Amarras do Passado
27 Skinny Love - Birdy
Notas iniciais
Dias atuais
Katniss
"...And now all your love is wasted?
Then who the hell was I?
Now I'm Breaking at the Britches
And at the end of all your lines
Who will love you?
Who will fight
Whow will fall fas behind?..."
***
– E então, esta tudo bem com Elika? — Perguntou Annie quando eu me aproximei de onde ela estava na calçada movimentada.
– Sim. — Respondo depois de um suspiro bem audível. — Eu acabei de falar com Haymitch e parece que Effie e ele estão se divertindo muito com ela. Estão fanzendo alguma coisa com tinta e folhas de cartolina.
– Então por que você esta tão preocupada? — Me pergunta ela ao colocar uma mecha de seu cabelo ruivo atrás da orelha.
É claro que não posso contar para ela o porque de eu estar tão apreensiva em deixar Elika sozinha na casa de Haymitch. Mesmo sabendo que Effie e ele cuidam muito bem de minha filha, dão a ela toda a atenção e carinho que minha pequena merece. E minha Elika verdadeiramente os ama de todo coração. Da maneira mais doce que uma criança pode amar alguém que ela considera importante em sua vida.
E depois de deixá-la em sua casa hoje mais cedo, o meu antigo mentor praticamente me expulsou, dizendo que eu merecia tirar o dia de folga. E é mais do que claro que não vou ficar um dia inteiro longe da minha filha, mas como Annie disse que tínhamos que conversar, que ela precisava desabafar com uma amiga, eu decidi passar algumas horas apenas com ela. Já faz muito tempo que não tenho um tempo apenas para mim.
Mas, a desconfiança do que estava acontecendo na casa de Haymitch ainda era muito grande. Será que o pai de Elika apareceria por lá novamente? Eu estava sendo tola ao confiar em Haymitch? Ele me prometeu que o pai da minha filha não iria lá hoje, e eu estou confiando em sua palavra. Porém, confiar sempre foi um problema para mim. E meu antigo mentor não facilita nada sendo do jeito que é.
E como vou dizer a minha amiga que eu estou com medo de que o pai de Elika acabe descobrindo sobre ela. E para falar a verdade, eu comecei a pensar na possibilidade de procurá-lo, já que ele está tão desesperado por me encontrar, será melhor que eu vá encontrá-lo primeiro. Ou não?
Não sei o que pensar, estou tão confusa no momento, todos os motivos que eu tenho para não confiar nele, para não querer me encontrar com ele, se tornam pequenos quando eu penso em Elika.
Ela tem o direito de conhecê-lo. Mesmo que ele não a queira, mesmo que a família dele não a queira. Entretanto, me dá medo pensar que minha filha vai ser exposta a tanto ódio por parte dos Mellark's, que eles vão rejeitá-la e machucá-la como eles fizeram comigo. Como a mãe dele fez comigo.
Talvez eu deva esperar mais alguns anos, esperar Elika ficar mais madura e forte emocionalmente, antes de enfrentar a todos eles, eu vou defender a felicidade da minha filha com unhas e dentes. Elika é tudo na minha vida, ela é a pessoa que eu mais amo. Não vou suportar vê-la machucada por ninguém, não vou permitir que a família do pai dela a faça se sentir menos especial do que ela é, menos importante do que ela é. Não vou deixar que eles façam mal a minha filha.
Eles não a querem, como a mãe dele deixou bem claro para mim à alguns anos atrás, quando eu descobri da minha gravidez. Eu apenas não entendo, se ele me rejeitou uma vez, por que agora me procura tão desesperadamente?
Não faz sentido algum. Será que ele esta com algum tipo de consciência pesada? Se arrependeu por me mandar embora da sua vida? Eu realmente deveria não me importar com ele a respeito disso, mas infelizmente ainda me importo. Mas, tudo bem. Eu vou aprender a não me importar, agora que estou com Darius isso fica mais fácil.
– Não é nada de mais Annie. — Respondo depois de me forçar a voltar para o meu presente. Agora não é hora de ficar viajando em pensamentos aleatórios. Tenho que manter focada.
O pai de Elika é meu passado, Darius talvez seja o meu futuro.
– Eu apenas não estou acostumada a ficar longe da minha filha. E de forma exagerada eu me preocupo se ela está bem, se esta feliz, sabe? Esse tipo de coisa de mãe. — Continuo a minha resposta. — E você me convidou aqui por algo importante. Então me conte Annie, aconteceu algo de novo? Existe alguma coisa que você queira me dizer? Eu achei a sua voz estranha no telefone.
– Existe sim, Katniss. — Me responde ela depois de suspirar, seus olhos verdes mostram uma preocupação que antes não estava ali. Acho estranho já que Annie é sempre tão calma e serena. — Na verdade existem dois assuntos que eu gostaria de conversar com você. Eu não sei como começar nenhum deles, por isso estou adiando de forma tão vergonhosa.
Ela me dá um sorriso muito doce, o tipico de sorriso dela. Até hoje não sei como uma pessoa tão doce foi acabar com um desavergonhado como Finnick Odair. Eu devo admitir que os caminhos do amor são estranhos e inusitados.
– Bom, você pode começar a me contar o menos grave dos dois, o mais fácil de ser dito. — Incentivo-a, por dentro eu começo a me sentir ligeiramente curiosa.
– Esse é o problema, um assunto você não vai gostar, mas eu tenho que te alertar de qualquer forma, pois sou sua amiga e quero o seu bem. — Disse ela ao me encarar.
Logo, estamos nos encaminhando para um cafeteria e nos sentamos em cadeiras uma na frente da outra. Temos que parar de conversar para que possamos fazer os nossos pedidos. Annie pede um café expresso, eu peço um chá de hortelã e cascas de maçã. Quando o garçom nós deixa sozinhas Annie decide continuar o assunto.
– Já o segundo assunto, é pessoal e esta me deixando de cabelos em pé. — Me diz ela ao sorrir, seus olhos continuam com aquele brilho de preocupação. — Preciso da sua ajuda.
– Claro que você tem a minha ajuda. você sabe que o que eu puder fazer para te ajudar eu vou. — Digo a ela, depois de tocar em sua mão que descansava sob a mesa. Meu toque é rápido, mas espero ter passado um pouco de conforto para sabe-se lá o que a esteja incomodando. — Que tal você me contar sobre o primeiro assunto, já que ela diz respeito a mim.
– Ok. Você esta certa. Mas, por favor não saia correndo como da última vez. Me dê uma oportunidade de me expressar primeiro. — Pede ela, e logo eu já estou com os músculos das minhas costas extremamente tensionados. Eu sei do que ela quer conversar, e de jeito nenhum estou afim de conversar sobre esse assunto.
Ela quer que eu converse sobre o pai de Elika, quer me dar alguns conselhos, ou não sei. Quero correr para bem longe dela e desse assunto. Mas, decido por Elika que tenho que ficar e escutá-la, pode ser que não seja isso, mas esta na hora de deixar algumas coisas claras para Annie sobre esse assunto. São coisas que eu não gostaria de estar remoendo.
– Eu acho que já sei sobre o que você quer falar. — Falo para ela ao pegar um guardanapo de tecido a minha frente na mesa redonda que dividimos e começar a desdobrá-lo e dobrá-lo em seguida. Um sinal claro de nervosismo. Mas, o que posso fazer a respeito. Tenho que segurar em algo agora ou posso apenas sair correndo para longe.
– Eu sei que você não quer saber nada do Peeta, e que evita qualquer tipo de conversa sobre ele, mas eu tenho que te avisar se você ainda não sabe que ele está te procurando. — Diz Annie com olhos brilhando. — Eu soube pelo Finnick que ele até mesmo foi no Distrito Doze atrás de você, e ele andou mexendo em alguns papéis velhos da época em que estava empenhado em te encontrar, logo que você saiu da Capital. Ele até mesmo disse a Finnick, à alguns dias atrás, que achava que tivesse visto você perto da casa daquele seu professor, eu esqueci o nome dele...
– Haymitch. — Eu disso para ela.
– Sim, esse mesmo. — Confirma ela continuando a sorrir. — Meu marido e Peeta se encontram de vez em quando, eles são grandes amigos, você sabe. E ele contou isso para Finnick. Eu fiquei sem saber o que dizer, pois eu mesmo ainda não contei para Finnick que tenho me encontrado com você.
– Eu sei, e agradeço por isso. Por você ser uma boa amiga e respeitar a minha vontade por privacidade. Eu sei que para você é muito difícil esconder algo de Finnick. — Falo tentando manter a minha voz estável e confortável. Então o pai de Elika me viu naquele dia. Eu sabia que ele tinha visto, ainda não sei o porque de ele ter desistido de entrar naquela lanchonete, mas sua desistência me salvou no dia. — Isso aconteceu a algumas semanas atrás, e eu o tinha visto, mas achei que ele não tinha me visto ao todo. Pelo visto eu estava errada. Ele disse algo diferente para Finnick?
– Oh, Katniss. Eu não sabia que você o tinha encontrado. — Disse Annie com os olhos brilhando. — Ele não disse nada de mais para o Finnick, apenas que achava que a tinha visto perto da casa de Haymitch, mas que não foi investigar e que se arrependia disso.
E eu agradeço muito. Penso sem humor, lentamente eu posso sentir a velha sombra de dor de sua perda me rodeando lentamente. E tenho que morder a minha língua com força para não acabar contando tudo para Annie.
– Não foi nada de mais, Annie. Eu apenas o vi ao longe e logo me afastei, você sabe que não quero encontrá-lo, que não quero vê-lo nunca mais...
Imediatamente eu sei que estou mentindo para eu mesma. Que tudo isso é baboseira. Eu quero me encontrar com ele, quero voltar a olhar em seus profundos olhos azuis e ver o seu sorriso. Quero ouvir o som de sua voz, quero escutá-lo rir como antigamente. Existe algo perigoso dentro de mim que insiste em ainda querê-lo. E é isso que eu tenho que combater diariamente.
–... eu não quero cometer os mesmos erros de antigamente, hoje tenho responsabilidades que antes eu não tinha. Elika depende inteiramente de mim. Tenho que ser forte por ela Annie. E reencontrá-lo é abrir feridas que demoraram muito para sarar...
Sararam? Pergunto de forma debochada em meus pensamentos. É obvio que não sararam. Talvez nunca sarem. Mas, aprendi a lidar com essa dor, e hoje eu sei até que ponto eu posso deixar que esse tipo de sentimento domine os meus pensamentos.
–...e também sei que você pensa que reencontrá-lo pode me ajudar a resolver muitos problemas da minha vida, mas Annie a verdade é que não vai me ajudar em nada. Só me trará uma infinidade de novos problemas. — Termino o meu pensamento. Ela continua a me encarar com olhos cheios de sentimento. Não os encaro por muito tempo, pois não quero saber que tipo de coisas ela pensa sobre mim. Não quero saber que ela sente pena da minha situação atual. Não quero saber se ela acha que sou teimosa demais para mudar de pensamento.
Há muitos anos eu deixei que ser a garota boba e fácil de enganar de antes. Tola demais para perceber que algumas coisas na vida apenas não dão certo.
Hoje eu sou mais realista do que antes, sei que continuo a errar e a mudar, sei que estou acertando e me perdendo todo o momento. Mas, Elika é a ancora que me mantém a deriva nesse mar tempestuoso, Ela me mantém presa a terra. E foi por ela que eu decidi abrir meu coração mais uma vez.
Sei que não amo Darius, sei que estamos juntos a pouquíssimo tempo e que estamos nos conhecendo aos poucos. Entretanto, eu consigo não ser tão fatalista sobre o meu futuro romântico como eu costumava ser, e isso se deve a ele, exclusivamente por ele ser esse homem tão maravilhoso. Talvez eu acabe me apaixonando por ele, e lentamente ele me fará amá-lo tanto quanto eu amei o pai de Elika.
Tanto como eu ainda o amo. E nesse momento sinto o meu corpo todo se arrepiar.
– Ele viu Elika? — Perguntou Annie, depois que o garçom veio até nossa mesa deixar o nosso pedido. Não pude esperar muito tempo e logo depois que ele se retirou eu já estava bebericando calmamente o meu chá. Tive que tomar cuidado com a bebida, já que ela estava bem quente. Annie também pareceu estar se deliciando com a dela.
– Não que eu tenha notado. — Respondo depois de dar de ombros. Sem me estender mais no assunto. Ela sabe que eu não vou falar de Elika e seu pai no mesmo dia. Ainda não estou preparada para tratar disso, para enfrentar esse assunto com ela.
Ficamos em silêncio por mais alguns instantes, cada uma apenas desfrutando de sua bebida quente.
O clima na Capital está muito agradável no dia de hoje.
– Você pensa em falar com ele? Não agora, mas talvez em um futuro? — Ouço-a me perguntar. Por um instante eu apenas a encaro e depois aceno com a cabeça em um gesto positivo.
– Talvez algum dia eu converse com ele, eu ainda não sei. Mas, tenho pensado nisso. — Respondo sendo o mais sincera possível. Depois decido que já está na hora de mudarmos de assunto já que eu não estou disposta a continuar a falar sobre um assunto que me trás tanta aflição. — Qual era o segundo assunto que conversaríamos por hoje? Você disse que queria me contar algo pessoal.
– Ah, sim. Claro que disse. — Disse ela ao corar, rapidamente desviou sua atenção para as pontas de seus dedos. — É que aconteceu algo extraordinário, e eu sei que deveria contar para Finnick primeiro, mas como você é minha melhor amiga e eu queria dividir isso com outra mulher, já que minha mãe mora tão longe.
– E o que seria? — Perguntei ao estar genuinamente aliviada por ela aceitar a mudança em nosso assunto. Também estou curiosa para saber o que aconteceu para Annie estar agindo tão estranha.
– Eu estou grávida. — Disse ela ao me olhar, seus olhos brilhando pelas lágrimas não derramadas enquanto um enorme sorriso estampava o seu rosto bonito. Eu sinto o meu corpo congelar por alguns pequenos instantes e depois volto ao normal.
– Oh, não posso acreditar! — Afirmo surpresa e no mesmo momento estamos rindo em voz alta. E sinto o meu coração se encher de calor e felicidade pela minha amiga. — Parabéns Annie. Estou tão feliz por você.
Annie apenas sorri ao tentar conter a enxurrada de lágrimas que escorrem pelo seu rosto, entre um sorriso e outra crise de lágrimas ela está tão radiante de felicidade que até mesmo posso sentir essa expansão no ar ao nosso redor. Minha mão alcança a dela e eu a aperto com gentileza, também sinto os meus olhos marejados.
– Você esta de quantos meses? Quando descobriu? Eu quero saber tudo. — Minhas perguntas saem um pouco atrapalhadas pela minha ansiedade.
– Eu descobri à dois dias atrás, por isso te liguei. Eu andava me sentindo tão mal que o diretor da firma onde trabalho apenas me dispensou mais cedo e me disse para ir ao médico, eu fui e depois de um exame de sangue eu descobri que estava grávida. — Me contou Annie ainda sorrindo bobamente. — O médico que me atendeu me disse que eu estava de quase dois meses, e que minha gravidez esta indo muito tempo. Mal posso acreditar que isso esteja acontecendo comigo, estou tão feliz, estou com tanto medo, estou sentindo tantas coisas ao mesmo tento que fica difícil pensar racionalmente, e agora eu não consigo parar de chorar a respeito disso. E Finnick andou me olhando de forma muito estranha nos últimos dois dias.
É nesse momento que eu também me pego derramando algumas lágrimas de felicidade por essa noticia tão feliz, principalmente porque eu me lembro perfeitamente da sensação de quanto eu descobri que estava esperando Elika.
– Annie, estou tão feliz por você. Sabe, um filho é uma grande responsabilidade, mas também é a melhor coisa que pode acontecer com qualquer mulher. Muda as nossas vidas para sempre, mas nós enchem de felicidade. — Comento com ela depois de enxugar minhas próprias lágrimas. — Não fique preocupada em sentir medo, isso é normal. Eu sinto medo até hoje, mas continuo lutando para que Elika tenha tudo o que precisa para ser feliz, para que ela tenha todo o amor que eu posso dar. Você vai ver, esse bebê vai ser o maior milagre da sua vida.
Annie cai no choro mais uma vez. Tenho que esperar mais alguns instantes para ela se acalmar, minha mão ainda esta segurando a mão dela.
– Eu estou tão feliz, Katniss. Eu sei que faz pouco tempo que eu sei, mas eu já amo tanto essa criança que esta dentro de mim. — Ela coloca a sua mão livre no ventre, uma atitude protetora e de carinho.
– Quando você pretende contar para o Finnick? — Pergunto ao sorrir, não preciso ver o rosto do meu antigo amigo para saber que ele vai surtar com a noticia. — Ele vai explodir de felicidade quando descobrir.
– Eu sei, eu pensei em contar imediatamente, mas depois eu decidi que queria fazer algo especial antes de contar. Sabe o nosso aniversário de namoro esta tão próximo, vai acontecer daqui a duas semanas, acho que vou fazer um jantar especial, somente eu e ele e no final eu conto a surpresa. — Diz Annie ao suspirar feliz, ela não esta mais chorando, mas seus bonitos olhos verdes ainda estão molhados pelas lágrimas. — Quero que seja algo que ele nunca vai esquecer. O que você acha, Katniss? Acha que ele vai gostar?
– Annie, não fique preocupada. O Finnick vai amar qualquer jeito que você decida contar da gravidez. Você vai fazer dele o homem mais feliz do mundo. Que homem não quer ser pai? Que homem não ficaria feliz com essa noticia? — Pergunto para ela, e de repente esse pergunta me derruba de tal forma e tão abruptamente que é impossível eu não chorar, eu apenas não consegui controlar a crise de lágrimas que me abateu, a dor em meu peito que fez com que eu me curvasse um pouco.
Que tipo de homem não iria querer saber que vai se tornar pai? Eu me pergunto ao esconder o meu rosto com as minhas mãos e tento, tento muito ser o mais discreta possível em minha crise de choro. Eu não consigo entender por que o pai de Elika me rejeitou de forma tão mesquinha, por que me fez passar por uma gravidez sozinha. Eu sei que tenho a minha parcela de culpa por não ter contado para ele sobre Elika, mas eu tive os meus motivos.
Eu apenas queria que Elika tivesse o pai dela próximo a ela. Que minha pequena pudesse crescer conhecendo-o, amando-o, que tivesse a oportunidade de chama-lo de pai. Eu também queria que ele soubesse dela, que ele pudesse amá-la, e eu sei que ele nunca vai poder, eu sei que ele não quer isso, que nunca quis, e que vai ficar extremamente nervoso e envergonhado por eu ter engravidado dele.
Ele vai me odiar por isso. E a família dele vai me odiar por não ter me livrado dela, como a mãe dele queria. Mas, eu não pude fazer isso.
E não entendo o por que de eles não conseguirem amar a minha garotinha como eu a amo. Não entendo como esse familia horrível não possa ver o grande milagre que ela é.
Sinto os braços de Annie a minha volta, ela está me abraçando fortemente.
– Desculpe Annie...eu não queria chorar desse jeito...eu não sei porque estou agindo dessa forma...- Começo a dizer entre os meus soluços, mas logo sou dominada por outra crise de lágrimas. Dessa vez ela passa mais rapidamente, mas devo esse fato principalmente por Annie estar me consolando, por estar me abraçando de forma tão doce.
Quando eu demonstro que quero me afastar Annie apenas me solta e volta a se sentar na cadeira que ocupava quando chegamos. Ela não diz nada, mas seus olhos sempre tão expressivos me dizem muita coisa, e demonstram toda a preocupação em me ver desmoronar dessa forma. Eu só fiz isso na frente de uma pessoa uma única vez. E foi Johanna que me consolou naquela época. E eu não queria que Annie tivesse visto isso.
Nós continuamos quietas por mais alguns instantes, palavras não são necessárias para que ela saiba os motivos de eu desmoronar tão abertamente.
– Desculpe. — Peço novamente, lentamente eu me força a me recompor. — Eu não sei porque eu chorei, mas obrigada por me abraçar, por estar comigo hoje.
– Katniss. — Diz ela cheia de novas lágrimas nos olhos. Cheia de dor pela minha dor. — Eu queria que as coisas tivessem sido diferentes entre você e o Peeta. Eu odeio te ver assim, mas eu quero que você saiba que ele não esta muito melhor, eu nunca o vi tão desesperado por te encontrar como agora. Nos últimos anos Finnick e eu o vimos se afundar em ressentimento e magoa, nós nunca entendemos o porque, pois ele nunca quis conversar conosco. E Glimmer fez da vida dele um inferno depois que você partiu. Graças aos céus que ele não esta mais com ela.
– Obrigada Annie, eu não chorava assim a algum tempo. E não fique preocupada, eu sei cuidar de mim mesma, e agora que estou com Darius as coisas estão melhorando, sabe? Ele me faz tão bem, é tão diferente de...
Travo ao não conseguir pronunciar o nome do meu antigo amor. Logo respiro fundo e continuo a falar.
– ...Não importa mais, o que passou deve ficar no passado, e eu quero apenas esquecer de tudo isso. — Para minha surpresa até consigo sorrir nesse momento, meu peito está um pouco mais aliviado por ter chorado. — Essa é uma coisa que eu queria conversar com você. Eu quero que você o conheça, é muito importante para mim.
– Claro, Katniss. — Afirma ela com uma expressão mais feliz e não tão preocupada. — Quando você quiser, eu realmente quero conhecer o homem que faz com que você sorria dessa forma.
– Eu estava pensando na próxima sexta na hora do almoço, o que acha? — Pergunto para ela ao terminar de fungar. Eu já sinto que meu rosto esta seco, o que é ótimo, já que eu detesto chorar. — Eu sei que nós não trabalhamos tão próximas, mas é o único dia dessa semana que ele vai estar de folga do centro policial. E podemos escolher qualquer restaurante que você quiser.
– Pode sim, acho que sexta é um ótima dia. — Diz Annie sorrindo abertamente. — Eu queria poder levar Finnick.
– Ótimo, vou deixá-lo avisado então. — Falo ao também sorrir. — Essa semana eu te ligo para marcamos o restaurante e o horário. E vamos esperar que seu aniversário de namoro com ele passe, e que você conte da gravidez, depois eu prometo que nós poderemos marcar um dia para eu reencontrá-lo. O que acha?
– Que maravilha, ele vai ficar tão feliz em poder revê-la. E tudo bem, eu também vou pesquisar alguns restaurantes para o nosso encontro dessa semana. — Conta ela ao passar as mãos pelo cabelo.- O que vamos fazer agora? Ainda temos algumas horas antes de você ir buscar Elika na casa do Haymitch.
– Que tal se nós fossemos visitar algumas lojas de bebês, quero ver o seu rosto ao olhar as pequenas peças dos recém nascidos. — Digo a incentivando.
– Oh, Katniss. Isso seria tão perfeito. — E seus olhos voltam a brilhar daquela forma que somente uma mãe faz ao pensar em seus filhos. — Eu quero tanto isso.
Então, não demoramos muito a pagar a nossa conta na cafeteria e muito rapidamente nos dirigimos para o shopping mais próximo.
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