Amaterasu
22 Capítulo 21
Notas iniciais
Toská, Rússia
29 de março de 2016
08:20 A.M.
Sabia que não deveria estar ali. Sabia que não poderia fazer aquilo. Estava de castigo por ter chegado em casa tão tarde e sem explicações convincentes – no ponto de vista de sua mãe – quando saiu com Sasuke para procurar por Sarada. Além disso, sua irmã estava doente, inclusive não fora à aula naquele dia, tinha que cuidar dela, porém ela tivera uma melhora. No entanto, sua mãe o havia proibido de ir a qualquer lugar que não fosse a Universidade... E Boruto estava na Universidade.
Preocupada com o sumiço do namorado, Sarada, que já sabia os horários de do loiro, foi esperá-lo na porta da Universidade de Toská.
O rapaz ficou feliz e surpreso ao ver Sarada ali e resolveu convidá-la para tomar um chocolate quente numa cafeteira perto do campus, onde conversaram bobagens e mataram a saudade um do outro.
No entanto, a Uchiha queria ficar um tempo a sós com ele, então, após alguns minutos na cafeteira, ela o convidou para ir a sua casa.
— Sarada, é melhor não. – Olhou para o relógio de pulso, temendo que sua mãe já estivesse em casa.
— Ainda está cedo. – Comentou docemente a adolescente que tinha ido andando até a Universidade, uma vez que não era longe de sua casa e o clima não estava tão frio.
— Bem... – Sorriu sem graça. – Eu já devia estar em casa.
— Ué, diz que você estava na faculdade.
— Eu nem tenho aula hoje, só vim aqui rapidinho pra pegar uns livros na biblioteca... – Suspirou. – Não encontrei em PDF.
— Nossa, então foi uma grande coincidência eu encontrar você. – Riu. – Se você não tivesse aparecido, eu iria ficar aqui esperando eternamente.
— É mesmo. – O rapaz também riu. – Então... Tenho que ir embora.
— Não, Boruto. – Franziu o cenho. – É rápido. Vamos lá em casa, só um pouquinho.
Após pensar um pouco no assunto, Boruto resolveu aceitar. Seria só por alguns minutos e Hinata mal perceberia a sua demora.
Então os dois foram caminhando juntos até a casa de Sarada.
— Por que estava sumido, Boruto? – A garota perguntou enquanto abria a porta para então os dois entrarem.
— Minha mãe com as nóias dela. – Bufou enquanto ambos caminhavam até a sala. – Eu estava com saudade.
Boruto então, crendo que Sarada estivesse sozinha em casa ou que Sasuke estivesse no décimo sono, puxou Sarada pela cintura e lhe deu um beijo apaixonado para matar a saudade.
Era por isso que Sarada queria que ambos tivessem um momento a sós. Não era legal ter esse tipo de intimidade em público.
Todavia, o casal foi surpreendido por Sakura que, ao ver a cena, tentou sair de fininho e deixar os pombinhos a sós, mas acabou esbarrando num móvel da sala. Por sorte não havia nenhum enfeite ali, então nada caiu no chão.
— Ops, me perdoem. – Sakura falou toda desconcertada e viu o Uzumaki ficar vermelho de vergonha enquanto Sarada apenas ria da situação. – Podem continuar de onde pararam. Finjam que eu nem estive aqui.
— Sarada, eu pensei que você estivesse sozinha. – Boruto falou entredentes enquanto forçava um sorriso.
— Perdão, eu não falei, mas não tenho culpa se você não olha o Whats ou não perguntou nada antes de me beijar na minha própria casa, onde meu pai poderia estar. – Revirou os olhos.
Na verdade isso nem era culpa de Boruto, uma vez que sua mãe também lhe tomou o celular por tempo indeterminado. O rapaz, recentemente, havia comprado um novo, escondido de sua mãe, com sua mesada. Era um modelo simples e inclusive o aparelho já era usado, mas o Uzumaki não deu sorte e seu celular acabou quebrando e, consequentemente, parando de funcionar com poucas horas de uso.
— Podem ficar à vontade. – Disse Sakura, ainda sem graça com a situação. Ela realmente não queria ter estragado o clima. – Eu vou lá pra cozinha... Vocês estão com fome?
— Não, obrigado. – Boruto agradeceu a gentileza da rosada e Sarada arregalou os olhos.
— Sério que você tá rejeitando comida? – O queixo da morena quase foi parar no chão. – Minha nossa, como as coisas mudam!
— Pois é... – Ele coçou a nuca.
— Bem, vou deixar os dois a sós. – Dito isso, Sakura virou as costas e foi para a cozinha. Talvez fazer uma torta fosse uma boa ideia, pois Sarada e Boruto poderiam sentir fome mais tarde, sem falar que Sasuke também poderia chegar com fome.
— Nossa, que mico! – Boruto bateu na própria testa e Sarada riu. – Essa é a sua mãe?
— É sim. – Assentiu a adolescente, sentando-se em seguida no sofá. – Senta aqui do meu lado.
— Nossa! – Ele soltou um riso anasalado e se sentou ao lado da namorada. – Por que ela pinta o cabelo de rosa?
— Não sei. – Sarada riu baixinho. – Ela é naturalmente loira, mas nem a imagino assim... Gosto dos cabelos rosados.
— Pensei que isso fosse coisa de adolescente.
— Sakura tem um estilo completamente diferente do meu, mas admito que gosto... Combina com ela.
— Hum... – O loiro coçou o queixo. – Ela é muito gata, dá pra dizer que é sua irmã.
— Boruto! – Exclamou a morena. – Tenha mais respeito, por favor!
— Ah, Sarada, convenhamos que ela é muito...
— Nem termine o que iria dizer. – Vociferou entredentes, fazendo Boruto rir. – Ponha-se no seu lugar, pirralho!
— Olha, ela ficou bravinha... – O loiro falou com uma voz infantil, fazendo Sarada revirar os olhos. – Adoro te irritar.
— É, percebi.
— Então, sem mais tretas na sua família? – Questionou. – Vocês já conversaram e já estão de bem?
— Mais ou menos... A Sakura é uma boa pessoa e eu percebo que ela gosta muito de mim. Só que, depois de tantos anos, é estranho vê-la como mãe. – Riu sem humor. – Eu estava acostumada a não ter mãe e é meio louco saber que agora a minha está tão perto de mim.
— Foi um grande passo. – O rapaz esboçou um largo sorriso. – Mas, vem cá, ela tá namorando o Sasuke?
— Não sei... – "Depois do que presenciei no meu quarto, não duvido mais de nada", pensou. – Pode ser que sim, pode ser que não.
— Então o que ela faz aqui? – Questionou curioso.
— Lembra quando o Sasuke disse que ela estava no Bol'shoy Vostok? – Sarada questionou e seu namorado assentiu. – Pois é, ela teve... – Mordeu o lábio inferior. Como ia explicar que sua mãe tentou suicídio? – Ela sofreu um pequeno acidente e, bom, Sasuke achou que seria melhor que ela ficasse aqui por um tempo.
— Mas ela já está melhor? – O Uzumaki se mostrou preocupado para com sua sogra.
— Sim, já está bem melhor. – Suspirou. – Mas eu tenho a impressão de que essa estadia dela aqui em casa será longa...
— E isso é um problema pra você?
— Claro que não. – Respondeu convicta. – Eu tô apenas comentando, só isso. – Cruzou os braços em frente ao corpo. – Eu espero realmente que ela e o Sasuke fiquem juntos.
— E o Sasuke?
— O que tem ele?
— Bem... Vocês se acertaram ou ainda são como cão e gato?
— Mais ou menos... – Suspirou pesadamente. – Ele tá mudando, mas... – Mesmo que Sasuke estivesse se esforçando para mostrar que mudou, Sarada nunca conseguia se esquecer de todas as vezes que já se decepcionou com seu progenitor. – Bem, não brigamos desse que a Sakura está aqui e isso é algo louvável.
— Realmente. – Falou risonho. – Eu quero muito que você seja feliz, Sarada. Quero muito que você se dê bem com seus pais.
— Ok, mas vamos parar de falar nisso, ok? – Chegou mais perto de seu namorado e o abraçou. – Senti sua falta.
— Eu também, Sarada. – O loiro retribuiu o gesto, mas virou o rosto quando sua namorada quis beijá-lo. – É que... – Desviou o olhar ao ver a expressão confusa e ao mesmo tempo indignada no rosto da Uchiha. – Sua mãe pode chegar aqui.
— Ela não se importa com isso. – Riu.
— Ainda assim, me sinto desconfortável.
— Ok. – Suspirou. – Vamos pro meu quarto.
— Ah, do seu quarto eu gosto. – O rapaz esboçou um sorriso pra lá de malicioso, o que fez Sarada corar.
— Seu bobo! – A garota deu uma tapa de leve no ombro do Uzumaki.
— É só trancar a porta e não fazer barulho. – Ele se levantou do sofá e puxou Sarada pelo braço, então os dois foram juntos para o quarto da morena.
[...]
Shisui se esgueirava entre as árvores do parque em frente à casa de seu alvo, estava em sua posição desde a noite, quando ninguém da vizinhança poderia dar notícia, bem como seus dois parceiros, Itachi e Obito, cada um em um local diferente. Olhou ao redor, se certificando de que aquele era um bom local. Havia entrado pelo lado oposto do parque, longe da vista de quem quer que estivesse nas casa de número 23 e 22, ou vigiando-as, de acordo com seu primo, Sasuke.
O parque ficava em um bairro residencial, a maioria desocupada naquele horário, devido ao trabalho e à escola. Eram poucas as que ainda tinham alguém. Alguns idosos e donas de casa cuidavam do jardim, ou faziam algo dentro de casa. A temperatura era de 6º naquela manhã e pouca gente ficava do lado de fora por muito tempo devido ao frio.
Posicionou-se no meio das árvores na parte sul do parque e ajoelhou-se, pondo o case para contrabaixo no chão, abrindo-o e revelando seu rifle Dragunov. Pegou a arma, colocou o silenciador e subiu em uma árvore de onde dava para ver seu primeiro alvo, em cima de outra árvore mais a frente, nomeado como A1, para realização do plano. Ele estava de costas, de olho na casa.
Não havia crianças ali, deveriam estar em aula naquele horário e os pais trabalhando. Para sua sorte, havia apenas um homem caminhando. Nunca havia alguém caminhando naquele horário, mas há dias, enquanto observava o local, aquele homem caminhava ali. Aquele seria o segundo alvo, nomeado como A2.
Do centro do parque, que não era muito grande, era possível ver a casa dos Uzumaki, bem como o guarda A6, que estava em cima da casa, podia ver parte do centro. Havia o guarda A9 sentado em um banco, ele lia um livro – era o mesmo desde que começou com a vigília –, em uma trilha que levava do centro do parque até o lado de fora, bem de frente para a casa da policial.
Voltou sua atenção para o homem em cima da árvore, preparou seu rifle e mirou na cabeça do A1. Não se demorou muito para dar o tiro e ver seu primeiro alvo cair no chão gramado. O impacto não fez tanto barulho, graças à grama. Como havia certa distância dele para o guarda mais próximo – o que estava no banco –, não tinha que se preocupar se ele tinha ouvido ou não.
Desceu da árvore e andou mais ao centro do parque, para ter uma visão completa do espaço para crianças, onde A2 caminhava. Tinha que dar o tiro quando ele estivesse fora do campo de visão de A6 e A9. Posicionou sua arma e acompanhou o alvo utilizando a mira do rifle. Quando finalmente o guarda saiu do campo de visão dos outros dois, Shisui apertou o gatilho, atirando na cabeça dele.
Pegou seu celular e mandou mais uma mensagem para Obito e Itachi:
“A1 e A2 derrubados.”
Ao receber a mensagem, Itachi preparou seu rifle, o mesmo modelo do de Shisui e Obito. Todos, como snipers, usavam silenciador em seus rifles. Também havia entrado pelo lado oposto do parque e estava no meio das árvores na parte norte.
Mirou em um Jetta branco, parado próximo ao parque. Havia dois guardas dentro dele, A3 e A4. Aquele seria um momento crítico. Se não conseguisse matar os dois com um só tiro, tinha que ser rápido para dar um segundo tiro.
Os dois homens estavam escorados nos bancos, na mesma linha de ataque. O moreno apertou o gatilho. A bala atravessou o vidro e matou os dois guardas. Como a rua era larga, o barulho da bala perfurando o vidro não foi ouvido pelos demais guardas. Quase comemorou com o feito, mas tinha que mandar a mensagem avisando.
“A3 e A4 derrubados.”
Obito estava em cima do telhado de uma casa atrás da casa de número 22, usada pelos guardas. De onde estava, podia ver os próximos quatro alvos: A5, em cima do telhado da casa ao lado da de Hinata, a qual fora alugada pelos doze guardas; A6 em cima da casa da Hyuuga; A7 e A8 atrás da casa dela. Tinha que ser rápido entre um alvo e outro, não podia dar tempo para que alertassem os demais.
Mirou o alvo A5, estava deitado, segurando um rifle, vigiando a casa de número 23. Atirou sem mais delongas, antes que o mesmo o visse caso olhasse para o lado. Como estava deitado, apesar de agora estar morto, permaneceu quase na mesma posição, assim não notariam logo de cara que o parceiro estava morto.
Mirou A6, sobre a casa de Hinata. O homem observava a rua, onde praticamente não se via alguém, estava na mesma posição do anterior, porém de costas. Atirou na cabeça e viu que ele estava morto.
Mirou o alvo A7, infelizmente ele se encontrava no campo de visão de A8.
— Merda! – Praguejou.
Esperou um tempo enquanto A8 virava de costas para A7 e atirou, eliminando o alvo.
O outro guarda virou-se, já sacando a pistola, olhando para os lados. Logo ele pegou o celular. Obito atirou na cabeça de A8 antes que ele pudesse mandar mensagem ou fazer ligação.
O moreno pegou o celular e começou a digitar:
“A5, A6, A7 e A8 eliminados. Quatro de uma vez. Chorem diante da minha eficiência!”
Itachi revirou os olhos, apenas teria que esperar Shisui finalizar, depois iria para a casa ao lado da de Hinata, onde estavam os dois últimos guardas, descansando, eles revezavam desta maneira: dez ficavam em ação, enquanto dois descansavam.
Shisui soltou um risinho quando recebeu a mensagem de Obito. Mirou no alvo A9, que ainda fingia ler um livro. O Uchiha tinha certeza: aquele guarda era novato, com pouca experiência. Mesmo erguendo a vista vez ou outra, ainda não notara a ausência de A2, que deveria estar caminhando no centro do parque.
O moreno atirou na cabeça de A9, matando-o. Quando preparou-se para mirar para a entrada do parque, onde A10 passava com certa frequência, caminhando no lado externo do parque, ele estava lá, com a pistola em uma mão e o celular na outra, mandando, aparentemente, uma mensagem de áudio.
— Porra! – Shisui praguejou.
Shisui não perdeu tempo, atirou na cabeça de A10. Logo pegou o celular e mandou mensagem para os outros dois:
“A9 e A10 derrubados, mas A11 e A12 com certeza já foram avisados.”
Shisui desceu rápido da árvore, guardou o rifle no case de contrabaixo novamente e saiu do parque calmamente, atravessando a rua.
Na mesma hora os dois guardas saíram de casa com suas armas em mãos, olhando para os lados, notando que nenhum outro colega estava agindo.
— Ali, cabelos e olhos negros! – Um dos guardas murmurou para o outro.
Os dois apontaram a arma para Shisui, que fingia estar alheio a tudo.
Itachi atirou na cabeça de um e o outro se virou em direção ao parque, tentando ver de onde viera o tiro, ignorando Shisui. O último tiro foi dado pelas costas de A12. Obito apareceu sorridente, acenando para o moreno que atravessava a rua.
Finalmente chegou ao outro lado e aproximou-se do parceiro.
— Temos que esconder todos esses corpos antes que os moradores percebam. – Falou encarando os dois corpos jogados no gramado.
— É a parte nojenta do trabalho. – Obito suspirou.
— Tem uns velhinhos cuidando do jardim ali... – Shisui apontou para uma casa mais a frente. – Dá pra eles nos verem de lá... Ainda não chamamos atenção, mas carregar corpos com certeza chama.
— Mas temos que fazer...
Os dois passaram a carregar os corpos para dentro da casa. Terminando com os dois, esconderam os corpos de A7 e A8 entre as plantas do jardim de Hinata. Depois dariam um jeito nos dois que estavam no telhado, não dava para vê-los lá de baixo.
Obito estava indo até o carro quando Itachi saiu do parque.
— E aí! – O mais velho sorriu.
— Estava escondendo os corpos no meio das plantas, nem para ajudar vocês prestam! – Resmungou.
— Tinha outros corpos, reclamão! – Obito revirou os olhos. – Bem, vou guardar o carro na garagem da casa deles... Depois é só esperar ela chegar!
— Está tudo correndo bem, valeu a pena gastar meu tempo vigiando esses caras e os costumes da vizinhança nos últimos dias... Foi cansativo e irritante ver um horário durante o dia que não tivesse ninguém por aqui, sem contar que não tinha muito a ver comigo, mas valeu a pena.
— Você é um imbecil, sabia?
— Só quero evitar a fadiga. – Bocejou e dirigiu-se à casa da Hyuuga.
[...]
Os amassos não duraram muito tempo, afinal Boruto sentia-se desconfortável com isso, uma vez que a mãe de Sarada estava em casa e ficar com a namorada num quarto fechado só poderia indicar uma coisa: Sexo!
Não poderia demorar muito e já estava extrapolando o tempo, então decidiu ir embora e Sarada foi levá-lo até a porta.
— Tem certeza que já vai? – Sarada fez uma expressão triste e Boruto assentiu.
— Sim. Eu tenho que ir agora, mas qualquer dia desses dou uma fugida. – Piscou um olho para a adolescente que sorriu.
— Tudo bem então. – Sarada abriu a porta e se despediu de Boruto com um beijo.
Como sempre, Sarada ficou olhando Boruto e só entraria em casa quando ele dobrasse a esquina, perdendo-o de vista.
Acontece que ela logo avistou um Audi Q7 e fechou a cara. Sabia que era seu avô ali, provavelmente querendo tirar satisfações.
O homem estacionou em frente à residência de seu caçula e desceu do carro. Já estava com sua S&W dentro do casaco, pronto para encontrar a Haruno sozinha em casa e acabar com a raça dela. Todavia, teve uma surpresa ao ver Sarada ali.
Não faria um trabalho sujo desses na frente de sua neta, por mais que tivesse ameaçado sua vida para conseguir o que queria.
— O que você quer? – A menina perguntou friamente para o mais velho.
— Que recepção mais calorosa. – Ironizou o homem que já foi entrando na casa sem ao menos ser convidado.
Sarada então fechou a porta e seguiu seu avô até a sala.
— O senhor não viria aqui sem um motivo bem forte. – Estreitou os olhos. – Aliás, o senhor nunca veio aqui!
— Tem razão. – Cruzou os braços em frente ao corpo e, sério, encarou sua neta. – Você não aparece há dias. Fiquei preocupado.
— Cínico. – Bufou a menina. – O senhor sabe exatamente porque eu sumi. Tenho certeza de que a minha avó lhe contou tudo.
— Tem razão, ela me contou. – O Uchiha falou com indiferença. – E eu estou aqui pra resolver as coisas com a sua mãe.
— Ela não está aqui. – Sarada falou rapidamente e Fugaku quase acreditou, mas, o tom de nervosismo da menina a entregou. Ela estava mentindo.
— Ah, não? – Arqueou uma sobrancelha. – Haruno, apareça! – Bradou o homem e Sakura, da cozinha, ouviu a voz masculina e muito familiar. – Estou com a sua filha, apareça.
Mais do que depressa, Sakura correu até as sala, onde viu Fugaku perto de sua filha. Para seu alívio, Sarada estava ilesa e não havia nenhuma arma apontada para ela.
— Miserável! – Rosnou entre dentes. – Saia daqui, Uchiha!
— Esse negócio de instinto materno é muito engraçado... – Sorriu debochado. – Estou vendo agora uma leoa feroz defendendo sua cria.
— Vá embora! – Bradou a rosada, puxando Sarada para trás de si. – Se quiser fazer mal a alguém, faça a mim, mas deixe Sarada.
— Você realmente não teme a morte. – Comentou tranquilamente, balançando a cabeça em sinal negativo. – Não deu importância aos meus avisos.
— Vai fazer o que, nos matar aqui? – Retrucou a Haruno.
Estava tremendo, realmente apavorada, embora não demonstrasse.
Não temia por sua vida, mas pela vida de Sarada.
— Não. – Respondeu o mais velho. – Tenho o coração muito mole... Fiquei até sentido de saber que minha neta simplesmente rejeitou a família que a criou, que nos trocou por alguém que conheceu há pouco tempo.
— Não se faça de desentendido, o senhor sabe o motivo! – Disse Sarada.
— Admita que foi o melhor pra você, Sarada. – A frase de Fugaku fez o sangue de Sakura ferver. – Que futuro você teria ao lado dela? Uma pirralha de quinze anos que não tinha onde cair morta e vivia de favor numa pousada! – Bradou. – Você seria criada de qualquer jeito, jogada a Deus dará.
— Independente das condições que eu tinha pra criar minha filha, sequestrá-la foi um crime. – Rebateu a mulher.
— Prova. – Provocou. – Você tem como provar que nós planejamos o sequestro da Sarada? – Sorriu em deboche. – É a sua palavra contra a minha, vadia!
— Saia daqui agora, seu velho desgraçado! – Rosnou a rosada.
— Ah, quanta intimidade com a casa... Mal chegou aqui e já se acha no direito de colocar as visitas pra fora...
— Vô, por favor... – Sarada insistiu. – Isso não vai nos levar a lugar nenhum.
— Você acha que sua mãe se importa com você? Eu ameacei você e aquele seu pai inútil, mesmo assim essa vadia resolveu contar a verdade. – Sorriu ao ver Sarada lançar um olhar de desconfiança para a Haruno.
— Eu fiz o que você pediu pra deixar a Sarada e o Sasuke em paz. Você disse que ia tirar a minha vida se Sasuke e eu contássemos a verdade para ela! Não seja hipócrita! – Respondeu friamente.
A morena baixou a cabeça. Toda a sua revolta com seus pais parecia ainda mais idiota agora. Seu avô ameaçara tirar a vida da Haruno, mesmo assim ela contou a verdade e Sarada cuspiu aquelas palavras de ódio causando a tentativa de suicídio.
A Uchiha foi tirada de seus devaneios quando ouviu uma arma ser destravada. Ergueu o olhar e viu seu avô apontando sua S&W para a rosada.
— Sarada, saia daqui e ligue para o seu pai. – Sakura falou sem desviar o olhar de Fugaku.
— Mas...
— Por favor... Eu sei que você não me considera sua mãe, mas me obedece!
— Não adianta ligar para o Sasuke, ele está fazendo um trabalho. – O Uchiha alertou.
— Deixa a Sarada em paz! – Gritou.
— Ora, não se importa mesmo com sua vida, vadia? – Fugaku se aproximou da Haruno e encostou o cano da arma na testa dela.
Sarada sentia sua mãe tremer a sua frente, mas, ainda assim, sentia a firmeza vinda dela.
— Sarada, saia daqui e ligue para o seu pai. – Repetiu a ordem.
— Não quer que ela veja sua morte? Ora, Sarada já matou uma pessoa, Haruno. Mas por culpa de vocês ela nunca mais vai fazer trabalhos para mim, estou errado, minha netinha? – O mais velho desceu o olhar das esmeraldas da Haruno para os ônix da Uchiha, eram os mesmos olhos em cores diferentes. Pela primeira vez ele via isso.
— E-eu volto... – Sarada falou com a voz trêmula.
— O que? – Sakura olhou para trás.
— Eu volto se o senhor prometer não machucar minha mãe! – Tentou soar firme, mas ainda sentia medo.
Já teve uma arma apontada para sua cabeça duas vezes na vida, mas não sentira medo. E agora, a arma sequer estava apontada para si, mas sentia um medo imenso. Não entendia como sua progenitora permanecia firme a sua frente, apesar de estar tremendo. Sarada tinha vontade de correr.
— Nem pensar! – Sakura gritou e impediu Fugaku de tirar a arma de sua testa.
Fugaku puxou a mão bruscamente e guardou a arma com um sorriso presunçoso.
— Ora, ora, eu amo minha neta, Sakura, vou fazer a vontade dela. – Se aproximou mais e sussurrou no ouvido dela, para que Sarada não ouvisse. – Agora vocês farão tudo o que eu mandar, ou ela morre.
A Haruno, agindo por impulso, socou o rosto de Fugaku, fazendo-o cuspir um pouco de sangue.
O homem revidou o ataque segurando-a pelo pescoço e a prensando contra a parede.
— Não ouse me contrariar, vadia estúpida!
— Vô, para! – Sarada gritou, puxando o braço do avô em vão.
Sakura já estava quase sem ar quando Fugaku a soltou. Tossiu um pouco recuperando o ar, seu pescoço estava avermelhado.
O Uchiha se afastou, indo para a saída, mas virou-se para Sarada com um sorriso maléfico.
— Sabe onde seu pai está? – Deu uma pausa, esperando alguma resposta. Quando percebeu o silêncio, continuou. – Ele preparou uma emboscada para uma certa policial... Como é mesmo o nome dela? – Fez uma pausa. – Ah, sim, Hinata Hyuuga, acho que você a conhece. Não é a mãe do seu namorado? Tchau, Sarada, entro em contato quando precisar de você.
O homem finalmente saiu, batendo a porta com força, teve seus planos frustrados, mas conseguiu algo ainda melhor em troca.
A mais nova se deixou cair no chão, de joelhos, nunca sentira tanto medo na vida. Sua cabeça era uma confusão novamente. Ouvira Sakura falar de ameaças no hospital, mas ouvi-las de seu avô parecia ainda pior. E que história era aquela de que Sasuke preparara uma emboscada para Hinata? Seu pai estava mudando, mas ainda era um mafioso. Mas por que Hinata? Ele próprio pedira para Boruto voltar, será que fazia parte da emboscada e nada havia sido por ela?
— Por que fez aquilo? Eu mandei você sair, você e seu pai estariam seguros! – Sakura esbravejou com a voz rouca devido ao aperto na garganta.
Sarada a olhou e, pela primeira vez, soube como era levar bronca da mãe como seus amigos falavam às vezes.
— Tinha uma arma apontada para sua cabeça, o que queria que eu fizesse? – Retrucou.
— Saísse e ligasse para o seu pai, droga! Você não estaria nas mãos desse homem e o Sasuke não precisaria fazer as vontades dele. – Treplicou.
— Ah, claro, e eu deveria deixar você morrer? – Franziu o cenho.
— Pelo menos você estaria segura e eu não traria mais problemas!
— Você é minha mãe, porra! Você já quase morreu por minha culpa uma vez, não quero que você morra só porque me contou a verdade... Aliás, por que diabos me contou tudo se sua vida estava em risco?
— Porque você merecia a verdade, Sarada! Foda-se minha vida, eu te amo e não quero você nas mãos de pessoas como Fugaku Uchi...
Sakura parou de falar quando Sarada começou a chorar de repente.
— Eu os amava mais que tudo e fui injusta com o Sasuke e com você... Me perdoa! – Falava entre as lágrimas. – E-eu não vou mais perdoar a vovó e o vovô, eles fizeram coisas horríveis!
A Haruno abraçou a filha, alisando seus cabelos negros.
— Não chora, tudo bem? Seu pai e eu amamos você, foi duro sofrer rejeição, mas, olha, vai ficar tudo bem, ok? Você sabe a verdade agora. Seu avô fez coisas horríveis, mas nós vamos conseguir contornar este problema... E sobre sua avó... É difícil perdoar, mas dá pra notar o quanto ela te ama e ela cuidou tão bem de você todo esse tempo... Pensa com calma. Por mais que eu não goste muito dela, não vou te colocar para fazer o mesmo, ela te ama e seria horrível ser rejeitada por causa de... Bem, por minha causa, que nunca estive presente em sua vida.
— Porque a oportunidade foi tomada de você por eles. – Sarada esbravejou ainda chorando.
— Se acalma, meu amor. Se você for tomar decisões nestas condições, nada vai se resolver.
— O papai vai matar a mãe do Boruto? – A morena olhou nos olhos da mãe.
Sakura lembrou-se de toda a história que foi contada por Fugaku e confirmada por Sasuke. Hinata queria prender os Uchiha por assassinato, a pena deles seria a morte. Aparentemente, Sarada não sabia daquilo.
— Pelo que sei, Hinata estava buscando provas sobre os assassinatos cometidos por seu pai e você... Vocês seriam condenados à morte. Não é correto mata-la, mas... Acredito que seja a única forma de livrar vocês da culpa.
— Matando mais?
— Eu não sei bem o que eles pretendem, Sarada, mas sua família não é a mais comportada que existe.
[...]
Toská, Rússia
28 de março de 2016
10:23 A.M.
Hinata estava voltando para casa após uma conversa nada agradável com o Uchiha.
Não conseguia acreditar que fora afastada novamente, todos os problemas que aconteciam em sua vida eram por causa de Sasuke.
Estava preparada para matá-lo quando foi em sua casa – não havia deixado a arma na mesa de Shikamaru, somente o distintivo e o porte legal –, mas hesitou de última hora.
Não deixou de matar por pena ou porque ela poderia ser presa, isso não seria suficiente para impedi-la. Não matou porque sua família perderia a proteção, sem contar que o problema não era só o pai da Sarada, era a família inteira.
Sabia que receberia uma bronca de seu chefe quando o mesmo se der conta de que ela não deixou a pistola. Admitia que no calor do momento nem se preocupou com isso.
Estava estressada, chateada e com muito ódio. Havia se acalmado um pouco enquanto dirigia em direção à sua casa, somente sua família agora a daria descanso e a força necessária.
Estacionou seu Honda Civic prateado e percebeu que o Corolla do marido não estava ali. Suspirou um pouco chateada.
Bom, ao menos Boruto estava lá, já que hoje ele não tinha aula. Era o que ela pensava...
Ao entrar em casa, percebeu que não havia ninguém, por se tratar de estar tudo muito quieto. Será que Naruto havia saído com as crianças?
— Tem alguém em casa? – Perguntou alto.
— Estávamos te esperando. – Ouviu uma voz masculina vindo da cozinha.
Um homem alto, cabelos negros como a noite, tal como seus olhos, se aproximava da mulher com um sorriso de canto.
Hinata pôs a mão na cintura, estava preparada para sacar sua Taurus 92 AF.
— Quem é você? – Seu tom era sério.
— Não precisa ficar nervosa... – Um outro homem que estava encostado na parede do corredor que ligava a sala com os quartos se pronunciou. – Queremos apenas conversar civilizadamente.
Este era muito parecido com o primeiro, mas uma de suas faces era deformada, provavelmente alguma queimadura. Ela o reconheceu, era Obito Uchiha.
Quando ambos estavam suficientemente pertos, Hinata rapidamente sacou sua arma e a destravou. Gesto repetido pelos outros dois. Apontava repetidamente ora para um, ora para o outro.
— Como entraram aqui? – Embora nervosa, sua voz era firme.
— Doze guardas disfarçados... Um no centro do parque, um em um banco no parque, um no meio das árvores dele, outro fora, dois em um carro, um no telhado de sua casa, dois atrás dela, outro no telhado da casa vizinha e dois descansando nela... – Disse o homem que antes estava na cozinha. – Não foi muito difícil descobrir.
O sangue da Hyuuga gelou. Apenas aqueles dois homens mataram os seguranças? Não era possível, devia ter ao menos três para formar um triângulo.
— Onde está o outro? – Seu dedo já estava pronto para puxar o gatilho.
— Com um de seus filhos... – Respondeu Obito. – Nosso refém, caso não faça o que pedirmos.
— Eu conheço você. – Apontou para o moreno. – Obito Uchiha, assistente de Madara, você estava no prédio em que Izuna estava no dia da explosão, por isso a queimadura. Está blefando, políticos mentem muito bem. – Sorriu em deboche. – E se você é um Uchiha, minhas teorias de que esta família não presta só se confirmaram. Nem estou surpresa.
— Você é muito sagaz, Hyuuga. – O primeiro se manifestou. – Somos dois contra um, não acha que está em desvantagem demais?
— Não. – Apontou a arma para ele. – Vocês são atiradores de elite a longa distância, eu posso atirar em você e antes que seu parceiro reaja, ele também estará no chão.
— Ela nos descobriu, Shisui. – Obito riu. – Ela sabe como matamos os seguranças sem nos verem.
Hinata começou a andar lentamente para trás, se afastando. Os homens acompanharam seu passo.
É certo que ela é uma ótima atiradora a curta e média distância, e eles, por serem snipers, precisam que seu alvo seja imóvel, se ela se mexer irão errar. Mas isso não impede que eles também saibam atirar em distâncias menores.
Tinha um plano em mente. Atiraria primeiro em Shisui, e em seguida pularia para o sofá que a cercava por trás. Se tiver sorte, poderá usá-lo como barreira e atirar na perna e na mão de Obito. Podendo em seguida imobilizá-lo.
Iria precisar de um deles vivo se estivessem mesmo com Boruto. Fora que se usasse Obito Uchiha, que de certa forma é famoso, poderia acabar com toda a família, inclusive Sasuke e Madara.
Era arriscado até mesmo para ela. Sabia que não sairia ilesa, mas queria ao menos estar viva para colocar seu plano em ação.
Naruto provavelmente saiu com Himawari após sua reunião para algum hospital ou farmácia, visto que a menina estava doente hoje de manhã e não foi à escola. Só torcia que não voltassem agora ou seriam envolvidos num possível tiroteio. Sua maior preocupação era com seu primogênito, temia o que podiam fazer com ele.
Flexionou um pouco os joelhos, se preparando para um salto para trás. Sua mão já estava no gatilho, contava os segundos para começar...
5... 4... 3...
Olhou em volta pela última vez, respirou fundo e prendeu a respiração.
2...
Mas antes que pudesse completar a contagem, ouviu a porta de entrada ser aberta com brusquidão, ou melhor, arrombada.
Com o susto, Hinata atirou em Shisui, e acabou errando. Mas conseguiu completar o pulo para trás e cair no sofá.
As pessoas que acabaram de entrar eram Hidan e Kakuzu. Ao verem a situação, sacaram suas armas e começaram a atirar nos Uchiha.
Hinata agradeceu mentalmente por eles terem chegado na hora certa. Provavelmente porque Shikamaru percebeu que ela não deixou a arma e os mandou virem atrás dela rapidamente.
Obito pulou para cima de Hidan e iniciou uma luta corporal. Com ambos em movimento, Kakuzu não poderia atirar.
Hinata saiu parcialmente de onde estava, ainda utilizando o sofá como escudo, mirou em Shisui. Este também mirava nela.
Estava indo puxar o gatilho, quando sua mão fora acertada, deixando a Taurus cair no chão. Não tinha tempo para se preocupar com a dor.
Tentou pegar a pistola de volta, mas o moreno chutou o objeto para longe.
A Hyuuga se levantou rapidamente e imobilizou os braços do homem.
— Kakuzu, atira! – Ordenou.
— Para de se mexer! – Gritou.
— Apenas faça! – Hidan, que passava pela mesma situação que a colega, disse.
O albino segurou um dos socos de Obito e o puxou em direção a sua cintura. Passou um dos braços pelo pescoço do moreno e lhe aplicou um mata leão.
Kakuzu, vendo a oportunidade, tentou atirar. No entanto, recebeu uma bala na nuca e morreu na mesma hora.
Hidan ficou chocado com a cena repentina, ou melhor, ficou pasmo ao ver que se tratava de Ino Yamanaka. Acabou por afrouxar seu braço, dando liberdade para Obito o puxar e lhe dar um golpe na boca do estômago, parando sua respiração.
A mesma pessoa que atirou em Kakuzu, atirou em Hidan. Ambos policiais agora mortos.
A Hyuuga não acreditava no que estava vendo, e assim como seu colega de trabalho, também afrouxou o braço. Mas quando Shisui tentou atacá-la, a mesma desviou rapidamente.
— O que significa isso, Yamanaka? – A morena perguntou com a voz trêmula.
— Desculpa, errei o alvo. – Sorriu como se fosse a coisa mais normal do mundo.
— Você demorou, sabia? – Reclamou Obito.
— Para de chorar, você tá vivo. – Revirou os olhos. – O senhor Madara vai adorar saber que você foi salvo por uma garota.
O moreno bufou e olhou em direção à Hinata, ela estava trêmula e muito assustada. Ainda não compreendia o que estava acontecendo.
— Shisui.
— Eu sei. – O Uchiha, a ordem da loira, atacou Hinata, mas ela desviou novamente.
— Não mate-a. – Acrescentou.
A Hyuuga respirou fundo e tentou correr para fora de casa pela janela. No entanto, Shisui a segurou e a lançou contra o sofá, o qual caiu para trás a levando junto.
Meio atordoada, a mulher se levantou e recebeu um golpe no queixo de Obito.
Ajoelhou-se um pouco para passar a tontura e se ergueu para atacá-lo.
Nada se passava pela sua mente, estava tudo em branco. Perdida.
Não tinha mais saída e ela sabia disso.
Empurrada contra a parede, caiu sentada completamente fora de si.
— Por quê? – Perguntou com voz mansa ao perceber que a mulher se aproximava dela e agachava em sua frente.
— Você estava nos trazendo muitos problemas, é realmente uma ótima policial. – Elogiou sinceramente. – Infelizmente, tivemos que fazer isso. Ordens do patrão.
— Acham que vão sair ilesos disso tudo? – A olhou friamente. – Vejam o que fizeram com minha casa. – Apertou sua mão ferida para amenizar a dor.
— Se eu consegui arrumar provas falsas para o sequestro da Sarada e culpar você e o Kabuto do sumiço de Karin, consigo me livrar desta situação também. – Deu de ombros. – Ah, por falar em provas falsas, aqui uma Taurus 838. – Soltou a arma que usara para matar Hidan e Kakuzu. – Nem te conto o que faremos com ela...
Hinata não compreendeu o motivo de Ino usar aquela arma, ela na verdade possuía uma Glock G37.
— Então era você. – Riu. – Já estava desconfiando que havia alguém me atrapalhando na polícia, mas pensava que seria o Hidan ou o Kakuzu, nunca você.
— Até pessoas de confiança traem, Hyuuga. – Sorriu cinicamente.
— O bem sempre vence o mal.
— Não hoje. – Se levantou a olhando por cima. – Não se preocupe, seu filho está conosco, mas está bem. Mas isso se fizer o que mandarmos.
— Não vou me sujeitar a vocês. – Franziu o cenho. – Você perdeu desta vez, Ino. – A chamou informalmente. – Você conseguiu se livrar até agora de teorias utilizando provas falsas. Mas não há como se livrar de provas concretas. Vocês serão condenados quando investigarem o que aconteceu em minha casa.
— Ino, não temos tempo. – Obito sussurrou um pouco alto. – Os vizinhos já devem ter chamado a polícia.
— Hinata. – A loira também a chamou com informalidade. – Não duvide do que uma máfia é capaz.
E antes que a morena pudesse rebater, a outra rodou o corpo e acertou a têmpora esquerda da Hinata com o calcanhar. Esta caiu inconsciente.
[...]
A mulher desacordada teve seus braços erguidos e presos em correntes, bem como suas pernas, seu rosto estava coberto por um pano escuro. A sala em que ela estava era fria e úmida.
Quando ela acordou, ainda zonza com o golpe que levara, percebeu que estava presa. Tentou soltar-se, mas foi em vão.
— Onde estou? – Perguntou na esperança de que alguém a escutasse.
— Num lugar muito especial. – Ouviu uma voz em tom de ironia, e muito familiar.
— Uchiha, é você?
— Sim, sou eu. – Riu. – Você me trouxe muitos problemas, Hyuuga.
A jovem ouviu uns passos se aproximando e cerrou o punho. Estava furiosa.
Seus seguranças foram derrubados um a um, chegou em casa tão irritada que nem percebeu a ausência deles ao redor de sua casa.
Foi surpreendida com os capangas do moreno, mas felizmente sua equipe chegou no último momento. No entanto, um deles era subordinado de Madara Uchiha. Nunca se sentiu tão traída em toda a sua vida.
— Vá em frente, me mate!
— Não... Isso seria muito fácil. – Pegou no queixo da Hyuuga e a olhou com desprezo. – Por que não me conta todos os segredos da polícia? Quem sabe você saia ilesa...
— Não tenho medo de você. – Virou o rosto, fazendo-o a soltar.
O moreno riu em escárnio e desferiu uma leve tapa na bochecha da mulher coberta pelo pano.
— Esqueceu que seu filho está comigo?
— Está blefando. – No fundo, ela torcia por isso.
— Tem certeza? – O moreno puxou o pano que cobria a face da mulher e saiu de sua frente.
Hinata pôde ver uma pequena televisão de modelo antigo sobre uma plataforma móvel, passava um vídeo de um casal conversando. Demorou a perceber que se tratava de Boruto e Sarada.
A Hyuuga estava sem palavras. Era o seu primogênito junto com a filha do Uchiha. Estavam abraçados e trocando algumas carícias.
— Não... – Murmurou. – Isso é um vídeo antigo. Boruto terminou com ela há muito tempo!
— Tem certeza? – Caminhou até atrás da mulher. – Eu disse para não deixar os passarinhos sozinhos no ninho.
— Suas ameaças não me assustam.
Ele suspirou e puxou seus cabelos, ela resmungou.
— Você é muito chata. – Aproximou-se do ouvido dela. – Me diga onde estão as evidências do crime em seu trabalho. E talvez possamos ser amigos.
— Nunca! Eu honro meu trabalho! Pessoas desprezíveis como você e a sua filha merecem morrer! Assassinos!
— Um tempo atrás você tentou matar um dos meus capangas...
— Legítima defesa. – Deu de ombros.
— Não vai me contar?
— Já disse que honro meu trabalho! Aquelas provas são essenciais para acabar com vocês! Não vou jogar tudo o que consegui no ventilador. Você perdeu desta vez, Uchiha.
— Morrerá contente se formos presos?
— Com certeza. – Disse convicta. – Aliás, o que foi que você me disse mesmo? – Riu em deboche. – “Querer não é poder”? É, foi isso mesmo... Que irônico...
— Você tem coragem em me desafiar mesmo nesta situação... – Balançou a cabeça em sinal negativo. – Você realmente não sabe quando parar.
— O mundo dá voltas, Uchiha.
— Vai queimar a língua. – Murmurou.
Sasuke se afastou, a soltando. A morena ouviu o som de um destrave de arma e se preparou para sua morte fechando os olhos. Morreria feliz em saber que agora seu filho ficaria seguro, longe daquela víbora que ele namorava, definitivamente ele estava seguro.
Um sorriso brotou em seus lábios, sempre disse que morreria com um sorriso no rosto, sem arrependimentos.
Sentiu uma presença em sua frente, como percebeu que o tiro não veio, abriu os olhos e se deparou com alguém muito parecido com Sasuke.
— Um rostinho tão bonito... – Lamentou. – É uma pena que entrou em nosso caminho.
— Itachi, saia da frente dela. – Ordenou Sasuke.
Hinata não entendeu muito bem. Eles desistiram de matá-la?
Quando o irmão mais velho saiu do campo de visão dela, viu que a televisão não estava mais ali. Fora substituída por uma cadeira e nela estava uma criança.
— HIMAWARI! – Gritou e tentou correr, mas suas pernas estavam presas.
A criança de sete anos teve seus olhos e boca destapados pelo Uchiha mais novo.
— Mamãe! – Exclamou chorosa.
— Soltem-na!
— Ora, não seria divertido deste jeito. – Riu Sasuke que mantinha sua arma apontada para a cabeça de Himawari.
— Você poderia ter cooperado mais. – Murmurou Itachi. – Assim, sua filha não precisaria passar por isso.
Hinata se lamentou profundamente em ter deixado a filha doente em casa com seu primogênito e ter ido trabalhar.
Naruto tinha uma reunião naquela manhã, então a criança ficou aos cuidados do irmão. O qual provavelmente foi sequestrado, assim como a menina. Agora tinha a certeza de que ele também estava em perigo.
— Monstros! – Resmungou a mulher. – Deixem a minha filha, ela não tem nada a ver com isso!
— Se você contar tudo, sua amada filha vai sobreviver. – Sugeriu o mais velho. – Veja, é sua filha quem está em jogo.
— Mamãe, quem são estas pessoas? – Perguntou a menina assustada.
— Ok, eu conto. – A mulher disse rendida e os rapazes sorriram vitoriosos.
Contou com cada detalhe, onde estava cada coisa, cada prova. Não podia se dar ao luxo de perder a filha amada. Himawari ainda tem muito o que viver.
— Satisfeitos? – Finalizou.
— Confere? – Itachi que usava uma escuta, se comunicou com uma pessoa.
— Sim, ela disse a verdade. – Uma voz chiada se fez presente.
— Queimem tudo.
— Sim, senhor!
— Bom... – Voltou sua atenção para a morena. – Obrigado por cooperar.
— Patético. – Sasuke riu ainda apontando a arma para a menina. – Não disse que honrava o seu trabalho?
— Há coisas que honro mais, a minha família. – Disse de cenho franzido.
— Sim, eu concordo. – Devolveu sinceramente.
— Agora soltem a minha filha! – Ordenou raivosa.
— Mudança de planos. – Itachi a olhou de forma debochada, a assustando. – Esquecemos de avisar que não queremos testemunhas.
— Seus...! – Os olhos da moça se arregalaram, mostrando bem seus olhos perolados. – Desgraçados! Vocês prometeram!
— Há algo mais importante que a nossa promessa. – Riu o Uchiha mais novo. – A nossa família, por exemplo.
— Família? – Vociferou. – Isto é apenas uma organização criminosa!
— E o quê você entende sobre isso? – Indagou o mais novo. – Você abandonou a sua por ficar mais focada em me prender. É hipócrita.
— Eu não abandonei! Fiz isso para protegê-la.
— O que foi em vão. Você não só traiu o seu trabalho ao nos contar tudo, como também irá perder sua filha. – Sasuke colocou a arma em frente à testa da menina.
— Não, por favor! – Pediu a mulher chorosa. – A minha perna, os meus braços, meu coração, até mesmo a minha alma! Levem tudo! Menos a minha filha, por favor!
— Você queria tirar a Sarada de mim. Só estou devolvendo na mesma moeda. Aceita que dói menos.
— Mamãe! Soco...! – Sua frase foi interrompida por um disparo alto e agudo.
O rosto da mulher se contorceu em desespero. Ela tremia enquanto via a cena, sequer conseguia gritar. Sua filha acabara de ser assassinada em sua frente.
— Hi... – Tentou falar. – Hima...
Sua voz mal saía, era apenas um sussurro.
— Vou esperar lá fora, irmãozinho... Você que se entenda com as mulheres da sua vida! – Itachi saiu do recinto.
— Você disse que o mundo dá voltas, não foi, Hinata? – Sasuke perguntou retoricamente, falando o nome dela em deboche. – Parece que a volta foi de 360º e eu continuo por cima, não é?
— E-ela era apenas uma criança... – Murmurou desolada.
— Sim, foi uma pena ter de fazer isso. – Suspirou. – Mas você não estava colaborando.
— Eu contei tudo! – Hinata gritou.
— Ah, sim, isso é verdade. Mas você deveria ter parado de tentar me incriminar quando as provas falsas foram implantadas.
— Você é um assassino cruel, não irei parar! – Esbravejou.
Sasuke franziu o cenho, irritado, e deu um tiro no pé da Hyuuga. Ela gritou de dor.
— Não me irrite, lembre-se que tenho seu filho na mira...
— Foi você quem o fez voltar para a Sarada? – Perguntou em meio ao ódio.
— Diferente de você, eu prezo pela felicidade da minha filha, então, sim, o fiz voltar... Falei que foi um mal entendido.
— Então, se preza tanto assim a felicidade dela, posso ficar tranquila com a segurança dele. Vou fazer você pagar pelo que fez com Himawari.
— Eu estava planejando ficar em paz depois de Sarada e eu sermos inocentados de nossos crimes. – Sasuke encarou os olhos claros da mulher. – A mãe dela reapareceu e as duas se amam como se não tivessem passado 18 anos longe uma da outra. Mesmo que minha filha ainda esteja magoada por termos mentido para ela, Sarada ama a Sakura. – Olhou para cima com um sorriso sincero. – Bem, talvez eu esteja apenas encantado com a felicidade que ela proporciona à Sarada ou quem sabe eu esteja caindo nos encantos dela... Não importa, o que importa é que eu gostaria de ficar em paz. Ver Sarada ter momentos com a mãe. Vê-la entrar na faculdade e ser uma excelente médica no futuro. Tudo o que eu queria era... – Pensou por um momento. – Talvez eu possa dizer que queria ser feliz. – Encarou a Hyuuga novamente. – Mas graças a você, essa tarefa está se tornando mais difícil do que eu pensei que seria. Sabe, eu pretendia parar com isso, realmente eu pretendia, mas com você perturbando, meu objetivo parece impossível.
— Não tente me comover com essas palavras, Uchiha, você e sua filha merecem a morte e é isso o que terão...
Sasuke socou forte o rosto de Hinata, quebrando o nariz da mesma.
— Não envolva minha filha nisso! – Gritou.
— Foda-se sua filha, eu não ligo, assim como você não ligou para a minha!
O Uchiha desceu o punho em um golpe forte no braço da morena, preso à corrente, que foi quebrado com o impacto. A mulher urrou de dor, vendo seu antebraço curvado em uma cena agonizante.
— Se tem uma coisa que você não merece, essa coisa é ser feliz. Um homem como você não ama. Não importa o que me diga sobre sua filha e a mãe dela, não acredito que você tenha capacidade para amar. – Olhou para o corpo de Himawari no chão. – Você não é capaz de entender o amor. – Sua voz saiu embargada.
— Amor e ódio não são opostos, Hyuuga, eles são companheiros desta vida medíocre. – Suspirou. – Eu não permitirei que você toque em um único fio de cabelo da Sarada, não permitirei que acabe com minhas chances de ser feliz ao lado dela e de Sakura.
— Como se você pudesse... – Cuspiu em escárnio. – É sua culpa você não ser feliz! Você escolheu caminhar por um caminho escuro.
— É verdade que por muito tempo meus olhos estiveram fechados e meus objetivos estavam na escuridão. Mas a escuridão nada mais é do que a ausência de luz. Sarada é minha luz, estou tentando chegar lá e Sakura está me ajudando. – O homem franziu o cenho e entortou um pouco a boa em desgosto. – Mas parece que você não quer deixar, colocando barreira e me instigando a fazer mais e mais coisas ruins, criar mais e mais mentiras. Em tudo o que aconteceu aqui, você tem um certo fio de culpa. Não foi por falta de aviso. Avisei que se continuasse, você e sua família iriam cair. Todos estavam acreditando em minha inocência, mas você insistiu. Tudo o que eu queria era paz, mas em sua cabeça eu não sou capaz de mudar. Sabe quantas pessoas eu matei desde Karin Uzumaki? – Hinata franziu o cenho ao confirmar sua suspeita de que Sasuke havia matado sua cunhada. – Nenhuma, Hyuuga! Eu praticamente não faço mais nada pela droga daquela máfia, estou tentando reconquistar o amor da minha filha, eu estou tentando mudar, porra! Estou tentando ser alguém melhor por ela!
Sasuke chutou forte a perna da morena, liberando parte de sua frustração. Passou as mãos pelo rosto, tentando se acalmar. Hinata gemeu com a dor na perna, pelo menos não havia quebrado.
— Porra! – Praguejou e começou a rir, fazendo a Hyuuga estranhar aquela atitude. – Eu estava tentando ser melhor, mas acabei de matar uma criança, a porra de uma criança inocente, irmã do namorado da Sarada. – Voltou seu olhar furioso para Hinata. – Você é arrogante demais por pensar que estaria segura, droga! Você tinha mesmo que insistir... Se tivesse ficado na sua, se tivesse menos preocupada em me incriminar, teria percebido que mudei e sua família estaria bem, eu não teria que matar a família do cacho de bananas que minha filha tanto ama.
— Não me culpe pela sua infelicidade... Você é responsável pelo que está colhendo, você é culpado pela minha infelicidade também! Você matou minha filha!
— Você não sabe como é ter um pai como o meu... – Resmungou. – Se quer culpar alguém, culpe Fugaku Uchiha! Por me tornar no que sou hoje, por sequestrar a Sarada e a manipular, por ser tão desprezível a ponto de ameaçar a vida da própria neta para que eu fizesse tudo o que ele queria... Droga! Eu só quero viver em paz!
— Sarada já é bem crescidinha para ser manipulada. Ela é uma assassina desprezível, assim como você!
O moreno passou a socar com força o rosto de Hinata. A mulher apenas sentia a ardência a cada soco desferido, incapaz de se mover.
— Sarada não é assim! – O Uchiha gritava entre um golpe e outro.
A Hyuuga cuspiu sangue, quando Sasuke parou de soca-la. Sentia seu rosto em chamas, o moreno não teve piedade alguma, não conseguia abrir o olho direito. O sangue escorria por seu queixo, sentia sua roupa suja. Não conseguia aceitar que aquele era o seu fim, não com os Uchiha por cima, livres.
— Como vai se safar dessa, Uchiha? Você não vai ganhar! – Resmungou.
— Mesmo nestas condições você acha que vai ganhar? Você é mesmo muito arrogante... – Riu. – Ino é eficiente em esconder provas e implantar provas falsas. Foi ela quem livrou os Uchiha da culpa no sequestro de Haruka Haruno, vulgo Sarada Uchiha.
— Ela iria culpar Karin e Kabuto de quererem me demitir... E me culparia por matar a Karin.
— Que garota esperta! – Sorriu.
— Quem será culpado por minha morte? Você não vai escapar dessa! – Hinata debochou.
— Te alegra pensar que serei preso?
— Muito... Minha morte não será em vão.
— Não?
Hinata não queria admitir, mas percebeu que fora derrotada com a última pergunta do Uchiha. Ele estava convicto de que obteria a vitória. Morreria ali, nas mãos de seu inimigo, e tudo seria em vão. Pela escuta que Itachi usava, sabia que as provas haviam sido destruídas. Ino era uma agente dupla que trabalhava a favor dos Uchiha, ela enganou a todos com provas falsas e agora que a Hyuuga estaria morta, seria ainda mais fácil enganar os outros.
— Kabuto será culpado de minha morte? – Perguntou em um fio de voz, aceitando finalmente a derrota.
— Oh, não... Alguém muito melhor! – Sasuke sorriu e sussurrou o nome de quem seria culpado no ouvido da Hyuuga.
— N-não... Ele é inocente, vocês não podem... Não podem! – A morena gritava em meio ao choro.
— Adeus, Hyuuga... Ah, e os cachorros do meu irmão estão com fome, espero que você não cause problemas intestinais para eles... Ou Itachi ficará furioso comigo.
Sasuke abriu as correntes que prendiam a mulher, deixando-a no chão, chorando, e saiu da sala. Deixou a porta aberta para que os cachorros de Itachi entrassem lá, em seguida a fechou.
— Finalmente, já estava quase passando da hora de alimentá-los! – Itachi resmungou.
Os gritos de Hinata e os rosnados e latidos dos cães tomaram conta do local, como uma trilha sonora.
— Dava para ouvir sua conversa com a Hyuuga... Então você quer largar tudo, maninho?
— Não é da sua conta! – Sasuke resmungou.
— Você acha que conseguirá ter paz?
— Eu já me envolvi demais, mas acredito que possa recomeçar ao lado delas. Eu acredito em mudanças.
— Na paz, esteja preparado para a guerra. Será apenas um tempo de tranquilidade, Sasuke, sabe que não pode simplesmente sair. – Itachi rebateu.
— Ainda dá tempo de Sarada abandonar essa merda, antes que seja tarde. Eu também irei me afastar para o bem dela. Sei que não será fácil para mim, provavelmente eu serei perseguido, até mesmo pelo nosso pai, mas não desistirei de ser feliz ao lado de Sarada e Sakura. – O mais novo aumentou o tom de voz.
— Tinha que ter uma mulher envolvida... Elas são um perigo! – O mais velho alertou.
— Eu amo a Sarada, ela é minha filha, e Sakura é uma boa pessoa! Tenho certeza que ela não apresenta nenhum risco para nossa família. – A voz de Sasuke demonstrava carinho.
— Está apaixonado, Sasukinho? – Debochou.
— Talvez... – Deu de ombros.
— Só os fracos amam, Sasuke. Eu já deixei de ser fraco, não se deixe cair nessa...
— Sakura não é igual à Konan, Itachi...
O mais velho franziu o cenho ante a menção de sua falecida ex-namorada.
— Quem garante? Eu achei que Konan era uma boa pessoa, olha no que deu, nosso primo Izuna foi morto.
— Sakura me culpava pelo sequestro da Sarada, descobriu que ela estava comigo durante todos esses anos e não morta como ela pensava... O ódio dela era quase palpável, eu estava imobilizado, totalmente indefeso e, mesmo assim, ela não foi capaz de me matar. Você acha...
Sasuke foi interrompido pelas gargalhadas altas de Itachi.
— O que foi, imbecil? – Resmungou.
— Você foi imobilizado por uma mulher sem instinto assassino? – Perguntou entre risos, enxugando as lágrimas de tanto que ria.
— Ora, seu... – Uma veia saltou na testa do mais novo. – Eu achei que iríamos ter uma foda quente, não que ela iria apontar uma arma para mim.
— Ok, ok, Sasuke Grey, você tem fetiche sadomasoquista, entendi. – Comentou se esforçando para parar de rir.
— Vai se lascar!
— Ei, o papai vai querer matar sua namorada por contar a verdade pra Sarada, sabe disso, não é?
— Sim, estou ciente, mas Sakura não se importou com a ameaça e contou mesmo assim... E ela não é minha namorada.
— Que seja... – Deu de ombros. – Não me importo com você e a Sakura, vocês podem explodir, mas eu me apeguei a minha sobrinha... Espero que ela fique bem, seu inútil.
— Eu vou cuidar dela, não deixarei que nada de ruim aconteça a minha filha... Limpe os restos da comida de seus cachorros, até mais!
— O que? Vai deixar sua bagunça para eu limpar? – Itachi perguntou indignado.
— Passei anos limpando o seu quarto quando éramos crianças, trate isso como um pagamento.
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