Amarrações não são uma boa ideia
3 Nó da forca
Notas iniciais
A praça mesmo em um dia nublado, era bem convidativa, vazia e cheia de flores exóticas, mas estava vazia demais, silenciosa demais, até mesmo a igreja não tinha uma alma viva, só haviam os dois ali. Sentaram-se na borda da fonte quase seca decorada com querubins pequenos que cuspiam e choravam fios de água. Os dois ficaram abraçados de mãos dadas,ele sempre parecia um robô, sem vontade própria, mas isso não importava a garota... Afinal, se respeitasse ele não teria amarrado-o.
O tempo começou a fechar mais, e a noite caiu, não era azul nem estrelada, era cinza escuro, um céu coberto de poluição pelas fabricas locais, escureceu estranhamente rápido ,não fazia nem 5 minutos que estavam ali.
Eu passei a observá-los mais de perto, atrás de arvores e da neblina, por um minuto acho que ela havia me percebido, quando olhou de relance, viu meu capuz, tornei desaparecer novamente. E quando ela olhou de relance para o namorado novamente decidi pregar lhe uma peça... Ela viu apenas um rosto decomposto, em um corpo magro esquelético, amarrado com cordas vermelhas, cheio de mosca com profundos cortes por todo rosto incluindo os olhos, que já estavam caindo das orbes. Pude perceber seu susto e também seu alivio quando olhou novamente e viu que era apenas o mesmo rapaz de sempre. Ela que estava diferente, o coração tão acelerado que mal podia respirar. Seu parceiro tinha olhos frios, ele sempre teve esses olhos? Não, ela nunca tinha percebido.
_Você parece pálida amor, quer ir para casa? Eu te levo... então podemos ver um filme e..?- Antes que o rapaz pudesse continuar suas sugestões, ela interroupeu com uma resposta seca:
_Não!Você vai para sua casa. Adeus,amanha nos falamos.-Ela praticamente gritou, um grito que ecoou pela praça toda. E antes que seu namorado pudesse pergunta o que ocorreu, ela saiu correndo.
Mergulhando por dentre as arvores finas e volumosas... ouvindo passos e gritos atrás dela continuou a correr incessantemente,quando se deu conta já estava dentro de uma daquelas matas que existem na estrada,alguma plantação. Mesmo com os gritos cessando a bastante tempo ela continuou a correr, por que? Ela não parou para pensar, mas sentiu medo... Voce sabe do que? Do destino. Mesmo com céu não dando sinais, uma forte chuva começou reduzindo sua visão, acompanhada de raios e trovões, o chão começou a amolecer a terra virou areia e correr não era mais uma opção, em meio seu desespero ela acabou tropeçando em a raiz de uma arvore, o que fez com que caísse fraturando o osso da perna , lutava para se levantar e para caminhar então se arrependeu da atitude irracional de fugir do rapaz:
_Merda! Por que eu fiz isso? Será que tem como ficar pior?
Apesar da retórica respondi para mim mesmo, “por que quis fugir da pior parte... Pelo menos sua morte será menos terrivel, do que as outras pessoas que eu conduzi a morte... E sim, sempre piora. “ E a ultima coisa que pensei foi “Hora de trabalhar”
OoO
Garota POV
Quase desmaiando em meio toda minha dor, desejei que qualquer pessoa aparecesse. Por que eu estava na floresta agora? O que me levou a isto? Enquanto me perguntava vi uma luz , como um lampião e uma silhueta coberta com uma capa, fiquei aliviada! Mesmo em minhas condições tentei correr para alcançar aquela pessoa, nem mesmo gritando conseguia falar chamar a atenção dela:
_Hey! HEY! Você pode me ajudar? Me ajuda por favor! Não me ignora!
Mesmo gritando desesperadamente aquele estranho não me ouvia, e se afastava cada vez mais, mesmo em meus passos cansados eu o seguia na velocidade (Ou lentidão que podia). Antes que pudesse me dar conta, via uns faróis de carro, por entre os troncos das arvores, era a estrada... havia sido guiada para perto dela e nem mesmo percebi o barulho dos motores por causa da forte chuva com relâmpagos e raios.
Iria eu em direção as arvores que me separavam da estrada tomei um tremendo susto! Mesmo com a vista reduzida pude ver um raio caindo na floresta que ficava do outro lado da estrada, deveria ter pegado uma arvore em cheio! Em toda aquela situação nem havia percebido o quanto de perigo eu corria, em meio aquela tempestade me esconder em uma floresta era uma péssima idéia! Em meio todas aquelas arvores, era praticamente um alvo. Fui então que eu tive uma idéia brilhante! Não podia permanecer ali entre as arvores, eu deveria atravessar para o lado que acabara de receber um raio, por que um raio não cai duas vezes no mesmo lugar! Decidi me arrastar até a beira da estrada como podia...
Por ser de noite a mesma tinha pouco movimento, e eu com minha perna quebrada tentava atravessar a estrada o mais rápido que podia... Quando já estava perto de terminar a travessia vi dois faróis vindo em alta velocidade, era um caminhão! Me arremessei rapidamente em meio a chuva para que caísse logo do outro lado da travessia, acabei dando mal jeito e escorregando na pista molhada, mas consegui me lançar para o outro lado antes de ser atropelada. Cai cansada em meio ao mato, que ainda estava quente por ter recebido a descarga elétrica dos céus, esperando amanhecer para que me achassem, estava muito cansada e já sem voz de tanto gritar com aquele estranho... Mas para minha sorte a chuva cessou, apenas continuavam os raios mas não é como se corresse perigo pois um raio nunca cai duas vezes no mesmo lugar! Mal terminei de falar e pude ver um grande clarão caindo dos céus e antes de morrer a ultima coisa que ele iluminou foi aquela pessoa da capa preta que estava na floresta.
OoO
E foi assim que caiu um enorme raio sobre a garota , ela morreu na hora... Pobre garota, mais uma para minha coleção.... O trabalho por aqui acabou...
OoO
_Então quer dizer que você mesmo sendo namorado dela à deixou ir no meio do mato sozinha a noite? – Dizia um delegado, gordo com um grande bigode e já quase totalmente careca
_Foi senhor, mas ela correu muito e foi do nada pro meio da floresta! Depois eu voltei ao restaurante e fiquei esperando ela voltar mas ela não apareceu até hoje!- Dizia o namorado se explicando na delegacia.
_Você sabia que a vitima tinha interrompido remédios pesados para tratamento psicológico sem prescrição medica? Isso podia gerar alucinações
_Não fazia idéia , doutor! Espero que a achem logo.- disse o rapaz friamente
_Meu rapaz você não parece nem um pouco preocupado, você atua muito mal! Mesmo assim sei que você não teria motivos para cometer crime contra a moça...
_Na verdade, seu delegado, eu não gostava muito dela, nem um pouco mas é que eu simplesmente comecei a me sentir deprimido, fraco e carente e quis uma companhia.
_Entendo –o delegado suspirou passou a mão no pouco cabelo que tinha e olhou para o rapaz, acendendo um cigarro e continuou a falar- Bem você tem um álibi e nada aponta para você, está liberado pode ir .
O rapaz se levantou mais que depressa e se foi embora.
O delegado ficou a guardar o B.O entre outras coisas do processo em uma grande gaveta. Neste momento adentrou na sala um policial mais novo, que deveria ter uns 25 anos e perguntou ao veterano:
_Nossa, chefe! O senhor vai mesmo arquivar o caso?- perguntou surpreso.
_E você quer que eu faça o que? Vou dar como desaparecida, não achamos nenhum corpo.
E assim termina com o arquivo espremido dentro de uma gaveta empoeirada
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