Notas iniciais
Dedicamos o capítulo à ladylive... Obrigada pela linda recomendação ♥ ♥ ♥ ♥ Esperamos que goste *----* Enfim, vamos ao capítulo ;****

Toská, Rússia

29 de março

11:32 A.M.

Naruto dirigia de volta para sua casa com um sorriso largo no rosto. Acabara de sair de uma reunião que teve com uma nova investidora. Seus produtos seriam de melhor qualidade, o salão teria mesas mais sofisticadas, cadeiras mais confortáveis e uma nova decoração. O caminho para a próxima estrela de seu restaurante seria mais curto. O Kyuubi um dia seria famoso. Sonhava com isso desde adolescente, sonhava com o dia em que receberia clientes do mundo inteiro.

Não via a hora de contar a sua esposa, talvez ela já tivesse chegado em casa naquele horário, disse que a reunião com o delegado Nara e o resto da equipe seria rápida. Mal conseguia conter sua felicidade, iria contar sobre seu grande passo a Boruto, sua esposa e sua maior admiradora, Himawari. A pequena sempre disse que um dia trabalharia ao lado do pai fazendo e criando doces.

Olhou para a foto que mantinha colada numa área livre do ar-condicionado. Nela estavam ele e a família com quem morava. Todos sorriam porque na época era o seu aniversário de 40 anos, que por sinal estava bem perto. Tudo estava sendo um sonho. Só de saber que o Kyuubi seria um novo restaurante, já era um grande presente. Não via a hora de compartilhar esta alegria com toda a família.

Assim que dobrou a esquina para entrar na rua de sua casa, notou que havia gente demais fora de casa, conversando, cochichando. Com certeza algo havia acontecido, talvez algum vizinho tenha traído a esposa, ou talvez o contrário. Mas aquilo não seria suficiente para tirar tanta gente de casa.

Logo foi tirado de seus devaneios quando notou qual era o motivo daquele movimento: Havia algumas viaturas e ambulâncias em frente a sua casa.

O desespero tomou conta de si quando viu, de longe, dois paramédicos saírem de sua casa com uma maca com um saco preto, indicando que aquilo era um cadáver.

— H-Hinata... – Murmurou e pisou fundo no acelerador. Por um instante o seu coração parou.

Estacionou o Corolla preto de qualquer jeito e saiu aos tropeços para ver o que estava acontecendo, nem lembrou de fechar a porta, sequer ativar o alarme. Esperava que o que estava pensando fosse mentira. Correu em direção aos policiais próximos à ambulância e ultrapassou a faixa de retenção amarela.

— E-eu não sei direito. Não esperava por aquilo... Ele atirou na gente e saiu com as duas, não sei o que fez com elas... Só espero que estejam bem... – Uma voz feminina aparentemente assustada relatava.

O que passou na mente de Naruto ao ouvir aquilo foi que sua esposa e sua filha haviam sido levadas por alguém. Ao menos teria a chance de recuperá-las. Mas o que era aquilo? Como acontecera? Foram os Uchiha?

A cabeça de Naruto era uma confusão, não conseguia pensar direito. Tudo que queria era saber se sua família estava bem.

— Oficial! – Gritou meio nervoso. – O-o que... O que está havendo? Cadê minha esposa e meus filhos? – Olhava para os lados, procurando os três.

A mulher loira sentada na ambulância que antes falava estava sangrando na região da cintura. Talvez ferimento feito por um tiro. Ela o olhava assustada e sacou uma arma em sua direção.

— V-Você! – Ela gritou. A voz era um misto de medo e acusação.

Naruto a olhou confuso, franzindo o cenho.

— O-onde elas estão? – A mulher perguntou derramando algumas lágrimas.

— Detetive Yamanaka... – Um dos oficiais chamou. Naruto reconheceu o oficial Inuzuka. – Se acalme.

— De-detetive? Você é colega da Hina? O que houve? – O loiro perguntou desesperado.

— Não se faça de idiota! – Ino berrou. – Você as levou! Sua própria esposa... Sua filha! – Abaixou o tom de voz, sua voz estava embargada.

— O que... O que está acontecendo? – Perguntou confuso, olhando ao redor.

— Senhor Uzumaki, a detetive Yamanaka afirma que o senhor estava aqui momentos atrás e atirou nos detetives Hidan e Kakuzu. – Explicou o oficial.

— O-o quê? – Indagou em um fio de voz.

Estava sendo acusado de atirar em alguém? Por que aquilo estava acontecendo?

— Você os matou... Eles foram meus colegas por anos... – A Yamanaka abaixou a cabeça, mas manteve a arma apontada para o Uzumaki. Suas mãos estavam trêmulas. – P-por quê? O próprio marido participando disso... Ninguém pensaria em você...

— D-do que está f-falando? – Estava perdido. Por que ninguém explicava o que estava acontecendo ali?

— Tem certeza, senhora Yamanaka? – Outro oficial perguntou.

— Senhor Uzumaki, o que houve aqui? – Naruto reconheceu a voz de Shikamaru.

Virou-se rapidamente. Estava em choque. Do que estava sendo acusado? O que acontecera? Por que aquela mulher falava aquelas coisas?

Ficou com ainda mais medo quando viu o olhar frio do delegado sobre si. Ele era amigo de sua esposa, era seu amigo também, como podia o olhar daquela forma? Por que o olhava daquela forma com tanto... Desprezo?

— E-eu não sei... O-o que está acontecendo?

— Revistem-no! – Nara ordenou.

— M-mas o quê? – Olhou para os oficiais que passavam as mãos pelas suas roupas, revistando-o.

— Revistem o carro, a casa... TUDO! Quero o responsável definhando o quanto antes...

— O QUE ESTÁ HAVENDO? – Naruto gritou impaciente.

Estava ofegante, nervoso, desesperado, angustiado. Onde estava sua família? Por que estava sendo acusado do que quer que fosse?

Shikamaru o olhou friamente.

— Sua esposa foi afastada novamente, mas ela saiu com a arma. Enviei Hidan, Kakuzu e Ino atrás dela, mas quando os três chegaram, foram surpreendidos por... – O delegado pegou o caderno das mãos do oficial que conversava com a loira. – Um “Homem loiro, não muito alto, ele tinha olhos azuis”. – Parou de ler e olhou para o Uzumaki. – Parece com alguém? Tem mais... – Olhou para o caderno. – “Hinata o chamou de Naruto e o chamou ‘de amor’ também.” – O Nara torceu a boca com raiva e devolveu o caderno com certa violência. – Já vi a Hinata te chamar assim. O que fez com ela, Uzumaki?

— E-eu não fiz nada! – Estava confuso. – E-eu não ataquei ninguém, acabei de chegar!

— Onde estava? – O moreno perguntou.

— Com uma nova investidora do restaurante.

— Posso saber quem é a investidora? – Shikamaru ergueu uma sobrancelha.

— S-Shizune Katou. – Respondeu.

— E o senhor tem o contato dela?

— Delegado! – Kiba o chamou. – Encontramos este pente no carro do senhor Uzumaki.

O Inuzuka entregou o objeto ao seu superior.

— Calibre .380 ACP. – O delegado analisou as balas no pente.

— O QUÊ? – Naruto gritou. – Como isso foi parar no meu carro? E-eu não fiz nada, eu juro! Onde estão Hinata, Himawari e Boruto?

— É isso o que queremos saber, senhor Uzumaki. – Shikamaru o olhou com raiva. – Mande as balas retiradas do corpo da Yamanaka e dos outros dois para a balística junto com o pente encontrado. Analisem se há algum resíduo de disparo nas mãos do senhor Uzumaki; entrem em contato com Shizune Katou. Quero tudo o mais rápido possível... – Virou de costas para sair, acendendo um cigarro. — Prendam-no e o levem para a delegacia!

— Ei! O quê? – Naruto se debatia, gritando, enquanto os oficiais o algemavam.

— V-você é um monstro... – Ino choramingou.

— Eu não fiz nada! Parem com isso! Onde está a Hinata? Boruto? Himawari? – O loiro bradou se soltando e derramando algumas lágrimas.

Um dos policiais chutou a perna de Naruto, o derrubando de barriga para baixo. Puxou suas mãos para as costas e pôs a algema.

— Me larguem! – Se debatia desesperado. – Por que estão fazendo isso comigo?

O loiro chorava e gritava desesperadamente, mas ninguém parecia o escutar. As pessoas curiosas atrás da faixa cochichavam entre si e o olhavam com desprezo. Vizinhos antes tão amáveis e gentis, agora o encaravam com ódio e revolta.

O que ele fez para merecer aquilo? Sequer estava sabendo direito o que aconteceu ali. Para onde foi aquele momento tão feliz que estava momentos atrás?

O policial que ainda estava sobre o Uzumaki o levantou com certa força. Os outros que o ajudavam o colocaram no camburão.

— Pai?

Naruto ouviu uma voz tão conhecida e respirou um pouco aliviado ao reconhecer Boruto. Ao menos o primogênito estava bem.

— O que está acontecendo? – O garoto tentou se aproximar, mas fora afastado.

— Seu pai está sendo levado à delegacia por suspeita de homicídio e sequestro. – O oficial Inuzuka se aproximou do jovem e explicou a situação.

— Eu já disse que não fiz nada! – Naruto gritou ainda relutando. Ele chorava muito. – Por Deus, por que eu faria isso?

— Onde estão minha mãe e minha irmã? – O loiro mais novo encarou preocupado o oficial.

— É isso o que queremos descobrir. Por enquanto o seu pai é o maior suspeito. – Disse calmamente, embora nervoso. – É possível que elas tenham sido sequestradas ou mortas.

— Boruto, não acredite neles! – Rebateu o mais velho.

— Meu pai é inocente! – Gritou o menino. – Ele nunca faria nada disso!

— Só estamos seguindo as evidências. – Kiba disse se afastando.

— Por quê? – Boruto começou a se desesperar, segurava o choro. – Pai! – O Uzumaki correu até a viatura em que seu pai havia sido colocado. Batia no veículo. – Soltem ele!

— Boruto! – Naruto disse algo mais que ele não havia escutado.

O carro deu partida e o adolescente tentou correr atrás, mas fora impedido por Shikamaru.

— Tio! – Boruto o reconheceu como pai de Shikadai, seu amigo da faculdade. – Por que estão prendendo o meu pai? Ele não fez nada de errado, tenho certeza!

— Ainda não sabemos de nada.

— Por quê? – O garoto não se preocupou mais em conter as lágrimas. – O senhor conhece a minha família! Sabe que ele não fez isso!

Nara não respondeu, apenas abraçou o adolescente que estava desesperado e afagou sua cabeça. Também não queria acreditar que Naruto era o culpado, mas não tinha outras provas e a oficial Yamanaka era testemunha.

Temia pela vida de Hinata. Muito mais do que profissional, ela era sua grande amiga. Alguém que ele tinha um grande apreço.

— Himawari... Eu não devia ter deixado ela sozinha. – O loiro confessou em meio a soluços. – É tudo culpa minha, sou um péssimo irmão!

— Ela ainda pode estar viva... – Tentou consolar.

— Mas seria diferente se eu estivesse aqui!

— Seriam vocês dois! – O repreendeu. – A culpa não foi sua, ao menos você escapou! Considere-se com sorte.

— “Sorte”? – Se afastou do homem e o olhou em pranto. – Onde isso pode ser considerado sorte? Ao menos eu estaria com ela agora!

— Os dois provavelmente estariam mortos!

O Uzumaki abaixou a cabeça. Shikamaru, vendo o que havia acabado de dizer, tentou contornar a situação.

— Digo, os dois teriam desaparecido... – Respirou fundo. – Pense como seu pai estaria agora se não visse que você estava bem.

— Eu desobedeci a minha mãe. – Colocou a mão sobre a boca, suas lágrimas caíam continuamente. – Eu não quero que minha mãe esteja morta, sendo que a última coisa que fiz foi desobedece-la.

Não adiantava. Boruto se culpava e não havia nada que o faria mudar de pensamento. A menos que Hinata e Himawari estivessem bem.

Estava sozinho. Sem os pais e a irmã. Só tinha a Sarada, mas mesmo assim se sentia culpado por voltar o relacionamento desobedecendo à ordem de sua mãe.

Em toda a sua vida, Boruto nunca se sentiu assim. Um misto de emoções como culpa, saudade, pesar, melancolia, dor… Solidão.

[...]

Toská, Rússia

30 de março de 2016

00:51 A.M.

Chegando em casa silenciosamente, Sasuke não acendeu nenhuma luz e tirou os sapatos com cuidado.

Pegou o casaco que usava e o jogou no chão. Foi à cozinha e pegou uma garrafa de água na geladeira para beber. Caminhou até a sala novamente e se sentou no sofá, engoliu a água e soltou um suspiro pesado.

— Onde estava?

Virou seu rosto em direção à voz que escutava e viu sua filha parada na escada, encostada na parede.

— Ainda está acordada? – Perguntou.

— Não consegui dormir. – Se aproximou e sentou ao lado do pai.

— Aconteceu alguma coisa? – Perguntou preocupado.

— O vovô veio aqui. – Abaixou sua cabeça. – Ele ameaçou a Sakura.

— O quê? – Sasuke quase deixou a garrafa cair de sua mão de tão surpreso com a notícia. – Ele fez algo com vocês? O que ele disse?

— Ele queria que eu voltasse para a Amaterasu. – Suspirou. – Tive que aceitar.

— Sarada, não. – O Uchiha colocou a garrafa sobre a mesa de centro e olhou a menina preocupado. – Não faça isso, por favor.

— Se eu não voltar, ele vai matar a Sakura. – Lamentou. – Ela quase morreu por mim uma vez, Sasuke, não vou deixar que aconteça de novo.

— E vai se colocar em perigo? – Indagou indignado. – Agora que você sabe de tudo, ele não vai medir as consequências para usá-la contra mim. Vai te colocar em perigo assim como fez comigo.

— E o que eu posso fazer? – Perguntou sinceramente. – Ou ele me mata ou mata a Sakura.

— Irei falar com ele. – Disse firme. – É a mim quem ele quer.

— Ele vai matá-lo.

— Antes eu do que vocês duas.

Sarada permaneceu em silêncio por um tempo. Agora enxergava o quanto seu avô a enganou a respeito de seu pai.

— Posso te fazer uma pergunta? – Sasuke assentiu. – Quando conversou com Boruto para voltar comigo... Por que fez isso?

— Você estava triste, sabia que se voltassem você sorriria de novo.

— Este foi o único motivo? – Insistiu.

— Como assim? – O Uchiha franziu o cenho diante a pergunta.

— O vovô disse que você estava indo fazer uma emboscada contra a mãe do Boruto. – Suspirou. – O que fazia com ela?

Sasuke respirou fundo e bebeu a água de sua garrafa, a deixando vazia.

Ela sabia que seu avô havia dito isso somente para colocá-la contra o pai, mas não cairia mais no jogo dele. Estava decidida em mudar sua relação com Sasuke.

— Eu a matei.

A morena permaneceu em silêncio e abaixou a cabeça. Já esperava por isso, mas ouvir a confirmação foi uma sensação horrível.

Só de pensar em como seu namorado ficaria, se sentiu péssima e se pôs a chorar.

— Foi preciso.

— Eu sei. – Fungou. – Ela estava investigando os casos que ligam a nossa família, seria um problema se ela descobrisse sobre nós.

— Ela descobriu. – Suspirou. – Mas ela não tinha provas. Ou melhor, tinha, mas havia um infiltrado na polícia que conseguia alterá-las.

— Então foi por isso que Boruto terminou comigo... Ela devia ter contado.

— Sim.

— Não consigo imaginar a dor que ele provavelmente irá sentir. – Secou o rosto, em vão. – Ainda tem a Himawari... Ela é apenas uma criança.

— Himawari também está morta. – Fechou os olhos juntamente com os punhos.

— O quê?

A Uchiha não sabia se havia escutado direito, mas diante das expressões do pai, não havia entendido errado.

— Por quê? – Sua voz saiu quase num sussurro de incompreensão.

— Eu não queria ter feito isso. – Lamentou.

— Então por que fez? – Elevou a voz. – Sasuke, ela era uma criança!

— Você acha que eu não sei? – Vociferou. – Desculpa. – Diminuiu o tom. – O plano não era esse, era para esperarmos ela chegar em casa, mas a garotinha estava em casa. Sabia que poderia acontecer a possibilidade de o Boruto vir para cá, então deixei uma câmera em seu quarto. – Bagunçou os cabelos negros. – Era para ela ter visto o vídeo e ter falado logo, mas ela disse que era gravado. Tive que apelar.

— Isso não justifica, Sasuke! – Rebateu chorosa. – Himawari ou Boruto, nenhum dos dois tinha algo a ver com esta história toda!

— Eu avisei para ela! Muitas vezes. – Treplicou. – Avisei que se ela continuasse poderia morrer, disse para tomar cuidado e não se meter onde não deve, alertei para que não deixasse os filhos sozinhos... Por diversas vezes eu insisti, mas ela ainda assim não parou.

— Eu achei que estivesse mudando. – Sua decepção era palpável.

“Eu também achei...”, pensou consigo mesmo.

O Uchiha abaixou a cabeça e respirou chateado. Ele não queria ter feito nada daquilo, mas não teve escolha.

— Estou tentando.

— Matando inocentes?

— Eu já estou corrompido por causa desta máfia, por isso não queria que você entrasse.

— Sasuke, isso não importa agora. – O olhou nos olhos. – Pare de usar desculpas! Você é experiente nestes assuntos, sei que poderia evitar isso.

— Poderia. – Disse com remorso. – Mas deixar a menina viva seria um problema também. Ela escutou nossa conversa.

— Poderia ter colocado algo nos ouvidos dela, a tirado da sala, sei lá, qualquer coisa. – Exaltou-se.

— Eu sei. – Abaixou mais ainda sua cabeça. – Eu sou horrível. Queria proteger minha família e destruí outra.

Sarada sentiu compaixão do homem a sua frente. Sabia que ele estava muito errado em suas atitudes, mas isso salvou a vida dela, a vida dele, e a vida de toda a sua família. Sangue inocente foi derramado, mas em uma guerra, é impossível que isso não aconteça.

— A vida não tem cura. – Resmungou ela.

— Eu quero paz. – Resmungou o homem. – Por que a felicidade parece tão difícil para mim?

— São as consequências da vida. – Tocou no ombro dele. – Mas tudo tem um fim.

A menina se levantou e saiu da sala para subir as escadas, mas viu que Sakura estava no caminho.

— Você ouviu tudo?

— Sim. – Respondeu a rosada. – Mas não quis atrapalhar.

— Cuide dele por mim. – Disse baixinho enquanto passava por ela para subir as escadas.

Sarada subiu as escadas e a rosada foi até o centro da sala, então se sentou ao lado do homem que parecia atordoado.

Já sabia que ele havia matado a policial Hyuuga, mas se surpreendeu ao vê-lo de tal forma. Após tantos anos na máfia, Sasuke não deveria sentir remorso após matar uma pessoa.

— Quer conversar? – A mulher se aproximou do Uchiha e tocou em seu ombro. Ele apenas negou com a cabeça. – O que aconteceu? Por que você está assim?

— Me diga você. – Sasuke desviou seu olhar para Sakura e esta ficou com uma expressão confusa em seu rosto. – Está bem após a visita nada agradável do meu pai?

— Aquele velho não perde por esperar. – O tom de voz que antes era doce agora estava mais sério. – Sarada não ficará a mercê dele, eu não vou deixar.

— Não irei hesitar em matar meu próprio pai se alguma coisa acontecer com a Sarada.

— Você precisa esperar acontecer algo com ela pra fazer isso, Sasuke? – A mulher arqueou uma sobrancelha e Sasuke apenas suspirou, então abaixou sua cabeça novamente e fitou o chão.

O silêncio reinou entre eles por longos minutos. Era óbvio que Sasuke não queria conversar e parecia estar se torturando por alguma coisa.

Sakura, por mais que não gostasse de Sasuke de uma forma romântica, sentia seu coração partido por vê-lo daquele jeito.

Era grata a ele, não queria ver o moreno triste. Queria vê-lo feliz.

Sabia que o coração de Sasuke não era apenas obscuro, como também machucado, cheio de traumas e rancor.

Passou toda a infância sendo rejeitado pelo pai dentro da própria casa; Vendo seu irmão mais velho ser tratado com privilégios, enquanto para ele só ficavam as broncas; Ouvindo que não foi um filho desejado... Sasuke sabia que, se fosse Itachi quem tivesse engravidado uma garota na adolescência, as coisas seriam diferentes para ele. Sasuke cresceu se achando o desgosto da família, fazendo de tudo pra chamar atenção e só recebendo broncas em troca. Se já não bastasse isso, ainda teve a rejeição da própria filha.

Sasuke era um vaso quebrado que precisava de ajuda para ser concertado. Precisava de alguém para juntar os cacos.

— Você matou aquela policial, não foi? – A voz de Sakura tirou Sasuke de sua tortura psicológica. Ele apenas olhou para a rosada e assentiu. – Isso precisava ser feito. Você e Sarada poderiam ser condenados à morte, Sasuke.

— Eu matei uma criança. – Falou com remorso e Sakura baixou a cabeça. – Enquanto dirigia pra casa, fiquei lembrando de Sarada quando era do tamanho da filha da Hyuuga... – Suspirou e bagunçou os cabelos. – Eu estava com raiva, agi por impulso, matei uma menina linda que tinha uma vida inteira pela frente... Himawari não tinha nada a ver com...

— Sasuke. – A mulher o interrompeu. – Adianta ficar remoendo isso? – Questionou retoricamente. – Não foi correto matar uma criança, mas não dá pra voltar no tempo. Pelo menos a nossa filha não corre mais risco de ser condenada e morta.

— A nossa filha nunca vai me perdoar por isso. – Falou com pesar. – Ela não explodiu comigo como eu pensei que explodiria, mas está magoada e eu percebi isso. Ela gostava muito da Himawari e eu a matei.

— Ela vai compreender, Sasuke. Ela está vendo o quanto a máfia pode ser cruel e não quer mais essa vida pra ela.

— Às vezes sangue inocente precisa ser derramado para bens maiores. – Suspirou o moreno. – Mesmo que seja de uma criança.

— Quer saber de algo que vai te alegrar? – Sakura perguntou com a voz divertida e um sorriso de canto, fazendo o Uchiha olhá-la com curiosidade. – Sarada te chamou de papai hoje.

Sasuke arregalou os olhos, estava realmente surpreso. Sarada não o chamava de papai desde que era criança, Sasuke nem se lembrava mais como era essa sensação de ouvir tais palavras vindas da boca de sua filha.

— Isso é só pra me animar, não é? – Questionou desconfiado. Sarada jamais faria isso em sã consciência.

— Estou falando sério. – Insistiu. – Ela se referiu a você como papai, e falou tão naturalmente que nem ela percebeu.

— Eu queria tanto ouvir isso da boca dela. – Admitiu.

— Um dia você vai, Sasuke. – Assentiu. – Assim como eu sei que um dia ouvirei Sarada me chamar de mamãe. – A rosada esboçou um sorriso sincero. – Ela disse "minha mãe" hoje, quando aquele cretino do seu pai veio aqui... Acho que, se não fosse pela situação tensa, eu choraria emocionada.

— Mas agora ela se decepcionou comigo... De novo. – Abaixou o olhar.

— Vai passar. – Sakura, carinhosamente, passou a mão pelos cabelos negros e bagunçados do moreno. – Ela está de luto pela irmãzinha do namorado, mas vai compreender que isso foi meio que necessário.

Sakura não gostou de saber que Sasuke havia matado uma criança, mas era a vida de Himawari ou a de Sarada. Sasuke havia usado a menina para arrancar informações preciosas de Hinata antes de matá-la.

Se o que estava em jogo era a vida de Sarada, a Haruno compreendia a atitude de Sasuke.

Estava mais tranquila. Pelo menos Sasuke e Sarada haviam sido totalmente inocentados, uma vez que Hinata não mais estava no caminho.

— Não sei nem se conseguirei dormir depois dessa. – Suspirou. – Não foi a primeira vez que eu precisei matar um inocente pra não haver testemunhas... Mas eu nunca tinha tirado a vida de uma criança.

Sakura então se levantou do sofá e foi até a cozinha, deixando Sasuke a sós com seu arrependimento.

O moreno estava nervoso, remoendo o que havia acontecido mais cedo. A visão do corpo sem vida daquela criança voltou à sua mente.

Prometeu a si mesmo naquele momento que nunca mais agiria por impulso daquela forma.

O que mais o fez se arrepender foi o fato de Sarada ter ficado profundamente magoada... A morte de Himawari foi realmente desnecessária. Poderiam realmente ter tapado os ouvidos dela, deixado a venda nos olhos ou tirado a menina da sala. Mas ninguém pensou nesses detalhes em cima da hora, até porque apenas deveriam ter usado o vídeo de Sarada e Boruto, não era para ter sequestros, mas Himawari teve a infelicidade de estar em casa. Não queriam envolver crianças no caso, mas não tiveram outra escolha e seria realmente um problema se Himawari ficasse viva depois de tudo que presenciou.

Vendo por esse lado, a morte foi necessária. Se não tivesse vendo uma arma ser apontada para a cabeça da própria filha, Hinata jamais diria onde estavam as provas, uma vez que acreditou fielmente que o vídeo de Boruto e Sarada era falso.

Logo Sakura voltou para a sala, trazendo consigo uma xícara azul com uma bebida quente.

— Sasuke. – Chamou o moreno que a olhou. – Pegue. – Estendeu a xícara para o homem a sua frente, então Sasuke a pegou. – É chá de camomila. Cuidado, está quente.

— Obrigado. – Tomou um gole da bebida. – Está ótimo.

— Eu não gosto de te ver assim, Sasuke. – Admitiu após se sentar novamente ao lado do Uchiha. – Pensa positivo. Sarada vai perdoar você, não só pela morte de Himawari e Hinata, mas por tudo que você já fez.

— Eu quero mudar, Sakura. – Falou cabisbaixo, fitando a xícara em suas mãos. – Quero mesmo, de verdade. A pior coisa que já fiz foi entrar nessa maldita máfia pra impressionar meu pai, mas só fui perceber isso tarde demais. – O moreno encarou a rosada com o olhar triste. – Quero ver minha filha tomar um rumo diferente. Quero que ela se forme e realize seu sonho de ser médica. Quero que ela seja uma pessoa de bem, não uma criminosa. Não é tarde pra ela.

— E nem pra você. – Completou a Haruno. – Não é tarde para nós, Sasuke. Veja só, eu jamais pensei que seria feliz novamente e reencontrei minha filha viva após dezoito anos. Apesar de tudo, estou feliz por estar perto dela. – Sorriu bobamente. – E você também pode ser feliz, Sasuke.

— Às vezes penso que sim, às vezes penso que não... Pensei em largar tudo e ser uma pessoa melhor. Eu não preciso disso, o dinheiro que tenho em minha conta bancária dá até para os netos da Sarada viverem bem sem trabalhar. – Riu sem humor. – Mas isso tá impregnado em mim, Sakura. Eu sou uma pessoa ruim.

— Não. – Balançou a cabeça em sinal negativo. – O Sasuke que eu conheci na escola não era uma pessoa ruim.

— Aquele Sasuke já não existe mais.

— Existe sim. – Falou convicta. – Se não existe, como posso vê-lo em você quase sempre? – A mulher sorriu docemente e Sasuke arregalou os olhos, realmente surpreso. – Aquele Sasuke ainda vive... – Sakura então levou sua mão até o peito de Sasuke, mais especificamente sobre o coração do moreno. – Ele vive aqui.

— Faz tanto tempo que ele está adormecido que eu nem sei mais se há como acordá-lo... – Falou simplesmente e tomou um gole do chá que já não estava mais tão quente. – Se não fosse Sarada, eu já teria desistido de mim mesmo.

— Sasuke, não repita mais isso! – A mulher uniu as sobrancelhas, falando séria, e Sasuke se sentiu como quando era criança e levava broncas de sua mãe.

— Ouvir isso da mulher que desistiu de si mesma, da própria vida... – Soltou uma risada sem graça.

Sakura franziu o cenho. Aquilo ainda lhe causava dor, principalmente por saber que Sarada se culpava.

— Foi um de meus maiores erros. Então não posso deixar que você pense em desistir de si mesmo. Você viveu no meio de criminosos, mafiosos... Uma pessoa é moldada pelo meio onde vive. A culpa não é sua.

— Eu poderia ter seguido outro rumo, mas entrei na Amaterasu porque quis. – Explicou. – Meu pai não me queria dentro da máfia. Eu, com certeza, não teria entrado se não fosse pelo Madara. Ele, além da minha mãe, é o único que me defende desde criança e eu tenho certeza de que é por isso que aquele velho maldito não o suporta.

— Você não foi diretamente influenciado pelo seu pai a entrar pra Amaterasu, não é?

— O Itachi ele criou pra ser um mafioso, sempre dizia que queria prepará-lo para assumir seu lugar no futuro. – Sasuke falou enojado. – Comigo foi diferente. Sinceramente, não sei o que eu fiz, Sakura. Só o fato de eu ter nascido foi o suficiente pro meu pai me odiar!

— Não diga isso. – A rosada tentou acalmá-lo.

— Tô falando sério! – O moreno franziu o cenho. – Perdi a conta de quantas vezes ele já jogou na minha cara que eu fui um filho indesejado. Que ele só queria ter um filho, só o Itachi, mais nenhum! Eu cresci ouvindo que eu sou um erro.

Sakura ficou horrorizada. Por que alguém diria tais palavras para uma criança? O que Sasuke fez para merecer esse tratamento do próprio pai desde pequeno? Sasuke não pediu para nascer, não tem culpa de ter sido concebido e de ter vindo ao mundo, então Fugaku não poderia odiá-lo por isso.

Só conseguia odiar Fugaku mais ainda. Ele não odiava o filho por alguma besteira que Sasuke tenha feito, mas o odiava desde que ele era apenas uma criança inocente.

A rosada ficou imaginando o quanto Sasuke sofreu com essa rejeição quando criança. Ver o irmão ser paparicado, mas não receber o mesmo.

Com certeza deve ter mexido muito com a cabeça dele.

— Não consigo entender por que um pai não amaria o próprio filho... – Sakura abaixou o olhar. – Fugaku Uchiha não tem coração.

— Não sei como a minha mãe consegue conviver com ele. – Desabafou. – Ela não tinha onde cair morta, se envolveu com o meu pai por interesse e engravidou na primeira oportunidade. – Riu sem humor enquanto Sakura ouvia tudo atentamente. Ela meio que compreendia e não podia julgar, uma vez que também casou por interesse. – Ela teve os erros dela, mas foi a melhor mãe que uma pessoa poderia ter.

— Você pode não saber o que é o amor de um pai, mas tenho certeza de que sua mãe te amou por dois.

— É, isso é verdade. – O homem sorriu de canto. – Mas, chega de falar sobre isso. – Colocou a xícara vazia sobre a mesinha de centro. – Você deve estar querendo dormir e eu fico aqui te amolando com os meus problemas.

— Ora, não seja bobo. – A Haruno levou sua mão até o rosto de Sasuke e acariciou sua bochecha com o dedão. – Se precisar de um ombro amigo, alguém pra desabafar, eu estou à disposição.

— Obrigado. – Sasuke então fechou os olhos, aproveitando o carinho que Sakura fazia em seu rosto.

— Venha. – Sakura então se levantou do sofá e estendeu a mão para o Uchiha. – Sei que você não tem hora pra acordar amanhã, mas mesmo assim já está tarde. É bom você ir dormir.

Sasuke então se levantou e Sakura o acompanhou até seu quarto.

O moreno ainda estava cabisbaixo. Remoía os últimos acontecimentos e se perguntava se conseguiria ser uma pessoa feliz. Se conseguiria finalmente ter paz. Se conseguiria largar aquela maldita máfia de uma vez por todas.

Sentou-se na beirada de sua cama, apoiando os cotovelos nos joelhos e a testa nas palmas das mãos. Fitava o chão coberto pelo porcelanato branco enquanto sua mente era torturada pelos seus próprios pensamentos.

Sakura então, vendo que Sasuke não sairia dali tão cedo, foi até o guarda roupa do moreno para pegar uma roupa confortável. Sasuke não iria dormir de calça jeans, pois ficaria incomodado durante a noite.

Voltou com a muda de roupas que pegou e colocou sobre o criado mudo cujo único enfeite era um relógio digital.

— Vai dormir. – Sakura falou, atraindo a atenção do Uchiha para si.

— Não sei se consigo. – Suspirou, então esticou a coluna. – Nem com sono eu estou.

— Então deita na sua cama, com uma roupa confortável... – Sentou-se ao lado do homem. – Fecha os olhos e tenta não pensar em coisas ruins. Uma hora o sono vem e te leva. Se quiser um remedinho pra ajudar a dormir...

— Sakura... – Sasuke interrompeu com um pequeno tom de deboche em sua voz. – Não preciso de remedinho pra dormir.

— Tudo bem, você venceu. – Risonha, a rosada levantou as mãos em sinal de rendição.

— Só você pra me fazer rir numa hora como essa. – Balançou a cabeça em sinal negativo, esboçando um sorriso mínimo em seu rosto.

— Ora, não foi engraçado. – Ela fingiu indignação, fazendo Sasuke rir. – Eu só quero que você fique bem.

— Eu vou ficar. – Assentiu. – Só de você estar aqui, me fazendo companhia, já é um motivo bem forte pra eu melhorar.

— Gente, que cafajeste! – Sakura usou um tom de brincadeira. – Você com certeza deve dizer isso pra todas.

— Não duvide que eu digo isso pra todas. – Sasuke respondeu no mesmo tom, arrancando uma risada baixa da Haruno.

— Hum... E pra quantas mulheres você já se abriu dessa forma? – Levou o dedo indicador até o queixo.

— Sinceramente? – Suspirou. – Nem pra minha mãe.

— Sasuke... – Sussurrou a rosada, fitando o rosto masculino que, naquele instante, não esboçava emoção alguma.

Sem aviso prévio, o moreno levou sua mão até a nuca da Haruno, puxando-a para mais perto de si e roubando-lhe um beijo.

Embora pega de surpresa, Sakura retribuiu o gesto de carinho. Um beijo delicado que tornou-se intenso, quente... Não sabiam o que era aquilo, mas precisavam um do outro.

— Sakura... – Sasuke falou ofegante quando separaram o beijo. Seus lábios, levemente inchados, ainda formigavam e ansiavam por mais daquilo.

— Não diga nada. – Falou apressada enquanto desabotoava a camisa azul marinho do homem a sua frente, logo em seguida a retirou e passou as mãos pelo peito desnudo antes de tomar os lábios de Sasuke.

Paixão, desejo, carência...? Não importava. Sabiam exatamente onde aquilo iria terminar, mas queriam levar até o fim.

Sasuke passou as mãos pelas coxas da rosada até, enfim, segurar na barra de sua camisola preta e puxá-la para cima, expondo o corpo seminu da mulher que, obviamente, estava sem sutiã.

Delicadamente, deitou o corpo feminino sobre a cama e, após retirar a calça jeans preta, posicionou-se sobre ela.

Beijou o pescoço fino e delicado, pouco se importando se aquilo deixaria uma marca roxa no dia seguinte. Sakura apenas gemeu baixinho e suspirou quando Sasuke desceu lentamente com os beijos pela sua clavícula, seios, barriga, até chegar onde ele queria.

Sorriu após retirar a calcinha rosa rendada e finalmente ter a visão de uma Sakura completamente despida. Não que tal visão fosse novidade para ele, mas, ainda assim, era como se fosse a primeira vez. De fato era a primeira vez... Primeira vez que Sasuke transava com uma mulher estando apaixonado.

O Uchiha retirou sua cueca boxer branca, expondo sua ereção e, no calor do momento e ansiedade que fazia o moreno se sentir um virgem outra vez, sequer pensou em abrir a gaveta do criado mudo para pegar um preservativo.

A rosada gemeu alto quando sentiu ser penetrada pelo membro de Sasuke. Ele beijou o rosto da mulher após dar-lhe um selinho nos lábios, movimentando-se devagar, sem pressa.

Seus gemidos prazerosos tomaram conta daquele enorme quarto. Sakura sentia que não estava transando com aquele Sasuke que contratou Izanami, mas com o Sasuke que conheceu na escola: Gentil, extremamente carinhoso, delicado e atencioso. Por algum motivo, Sasuke estava diferente e isso era bom... Muito bom.

À medida que se aproximava de seu ápice, Sasuke ia aumentando a velocidade das estocadas, mas pequenos gestos de carinho ainda se faziam presentes naquele momento.

Entrelaçaram suas mãos no momento em que o orgasmo chegou para ambos. Sasuke beijou carinhosamente a testa da rosada antes de deixar seu corpo suado e cansado cair ao lado dela.

Sakura afundou sua mão nos cabelos desgrenhados e úmidos de suor, então encostou sua testa na do homem ao seu lado e ambos sorriram juntos.

— O que aconteceu aqui? – Sakura questionou risonha e com a respiração ofegante.

Sarada havia lhe pedido para cuidar de Sasuke... Mas a rosada cuidou dele bem até demais.

— Não foi bom pra você? – Sasuke retrucou, também com um sorriso estampado no rosto.

— É claro que foi. – Ela levou sua mão até o rosto de Sasuke e lhe deu um selinho nos lábios.

O que aconteceria depois?

Nenhum deles sabia, mas dois adultos são maduros o suficiente para lidar com tal situação. Eles transaram porque quiseram, porque sentiram vontade. Foi apenas sexo.

Foi apenas sexo? Será?

Sasuke nunca esteve tão seguro com relação aos seus sentimentos. Aquele momento foi tão especial quanto nostálgico, uma vez que ele sentiu ter quatorze anos novamente, o que lhe fez pensar que já nutriu sentimentos pela rosada mesmo que de maneira inconsciente quando mais novo.

Não tinha certeza alguma sobre os sentimentos dela. Sakura, por vezes, parecia ser a mesma. No entanto, muitas vezes era uma incógnita para o moreno.

Para a Haruno, Sasuke estava fragilizado, talvez carente, e se deixou levar. Ela também tinha que admitir que sentiu vontade. Sasuke é um homem bonito, charmoso, atrai as mulheres e qualquer uma em sã consciência o desejaria.

No entanto algo a perturbava de certa forma... A performance do Uchiha na cama continuava impecável, mas estava diferente e, após ter ido para a cama incontáveis vezes com ele, Sakura obviamente perceberia isso.

Não era aquele sexo louco, insano, selvagem e com pegadas fortes. Teve carinho, atenção, olho no olho, beijos carinhosos, toques delicados. Como quando eram adolescentes e Sakura desconfiava que Sasuke a amava secretamente. Talvez ele a amasse e não soubesse, afinal, a pouca idade e imaturidade – somadas ao orgulho do moreno – podem não ter ajudado o rapaz a perceber isso.

Não. Isso não poderia ser verdade. Sasuke Uchiha apaixonado?

A relação de ambos estava melhorando muito e fazia tempo que as alfinetadas não se faziam presentes, tal como a vontade de cometer um homicídio.

Mas isso seria sinônimo de um Sasuke realmente apaixonado?

Sakura esperava que não.

[...]

Sasuke acordou ainda se recordando da noite maravilhosa que tivera com a mãe de sua filha. Sakura dormia profundamente, com sua cabeça no peito de Sasuke, parecia um anjo caído do céu direto nos braços do Uchiha.

Estavam ambos nus e cobertos por um edredom. Sasuke, antes cansado e ofegante, havia dormido primeiro e Sakura pegou o edredom somente quando o homem já estava adormecido. A Haruno não foi para o quarto de hóspedes, mas permaneceu na cama do moreno.

Isso significaria alguma coisa? Provavelmente não, Sakura poderia estar apenas com preguiça de mudar de quarto.

Queria se levantar, precisava ir ao banheiro, pois sentia vontade de urinar, mas não queria atrapalhar o sono de Sakura. Ela estava linda dormindo e Sasuke queria apenas ficar lá, admirando seu rosto sereno.

Olhou para o relógio digital ao lado da cama, perto das roupas que Sakura havia escolhido para ele vestir, mas que não foram necessárias. Já estava bem tarde, 11:24.

Fitou o teto e soltou um longo suspiro. Beijou o topo da cabeça da mulher e, delicadamente, a puxou para mais perto de si.

Ouviu um grunhido baixo e se amaldiçoou por ter mexido com Sakura. Logo a rosada começou a se mexer e despertou.

— Perdão por ter te acordado. – Sasuke falou meio sem graça.

— Bom dia pra você também. – Respondeu risonha e olhou para o Uchiha. – Tá melhor?

— Cem por cento. – Assentiu.

— Fico feliz por ter de ajudado a melhorar. – Riu.

— Fico impressionado com a capacidade de um ser humano de acordar de bom humor. – O moreno respondeu num tom de brincadeira e o sorriso no rosto de Sakura permaneceu.

— Hoje eu estou de bom humor. – Piscou um olho para ele. – Vamos tomar café? Tô faminta.

— Almoçar, você quer dizer. – Sasuke olhou para o relógio e Sakura fez o mesmo.

— Dormimos demais. – Sakura arregalou seus olhos verdes e começou a gargalhar.

— Com certeza nós dormimos demais.

Ela então se sentou rapidamente, cobrindo os seios nus com o edredom, o que fez o moreno rir.

— Posso saber o que é tão engraçado? – A mulher indagou com a face séria, unindo as sobrancelhas.

— Não sei por que você insiste em esconder o que eu já vi. – Respondeu ainda rindo e a rosada largou a coberta, o que fez um sorriso malicioso brotar nos lábios do Uchiha. – Agora melhorou.

— Idiota. – Sakura bufou, então pegou um travesseiro e tacou no rosto de Sasuke.

Inicialmente o homem fingiu indignação, mas depois devolveu a travesseirada. Claro que não colocou muita força para não machucar a mulher, mas o importante é que ele havia se vingado.

— Estamos quites. – Ele falou com um sorriso vitorioso e Sakura pegou o travesseiro novamente.

— Você me paga, Uchiha. – Em meio a gargalhadas, Sakura se preparou para dar outra travesseirada em Sasuke. No entanto, antes que ela pudesse fazê-lo, Sasuke segurou em seus braços.

— Não senhora! – Disse ele, segurando a Haruno que ria feito criança enquanto tentava se soltar.

— Ah, eu me rendo! – Berrou a mulher, então Sasuke a soltou.

Sentada perto de Sasuke, Sakura estreitou os olhos e sorriu diabolicamente para ele. O Uchiha estava certo de que dali não sairia boa coisa.

Ela se lembrava de muitas coisas da época de sua adolescência, mais especificamente da época em que ela e Sasuke eram ficantes. Lembrava-se perfeitamente do quanto Sasuke sentia cócegas e resolveu apelar.

Levou ambas as mãos até as costelas do moreno para fazer-lhe cócegas, o que resultou num Sasuke dando altas gargalhadas.

— Sak... Sakura... – Sasuke tentava falar, mas a mulher que estava sentada sobre si e lhe fazia cócegas não deixava, sem falar que parecia estar pouco se importando para o homem que se contorcia de tanto rir. – Não... Para!

— "Não para"? – Ela questionou risonha e meio irônica. – Ok, já que você insiste.

— Eu vou mijar na cama, porra! – Ele berrou e Sakura, também rindo bastante, mas não tanto quanto Sasuke, parou de torturá-lo de tal forma. Não queria que ele acabasse molhando a cama.

Aproveitando-se do fato de que a rosada estava com a guarda baixa, Sasuke a puxou e inverteu as posições, ficando por cima dela e segurando em seus braços.

— Agora você é minha, Haruno... – Cantarolou.

— Golpe baixo. – Resmungou.

— Você também sente cócegas que eu sei!

— Ah, vai se vingar de mim agora, Uchiha? – Questionou num tom desafiador e Sasuke sorriu de canto.

— Pra sua sorte eu estou extremamente apertado.

Dito isso Sasuke a soltou, se levantou e foi até o banheiro. Nem ele mesmo sabia explicar como não molhou a cama durante aquele ataque de cócegas, uma vez que sua bexiga já estava quase doendo de tão cheia.

Após se aliviar, o moreno pegou sua toalha branca e enrolou no quadril, logo em seguida lavou o rosto e voltou para o quarto, onde Sakura já havia se vestido com a camisola preta que estava usando antes de Sasuke despi-la.

— Ah, poxa... – Fingiu tristeza e Sakura o olhou. – Eu preferia do jeito que estava há uns dois minutos.

— Eu também preferia do jeito que estava. – Retrucou, olhando para a toalha em volta do quadril do moreno.

— Se quiser eu tiro. – Sasuke fez menção de tirar a toalha e Sakura riu.

— Bobo. – Revirou os olhos. – Eu já vou indo. Quero tomar um banho antes de almoçar.

— Que coincidência, eu realmente estava pensando em tomar um banho. – Pousou o dedo indicador no queixo e fez uma expressão pensativa. – Gostaria de me acompanhar?

— Fica pra próxima. – Sakura respondeu enquanto caminhava em direção à porta.

— Ok então, você me deve um banho.

Sakura nada respondeu, apenas sorriu e depois saiu do quarto.

Sasuke, se sentindo um bobo apaixonado, suspirou e entrou no banheiro para tomar um banho.

Sakura sentia que uma grande amizade estava nascendo. Sasuke sentia que estava cada vez mais apaixonado.

Talvez tenha sido um erro ter transado com Sasuke, mas Sakura não tinha certeza dos sentimentos dele. Na verdade não desconfiou de nada até o momento em que foram para a cama e ela percebeu que o moreno estava mudado.

Talvez estivesse vendo coisas, preferia estar enganada. Gostava muito de Sasuke, adorava sua companhia, mas como um grande amigo. Preferia crer que tamanha cumplicidade recém-surgida fosse somente amizade, nada mais.

Após alguns minutos, por mera coincidência, Sakura e Sasuke apareceram na cozinha e viram Sarada, que esquentava alguma coisa no micro-ondas.

— Estão alegrinhos, hein. – A adolescente se escorou no balcão da cozinha e olhou para seus pais dos pés à cabeça. – Por que estavam rindo tanto?

— A doida da Sakura descobriu que eu sinto cócegas e se aproveitou disso. – Ele se aproximou do micro-ondas para ver se ali dentro tinha algo de seu agrado. – O que você está fazendo?

— Lasanha. Eu não estava com paciência pra fazer almoço, então peguei uma lasanha congelada e enfiei no micro-ondas. É super prático, ainda tem algumas no freezer.

— É uma ótima ideia. – Sakura caminhou até o freezer para poder pegar uma lasanha para ela também. – Quer uma também, Sasuke?

— Eu topo. – Respondeu.

O forno apitou e Sarada finalmente pôde retirar seu almoço dali.

— Eu vou querer de quatro queijos. – Comentou a rosada que logo em seguida se virou para Sasuke. – Você quer de que?

— Bolonhesa. – Respondeu.

Foi quando Sarada viu algo um pouco estranho e igualmente suspeito. Quando Sakura finalmente pegou as duas lasanhas e foi para perto do micro-ondas, passando por Sarada, a menina notou que não era coisa de sua cabeça.

— Sasuke, primeiro as damas. – Comentou divertida enquanto colocava a lasanha de quatro queijos para esquentar primeiro, deixando a de bolonhesa ao lado do aparelho.

— Sakura, Sasuke... – Sarada chamou a atenção dos pais, então ambos olharam para ela. – O que vocês fizeram ontem à noite?

— Que pergunta é essa, Sarada? – Sakura sorriu toda sem graça, sem saber como responder à pergunta da filha.

— Ora essa... – Sarada abriu a gaveta do armário branco e retirou um garfo de lá, logo depois a fechou novamente. – Que marca é essa no seu pescoço?

— Marca? – Toda desconcertada, Sakura levou sua mão até o pescoço. Sasuke era outro que não sabia onde enfiar a cara.

— Isso é um chupão... Dos grandes! – Falou de boca cheia após levar um pedaço de lasanha à sua boca.

— Virou entendedora de chupões, agora, Dona Sarada? – Sasuke cruzou os braços em frente ao corpo.

— Não tente contornar o assunto, Sasuke. – Respondeu a morena. – Foi você quem deixou aquela marca no pescoço da Sakura e sabe lá onde mais deixou.

— O que quer insinuar? – Estreitou os olhos.

— Exatamente isso que você está pensando.

— Sarada, eu... – Sakura não sabia quais palavras escolher para explicar o que havia acontecido. Ou melhor, não havia o que ser explicado, Sarada já tinha percebido o que aconteceu e como aconteceu, afinal, não era mais criança – Nós... Seu pai e eu...

— Você não perde tempo, hein... – Sarada sorriu maliciosa, olhando para sua progenitora. – Eu pedi pra você cuidar do Sasuke e você cuidou bem em todos os sentidos.

— Sarada, isso não é coisa que se diga na frente dos pais. – As bochechas de Sakura queimavam de vergonha.

— E daí? – Deu de ombros. – Não tem nenhuma criança aqui... – Olhou desconfiada e maliciosa para ambos. – Ou tem?

— Não entendi...

— Sakura, esquece! – Sasuke revirou os olhos. – Sarada, o que acontece entre quatro paredes fica entre quatro paredes.

— Nesse caso ficou entre as quatro paredes e o pescoço da Sakura. – Riu a menina, deixando Sakura ainda mais constrangida.

— Eu devia ter passado maquiagem... – Lamentou a Haruno.

— Esquenta não. – A adolescente levou um pedaço de sua lasanha até a boca. – Essas coisas acontecem. – Falou com a boca cheia. – Logo some.

— Some, é? – Sasuke questionou desconfiado, fazendo sua filha rir baixinho.

— Adoro te provocar. – Sarada respondeu, olhando para o pai. – Então, vocês estão namorando?

O micro-ondas apitou e Sakura retirou a lasanha de quatro queijos, podendo enfim colocar a de bolonhesa para Sasuke.

— Somos apenas bons amigos. – Sakura respondeu enquanto abria a gaveta para pegar um garfo.

— Bons amigos? – Perguntou incrédula. – Você vai pra cama do Sasuke e tem coragem de dizer que são só bons amigos?

— Como se fosse a primeira vez que isso acontece. – Murmurou o Uchiha.

— Mas vocês não são mais adolescentes e a Sakura não está mais se passando por puta chique. – Resmungou a menina que, terminando de comer, jogou no lixo o recipiente de plástico onde estava a lasanha e colocou o prato juntamente com o garfo sujo na pia. – Então vai ser assim... Amizade colorida?

— Não é uma amizade colorida, Sarada. – A Haruno explicou. – Só... Aconteceu, mas Sasuke e eu não somos apaixonados um pelo outro.

Tais palavras foram como uma lâmina afiada no peito de Sasuke. Ele estava realmente apaixonado e, como uma pessoa apaixonada, ele preferia crer que Sakura também gostava dele e tinha os mesmos receios.

— Sarada, nossa vida íntima não lhe diz respeito. – Sasuke falou com um tom de voz mais sério, uma vez que já estava saturado desse assunto.

— Não. – Ela negou com a cabeça. – Vocês se gostam. Eu sei que se gostam. Só que vocês ainda não sabem disso.

— Como pode dizer isso com tanta certeza, filha? – O homem perguntou com uma curiosidade quase palpável.

— Porque eu sou apaixonada pelo Boruto, e uma pessoa apaixonada percebe quando vê outras pessoas na mesma situação. – Explicou, então ela logo abaixou o olhar e a expressão em seu rosto ficou triste. – Será que ele já sabe sobre a morte da mãe?

Sasuke e Sakura se olharam preocupados. Sarada parecia nem estar se lembrando da trágica morte de Hinata e Himawari, mas, pelo visto, ainda não estava totalmente conformada.

— Provavelmente não. – Sasuke respondeu. – Mas já deve ter notado o sumiço. Não sei.

— Droga! – Sarada sentiu os olhos arderem por conta das lágrimas que queriam sair.

— Sarada, não fique assim. – Sakura falou.

— Sarada... – Sasuke suspirou, foi quando o micro-ondas apitou e o moreno foi pegar sua lasanha que finalmente já estava quente. – Foi necessário. Foi por você. – Abriu a gaveta e pegou um garfo. – Foi por nós.

— Eu sei disso, Sasuke. – Assentiu. – Mas eu tô triste pela Himawari. Ela tinha muita coisa pra viver.

— Hinata não falaria nada sem um motivo muito forte. Precisávamos de um refém. – Contou o moreno. – Mas você sabe que não pode haver testemunhas. – A morena assentiu. – Era a vida dela ou a nossa.

— Eu compreendo. – Suspirou cabisbaixa. – A máfia é um lugar cruel.

— É uma pena que você tenha demorado tanto pra perceber. – Sasuke falou com pesar.

Ao contrário de Sasuke, que desde pequeno sempre soube a realidade da Amaterasu, Sarada precisou perder alguém de quem gostava para perceber o quão cruéis os mafiosos podem ser.

Talvez, se não quisesse provar para o pai que é tão capaz quanto o irmão, Sasuke jamais teria aceitado fazer parte dessa organização criminosa e teria estudado para ter outra profissão, algo limpo e honesto, que não tirasse a vida de ninguém.

Enquanto Sarada foi induzida pelo avô a fazer parte disso, uma vez que o mais velho não perderia a chance de provocar o filho caçula.

— É, realmente uma pena. – Assentiu a menina.

— Inocentes morrem o tempo todo, Sarada. O tempo todo. – Explicou o moreno.

— Chega desse assunto. – Sakura se manifestou. – Já foi. A policial Hyuuga e a filha estão mortas, não adianta mais remoer isso.

— Sasuke. – Sarada olhou para seu pai. – Tem certeza de que estamos totalmente inocentados? Os Uchiha não serão suspeitos da morte delas?

— As provas foram queimadas, agora as únicas provas que a polícia tem são as que foram forjadas pela detetive Yamanaka, que foi colocada na polícia pelo Madara. – Explicou.

— Mas não ficou nenhuma brecha? – Sarada questionou preocupada. – E os corpos?

— Os corpos de Hinata e da filha dela já devem ter sido digeridos pelos cachorros do Itachi. – A menina arregalou os olhos após ouvir as palavras do moreno que falava normalmente enquanto comia. – O que sobrou provavelmente deve ter sido queimado ou enterrado.

Itachi tinha seis Rottweilers enormes e extremamente bravos. Só um deles já era o suficiente para matar uma pessoa e estraçalhá-la rapidamente.

Sakura foi outra que ficou boquiaberta após ouvir o que aconteceu com os corpos de Hinata e Himawari.

— Mas... – Sarada teve receio de fazer tal pergunta, mas prosseguiu. – Elas já estavam mortas quando vocês soltaram os cachorros do tio Itachi, né?

Sasuke ficou em silêncio por uns segundos e Sarada teve ainda mais medo da resposta.

— A menina estava. – Sasuke foi sincero, embora pudesse ter omitido a verdade, não queria mais mentiras entre ele e Sarada.

Sakura e Sarada se olharam incrédulas e Sasuke permaneceu quieto.

— Sasuke, isso foi cruel. – Sakura falou penalizada. – Ela poderia ter tido uma morte rápida.

— A menina teve. – Respondeu. – Acreditem, ela não sofreu.

— Mas a Hinata... – Sarada fechou os olhos e balançou a cabeça em sinal negativo. Pensou em quantas e quantas vezes os membros da Amaterasu torturaram pessoas e deram a elas mortes extremamente cruéis. – Vão notar o desaparecimento logo, vão investigar, haverá suspeitos... Alguém vai ter que ser culpado. E se chegarem a nós?

— Isso não vai acontecer. – Sasuke respondeu. – Madara pensou em tudo e nos repassou, afinal, antes de matarmos uma pessoa precisamos de alguém que leve a culpa no nosso lugar. É assim que funciona.

— E quem será essa pessoa? – Sakura questionou curiosa. – Alguém de dentro da polícia?

— Fiquei encarregado apenas de tirar a policial Hyuuga do caminho. – Sasuke omitiu que sabia quem seria o acusado pela morte de Hinata e Himawari, mas não queria deixar sua filha mais impressionada do que já estava. – Agora quem vai agir é a Ino.