Notas iniciais
Postando na terça porque o capítulo tava pronto e pra compensar pelos atrasos que tivemos em outros capítulos =D Aproveitem esse capítulo gigante ;**

Moscou, Rússia

10 de março de 2016

04:10 P.M.

— Estou ouvindo...

Madara assumiu uma postura mais séria ao ouvir a voz de seu subordinado. Finalmente teria informações importantes.

— A Hyuuga realmente retornou à polícia. – Deu uma pausa, dando uma brecha para que seu chefe pudesse dizer algo. Com o silêncio do mesmo, prosseguiu seus relatos. – Ela e o delegado Nara suspeitam que Karin Uzumaki esteja nas mãos do Sasuke e suspeitam que ele esteja envolvido com tráfico de armas e pessoas.

— Por que suspeitam disso? – Madara franziu o cenho.

— Eles têm uma lista de políticos que frequentaram o Izanagi. Grande parte está no meio do negócio de vocês, então eles suspeitam dos donos também.

— Não têm provas? – Perguntou o Uchiha.

— Não, senhor.

— Então sabe o que fazer.

— Sim... Tem mais, senhor. – Madara pediu para que prosseguisse. – Ela suspeita da verdade por trás da Sarada. Suspeita que os Uchiha sequestraram a filha de Sakura Haruno há 18 anos. Discuti o assunto com alguns colegas e conseguimos pensar em extorsão, posso implantar provas falsas de que foi realmente isso o que aconteceu.

— Ótimo, será fácil nos livrarmos das acusações deste sequestro, afinal foi há 18 anos. – Madara comentou com tranquilidade.

— Nós também chegamos a um acordo de culpar Karin Uzumaki sobre implantar falsas provas para tirar o poder da Hyuuga.

Madara sorriu maliciosamente.

— Genial. Crime para ganhar mais poder em uma hierarquia. Faça o que for possível para levar a atenção da Hyuuga e do Nara para longe dos Uchiha. É possível provar que isto aconteceu?

— Sim, irei usar Kabuto Yakushi, o legista que ajudou a Hyuuga nos casos dos assassinatos cometidos por Sarada e Sasuke.

— É um bom plano. Confio em você.

— O que pretende fazer com a Hyuuga?

— Matá-la.

— Não chamará atenção demais? A Karin já morreu. Mesmo que eu consiga fazê-la ser culpada, uma família sendo morta um por um é muito suspeito. Vão ligar a vocês, já que estavam sendo investigados pela Uzumaki e a Hyuuga.

Madara fez uma pausa, pensando nos vários rumos que aquilo tomaria. Realmente iria chamar atenção. Não seria fácil se livrar da culpa.

— Ou você morre sendo bom, ou vive o suficiente para tornar-se vilão. – O Uchiha murmurou ao ter uma ideia um tanto quanto ousada.

— O quê?

— Nada. Há mais alguma coisa que eu deva saber?

— Há mais uma coisa, senhor.

Madara suspirou.

— A Hyuuga é realmente um incômodo.

— Desta vez não se trata dela. Trata-se de Izanami Van der Bilt, viúva de Jiraiya Van der Bilt e a possível namorada do Sasuke.

— Não me diga que é outra policial. – Suspirou com desânimo.

— Não. Ela é Sakura Haruno, mãe da Sarada.

Madara ficou tenso. Várias possibilidades passaram por sua mente dos motivos de ela estar com Sasuke. Sasuke saberia que ela é a mãe de Sarada? Ela estaria com ele por vingança? Ela sabe que Sarada é sua filha? Ela os entregaria para a polícia se soubesse? Estas e mais perguntas passavam em sua mente.

— Ela sabe sobre Sarada? – Perguntou.

— Não sei dizer.

— Obrigado, seus serviços nunca deixam a desejar. – Falou por fim e encerrou o telefonema. – Você acha que devo dizer ao Fugaku que a mãe da neta dele está namorando o filho dele? – Perguntou entre risos a Obito.

— Sasuke está namorando a Haruno? – Ergueu uma sobrancelha em confusão.

— Possivelmente. – Falou enquanto pegava o telefone e discava o número de Fugaku. Logo foi atendido. – A Hyuuga suspeita do nosso envolvimento no sequestro da filha de Sakura Haruno. Meu subordinado implantará provas falsas de que foi extorsão, logo terei mais detalhes e, provavelmente, vocês serão chamados para depor, bem como a Haruno.

— Se nós formos depor, será fácil mentir. Mas, como encontraremos a Haruno? Ela deve ser eliminada. – Fugaku respondeu.

— Você não pensa, seu inútil? É uma morte desnecessária, seu imbecil... – Esbravejou. – Sasuke saberá o que fazer. – Sorriu. Sabia que aquela frase atiçaria ódio em Fugaku.

— Sasuke? Você quer estragar tudo? Não o mandarei ir atrás da Haruno, ele ficaria ao lado dela.

— Ao contrário, priminho. Acredito que ele a faria ficar do nosso lado, afinal, Sarada está em nossas mãos.

— Como iremos encontrá-la? Não temos nem pista do paradeiro dela.

Madara ponderou por um momento se contava ou não. Não confiava nas decisões de Fugaku, poderia falar diretamente com Sasuke. Mas aquela história envolvia a todos, tinha que contar.

— Izanami Van der Bilt, a mulher que está, aparentemente, namorando o seu filho, é, na verdade, Sakura Haruno.

— O QUÊ? – Fugaku gritou.

— Não se exalte, peça ao Sasuke para conversar com ela.

— Pedir a ele? – Indagou com desdém. – Aquele inútil só faz merda.

— Devo lembrar-lhe novamente de que quem mais faz merda é você? Pena que só vim perceber isso depois que ajudei a sequestrar a Sarada. Arrependo-me muito de ter ajudado naquilo, fui muito burro.

— E você acha que o Sasuke consegue fazer algo certo? – Sua voz demonstrava nojo.

— Ele te apoiou quando descobriu que você sequestrou Sarada?

— Não. O que isso tem a ver?

— Tem a ver que ele sabe como agir diante de situações difíceis melhor do que você. Então eu confio nele para falar com a Haruno.

— Falarei com ele... – Bufou de raiva e desligou o telefone.

— Definitivamente eu deveria ter deixado nas mãos do Itachi ou do Sasuke. Fugaku só vai causar mais problemas com a Haruno. Felizmente eu acho que sei como livrar os Uchiha das investigações. É um plano louco, mas, se tudo correr como imagino que vá a ser, será a melhor saída.

— E do que se trata? – O mais novo o olhou sério.

— Cada coisa em seu tempo, Obito...

[...]

Toská, Rússia

11 de março de 2016

06:42 P.M.

— Não, papai! A Elsa quem tem poderes, não o Olaf! – A menina revirou os olhos pondo as mãos na cintura.

— Mas ele é um boneco de neve, como pode não ter poderes de neve? – Indagou fingindo indignação.

— Pai. – Boruto riu. – Olaf gosta de abraços quentinhos.

— Mas ele vai derreter.

— Papai, isso é um desenho. – Bufou Himawari fazendo os dois homens rirem.

— Olha, não sei vocês, mas tem uma janta quentinha em cima da mesa esperando ser degustada. – Hinata apareceu por trás do sofá onde Naruto sentava e o abraçou.

— Você quem fez? – Perguntou o primogênito e a matriarca assentiu. – E a senhora sabe cozinhar?

A mulher olhou o filho indignada, fazendo ele e seu marido rirem. Podia não fazer isto frequentemente, já que seu esposo é chefe de cozinha, mas ao menos o básico ela sabia fazer.

— Eu quero a comida do papai. – Pediu a mais nova meio receosa.

A Hyuuga suspirou e balançou a cabeça em sentido negativo. A comida dela não era ruim, mas a do pai era melhor.

O loiro mais velho fez um sinal com a cabeça convidando os filhos para a mesa de jantar. Quando Hinata o estava soltando do abraço, ele a segurou.

— Obrigado por fazer o jantar.

— Você se machucou. – Beijou o marido. – Era o mínimo que podia fazer.

Ele olhou para sua mão esquerda e respirou fundo. Havia se queimado enquanto cozinhava em seu restaurante. Não foi nada grave, mas Hinata preferia poupá-lo do esforço.

— Vocês vêm ou vão ficar flertando aí? – Bufou o filho.

O casal riu e finalmente se soltaram para comerem. A comida estava boa, mas era como previram: a do pai era melhor.

Fazia um tempo desde a última vez que comeram em família, sentiam falta disso e nem perceberam o quanto que a noite ia passando.

Comentaram sobre alguns filmes, Naruto e Hinata diziam como se conheceram – seus filhos adoravam. Boruto e Himawari brigaram para decidir com quem ficava o último pedaço de carne. Coisas de uma família normal...

— Agora que eu parei para pensar... – A Hyuuga pôs o dedo indicador sobre o queixo, formando uma expressão pensativa. – Estamos em março… Boruto, Himawari, onde está o boletim de vocês?

— Mãe. – O rapaz riu. – Na faculdade não tem boletim. As notas são lançadas no sistema.

— E qual é a senha? O senhor não me passou. – Naruto estreitou os olhos.

O loiro engoliu em seco, o curso de Engenharia da Computação não era nada fácil, e com certeza só ficou mais difícil ainda porque ele ficava mexendo no celular para se divertir, ao invés de estudar.

— Ah, mãe... Você sabe como é, né? Cálculos, integrais e derivadas... – Tentou desconversar.

— Não entregaram o meu. – Respondeu a pequena. Ela era mais esperta que o irmão.

— Deixe sua senha em cima da minha mesa, mocinho. – Disse o patriarca enquanto ajudava a esposa a recolher os pratos.

— Sim, senhor. – Suspirou. Já temia um castigo. Sem celular, sem computador...

Suas notas não estavam tão baixas, aliás, o período mal havia começado, só havia notas de trabalhos, listas e atividades. Mas mesmo assim não eram as melhores. A maioria estava na média, sendo que seus pais sempre cobravam muito dele. Ele precisava ser exemplo à irmã.

A fim de compensar o erro e fazer o castigo ser um pouco mais leve, foi ajudar a mãe a lavar a louça. Sempre funcionava.

— Suas notas estão tão baixas assim? – Brincou ela.

— Dá pra passar... – Sorriu descontraído.

— Tudo bem. – Beijou a testa do filho. – Imagino que suas notas tenham caído por causa do seu rompimento com a Sarada, né?

Não era bem isso, mas era uma ótima desculpa para o loiro usar.

— É... – Fez uma expressão triste. Embora já tenha reatado o namoro, sua mãe ainda não estava ciente e nem poderia estar.

— Eu sei que é difícil, mas você não pode deixar suas notas caírem tanto assim. – Enxaguou o prato e deu para o filho secar e guardar. – Eu quero o melhor pra você, já te falei isso. Quando eu era pequena, eu namorava um garoto da faculdade, meus pais me mandaram terminar. Eu fiquei tão revoltada quanto você, mas vi que foi o melhor a se fazer. Anos depois, quando eu já estava trabalhando, acabei prendendo ele por estupro.

O Uzumaki a olhou surpreso. Ela nunca havia dito isto. Talvez porque era um assunto delicado demais.

Hinata suspeitava de Sarada, mas a culpa maior era de Sasuke por aparentar ser mau caráter. Consequentemente isso reflete na filha.

— Prometo que serei mais responsável. Finalmente estou superando o término. – Sorriu. Afinal, ele e sua ex voltaram.

— Assim espero. – Riu. – Não se preocupe, não vou deixá-lo de castigo.

— Não? – Indagou animado e a mulher assentiu. – Nossa, mãe! Como eu te amo! – Beijou o rosto da mulher e lhe deu um abraço apertado e correu para os fundos da casa.

— Ei! Ao menos termine de me ajudar! – Gritou em vão.

Naruto apareceu rindo da expressão indignada da morena e foi ajudá-la.

— Linda a sua coroa. – Comentou ao marido.

— Você achou? – Riu. – Eu sou a Anna.

— Sua cara. – Comentou risonha. – Não precisa me ajudar, está machucado.

— Estou bem. – Pegou os copos úmidos e secou. – E o trabalho?

— Tá fluindo. Desta vez eu colocarei o Uchiha na cadeia. – Disse convencida.

— Amor... – Permaneceu em silêncio por um tempo. – Não acha que está se arriscando muito?

Seu tom era sério. Embora tivesse guardas em volta de sua casa, obviamente disfarçados, Naruto não podia deixar de se preocupar.

— Querido, assim como você, também temo por nossa família. Mas os guardas do Shikamaru nunca falharam em proteger um dos seus. Estamos seguros. – Lavou as mãos e pegou no rosto do galego. – Eu, você, Boruto e Himawari somos uma família e juntos ficaremos. Sasuke não faz ideia de que voltei para a polícia, temos muitas suspeitas sobre ele e conseguimos evidências.

— E por que isto não me conforta? – Respirou fundo. – Eu já perdi minha irmã, não vou perder você também.

— Ainda não temos notícias sobre Karin, não se precipite. – Beijou os lábios do homem. – E você não vai me perder. Este caso acabará antes. Mesmo que Sasuke tenha estratégias, estamos um passo a frente.

O Uzumaki sorriu e se agarrou a cintura da esposa e lhe beijou. Sempre era convencido por ela facilmente, mas é porque as intuições de Hinata nunca estiveram erradas.

Quando ela diz que vai prender alguém é porque ela vai. Nunca deixou de cumprir uma promessa.

Por mais perigoso que fosse, Hinata apostou todas as suas fichas em derrotar Sasuke Uchiha. Se ela descansasse agora, ele poderia agir. Desistir não fazia parte do seu dicionário.

Estava convicta de que os 12 seguranças colocados por Nara seriam suficientes. Ninguém poderia chegar perto de seus familiares nem se quisessem.

— Eca! – Himawari cortou os amassos dos pais com uma expressão de nojo.

Os dois adultos se afastaram rindo e continuaram com a louça.

— Daqui a pouco mamãe vai brincar com você. – Disse à morena mais nova.

— Tá. – Respondeu a pequena enquanto corria para a sala.

— Pode ir, eu termino. – Falou o Uzumaki.

— Mas...

— Vá logo. – Empurrou de leve a mulher. – Faz tempo que você não brinca com sua filha, dá atenção pra ela.

— Certo. – Suspirou rendida enquanto tomava a coroa dele e colocava sobre si. – Himawari, mamãe está indo!

— Eba!

[...]

Toská, Rússia

12 de março de 2016

06:24 P.M.

Estava ansiosa, imaginando pra onde Boruto a levaria. Claro, estava ciente de que provavelmente o encontro terminaria numa cama de motel, mas sabia que teria algo romântico antes.

Era isso que Sarada mais amava em Boruto, pois ele era o equilíbrio entre romantismo e safadeza, afinal, ambos são importantes num relacionamento e ele os tinha na medida certa.

Foi quando, enquanto estava jogada em sua cama sendo consumida pelo tédio, uma lâmpada se acendeu em sua mente. Uma ideia repentina, mas que tinha tudo pra dar certo.

Ligou para Mikoto e pediu para que a avó lhe ensinasse a fazer alguma coisa prática e saborosa. Sarada sabia se virar na cozinha, mas jamais soube fazer nada muito sofisticado.

Foi ao supermercado e comprou tudo o que precisava para o prato principal e sobremesa... Precisava ser tudo perfeito!

Logo em seguida, chegando em casa, Sarada ligou para Izanami e a convidou para sair. Disse para ela colocar uma roupa bonita, mas nada muito formal. É claro que a rosada aceitaria sair com sua filha e, assim que desligou o celular, Sarada sorriu contente.

Foi direto para a cozinha e se aproveitou do fato de que Sasuke, que tinha feito um trabalho para a Amaterasu durante a madrugada, chegando pela manhã, tirou a tarde para dormir.

Ela preparou um belíssimo creme de camarão, que ficou um pouquinho salgado, mas que Sasuke e Izanami nem iriam notar. Arrumou tudo de forma caprichada numa taça e decorou com camarões ao redor. Ficou lindo!

Para a sobremesa, Sarada optou por fazer um pudim, pois dedicou todo o seu tempo ao creme de camarão e Boruto já devia estar pra chegar.

Arrumou toda a sala de jantar como se fosse receber a realeza para jantar em sua casa.

Usou velas para criar um clima romântico, assim como uma bela música de fundo, isso sem falar nas pétalas de rosas vermelhas jogadas ao redor.

Um jantar romântico perfeito para unir seu pai e sua futura madrasta.

Sasuke acordou e foi tomar um banho, logo em seguida vestiu uma confortável calça de moletom preta com uma camisa branca de mangas compridas e calçou os pés com meias, também brancas. Como a fome bateu, o homem resolveu ir até a cozinha para comer alguma coisa, mas, ao passar pela sala de jantar, paralisou ao ver que sua filha terminava de arrumar a mesa para algo que provavelmente seria um jantar romântico entre ela e Boruto.

— Resolveu preparar uma surpresinha para o namorado, é? – Indagou indiferente o Uchiha. – Você sabe que da porta do seu quarto pra dentro ele não tem o direito de te tocar.

— Me poupe. – Bufou. – Não sou mais uma menininha, Sasuke.

— Eu sei que vocês fazem coisinhas, tá, mocinha? – Falou num tom de voz mais sério e recebeu um dar de ombros como resposta. – Mas não quero minha filha fazendo coisas impróprias debaixo do meu teto.

— Tanto faz.

Mal sabia ele que Sarada já tinha feito... Não somente uma vez.

Ou melhor, ele até desconfiava, mas preferia acreditar que não.

Se já é estranho pensar que seus pais fazem sexo, quem dirá pensar que sua filha, uma criatura que você pegou no colo, faz sexo! Dá ódio só de pensar que um rapaz tocou na sua filha e fez com ela coisas que você já fez com a mãe dela... Enfim, é perturbador.

— Isso aí é pra quem mesmo? – Indagou o moreno. – Você não faz o tipo romântica. Pra quem preparou esse jantar? Pra nós dois é que não é. – Olhou para as taças com aquele creme de camarão aparentemente delicioso e sua boca salvou. – Vem cá, você guardou um pouquinho disso na geladeira?

— Você não vai precisar disso, Sasuke. – Olhou para seu progenitor e sorriu de canto.

— Isso vai dar merda. – Murmurou o moreno, pois sabia que Sarada estava aprontando. – Sarada... – Engoliu seco, pois estava com um mau, um péssimo, terrível pressentimento. – Pra quem é esse jantar?

Antes que a adolescente pudesse articular uma única palavra, a campainha foi tocada e ela correu feito uma bala até a porta. Enquanto isso Sasuke permanecia parado feito um poste, olhando para aquelas pétalas de rosas e rezando para que sua teoria estivesse errada.

Logo Sarada voltou para a sala de jantar, mas acompanhada de uma bela mulher que trajava um longo e ao mesmo tempo discreto vestido bege que continha um pequeno decote e uma abertura na perna direita, sapatos pretos de salto e os cabelos rosados completamente soltos e partidos de lado.

Estava linda, discreta e muito elegante. Uma típica perua fina.

— O que é isso, Sarada? – Questionou surpresa ao ver todo aquele cenário que parecia ter saído de um filme de romance, mas que estava para se transformar num filme de terror.

— Um jantar. – Falou enquanto arrastava uma cadeira para que Izanami sentasse, mas esta permaneceu de pé onde estava. – Ora essa, eu preparei esse jantar lindo pra vocês e, ao invés de me agradecer, os dois ficam aí com cara de bunda? – Questionou indignada e ao mesmo tempo ofendida.

— Você preparou isso pra nós? – Sasuke indagou um pouco surpreso.

Se Sarada afirmou que fez o jantar para os dois, isso obviamente incluía seu progenitor e também o alegrava, pois sua filha havia feito algo por ele.

Claro, era só pra dar uma de cupido, mas ainda assim estava valendo.

— Sim. – Assentiu. – Enquanto você estava jogado na sua cama, coçando o saco e babando no travesseiro, eu estava aqui na cozinha me matando pra fazer um jantar pra você e pra Izanami. – Contou, passando os olhos sobre a belíssima mesa enfeitada com velas e pétalas de rosas. – Mas você me agradece? Não, não agradece, fica aí me olhando com essa cara de peixe morto e esse rabo de galinha na cabeça! Seu inútil!

— Obrigada, Sarada. – A rosada agradeceu com a voz doce. – Foi muito bonito da sua parte.

— Também achei um gesto muito bonitinho. – Sasuke caminhou para perto de Sarada e segurou na cadeira que ela havia arrastado, então olhou para a mãe de sua filha como se pedisse para ela se sentar.

"Sasuke sendo um cavalheiro? Se me contassem eu não acreditaria...", pensou Sarada, então um sorriso aberto se formou em seus lábios.

Sakura então se sentou na cadeira e ela, juntamente com o Uchiha, atuaram super bem. Como uma dama e um cavalheiro que se dão bem e não querem se matar por vários motivos.

Sarada sentiu seu celular vibrar no bolso da calça, então o pegou e viu a mensagem do namorado.

— Tenho que ir. – Falou apressada enquanto guardava o celular.

— Juízo! – Sasuke falou, mas Sarada nada respondeu. É, ele já estava acostumado a ser ignorado pela filha e Sakura achou sua expressão de indignação um tanto quanto engraçada.

O moreno soltou um longo suspiro ao ouvir a porta da frente bater com força, indicando que sua cria já havia saído de casa pra encontrar com o namorado.

Olhou sério para Sakura e recebeu o mesmo olhar. Caminhou para a outra cadeira com o prato a sua frente e sentou-se, tudo sem quebrar o contato visual com rosada. Ambos abriram os guardanapos de forma nada delicada e colocaram sobre as pernas, sempre olhando um para o outro com o olhar assassino.

— Que fique bem claro que eu só estou me submetendo a isso para a alegria da minha filha... – Sasuke falou entre dentes.

— Tirou as palavras da minha boca, Uchiha! – Respondeu da mesma forma. – E que os jogos comecem...

— Já começaram...

[...]

Olhava para a lua, admirando o seu tamanho. O céu estava limpo, sem nuvens, então dava uma bela visão.

Ajeitou seu cachecol azul e verificou a conversa com Sarada no celular. Ela havia visualizado.

Ouviu o som de uma porta se fechando atrás de si e olhou de relance para o local. Sarada apareceu meio tímida, tinha a mesma sensação de quando se descobriu apaixonada por Boruto.

Trêmula, respiração falha, um sorriso bobo que teimava em ficar, a mão que ajeitava o cabelo, sempre querendo parecer mais bonita… Era como se fosse a primeira vez.

— Você está linda. – Elogiou o rapaz.

Trajava roupas simples. Uma calça preta, blusa de mangas compridas e da cor branca. Nada sofisticado, mas aos olhos dele, ela era a mais bela.

— Obrigada. – Agradeceu sinceramente.

O loiro deu as costas e abriu o braço, indicando para que ela se segurasse nele. O que foi feito.

Caminharam até o Jaguar e ele abriu a porta para que ela entrasse. Não era ele quem iria dirigir, mas valeu o cavalheirismo.

— Aonde vamos? – Perguntou assim que o Uzumaki afivelou o cinto.

— Apenas siga as minhas coordenadas. – Sorriu misterioso e ela topou a ideia.

Não sabia para onde ele a levava, mas não dirigiu por muito tempo. Logo pararam em frente a um rio de águas congeladas.

Saíram do carro e ele a puxou pela mão e deslizou por sobre o gelo.

— Boruto! – Se agarrou a ele. – Já é março! O gelo já está derretendo.

— E?

— Ora, e se o chão se abrir e cairmos na água?

O loiro riu despreocupado e abraçou a namorada, a confortando.

— Veja. – Parou de deslizar e apontou para a lua. – Está enorme.

— Sim. – Concordou admirada.

— Como aqui está longe das luzes da cidade, conseguimos ver as estrelas.

— É lindo. – Sorriu.

— Queria te mostrar este lugar há um tempo. – Ela o olhou. – Enquanto esquiávamos você me contava o seu dia, deitávamos no chão congelado e contávamos as estrelas, mas agora é primavera. O gelo está derretendo. – Suspirou. – Pode soar cafona, mas eu queria muito estar com você curtindo essas coisas simples.

— Não é cafona! – Riu. – Boruto, eu sempre estive cercada de luxo, nunca precisei de nada, tinha tudo ao meu alcance. Mas você sempre me deu coisas simples, mas de muito valor significativo.

— A garota que pode ter tudo, mas não tem tudo. – Lembrou-se das próprias palavras de quando a pediu em namoro.

— Você é o meu tudo. – Beijou sua testa.

Boruto sorriu meio sem jeito e abraçou a garota. Sempre se preocupava em dar presentes legais para a companheira, se perguntando durante horas se ela gostaria ou não, no fim, ela sempre gostava. Tudo porque eram dele os presentes.

— Acho melhor voltarmos antes que o chão se abra. – Riu a morena.

O loiro concordou e saiu de cima do gelo com passos leves. Segurou a mão dela e caminharam no gramado com os dedos entrelaçados.

Como sempre, independentemente da estação, a Rússia era fria. E durante a noite era possível ver a respiração das pessoas.

O Uzumaki retirou seu cachecol e enrolou no pescoço da moça.

— Pode ficar, precisa mais do que eu. – Disse ao perceber o frio dela.

— Obrigada. – Aproximou a roupa de seu nariz e sentiu o perfume dele que ali ficou.

— Sarada... – Não conseguiu terminar a fala pois se assustou com o que viu.

Como estavam debaixo de uma árvore, ainda havia gelo sobre os galhos, e uma parte caiu sobre a Uchiha, molhando seus cabelos.

Ela deu um grito ao sentir a água gelada descendo por suas roupas e o loiro começou a rir.

— Não tem graça. – Resmungou sem graça.

— Ah, tem sim. – Riu. – Vamos para o carro.

Refizeram o percurso até o Jaguar, entraram no automóvel e ligaram o aquecedor. Boruto tirou o casaco e entregou para ela.

— Céus, me molhou toda. – Resmungou enquanto secava o corpo com a roupa entregue.

O rapaz a puxou para si e a abraçou murmurando um “eu te aqueço”.

Claro que não negou o contato, estava com frio e recebia um cafuné agradável em seus cabelos molhados.

— Sarada, desculpa por tudo o que eu te fiz. Se eu te magoei, se te fiz chorar...

— Ei! – O apertou. – Já te perdoei, meu cacto.

Não pensavam em sexo, só queriam estar juntos. Compensar o tempo perdido. Simplesmente estarem perto um do outro.

— Eu te amo. – Boruto beijou a testa da parceira.

Sarada nunca foi boa com palavras, mas adorava ouvir tais palavras do loiro.

O tempo era curto. O Uzumaki não podia ficar muito tempo fora de casa para não parecer suspeito aos olhos da mãe. A Uchiha não sabia disso e nem poderia. Ele não queira que sua namorada o odiasse por causa disso.

Sarada o levou para casa e, quando ele saía do carro, o puxou pata um beijo. Só se afastaram quando o ar faltou.

— Obrigada, por tudo. – Sorriu meigamente.

O loiro entrou em casa e acenou para a morena.

Sarada estava feliz com o retorno de seu namorado, mas agora precisava tomar o papel do cupido e juntar Izanami Van der Bilt com Sasuke Uchiha.

“Será que está rolando algo entre eles?”, se perguntou enquanto dirigia para seu lar.

[...]

— Não vai comer, Sasuke? – Sakura questionou com a voz doce ao perceber que o Uchiha não tirava os olhos dela, como se a vigiasse. – Tá com medo de que?

— Como se eu tivesse medo de você, jararaca cor de rosa. – Respondeu enquanto pegava uma colher que estava posicionada ao lado da taça de vidro, mas o creme de camarão feito por Sarada permaneceu intacto. – Mas eu tenho plena consciência de que engravidei uma louca há dezoito anos e que essa louca pode tentar me assassinar com uma colher.

— Sasuke. – Ela riu enquanto pegava uma garrafa de champanhe que estava dentro de um balde de gelo no centro da mesa. – Se eu quisesse assassinar você... – Abriu a garrafa, provocando um estouro, logo em seguida encheu sua taça com a bebida. – Teria feito isso quando você estava amarrado e indefeso naquela cama... – Sasuke lhe estendeu sua taça para que a rosada lhe servisse um pouco de bebida também. – Então você já está ciente de que eu não seria capaz de matar uma pessoa... Só de machucar um pouquinho.

— Pouquinho? – Arqueou uma sobrancelha. – Minha perna ainda dói. Você poderia ter acertado uma artéria e me matado, sua louca!

— Não sou tão burra assim, Sasuke. – Resmungou após tomar um gole de champanhe. – Eu não ia atirar num lugar onde teria certeza de que iria te matar!

— Ora essa, seu dedo não tinha escorregado? – Provocou. – Cascavel de salto alto... – Murmurou enquanto pegava novamente a colher.

— Você é tão inocente... – Balançou a cabeça em sinal negativo e também pegou a colher. – Enfim, vou experimentar o prato especial que a minha filha preparou.

Sasuke revirou os olhos após Sakura ter dado ênfase à palavra "minha".

— Ah, e você fez ela com o dedo... – Debochou, mas Sakura nada respondeu.

Ao mesmo tempo os dois deram uma colherada no creme de camarão e levaram até a boca.

Seus olhares arregalados se encontraram quando sentiram o gosto do creme de camarão feito por Sarada especialmente para eles.

Após engolir o alimento, Sasuke encheu sua taça com champanhe até a boca e tomou tudo de uma vez, numa golada só. Enquanto isso Sakura apenas demonstrava um sorriso amarelo, não querendo admitir que aquilo estava terrível.

— Até que dá pra comer... – Sakura falou meio sem graça e o moreno a olhou incrédulo.

— Porra, isso tá só sal! – Encheu novamente sua taça com bebida, uma vez que Sasuke sempre foi fã de uma comida mais sem sal mesmo, nada muito temperado.

— Não exagera. – Sakura levou outra colherada de creme até a boca e engoliu com um pouquinho de dificuldade, sempre se esforçando pra não fazer careta e parecer o mais natural possível. – Dá pra comer, não está tão ruim.

— Por acaso você é vaca pra comer sal? – Questionou com a voz um pouco alterada, mas logo se acalmou e prosseguiu antes que a Haruno dissesse algo. – Deixa pra lá...

— Tá me chamando de vaca, seu traste?

— Se a carapuça serviu. – Sasuke deu de ombros e logo uma faca voou em sua direção. Por sorte o Uchiha desviou rápido e o objeto bateu na parede. – Você tem merda na cabeça, sua sociopata? Essa porra dessa faca poderia ter acertado meu olho!

— Então cuidado com o que fala, ou eu corto sua língua!

— Naja de batom... – Balbuciou.

— O que você disse? – Questionou num tom ameaçador.

— Eu disse "Tá bom"! – Falou alto. – Tá surda, caralho?

— Sonso... – Estreitou os olhos.

— Será que eu pelo menos consigo comer os camarões? – Sasuke pegou um dos camarões belíssimos e apetitosos que enfeitavam a taça de creme e levou até a boca, mordendo um pedaço.

Só que comer aquele camarão tão lindo foi como abrir um pote de sorvete e encontrar feijão dentro ele, uma vez que não estava gostoso. Não estava tão ruim quanto o creme, esse sim dava pra comer, mas não estava bom... Estava apenas "comível".

— E então? – A rosada lhe perguntou com certa expectativa.

— Tá menos pior do que o creme.

Sakura então pegou um camarão e experimentou, mas engoliu com dificuldade e fazendo careta.

— Como você diz que tá menos pior do que o creme? – Indagou. – Isso tá com o gosto estranho e falta tempero.

— Sal demais faz mal pra saúde, sabia? – Retrucou o moreno.

— Não é só isso. – Respondeu. – Não tem tempero nenhum.

— Será que... – Sasuke então mergulhou o outro pedaço do camarão que tinha mordido e mergulhou no creme, podendo então degustar algo que era quase uma comida decente. – Tá melhorzinho... Mas, sei lá, tá estranho.

A Haruno então fez o mesmo, mergulhou um pedaço do camarão no creme e provou. Realmente não ficou mais tão ruim, embora ela ainda tentasse adivinhar o que Sarada usou pra temperar aquilo.

— Deu uma equilibrada. – Comentou a mulher. – Mas é o gosto que tá estranho.

— Não era você quem estava louca pra experimentar o jantar delicioso que a sua filha fez? – Provocou o Uchiha, então a Haruno revirou os olhos diante de tamanha infantilidade. – Come tudo agora!

— Idiota... – Murmurou. – Você não ensinou nada pra minha filha.

— Nossa filha. – Enfatizou. – Você acha mesmo que eu iria ensinar a Sarada a cozinhar? – Indagou e Sakura deu de ombros.

— Você mora sozinho e não sabe cozinhar? – Fingiu surpresa. – Ah é, você nunca precisou.

— Em primeiro lugar: Sim, eu sei cozinhar muito bem, tá? – Bufou. – Em segundo lugar: Olha bem pra minha cara e vê se eu tenho paciência pra ensinar alguém a cozinhar.

— Ogro!

— Eu aprendi por conta própria quando vim morar sozinho, por que ela também não pode aprender?

— Sasuke, eu não te imagino na frente de um fogão. – A rosada começou a rir.

— É? – Arqueou uma sobrancelha e lançou um olhar desafiador, logo em seguida retirou o guardanapo de cima de suas pernas e o colocou novamente sobre a mesa. – Está duvidando de mim, Sakura? – Levantou-se da cadeira. – Me siga.

Curiosa e desconfiada, Sakura colocou o guardanapo também sobre a mesa e seguiu o Uchiha até a cozinha.

— Sério que você vai cozinhar? – Balançou a cabeça em sinal negativo. – Misericórdia, vai ser uma negação.

— Você vai morder sua língua, jararaca cor de rosa. – Pegou uma panela no armário e colocou um pouco de água, logo em seguida pôs pra ferver e adicionou uma quantidade de macarrão suficiente para duas pessoas.

— Me surpreenda então. – Encostou-se no balcão da cozinha. Tinha que admitir que Sasuke, mesmo usando pijama, estava realmente sexy cozinhando.

— Você vai ter um orgasmo na primeira garfada de tão bom que vai achar. – Gabou-se, pegando outra panela e alguns temperos, assim como a carne moída e o molho de tomate na geladeira.

— Não acha que isso já é exagero?

— Já te fiz ter outros orgasmos e sei que isso não é tão difícil. Pelo menos não pra mim. – Provocou, fazendo Sakura ficar desconcertada. Mas logo a rosada tratou de se recompor, uma vez que isso alimentou o ego do moreno.

— Você tinha que prestar pra alguma coisa, não é mesmo? – Rebateu. – Seria muito inútil se não conseguisse pelo menos satisfazer uma mulher na cama. – Apoiou os cotovelos no balcão. – É o mínimo que você pode fazer.

— Fale como quiser, mas com certeza eu consegui te satisfazer muito mais do que o seu falecido marido. Se é que ele ainda conseguia levantar alguma coisa. – Sasuke entregou para Sakura uma faca, um tomate e uma cebola e recebeu dela um olhar confuso. – Anda, pega.

— É sério que você quer que eu corte cebola?

— E tomate também. – Completou. – Vamos, me ajude.

— Você não é um cavalheiro, é um cavalo! – Rosnou enquanto tomava a faca e os temperos das mãos do homem.

— Primeiro: Isso não é um encontro romântico, então eu não preciso ser cavalheiro. – Virou as costas e foi até a panela de macarrão pra ver se já estava no ponto. – Segundo: Se você me chamou de cavalo pelos atributos físicos, muito obrigado.

— Idiota! – Cortou o tomate com violência, imaginando que estava cortando alguma parte do corpo de Sasuke. – Você nem é grande coisa, tá? – Falou indiferente, ferindo o orgulho masculino. – E meu marido me satisfazia sim, tá?

— É? – Debochou. – E quantos comprimidos de estimulante ele precisava tomar?

— Acho que a mesma quantidade que você, só que com ele funcionava. – Riu docemente, o que só deixou o moreno furioso.

— Olha aqui, tinha uma arma apontada pra mim e você não queria que eu brochasse? – Bufou. – Você acha que eu sou o quê?

— Ah, aquela típica frase masculina... – Suspirou. – "Isso nunca tinha acontecido antes".

— Mas comigo realmente nunca tinha acontecido. – Emburrado feito uma criança birrenta, Sasuke pegou o escorredor no armário e jogou o macarrão cozido. – Não é todo dia que alguém tem uma arma apontada pro próprio pau.

— A sua cara estava hilária. – Riu. – Me alegra lembrar aquele dia.

— Você... – Sasuke estreitou os olhos indignado para a Haruno, que cortava os temperos com brutalidade. – Você é uma psicopata mesmo!

— Idiota. – Bufou. – Mas, até ver a arma, você até que estava gostando da brincadeira... – Sorriu maliciosa e Sasuke fechou a cara, abrindo o molho de tomate com tanta força por causa da raiva que quase derramou tudo no chão da cozinha. – Eu não sabia que você tinha aqueles fetiches... Masoquista!

— Sabe de uma coisa, Sakura... – Já sem argumentos, Sasuke resolveu apelar. Jogou o molho dentro de uma outra panela e deixou no fogo baixo, logo em seguida olhou para a rosada e sorriu de canto para provocá-la. – Naquela época você trepava melhor... Acho que ficou tanto tempo sem praticar depois que se casou com um velho, que acabou perdendo o jeito.

— Não posso dizer o mesmo do garotinho virgem que mal aguentou cinco minutos e já gozou. – Rebateu, relembrando de quando Sasuke e ela perderam a virgindade, fazendo o Uchiha travar o maxilar.

A verdade é que ambos curtiam a performance um do outro na cama – tanto na época do colégio quanto quando Sakura ainda era acompanhante de luxo do Uchiha –, mas não suportavam sentir seu orgulho ferido daquela forma.

— Eu tinha quatorze anos, caralho! — Rosnou entre dentes. – Mas agora eu aguentei tempo o suficiente pra te deixar louca, não é? – Implicou enquanto se aproximava do balcão da cozinha para pegar os temperos já cortados.

— Pode ser. – Deu de ombros. – Minha decepção foi ver que o Little Sasuke continua little... – Suspirou.

— Continua little? – Seu rosto se contorceu em total confusão. – O que você quis dizer com isso?

— Não cresceu de lá pra cá, sabe...

— Como não? – Sentindo sua masculinidade ser atingida no ponto mais sensível, o homem bateu a mão com força no balcão. – Ora essa, você só pode ser cega! Volte a usar óculos, você tá precisando.

— Ah é? – Sakura então segurou com força no cabo da faca e bateu com a ponta entre os dedos de Sasuke. O moreno, que continuou com a mão aberta sobre o balcão, ficou tão apavorado e com medo de acabar sendo machucado que não conseguiu nem reagir. – Eu não vou nem dizer do que você está precisando, Sasuke Uchiha.

— Tem uma louca dentro da minha casa. – Sussurrou e então tirou sua mão de cima do balcão ao ver que finalmente estava em segurança.

— Os temperos já estão cortados, pegue-os logo antes que eu use essa faca pra cortar a sua cabeça! – Ameaçou. – A de baixo!

O moreno engoliu seco, pegou o tomate e a cebola que estavam cortados e voltou para o fogão.

Não podia fazer nada contra a mãe de sua filha. Ele se sentia culpado por tudo que estava acontecendo, uma vez que não ficou do lado de Sakura como havia prometido na época em que ela engravidou.

Mas é claro que não deixava de sentir ódio das implicâncias da rosada e por várias vezes se imaginou pegando uma corda, amarrando, amordaçando e por fim jogando a jararaca cor de rosa no sótão de sua casa... É.

O molho já estava finalmente pronto, então Sasuke jogou o macarrão e, em pouquíssimos minutos, o jantar estava pronto.

Pegou dois pratos e colocou um pouco do alimento em cada um deles, jogou queijo ralado por cima e decorou com uma folha de manjericão. O jantar era bem simples, mas estava bonito.

Segurando um prato em cada mão, o moreno voltou para a sala de jantar e substituiu as taças de creme de camarão pelo prato que havia preparado.

— Está pronto. – Ele falou para a rosada após pegar as taças de creme que Sarada havia preparado e levar para a cozinha.

— Nossa. – Fingiu emoção enquanto sentava-se na cadeira. – Esse realmente é um prato perfeito para um encontro... Macarrão à bolonhesa. – Ironizou.

— Ei, não reclama. – Resmungou enquanto sentava-se. – Eu podia fazer algo melhor, mas ia demorar pra caramba.

— Tudo bem. – Suspirou. – É realmente a cara desse encontro. – Enrolou um pouco do macarrão no garfo e viu o queijo esticar enquanto ela aproximava o talher de sua boca. – A dama e o vagabundo.

— Se você espera que a gente se beije enquanto chupa um macarrão, pode tirar o cavalinho da chuva!

— Idiota! – Revirou os olhos e finalmente levou o macarrão até a sua boca, saboreando o que Sasuke tinha preparado para aquele jantar "romântico". – Nossa... – Ela arregalou os olhos ainda de boca cheia, então finalmente engoliu o alimento. – Sasuke, isso tá muito bom!

— Eu sei. – Gabou-se. – Eu falei que sabia cozinhar, jararaca cor de rosa.

— Sério, onde você aprendeu a cozinhar assim? – Ela se mostrou visivelmente interessada no assunto, sem falar que olhava mais para seu prato do que para o belo homem que estava ao seu lado. – Está divino, Sasuke.

— Eu tive que me virar pra aprender quando passei a morar sozinho. – Explicou. – Acabei descobrindo que sou bom nisso.

— Pelo menos algum talento você tinha que ter. – Falou de boca cheia e Sasuke acabou rindo, mas logo depois ficou cabisbaixo. – Sasuke? – Percebendo a tristeza nítida do moreno, Sakura se preocupou. – Sasuke?

Ele se lembrava dessas palavras ditas por seu pai.

Sasuke, aos vinte e dois anos, quis fazer uma surpresa para Sarada no dia do aniversário dela. Mikoto havia comentado que sua neta era apaixonada por um doce específico, bolo praga, então Sasuke resolveu procurar uma receita desse bolo e fazê-lo com as próprias mãos para a filha, já que pouco era presente na vida dela e não queria que a garota pensasse que não era lembrada pelo pai.

Com todo o capricho do mundo, Sasuke fez vários doces para Sarada e os colocou numa cesta bonita e enfeitada de lilás, cor favorita da menina. Quando tudo finalmente já estava pronto, ele foi até a casa dos pais, com a cesta de doces e uma boneca embrulhada num papel de presente.

Mas Sarada não estava em casa, havia saído para comemorar seu sétimo aniversário com umas amigas da escola no parque do Shopping de Toská e Itachi havia ido levá-la.

É claro que Mikoto ficou admirada quando viu os belos doces que seu filho havia feito para Sarada com todo o capricho do mundo. E Fugaku, ao ver a cesta de doces que com certeza tinha dado trabalho para fazer, não pôde deixar de diminuir o filho de alguma maneira.

"Pelo menos algum talento você tinha que ter.", essas foram as palavras do mais velho, falando de forma seca.

Por muitas vezes Sasuke não tinha nem gosto de fazer as coisas pela filha, já que seu pai sempre dava um jeito de diminuí-lo, de colocá-lo pra baixo.

— Sasuke, tá tudo bem? – A voz preocupada tirou o moreno de suas tristes lembranças. – Sasuke... Você está se sentindo bem?

— Tô. – Sorriu minimamente para não preocupar mais a Haruno. – Eu só fiz uma pequena volta no tempo, só isso.

— Volta no tempo? – Arqueou uma sobrancelha. – Tá se drogando, Sasuke? – Indagou. – Esse manjericão é manjericão mesmo?

— Misericórdia, eu mereço. – Riu e bateu na própria testa. – Sim, é manjericão. – Suspirou. – Bem... Eu só tive algumas lembranças não muito agradáveis.

— Que tipo de lembranças?

— Da infância da Sarada.

— Se tem a ver com a Sarada, então é do meu interesse.

— Bom, mesmo que eu tenha me acomodado com o fato de que meus pais cuidavam da Sarada, ainda assim eu tentava me aproximar dela. – Admitiu. Claro que Sasuke fazia as coisas do jeito dele, mas fazia. – Só que meu pai sempre dava um jeito de enfiar o dedo no meio e estragar tudo. Admito que não fui um pai presente, mas meu pai também dificultou muito as coisas pra mim.

— O que você quer dizer?

— Às vezes eu não ia à casa dos meus pais com a intenção de ver a Sarada, pois tinha assuntos de trabalho pra tratar com meu pai ou com o meu irmão. Mas às vezes eu ia só pra ver a Sarada, muitas vezes eu ligava antes pra saber se ela não estava na escola, no balé ou na casa de alguma coleguinha... Enfim, meu pai sempre dava um jeito de falar merda pra mim, de dizer o quanto eu era um péssimo pai, inclusive de dizer que eu não gostava e não me importava com a minha filha. – Abaixou a cabeça e suspirou pesadamente o Uchiha, enquanto isso a rosada ouvia tudo atentamente. – E fazia questão de dizer isso na frente da Sarada, o que na maioria das vezes fazia ela chorar. Sabe, antes da Sarada vir morar comigo, ela nunca tinha passado sequer uma noite aqui na minha casa... Nem um final de semana.

— Seu pai não deixava?

— Mais ou menos. Quando ela era muito novinha eu não queria trazer, pois tinha medo de ficar com uma criança muito pequena e não saber cuidar dela direito, entende? – Sakura assentiu, mostrando-se compreensiva. – Mas quando ela ficou maiorzinha e mais independente, com mais ou menos uns sete anos, toda vez que eu a chamava pra ficar comigo no fim de semana ela sempre recusava.

— Seu pai fazia a cabeça dela... – Supôs a rosada e Sasuke assentiu.

— Sim, nessa época ela já não gostava muito de mim. – Contou. – Por mais que eu fosse um pai ausente, eu fazia o que podia! Porra, meu pai me sobrecarregava demais nos negócios da família. – Quando Sasuke disse "Os negócios da família", deu a entender para Sakura que ele falava da administração do Casino e da casa noturna, mas na verdade Sasuke falava da Amaterasu. Claro que a rosada desconfiava que os Uchiha eram metidos com coisas ilegais, mas Sasuke não entrou em maiores detalhes sobre esse negócio de família e ela achou que talvez aquele não seria o melhor momento para questionar. – Eu vivia estressado e não tinha tempo pra nada! Tentei fazer a Sarada compreender isso, mas meu pai colocou na cabeça dela que eu jamais me importei com a minha própria filha... Mas não é por aí, eu não sou do tipo que diz "eu te amo" todos os dias, mas a Sarada é muito importante pra mim e eu a amo demais.

— Já pensou em dizer isso pra ela?

— Sarada não me levaria a sério. – Admitiu cabisbaixo. – Ela perdeu o respeito por mim e passamos a brigar como dois adolescentes.

— Talvez por isso ela não te leve a sério. – Sakura pegou a taça de champanhe e tomou um gole. – Você só tem respeito se souber se impor! – Ela olhou para seu prato já completamente vazio, logo depois olhou para o prato do Uchiha que nem tinha tocado na comida. – Se você não quiser, eu quero.

Antes que o moreno pudesse dizer alguma coisa, Sakura tomou o prato dele para si.

Ora essa, ela era visita e visitas têm privilégios.

— Pode pegar. – Bufou. – Enfim, Sarada já é quase uma mulher feita. Se eu não consegui impor respeito quando ela era mais nova, por que conseguiria agora que ela já está com dezoito anos?

— Porque você é o pai dela. – Respondeu seriamente. – Tudo que você disse para mim, diga para ela. Diga que a ama e que ela é a coisa mais importante do mundo pra você. Seja franco, se abra.

— Não é tão simples assim. – Suspirou.

— Como não é tão simples? — Indignada, Sakura aumentou um pouco seu tom de voz. – É simples sim! Não sabe conversar com sua própria filha?

— Não sou bom em falar sobre sentimentos. – Admitiu meio desconcertado e Sakura riu baixinho, pois achou engraçado ver Sasuke com as bochechas levemente coradas. – É por isso que nunca conversei sobre isso com ela, porque não tenho jeito pra falar dessas coisas.

— Ué, então por que você conseguiu falar tão facilmente sobre o assunto comigo? – Indagou desconfiada e Sasuke gelou.

Por que ele tinha se aberto para uma pessoa que sentia vontade de ver morta? Talvez morta fosse uma palavra forte demais... O mais correto poderia ser dizer que ele preferia vê-la amarrada e amordaçada, de preferência mandá-la dessa forma de volta pra Holanda.

Talvez seja porque ambos, por mais que se odiassem, tinham um laço fortíssimo: Sarada.

— Sei lá. – Deu de ombros, falando indiferente. – Talvez porque nós somos duas pessoas com uma filha em comum.

— E o que isso tem a ver, Sasuke? – Ela riu.

— Ah, não faça perguntas difíceis. – Resmungou.

Agora até mesmo ele estava encabulado. Por que falaria sobre seus sentimentos com Sakura? Estranho isso, visto que ele não conseguia tocar no assunto com sua filha, uma criatura que ele ama, mas conseguia tocar no assunto com a mãe dela, uma criatura que ele odeia.

— Tudo bem... – Respondeu enquanto dava mais uma garfada em seu delicioso macarrão... Precisava contratar uma cozinheira no nível do Uchiha!

— Sakura... Se você pesquisou sobre a minha família, como não sabia que Sarada era minha filha?

— Da última vez que pesquisei não falava de Sarada como sua filha, apenas a citava como Uchiha. – Franziu o cenho.

— É verdade, a entrevista que dei falando que ela é minha filha é bem recente.

— Por que escondia isso?

Não podia falar que evitava aquele assunto para proteger Sarada dos inimigos da Amaterasu. Começou a suar frio, mas, por sorte – ou azar –, a vida é uma caixinha de surpresas, Sakura foi pegar sua taça de champanhe e bateu com o cotovelo numa das velas que ornamentava a mesa de vidro. Pra piorar a situação, a bendita vela caiu justamente em cima do pobre Uchiha que já tinha até perdido apetite.

— Ah, sua louca! – Berrou histérico e se levantou de uma vez enquanto o fogo se espalhava por sua camisa.

— Minha nossa, me perdoa! – Sakura berrou apavorada e foi acudir o homem que abanava com as mãos a região de seu peito na esperança de que o fogo apagasse.

— Tá queimando! – Berrou. Se ele tirasse a camisa do jeito que estava, aquilo com certeza queimaria seu rosto e seu cabelo. Sasuke não queria isso.

Mais do que depressa a Haruno tirou as duas garrafas de champanhe que ainda estavam dentro do balde de gelo, se aproveitou do fato de que o gelo já estava parcialmente derretido e jogou tudo onde estava pegando fogo. Água gelada e gelo, tudo no peito de Sasuke.

— Ufa! – Ela suspirou aliviada. – Apagou.

— Merda! — Rosnou entre dentes e retirou a camisa. Seu peito estava bem vermelho, com certeza aquilo viraria uma bolha mais tarde. – Tá doendo pra caralho.

— Gelo ajuda a aliviar a dor. – A Haruno falou normalmente.

— Isso é algum tipo de piada? – Indagou já furioso e Sakura fechou a cara.

— Eu só estava querendo ajudar, seu ogro!

— Muito ajuda quem não atrapalha!

— Olha aqui, seu grosso... – Ela apontou o dedo na cara do Uchiha. – Se não fosse por mim, maldito, você estaria pegando fogo até agora! Então deixa de ser ingrato, porque até eu ir na cozinha pra pegar água isso aí iria ficar muito pior.

— Ok, obrigado por jogar água gelada em mim e apagar o fogo que só começou por sua causa. – Fez questão de enfatizar que a culpa foi da rosada. – Você é muito desatenta, Sakura!

— Vai me acusar como me acusou quando eu engravidei da Sarada? – Rebateu. – Por que a culpa de tudo sempre é minha?

— Você adora se fazer de vítima, né? – Retrucou. – Você não fez a Sarada sozinha e eu assumo a minha parcela de culpa nisso, agora isso não tem nada a ver com você ter jogado uma vela em mim.

— Foi um acidente, caralho! – Sakura berrou. – É isso que você não entende, Sasuke! Acha que todo mundo faz as coisas porque quer, mas eu não tive a intenção de jogar uma vela em você! – Avançou para cima do Uchiha. – Se eu quisesse te machucar, seu viado, eu teria te dado um tiro e não te jogado uma vela!

— Calma aí, sua neurótica!

Ao gritar isso, Sasuke jogou o champanhe de sua taça no colo de Sakura, molhando o vestido dela.

— Porra, Uchiha! – Gritou e começou a bater no moreno, mas ele segurou em seus pulsos para impedi-la.

Sakura estava forçando os braços pra conseguir bater em Sasuke, enquanto isso o homem a segurava para que isso não acontecesse. Pra piorar tudo, Sasuke sentiu uma fraqueza na perna e caiu no chão, levando a rosada consigo e ficando por cima dela.

— Ai! – Ela berrou quando sentiu o corpo masculino cair por cima do seu. – Você é pesado, merda!

— Bruta! – Resmungou com uma expressão de dor. – Eu nem joguei meu peso todo sobre você, mas deveria ter feito isso pra ver se você quebra umas duas costelas e me dá sossego enquanto fica um período no hospital.

— Quem tá procurando jeito de ir parar num hospital é você! – Vociferou. – Sai de cima de mim, porra!

— E se eu não quiser? – Provocou, ainda segurando os braços dela com força, impedindo-a de se mexer. – Você não vai me obrigar.

— Ah não? – Arqueou uma sobrancelha e lhe lançou um olhar desafiador. Flexionou sua perna direita que ficou exatamente entre as pernas de Sasuke. – Meu joelho tá na mira! Ou você me solta ou eu faço omelete.

— Você não faria isso... – O pânico começava a tomar conta de Sasuke, visto que ele não queria acabar se contorcendo no chão por conta de um chute nas partes íntimas. Seu companheiro já havia sofrido humilhações demais por parte da Haruno.

— Quer pagar pra ver?

Nesse momento ambos ouviram um pigarreio, olharam na direção do som e viram Sarada parada na porta da sala de jantar, observando a cena com um sorriso malicioso e, ao mesmo tempo, vitorioso estampado nos lábios.

— Vocês não poderiam fazer isso no quarto? – Questionou.

— Não estávamos fazendo nada. – Sasuke resmungou enquanto se levantava, logo em seguida estendeu a mão para Sakura e ajudou a mãe de sua filha a se levantar.

— Aham, sei... – Ironizou a adolescente. – Admitam que o amor está no ar. – Riu.

— Claro... – Sakura ajeitou seu vestido bege que havia ficado todo amassado após a queda. – O amor é fogo que arde sem se ver, não é, Sasuke? – Provocou. – É ferida que dói e não se sente...

— É um contentamento descontente... – Ele soltou um suspiro alto. – Muito descontente...

— Deixando Camões de lado... – Ela fitou a mesa e viu que o creme de camarão que havia preparado não estava mais ali, mas algo que parecia a especialidade de seu progenitor: Macarrão com molho de tomate e carne moída. – Ora essa, por que fizeram outra coisa para o jantar? Estavam com tanta fome assim?

— Bem... – Sakura ficou sem jeito de falar que o creme estava horrível, Sasuke também não diria isso, então precisava pensar numa desculpa. – Sasuke queria me mostrar seus dotes culinários.

— Ah sim... – Sarada sorriu maliciosa. – Ele já mostrou os dotes que tem no quarto, agora quer mostrar na cozinha? – A morena começou a rir. – Sasuke, primeiro se conquista pelo estômago pra depois conquistar por outras partes do corpo.

— Sarada, sem piadas de duplo sentido, por favor. – Falou impaciente enquanto se sentava numa cadeira. Aquela noite realmente tinha sido um desastre pra ele, mas pareceu ter sido ótima pra Sarada. – Seu cabelo tá molhado... – Comentou ao constatar que a filha com certeza havia tomado banho. Mas ela saiu de casa com os cabelos secos. – Aquele cacho de bananas ambulante por acaso te levou num motel?

— E se tiver levado? – Deu de ombros. – Você disse que não queria que eu fizesse aqui em casa, mas não disse nada sobre motel.

— Sarada...

— Me deixa, seu inútil! – Revirou os olhos.

— Sarada, não fale assim com seu pai. – A Haruno brigou com a filha, então a menina fechou a cara, mas não disse nada. – Você pode não se dar bem com ele, mas ele é seu pai, ainda assim, e você deve respeitá-lo.

Sasuke sorriu internamente por Sakura o ter defendido.

— Você é só uma criança, Sarada. – Disse o moreno. – Motel não é lugar pra crianças.

— Sasuke, deixa de drama! – Repreendeu a rosada. – Sua filha já é quase uma mulher! – Ela voltou seu olhar para Sarada. – Não se preocupe com esse antiquado do seu pai, Sarada. Sexo é bom e é saudável.

— Izanami! – Ele berrou e encarou a rosada indignado, como se dissesse "Que merda é essa que você tá dizendo pra nossa filha?".

— Vai dizer que não é? – Cruzou os braços em frente ao corpo. – Transe mesmo, Sarada! Só se lembre de sempre usar camisinha.

— Obrigada pelo conselho, Izanami. – Sarada sorriu e olhou para seu pai para provocá-lo. – Vou lembrar.

— Eu vou ficar louco... – Balbuciou o moreno.

— Vocês provaram a sobremesa? – A menina mudou de assunto, então Sasuke e Sakura se olharam confusos.

— Tinha? – A mais velha questionou.

— Esperem aí que eu vou pegar! – Sarada saiu correndo para a cozinha e Sakura esboçou um sorriso amarelo.

— Eu espero que dê pra digerir... – Murmurou entredentes.

— Que porra é essa? – Sasuke encarou a rosada furioso.

— O que? – Ela se fez de desentendida.

— Olha aqui, decide de que lado você está! Ou você me defende ou você defende a Sarada. – Falou o Uchiha. – Fica aí indo e voltando, parece couro de pica!

— Eu não tô do lado de ninguém, eu defendo o que eu acho certo! – Retrucou. – Não é certo a Sarada te faltar com respeito, agora para com essa paranoia de achar que a sua filha é uma criança, porque você na idade dela já era pai!

— Exatamente isso! – Respondeu. – Eu não quero isso pra Sarada!

— Então, ao invés de dizer pra ela não transar, diga pra ela se prevenir. – Aconselhou a rosada. – Você não é pai dela?

— O que? – Arregalou os olhos negros. – Isso não é coisa pra um pai conversar com a filha. É constrangedor.

— Pois é, mas a SUA família tirou a sua filha da mãe dela, agora aguenta! – Sussurrou.

— Shiiii! – Falou apavorado, olhando para trás pra se certificar de que Sarada não estava vindo. – Não toca nesse assunto quando a Sarada estiver por perto.

— Tanto faz. – Deu de ombros. – Ela tá na cozinha mesmo.

Sarada logo apareceu com uma bandeja e três pratos contendo uma fatia generosa de pudim de leite condensado.

Eles se sentaram perto um do outro e cada um pegou um pedaço de pudim. Sasuke e Sakura experimentaram um pedaço pequeno com medo de estar ruim, mas se surpreenderam ao sentir o gosto delicioso daquela sobremesa.

Estava realmente divino.

— Sarada, isso tá ótimo. – Elogiou o moreno e Sarada sorriu orgulhosa. A menina mal sabia que seu creme de camarão havia ficado horrível.

— Você tem mãos de fada, querida. – Izanami falou docemente. Claro que as mãos de fada eram apenas para doces, porque seu prato principal havia ficado uma negação.

— Obrigada. – Agradeceu orgulhosa de si mesma.

Todos repetiram e, no fim, devoraram o pudim inteiro. Ficou realmente ótimo.

Sarada adorou aquele momento com Sasuke e Izanami, a cada dia tinha mais certeza de que ela era a mulher perfeita para seu pai. Claro, e a madrasta que Sarada pediu a Deus.

Depois de comer, já bem tarde da noite, Sakura se despediu da filha e foi embora.

Sarada voltou para a cozinha após levar sua mãe até a porta e viu Sasuke lavando a louça. Soltou um longo suspiro e apoiou os cotovelos no balcão.

— Deixa essas louças aí, Sasuke. – Disse a menina. – A diarista vem amanhã e ela lava.

— Você tem razão. – Fechou a torneira e colocou no escorredor o prato que lavava, mas deixou dentro da pia várias pilhas de louça suja, inclusive as panelas que Sarada usou pra fazer o desastroso creme de camarão. – Ela lava amanhã.

— Sasuke. – A morena ajeitou o óculos e estreitou os olhos quando Sasuke se virou para ela ainda sem camisa, podendo ter que a marca vermelha no peito do seu progenitor estava se transformando em uma bolha. – Isso é uma queimadura?

— Aconteceu um pequeno acidente com as velas que você usou pra enfeitar a mesa. – Respondeu.

— Putz... – Ela sorriu sem graça. – Você é muito desastrado, Sasuke!

— Boa noite, eu vou pro meu quarto. – Sasuke falou e pretendia ir para o quarto, mas Sarada segurou em seu braço quando ele passou por perto dela, segurando-o.

Sasuke lançou um olhar confuso para a filha que segurava em seu braço, então ela olhou para ele e sorriu sem jeito.

— Você não vai ficar machucado assim, Sasuke. – Uniu as sobrancelhas e finalmente largou o braço do pai. – Me acompanhe.

Sarada virou as costas e foi andando até seu quarto, seguida por Sasuke.

Ele até estranhou a preocupação da menina. Inclusive fazia tempo que Sasuke não entrava no quarto da filha, visto que ela o tinha proibido de entrar ali.

— Você não vai retirar uma arma da sua gaveta e me matar aqui, não é? – Indagou desconfiado e num tom divertido, fazendo Sarada bufar.

— Senta aí na minha cama e para de falar bobagens.

Sarada pegou, em seu guarda roupa, uma caixinha colorida e colocou sobre a cama. Sentou-se ao lado do pai e colocou a caixa no colo, abriu e Sasuke não sabia se ficava furioso ou aliviado ao ver algumas cartelas de anticoncepcionais ali.

Pegou uma pomada, gaze e esparadrapo, então fechou a caixa, colocou novamente sobre a cama e se levantou, ficando de frente para Sasuke.

A garota passou a pomada sobre o ferimento no peito de Sasuke, logo em seguida cobriu com a gaze e colou com esparadrapo. Dentro de poucos minutos um curativo perfeito estava pronto.

— Você tem jeito. – Ele comentou risonho. – Deveria largar a Amaterasu e seguir carreira como médica.

— Sasuke, você sabe que eu estou gostando desse trabalho. – Falou civilizadamente, sem gritar, então pegou a caixinha, guardou o que tinha que guardar e a colocou de volta no lugar onde estava.

— Isso sequer pode ser considerado um trabalho, Sarada. Se eu pudesse voltar no tempo... – Suspirou. Sasuke tinha vontade de ser piloto de avião, mas optou por entrar na máfia apenas com a intenção de mostrar para Fugaku que ele era tão capaz quanto Itachi. Acabou se corrompendo demais. – Sarada, ainda é tempo. A Amaterasu é como uma droga, faz mal e chega uma hora que você não tem mais como sair. Ainda é tempo pra você.

— Eu escolhi esse caminho, então, por favor não se meta!

— Veja o meu lado também, eu sou mais experiente que você. – Sarada permaneceu calada. Talvez devesse gritar e mandar Sasuke sair de seu quarto, mas optou por sentar-se ao lado do homem e ouvir o que ele tinha pra dizer. – Eu prefiro ver você salvando vidas como médica do que tirando vidas como mafiosa, Sarada. Saia enquanto é tempo antes que você se corrompa como eu me corrompi.

— A vida não tem cura, Sasuke. – Falou naturalmente. – Eu já me envolvi demais, já matei uma pessoa.

— Uma pessoa... – O moreno não conseguiu controlar um sorriso debochado. – Matei tantas que não consigo nem contar. Me envolvi tanto que me tornei uma pessoa horrível e hoje vejo que não tem mais volta... O ser humano é cruel por natureza, quando você se mete em coisas que afloram esse lado as coisas só pioram. A cada trabalho que fazemos nossa vida é colocada em risco, você sabe disso desde muito pequena, pois cresceu vendo a mim, seu tio e até mesmo seu avô, por muitas vezes, muito machucados por causa disso. Sarada, quantas e quantas vezes eu parei no hospital todo quebrado, inconsciente, com tiros ou machucados graves? – Perguntou de maneira retórica. – Você consegue contar quantas vezes? Você consegue se lembrar?

De fato foram muitas vezes e Sarada também se lembrava. Mas isso não acontecia porque ele era um incompetente como Fugaku dizia, acontecia porque Sasuke, inexperiente, acabava fazendo trabalhos que exigiam pessoas bem mais experientes do que ele. Como, por exemplo, o próprio Fugaku. Mas o mais velho preferia mandar o filho caçula em seu lugar e colocar a vida de Sasuke em perigo sem necessidade.

— Eu me lembro. – Assentiu. – E você não acha que deveria ter conversado sobre isso comigo antes? – Arqueou uma sobrancelha. – Por que você deixou pra se importar agora? É tarde, Sasuke.

— Eu falhei em muitas coisas, Sarada. – O moreno se levantou e passou a mão pelos cabelos negros da filha. – Mas eu peço que pense nisso. Por mais que você seja boa, ainda assim corre muitos riscos e eu não quero que algo de ruim aconteça com você.

— Você se preocupa comigo?

— Sarada, esse é o meu jeito. Não tenho culpa se parece que eu não me preocupo com você, mas me preocupo e não quero você correndo riscos desnecessários. – Explicou. – Seu avô te usa pra fazer entregas, um trabalho que nenhum Uchiha deve fazer. Aquele velho desgraçado só te usa pra me atingir, Sarada! Ele te colocou contra mim durante a vida inteira, será que você não vê?

— Não fala assim do meu avô. – Vociferou. – Ele esteve lá pra mim quando você não estava.

— Eu admito que errei com você. Mas seu avô também errou e, ao contrário dele, eu nunca te usei pra benefício próprio. – Sarada permaneceu em silêncio, digerindo o que Sasuke havia dito. – Pensa nisso.

Dito isso, Sasuke virou as costas e saiu do quarto da filha, deixando a adolescente sozinha com seus pensamentos.

— E se Sasuke tiver razão? – Perguntou para si mesma, deitando sua cabeça no travesseiro. – Será?

Aquilo colocou uma pulga atrás da orelha de Sarada. Definitivamente, Sarada tinha que conversar com seu avô o mais rápido possível.

Sair da máfia e cursar medicina? Poderia ser uma opção.

[...]

Toská, Rússia

15 de março de 2016

09:11 A.M.

Hinata já estava impaciente. Estava na sala do delegado, acompanhada do mesmo e de Ino, que tinha em mãos uma pasta. Estavam esperando Hidan e Kakuzu. Hidan havia convocado o grupo por dizer que tinha alguns fatos para mostrar. Era a primeira vez em dias que tinham alguma novidade do caso.

Na opinião de Hinata, os Uchiha estavam mais recatados para que pudessem se esconder, mas ela estava na frente deles e logo conseguiria acabar com aquela máfia.

Finalmente ouviram batidas na porta e Shikamaru mandou entrar.

— Está atrasado! – A morena esbravejou.

— Hinata, acalme-se! – O Nara a repreendeu.

— Desculpa, eu não gosto de atrasos... – Murmurou.

— Bom dia! – Hidan falou e dirigiu-se até a mesa e pôs alguns papéis sobre ela. – Bem... No dia que o senhor nos chamou e nos falou do caso dos Uchiha, nós... – Apontou para si mesmo, Ino e Kakuzu. – Discutimos um pouco sobre as ideias da invest... Agente Hyuuga. – Hinata franziu o cenho, voltara para a polícia, mas não podia ser investigadora logo de cara, fora reduzida para agente. – Notamos alguns furos em suas ideias e resolvemos, antes de tudo, investigar a fundo as demais possibilidades para sabermos se os Uchiha são mesmo suspeitos.

— É claro que são! – A Hyuuga cerrou a mão em punho, mas sua voz não estava alterada.

Shikamaru franziu o cenho. Estava ao lado de Hinata, acreditava veemente que os Uchiha eram criminosos de alto nível. Estranhou o fato de haver provas contrárias.

— Sim, é o que aparentam. Mas... – Pegou alguns papeis que trouxera consigo. – Primeiramente, tiramos a limpo a história do sequestro de Haruka Haruno há 18 anos. Conhecida hoje em dia como Sarada Uchiha. É verdade que são a mesma pessoa. Procuramos provas de que foram os Uchiha que a sequestraram, afinal, hoje em dia a menina está com eles. Porém, apesar das suspeitas, os Uchiha não foram responsáveis pelo sequestro.

— O quê? – Hinata perguntou surpresa.

O Nara estava surpreso também, mas resolveu ouvir o que ele tinham a dizer.

— A história começa no atentado de 24 de junho de 1997...

— A morte de Izuna Uchiha? – Shikamaru ergueu uma sobrancelha.

— Exatamente. Havia alguns sócios dos Uchiha insatisfeitos pela família estar subindo no poder, tornando-se referência na política e estes sócios não estavam recebendo nada a mais, permaneciam na mesma. Eles eram Nagato e Sasori Akasuna.

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— Nós conhecemos essa história. Eles causaram uma explosão no prédio onde se encontrava o escritório de Izuna, tirando a vida de 19 pessoas, incluindo o Uchiha, e deixando mais 10 feridos. – Hinata completou. – O que isso tem a ver?

— Os dois culpados conseguiram se esconder por um tempo. Mas eles ainda queriam vingança contra os Uchiha, na época, Madara Uchiha, atual deputado da Duma Federal, estava começando a ascender na carreira política. Ele tinha uma visão promissora do futuro, tinha bons planos para Toská, unindo suas qualidades à atenção que recebeu pela morte do irmão, ele manteve a ordem na cidade. Mas, apesar dos benefícios, ele também foi visto como alvo de Sasori e Nagato...

— Ainda não entendi o que tem a ver com o sequestro de Haruka Haruno. – Hinata interrompeu o albino.

— Tem a ver com as fotos que me pediu para procurar, não é? – Ino começou. – Konan, namorada de Itachi Uchiha na época. Na verdade ela apenas fingia, para conseguir informações para Nagato.

— Exatamente. – Hidan prosseguiu. – Você conseguiu?

— Sim. – Dito isso, a loira abriu pasta que tinha em mãos e mostrou algumas fotos que conseguiu de revistas e jornais da época.

As fotos se tratavam de Itachi acompanhado de Konan e algumas fotos dela acompanhando Nagato e Sasori, bem como uma onde os Uchiha e os Akusuna estavam juntos.

— Konan conseguiu informações da data de nascimento de Sarada com Itachi...

— Como os Uchiha sabiam? Haruka Haruno nasceu prematura e, supostamente, Sakura Haruno não mantinha contato com os Uchiha. – Shikamaru falou.

— Mikoto Uchiha cuidava dela em silêncio.

— Como sabe? – O delegado questionou novamente.

— Testemunhas da pensão onde ela estava hospedada, conseguimos contatar algumas. – Hidan respondeu.

— Mikoto sabia e mantinha a família atualizada. Konan passava tudo isso para Nagato e Sasori.

— Mas o caso nunca foi resolvido, não há evidências no hospital, não há filmagem, nenhuma testemunha. Não há como culpar ninguém. Tudo que podiam fazer era supor, mas nunca provar. – Ino falou. – Não dá para afirmar que foram eles, Hidan.

— Aí é que está! Sempre procuraram provas no hospital, qualquer vestígio, mas nunca pensaram em investigar a família Uchiha. Apenas agora resolveram investigar, por razões distintas, mas que envolve este caso antigo. – O albino separou mais alguns papéis e espalhou sobre a mesa.

Hinata olhou atentamente, vendo que se tratava de extratos bancários, comprovantes de saque de grandes quantias de dinheiro, bem como depósito da mesma quantia.

— O que é isso? – Perguntou.

— Provas de que houve algum tipo de negociação entre os Uchiha e Nagato. – Hidan respondeu. – Olhe a data.

— 07 de agosto de 1997. – A Hyuuga leu.

— Cinco dias depois do nascimento de Haruka, quatro dias depois do sequestro. Dois dias antes... – Ele fez uma pausa enquanto procurava outra folha entre os papeis. Assim que a encontrou, entregou nas mãos de Hinata. – Da emissão do registro de nascimento de Sarada Uchiha.

Hinata tremia, em seu pensamento apenas tentava encontrar brechas para desdizer tudo aquilo. Encontrar provas naquela história de que Hidan estava errado, que os culpados eram os Uchiha.

— Por que eles nunca reportaram isto à polícia? – Hinata o olhou em fúria.

— Se sua filha estivesse nas mãos de criminosos que, anteriormente, mataram outro membro de sua família, você agiria impulsivamente? Sabendo que corre o risco de perder sua filha? – Kakuzu questionou seriamente. – Eu entendo que os Uchiha não reportaram para manter a vida da Haruka... Ou Sarada.

Hinata estremeceu, ela se encontrava exatamente naquela situação. Será que havia sido um erro pedir proteção a Shikamaru?

— E como a Haruno não sabia disso? – Shikamaru questionou.

— Ela era uma criança... – A Yamanaka estremeceu. – Não acho que os Uchiha queriam meter uma criança no meio disso tudo.

— Mas e depois? – Hinata perguntou. – Por que ela nunca soube?

— Como você mesma falou, agente Hyuuga, Sakura Haruno foi para a Holanda e acabou, meio que, sumindo do mapa. Talvez os Uchiha não tenham conseguido entrar em contato, mas agora ela está com eles, não é? – O albino respondeu.

— Shikamaru... – A morena virou-se para o chefe.

O moreno analisava cada documento mostrado, tudo fazia sentido, com aquilo, não dava para incriminar os Uchiha. Pelo menos do sequestro de Haruka Haruno eles eram inocentes. Mas ainda havia muito a investigar.

— No dia 19 do mesmo mês, Nagato, Sasori e Konan foram presos, sob a acusação de atentado contra a vida de figura de Estado e genocídio. Os três foram levados ao corredor da morte e tiveram sua pena cumprida três anos depois. – Hidan informou.

— Então não há como interrogar nenhum dos três? – Hinata indagou.

— Infelizmente, não.

— Mas podemos ter os testemunhos dos Uchiha. – Ino sugeriu.

Hinata sentiu um arrepio correr por sua espinha. Era uma oportunidade de pegá-los mentindo, porém eles saberiam que voltaram a investigá-los. Sua família estaria mais suscetível a ser atacada.

“Os guardas de Shikamaru são eficientes, eles estão seguros”, pensou e suspirou, tratando de se tranquilizar.