Notas iniciais
Mais uma vez postando no início do dia e, mais uma vez, não se acostumem hahahah Capítulo gigante, há muito o que aproveitar u.u Enfim, vamos ao capítulo.

Toská, Rússia

27 de fevereiro de 2016

06:12 A.M.

Ela já sabia o endereço de Izanami graças a Karin, agora precisava de um pretexto para se aproximar dela.

Já tinha passado naquela rua algumas vezes, estrategicamente, e viu que Izanami tem o hábito de fazer caminhadas pela manhã.

Fazia bastante frio pela manhã em Toská, mas é claro que uma corrida consegue esquentar qualquer um, sem falar que faz bem para a saúde.

Com uma calça de moletom preta, blusa cinza de mangas compridas, tênis esportivos e o cabelo amarrado por um rabo de cavalo, Hinata observava de longe enquanto a rua permanecia vazia, mas logo apareceu a figura de uma mulher com os cabelos rosados presos por um coque mal feito, vestida com uma calça de moletom vermelha, blusa branca de mangas compridas e tênis esportivos da cor branca.

Com uma garrafa de água na mão, Izanami foi fazer seus exercícios matinais, então, quando ela já estava dando a segunda volta na rua, Hinata apareceu, como que por coincidência, e começou a caminhar perto da rosada que nem notou sua presença.

Caminhou um pouco mais rápido e a alcançou, ficando ao seu lado, mas Izanami estava mais concentrada na música que escutava com os fones de ouvido do que com o mundo a sua volta.

Sem falar que muitas pessoas costumam fazer caminhada pela manhã, mesmo que com a baixa temperatura, então ela não estranharia uma mulher caminhando ao seu lado.

Para chamar a atenção da rosada ao seu lado, Hinata fingiu uma queda e foi estrategicamente de encontro ao chão. Izanami levou um susto e é claro que foi ajudar a mulher a se levantar.

— Você está bem? – Izanami indagou preocupada enquanto Hinata se recompunha após a queda.

— Eu pisei em falso... – Comentou sem graça. – Nossa, que desastrada eu sou.

— Acontece. – A rosada tirou os fones de ouvido para poder ouvir melhor o que Hinata dizia. – Você se machucou?

— Não, foi só um susto. – Hinata levou o dedo indicador até o queixo e olhou para Izanami como se a analisasse, o que fez a rosada ficar um pouco incomodada. – Perdão pela intromissão, mas você é namorada de Sasuke Uchiha?

— Sasuke? – Ela não escondeu a surpresa diante daquela pergunta. – Por que a pergunta?

— Ah, é que meu filho é namorado da filha dele e alguém comentou que viu o Sasuke na casa noturna com uma mulher dos cabelos pintados de rosa. – Comentou como quem não quer nada e Izanami arregalou os olhos, completamente surpresa.

— Como? – Ela estava pasma, ainda processando o que havia acabado de ouvir.

— É que ele é um homem muito conhecido, essas notícias correm... Bem, perdão se fui intrometida.

— Não é isso... – Balançou a cabeça em sinal negativo. – Você disse "filha"?

A reação de Izanami deixou Hinata um pouco confusa. A mulher parecia incrédula diante de uma informação que ela deveria saber caso tivesse algum tipo de relacionamento com o Uchiha.

— Sim, a Sarada. — Contou.

— A Sarada é filha do Sasuke? – Perguntou lentamente, ainda processando a informação. A rosada levou a mão até o coração, sentindo sua respiração falhar por alguns segundos. – Eles não são irmãos?

— Irmãos? – Hinata não conteve um riso. – Sei que parece, já que o Sasuke é muito novo, mas é porque o Sasuke foi pai aos quinze anos. Pensei que você soubesse disso...

— Quinze anos? – Lágrimas brotaram nos olhos de Izanami e Hinata ficou confusa com tal reação. A rosada respirava devagar e, por um instante, era como se seu mundo tivesse parado. – Haruka... – Sussurrou.

— Desculpa, o que você disse? – Questionou confusa a mulher.

— Não é nada. – Izanami, mais do que depressa, limpou as lágrimas que havia deixado cair. – Eu... Eu... Eu preciso ir.

Sem dar maiores explicações, a rosada virou as costas e saiu correndo em direção à sua casa, deixando uma Hinata sem respostas e ainda mais confusa.

O caminho até sua casa pareceu mais difícil. Não conseguia respirar direito. O Elevador fora um sufoco. Os outros moradores a olhavam estranho. Mas finalmente chegou ao seu apartamento.

A mulher correu para seu quarto, fechou a porta com força e se sentou no chão mesmo, deixando mais lágrimas rolarem agora que estava sozinha.

Por que ela ainda não havia pensado nisso?

Passaram-se quase dezenove anos desde que sua vida virou de cabeça para baixo... Gravidez indesejada, abandono do rapaz que a engravidou, abandono de seus pais, complicações no parto, sequestro da filha... Ela passou por muita coisa.

Haruka fora dada como morta pela polícia, tempos depois do sequestro. E era isso mesmo que pensava: que Haruka estivesse morta ou, até mesmo, que tivesse sido vendida para alguma família rica que a levaria para bem longe dali. Enfim, por que alguém sequestraria um recém-nascido?

Sasuke havia sumido sem deixar rastros logo após dizer para ela que iria conversar com a família sobre a criança. Ele não tinha deixado nem mesmo um número de telefone ou endereço... Nada. Era como se ele nunca tivesse existido.

A raiva que Izanami tinha de Sasuke era devido ao abandono, mas agora tinha outro motivo. Jamais passou pela cabeça da rosada que o Uchiha estivesse diretamente envolvido com o sequestro de Haruka, mas ela estava errada, uma vez que a garota estava com ele.

Que tipo de monstro faz isso? Que tipo de monstro tira uma filha recém-nascida dos braços da própria mãe?

Sasuke... Ele foi o culpado por todo sofrimento que Izanami passou desde que ficou grávida pouco antes de completar quinze anos, tudo por causa de um descuido.

— Sarada... – A mulher sussurrou aos prantos, ainda chocada com a descoberta. – Haruka... Minha filha... Você estava ao meu lado e eu nem percebi.

A garota é a versão feminina do Uchiha, sem falar que sequer o respeita, tampouco o chama de pai. Como Izanami iria desconfiar que ela é filha de Sasuke? Sua filha...

Se ela estava feliz? Óbvio! Já tinha perdido há muito tempo as esperanças de encontrar Haruka e, de repente, a encontra crescida, bonita e atendendo por Sarada.

Sim, realmente Izanami estava feliz por isso, mas não sabia como agiria agora que a verdade havia sido jogada em sua cara.

Ou melhor, não sabia como agiria em relação à Sarada, porque com relação ao Uchiha ela já sabia como agir há tempos... Claro, agora só tinha mais um motivo para se vingar.

Devia se manter focada em seu objetivo, afinal, ela não voltou para a Rússia à toa. Não estava naquele Casino, naquela noite, à toa, só não esperou que reencontrar com Sasuke fosse ser tão fácil, que aconteceria da maneira mais natural possível.

Ela, viúva de um holandês riquíssimo, não estava fingindo ser uma acompanhante de luxo à toa. Ela não precisava do dinheiro que Sasuke lhe dava em troca de sexo.

A mulher estava disposta a conquistar sua filha e se vingar do Uchiha, mas não podia deixar transparecer que já estava ciente de tudo. Teve sorte de Sasuke não tê-la reconhecido.

A cada encontro que terminava na cama, ela precisava controlar sua vontade de matá-lo com as próprias mãos.

Sasuke não perdia por esperar, mas, para que tudo desse certo, não poderia saber que Izanami Van der Bilt é, na verdade, Sakura Haruno.

[...]

Toská, Rússia

28 de fevereiro de 2016

08:49 A.M.

Como todos os domingos, aquele era um dia cansativo e tedioso. Onde ninguém sente vontade de se levantar da cama a menos que seja obrigado.

Mas Hinata e seu chefe, Shikamaru, são espertos exatamente por usarem esta lógica. Esse dia da semana é o que as pessoas menos saem. Consequente e muito provavelmente, Sasuke estava em casa.

Ótimo momento para fazer uso do mandado de apreensão e prisão.

A campainha da casa Uchiha fora tocada pela Hyuuga. Demorou um pouco para atender, mas logo Sasuke apareceu.

— Com licença. – Hinata entrou na casa do moreno juntamente com outros três rapazes, Kiba, Hidan e Kakuzu, e mais o seu chefe.

— ... À vontade. – Deu de ombros, visto que a mulher em sua frente já havia entrado. – Que surpresa agradável. Se tivesse me dito que viria me fazer uma visita teria preparado um café da manhã...

— Minha visita tem um motivo em especial. – Sem demora, Hinata apresentou um mandado de busca para o rapaz a sua frente.

Sasuke encarou o papel surpreso e coçou a nuca após dar um longo suspiro.

— Se as armas em questão forem encontradas, temos total direito de lhe prender por justa causa. – O Nara se pronunciou.

— De acordo.

— Hidan, Kakuzu, Inuzuka, vasculhem a casa inteira. Estamos procurando por uma Glock 42, uma P220 Elite e uma Desert Eagle.

Os rapazes acataram a ordem de seu superior, colocaram suas luvas e começaram a procurar em todos os cantos possíveis. Desde a cozinha até os quartos.

— Hinata, fique de olho no Uchiha. – Sussurrou para sua colega e começou a inspecionar ali mesmo, na sala.

— Entendido.

Era comum, durante a realização de algum mandado de preensão, o suspeito fugir. Por isso alguns policiais sempre estavam por perto para abordá-lo e impedir a fuga.

No entanto, Sasuke se mostrava bastante tranquilo. Até demais para a opinião da Hyuuga.

O silêncio durou por muitos minutos até que o Uchiha decidiu puxar um assunto.

— Desculpe a pergunta, mas... – Sasuke olhou para a morena ao seu lado desconfiado. – Por que acha que essas armas estariam aqui?

— Eu sigo apenas as provas, e elas apontam para cá. – Manteve a postura firme.

— E você acha que as provas estão certas? Quero dizer... Somos quase da mesma família e... – Foi interrompido.

— Olha, eu não sei o que você entende sobre "família", mas eu honro a minha. E posso dizer claramente que você não faz parte dela. – Simples, curta e direta. Sem a mínima intenção de ser gentil.

Sasuke sorriu em escárnio, mas tratou de disfarçar.

— Sugiro que afaste seu filho da Sarada.

— Digo o mesmo sobre sua filha. – Replicou ela.

O Nara estreitou os olhos e se aproximou da Hyuuga, cutucando-a disfarçadamente. Anos trabalhando juntos, que a mulher aprendeu a interpretar o olhar de seu patrão.

Ela sabia que ele queria entender que conversa era aquela de "família", afinal, Shikamaru não sabia que eles tinham relações.

— Depois eu explico. – Murmurou baixinho.

Iria falar algo, mas foi impedido assim que um de seus companheiros apareceram.

— Hinata. – Kiba, o rapaz das tatuagens vermelhas no rosto, chamou sua superior com uma arma em mãos.

A morena se aproximou enquanto colocava suas luvas e tomou o objeto das mãos do homem.

Analisou com cuidado. Não era nenhuma daquelas que procurava. Esta era uma USP Compact .45 Auto.

— Apenas essa? – Indagou.

— Não encontramos mais nada. – Kakuzu se aproximou de mãos vazias.

— Senhor Uchiha, devo ressaltar que este tipo de arma é ilegal? – Mostrou o instrumento para o moreno.

— Não, eu já sei. Mas não é ilegal se eu tenho autorização. – Devolveu em mesmo tom.

— E onde está a sua autorização? – Replicou.

— De fato, ele tem autorização... – Shikamaru suspirou.

O delegado, que inspecionava a sala, estava em frente à gaveta aberta de um pequeno móvel ao lado do sofá, segurando um papel muito bem conservado que mostrava a permissão do Uchiha para porte legal de arma, com assinatura da capital do país russo.

Hinata travou o maxilar e franziu o cenho. Um pequeno sorriso de canto se formou nos lábios do mais novo.

— Acho que isso comprova tudo. Eu não tenho nada a esconder da polícia. Mas fico profundamente chateado que tenham vindo me acusar de algo sem provas reais. – Em seu tom havia indignação e decepção. – Gostaria de chamar meu advogado e rever os meus direitos.

— Não será necessário. – Disse Nara. – Peço perdão pelo incômodo.

O chefe olhou seriamente para Hinata e depois soltou um suspiro.

— Hidan, Kakuzu e Inuzuka, me acompanhem. – Disse se retirando.

A Hyuuga fora deixada a sós com o Uchiha. Em seus olhares, completos sarcasmo e revolta.

— Eu disse, Hinata, que se não confiasse em mim poderia vir conferir por si mesma. – Sorriu debochado. – Satisfeita?

A morena cerrou o punho, estava furiosa. E agora tinha a certeza que Sasuke não era uma pessoa comum.

— Você apenas se iludiu pensando que eu era algum tipo de criminoso apenas para me afastar de seu filho. Não acha que já passou da idade de ser uma mãe ciumenta?

— Ao invés de se preocupar como eu ajo diante de meus filhos, deveria aprender a ser um pai melhor para sua filha. Ao contrário de você, eu sei educar meus filhos para que sigam um caminho de bem e não tirem a vida das pessoas. Você não acha que já passou da hora de ser alguém responsável? – Devolveu com ironia.

— Isso é problema meu.

— Não me importa os seus problemas. Só peço que afaste sua filha do meu, ou eu terei de tomar medidas drásticas.

— Acha que pode me ameaçar, Hyuuga?

— Não acho. Tenho certeza. – Sorriu. – Eu sempre consigo o que quero, Uchiha. E o que eu mais quero agora é ver você e sua filha atrás das grades.

— Mas é como diz o velho ditado: Querer não é poder.

— Veremos se é mesmo verdade. – O desafiou. – Experimenta para ver.

"Mal posso esperar...", pensou o moreno.

Ele já havia arquitetado um plano em sua mente contra Karin. Mas precisava ser cuidadoso com a Hinata. Afinal, ela já sabia de tudo.

— Saiba que ainda tenho o direito de lhe revistar. – Hinata avisou. As armas tinham que estar com ele. Pistolas não somem assim.

Sasuke arqueou uma sobrancelha, sorrindo de canto, debochado.

— Como quiser. – Esticou os braços.

— De costas com as mãos na parede. – Hinata ordenou.

Sasuke fez o que lhe foi pedido, começando a sentir as pequenas mãos da Hyuuga nas laterais de seu tronco. Apesar da situação ser constrangedora e esmagar seu orgulho, confessava estar ansioso para ver novamente as expressões da mulher. A vontade que ela tinha de vê-lo preso era quase palpável e ver ela quebrando a cara era hilário.

— O seu marido não vai gostar de saber que a esposinha dele anda apalpando homens por aí. – Debochou.

Sentiu o toque ficar mais pesado. Tinha que controlar essa língua, mas era simplesmente impossível.

— Não estou apalpando ninguém. – Comentou indiferente. – Isto é apenas um procedimento policial. – Retrucou. – Não pense que sou como as mulheres com quem deve sair. – Agiu como se não soubesse de nada, afinal, ele não poderia nem sonhar que estava sendo investigado.

O Uchiha fez uma cara falsa de dor.

— Não aperte tanto. Isso é abuso de autoridade, vulgo, poder. – Falou dando ênfase à palavra “abuso”.

Hinata fez uma careta com o duplo sentido naquela palavra.

— Confesso que você realmente está abusando da minha paciência. – Hinata rebateu.

— Opa, cuidando aí embaixo. – Brigou com um pouco de sarcasmo na voz ao sentir as mãos dela em sua coxa direita, passando por toda a sua perna.

Hinata revirou os olhos. Esse cara era realmente nojento, não gostava nem um pouco dele.

Nunca sentiu tanta insatisfação na vida do que no momento em que terminou de revistar o homem e não encontrou nada. Estava quase entrando no desespero, mas se controlou. A vontade que tinha era de mandar o Uchiha tirar a calça imediatamente. As armas tinhas que estar em algum lugar!

— Já se convenceu de que está apenas perdendo seu tempo tentando me incriminar? – Sasuke perguntou, virando-se para Hinata, cruzando os braços.

— Eu não confio em você, Uchiha. Eu não vou descansar enquanto não colocar você e a sua filha na cadeia. – Falou.

Sasuke bufou, começando a se irritar.

— Seria melhor você parar de se meter onde não é chamada. E acho bom se afastar da minha filha.

— Não se preocupe, ela estará distante de todo mundo quando estiver presa. – A mulher sorriu, fazendo Sasuke soltar um riso anasalado.

— Sabe, sem querer ameaçar nem nada, mas... Mortos não falam. – Deu de ombros.

Hinata estreitou os olhos.

— Isto é uma ameaça? – Cruzou os braços.

— O que? Que isso, imagina. Como eu disse antes, não estou ameaçando ninguém. Isto é apenas um aviso, algo amigável. Quem sou eu para ameaçar pessoas? Você está ficando paranoica, Hyuuga. É feio distorcer as palavras dos outros.

— O jeito que eu fico ou deixo de ficar diz respeito apenas a mim e minha família. – Travou o maxilar. – E você é muito cínico.

— Estou quase ficando magoado. – Sorriu de canto. – Bem, agora saia. – Apontou para a porta. – Creio que não há mais motivos para você ficar me importunando em pleno domingo de manhã.

Só ela e Deus sabiam a imensa raiva que sentia do moreno naquele momento. Saiu da residência, contrariada. Não entendia mais nada.

[...]

Ela estava um pouco receosa quando seu chefe, Shikamaru, a chamou para sua sala assim que voltaram para a delegacia. Ele ficou bastante decepcionado por causa da apreensão na casa do Uchiha, que foi um fiasco.

Entrou na sala após bater na porta. Quando visualizou o rosto do Nara, notou que ele realmente não estava nada satisfeito. Mas também, quem estaria?

Suspirou, fechando a porta atrás de si e aproximou-se da mesa.

— Olha Shikamaru, eu... Eu não entendo. – Começou a falar antes que o chefe abrisse a boca. – Eu sei que... Eu tenho certeza absoluta de que tinha; tinha não, tem! – Disse com convicção. – Tem armas ilegais naquela casa. – Apoiou as mãos na mesa. – Você sabe que meu instinto nunca esteve errado. E eu sinto que aqueles... Uchiha. – Disse o sobrenome com desgosto. – Bem, minha intuição diz que aquela família é barra pesada. Eles não prestam, entende o que eu digo? – Olhou firme para o moreno a sua frente e sentou-se em uma das cadeiras, esperando uma resposta.

Um pequeno silêncio se instaurou no local.

— Hinata... – Se pronunciou. – Você sabe que eu prezo muito a nossa amizade e que você é a minha melhor investigadora, mas espero que esteja ciente de que um mandado de prisão é algo muito sério. Precisa ter certeza absoluta das provas.

— Esse é o X da questão, Shikamaru! Eu tive provas suficientes para pedir esse mandado. A Karin, ela... – Foi interrompida.

— A Karin? Ela também faz parte disso? – Arqueou uma sobrancelha. – Pensei que ela tinha apenas tido um encontro casual com o Uchiha. – Suspirou, balançando a cabeça em desapontamento. – Duas das minhas melhores investigadoras...

Hinata lembrou que a investigação de Karin era algo pessoal, e não oficial. Não poderia prejudicar a cunhada que tanto lhe ajudou.

— Ela me disse que eu deveria suspeitar menos das pessoas. Mas não dei ouvidos. – Mentiu. Odiava fazer isso, mas era por um bem maior. – Apesar disso, acredite em mim, Shikamaru. Eu sei o que eu digo.

— Sabe o que está correndo por aí? – Perguntou calmamente. – Que você cismou com os Uchiha simplesmente porque o seu filho namora uma. Eu juro, juro que quero acreditar que isso não é verdade, mas não vejo outra explicação para isso.

— Shikamaru, você vai ver que eu tenho razão. Irei provar isso para você. – Sorriu confiante.

— Sinto muito. – Suspirou – Você não sabe o tamanho da minha tristeza ao ter que fazer isso. Mas eu preciso, entende?

— Como assim...? – Perguntou, temendo o que estava por vir.

— Eu não gostaria que isso acontecesse. Mas tenho que ser justo, compreende? – Disse, vendo a outra assentir. Ela tinha certeza do que ele estava prestes a fazer. Shikamaru se levantou, e Hinata fez o mesmo. – Hinata Hyuuga, estou tomando o seu distintivo e o seu direito de porte legal de arma de fogo. Coloque as coisas em cima de minha mesa; você está, por tempo indeterminado, afastada da polícia. – Shikamaru disse tudo com pesar. Além de ótima policial, Hinata é uma grande amiga. Mas regras são regras e se elas existem precisam ser cumpridas.

— Sim senhor. – Ela disse firme, guardando a vontade de chorar para quando estivesse sozinha em sua casa. A polícia era sua vida, o emprego de seus sonhos, e agora isso foi tomado de si.

Respirou fundo enquanto colocava seu distintivo e sua arma em cima da mesa do Nara. Doía ver aquilo indo para outra gaveta sem ser a sua.

— Fique bem. – Shikamaru disse.

— Obrigada... – Inspirou. – Por tudo. – Ainda meio atordoada, caminhou para fora daquele local.

Aquele Uchiha ia pagar por isso. Ela ainda o veria atrás das grades e teria o prazer de dizer que o “jogo virou”. Porque é como diz o ditado: A justiça tarda mas não falha.

[...]

Toská, Rússia

28 de fevereiro de 2016

09:41 A.M.

Sasuke estava realmente furioso e não adiaria mais esse momento. Precisava ter uma conversa definitiva com Fugaku.

Claro, não era somente a humilhação de ter policiais entrando em sua casa para revistar tudo, mas também o fato de que da próxima vez ele pode não se safar.

O infiltrado que Madara colocou na polícia foi realmente muito útil, caso contrário Sasuke e Sarada poderiam ter sido presos, já que as armas são tudo, menos legais.

Chegou na casa dos pais e já foi andando direto para o escritório do patriarca, ignorando completamente a mulher que o colocou no mundo e que foi cumprimentá-lo... Falar com Mikoto poderia ficar para depois, primeiro Sasuke tinha assuntos para tratar com Fugaku.

O mais velho até se espantou quando seu filho apareceu ali, mas demonstrou-se indiferente ao ver quem era a pessoa que entrava no seu escritório de maneira tão discreta quanto um elefante.

— O que quer aqui? – Indagou o Uchiha mais velho enquanto fitava a tela do notebook aberto sobre a mesa.

— Eu quero, ou melhor, eu exijo que você afaste a Sarada da Amaterasu de uma vez por todas! – Falou num tom de voz bastante alterado, batendo com força a porta de madeira atrás de si.

— Você exige? – Fugaku questionou com deboche, arqueando uma sobrancelha. – Quem você pensa que é pra exigir alguma coisa, Sasuke?

— O pai dela.

Fugaku riu quando Sasuke proferiu tais palavras, visto o quanto foi ausente na vida da filha.

— Tudo bem... – Falou sarcástico, o que deixou Sasuke ainda mais furioso.

— Isso não estaria acontecendo se Sarada não tivesse matado o Kisame! – Ele bateu na mesa com força. – Agora tem uma policial na minha cola, suspeitando de nós. Hoje foram lá na minha casa e revistaram tudo, procurando armas.

— E você culpa a Sarada por isso? – Sorriu de canto. – Quem é mesmo que estava levando uma policial pra cama?

— Não se preocupe com ela. – Sasuke falou convicto e Fugaku murmurou um "Acho bom". – Mas o gatilho dessa história toda foi a morte do Kisame!

— Sarada, apesar de ser mulher e ainda com a pouca idade, demonstra ter mais talento que você. Admita, Sasuke, a garota tem um futuro promissor aqui dentro... – Ele sorriu para provocar o filho. Não seriam as palavras de Madara, dias atrás, que o fariam se rebaixar ao filho. – Pode ser até que ela assuma meu lugar um dia.

— Nunca! – Bradou o mais novo. – Velho maldito, você criou minha filha pra ser uma mafiosa tão baixa quanto você!

— Ah, encontramos o X da questão. – O homem riu, arqueando as sobrancelhas. – Eu criei a Sarada.

— As coisas poderiam ter sido diferentes e você sabe disso!

— Diferentes como, Sasuke? Você sempre foi um moleque imaturo, não negue isso.

— Poderiam ter sido diferentes se você não tivesse me obrigado a ir para aquele colégio interno por três anos. – Acusou o moreno. – Poderiam ter sido diferentes se você não tivesse mandado tirarem a Sarada da mãe dela!

— Nunca mais repita isso! – Fugaku levantou de uma vez, apontando o dedo na cara do filho. – Nunca mais... – Falou pausadamente, demonstrando com o olhar toda a sua raiva. – Repita isso novamente... Nunca...

— Você sequestrou minha filha... – Ralhou entre dentes, deixando claro ao desafiar Fugaku que não o teme. – Monstro...

— Você fala como se eu fosse o único monstro por aqui. – Riu de forma cínica e voltou a sentar-se. – "Minha filha"... – Bufou. – Você diz que é pai só porque fez ela com uma vagabunda qualquer, mas não é pai de verdade. Ela sequer gosta de você... Sequer o respeita.

Sasuke, que sempre se mostra uma pessoa indiferente, abaixou o olhar por alguns segundos, o que fez Fugaku rir internamente.

As palavras machucavam...

— Eu admito que errei com ela. – Falou cabisbaixo e logo em seguida voltou o olhar para seu progenitor. – Mas já chega de tomar decisões erradas. Para o bem da Sarada, eu quero ela fora da Amaterasu.

— Acha que vai conseguir? – Indagou de maneira retórica. – Acha mesmo que a Sarada, sendo maior de idade, vai aceitar essa decisão? – O silêncio se instalou no cômodo por alguns segundos, logo em seguida Fugaku sorriu vitorioso. – Foi o que eu pensei.

— Mas...

— É mais fácil ela sair de casa. – Interrompeu o mais velho. – Afinal, ela tem como se manter muito bem.

Sasuke gelou por alguns segundos. Não conseguia nem pensar nessa possibilidade, mas também não estava gostando de ver sua filha envolvida com o crime organizado.

— Se alguma coisa de ruim acontecer com ela, seu desgraçado. – Sasuke falou num tom ameaçador, até Fugaku se surpreendeu com o ódio quase palpável do filho. – Eu acabo com a sua raça.

— Está me ameaçando? – Ele estreitou os olhos, então levantou-se lentamente, com as mãos apoiadas sobre a mesa.

— Estou! – Respondeu convicto.

— É pra rir? – Provocou da forma mais cínica possível, fazendo Sasuke cerrar os punhos de raiva. – A piada foi realmente ótima.

— Me provoca pra ver. – Sasuke apoiou ambas as mãos sobre a mesa, aproximando seu rosto do de Fugaku, falando de forma ameaçadora. – Você me subestima... Não sabe do que eu sou capaz. – Ele apontou o dedo para seu pai, o que deixou o mais velho extremamente furioso.

— Eu sei muito bem do que você é capaz, Sasuke! De fazer merda, porque é só isso que você sabe fazer. – Furioso com a atitude petulante do caçula, Fugaku segurou forte em seu pulso, apertando-o com força. – E você, moleque, nunca mais aponte o dedo na minha cara! – O mais velho bateu com força o pulso do filho contra a quina da mesa.

A dor foi grande, Sasuke inicialmente ficou sem reação, mas quis revidar para Fugaku soltá-lo. Antes que o Uchiha mais novo atacasse o próprio pai, Mikoto, que ouviu toda a gritaria, entrou no escritório desesperada.

— Parem com isso os dois! – Bradou a mulher, ficando no meio dos dois Uchiha que se afastaram. — Sasuke! – Olhou para o filho que estava com a mão esquerda sobre o pulso direito. – Fugaku, você machucou o Sasuke! – Virou-se furiosa para o marido.

— Deixa, mãe. – Ele falou com a voz arrastada, obviamente que sentia dor. – Não é a primeira vez que ele faz algo do tipo.

— E também não vai ser a última se você não parar de ser tão petulante! – Rosnou o mais velho.

— Chega! – Disse Mikoto. – Eu não aguento mais essas brigas de vocês. Não aguento mais!

— Então manda seu marido tirar minha filha de dentro da máfia. – Sasuke retrucou.

— Essa é a vontade dela, que já é maior de idade. – Respondeu Fugaku. – Para de fingir que é um pai de verdade, Sasuke. Sabemos que você nunca ligou para a Sarada, quer que ela saia da Amaterasu unicamente para me contrariar.

— Você colocou ela na Amaterasu porque sabe que eu sempre fui contra! – Sasuke aumentou o tom de voz e Mikoto percebeu que, se não fizesse algo, uma nova discussão surgiria.

— Sasuke! – A matriarca virou-se para o filho caçula. – Para de dar murro em ponta de faca. O melhor que você pode fazer agora é ir para um hospital.

Sasuke suspirou, então olhou para seu pulso que mal conseguia mover devido à dor.

Com certeza aquilo precisaria ser imobilizado por um tempo.

— Tudo bem... – Assentiu mesmo que contra a sua vontade, depois encarou seu pai com o olhar feroz. – Não esqueça do que eu disse: Se alguma coisa acontecer com a Sarada, você não perde por esperar.

Dito isso, o moreno virou as costas e foi embora.

O Uchiha foi dirigindo com dificuldade até sua casa, pelo menos o pulso machucado foi o direito, ainda assim foi ruim ter que dirigir com o pulso machucado.

O hospital fica um pouquinho longe, então Sasuke preferiu ir para a sua casa e esperar um pouco até a dor passar.

— Merda! – Praguejou ao sair de seu Audi S8, ele mal conseguia mover a mão. – Velho maldito!

Entrou em casa ainda com dor, bateu a porta com força por causa da raiva e se jogou no sofá.

Levou a mão esquerda até a testa, bagunçando os fios de cabelo que estavam caídos sobre ela, então soltou um longo suspiro.

Estava tremendo de raiva, não sabia nem o que pensar direito.

— Quer quebrar a porta, é? – A voz de Sarada chamou a atenção do moreno. A menina havia escutado o barulho da porta sendo batida com força e foi olhar o que tinha acontecido.

— Não enche! – Bufou, sentando-se com uma almofada apoiada nas costas. – Não tô num dia bom. Onde estava? – Perguntou, já que Sarada não havia dormido em casa.

Sarada notou a expressão de dor no rosto de seu progenitor, assim como percebeu que ele segurava o pulso como se tentasse aliviar alguma dor.

— Você se machucou? – Perguntou, ignorando a pergunta do pai.

Sasuke até estranhou a preocupação da menina, mas talvez ela estivesse de bom humor naquele dia.

— Foi só uma torção. – Mentiu, pois não queria entrar em detalhes sobre o ocorrido com Sarada.

Talvez fosse melhor não falar para a filha sobre os últimos acontecimentos. Pelo menos por enquanto ela não precisava saber de nada.

— Nossa, que idiota! – A garota riu. – Como conseguiu torcer o pulso desse jeito? – Sarada tocou no local machucado e Sasuke resmungou. Com certeza aquilo estava bastante dolorido. – Isso foi feio mesmo, hein.

— Já vai passar.

— Para de se fazer de forte, Sasuke! – Repreendeu a morena. – Isso aí tá doendo, eu sei.

— Dane-se! – Deu de ombros, fazendo Sarada revirar os olhos.

A Uchiha deu as costas e foi até a cozinha, deixando Sasuke sozinho, mas logo depois, para a surpresa do homem, sua filha voltou com alguns cubos de gelo dentro de um pano.

— Me dá seu braço. – Ela praticamente ordenou, então Sasuke olhou meio surpreso, unindo as sobrancelhas. – Anda, me dá o braço.

— Quem é você e o que fez com a Sarada? – Questionou desconfiado, visto que a preocupação da menina era algo que chegava a ser estranho de se ver.

— Idiota! – Bufou, sentando-se ao lado de Sasuke no sofá antes de colocar o pano com gelo sobre o pulso machucado.

— Porra! – Deixou um palavrão escapar.

Aquilo era realmente ruim, estava dolorido, sem falar que Sarada não era a pessoa mais delicada do mundo.

— Frouxo. – Debochou.

— Não sou frouxo! – Sasuke falou meio desconcertado, pois nunca gostou de demonstrar fragilidade na frente de ninguém. – Mas isso está doendo demais.

— Você é muito mole. – Sarada sorriu divertida, o que fez Sasuke arregalar os olhos e sentir vontade de deixar aquela criatura ali e sair pelas ruas à procura de sua verdadeira filha... Desde quando Sarada Uchiha era uma pessoa simpática? – Precisa ir para o hospital, Sasuke. – Falou mais seriamente. – Isso precisa ser imobilizado.

— Não precisa. – Falou tranquilamente, mas por dentro chorava de dor. – Eu vou ficar bem.

— É pior do que criança. – Brigou. – Você não vai conseguir dirigir... – Ela se levantou e encarou o moreno que continuava sentado com o gelo sobre seu braço. – Vamos lá, eu te levo para o hospital.

Sasuke estava realmente surpreso, enquanto isso Sarada o olhava impaciente, como um pedido mudo para que ele se levantasse logo e fosse para o carro.

— Desde quando você se preocupa comigo? – Arqueou uma sobrancelha.

— Ué... – Ela ficou sem jeito, uma vez que há muito tempo não demonstrava algum tipo de sentimento bom para com seu pai. – Você está com dor. – Falou como se fosse óbvio. – Ninguém merece sentir dor, por isso acho que você deveria ir logo ao hospital.

O moreno concordou, embora não estivesse gostando muito da ideia de que Sarada estava dirigindo para levá-lo ao hospital, tampouco gostava de demonstrar fragilidade perto dela.

Sentia-se dependente, mas Sasuke é um ser humano, e seres humanos sentem dor.

Ele não quebrou nada, isso o aliviou após ver o resultado do raio X, mas, ainda assim, precisava usar um imobilizador por um tempo.

Como ainda não podia dirigir, Sarada foi novamente sua motorista na volta pra casa.

— Merda! – Bufou meio irritado, apoiando a cabeça no vidro do carro e quando sua filha dirigia.

— Você reclama demais! – Disse a adolescente. – Deveria agradecer por não ter quebrado nada.

— Ainda não sei por que você não me deixou lá sentindo dor... – Comentou.

— Não sou um monstro, Sasuke. – Olhou rapidamente para seu progenitor que estava com a cara amarrada como uma criança birrenta. – Ora essa, queria que eu fizesse pipoca, sentasse na sala e ficasse assistindo você sentir dor?

— Mais ou menos por aí... – Murmurou, fazendo Sarada sentir vontade de rir. Mas ela não riu.

— Idiota! – Balançou a cabeça em sinal negativo.

Com a cabeça apoiada no vidro da janela e o olhar voltado para a rua, Sasuke sorriu de canto. Sarada, mesmo que pouco, se preocupava com ele e isso estava claro após aquele acontecido. Ter sido machucado por Fugaku não pareceu mais algo tão ruim assim.

Pelo visto não era tarde demais para tentar se acertar com Sarada.

[...]

Toská, Rússia

28 de fevereiro de 2016

10:04 A.M.

Hinata chegou em casa frustrada. Não sabia como, mas Sasuke havia escondido as armas e conseguira permissão para porte de armas. Ele não era um criminoso comum. De alguma forma descobriu sobre o mandado.

— Droga! – Praguejou.

Ele armara aquilo. Armou para que fosse tido como inocente e armou para que ela fosse afastada da polícia.

Agora, mais do que nunca, queria ele longe de Boruto. Iria falar com o filho.

Como que tendo suas vontades ouvidas, Boruto desceu as escadas.

— Bom dia, mãe... – O loiro falou entre um bocejo.

— Bom dia... – Respondeu sem muita vontade.

O menino passou para a cozinha e Hinata permaneceu onde estava, pensando em como abordar o filho, o que poderia dizer a ele.

Boruto não demorou mais que dois minutos para voltar, ainda se espreguiçando. Foi apenas beber água.

— Boruto? – A mulher chamou.

— Hum? – Ele se virou e a encarou.

Ela respirou fundo, sabia o quanto o filho gostava de Sarada. Mas aquilo não poderia mais acontecer.

— Quero falar com você sobre um assunto um tanto quanto delicado. – Ela enrolou.

— Eu sei que devo usar camisinha, mãe. – Ele franziu o cenho.

Hinata arregalou os olhos, surpresa com o que acabara de ouvir.

— O-o que? – Balançou a cabeça afastando aquele assunto dos pensamentos, não podia perder o foco. – N-não é isso... É... É sobre a Sarada.

— O que tem ela? – O loiro se aproximou mais da mãe.

Hinata inspirou e expirou lentamente.

— Está proibido de continuar com esse relacionamento.

Boruto não compreendeu de início, mas depois sua expressão de dúvida tornou-se de raiva.

— O que? – Perguntou com indignação.

— Sarada vem de uma família... – Fez uma pausa procurando uma palavra mais leve do que “criminosa”. – Desestruturada. Não permitirei que ande com pessoas assim.

— O que? Você não pode fazer isso! – Gritou.

— Não só posso, como já estou fazendo. – Hinata foi fria.

— Ela é uma boa pessoa! O pai dela ser um idiota não quer dizer nada!

— Não levante a voz para mim! – Tinha que ser dura. – Ela sequer quis entrar na faculdade, não respeita o pai... Que respeito ela teria por você ou conosco?

— Ela é rica, vai herdar os negócios do pai... Isso não tem nada a ver com ela ser ou não uma boa pessoa! – Ele continuou gritando.

— Já disse para não levantar a voz! – A mulher falou mais alto desta vez.

— Eu gosto dela. Você não vai me impedir de vê-la.

— Não? – Hinata ergueu uma sobrancelha. – Bom, vai ficar sem mesada até entender que apenas quero o seu bem. Só poderá sair para a faculdade.

— O que? Por que isso de repente?

— A origem do dinheiro do pai dela é duvidosa.

— Você está se ouvindo? Você sempre desconfia de todo mundo! Será que dá pra parar?

— Já disse, é para o seu bem.

— Seria bom pra você ficar longe do papai?

— Boruto...

— Hein? Você tá me proibindo de ver a garota que eu gosto! Como isso pode ser bom?

— Boruto, eu sou sua mãe, não me questione!

— Os filhos sempre estão errados... – Ele bufou e cruzou os braços, desviando o olhar.

— Ei, que gritaria é essa? – Naruto desceu as escadas, pronto para ir ao restaurante.

— Ela me proibiu de ver a Sarada. – Boruto apontou para a mãe.

— O que? Por quê? – Estreitou os olhos para a mulher.

— Porque ela é paranoica, sempre desconfia de todo mundo. – Estreitou os olhos para a mãe.

— Eu não sou paranoica! – Ela olhou feio para o filho.

— É sim! Acho até que você pensa que vou usar minha réplica do Um Anel para controlar todo mundo!

— O que? – Perguntou desentendida.

— Chega! – Naruto gritou. – Vá para o seu quarto, Boruto!

— Mas...

— Pro quarto! – Apontou escada acima.

O mais novo bufou e foi para o quarto pisando duro, demostrando toda a sua raiva.

Naruto passou as mãos nos cabelos e Hinata se sentou, suspirando, ambos tentando manter a calma.

— O que significa isso? – O homem perguntou.

— Quero que ele mantenha distância dos Uchiha. – Murmurou.

— Não acredito que realmente acha que o Sasuke é uma má pessoa.

— Não acho, ele é!

— Só porque trabalha em um casino e em uma casa noturna? Você é investigadora criminal, sabe que não pode deduzir coisas sem ter provas. – Cruzou os braços.

— Ele tem uma arma...

— Ele é rico, você mesma sugeriu que tivesse uma!

— Ele é suspeito de assassinato...

Naruto prendeu a respiração por um segundo.

— Bem, isso muda um pouco minha opinião. – O loiro se sentou ao lado da esposa.

— Uma investigadora encontrou as armas do caso do Kisame e do caso de Deidara e Ayame.

— Ele foi preso?

— Não... De alguma maneira ele conseguiu esconder tudo e conseguiu permissão de porte de arma. Não sei como ele fez isso... Como ele descobriu sobre o mandado?

— Como essa investigadora descobriu isso? Ele pode ter desconfiado de algo. – Naruto observou.

— Ela é uma das melhores e...

O loiro a olhou assustado.

— Por um acaso essa investigadora não seria minha irmã, seria?

— Talvez...

— No que ela foi se meter?

— Estava em um encontro com ele, Naruto, relaxa... Não acho que ela tenha sido descuidada, tenho certeza que ele não desconfia dela. – Tentou acalmar o marido.

— Mas e a Sarada? Será que sabe disso? Ela sempre pareceu uma menina tão gentil...

— Sarada é a dona das armas do caso do Kisame. Ela é uma assassina, assim como o pai.

Naruto ficou em choque. Não esperava que uma garota tão jovem fosse culpada por assassinato.

— Boruto precisa saber disso. Sabe que ele não vai te obedecer se não der um motivo.

— Não é fácil falar para um jovem que a namorada dele é uma assassina. – Hinata suspirou.

— Eu sei, mas... Amor, ele não vai te obedecer... Ele vai continuar se encontrando com ela e vai correr risco de vida. Mais do que já correu desde que conheceu ela.

— É, eu sei...

— Amor...

— Droga! – Hinata praguejou, o interrompendo. – Eu pus todos vocês e perigo! Ele os conhece, sabe onde moramos, eu tentei prendê-lo. – Ela passou as mãos no rosto.

— Se ele é suspeito, deve estar na mira de vocês, teremos proteção. – Ele sorriu para tranquilizá-la.

Ela o olhou com culpa. Com tudo aquilo, esqueceu do detalhe de que havia sido afastada por integridade duvidosa e o Uchiha havia sido inocentado.

Naruto, notando o olhar de culpa da esposa, começou a ficar nervoso.

— Teremos proteção, não é, amor? – Nenhuma resposta, apenas o mesmo olhar. – Não é? – Sem resposta. – Hina?

— Como disse, não encontramos nada na casa dele. De alguma maneira ele soube que iríamos lá e... Tudo pareceu apenas paranoia minha por ciúmes do Boruto...

— Onde quer chegar? – Perguntou preocupado.

— Eu fui afastada do meu cargo e... Bem, ele foi inocentado, não há mais suspeitas contra ele.

— O que? Por que não conversa com Shikamaru?

— Naruto... Nada foi encontrado lá, não podem voltar a investigá-lo sem provas. Ele tem direito de nos processar por denegrir a imagem dele.

— Quer dizer que... – Engoliu em seco. – Nós corremos perigo?

— Sim... Mas a Karin ainda pode nos ajudar...

— Hinata... Nós temos que contar isso ao Boruto.

Ela suspirou mais uma vez.

— Essa é a parte mais difícil.

— Ei, estamos juntos nessa, certo? – Ele sorriu e abraçou a esposa.

— Só você pra sorrir em uma situação dessas. – Ela riu, passando os braços pelo pescoço dele. – Eu te amo.

— Eu também te amo. – Ele deu um beijo rápido. – Bem, tenho que ir para o restaurante, tenta relaxar. Vamos resolver isso.

— Certo. Até mais tarde.

O loiro saiu de casa. Hinata não conseguia relaxar. A vida de sua família estava em jogo, sabia disso. Sabia que Sasuke não iria deixar aquilo pra lá. Mas tinha que se manter resoluta. Não podia deixar isso de lado também. Não descansaria até por os Uchiha no lugar deles, atrás das grades.

Precisava descansar, tivera uma manhã difícil. Subiu as escadas e viu Himawari no corredor, com uma boneca.

— Oi, bebê, o que está fazendo? – Deu um beijo no topo da cabeça dela.

— É verdade que a Sarada não vem mais aqui? – Perguntou com os olhinhos tristes.

Himawari gostava bastante de Sarada, que sempre brincava com a mesma quando vinha para sua casa. Sem contar nos presentes que trazia para a menor. Sua filha era bastante apegada à Uchiha.

Hinata sentou no chão ao lado da menina.

— Sarada fez uma coisa ruim. Você sabe que quando crianças fazem algo ruim, elas ficam de castigo. – Tentou explicar da maneira mais infantil possível.

— Então quando acabar o castigo ela vem, não é? – A pequena sorriu.

— Ela vai demorar, querida. – Alisou os cabelos da menor.

— O Boruto vai ficar triste. – Himawari fez um biquinho.

— É... Ele vai... – Falou olhando para a porta do quarto do rapaz.

— Então temos que levá-lo ao parque de diversão. – Ela gritou e saiu correndo feliz.

Hinata sorriu e se levantou. Foi em direção ao seu quarto, mas parou na frente do de Boruto. Olhou a porta e suspirou. Precisava falar a verdade, não podia deixar o tempo passar. Verificou se estava aberta, viu que estava, então a abriu lentamente.

Ao entrar, viu que o loiro estava deitado de bruços, com o rosto enterrado no travesseiro.

Ela se aproximou e sentou ao lado dele.

— Querido, você sabe que sou investigadora. – Fez uma pausa para ouvir se ele tinha algo a dizer. Boruto não falou nada, então ela prosseguiu. – Eu estava investigando uns assassinatos e, há poucos dias, encontrei os culpados. As armas dos crimes foram encontradas... – Ela suspirou, aquilo era difícil. – Foram encontradas no quarto da Sarada. – Hinata viu que o filho ficou tenso. – Sinto muito, eu detesto ter que te separar de quem gosta, mas... Boruto, a Sarada e o Sasuke são assassinos.

O mais novo virou o rosto para encarar a mãe. Ele a encarou em um misto de raiva e decepção. Hinata abaixou o olhar, se sentia mal. Era para o bem dele, mas sabia o quanto ele gostava da Uchiha.

Boruto se levantou em um rompante.

— O que está falando? Assa... – Ele grunhiu de raiva, sequer conseguia falar aquilo. – Até que ponto você vai?

— Boruto, me escuta...

— Não! – Ele gritou. – Qual o seu problema? Por que desconfia de tudo? O que o Sasuke te fez? Deixa ele trabalhar no casino e na casa noturno, o que for! Qual o problema? Me deixa com a Sarada! Você sempre tá trabalhando, até quando tem folga você fica procurando o que investigar... Me deixe ser feliz!

Após gritar com a mãe, ele pegou um casaco e saiu correndo, batendo a porta.

Hinata suspirou, segurando as lágrimas. O filho estava certo, ela não dava tanta atenção aos filhos por causa do trabalho. Mas, naquele momento, tinha que fazer tudo que estive ao alcance – até mesmo além – para protegê-los, o que incluía afastá-los de Sarada.

— Mamãe, me ajuda! – Himawari entrou correndo e gritando no quarto.

Estava tentando prender o cabelo. Hinata riu de leve com a cena e passou as mãos nos olhos para enxugar as lágrimas antes de socorrer a filha. Ela tirou os elásticos do cabelo da menina.

— Posso saber por que quer arrumar o cabelo, mocinha? – Perguntou tentando soar divertida.

— Pra ir pro parque, temos que deixar o Boruto feliz. – Ela explicou.

Hinata ficou calada. Provavelmente não conseguiria falar com seu filho por um tempo. A expressão triste no rosto da mulher não passou despercebida pela criança.

— O que foi, mamãe? – Himawari perguntou.

— Nada, meu amor... O Boruto saiu, vamos ao parque outro dia, certo?

— Não chora, mamãe... Eu vou cuidar de você. – A menina abraçou a mãe.

Hinata a abraçou de volta, dando um beijo na bochecha dela, e se permitiu chorar. Tinha que proteger sua família dos Uchiha. Tinha que tentar provar novamente que os culpados eram eles. E, o mais importante, tinha que reconquistar Boruto.

[...]

Toská, Rússia

28 de fevereiro de 2016

09:50 P.M.

A ruiva andava pela casa completamente chateada. Seu semblante abatido era perceptível para qualquer um.

Se sentia culpada pelo afastamento de sua cunhada. Isso poderia afetar a carreira profissional dela e impedir que fosse transferida para a capital do país resolver casos mais complicados, muito aspirados pelos detetives.

Hinata disse para que não ficasse chateada, mas era quase impossível. Visto que as duas são grandes amigas.

O dia realmente não podia ficar pior. Karin perdeu seu distintivo e acha que ele caiu na casa do Uchiha enquanto tiravam as roupas.

Mas também não tinha certeza se ele sabia ou foi apenas coincidência, e não podia afirmar que perdeu na casa dele. Se ele não tivesse a chamado para sair esta noite, jurava que foi por causa disso que ele descobriu sobre o possível mandado.

A Uzumaki colocou um vestido branco de mangas compridas, uma bota escura e um sobretudo preto. A noite estava fria, como sempre.

Ouviu o som da buzina e se apressou em pegar as chaves da casa e fechá-la.

Estranhou ao ver que o Uchiha a esperava fora do carro e com a porta aberta. Pensou que cavalheirismo não fosse de seu feitio... Mas não achou ruim.

Agradeceu tanto pela gentileza do rapaz, tanto pelo elogio a suas roupas.

Ele a levou para o Tsukuyomi e se sentaram em uma mesa mais afastada de tudo e de todos.

— Sabe, eu queria que fosse aqui exatamente porque foi aqui que te conheci. – Sorriu o moreno. – Confesso que estou encantado com você.

— Isso é mais um elogio para me levar para a cama? – Comentou meio sem graça.

— Talvez. – Riu. – Mas não é mentira.

— Obrigada então.

— Gostaria de uma bebida?

— Coquetel.

— Boa pedida. – Levantou-se e foi até o barzinho pegar a bebida.

Ele havia demorado um pouco com a desculpa de que o barman lhe entregou a bebida errada.

— Acho que vou demiti-lo. – Brincou, fazendo a moça rir. – Finalmente você sorriu.

— Como?

— Parece chateada. – Levou suas mãos de encontro com as dela. – Aconteceu algo?

— Ah... – Tentou articular uma desculpa enquanto dava um gole em sua bebida. – Uma colega minha foi afastada do serviço... Estou com pena...

"Deve estar falando da Hinata...", pensou e um sorriso formou em seus lábios.

— Menos duas... – Murmurou vitorioso.

— Como?

— Nada. – Disfarçou. – Não se preocupe com isso, quero que se divirta. Bebe para esquecer os problemas.

— Tem razão. – Disse enquanto bebia seu coquetel de uma vez.

Sasuke a observava enquanto tomava seu Martini de um jeito, digamos, provocador...

— Você dá aula de que mesmo? – Perguntou como quem não quer nada, fingindo ter esquecido o que ela havia dito antes.

A mulher se engasgou um pouco. Não esperava pela pergunta.

— De Russo. – Mentiu. Para falar a verdade, ela odiava esta matéria. Mas foi a primeira que lhe veio à mente.

O Uchiha segurou um sorriso, visto que no outro dia ela havia dito Matemática. O objetivo dela era realmente apenas espioná-lo, já que sequer se preocupou em sustentar a mentira.

— É muito importante. – Elogiou falsamente. – Não são todos que sabem ler e escrever em nosso país.

— Gosto do que faço. – Deu de ombros.

— Em que escola você trabalha? Talvez algum dia eu pare lá para te buscar...

— Obrigada, mas eu recuso. – Sorriu amarela. – Seria desconfortável para mim e para você.

— É, alunos adoram fofocas. – Riu.

— Nem me fale...

— Escuta, quero te levar a um lugar especial, mais reservado... – Disse enquanto entrelaçava seus dedos. – Só nós dois...

— E que lugar seria este? – Perguntou num sussurro, se aproximando.

— Você verá. – Disse perto do ouvido da ruiva com uma voz carregada de luxúria.

Ela se afastou mordendo lábio inferior e topou a ideia, curiosa.

— Então, vamos? – Se levantou e ela o acompanhou.

Sasuke não precisava pagar a conta, uma vez que era o dono da Tsukuyomi. Então foi direto para o estacionamento pegar seu Audi S8 e ir para o tal lugar "misterioso" que falava.

Durante o trajeto, Karin estava ficando mais lenta, como se estivesse alcoolizada.

— Está com sono? – Indagou o moreno.

— Não sei... – Piscou freneticamente. – Me sinto fora de mim mesma...

— Descanse, quando chegarmos te acordo. – Riu enquanto parava no sinal.

— O que é tão engraçado?

— Eu estou decepcionado, Karin... – Disse enquanto retirava de seu casaco o distintivo da Uzumaki e jogava no colo dela. – Esperava mais de uma policial. Deveria tomar cuidado com seus pertences e com o que bebe...

A ruiva o encarou assustada. Era tudo um truque. A gentileza, os elogios, a chamada repentina para outro lugar, o coquetel... Havia droga naquela bebida...

— Não deveria aceitar bebidas de seus suspeitos. Hinata não lhe ensinou isso? – Sorriu em escárnio.

Sem mais forças, e completamente sem reação para o que acabara de ouvir, Karin perdeu a consciência.

O Uchiha sorriu debochado e cantou vitória.

— Boa noite, Karin.

[...]

Acordou meio desorientada e com a visão turva. Sua garganta estava seca e suas memórias um pouco alteradas...

"Esperava mais de uma policial. Deveria tomar cuidado com seus pertences e com o que bebe...", lembrou das palavras do Uchiha e sentou-se bruscamente na cama.

Seu coração estava acelerado. Aquilo foi um sonho ou realmente aconteceu? Não sabia dizer ao certo.

Sua visão foi voltando ao normal em poucos minutos e pôde ver que estava num quarto bem arrumado, mas com móveis rústicos. Era mal iluminado.

— Acordou? – Escutou a voz do Uchiha vindo da porta e virou-se para ele rapidamente. – Você dormiu por duas horas.

— Mesmo? – Bagunçou os longos cabelos soltos ainda trêmula. – Que coisa...

— Está tudo bem? – Se aproximou da mulher e sentou-se na cama. – Teve algum pesadelo?

— Não... – Disse receosa. Ainda estava assustada. – Onde estamos?

— Num lugar "especial". – Beijou a bochecha da mulher.

A Uzumaki estava nervosa. As lembranças daquelas palavras ainda vagavam em sua mente. Não conseguia se sentir tranquila.

Sasuke, vendo que Karin estava aparentemente desesperada, puxou a mulher para um beijo sensível e carinhoso.

Seus toques demonstravam carinho e conforto, não era agressivo como nas outras noites que dormiu com ele.

Demorou, mas ela finalmente cedeu e retribuiu aos poucos. Enlaçou os braços no pescoço do homem e foi sendo conduzida pelo mesmo.

Mas ela se assustou com o barulho de uma arma sendo destravada, seguido do som de um tiro. Não teve tempo de reagir, logo sentiu a dor aguda e perfurante abaixo das costelas. Sasuke atirara nela com sua USP Compact.

Ele se levantou novamente e a olhou de cima. Karin arregalou seus olhos desacreditada. O sangue manchava seu vestido branco aos poucos.

— Você... Por quê? – Murmurou com dor.

E novamente, o Uchiha retirou o distintivo de seu casaco e jogou sobre ela.

— Você esqueceu isso em minha casa. – Sorriu debochado.

— Então... Não foi uma ilusão! – Gritou agoniada. – Você me drogou!

— Apenas devolvi na mesma moeda. – Deu de ombros. – Você quase me entregou para a polícia... A vagabunda da sua cunhada quase me prendeu.

Ele puxou uma cadeira e sentou-se virado para ela. Rindo da expressão incrédula que ela fazia.

— Foram muito espertas. Ela mandou você me investigar, manter o olho em mim e vocês descobriram, por descuido meu, que eu estava diretamente envolvido com o caso do Deidara. – Atirou na barriga dela e a ouviu grunhir de dor. – Você quase me convenceu...

— Maldito. – Disse enquanto se contorcia de dor. – Você planejou tudo isso para me matar!

— Até quando você está para morrer consegue ser esperta. – Derrubou a cadeira e apontou a arma para a testa da ruiva.

— Mesmo que me mate, Hinata saberá que foi você! – Ameaçou.

— Me diga o que ela pode fazer se está afastada? – Riu. – A culpa é sua, Karin. Por causa de um deslize, você entregou toda a polícia em minhas mãos. Aquela mulher perdeu créditos, ninguém vai acreditar mais nela por causa da sua incompetência.

A Uzumaki tremeu de medo e fraqueza. As palavras pesaram em sua mente. De fato, a culpa era dela.

— Mas não se preocupe. Eu vou cuidar muito bem dela, assim como cuidei de você. – Seu último aviso. – Adeus, Karin.

E num rápido segundo, o gatilho foi puxado. Karin Uzumaki estava morta.

— Hora do churrasco. – O Uchiha pegou o corpo e o enrolou no lençol ensanguentado e levou para o lado de fora da casa.

Preparou o local de última hora, precisava eliminar a mulher rapidamente. Mas não podia deixar rastros assim como deixou no caso de Deidara.

Havia uma fogueira do lado de fora. Sasuke pegou uma garrafa de cerveja que já havia deixado preparada e jogou sobre o cadáver embrulhado.

Logo em seguida, sem o menor ressentimento, jogou Karin na fogueira. Tudo precisava ser eliminado até virar pó.

Não precisava se preocupar se veriam a fumaça, ou se ouviriam qualquer coisa. Estava em uma fazenda, pertencente a sua família, afastada da cidade. Não havia outros moradores por perto. Os trabalhadores da fazenda moravam na casa de empregados, um pouco mais afastada, além disso eram subordinados na organização.

Olhou para sua arma suja de sangue e sorriu vitorioso.

— Hinata, você é a próxima.