Notas iniciais
Finjam que hoje é quarta... Vamos ao capítulo u.u

Toská, Rússia

29 de julho de 2016

08:57 A.M.

— Vamos logo, Sasuke! – Apressada, Sakura abriu a porta do quarto do moreno, mas não viu ninguém lá. Suspirou pesadamente e fechou a porta com força.

— Acho que ele já tá lá em baixo. – Disse Sarada, dando um susto em sua mãe.

— Sarada, não aparece desse jeito! – A mulher levou a mão até o peito, sentindo o coração bater mais forte. – Então vamos.

As duas desceram as escadas juntas e foram até a sala, onde Sasuke assistia à televisão.

— Já? – Perguntou olhando para as duas. – Pensei que fosse só uma consulta... – O homem encarou a Haruno da cabeça aos pés. – A senhora não acha que já está na hora de abolir os saltos?

— Claro, porque minha barriga está enorme. – Ironizou. – Sasuke, quase não dá pra notar que eu estou grávida, minha barriga não pesa. E esses saltos não são tão altos.

— É, realmente são mais baixos do que os que você está acostumada a usar. – Voltou a ver tevê.

— Agora será que dá pra você parar de reclamar e vir logo? – Sakura caminhou até o Uchiha, tomou o controle de sua mão e desligou o aparelho.

— Ora... – Pegou o controle novamente e ligou. – Já está acabando o episódio. – Deu de ombros. – South Park é educativo... – Sorriu irônico.

— Espero que não coloque a Haruka pra assistir isso muito cedo. – Disse a rosada.

— Você também assiste? Achei que fosse uma mulher pura. – Riu e desligou a televisão.

— Pura? Estamos falando da mulher que falou pra própria filha transar porque é saudável. – Sarada franziu o cenho.

— Sarada! – Sakura a repreendeu.

— Ora, parem de discutir, eu já estou esperando. – O moreno se fez de inocente.

— Então vamos logo, porque já estou atrasada! – Bufou a rosada.

— Ah, não era eu quem estava me embelezando pra uma consulta. – O Uchiha comentou enquanto pegava a chave do carro.

— Eu sou mulher, não vou nem na esquina se não passar pelo menos uma base no rosto. – Explicou impaciente.

— Frescura... – Sarada murmurou baixinho.

Às vezes achava engraçado o lado perua de sua mãe. Sarada foi morar com o pai aos doze anos, então não teve em sua adolescência uma figura feminina para introduzi-la no mundo da maquiagem, vestidos fofos e saltos altos. Embora tivesse continuado próxima de sua avó, uma mulher sempre elogiada pela elegância e bom gosto, não era a mesma coisa.

— Então da próxima vez você se arruma mais cedo. – Trancou a porta de casa enquanto Sakura, por suas costas, fazia várias caretas. Odiava quando Sasuke reclamava de sua demora em se arrumar.

— Tá bom, Sasuke. – Bufou.

Os três entraram no carro do moreno que dirigiu apressado até a Clínica Montgomery. Por sorte, chegaram em cima da hora.

— Viu, nem nos atrasamos. – Sarada falou olhando para seu relógio de pulso assim que desceram no estacionamento.

— Ainda bem que não tinha nenhum guarda pelas ruas que passamos. – A rosada estreitou os olhos para o Uchiha. – Caso contrário alguém teria levado uma multa.

— Eu não precisaria correr tanto se alguém não tivesse demorado um século pra se arrumar. – Rebateu.

Sakura fechou a cara, pensou em retrucar, mas ali não era o local adequado para uma briga, ainda mais uma briga tão infantil como a que se iniciava.

Ficaram na sala de espera enquanto Sakura falava com a secretária que avisou que logo a rosada seria chamada para a sua consulta.

— Tá vendo? – Sakura sorriu vitoriosa para o moreno que, sério, encarava a televisão na parede. – Chegamos tão atrasados que ainda vamos ter que esperar! – Bufou. – E eu detesto esperar!

— Ah, então você fez aquilo de propósito? – Sugeriu, ainda de olho no noticiário.

"Vladimir Putin está sendo acusado de homofobia...". Dizia um jornalista, mas logo a secretária mudou de canal. Uma propaganda de um pacote de viagem para o Rio de Janeiro nas Olimpíadas que começariam na semana seguinte.

— Não. – Respondeu. – Mas aquele seu drama todo foi em vão. E também não precisava ter corrido tanto, Sasuke, eu quase morri do coração.

— Nós já estamos aqui e vocês dois ainda estão brigando? – Sarada questionou indignada.

— Foi ele quem começou! – Resmungou a Haruno.

— Eu? – Uniu as sobrancelhas e encarou a rosada. – Quem se atrasou?

— Olha aqui, Sasuke...

"Não sabemos exatamente como foi a fuga, a única certeza que temos é de que O Degolador está solto em Toská...", outro noticiário mostrava. Sequer prestavam atenção.

— Esquece, vai... – A mulher respirou fundo. – Vamos parar de brigar.

— Obrigado.

— Amém! – Suspirou Sarada.

— Será que vai demorar muito? – Murmurou o Uchiha. – Não gosto desse clima hospitalar...

— Não tenho nada contra. – Sarada deu de ombros.

— Já fui hospitalizado tantas vezes que peguei um certo trauma...

"A fuga aconteceu na madrugada do dia...", mais uma vez a secretária mudou de canal, dessa vez colocando num programa de fofoca.

— Esse povo não tem nada mais interessante pra fazer? – Sarada revirou os olhos. – Dedicam um programa inteiro a falar das vidas alheias.

— Compartilho de sua opinião, Sarada... – Suspirou a rosada.

Sentia isso na pele agora, afinal a história falsa sobre o sequestro de Haruka foi parar na mídia, agora era perseguida por repórteres e paparazzi.

A porta do consultório se abriu, então saíram de lá um homem e uma mulher que estava com a gravidez bastante avançada. Sakura se lembrava de tê-la visto algumas vezes, a mulher também fazia pré-natal ali.

A Haruno foi chamada, então os três se levantaram e entraram no consultório da Doutora Mei Terumi.

A consulta em si foi normal, quase a mesma coisa de sempre. Sakura respondia às perguntas da médica enquanto Sasuke reparava em cada detalhe daquele consultório sem vida, com as paredes todas brancas.

Os enfeites de mulheres grávidas e bebês feitos de gesso faziam o moreno querer rir. Como alguém achava aquilo bonito? Era ridículo, pra não dizer macabro. Será que a tentativa era de deixar aquele ambiente mais "alegre"? Pois não estava conseguindo.

Após uma conversa com a médica, Sakura foi convidada a ir até outra salinha ali dentro para fazer a ultrassonografia.

Sakura se deitou numa maca, o aparelho para o exame ficava ao lado. Levantou a blusa e expôs a barriga um pouco saliente. Por estar de quatro meses, já era uma gravidez meio notável. No entanto, sua barriga não crescera muito e, a não ser que vestisse uma blusa justa, não dava para perceber que Sakura esperava um filho.

Mei colocou um pouco de gel sobre a barriga de Sakura e depois encostou o aparelho ali, logo o barulho do coraçãozinho já pôde ser ouvido, assim como a imagem daquele pequeno ser também foi visualizada na tela.

— Sasuke, escuta, esse é o coração do bebê. – Sarada falou toda empolgada, olhando para os borrões cinza que apareciam na tela e que pareciam tudo, menos um ser humano.

— E aquilo ali é ele? – Apontou confuso para a tela ao lado da maca, então Mei assentiu.

— Aqui está a cabecinha dele. – A médica ia mostrando e Sasuke começava a ver aos poucos. – As mãozinhas... Os pezinhos...

— Onw, eu estou vendo as mãozinhas... – Sakura falou sorridente e emocionada.

— Dá até pra ver os dedinhos. – Sarada completou.

— Onde? – Indagou confuso, então a médica apontou e, por mais que parecesse estranho, Sasuke conseguiu ver algo que se parecia com cinco dedinhos miúdos. – Nossa... Acho que... Isso é uma mão.

— É uma mão, Sasuke. – Sakura riu.

— Olha só o rostinho, está bem aqui. – A médica, que passeava com o aparelho pela barriga de Sakura, apontou na tela onde estava o rosto do bebê.

Era meio estranho, claro, não era um exame em 3D, pois ainda estava muito cedo pra isso. Também não dava para olhar aquele rostinho e dizer de quem herdou os olhos, sobrancelhas, nariz, boca... Mas dava pra ver que se tratava de um rosto.

Seu filho, tão pequenino, já tinha um rosto? Sim, pelo visto já tinha.

— Já dá pra saber o sexo? – Sarada indagou empolgada.

— Dá sim, vocês querem saber? – Perguntou a médica.

— Claro! – Os três responderam em uníssono.

Ora, como aquela médica não disse logo que já dava para ver o sexo da criança? Há quase quatro meses estavam nessa curiosidade, será que a médica achava mesmo que Sasuke e Sakura queriam fazer como aqueles casais que decidem saber o sexo do bebê só na hora do nascimento?

Não... A curiosidade jamais deixaria.

— Vamos ver... – Mei olhava fixo para a tela enquanto passava o aparelho na barriga de Sakura. – Olha só... – Sorriu a mulher.

— O que é? – Sarada perguntou curiosa.

— Parabéns. – Mei sorriu e olhou para os três que estavam ansiosos. – É uma mocinha.

Sakura e Sarada sorriram largamente e se olharam, vitoriosas. Sasuke não se cabia de felicidade, mas ainda não acreditava que sua intuição estava errada... Seria pai de outra menina.

— Tem como conferir de novo? – Indagou o moreno.

— Conferir de novo? – A médica uniu as sobrancelhas, confusa. – O sexo?

— É. – Assentiu, fazendo Sakura soltar um riso anasalado. – Tipo... Não tá muito cedo pra ter certeza absoluta de que é uma menina?

— Mas não há dúvidas. – Confirmou a médica. – Nessa posição que ela está, com as perninhas abertas, não há como ter dúvidas. Dá pra ver perfeitamente que é uma menina.

— Eu não disse? – Vitoriosa, Sakura sorriu para Sasuke. – Minha intuição não me enganou. É menina.

— Uma menina saudável. – Disse Mei. – Está medindo entre 13 e 14 centímetros e tem aproximadamente 170 gramas. Normal para o seu tempo de gestação.

Mesmo querendo que fosse um menino, Sasuke estava feliz. Ele e Sakura geraram um bebê saudável, uma princesinha saudável, que com certeza seria muito amada.

Sakura já estava com 34 anos, em sua primeira gravidez entrou em trabalho de parto aos oito meses, isso sem falar que, por ter sido prostituta por vários anos, tomou diversos anticoncepcionais. Não era uma gravidez de risco, mas ainda assim era delicada. A Doutora Terumi disse que Sakura tinha tudo para levar a gravidez até o fim e ter um parto saudável, sem riscos.

Isso com certeza alegrava a todos.

Saíram do consultório felizes. Sasuke estava todo bobo. Não era um menino como ele queria, mas estava contente por ser menina. Já a amava.

— Haruka, certo? – Comentou o Uchiha enquanto dirigia para a sua casa.

— Hã? – Indagou a rosada que estava meio distraída. – Ah sim... – Acariciou sua barriga. – Haruka...

— Sasuke, para no Shopping! – Sarada alarmou quando Sasuke passou perto do estabelecimento que ficava a alguns quarteirões de sua casa. – Vamos descer aí.

— Sarada, eu odeio shoppings! – Murmurou o moreno, já se dirigindo para o estacionamento. – O que quer aqui?

— Já sabemos que vai ser uma menina, então já podemos começar a comprar o enxoval. – Disse ela.

— Mas isso é coisa de mulher. – Bufou. – Vocês podem ir sozinhas. Eu vou ser um peso morto, não vou saber ajudar em nada.

— Sasuke, não basta ser pai, tem que participar! – Disse Sakura. – Eu concordo com a Sarada. Temos que comprar o enxoval e arrumar o quartinho da Haruka.

— Um decorador pode fazer isso. – Sasuke estacionou o carro, então os três saíram.

— Não senhor! – Exclamou a rosada. – Eu quero ter o gosto de cuidar de cada detalhe das coisas da minha filha.

Sasuke se deu por vencido. A personalidade forte de Sakura nunca mudou desde a adolescência e ela com certeza não mudaria de ideia.

Talvez fosse pelo fato de que não tivera a oportunidade de fazer essas coisas por Sarada na época em que engravidou pela primeira vez.

Sakura queria cuidar de tudo. Decoração do quarto, a cor do enxoval, as roupinhas... Tudo!

Foram andando pelo Shopping até alguma loja que vendesse coisas para bebês. Sakura sequer olhou para as suas lojas favoritas de roupas, sapatos, bolsas, óculos escuros... Estava ali para começar o enxoval de sua filha.

Entraram numa loja enorme, onde vendia desde roupas a berços. Era perfeita, não faltava nada. Tinha tudo que Haruka fosse precisar.

Sakura e Sarada já foram logo olhar as roupinhas. Sasuke foi atrás, mas não opinava em nada.

Ora, elas estavam olhando vestidinhos e enfeites pra cabelo, não entendia muito sobre o assunto?

Se fosse um menino, com certeza ele estaria olhando roupinhas de super-heróis ou do seu time de futebol, mas coisas relacionadas a bonecas e princesas não era com ele.

— Olha que amor! – Sakura pegou um vestido rosa com bolinhas pretas e uma faixa com um laço também preta. – Sarada, vamos levar esse. Ela só vai usar com uns três meses, mas guardamos e esperamos. É lindo!

— Sakura, você não vai fazer dela um projeto de perua! – Sarada revirou os olhos e Sasuke segurou o riso. – Olha só que amor. E dá pra ela usar antes, acho que com um mês.

Sarada mostrou para Sakura um macaquinho preto escrito com letras brancas "Meu primeiro pretinho básico".

— A do pretinho básico tá mais bonita. – Disse Sasuke.

— Vamos levar as duas! – Sakura pegou as duas roupas e colocou na cesta. – Nossa, que coisa mais linda! – Ela pegou uma faixa rosa que tinha um lacinho, e em cima desse lacinho tinha uma pequena coroa de strass. – Já pensou que fofura essa faixinha na cabecinha dela? – Falou empolgada e depois pegou algumas presilhas pequenas, algumas com formato de laço e outras com formato de coração, também de strass. – Espero que ela não nasça carequinha, aí vai poder usar presilhas.

— Cruzes... – Disse Sasuke. – Não tem nada aí que não faça a nossa filha parecer um globo de luz?

— Deixa eu enfeitar a Haruka! – Falou pausadamente a rosada. – Também amei essa aqui. – Dessa vez ela pegou uma mais discreta, para recém nascido mesmo, toda lilás. – Dá pra ela usar assim que nascer.

— Isso não é muito pequeno? – Sasuke encarou a roupa. Parecia roupa de boneca, nunca que uma pessoa de verdade caberia ali dentro.

— Sasuke, bebês são pequenos quando nascem. – Falou risonha. – É até capaz de ficar grande.

— Sakura. – Sarada mostrou um par de sapatinhos vermelhos, eram lindos e delicados. – Dizem que dá sorte sair da maternidade com o bebê usando sapatinhos vermelhos.

— Onde você viu isso? – Indagou confusa a rosada.

— Eu vi isso uma vez. – Deu de ombros. – Acho que é pra espantar alguma coisa. Tem gente que amarra uma fita vermelha no braço, tem gente que coloca o sapatinho vermelho pra sair da maternidade.

— A Sarada acredita nessas crenças estrangeiras de coisas vermelhas... – Disse o Moreno.

— Sendo crença ou não, gostei do sapatinho. – Sakura pegou os sapatos e colocou na cesta, junto com o que ela já tinha escolhido para Haruka. – Vou levar.

— Sakura, pelo amor de Deus, meu dedão cabe nisso. – Sasuke pegou um sapatinho do par e analisou. Era pequeno demais, aquilo com certeza não caberia no pé de um bebê. Seria dinheiro jogado fora. – Vai ficar apertado demais. Parece os sapatinhos das bonecas que a Sarada tinha quando criança.

— Sasuke, não vai ficar apertado. – Insistiu a rosada. – Bebês são pequenos mesmo. Como eu falei, é capaz de ficar grande.

— Sakura, tem as luvinhas pra combinar. – Sarada colocou na cesta duas luvas vermelhas, combinando com os sapatinhos.

— Sarada, desde quando isso é luva? – Sasuke pegou o par de luvas dentro da cesta e Sakura revirou os olhos. – Um par de meias, isso sim.

— Sasuke, luvas para bebês são assim! – Explicou a morena.

— Porra, que escroto! – O homem uniu as sobrancelhas e analisou novamente aquelas luvas estranhas.

— Você queria o que, que tivesse o formato de uma mão? – Sakura riu.

— É! – Respondeu como se fosse óbvio. – Que eu saiba, luvas têm formato de mão. Por que fazem essas luvas estranhas pra bebês usarem?

— Sasuke, apenas aceite que as luvas são assim. – Suspirou a morena. – Imagine só que saco deve ser pegar a mãozinha de um bebê e colocar dedo por dedo no lugar certo.

— Você pode ter um pouco de razão... – Deu de ombros.

As duas falavam empolgadas sobre vestidos, touquinhas, coisinhas pra cabelo... Sasuke se sentia perdido! Não teria um menininho pra vestir de super-herói, mas uma menininha que se vestiria feito uma princesa.

Não era justo!

Deixou as duas empolgadas e foi andar pela loja. Realmente aquilo era enorme, dava pra fazer todo o quarto da Haruka.

Sasuke se sentia um peso morto, uma vez que não conseguia opinar sobre coisas de menina. Só sabia que, se era rosa, era de menina. Pronto!

Até que, ainda na parte de roupinhas femininas, Sasuke viu algo que fez um sorriso de orelha a orelha brotar em seu rosto. Não entendia nada de mulheres, mas aquilo precisava ser comprado!

Tirou a roupinha do cabide e foi procurar por Sakura e Sarada, mas as duas já não estavam mais onde ele havia deixado.

— Merda, elas me largaram! – Praguejou.

Deviam estar em outra parte da loja, mas, antes de mais nada, ele passou no caixa e pagou a roupa. Sabia que Sakura provavelmente reprovaria, mas já estava pago. Ele iria levar para casa.

Andou um pouquinho, já com a roupa de Haruka na sacola, e encontrou com Sakura e Sarada na parte dos móveis. Elas estavam olhando os berços.

— Onde estava, Sasuke? – Sarada perguntou assim que viu seu progenitor, então reparou na sacola que ele carregava. Que, por acaso, era daquela loja. – O que tem aí?

— Uma coisinha que eu comprei para a Haruka. – Sorriu de canto, então Sakura já estreitou os olhos para ele.

Por que Sasuke compraria alguma coisa para a filha sem ao menos mostrar para Sakura e perguntar se ela havia gostado?

— Sasuke, o que você comprou?

— Lá em casa eu mostro. – Falou indiferente.

Ainda temia que Sakura o obrigasse a devolver a roupa ou trocar por outra.

— Sasuke... – Falou pausadamente, então o Uchiha engoliu seco. – Mostra o que você comprou.

Sasuke então tirou da sacola uma roupinha da Mulher Maravilha. Era um macaquinho e vinha com uma faixinha de cabelo.

— Ah, que fofa! – Sarada falou risonha ao ver a roupa escolhida por seu pai. – Sasuke, você comprou pra mim uma roupa da Mulher Maravilha quando eu fiz quatro anos, lembra?

Sasuke se lembrava, mas foi uma surpresa que Sarada se lembrasse. Não havia sido o primeiro presente que ele deu para a filha, mas foi no primeiro aniversário que passou com ela, seus quatro aninhos.

— Sim, eu lembro. – Assentiu.

— Sasuke, minha filha não vai usar um macaquinho da Mulher Maravilha. – Disse a Haruno. – Isso é estranho, credo!

— Ah, usar vestido de bolinha que parece coisa dos anos 50 pode, mas usar uma roupa super foda da Mulher Maravilha não pode? – Resmungou. – A Sarada ia até pro balé com a dela.

— É verdade, era um collant. – Assentiu a menina.

— Poá voltou à moda, ok? – A rosada rebateu. – Sasuke, tenha dó.

— Você deu foi sorte de eu não ter insistido para que o nome da Haruka fosse Diana.

— Sasuke, até fanatismo tem limites! – Suspirou pesadamente a rosada. – Eu querendo que minha filha se vista como uma princesa, e você me vem com uma roupa da Mulher Maravilha.

— Ela é a princesa das Amazonas, pra que melhor? – Cruzou os braços em frente ao corpo. – Vai ter roupa da Mulher Maravilha sim, e se reclamar vai ter da Mulher Gato também!

— Batgirl. – Sugeriu a adolescente.

— Sarada, não dá ideia. – Disse Sakura. – Ok, Sasuke, pode levar a roupa da Mulher Maravilha. – Ele sorriu vitorioso e guardou a roupinha na sacola. – Mas, por favor, tudo que você for comprar pra ela, me mostre antes.

Sasuke assentiu e então eles voltaram sua atenção para os berços.

Sakura se atentava aos mínimos detalhes. Queria tudo perfeito, mas não sabia se levava um totalmente branco ou marrom. Estava indecisa, sem falar que tinha que combinar com o guarda roupa e também a cômoda.

— Sakura, por que não compra um branco com rosa? – Sarada sugeriu. – A maioria dos móveis para quarto de menina são dessa cor, então há várias opções pra combinar.

— Mas ainda não decidi qual vai ser a cor do enxoval, Sarada.

— Como assim? – O Uchiha perguntou confuso. – Não vai ser rosa?

— Até pensei nisso. – Suspirou a rosada. – Mas, pensa bem, toda menina tem enxoval rosa... Eu queria uma coisa diferente...

— Isso! – Sasuke falou empolgado. – Vamos fazer vermelho com azul e as estrelinhas... – Sua frase morreu no ar quando o olhar desaprovador da Haruno se voltou para si. – Tá, parei.

— Se eu for fazer rosa, será um rosa pink e não um rosinha claro e sem graça... – Comentou a mulher.

— Ué, mas é a cor do seu cabelo. – Comentou a morena.

— Sim, e eu acho bonito, mas, como eu disse, toda menina tem o enxoval dessa cor. – Suspirou. – Pensei num roxo ou lilás, até mesmo azul claro.

— Que tal colocar um tema? – Indagou Sarada. – Se for azul claro, vocês podem decorar com o tema do Frozen.

— Que diabos é isso? – Sasuke se sentiu excluído da conversa, não só por não saber que diabos era Frozen, mas por Sakura e Sarada não estarem ligando pra ele naquele momento.

— Pensei nisso, Sarada. – Disse Sakura. – Mas logo a moda passa e aí vamos ter que redecorar o quarto.

— Ah, isso não é problema. – A morena deu de ombros. – Até porque ela vai crescer, então é natural que ele seja decorado de acordo com o gosto dela.

— Pode ser. – Riu a rosada. – Mas ainda tenho algum tempo pra pensar, então acho melhor os móveis serem todos brancos, daí irão combinar com a decoração que eu escolher.

— Eu também quero ajudar a escolher. – Sasuke se manifestou.

— Não sendo da Mulher Maravilha. – Sakura soltou um longo suspiro e Sasuke sorriu sem graça. Era óbvio que queria aquela decoração para o quartinho de sua filha.

— Por falar em decoração, onde vai ser o quarto da Haruka? – Perguntou o moreno.

Sasuke estava um pouco receoso. Temia que Sakura quisesse voltar para sua casa depois de um tempo, afinal, não eram namorados, tampouco marido e mulher.

— Ora, no quarto de hóspedes. – Sakura respondeu simplesmente, deixando Sasuke e Sarada confusos.

— Sakura, quem dorme no quarto de hóspedes é você. – Explicou o homem. – Não sei se você reparou, mas na minha casa só tem três quartos.

— Ué, então eu me mudo para o seu. – Sorriu de canto, olhando para um berço branco ao invés de encarar o homem ali ao seu lado. – Sua cama tem espaço suficiente para nós dois, não é?

— Sim, tem. – Sasuke sorriu, assim como Sarada, então Sakura olhou para o moreno.

— Ótimo. – Disse ela. – Então, quando começar a decoração do quarto dela, eu me mudo para o seu.

— E a sua casa, Sakura? – Sarada indagou curiosa.

— Ora, eu vendo. – Respondeu. – Ou então ponho pra alugar e, futuramente, ela fica pra você e sua irmã. – Falou pensativa. – É... Vou alugar.

— Isso quer dizer que você vai morar pra sempre conosco? – Sarada perguntou contente e ajeitou seus óculos.

— Sim, é o que eu pretendo. – Assentiu.

— Por mim, você já poderia mudar para o meu quarto hoje mesmo... – O moreno falou como quem não quer nada.

— Não se apresse, Sasuke. Uma coisa de cada vez. – Respondeu a mulher.

Eles continuaram olhando algumas coisas, mas por enquanto, além das roupas, sapatinhos e acessórios, compraram apenas o berço. Sasuke iria penar para ler as instruções e montá-lo, mas não imediatamente, pois ainda faltavam quase cinco meses para Sakura dar à luz.

A Haruno olhou mais algumas coisas, como o carrinho, bebê conforto e até mesmo a cadeirinha para colocar no carro. Todavia, ainda era um pouco cedo para comprar todas aquelas coisas. Era melhor fazer tudo aos poucos, não precisavam se apressar, desde que já estivesse tudo pronto no dia do nascimento de Haruka.

Sakura, Sasuke e Sarada mal podiam esperar para ver o rosto da mais nova integrante da família.

[...]

Toská, Rússia

06 de agosto de 2016

06:25 P.M.

Sarada estava irritada com a sandália dourada de salto. Andava perfeitamente, mas odiava. Odiava eventos promovidos por sua família, afinal era obrigada a participar. Odiava usar lentes. Não gostava de vestido longo, mas era a parte menos ruim de tudo aquilo.

A única coisa boa naquele dia foi o momento com sua mãe mais cedo. Ambas haviam ido para o salão fazer algum penteado, maquiagem, unhas, todas as frescuras que mulheres têm direito.

O lado perua de Sakura a divertia. Pegou-se imaginando como ela própria seria se sua progenitora tivesse sido presente... Balançou a cabeça, não conseguia se imaginar tendo todas as frescuras da mãe.

Olhou-se no espelho novamente. Usava um vestido preto de renda longo com um decote em canoa e uma fenda na lateral esquerda. Usava brincos dourados com pequenos rubis. Usava um batom uva e os olhos estavam bem marcados.

— Você está linda!

Sarada virou-se para a porta, encarando a Haruno. Os olhos verdes brilhavam em admiração, fazendo a morena corar um pouco.

A rosada usava um vestido nude com um grande decote em v. Tinha uma faixa de pedrarias abaixo dos seios e descia solto a partir dela. Sakura estava tentando esconder a barriga que, apesar de não ser muito notável, já estava um pouco saliente. Sabia que a mulher temia que Fugaku descobrisse que esperava outra filha de Sasuke.

Sua maquiagem era neutra, mas marcava os olhos assim como a sua. Mas era fato que ficava melhor ainda em Sakura, os olhos verdes de sua mãe eram simplesmente lindos.

Os brincos de Sakura eram maiores, já que usava coque e o vestido era mais simples.

— Obrigada. – Respondeu simplesmente.

— Você não parece muito confortável. – Comentou a mais velha.

— Odeio esses eventos. Só tem um bando de hipócritas velhos e ricos. – Revirou os olhos, fazendo a mãe rir. – E não gosto desse tipo de roupa... Muito menos saltos. Como você aguenta usar isso direto?

Apontou para as sandálias nudes com detalhes dourados, Louboutin, da mais velha. A Haruno tinha uma coleção da marca de solado vermelho.

Eram mais baixos do que o que costumava usar, o que fazia com que a diferença de altura entre elas fosse menor.

— Era meio que uma exigência no meu emprego, acabei me acostumando e agora os saltos meio que fazem parte de mim. – Riu. – Eu também odeio esses eventos. Podemos ficar falando dos outros para passar o tempo. – Deu de ombros.

— Você não é a melhor influência do mundo. – Estreitou os olhos. – Vai dar chances ao Sasuke hoje?

— Eu estou sempre dando chances, Sarada. – Retrucou.

— Sakura, já se passaram uns dois meses desde que você disse que ia dar uma chance e nada.

— Ora... Eu não nego quando ele tenta me beijar. Isso não é “dar uma chance”?

A morena revirou os olhos ante a infantilidade da mulher.

— Bem, vamos logo. O distribuidor de paciência estava de licença quando o Sasuke nasceu.

As duas desceram as escadas juntas.

O Uchiha já estava esperando. Ajeitava a gravata borboleta pela milésima vez, impaciente, mesmo estando alguns minutos adiantados.

Ergueu a cabeça quando ouviu os passos das duas. Já ia reclamar pela demora, para não perder o costume, mas ficou boquiaberto.

Sentiu-se um adolescente que vai buscar o par para o baile e a garota desce as escadas quando olhou para a Haruno. Estar apaixonado estava deixando-o idiota.

As duas mulheres estavam perfeitas em sua opinião.

Sempre tinha vontade de se gabar do quão linda sua filha era, mas não tinha para quem.

— Vocês estão lindas. – Falou maravilhado.

Sakura admirou o homem que praticamente babava olhando para si. Nunca o tinha visto pessoalmente em trajes de gala. Ele usava um smoking preto que claramente era Armani.

Apenas prendeu o riso quando viu os cabelos negros lambidos para trás.

— Que merda você fez com sua bunda de pato? – Sarada riu.

Depois do comentário da filha, a Haruno não aguentou e riu junto.

— Quando arrepio o cabelo você reclama, quando penteio você reclama... Será que você nunca vai ficar satisfeita? – Resmungou. – E eu não tenho mais a "bunda de pato".

— Ah é, você deixou aquela bunda de pato crescer mais um pouco. – Deu de ombros e se aproximou do pai. – De qualquer forma, está ridículo. – Passou as mãos nos cabelos do mais velho, deixando-os mais soltos, emoldurando o rosto. – está melhor assim.

— Não está tão ruim... – Sasuke quase ficou feliz com o comentário da rosada. Quase... – Mas se quiser, faço um penteado. – A Haruno comentou risonha.

— Vão se foder... As duas. – Murmurou entredentes. – Vamos embora.

Os três saíram de casa e foram para o Centro de Convenções no Audi de Sasuke.

Sentiam-se como uma família normal durante o trajeto. Falavam de Haruka que ira nascer, sobre o que estava faltando na geladeira e nos armários ou sobre qualquer outra banalidade.

Não demoraram a chagar ao grandioso prédio onde aconteceria o evento.

Grandes holofotes e canhões de luz ornavam a frente e vários fotógrafos e repórteres esperavam as celebridades que compareceriam ao local.

Os três bufaram irritados.

A Haruno era a menos conhecida, mas, desde que saiu na mídia a "real" história do sequestro de Haruka, era perseguida por repórteres e paparazzi às vezes, afinal era a mãe "desconhecida" de Sarada Uchiha. Além disso, corriam boatos de que estava namorando Sasuke, o que não era de todo mentira.

O que a irritava mais eram as especulações sobre o seu caráter. Já vira algumas vezes em sites de fofoca que algumas pessoas achavam que ela queria apenas o dinheiro dos Uchiha.

— Precisamos mesmo participar disso? – Sarada suspirou pesadamente.

— Olha pelo lado bom... – Sasuke pensou por um momento. – O dinheiro arrecadado vai para o Instituto de Assistência da Pessoa com Câncer de Toská... Enfim, vamos logo.

Os três desceram do automóvel e Sasuke entregou as chaves ao manobrista.

Os flashes das diversas câmeras buscando a melhor foto do trio praticamente os cegavam.

Já estavam no tapete vermelho. Mais à frente podiam ver outros convidados que haviam chegado e posavam para as câmeras.

— Coloca o sorriso forçado e vai... – Sarada murmurou e abriu um sorriso.

Os três tinham toda a atenção da mídia enquanto caminhavam até a entrada. Era a primeira vez que estavam juntos em um evento de grande porte.

Posavam vez ou outra para as câmeras, o que fez o sorriso de Sarada ficar mais real. Estava feliz por ter sua mãe e seu pai juntos. Aquelas seriam as primeiras fotos em família.

Vários seguranças estavam espalhados por fora do prédio, Sasuke pôde notar. Assim que entraram viram que isso se repetia.

Achava aquilo inútil, afinal o maior perigo ali era o próprio Fugaku, ou seja, quem estava pagando os seguranças.

O moreno soltou-se dos braços da rosada e foi cumprimentar Mikoto e Fugaku que estavam na entrada do local.

— Mãe. – Deu-lhe um beijo na bochecha. – Pai. – Apertou a mão do mais velho.

Detestava aquilo, ter que atuar na frente das câmeras para parecer que se dava bem com Fugaku e que eram uma família perfeita em todos os sentidos.

— O que eu falei sobre chegar trinta minutos antes? – Falou num sussurro sem mexer muito os lábios que esboçavam um sorriso falso.

— Eu estou no horário, é isso que importa. – Soltou a mão do mafioso.

Mais a frente se encontrou com o irmão, se cumprimentaram apenas com uma acenada de leve com a cabeça. Parou ao seu lado.

Olhou para trás e viu sua filha terminando de cumprimentar os avós, indo em direção ao tio.

— Sarada. – Itachi abraçou a sobrinha que não via há meses e a beijou na testa. – Tudo bem?

— Tudo, e o senhor? – Sorriu.

— O de sempre. – Deu de ombros.

Sasuke riu e balançou a cabeça no sentido negativo. Itachi sempre foi muito apegado à sobrinha desde que ela era um bebê e o mesmo valia para Sarada. Olhou ao redor e viu Sakura rodeada por repórteres.

— Acho que ela precisa de um herói... – Sarada comentou risonha ao acompanhar o olhar do pai.

O Uchiha respirou fundo e foi até a mulher.

— Senhorita Haruno, como se sente por reencontrar sua filha após dezoito anos? – Perguntou um homem que segurava um microfone.

— Ah, eu... – Tentou responder, mas logo foi interrompida por uma mulher.

— Senhorita Haruno, qual a sua relação com Sasuke Uchiha?

— Bom, nós...

— Licença. – Sasuke apareceu carismático. – Minha noiva não gosta muito de holofotes... – A tomou pelo braço. – Venha, Sakura.

Saíram dali e os repórteres não puderam avançar, foram contidos pelos seguranças. Apenas se escutava o alvoroço que ali se formava.

— “Minha noiva”? – Sakura franziu o cenho. – Sasuke, agora que não vão me dar sossego mesmo!

— Ora. – Um pouco corado, o homem sorriu. – Estamos morando juntos, é melhor que pensem isso logo e parem com a fofoca de que você está comigo por interesse.

— Acho que vai apenas piorar. – Riu. – Mas tudo bem. – Deu de ombros.

A rosada não cumprimentou os pais de Sasuke, não queria ter que abraçar Fugaku de frente para as câmeras e ele perceber que ela está grávida.

Adentraram o salão e ficaram maravilhados com as decorações.

Flores do tipo lírio branco e tulipas num jarro transparente davam um ar de simplicidade, mas a iluminação com os lustres e decorações delicadas deixava o local mais nobre.

Havia dois palcos, num deles havia um carro, era um Lexus LS 460 branco que seria leiloado. Além do carro, sabia que seriam leiloados quadros, esculturas, garrafas especiais de vinho, whiky, vodka e champanhe.

Sakura se sentia perdida! Sasuke e Sarada, por educação, iam cumprimentar os outros Uchiha, com quem ela não queria contato, enquanto isso ela apenas observava aquele enorme salão cujo aluguel deveria ser uma fortuna!

Um garçom passou por perto da Haruno que pegou apenas um copo com água. Quase pegou o champanhe por impulso, mas não podia se esquecer de Haruka.

— Esse povo tem muito dinheiro pra jogar fora, hein... – Comentou para si mesma, bebericando sua água.

— Gostando da festa? – Ouviu uma voz feminina ao seu lado e se deparou com Mikoto, sozinha ali e com uma taça de Martini na mão.

— Sim, está tudo perfeito. – Assentiu.

Olhou melhor para a mulher ao seu lado. Apesar da idade, Mikoto parecia muito jovem, daria para se passar por irmã mais velha de Sasuke.

Usava um vestido longo na cor vinho, sapatos pretos e uma bolsa de mão na mesma cor. Os brincos e colar eram totalmente de ouro e os cabelos negros estavam presos por um coque.

Mikoto, de fato, era a elegância em pessoa.

— Como vai o bebê? – Tomou um gole de sua bebida. – Sasuke contou que você está grávida.

— É uma menina saudável. – Falou com um sorriso, evitando levar sua mão até a barriga para não marcar. Não queria que todo mundo soubesse de sua gravidez, embora estivesse ciente de que não daria para esconder por muito tempo.

— Menina? – Mikoto perguntou contente e a Haruno assentiu. – Que maravilha.

Sarada logo apareceu, nitidamente incomodada e com um sorriso amarelo.

— Minhas bochechas estão doendo de tanto sorrir. – Revirou os olhos. – Sério, isso é muito chato!

— Acostume-se, Sarada... – Séria, Mikoto suspirou antes de tomar outro gole de Martini. – Você participa desses eventos desde que era criança e continuará participando.

— E a senhora não vai cumprimentar os membros da nossa família que vieram de Moscou só para o evento? – Indagou a adolescente.

— Família? – A mulher esboçou um sorriso cínico. – Que tem o meu sangue, ali, são só o Itachi e o Sasuke. Os outros são família do Fugaku.

— Mas a senhora é casada com o vovô. – Argumentou.

— Entre aspas, Sarada. – Disse Mikoto. – Enfim, não vou ficar falando sobre isso com você.

Sakura compreendia Mikoto. Com ela as coisas eram semelhantes na época em que esteve casada. Embora fosse eternamente grata a Jiraya por tê-la tirado da prostituição, era insuportável ser exibida em eventos como um troféu, tendo que sorrir e parecer a mulher perfeita enquanto era traída pelas costas.

Chega uma hora que a pessoa fica saturada e Mikoto já não aguentava mais isso.

— O que as três estão fofocando? – Sasuke se aproximou das três. – Nossa, que sede! – Suspirou. – Preciso de uma bebida.

— Que não seja alcoólica, por favor. – Alertou a rosada. – Não se esqueça de que você vai dirigir.

— A Sarada também sabe dirigir. – Pegou um copo com Whisky. – Se não for assim, eu não aguento essa porcaria até o final.

— Pelo menos você pode beber. – Bufou.

— Por falar em beber... – Sasuke olhou para a sua progenitora, então a mulher revirou os olhos. – Pega leve, mãe.

— Faço das suas, minhas palavras. – Retrucou a mais velha. – Se não for assim, eu não aguento essa porcaria até o final.

Nesse momento um homem moreno e muito charmoso se aproximou. Mikoto, ao ver quem era, sentiu seu coração palpitar, uma vez que seus sentimentos nunca mudaram desde que era jovem, no entanto a mulher sabia disfarçar muito bem.

— Boa noite. – Ele os cumprimentou.

— Madara... – Sasuke olhou para seu progenitor. – Pensei que não viria mais.

— Fugaku disse que os membros da família deveriam chegar com trinta minutos de antecedência, mas não vi necessidade. – Deu de ombros. – O leilão ainda nem começou.

— Infelizmente. – Sarada se manifestou. – Até porque, quanto mais tarde começa, mais tarde termina.

— Aproveite os comes e bebes, é uma ótima forma de passar o tempo... – Sugeriu o Uchiha mais velho.

— Sim, acho que vou procurar algo pra comer. Querem alguma coisa? – Indagou Sarada.

— Não, querida. – Mikoto respondeu.

— Sasuke? – Ela olhou para o pai e este apenas negou com a cabeça.

— Eu vou com você. – Disse Sakura. – Estou com um pouquinho de fome e acho que um tira-gosto cairá muito bem agora.

Então Sakura e Sarada saíram para procurar o que comer, deixando Mikoto, Madara e Sasuke a sós.

— Sasuke... – Madara riu minimamente. – Ela nunca aprendeu a te chamar de pai?

— Chamava quando criança. – Ele respondeu. – Enfim... Minha relação com a minha filha nunca foi das melhores.

— Não precisa explicar, eu sei bem o porquê. – Assentiu o mais velho.

— Por falar em filha, eu notei que a Sakura está tentando esconder a barriga. – Disse Mikoto. – Pelo tempo de gravidez, já deve estar perceptível.

— Sim, está. – Sasuke assentiu. – Mas, dependendo da roupa que ela usa, não dá pra notar.

— Mesmo assim, filho. – Mikoto falou aflita. – Logo ela já não poderá mais esconder. A criança vai nascer... Fugaku saberá.

— Mãe...

— O que você vai fazer? – Ela perguntou.

— Não sei, mas Fugaku não fará mal algum à minha filha.

— Filha? – Madara arqueou uma sobrancelha. – Outra menina, Sasuke?

— Sim, outra menina... – Sorriu bobamente o Uchiha. – Mas tenho a esperança de ter um menino futuramente. Talvez quando a Haruka tiver uns dois ou três anos, Sakura e eu podemos tentar...

— Haruka? – Mikoto interrompeu. – Não é esse o nome que Sakura deu à Sarada? – Sasuke assentiu. – Hum... Uma boa escolha, talvez.

— Mais importante do que o sexo ou o nome do bebê é mantê-lo seguro. – Disse Madara. – Enquanto Fugaku for uma ameaça, não deixe que ele saiba. A mãe deve permanecer em casa, dar à luz em outro país se for necessário.

— Eu sei. – Assentiu o moreno mais novo. – Sou capaz de tudo por minhas filhas. Tudo mesmo!

De longe, Fugaku apenas observava os três conversando tranquilamente, sem ao menos imaginar que Sasuke já estava ciente de toda a verdade.

— Olha só como divertem... – Murmurou o líder da Amaterasu. – Parecem até uma família feliz. – Falou com desprezo. – Aquela vadia...

— Falando sozinho? – O homem ouviu a voz de seu primogênito, então olhou para trás, dando de cara com Itachi.

— Impressão sua.

Itachi seguiu o olhar do pai, então um sorriso malicioso brotou em seus lábios.

— Está com ciúmes da mamãe com o Madara? – Debochou.

— Ora, não seja ridículo! – Bufou com raiva e resolveu ir para o outro lado do salão, onde não precisasse olhar para Madara, Mikoto ou Sasuke.

Itachi ficou rindo da situação. Não sabia da traição de sua mãe com o primo, mas já havia notado que seu pai fica enciumado quando Mikoto está perto de Madara. Não por amar a esposa, mas porque nunca aceitou perder para o primo mais novo.

Madara resolveu ir cumprimentar os outros Uchiha e até mesmo dar uma palavrinha com a imprensa, até porque é um político bastante conhecido e respeitado em toda a Rússia.

Mikoto foi atrás de mais bebida, dessa vez algo mais forte, pois sentia que ia precisar para conseguir aguentar aquele evento de fachada até o final.

Sasuke se sentou numa cadeira e apoiou o cotovelo sobre a mesa, fitando o copo de whisky em sua mão.

Suspirou pesadamente, deu o último gole e largou o copo sobre a mesa. Aquela festa realmente estava um saco! Detestava ver os Uchiha se passando de bonzinhos, por mais que todo o dinheiro arrecadado no leilão fosse para uma boa causa.

Mas sabia que Fugaku não fazia aquilo porque tinha um coração bom, uma vez que o líder da máfia estava pouco se importando para as pessoas com câncer; Ele queria apenas parecer bom. Apenas isso.

Logo Sakura e Sarada voltaram, a rosada trazia em sua mão um prato com tira-gosto que colocou sobre a mesa.

— Pra você. – Disse ela. – Você não almoçou, então deve estar com fome.

— Eu não estou com fome. – Respondeu.

— Ainda assim é bom comer. – Sentou-se numa cadeira ao lado do Uchiha. – Você está bebendo. Não é bom ficar de estômago vazio.

— Sakura, eu não sou de beber além da conta. – Ele riu. – Eu sei a hora de parar, então não se preocupe, pois eu não vou estar de ressaca amanhã.

— Bem, se o Sasuke não quiser, eu quero. – Sarada espetou um cubo de queijo e levou até a boca. – Está uma delícia com esse azeite por cima.

— O cardápio do último evento estava melhor... – Sasuke deu de ombros e também pegou um cubo de queijo para experimentar.

— Ah, sim... – Disse Sarada. – Teve comida francesa e italiana, quase morri de tanto comer bruschetta e brie assado.

— Não apenas você. – Sasuke riu. – Teve ceviche de camarão também.

— Este ano mal tem algo além do nosso típico zakuski. – Sarada riu.

— Comida russa é mais saudável, não reclama, e esse tira-gosto está realmente ótimo. – Disse Sakura. – É só a entrada, com certeza vão servir mais coisas.

— Sim, vão servir o jantar após os discursos e antes do leilão. – Assentiu a adolescente. – E eu não vejo a hora, afinal, é a única parte boa de vir para esses eventos da família.

— Nossa, tá chegando cada vez mais gente... E ficam olhando pra mim. – Sakura falou incomodada.

— Por que será, hein? – Riu o moreno. – Relaxa, Sakura.

— Argh! Por que não tocam uma música animada? – Resmungou a menina. – Sério, essas músicas muito lentas dão vontade de dormir...

— Falou a menina que escuta Evanescence. – Sasuke riu e Sarada fechou a cara.

— My Immortal não conta! – Bufou. – Enfim, isso tá dando vontade de dormir!

— Isso é música clássica, Sarada. – Sakura falou. – É só para a recepção. Logo começam os discursos chatos, depois o DJ coloca algumas músicas para animar enquanto o jantar é servido. Alguns aproveitam para dançar. – Deu de ombros.

— Só tem velhos aqui... – Bufou.

De fato, não havia muitos jovens ali, Sarada era a mais nova no recinto.

— Ei! – Sasuke e Sakura resmungaram em uníssono.

Em pouco tempo, todos os convidados já estavam acomodados e o mestre de cerimônias começou a chamar as pessoas para discursar. Entre elas estavam o dono da instituição beneficiada, Fugaku e Madara. Outras pessoas aparentemente importantes também falariam.

Sarada foi ao bar e voltou com uma batida de morango e vodka para a mesa. Mais aperitivos foram servidos.

— Você bebe? – Sakura mais reclamou do que perguntou.

— Sim... – Estranhou a reação da mãe.

— Você é nova demais, não deveria.

— Não foi você quem me defendeu uma vez falando que eu não era criança? – Estreitou os olhos e levou a taça à boca, gesto que foi prontamente impedido pela rosada.

— Sakura, aqui na Rússia, caso não lembre, não tem idade mínima para consumo de bebida alcoólica. Este não é o meu primeiro drink da vida. – Rebateu.

— Mas bebidas alcoólicas fazem mal, você só tem dezenove anos.

— Sakura, você tomou meia garrafa de vinho estando grávida, não queira dar exemplo agora, então para com isso. – Sasuke encerrou a discussão.

— É só um... Ou dois. Não se preocupa. – A morena a tranquilizou. – Você dirige na volta, Sakura. – Sorriu vitoriosa.

— Não exagera. – Sakura alertou.

Sarada riu. Sasuke nunca se preocupou sobre seu consumo de bebidas, ele liberou sem problemas. Se dependesse de sua progenitora, provavelmente, ela continuaria sem saber qual o gosto de bebidas alcoólicas.

[...]

Os discursos chatos – e hipócritas da parte de algumas pessoas como Fugaku – haviam terminado.

Apresentaram o Instituto de Assistência da Pessoa com Câncer de Toská, que acolhia também pessoas de cidades além da região metropolitana de Toská, falaram sobre o evento e mais algumas mentiras de como faziam aquilo pelo bem dos outros.

O jantar fora servido algumas pessoas ainda comiam, alguns dançavam na pista entre as mesas. Os organizadores estavam aprontando as coisas para começar o leilão, hora na qual os magnatas ali presentes iriam ostentar e competir para ver qual deles tinha mais dinheiro.

— Vão leiloar um Richebourg, Sakura, vai querer? – Sarada brincou sobre o vinho com a mãe.

— Sarada, por favor, aquilo foi um deslize. – Sakura corou com o comentário da mais nova.

— Acho que o Sasuke quer arrematar o The Macallan 1946. – A morena comentou olhando para os lados em busca do pai.

Foi quando começou a tocar Beauty and the Beast.

A Uchiha sorriu quando viu o moreno caminhando até a mesa e estendeu a mão para a Haruno, como um pedido mudo para que Sakura dançasse com ele.

Ela olhou para a filha, um pouco receosa, mas Sarada movimentou a cabeça levemente em direção ao homem.

A rosada aceitou e Sasuke sorriu de canto, puxando a mulher para o meio daquele enorme salão.

— Sei que já falei isso, mas torno a dizer: Você está linda. – Falou no ouvido de Sakura e ela riu.

Sakura estava realmente linda. O delineador preto e a sombra em tons de cinza e preto realçavam os olhos esverdeados e o batom, mesmo que nude, deixava os lábios carnudos ainda mais bonitos e convidativos.

— Quem vê assim até pensa que é um cavalheiro. – Brincou.

— Ora... – Fingiu indignação. – Eu sei fingir bem.

— Aham... E desde quando você sabe dançar, Sasuke?

— Digamos que eu tenho muitas qualidades que você desconhece, Sakura.

— Você é um bobo... – Sakura escorou a cabeça no peito do homem, então ele sorriu.

Sentiu seu coração bater mais forte e não queria que aquela música acabasse. Queria ficar para sempre ali, com Sakura tão perto de si, sem pensar em mais nada além dos dois.

Talvez fosse a hora certa. Há tempos queria se declarar, colocar pra fora o que sentia, mas nunca encontrava uma oportunidade perfeita. Há meses estava com Sakura residindo em sua casa, já eram uma família, mas, por mais que isso estivesse óbvio, nunca tomou coragem para dizer que a ama.

— Sakura...

— Sabe... – A rosada interrompeu antes que ele concluísse sua frase. Na verdade ela nem escutou o moreno dizer seu nome. – Nós deveríamos ter comemorado o aniversário da Sarada.

Ela olhou para Sasuke e ele ergueu levemente uma sobrancelha. Estava prestes a se declarar e Sakura foi inventar de falar sobre o aniversário de Sarada? Ora, a música iria acabar e nada de ele dizer o que sente!

— Ela disse que não queria nada.

— Sasuke, você sabe que quando uma mulher diz "Não", muitas vezes quer dizer "Sim" ou "Talvez".

— Eu não sei disso. – Uniu as sobrancelhas.

— Tem que saber. – Riu. – Logo terá três mulheres na sua vida.

— Mas do meu aniversário ninguém lembrou... – Fingiu tristeza e Sakura se espantou.

— Nossa, foi no final de julho! – Sasuke assentiu. Sakura sabia que tinha alguma coisa importante da qual deveria se lembrar no final de julho, mas simplesmente não se lembrou... Era o aniversário de Sasuke. Ela sequer comprou um presente para ele, mas iria comprar. Antes tarde do que nunca, e o que vale é a intenção. – Você deveria ter dito, Sasuke!

— Não gosto de lembrar que estou ficando velho.

— Está ficando velho e rabugento...

— Ora, rabugento... – Bufou.

— É brincadeira, seu bobo. – Sorriu divertida, o que arrancou um sorriso mínimo do Uchiha.

A música acabou, mas ambos só notaram quando o som de Photograph tomou conta do salão.

— Sabe. – Suspirou. – Eu tenho uma coisa pra te dizer. Já devia ter dito há muito tempo, mas... Enfim, não sou uma pessoa sentimental, tampouco uma pessoa boa com palavras.

Sakura já sabia onde ele queria chegar. Já tinha certeza... No entanto, mesmo sabendo que ele poderia se atrapalhar um pouquinho, queria ouvir da boca dele.

— Pois diga. – A rosada falou com a voz doce, deixando o Uchiha mais calmo.

— Sabe, quando você apareceu como Izanami, me algemou naquela cama e revelou ser Sakura... – Suspirou. – Não vou negar que eu queria te ver morta e enterrada. – A Haruno não conteve um riso, visto que ela também queria Sasuke morto. – Mas eu não sei o que aconteceu. Não sei! Você queria ficar perto da Sarada, com isso acabou ficando perto de mim também e... – Ele mordeu o lábio inferior e desviou o olhar. Estava nervoso, jamais tinha dito tais palavras para uma mulher. – Eu comecei a sentir coisas que jamais havia sentido antes. – Olhou novamente nos olhos esverdeados. – Não pensei que um dia fosse gostar pra valer de alguém, muito menos que esse alguém fosse a mãe sumida da minha filha... Das minhas filhas. – Riu. – Sakura, eu te amo, de verdade. Você é mais do que a mãe das minhas filhas, muito mais. Eu quero você como minha mulher.

Sakura ficou sem palavras. Ela ainda tinha medo... Medo de que aquela felicidade fosse passageira, mas tinha que admitir que Sasuke cresceu e amadureceu. Ambos cresceram e aqueles dois adolescentes inconsequentes ficaram no passado.

“Loving can heal

Loving can mend your soul”

Sakura ouviu a segunda parte da música que estava tocando.

Sempre se sentiu quebrada nos tempos que esteve na Holanda. Trabalhava com algo que considerava sujo. Vendia o próprio corpo para sobreviver, ela era uma mercadoria. Por vezes quis tirar a própria vida, pois não via um futuro para si mesma.

Mas encontrou a filha que acreditou estar morta por dezoito anos, tinha o amor da mais nova, sabia disso. Sarada a amava e a respeitava mesmo que se conhecessem há poucos meses.

E Sasuke? Ele estava ali agora dizendo que a amava... E a Haruno sentia isso em cada gesto dele. Ele a tratava com carinho. Era totalmente diferente de como ele a tratava quando estava se passando por outra mulher.

Se sentia curada, tinha vontade de viver e o amor de sua filha e de Sasuke eram responsáveis pela mudança.

Sarada insistia há meses, por que não dar realmente a chance que Sasuke e ela própria mereciam?

— Sasuke... – Falou quase que como um sussurro. – Nossa... Nossa relação era apenas sexo, não envolvia sentimentos...

— Bem. – Ele a interrompeu e Sakura se calou. Não tinha palavras naquele momento. – É fácil tirar a roupa e fazer sexo. As pessoas fazem isso o tempo todo. Mas abrir sua alma para alguém, deixando-os em seu espírito, pensamentos, medos, futuros, esperanças, sonhos... Isso que é estar nu.

— Isso é mesmo verdade? – Questionou.

— Eu não iria iludir você, Sakura. – Falou convicto. – Não tenho dúvidas com relação aos meus sentimentos, mas eu quero saber dos seus. Eu preciso saber.

— Eu... – A mulher se controlou para não gaguejar, mas era impossível esconder o nervosismo e a insegurança. Sasuke segurava em sua mão, então era notável que suava frio. – Eu tentei, Sasuke... Juro, eu tentei mesmo... – Sasuke sentiu uma pontada no coração.

— Você tentou? – Indagou desanimado.

Sakura, para ele, era uma incógnita. Às vezes chegava a pensar que ela sentia o mesmo, às vezes pensava o contrário. Mas não tinha como saber se não abrisse o jogo.

— Tentei. – Assentiu. – Tentei não me apaixonar por você, Sasuke... Mas estava sendo uma tarefa difícil.

Os olhos de ônix se arregalaram e a boca ficou entreaberta. O coração de Sasuke quase saiu pela boca de tão forte que bateu.

— Você... Sakura, isso é verdade?

— Por que não seria? – Indagou retoricamente. – Eu não iria iludir você, Sasuke.

Sasuke não conteve um sorriso bobo. Estava realmente feliz, não havia como negar.

Estava tudo bem em sua casa. Sarada, por mais que ainda o chamasse pelo nome, o travava bem e demonstrava que gostava do pai. Sakura estava ali, sempre do seu lado, e o amava da mesma forma que ele a amava. Isso sem falar em Haruka, o bebê que estava para chegar e que iria transformar a vida da família. Iria deixar todos mais felizes.

Aproximou seu rosto do da rosada e a beijou. Não podia evitar aquilo, o beijo foi para selar aquele momento mais que perfeito.

Eles não podiam estar mais felizes.

Os dois finalizaram a dança quando a música parou e caminharam até onde Sarada estava e filmava tudo.

— Até que enfim se assumiram! – Brincou a adolescente. – Pareciam dois jovens apaixonados, já estavam me dando nojo.

Sasuke riu e deu um peteleco na testa da filha.

— Como se você já não tivesse passado por isso...

— Mas vocês são adultos. – Revirou os olhos.

— Sasuke. – O moreno ouviu uma voz atrás de si e se deparou com o irmão.

— Oi, Itachi. – Acenou com uma expressão não muito séria. – Papai está me chamando?

— Não, Madara. – Respondeu calmamente.

O mais novo franziu o cenho, estava confuso, mas logo lembrou que seu irmão não sabia da traição de sua mãe.

— Eu já volto. – Se desvencilhou dos braços da rosada e foi em direção ao irmão para acompanhá-lo.

— Quer sentar? – Sarada apontou para a mesa ao lado.

— Pode ser. – Se assentou e a adolescente repetiu a ação.

— Bebidas, moças? – O garçom, bem vestido, mostrou sua bandeja na mão esquerda.

— Coca-Cola, por favor. – Pediu a Haruno.

— Não quero nada, obrigada. – Disse a outra e o homem se retirou após deixar um copo.

Sakura bebeu o líquido e respirou aliviada.

— Céus, como pode ser tão bom? – Disse olhando para o objeto em suas mãos.

— Acho que o que está sendo bom é a tal “magia do amor”. – Debochou risonha.

— Deixa de ser boba, menina. – Riu.

— É bom saber que estão juntos. – Colocou uma mecha do cabelo para trás e se aproximou da barriga da mãe. – Você vai ter papai e mamãe. – Sussurrou.

Sakura sorriu com a cena e acariciou seu ventre. Sentiu algo tocar sua mão e fez uma cara surpresa.

— Sarada, ela...! – Sua fala foi cortada quando alguém esbarrou em sua cadeira. Como não segurava o copo com firmeza, acabou derramando um pouco em seu vestido. – Ah, merda!

Olhou ao redor para ver quem foi e não viu ninguém suspeito.

— Meu vestido novo... – Olhou penalizada para sua roupa.

— Vai ao banheiro, se limpar rapidinho deve sair. – Aconselhou a menina.

— Tá. – A rosada pegou sua clutch Chanel dourada e andou apressadamente para o banheiro feminino.

Ao entrar, viu que um dos seis sanitários estava sendo usado. Andou até a pia e ligou a torneira. Molhou um pouco do papel e aplicou um pouco de sabão, esfregou levemente sobre o vestido branco.

Sakura nem prestava atenção, se concentrava mais na mancha que não queria sair.

— Será que tem alguma dica na Interner? – Abriu sua bolsa e pegou seu iPhone, digitou a senha e começou a pesquisar.

Enquanto isso, Sarada olhava ao redor, procurando se havia algo interessante para fazer enquanto sua mãe não voltava.

Não encontrava ninguém aparentemente da sua idade. Bufou entediada.

— Odeio essas festas. – Resmungou.

Alguns jornalistas entrevistavam seu avô e sua avó, pareciam estar se divertindo.

Olhou para a hora em seu celular e viu que sua mãe estava demorando mais do que deveria, já estava para começar o leilão.

Resolveu tirar um Snap com a legenda “me divertindo pra caramba” e uma cara entediada. Mas ao enviar a foto para os poucos amigos que tinha, ficou receosa antes de enviar para o ex.

— Eu deveria? – Se perguntou.

Já fazia meses, mas ficou ponderando e, no fim, não mandou.

— Posso estar sendo um incômodo. – Suspirou.

Recebeu uma mensagem e foi ver de quem era. Era de Sakura.

“Não estou me sentindo muito bem.”

Sarada franziu o cenho diante da mensagem e foi até o banheiro ajudar sua mãe. Não conseguiu evitar ficar preocupada, a rosada estava grávida, se sentir mal às vezes era normal, mas podia ser algo mais também.

Chegando lá, não havia ninguém, apenas um sanitário ocupado e andou até a portinha que estava fechada.

— Sakura? – Perguntou e não obteve resposta. Resolveu abrir. – Sakura?

Não havia ninguém, apenas um “não olhe para trás” escrito à caneta permanente na parede.

Antes que pudesse desobedecer ao que estava escrito, um pequeno pano molhado cobriu suas narinas e um braço agarrou a sua cintura.

Agitou-se um pouco por conta da surpresa, mas logo seus músculos se relaxaram e desmaiou sem ter tempo de gritar.