Amarras do Passado
2 Sufoca-me
Notas iniciais
O avião estava atrasado. Melanie permaneceu sentada junto com dez pessoas que esperavam ansiosamente o vôo para Goiânia, todos aparentavam ser mais velhos que ela. Dentre eles o que mais chamava atenção da menina era um homem que parecia ter quarenta anos, se vestia de maneira simples com uma bota preta, uma calça jeans e uma jaqueta. Ao seu lado havia três crianças, todas vestidas com roupas para suportar o grande frio que fazia em São Paulo, o homem sussurrava algo para os meninos a todo momento, ele tinha uma face triste assim como seus possíveis filhos.
—x-
Fazia exatamente uma semana desde que seu amigo Augusto foi para a cidade em que os dois nasceram. Mel o ajudou a arrumar as malas e foi até o aeroporto com seu amigo, que tinha decidido ir para Goiânia resolver os problemas que deixou para trás. Quando o avião de Augusto partiu, Melanie foi até um restaurante que ficava perto do aeroporto para almoçar. Ao chegar ao local ela observou que não havia muito movimento naquela hora, afinal era feriado e o clima estava extremamente frio, fazendo com que metade das pessoas de São Paulo ficasse em casa assistindo um filme e não levando seus amigos até o aeroporto. Mel se sentou em uma mesa próxima à janela, gostava de ficar observando os aviões partindo, não demorou muito até que uma garçonete viesse atendê-la.
— No que posso ajudá-la senhora? – Perguntou educadamente a garçonete.
Melanie levou um leve susto ao ouvir a mulher, já que estava distraída olhando para as nuvens escuras que ameaçavam derramar água sobre a cidade a qualquer momento.
— No momento só desejo um suco de laranja – Pediu Melanie ainda distraída
— Irei trazer, aguarde alguns minutos – Respondeu a garçonete enquanto se retirava para a cozinha.
Melanie olhou para seu celular e viu que seu namorado havia ligado duas vezes, os dois tinham marcado de sair hoje para ver um filme, contudo Mel não estava mais tão animada para isso. A menina não parava de pensar em seu amigo, pensava que ele nunca iria voltar para Goiânia, quando os dois chegaram em São Paulo pela primeira vez prometeram um ao outro que tentariam esquecer a cidade natal e seus vários problemas, no começo foi fácil, com a agitação da faculdade e a compra do apartamento, mas com o tempo não importava o quanto tentasse esquecer as lembranças sempre voltavam. Augusto algumas vezes acordava assustado, pois tinha sonhado com o passado, assim como ela o menino também não conseguia esquecer.
Não demorou para o suco chegar, a garçonete trouxe a bebida em um copo muito grande e ao deixa-lo na mesa se retirou rapidamente, Mel tomou um pouco da bebida e pegou seu celular novamente, procurou o número de seu namorado e o mandou uma mensagem.
“ Não estou com muito animo, podemos cancelar?”
Após alguns minutos recebeu a resposta.
“ Claro, posso passar na sua casa depois do trabalho então”
Melanie respondeu que sim para seu namorado, guardou o celular no bolso da jaqueta e ficou encarando os aviões de longe. A menina foi tirada de seu devaneio quando dois homens altos e vestidos com roupas de couro entraram no local, um deles olhou para ele e assoviou enquanto o outro ria, os dois se sentaram em uma mesa nos fundos do restaurante. Bastou isso para que as lembranças voltassem, quando era pequena nenhum homem fazia isso, lembrou-se de uma vez quando ela e Augusto foram até uma sorveteria que estava lotada de pessoas, quando cinco homens bêbados entraram no local eles assoviaram e gritaram para todas as garotas menos para ela. Eram cinco idiotas que foram expulsos da sorveteria rapidamente, mas mesmo assim Melanie se sentiu mal por dentro.
— Para de pensar Melanie — Falou para si mesma
Mas os pensamentos não paravam de vir, hoje em dia tinha deixado os shorts e as camisetas de super heróis que usava na adolescência e substituído por vestidos, calças e blusas caras que deixavam seu corpo novo bem a mostra. Seus óculos foram quebrados e substituídos por lentes de contatos verdes, seu cabelo que antes ela loiro natural passou para um quase platinado e todos os fins de semana ia ao salão para deixá-lo bem encaracolado nas pontas. Ir ao salão de beleza não era algo que antiga Melanie fazia, mas passou a fazer, por causa dele, tudo por causa dele.
— Deseja pedir a comida agora senhora – Perguntou a garçonete assustando Melanie novamente
— Não, apenas a conta, perdi a fome – Respondeu Mel.
A menina pagou a conta e saiu do restaurante, o frio tinha aumentado. Para levar Augusto ao aeroporto Mel colocou uma jaqueta branca feita em Paris, presente de sua tia, uma calça preta apertada que ganhou de seu namorado, bem quente e bem cara, e botas prada que tinham um enorme salto, em sua cabeça havia uma toca também da cor branca, que fazia com que as pontas cacheadas de seu cabelo ficassem mais em destaque.
Não demorou muito para a menina chegar até seu carro, entrou dentro do veiculo e ficou encarando o volante por alguns minutos, as lembranças iam e viam a todo momento.
“Te amo Melanie, Te Amo”
Melanie deu um grito e saiu do carro rapidamente, infelizmente suas botas caras não foram feitas para correr, em alguns minutos a menina estava no chão, lágrimas começaram a escorrer de seus olhos e ela não tinha forças para se levantar.
— Você está bem – Falou um homem que veio correndo ajudar Melanie a se levantar
— Estou, eu estou bem – Falou Melanie se acalmando um pouco.
— Eu ouvi você gritar, tem certeza de que esta bem?
— Eu estou ótima, muito obrigado – Respondeu Melanie com um sorriso forçado.
A menina entrou em seu carro e foi embora o mais rápido possível do aeroporto. Dentro de vinte minutos Mel chegou ao prédio em que morava com seu amigo. Colocou o carro no estacionamento e foi para seu apartamento.
Depois de duas horas seu namorado tocou a campainha, a menina tinha tirado suas botas e colocados pantufas de coelho que eram bem mais quentes.
— Já vai – Gritou Melanie enquanto levantava correndo do sofá para abrir a porta.
— Eu devo ter errado o caminho, pretendia vir para casa da minha namorada e não para o palácio de uma princesa, você por acaso sabe onde estou? – Falou Felipe com um buquê de rosas na mão.
— Oi amor – Falou Mel indo beijar seu namorado.
Felipe retribuiu o beijo de sua namorada e entrou no apartamento. Mel pegou o buquê de rosas que seu namorado trouxe e colocou em um vaso com água.
— Como foi o trabalho? – Perguntou Melanie
— Foi um saco, muita pressão em cima de mim, mas o que posso fazer? Sou o gerente – Falou Felipe indo se deitar no sofá
Mel foi até o sofá e deitou-se por cima de seu namorado e começou a beijá-lo.
— Você parece estressado – Falou Melanie enquanto ia beijando seu pescoço.
— Estou um pouco, mas você poderia me ajudar a relaxar – Respondeu seu namorado com uma cara maliciosa.
— Se é o que deseja – Mel, depois de falar, começou a desabotoar a blusa de seu namorado, lentamente, enquanto ia beijando seu corpo em um lugar cada fez mais baixo.
— Espera um pouco – Pediu Felipe entre gemidos – Tenho uma coisa para te falar.
— Tem certeza que você quer esperar? Não é o que parece – Respondeu Mel apontando para o grande volume que aparecia na calça jeans apertada de seu namorado.
— Tenho certeza – Retrucou Felipe abotoando sua blusa – Feche os olhos Mel.
Melanie deu um pequeno sorriso malicioso, e depois fechou seus olhos.
— Espere um pouco – Pediu Felipe – Ok, pode abrir
Quando Melanie abriu seus olhos seu namorado estava ajoelhado perto dela, ele segurava uma pequena caixinha de cor preta que estava aberta, dentro da caixinha havia duas alianças, uma mais grossa e toda de ouro, e outra mais fina e com um diamante nela.
— Melanie Rodrigues você aceita se casar comigo?
—x-
O homem com as crianças levantou e todos eles foram em direção ao banheiro, Melanie começou a mexer no celular e foi até o twitter de Augusto para ver se o menino havia postado algo, infelizmente não havia nada. Para viajar ela tinha escolhido um vestido azul apertado, que ia até seu joelho, um salto alto preto e uma meia calça da mesma cor. O vestido era coberto por um grande casaco lilás que Melanie usava por cima, também presente de sua tia.
Não demorou muito até ser anunciado que o avião para Goiânia havia chegado. Melanie levantou-se, pegou sua mala e foi em direção a seu embarque, os outros que estavam sentados junto a ela também seguiram o caminho até o avião inclusive o homem com suas três crianças.
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