegou mais perto, falando próximo ao ouvido de Sasuke. – Criminosos nunca saem impunes. A justiça, se não vier da Terra, vem do Céu.
— Santa Hinata vai me levar ao inferno? Espere sentada, majestade... – Disse a última palavra com desprezo após a fala repleta de sarcasmo.
— Você é um monstro repugnante. – Hinata murmurou com desprezo.
Sasuke relaxou as pálpebras, farto de conversar com aquela mulher. Tinha coisas muito mais interessantes para fazer.
— Não fui eu quem acabou com a felicidade de nossos filhos por causa de uma paranoia ridícula. – Murmurou friamente.
Hinata estreitou os olhos.
— Agora, por favor, se retire de minha casa, você não é bem-vinda. – Dito isso, fechou a porta de leve para não chamar atenção de Sakura.
Hinata não suportava mais o teatrinho que aquele homem estava fazendo durante aquela conversa, se passando por inocente. Os Uchiha, principalmente Sasuke, iriam se dar muito mal.
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