Notas iniciais
Hoje é quarta, hoje é dia de capítulo u.u

Toská, Rússia

15 de fevereiro de 2016

04:45 A.M.

Uma xícara de café reforçado, sem açúcar ou leite, acompanhado de arquivos, documentos e um abajur.

Já era de madrugada e Hinata ainda trabalhava em seu quarto. Queria manter-se acordada até chegar numa conclusão.

— Amor... – Naruto chamou a esposa com voz embargada de sono. – Não vai deitar?

— Desculpa, querido. Te acordei? – A mulher se levantou de sua escrivaninha e foi até o marido sentado na cama. – Eu estou terminando o meu trabalho.

— É sobre o caso do tal Kisame?

— Sim. – Suspirou.

— O que eu falei sobre trazer serviço para casa?

— É que este crime está me incomodando... – Sentou-se na beira da cama.

— Se você não dormir, não vai produzir nada. – Disse calmamente enquanto passava a mão sobre os cabelos de sua esposa. – Descanse.

— Você está certo. – Se aconchegou nos braços do cônjuge. – Preciso esfriar a minha mente...

— Desculpa não poder te ajudar. Mas te darei total apoio. – Beijou sua testa. – Mas agora vai dormir, antes que eu te amarre!

— Ok. – Riu a mulher. – E o seu trabalho?

— Está tudo indo muito bem. Os clientes comem satisfeitos e se Deus quiser, breve o restaurante será duas estrelas!

— Que maravilha! Espero que dê tudo certo. – Tomou os lábios do esposo. – Boa noite, querido.

— Durma bem. – Retribuiu o gesto.

O loiro dormiu facilmente, mas, por causa do café forte, Hinata demorou a pegar no sono. Enquanto isso, sua mente girava a mil pensamentos sobre o assassinato.

Ela havia descoberto, junto com Kabuto, o legista, que Kisame Hoshigaki teve várias passagens pela polícia. Dentre elas: porte ilegal de armas, tráfico de drogas e estupro. Ele havia cumprido todas, menos a primeira. Um doador anônimo pagou a fiança dele, provavelmente um cúmplice.

A bala alojada na nuca dele era de um calibre diferente da encontrada na árvore. Foram duas armas e dois disparos, as duas sumiram junto com o assassino.

Infelizmente, Hinata não teve muito tempo para descansar. Meia hora depois recebeu uma ligação do serviço.

Se tratava de um novo assassinato.

— Já vai? – O loiro perguntou assim que viu sua mulher se arrumando.

— Outro assassinato. – Suspirou morrendo de cansaço.

— Só você trabalha com isto? Não podem pedir para outra pessoa?

— Amor, não acontece apenas um crime a cada três dias. Outros peritos estão investigando outros casos.

— Eu queria tanto dormir com você... – Murmurou manhoso.

— Talvez um outro dia. – Beijou a bochecha do marido. – Até de noite.

— Bom trabalho.

Quem ligou para a morena fora Shikamaru Nara – seu chefe –, dizendo que havia ocorrido um assassinato na madrugada de hoje. Mas não foi um homicídio comum. O culpado cometeu suicídio logo em seguida.

Hinata estava saindo de casa quando ouviu uma voz doce e tão conhecida por ela.

— Já vai, mamãe?

— Himawari... – A mãe abriu os braços e a menina veio em sua direção. – Estou indo trabalhar.

— Mas você prometeu que iria brincar comigo...

— E irei! Mais tarde eu estou de volta, mas agora mamãe tem que ir. – Beijou a filha. – Te amo, tá?

— Também te amo. – Sorriu daquele jeito que faria qualquer adulto derreter.

A menina de sete anos voltou para o seu quarto e tornou a dormir. Enquanto isto, sua mãe foi até o local de trabalho. Ou melhor, até a cena do crime.

Era um condomínio pobre e gasto. Parecia abandonado.

Kabuto, direcionou a colega de trabalho até o apartamento do bloco A e ela logo fez uma careta.

— Cheiro de maconha... – Murmurou e o rapaz riu.

— Mas creio que não tem nada a ver com tráfico de drogas. – Supôs o rapaz.

— Por quê?

— Não faria sentido o culpado cometer suicídio se ele queria as drogas.

A Uzumaki riu enquanto colocava seu par de luvas e avistava uns moradores curiosos ao redor da faixa amarela, que impedia a entrada dos mesmos.

— Quem ligou para a polícia? – Perguntou ao se aproximar.

— Eu. – Um rapaz de baixa estatura e obeso se mostrou frente a ela. – Meu nome é Chouji Akimichi. Sou o morador do lado.

— Senhor Akimichi, você ouviu algo?

— Acordei assim que ouvi um barulho de algo se quebrando. Mas não liguei, meu vizinho sempre foi barulhento. Mas aí ouvi um tiro e, quando eu fui ver o que era, me deparei com duas pessoas mortas. – Suspirou como se isso fosse apagar o que ele viu.

— Você conhecia os dois?

— Não muito, mas a garota era uma ótima vizinha, sempre tentava nos agradar. Seu nome era Ayame.

— Sabia se ela tinha algum contato com a outra vítima?

— Além de vizinhos, acho que não. – Coçou a nuca.

— Obrigada. – Hinata apertou a mão do rapaz. – Estarei cuidando do caso.

Após isto, a morena adentrou a cena do crime e observou ao redor.

O barulho que Akimichi provavelmente escutou, se tratava da mesa quebrada na sala.

A garota que ele disse estava caída ao chão e com uma arma na mão direita e uma faca na esquerda.

A julgar pela aparência, ela parecia inofensiva aos olhos de Hinata.

— Aparentemente houve uma batalha, a mesa foi quebrada. – Kabuto falou, apontando para a mesa.

— Provavelmente eram um casal. Pode ter sido apenas uma discussão um tanto quanto... violenta. – Hinata falou.

— Quando a necropsia for realizada, teremos mais resultados. – O homem ajeitou os óculos.

A mulher andou até a cozinha, onde achou o pacote de rosquinhas. Ela o pegou e viu a validade, era uma embalagem antiga. Ela cheirou e percebeu que não havia mais o cheiro da guloseima e sim cheiro de dinheiro.

— Dinheiro. — Ela comentou, mostrando a caixa.

— Como diria o chefe, problemáticos. – Kabuto sorriu.

[...]

Toská, Rússia

15 de fevereiro de 2016

02:12 P.M.

O silêncio estava presente naquela sala de jantar. A única coisa que se escutava era o bater dos talheres no prato.

A matriarca da família tentou diversas vezes iniciar uma conversa com seus dois filhos e sua neta. Mas as únicas respostas que obteve eram vagas. Resolveu desistir.

Ouviram passos apressados e pesados se aproximando do local.

O barulho da porta dupla abrindo violentamente e batendo na parede, sobressaltou a Uchiha mais velha e Sarada. Todos olharam na direção de Fugaku se aproximando da mesa com um semblante indignado e um jornal em mãos, enquanto Itachi permanecia indiferente à situação.

Fugaku parou ao lado de Sasuke e, com a mão que estava livre, socou a madeira escura da mesa.

— O que significa isso?! – Mostrou o jornal e exclamou com uma expressão tão furiosa que os demais presentes passaram a prestar atenção.

— Isso o quê? – O caçula perguntou alheio.

— Não se faça de idiota, seu imbecil! – Gritou empurrando o prato do rapaz e jogou o tabloide no lugar.

Sasuke pegou a folha e viu a notícia que estava na primeira página. Era sobre o "Misterioso assassinato seguido de suicídio" que ocorreu no apartamento de Deidara.

— Eu fiz o que você mandou fazer. – Respondeu confuso.

— Eu mandei apenas pegar o dinheiro! – Falou alto e lentamente. – E o que você faz?! Mata o cara e ainda mata uma mulher que não tinha nada a ver com sua missão!

— Ele não quis dar o dinheiro! – Exclamou, espalmando o jornal na mesa e levantando-se, ficando em frente ao seu pai. – E eu não podia deixar uma testemunha.

— Não era para matar ninguém. Subornasse o cara, ameaçasse, ou seja lá o que for! Ou ao menos tentasse não deixar pistas para a perícia. – Suspirou. – Qualquer um com um pingo de inteligência faria isso na surdina! Não faria barulho, seria invisível como um fantasma. E com certeza não deixaria os corpos lá! Foi burro por duas vezes! – Seu tom já era sem paciência.

— Calma Fugaku, não precisa se enfurecer. – Mikoto tentou acalmar a situação. – Sasuke não vai mais fazer algo assim. Não é, querido? – Perguntou ao caçula, tratando o mesmo como se fosse uma criança que havia feito algo errado, mas bobo.

— Não se meta, Mikoto! – O marido falou para a mulher. – É por isso que esse moleque não passa de um incompetente! Sempre teve um rabo de saia para protegê-lo!

— Sasuke dá sempre o seu melhor e você nunca reconhece! – Chateada, exclamou.

— Quem muito se esforça para chamar atenção num lugar, geralmente é quem menos tem poder. – Replicou indiferente. – E se esse é o melhor dele, não quero saber o pior.

— Deixa, mãe. – Falou o causador da confusão e virou-se para o pai novamente. – Se queria algo perfeito, então por que não foi você mesmo fazer? – Cruzou os braços, mantendo uma postura firme. Ele sempre tentou impressionar o pai, mas o mesmo só tinha olhos para o filho perfeito denominado Itachi. E ele tinha raiva disso. – Ou melhor, por que não mandou o Itachi? Você vive lambendo o saco dele. – Debochou, fazendo Fugaku fechar as mãos, irado pelo atrevimento.

— Não ouse se dirigir a mim dessa maneira! – Exclamou.

— Mas é verdade! Só falta beijar o chão por onde ele pisa! Faz logo um altar e se curva diante dele!

— Sasuke, não provoque. – Mikoto falou.

Itachi só observava, enquanto Sarada estava fazendo um esforço enorme para não rir.

— Ai, ai... Isso está ficando hilário. – Sarada deu umas risadinhas enquanto bebericava o seu suco.

— Bem que eu desconfiei quando você me entregou todo o dinheiro. Porque de 10 coisas, 11 você faz merda!

— Fala como se nunca desse mancada! – Sasuke se estressou.

— Acho que a única merda que fiz na vida, foi você!

— Nossa, doeu em mim... – A Uchiha mais nova comentou baixinho enquanto observava a face de sua avó mostrando indignação.

— A única merda que você fez foi não ter se suicidado ainda! – Vociferou o caçula contra seu pai.

Depois dessas palavras, em um rápido movimento, Fugaku estapeou a face do filho com toda a sua ira. As mulheres se levantaram surpresas, enquanto Itachi terminava o seu jantar.

— Quieto, miserável. – Mais calmo, o patriarca mandou olhando para o caçula.

Sasuke permaneceu imóvel e olhou o seu progenitor com indiferença. Embora seu rosto ardesse, ele era muito orgulhoso para demonstrar dor.

— Sarada... – A Uchiha mais velha cochichou para a neta. – Vá para o seu quarto.

A menina, sem pestanejar, correu em direção a saída. Ela ficou muito surpresa com a atitude do avô e um pouco de medo.

— Você é louco! – Bradou a mulher. – Como pôde fazer isto ao próprio filho?

— Eu posso tudo. – Virou-se para sair da sala de jantar. – Exceto colocar um cérebro na cabeça desse imprestável.

Satisfeito, tendo dito a última palavra, saiu dali com o mesmo ar de superioridade de sempre, deixando um clima tenso no ar.

— Meu anjo, está bem? – Sua mãe se aproximou e pegou em seu rosto vermelho.

Não havia um exato formato de mão. A bofetada foi tão forte que o impacto fez quase toda a bochecha esquerda do filho ficar com a cor diferente. E Fugaku não tinha uma mão pequena.

— Me larga! – Exclamou nervoso, afastando a mãe de si. – Eu estou bem. – Fez menção de sair da sala, mas Mikoto não permitiu.

— Fique aqui. Vou pegar uma água para você.

— Não precisa.

— Precisa sim! – Falou, fazendo Sasuke sentar na cadeira de antes, e deixava o filho a sós com o irmão.

Estava um clima estranho entre os dois, e Sasuke preferia assim do que ouvir as implicâncias do irmão mais velho. Porém, a vida não é um mar de rosas.

— Continua atrapalhando as coisas, não é? – Itachi empurrou o prato para o lado.

— Fica quieto. – Sasuke reclamou.

— Nosso pai está certo. Você não tem conserto. É um errado. – Levantou-se, falando tudo com a calma e indiferença de sempre. – Alguém que é odiado até pela própria filha, não pode ser mais do que um nada.

— Já falei para se calar. – Estava ficando irritado novamente.

O primogênito apenas ignorou, pondo as mãos nos bolsos das calças.

— Você é um tolo. Por que ainda insiste em agradar o pai? Se você sumisse, aí sim ele ficaria feliz. – Caminhou para a saída. – Bom almoço, irmãozinho.

[...]

Em toda a sua vida, Sarada jamais havia visto seu avô perder a cabeça daquele jeito. Ela ficou de queixo caído quando o viu dar aquela tapa em Sasuke.

A menina estava em seu antigo quarto, ela sentia falta daquele lugar e queria mais que tudo voltar a morar ali, mas que seu lugar agora era ao lado de seu progenitor.

Sentou-se em sua antiga cama e olhou algumas fotografias que haviam ficado ali... Ela, nas fotos, estava com seus avós, com seu tio, menos com seu pai.

Sasuke nunca foi um pai presente e isso nunca foi novidade. Quem ia nas reuniões de pais e mestres na escola de Sarada era Itachi ou Mikoto, já que Fugaku vivia ocupado. Mas, ainda assim, o Uchiha mais velho era muito mais presente na vida de Sarada do que seu pai biológico.

Ouviu-se passos firmes do lado de fora do quarto e logo a porta de abriu, revelando o homem cujo rosto havia ficado vermelho por causa da bofetada, mas que não perdia a pose de superioridade.

— Sarada... – Chamou. – Vamos embora.

— Eu vou dormir aqui hoje. – Respondeu decidida.

— Não, a senhorita não vai. – Falou num tom severo que até assustou a garota.

Não havia dúvidas de que Sasuke estava irritado por conta da briga com o pai.

— Querido, fique calmo. – Mikoto apareceu para ver como o caçula estava e percebeu o quanto o moreno havia se alterado. – Sarada, meu amor. – Virou-se para a neta. – Obedeça seu pai.

— Ele não é meu pai... – Resmungou baixinho, se levantando para acompanhar Sasuke.

Sarada e Sasuke se despediram de Mikoto e foram embora.

Ambos ficaram em silêncio no carro, não trocaram uma palavra sequer, nem mesmo uma ofensa. Sasuke dirigia em alta velocidade, nitidamente nervoso, enquanto isso Sarada se deixava levar pelo som pesado de Metallica com seus fones de ouvido.

Vez ou outra olhava para seu progenitor, ele estava sério e parecia perturbado. Frustrado.

Sarada até tentava ficar sensibilizada, pois sabia que Sasuke tentava fazer de tudo para agradar Fugaku e sempre acabava sendo criticado de alguma forma, mas ela simplesmente não conseguia... Não conseguia porque Sasuke nunca percebeu que ela fazia o mesmo quando era pequena, fazia de tudo para ser notada, e era ignorada pelo próprio pai...

[...]

Toská, Rússia

29 de julho de 2000

8:17 A.M.

Finalmente Sasuke havia terminado o ensino médio. Se não bastasse seu pai ter lhe mandado para outro país, ainda o mandou para um colégio interno só de homens.

Foram três anos fora de casa, a saudade era grande, porém, unicamente de sua mãe.

O rapaz de dezoito anos foi buscado no aeroporto pelo irmão mais velho.

— Oi. – Sorriu minimamente. – Você mudou muito.

— É, afinal fazem 3 anos. – Deu de ombros. – Onde está a mamãe?

— Você vai ter uma surpresa quando chegar em casa. – O moreno mais velho sorriu de canto, deixando o mais novo confuso e ao mesmo tempo curioso.

— O papai deixou de ser um pé no saco ou resolveu me deserdar por ser a ovelha negra da família?

— Vamos logo. – Bufou.

Sasuke já tinha planos de entrar para a Amaterasu, Fugaku disse que isso aconteceria assim que ele terminasse os estudos. Ele teria que cumprir com sua palavra. Também queria sair da casa onde cresceu. Seria difícil, principalmente porque ele sentiria muita falta de Mikoto, mas as brigas que sempre tivera com o pai foram o motivo de ele ter tomado essa decisão.

Finalmente ambos chegaram na mansão da família Uchiha, Sasuke se apressou em entrar para procurar pela mãe.

— Mãe? – Gritou assim que entrou na sala completamente vazia. – Mãe, eu cheguei.

Logo a mulher dos cabelos negros apareceu, realmente não tinha envelhecido nada, mas não foi isso que deixou Sasuke de queixo caído... Mikoto segurava em seus braços uma garotinha pequena e sorridente, sua pele era bem alva, seus olhos e cabelos eram tão negros quanto os de Sasuke.

Uma Uchiha, sem sombra de dúvidas.

— Seja bem-vindo de volta, filho. – Mikoto esboçou um largo sorriso, mas Sasuke só conseguia prestar atenção na menininha que estava toda alegre.

— Mãe... – O rapaz pareceu um pouco receoso. – Quem é essa menina?

— Papai! – A garotinha falou antes que Mikoto dissesse alguma coisa. – Papai! – Ela esticou os bracinhos como se pedisse para Sasuke pegá-la no colo, mas ele nada fez.

— Sasuke... – O rapaz ouviu a voz do irmão, então olhou para trás, podendo ver Itachi entrar na sala. – Essa é sua filha, Sarada.

A menina conhecia o rosto do pai, pois sempre o via por fotos. Era a primeira vez que Sarada o via pessoalmente e ela estava super feliz com isso, independente do motivo que tenha levado seu pai a ficar fora durante esses anos, afinal, uma criança não liga pra isso.

— Minha filha? – Questionou incrédulo e Mikoto assentiu. – Ela se parece comigo, mas... A senhora tem certeza?

— Absoluta! – Respondeu-lhe a mulher. – Sarada é sua filha e estava doida pra te conhecer.

— Isso quer dizer que a Sakura entregou a menina? Isso é...

— Sasuke! – Mikoto interrompeu o filho caçula. – Depois conversamos sobre isso, tudo bem? – O rapaz assentiu. – Agora, você poderia pegar a sua filha?

Sasuke olhou para aquela garota tão empolgada, esticando os braços para ele, quase implorando para ser pega no colo.

— Eu não sei pegar crianças. – Respondeu indiferente.

A última coisa que ele esperava encontrar quando chegasse em casa era uma filha, obviamente que Sasuke ainda estava digerindo a história toda.

— Tente. – Insistiu a matriarca da família.

Vendo os olhinhos brilhantes da pequenina, Sasuke resolveu ceder e então pegá-la no colo, de maneira desajeitada. Mas ali não surgiu, do nada, um amor incondicional de pai e filha... Sarada era apenas uma criança que ele havia acabado de conhecer.

Sabemos que o amor é construído com a convivência e foi isso que faltou entre Sasuke e Sarada...

— Nem para isso você serve! – Itachi falou secamente.

— Papai! – Sarada falou toda contente e deu um beijinho estralado na bochecha do pai, mas Sasuke não viu aquilo como um gesto de carinho, uma vez que uma expressão de nojo surgiu em seu rosto.

— Eca! – Ele passou uma mão por cima do local onde a menina havia beijado. – Ela me babou!

— Filho, ela só tem três aninhos! – Mikoto falou docemente como sempre, pegando Sarada novamente. – Tenha paciência com ela.

— Mãe... – Falou sério. – Eu não estava brincando quando disse que ia sair de casa... Eu não vou ficar aqui, afinal, vou entrar pra Amaterasu, não vou?! – Perguntou retoricamente. – Então, já tenho um emprego, muito bom por sinal.

— Sasuke! – A mulher não escondeu sua preocupação. – Por mais que eu não goste dessa sua decisão, eu apoiarei você... Mas não se esqueça da sua filha, ok?

— Mãe, eu não vou levar essa menina pra morar comigo.

— Essa menina é sua filha! – Itachi aumentou o tom de voz, repreendendo o irmão.

— De qualquer forma eu não vou levá-la pra morar comigo. – Respondeu o caçula, falando no mesmo tom que Itachi. – Mãe, por favor... – Virou-se para Mikoto. – Eu não vou saber cuidar dessa criança.

— E você acha mesmo que eu deixaria você morar sozinho com a Sarada? – Questionou a mulher, deixando Sasuke sem resposta. – Você pode ir morar sozinho, mas a Sarada fica.

— Obrigado. – O rapaz falou aliviado, pois jamais saberia criar aquela menina e com certeza ficaria perdido se sua mãe o mandasse assumir a responsabilidade e criar a filha. – Quando ela ficar maiorzinha e mais independente, quem sabe...

— Podemos pensar nisso futuramente. – Disse Mikoto, colocando Sarada no chão para que ela pudesse ir brincar com suas bonecas, mas a menina não saiu do lugar, ficou parada observando o pai que até então só vira por fotos. – Só sei que eu não vou deixar uma bebê de apenas três anos com você!

— Seria como deixar uma criança cuidar de outra criança. – Itachi debochou e recebeu um olhar de desaprovação vindo de Sasuke, pois o rapaz odiava ser chamado de criança.

— Enfim... – Suspirou o moreno mais novo. – Mãe, a Sarada fica com a senhora por um tempo, depois ela vem morar comigo.

Mesmo não gostando muito de crianças e não sabendo lidar com elas, Sasuke sabia que Sarada era sua filha e ele teria que assumir essa responsabilidade mais cedo ou mais tarde.

— Tudo bem, Sasuke. – Assentiu a mulher. – Aqui não vai faltar nada para ela, você não precisa se preocupar, mas... Me prometa que virá vê-la sempre.

— Sempre que eu tiver tempo. – O rapaz se sentou no sofá de couro e olhou uma foto de Sarada recém nascida no colo de Itachi, que estava num móvel de vidro ao lado. O que provava que Sarada estava com seus pais desde que nasceu.

— Sasuke, é sério! – Mikoto advertiu mais uma vez. – Sarada é uma menina ótima, vocês precisam passar um tempo juntos como pai e filha... Leve-a para tomar um sorvete, para ir ao cinema, para brincar no parquinho... – Sorriu docemente. – Seja pai dela.

— Tudo bem, mãe. – Assentiu. – Eu prometo que serei um ótimo papai. E também quero saber o porquê de ela estar aqui.

Infelizmente foram palavras jogadas ao vento, pois Sasuke jamais cumpriu sua promessa.

Nunca estava disponível para sair com a sua filha ou para fazer companhia a ela. Sarada sempre estava em segundo plano na vida de Sasuke, era como se ele não tivesse uma filha.

Sarada muitas vezes chorava pedindo pelo pai, mas ele, por muitas vezes, nem atendia o celular. Quando atendia, estava ocupado e não podia ir vê-la... Era sempre a mesma história.

A menina fazia de tudo para chamar atenção quando seu pai estava por perto, mas sentia-se invisível diante dos olhos dele.

Aquilo virou uma mágoa enorme que foi se transformando em raiva... De repente, Sasuke já não era mais o “papai” de Sarada, era simplesmente uma pessoa egoísta que só olhava para o próprio umbigo.

Sarada passou a provocá-lo, passou a ser mal-educada e tratá-lo de forma seca, sem esconder o quanto Sasuke a tinha magoado simplesmente por não ter dado a atenção que necessitava.

Sasuke nunca foi um pai e Sarada fazia questão de jogar isso na cara, até que o moreno, um belo dia, chegou na mansão de seus pais dizendo que Sarada iria morar com ele.

Mikoto concordou, uma vez que acreditava que pai e filha deveriam passar mais tempo juntos para se darem bem, então nada melhor do que a convivência diária. Fugaku não queria que seu filho irresponsável cuidasse de sua neta tão querida, mas Sasuke era o pai, a menina tem seu sangue e está registrada como sua filha, então ele tinha direito.

Mesmo contra a sua vontade, Sarada foi para a casa do pai, prometendo transformar sua vida num inferno tão grande que ele a mandaria de volta para a casa de seus avós.

[...]

Toská, Rússia

15 de fevereiro de 2016

03:00 P.M.

Ambos chegaram em casa e Sasuke desceu do carro, continuava sério e querendo parecer inabalado, mas não conseguia disfarçar, pelo menos aos olhos de Sarada.

Ela tinha noção do quanto seu pai se sentia humilhado quando era tratado como criança por Fugaku.

— Você mereceu! – Sarada falou indiferente, tirando os fones de ouvido, enquanto os dois entravam em casa.

— O que? – Questionou confuso, estava com o pensamento longe.

— A bofetada que o vovô te deu. – Respondeu, fitando a marca na bochecha de Sasuke. – Quem sabe assim você aprenda a ser mais cauteloso quando tiver que fazer algum serviço.

— Eu não tive escolha. – Murmurou, sentando-se exausto no sofá da sala. – Aquele filho da puta estava implorando para morrer.

— Você não pode agir por impulso, sabia? – Arqueou uma sobrancelha, cruzando os braços em frente ao corpo e olhando para seu progenitor com um ar de superioridade. – Você deve prever tudo que pode acontecer, até as coisas mais improváveis, e pensar numa estratégica antes de agir... Fazendo as coisas como você faz, agindo por impulso, você só vai fazer besteira atrás de besteira, Sasuke. Use primeiro a cabeça.

— Onde a senhorita aprendiz de mafiosa anda aprendendo essas coisas? – Perguntou de forma debochada, uma vez que ele, um homem com quinze anos de experiência na máfia, jamais iria aceitar receber lições de sua filha adolescente.

— Isso é óbvio. – Sorriu de canto. – Sou neta do Fugaku, sobrinha do Itachi e, infelizmente, sua filha... – Suspirou. – Tá no meu sangue.

— Vai para o seu quarto! – Falou sem paciência. – Não estou com saco para ficar ouvindo as suas baboseiras.

— Você nunca teve mesmo. – Falou com desgosto. – Eu vou para o quarto porque eu quero, não porque você mandou!

A Uchiha foi para seu quarto, deixando para trás um Sasuke frustrado após ter recebido um sermão por conta de um serviço que ele jurava que tinha sido bem feito e que lhe renderia elogios de seu pai... Doce ilusão.

Sarada não podia negar que ficou com pena de Sasuke. Querendo ou não, Sasuke se esforçou para fazer as coisas direito e deixar Fugaku satisfeito, mas, como sempre, só recebeu pedradas. Era mais ou menos assim que ela se sentia quando queria atenção de Sasuke e ele simplesmente não estava nem aí pra ela... A Uchiha conhece bem essa sensação e o sentimento que surgiu foi de pena.

Notas finais
Qualquer erro, pedimos desculpas. A semana foi cheia e acabamos não revisando direito.