Amarras do Passado

53 Mirrors - Justin Timberlake


Notas iniciais
Olá, pessoas. Chegamos ao final de Amarras do Passado, eu tenho tanto a dizer e ao mesmo tempo não sei por onde começar. Mas, vou fazer o meu melhor para não ser repetitiva e maçante. Primeiramente gostaria de agradecer a você que leu ADP até o seu final. Muito obrigada pela oportunidade, por tirar algum tempo do seu dia para ler algo que escrevi. Significou muito para mim. A história base de ADP foi construída dentro de um vagão de trem, no caminho que eu fazia para ir ao trabalho, eu não conseguia tirá-la da cabeça, então decidi escrevê-la e fico feliz em dizer que me sinto orgulhosa dessa decisão, foi através de ADP que conheci pessoas maravilhosas, aprendi muito e pude evoluir a minha escrita, sei que não sou perfeita e estou em constante estado de aprendizagem. Em ADP eu chorei, sorri, gargalhei, tive longos bloqueios criativos e ouvi muitas músicas que me ajudaram a transpassar esses bloqueios, não é atoa que cada capítulo tem sua música base. Foi um desafio criar em dinâmicas tão diferentes (Passado e o Dias Atuais), e fazer com que todo o final tivesse um sentido. Eu devo ser a autora mais chorona do mundo, porque escrever o final da minha fanfic foi muito emocional para mim. E Mirrors foi escolhida especialmente para o final de ADP, engraçado que eu estava no começo da escrita dessa fanfic, não sabia o que aconteceria em muitas partes, mas sabia que a música do último capítulo seria essa. Tenho que agradecer a Gabriele Neves por criar a capa de Amarras do Passado aqui para o Nyah! Também agradeço a todas as leitoras que RECOMENDARAM, FAVORITARAM E ACOMPANHARAM minha fanfic até esse final. Vocês fizeram toda a diferença na minha vida, quando decidi postar ADP não imaginei que conheceria pessoas tão maravilhosas. Eu recebi muito apoio de vocês e isso me marcou muito. Obrigada ♥ Para não enrolar muito continuarei meus agradecimentos no final. Boa leitura!

Dias atuais

Katniss

"...Cause I don't wanna lose you now, I'm lookin' right at the other half of me,

The vacancy that sat in my heart, Is a space that now you hold

Show me how to fight for now, And I'll tell you, baby it was easy

Comin' back into you once I figured it out, You were right here all along

It's like you're my mirror, My mirror staring back at me

I couldn't get any bigger, With anyone else beside me

And now it's clear as this promise, That we're making

Two reflections into one, Cause it's like you're my mirror

My mirror staring back at me, Staring back at me..."

Justin Timberlake

***


O apito da estação de trem é auto e me assusta, ele indica que minha filha e eu já devemos embarcar. Eu olho para a porta do trem e meu coração dispara no peito, depois volto o meu olhar para todos os lados da estação. Meus olhos procuram sem conseguir achar quem realmente importa.

Elika está nos braços de Haymitch, ele conversa amavelmente com minha menina. Effie está ao lado deles enxugando delicadamente uma lágrima de seus olhos claros. Minha menina beija várias vezes o rosto do meu antigo mentor.

Finnick, Annie, Cinna e Rodrick também estão aqui, essas são todas as pessoas que vieram se despedir de Elika e eu em nossa volta para o Distrito Doze. Apenas eles, nada de Peeta.

Onde ele está? Ele deveria estar aqui para dar um abraço em sua filha. Para se despedir de mim.

Estou triste e brava com ele, essa atitude infantil de nem ao menos vir na estação de trem para uma despedida. Se ele não queria vir por mim, então deveria ter vindo pela filha dele. Eu nem ao menos sei se vou voltar para a Capital. Quando disse que precisava de um tempo não insinuei que nunca mais queria vê-lo.

Já fazem quase três semanas que ele saiu da minha casa aqui na Capital, desde então manteve contato apenas pelo telefone e esse contato era voltado para a nossa filha. Ontem mesmo ele conversou com ela por telefone, depois de vários minutos dos dois no telefone quando eu enfim tive a oportunidade de conversar com ele nós dois falamos apenas amenidades e por um tempo muito curto. Não tive a oportunidade de perguntar se ele viria até a estação de trem para uma despedida.

Peeta apenas me disse que estava trabalhando muito nos últimos dias e que não podia se estender na conversa, que falaríamos ainda hoje.

Durante toda a manhã ele não me ligou e não podia mais esperar, então fechei a casa em que morei por um ano, entreguei as chaves na mão de Haymitch e ele e Effie nós trouxeram até a estação.

Foi Effie e seu talento supremo para organização que me ajudou em todo o processo de mudança. O bruto dos meus pertences foi enviado há três dias para o Hotel onde vou ficar com Elika, ficou apenas duas malas que posso cuidar até o meu desembarque na estação do Doze e que também já estavam dentro do trem, no compartimento de carga. Então, não tenho muitas coisas para carregar, além de uma bolsa de mão e uma mala pequena com o essencial para fazer a viagem mais tranquila para minha filha e eu.

Quando o apito do trem é acionado mais uma vez sei que nossa oportunidade de esperar por Peeta está acabando, eu tenho que embarcar o tempo está passando e não vejo nem sinal dele na grande plataforma, ele me falou diversas vezes que estava muito ocupado, mas isso é ridículo.

— Katniss. — Sou acordada do meu devaneio quando escuto Annie me chamar. — Não chora, ele não está vindo.

Passo as mãos pelo meu rosto e é com surpresa que noto a umidade de desce pelos meus olhos, estou chorando e nem percebi esse fato. Mas, deve estar na cara de qualquer pessoa a minha busca pelo pai da minha filha.

As palavras de Annie são iguais a punhais entrando em meu coração, ela sabe que estou procurando Peeta, sabe que ainda não embarquei com a minha filha apenas para esperar por ele e saber que ele não vir hoje, destrói um pouco do meu emocional.

— Ele tinha que estar aqui, pelo menos pela filha dele. — Escuto o desabafar rancoroso da minha voz.

— Ele ama a Elika. Ama vocês duas. — Annie me diz ao me abraçar.

— Não parece Annie, apenas não parece nem um pouco, onde ele andou nessas semanas que não conseguiu tirar um dia sequer para ver Elika? — Estou sussurrando para ela, não gosto disso, não gosto nem um pouco do modo que ele está nos tratando.

Eu disse que precisava de um tempo, não que queria que ele fosse embora da minha vida e da vida de nossa filha de forma definitiva.

—Se ele está com raiva de mim, não deve descontar isso na filha dele. Elika o ama, Annie, o que ele está fazendo com nós duas é injusto e infantil. — Desabafo mais um pouco, sinto o meu peito rasgar por dentro.

A verdade é que estou morrendo de saudades, preciso dele do meu lado, preciso colocar meus olhos nele, sentir seus braços ao meu redor e é irritante perceber que Peeta levou a nossa última conversa frente a frente de forma definitiva.

— Não fique assim, tudo vai se resolver, ele não disse que vocês conversariam hoje? — Annie me pergunta de forma doce ao passar a mão esquerda no meu braço. Quando afirma com a cabeça ela continua a dizer. — Então, você tem que esperar, vai ver ele tem um bom motivo para não estar aqui hoje.

Eu não digo nada, apenas a abraço apertado, vou sentir muita saudade da minha amiga. Ter encontrado com a Annie naquela tarde no trem há vários meses mudou a minha vida.

Annie está radiante hoje, a gravidez está nos seus últimos momentos e ela vibra uma energia positiva que é quase cegante.

— Annie tem razão, Katniss. Peeta me garantiu que vocês vão conversar hoje. — Diz Finnick ao me abraçar. — Segura a ansiedade, magrela.

Magrela. Faz semanas que ele não me chama assim, não sei por que ele insiste em manter esse apelido bobo de quando nós estudávamos na Universidade.

— Vou sentir saudade de vocês dois. — Falo ao olhá-lo profundamente. — Prometa que vai cuidar da minha amiga e que quando vocês puderem vão me visitar no Doze.

— Nós prometemos, Katniss. — Ele diz ao sorrir sedutoramente. — E é claro que vou cuidar muito bem do amor da minha vida. As coisas vão se resolver, magrela. Acredite.

Fica difícil acreditar em qualquer coisa quando o meu coração está partido. Ainda assim, mesmo sabendo que Peeta não vem, insisto em dar uma última olhada em volta. Ter esperança por algo é a pior sensação.

Depois dos abraços de Annie e Finnick, é Cinna que vem me abraçar.

— Katniss, foi um enorme prazer ter você na minha equipe esse ano, vou sentir falta dos seus resmungos e eficiência no escritório. Por favor, saiba que as portas da minha empresa estão abertas para você. Me procure se você precisar voltar para a Capital, você tem um emprego garantido na minha grife. — Meus olhos lacrimejam com o seu discurso doce, Cinna foi o melhor patrão que já tive, Portia e ele sempre foram atenciosos, sempre me respeitaram dentro do ambiente de trabalho. Também mantiveram um carinho muito grande por minha filha e não poderia pedir nada mais de um empregador.

— Mande um grande beijo para Portia, sei que ela não pode estar aqui, mas vocês foram pessoas maravilhosas na minha vida, vocês abriram as portas para mim, mesmo sabendo que minha experiência era medíocre. Se vocês precisarem de algo, por favor não exitem em me chamar, mesmo no Doze vou fazer todo o possível para ajudá-los.

Depois de mais um abraço longo, Cinna foi se despedir de Elika e o pai de Peeta de aproximou de mim.

— Você sabe que sempre vai poder contar comigo Katniss Everdeen, eu gostaria muito que você reconsiderasse e ficasse aqui na Capital, porém sei que este não é o melhor lugar para se educar um filho, então te apoio na sua mudança para o Doze. — Sua aparência tão igual à de Peeta quase me faz cair no choro, suas palavras são carinhosas e não poderia esperar nada menos dele.

— Elika vai sentir sua falta todos os dias. — Afirmo ao me aproximar e o abraçar. — Obrigada pelo amor que você tem por minha filha. Significa muito para mim.

Rodrick tem que enxugar os olhos nesse momento.

— Ela é muito preciosa, uma alegria enorme em minha família. Sabe, estou pensando em comprar uma casa pequena do Distrito Doze, para passar as férias e esse tipo de coisa, eu ficaria mais próximo de você e da minha neta nos finais de ano.

Sorrio verdadeiramente para ele. Rodrick é um bom homem e vai ser um bom avó para Elika.

— Seria um prazer ter você por perto, estou certa que Elika ficará extasiada com a sua presença. — Afirmo para ele ao enxugar algumas lágrimas que também escorriam por meu rosto.

Depois de nossa despedida Rodrick vai pegar Elika dos braços de Haymitch. Até o avô de Elika conseguiu tirar algumas horas de sua rotina conturbada de empresário para vir se despedir de sua neta. Mas, o filho dele decidiu que estava muito ocupado para isso.

Estou tendo esses pensamentos destrutivos quando olho para o meu antigo mentor e é somente olhar para ele que sinto o meu coração se apertar.

Haymitch me encara de forma séria e sem nenhum aviso caminha em minha direção e me abraça, coisa que ele não costuma fazer nunca. E é então que eu desabo. Permito que meus braços também o abracem e choro o mais silenciosamente que posso.

Sinto que Haymitch faz carinho nos meus cabelos enquanto ainda me mantém em um abraço de urso.

— Novamente você vai embora e me deixar aqui com esses idiotas da Capital, quem vou irritar agora? — Ele me diz com sua voz de trovão o que me faz rir em meio a um soluço. — Vou te contar um segredo, docinho. Você está certa em ir embora, por mais que me doa ficar longe da baixinha, tenho certeza que ela vai florescer no Distrito Doze. E é isso o que nós queremos, não é? Que Elika cresça e se transforme em uma mulher tão espetacular quanto a mãe dela.

— Haymitch. — Começo a dizer tentando ao máximo controlar um soluço. — Obrigada por tudo o que você fez por mim, eu serei eternamente grata por toda a sua ajuda, pelo amor que você tem pela minha filha, você e Effie mudaram a minha vida, me deram oportunidades, acreditaram em mim...

— Quieta, docinho, chega de sentimentalismo você sabe que não gosto nem um pouco disso. — Ele me diz ao me encarar, sua mão está no meu rosto e existem umidade nos seus olhos. — Você sabe que minha casa estará sempre aberta para a baixinha e você. E nem ouse me afastar dela, Effie e eu já combinamos de ir passar o Natal com vocês, então quando estiver perto das festas você apenas encomende a ceia de natal, deus sabe que Effie e você são péssimas cozinheiras.

Começo a rir imediatamente, essa é a pior despedida de todas, mas esse é o jeito de Haymitch e se não fosse assim nós dois provavelmente não seriamos amigos. Depois do seu abraço, caiu imediatamente nos braços de Effie, ela me aperta ainda mais que seu marido e acaba por molhar minha camiseta com suas lágrimas.

Quando estou pegando Elika no colo, já me preparando para embarcar, Haymitch me para abruptamente.

— Katniss, apenas me prometa que vai tentar ser feliz, que vai deixar de ser teimosa e aceitar a felicidade que a vida lhe trouxer. — Sua voz de trovão está cheia de significados ocultos. Eu não entendo muito bem o que ele quer dizer, mas prometo mesmo assim.

Quando o apito do trem soa pela terceira e última vez já estou me encaminhando para a minha cabine. O lugar e grande e aconchegante, mal entramos e Elika já solta a minha mão para explorar tudo ao redor. Depois de fechar a porta da cabine as minhas costas eu me sento em uma poltrona de couro verde-oliva e fico admirando a minha filha em sua brincadeira.

Foi Haymitch que trocou meus passes comuns por passagens nas cabines particulares, disse que era um presente de despedida. Eu falei para ele em uma de nossas conversas que se as coisas não dessem certo por lá, que eu voltaria para a Capital, mas parece que ele não levou a sério.

Sem conseguir conter meus olhos me levanto e caminho até as janelas da cabine, mas não consigo ver onde meus amigos estão, pois existem muitas pessoas na plataforma se despedindo de seus familiares e amigos. Todavia, existe apenas uma pessoa que eu gostaria de encontrar, um homem de cabelos loiros e olhos azuis correndo até o trem, gritando para que eu ficasse com ele.

Mas, ao cogitar que Peeta mudaria toda a vida estável que ele tem aqui na Capital por uma vida mais simples no Distrito Doze é algo impensável, ele nunca faria isso. E não porque ele é esnobe nem nada disso, apenas porque sua vida está enraizada na Capital.

Quando o trem começa a se mover tenho que desistir da minha espera infantil. Peeta não vai aparecer, talvez ele me ligue essa noite, eu deixei o telefone do Hotel onde minha filha e eu vamos ficar para ele e todos os meus amigos, então apenas fico me perguntando se ele vai cumprir sua promessa.

Será que esse é nosso fim? Fico me perguntando, será que vamos começar a conversar sobre a guarda compartilhada de Elika e esse tipo de coisa?

Sinto medo quando penso nisso, me sinto pequena, me sinto afogar. Não quero me afastar dele, essa é a verdade. Eu o amo e essas semanas separados apenas me fizeram mais ciente disso, é horrível não tê-lo ao meu lado, não ter a segurança de nossa pequena família.

Sei que fui eu que pedi um tempo, mas ele não precisava me afastar de maneira tão definitiva. Então no meio da dor de sua partida eu quis dar isso a ele, esse tempo para que ele também possa desenvolver suas prioridades e entender seus sentimentos.

Posso afirmar que passei a entender mais os meus. Agora gostaria de ter conversado com ele sobre o meu desejo de partir da Capital e tentar achar uma solução para o nosso dilema, esse tempo parece longo de mais e a vida é muito curta para fugir do amor que sentimos um pelo outro.

— Mamãe. — Elika me chama com a sua voz melodiosa. — Estou com fome.

— É claro, passarinho, vamos para o vagão-restaurante para comer alguma coisa? — Pergunto para a minha menina.

— Sim, eu quero achocolatado e pão de queijo. — Ela me diz feliz. E é então que paro os meus pensamentos autodestrutivos a respeito do meu relacionamento com o pai da minha filha para atender as suas necessidades.

A viagem até o Distrito Doze é longa e dura um dia todo, logo tenho muito tempo para me distrair com tudo o que deixei para trás e tudo o que me espera. Por um lado fico muito feliz em saber que Haymitch no final chegou a apoiar minha ida para o Doze. Sei que estou certa em voltar para o meu Distrito, lá é um bom lugar para se viver, Elika vai estudar e crescer e quando for mulher vai poder ir para a Universidade na Capital.

Essa é minha chance de fazer tudo dar certo, dessa vez tenho as referências necessárias para conseguir um bom emprego e dinheiro o suficiente para me manter durante muitos meses. Afinal, Elika e eu não temos muitos gastos, não no Doze.

Não vejo a hora de pisar no meu Distrito, sentir o cheiro doce da floresta próxima da cidade, olhar no rosto dos cidadãos cansados e honestos, gente trabalhadora e de princípios, tenho muita coisa para fazer assim que desembarcar na estação, vou tirar o dia de hoje e amanhã para cuidar de Elika e do cansaço da viagem, em seguida vou atrás de emprego na prefeitura, ainda bem que minha amiga Madge já deixou uma entrevista marcada para mim, ainda tenho que procurar escola para minha filha e um empreiteiro para começar as obras na minha casa na costura.

O dia de viagem passa muito lentamente, Elika dorme durante a maior parte da tarde, eu não consigo fechar os meus olhos por cinco minutos seguidos, o sono me abandona a todo momento.

A verdade é que me seguro para não chorar, tenho que pensar que as coisas não acabaram muito bem com Peeta, mas minha vida vai continuar e talvez se ele não me ligar vou ligar para ele. Nós dois não deixamos nada acertado, então posso exagerar nesse sentido.

Quando o dia enfim acaba e o sinal para a chegada ao Distrito Doze é acionado, eu respiro profundamente e passo a cuidar dos últimos detalhes para a nossa chegada ao Distrito Doze.

— Nós vamos ver o papai agora, mamãe? — Elika me pergunta depois que a visto com um casaco de frio, já que o tempo aqui é bem diferente do que na Capital. Eu também coloco um casaco preto e seguro a pequena mala de mão que trouxe, ainda verifico mais uma vez para ver se Elika e eu não deixamos nada para trás, quando estou satisfeita é que me preparo para a saída no trem.

Não demoramos muito para sair, o que mais demora para fazer é ir até o salão de desembarque das malas e retirar as duas malas que trouxe comigo, é nesse momento cansativo que agradeço a ajuda de Effie por mandar as minhas outras malas a alguns dias, eu não poderia cuidar de tantas coisas e ainda me manter atenta em uma criança.

A pergunta de Elika me marca e é por isso que não consigo respondê-la. Peeta está na Capital e talvez demore algum tempo para Elika encontrá-lo novamente. Mas, estou tão cansada da viagem que meu desejo mais forte é chegar ao hotel o mais rápido possível, tomar um longo banho e dormir tranquilamente.

Elika me ajuda a colocar as nossas malas em um carrinho de bagagem e juntas nós duas atravessamos a estação de trem até a área dos táxis. Effie me disse que já tinha contratado um taxista que nos levaria até o Hotel, por isso procuro atentamente alguém que segure uma placa com o meu nome.

Não demora muito e vejo um senhor segurando uma placa onde se lia Katniss Everdeen, então faço Elika segurar a minha mão e vamos direto para esse homem, ele aparente ter uns quarenta anos e seus olhos são expressivos e animados.

— Olá, boa noite. Eu sou Katniss Everdeen. Effie Trinket te contratou? — Pergunto sem me alongar.

— É claro que contratou senhorita Everdeen, é um prazer de conhecer. — Ele me diz ao ir até o carrinho que levo com dificuldade e me ajuda a manuseá-lo até o seu táxi vermelho. — Meu nome é Henry, vou ser o seu motorista de hoje, a senhorita Trinket me disse onde levá-las e o pagamento já foi feito por depósito.

Acho ótimo que Effie fez isso por mim, estou tão exausta que mal consigo manter meus olhos abertos, como é noite alta aqui no Distrito Doze, Elika e eu não paramos de bocejar. A única coisa que sinto com prazer é a alegria de estar no meu Distrito, chegar aqui é certamente chegar ao lar.

O taxista Henry guarda as malas e depois que entramos no carro, Elika insiste em sentar no meu colo, seus olhos azuis estão cansados do longo dia que teve e eu quero colocá-la para dormir assim que chegarmos ao nosso quarto alugado.

— Eu queria que o papai estivesse aqui. — Ouço sua voz dizer, seu rosto infantil está levemente abalado, talvez somente agora ela esteja notando o distanciamento de Peeta.

— Você sabe que o papai te ama muito, passarinho. Temos que ter paciência, logo mais você vai poder conversar com ele, o que acha de ligarmos para ele quando chegarmos no Hotel? — Tento consolá-la.

— Sim, mamãe, eu gostaria muito disso. — Ela me diz ao se aconchegar ainda mais no meu corpo.

Minha menina está crescendo tanto que fico admirada ao olhar para ela, logo mais não vai caber no meu colo, mas sempre estarei aqui por ela. Por isso eu a abraço apertado e mantenho o meu rosto encostado em sua cabeça.

Seguimos a viagem toda assim, entretanto, o Distrito Doze não é um lugar tão grande assim, então depois de meia hora de tráfego, o motorista para em frente a uma casa muito grande.

— Senhorita Everdeen, chegamos. — E sem me dizer mais nada ele apenas sai do carro e começa a tirar as minhas coisas do porta-malas.

Em um primeiro momento me assusto, onde foi que ele me trouxe, começo a me questionar esse não é o Hotel no centro no Distrito. A casa na minha frente está iluminada e as demais também estão. Henry nos trouxe para os condomínios de luxo do Distrito, será que Effie errou o endereço? É possível sabendo que ela nunca esteve aqui antes.

Decido concertar esse erro imediatamente, logo faço Elika se levantar do meu colo e ambas saímos do carro, eu olho em volta e me sinto segura, afinal esse não é um lugar deserto. Existe um casal de idosos sentados em suas cadeiras de balanço na casa da frente de onde ele parou, eles acenam educadamente o que me faz acenar de volta.

Segurando a mão de Elika vou até onde o motorista está tirando as minhas malas colocando-as na calçada.

— Desculpe Henry, mas esse não é o Hotel onde vou ficar, acho que minha amiga te passou o endereço errado. — Digo confiante ao me aproximar dele.

Henry imediatamente deposita a última mala na calçada e coça a cabeça de modo confuso. Depois apenas tira um pedaço de papel do bolso e começa a ler.

— Não, esse é o endereço requerido por ela. — Ele me diz, ao me entregar a comanda do pedido de tráfego.

Eu pego o papel que ele oferece e o leio atentamente enquanto minha filha olha tudo ao redor.

E está certo, o endereço que Effie passou é esse mesmo, mas esse não é o endereço do Hotel onde vou ficar hospedada com a minha filha.

— Deve haver algum engano, esse é o condomínio da extinta Vila dos Vitoriosos. — Começo a dizer quando Elika larga da minha mão e sai correndo pelo jardim da casa onde paramos, ela grita uma palavra que faz o meu sangue gelar nas veias.

— Papai!

Henry e eu nos viramos ao mesmo tempo para a casa a minha frente, os olhos do motorista estão confusos os meus estão completamente assustados.

Elika atravessa a jardim e se jogo nos braços de Peeta, que está agachado na grama para pegá-la.

É nesse momento que perco totalmente o meu raciocínio. Estou tendo algum tipo de alucinação ou realmente estou vendo Peeta Mellark com nossa filha no colo, abraçando-a apertado e depositando uma infinidade de beijos em seu rosto infantil.

Elika se agarra a ele com força e em sua empolgação de criança acaba gritando uma infinidade de coisas ao mesmo tempo. Eu apenas consigo encará-lo enquanto sinto o meu coração disparar dentro do peito.

Quando os olhos azuis encaram os meus, eu quase derreto inteira. Peeta imediatamente vem na minha direção e depois de me presentear com um sorriso sedutor, volta a sua atenção e conversa com o motorista do táxi o dispensando. Eu ainda estou muda e no mesmo lugar, por isso ele tem que vir até onde estou, passar o braço que não está segurando Elika no colo pela minha cintura e lentamente me tirar no meio da rua.

Quando estamos na calçada ele acena um adeus para o motorista no carro, em seguida cumprimenta os vizinhos idosos com um aceno e me leva para dentro da enorme casa.

— Meu passarinho, tenho que buscar as malas, você fica aqui com a mamãe e eu já volto. — Dizendo isso ele se afasta e depois de uma viagem traz as minhas malas para dentro da casa, encostando-as em uma parede branca.

Eu olho em volta e me sinto perdida, o que é tudo isso? De quem é essa casa? O que Peeta está fazendo aqui? Ele estava na Capital, todos os meus amigos me disseram que ele estava na Capital, aliás não apenas estava na Capital, como estava muito ocupado para visitar Elika e ir se despedir de nós duas na estação.

— Papai, eu estava com tanta saudade. — Elika diz agitada, seu sono foi embora imediatamente com a visão de Peeta. — O senhor promete que não vai mais me deixar? Promete, papai?

— Elika, minha princesa, meu passarinho, é lógico que o papai não vai te deixar, estamos em casa agora. — Ele diz para ela ao se abaixar e voltar a abraçá-la.

Nossa filha gargalha feliz enquanto me sinto voltar do meu estupor.

— Em casa? — Pergunto quando enfim consigo encontrar a minha voz.

Nesse momento Peeta se levante e caminha em minha direção. Sem que eu consiga me controlar levo a minha mão até o seu rosto e sinto a sua barba rala pinicar a minha mão, ele também me toca na cintura o que faz com que o meu corpo esquente.

— Sim, Katniss, mas antes quem está com fome? — Ele pergunta de forma animada ao olhar para Elika.

— Eu estou papai, quero muito comer. — Elika diz toda faceira.

E por mais estranho que seja, é isso que fazemos. Peeta nos encaminha para uma cozinha grande e bem iluminada, a casa inteira parece saída de um catálogo de decoração. O piso de madeira, os moveis de mogno, o sofá aconchegante, a lareira acessa na sala e as diversas cortinas nas janelas. Eu olho em volta maravilhada e confusa, quero muito conversar com Peeta, quero entender toda essa história, mas primeiro sei que tenho que atender Elika, ela precisa jantar e descansar, afinal é apenas uma garotinha de quatro anos.

Peeta nos comanda durante o jantar. Ele mantém uma conversa animada com Elika o tempo todo, dando toda a sua atenção para ela. Todos nós jantamos uma deliciosa refeição, meu estômago reclama o tempo todo de fome. Eu sigo o rumo da noite até que Elika esteja alimentada, depois vamos para a sala de estar e nos sentamos no sofá, Peeta está segurando nossa filha em seus braços e eu os encaro.

Lentamente Elika cai no sono e Peeta a deposita no confortável sofá. É ali que ela fica, depois ele se levanta e vem se sentar ao meu lado.

— Peeta. — Digo quando já não posso mais aguentar de curiosidade. — O que você está fazendo aqui? Você deveria estar na Capital.

— Eu sei Katniss, mas você me disse que não moraria mais na Capital, que voltaria para o Doze e Elika viria com você. O que eu podia fazer? Ficar sentado e ver a minha família indo embora da minha vida? Eu sei que você me pediu algum tempo para pensar, mas Katniss, não suporto mais ficar longe de você, de vocês, por favor, me diz que o tempo que você pediu já acabou, me diz que já posso voltar para a minha família.

— E essa casa, Peeta, de quem é essa casa? — Volto a perguntar de forma aflita ao olhar em volta, decido ignorar seu comentário anterior.

— A casa é do Haymitch, quer dizer agora é nossa. — Me responde com um sorriso. — Essa casa foi a prêmio que Haymitch recebeu por vencer o Massacre Quartenário antes da revolução. Ele sempre odiou a casa e ela estava abandonada desde então, já que ele decidiu morar na Capital, logo que soube disso eu a comprei dele, para nós dois e Elika. Mesmo antes de encontrar as suas passagens de volta para o Doze, meu pai e eu já estávamos em trâmite para reabrir uma filial de padaria aqui no Doze, sabia que em algum momento você sentiria a necessidade de voltar, eu apenas não esperava que fosse em tão pouco tempo, por isso depois que encontrei as passagens tive que abandonar a Capital imediatamente para resolver a questão de onde moraríamos.

Peeta vai me contando a história e eu fico sem chão por longos momentos. Fico com raiva quando penso que meus amigos mentiram para mim.

— Haymitch me ofereceu a casa por um bom preço e quando eu vim visitar a casa, sabia que esse tinha que ser o nosso lar. — Ele continua a me contar. — Durante essas semanas eu estive aqui contratando pessoas para a reforma e supervisionando tudo. Se é no Distrito Doze que você quer morar e viver com nossa filha, então vamos viver aqui.

— Mas, Peeta e sua vida na Capital, seu emprego, tudo o que você construiu lá?

— Se vocês não estiverem lá, então não me sobra mais nada. Eu não tomei essa decisão de forma precipitada, Katniss. Já faz algum tempo que planejo isso para nós. Não estou sacrificando nada, estou apenas seguindo com a minha vida. Uma filia da padaria Mellark's vai abrir dentro de algumas semanas aqui no Distrito, apenas mudei o meu lugar de trabalho, ao invés da Capital o Distrito Doze. — Peeta conta ao passar uma das mãos pelo meu rosto. — Eu sei que tudo isso parece confuso Katniss.

E é sim, por isso quando a confusão é de mais para a minha cabeça eu me levanto do sofá e começo a andar pela sala.

— Haymitch, Effie, Finnick e Annie, todo eles sabiam que você estava aqui? — Questiono um pouco indignada.

— Sim, eles sabiam. — Ele me diz com o rosto envergonhado. — Quando eu cheguei aqui no Doze, estava muito chateado para contar, depois de alguns dias decidi te contar, mas Haymitch me disse para não fazer, disse que seria muito engraçado ver a sua expressão de confusão.

— Isso é bem a cara dele. — Retruco indignada, mas não verdadeiramente magoada.

— Eu não quero que você se sinta obrigada a ficar aqui, mas eu quero que você nos dê uma oportunidade de ser uma família. — Dessa vez posso notar a tensão na voz de Peeta, seus olhos brilhando de expectativa, quase implorando para os meus. Apenas olhar para ele faz com que meu coração dispare no peito, essas semanas foram longas sem ele por perto.

Eu suspiro cansada e decido olhar em volta para fazer meu coração voltar aos batimentos normais, estou divagando quando um objeto me chama a atenção. Lentamente caminho para ele e o pego em minhas mãos. Não posso evitar que lágrimas grossas corram pelos meus olhos quando me viro para Peeta.

— Onde você encontrou isso? — Pergunto emocionada ao abraçar o arco de caça que um dia foi do meu pai, a madeira sólida e as marcas são muito familiares para mim. Eu o tinha empenhorado quando Elika ainda era uma bebê e estava doente, me lembro do desespero de não ter uma moeda sequer para comprar os remédios que ela precisava e tive que empenhorar o meu bem mais precioso, uma das únicas lembranças preciosas do meu pai, para conseguir o dinheiro necessário para adquirir os medicamentos que minha filha precisava para melhorar.

— Ah, o arco. — Ele diz ao se levantar e ir até onde estou parada. — Elika me contou que você teve que vender o arco e eu sabia o quanto ele significava para você. Assim que cheguei aqui no Doze fui em busca dele, infelizmente o senhor da loja de penhor já tinha vendido o arco para o prefeito, então marquei uma reunião com o prefeito e depois de uma generosa doação para a reforma da praça principal eu consegui o arco de volta. É um presente para você, Katniss.

Não posso evitar de chorar, não posso evitar de olhar para Peeta e pensar no quanto eu o amo. Eu pensei que nunca mais veria o arco de caça do meu pai, pensei que ele estava perdido para sempre. Quando consigo me controlar volto a depositar a arco onde o encontrei ao lado da lareira e ao me virar caminho até onde Peeta está parado.

— Obrigada, Peeta. — Digo ao abraçá-lo, sentir seus braços ao meu redor é a melhor sensação que tive durante todo o dia. Eu me seguro em seu corpo e lentamente levo os meus lábios aos seus, estou faminta dele, morrendo de saudades do seu toque, do seu beijo, do meu gosto.

Sim, eu não preciso pensar em mais nada, não preciso de tempo nenhum, tudo o que preciso está aqui nos meus braços.

Beijar Peeta sempre foi bom, mas nesse momento o seu beijo parece que lava a minha alma, cura as minhas magoas e cela o nosso futuro, eu não sei o que o futuro me reserva, mas sei que vou viver ao lado deste homem. Por isso me entrego completamente a sensação maravilhosa de o beijar, seus lábios macios, sua língua atrevida massageando a minha, suas mãos passando pelas minhas costas, nossa respiração sincronizada, tudo isso é perfeito.

— Eu amo você, Katniss Everdeen. — Ele me diz quando nos separamos, ainda nos mantemos um nos braços do outro, mas apenas ficamos nos encarando. — Sabe o que eu vejo quando olho para você?

— Não. — Respondo ao entrelaçar nossas mãos, nesse momento começo a sentir os meus olhos umedecendo e a queimação das lágrimas pela primeira vez não é desagradável.

— Eu vejo a minha outra metade, em certos dias tenho a sensação que passei a vida te esperando, te desejando, amando você, quando eu era um garotinho, você foi o meu primeiro amor platônico, do tipo que fazemos um cartão do dia dos namorados, mas não o entregamos.

— Você me fez um cartão? — Pergunto ao sentir as lágrimas escorrendo pelo meu rosto.

— Sim, eu fiz. Todos os anos fazia um cartão para você, isso durou até eu ir embora desse Distrito, eu nunca tive coragem de entregar nenhum deles, eu via você ao longe e desejava sempre estar perto. Quando fui embora chorei apenas porque sabia que estava te deixando. Os anos passaram e de repente contra todas as possibilidades eu te encontrei novamente, dessa vez crescida, a mulher mais linda que já vi. Eu mal conseguia manter minhas mãos longe de você. — Peeta começa a se declarar e estou tão emocionada que não consigo parar de chorar, nada disso parece real e ao mesmo tempo e um pequeno pedaço de paraíso.

Nós estamos mais próximos ainda, minhas mãos estão em seus cabelos, meu corpo está colado no dele, a saudade de todos esses dias afastados está batendo forte dentro do meu peito. Porque eu o amo, tudo o que ele está dizendo é um reflexo dos meus próprios sentimentos.

Peeta está certo, somos o reflexo um do outro. E isso deveria ser assustador, todavia é apenas libertador. Por fim nós estamos um de frente do outro sem nada no nosso caminho a não ser amor. O tipo de amor que aquece os ossos e faz o estômago encher de borboletas.

— Eu sei que sou um homem melhor ao seu lado, você me faz querer crescer e ser alguém digno. O que sei Katniss, é que tudo o que vivemos nos fortaleceu. E o que eu quero do dia de hoje até o meu último dia nessa terra, é ver o seu rosto todas as manhãs quando eu acordar, sentir o seu perfume sempre ao meu redor, o gosto da sua boca doce na minha, o som da sua voz, dos seus gemidos entregues quando fazemos amor. É disso o que preciso. — Suas palavras são a melhor coisa que já ouvi na minha vida.

Nossa filha continua a dormir tranquilamente no sofá, ali tão próximo a nós dois, tão nossa. Peeta está certo, o passado nos fortaleceu, chegou a hora de olhar para frente. Para o nosso futuro juntos, sem tramas ou drama, sem ressentimentos ou magoas, sem mentiras. Apenas ele, nossa filha e eu.

Eu devo dizer adeus para a antiga Katniss e abraçar essa oportunidade de ser feliz.

Não foi isso que Haymitch me fez prometer na estação antes de eu embarcar?

A vida é uma aventura, viver é se aventurar, sei que nem tudo serão flores e alegrias, mas devo admitir que também sou mais forte ao lado do Peeta. Por isso me jogo em seus braços, levo os meus lábios aos seus e voltamos a nos perder em amor.

Quando Peeta se afasta eu reclamo, não quero perder o elo que compartilhamos, essa coisa que corre aquecendo tudo por dentro.

É com surpresa que vejo Peeta tirar algo do bolso da calça e ao pegar em minha mão ele muito lentamente desliza um anel pelo meu dedo. É o anel mais bonito que já vi na minha vida, uma pérola perfeita em volta de uma coroa de pequenos diamantes. Por alguns instantes não entendo o que está acontecendo.

Meu coração para algumas batidas quando o vejo sorrir e se ajoelhar na minha frente.

— Quando eu era um garoto o meu pai me disse que um homem deve fazer as coisas certas pela mulher que ama, então, estou aqui e nossa filha dorminhoca será testemunha, para pedir sua mão em casamento. — Seus olhos são tão azuis que por um instante acredito que vou me afogar neles. — Katniss Everdeen, você me daria a honra de ser a minha esposa? Eu prometo te amar por uma eternidade, prometo que vou proteger você e todos os nossos filhos, pois sim, já devemos programar pelo menos mais um ou dois. E lembre-se que prometemos que o Haymitch vai ser o padrinho do próximo...

Sua declaração sobre os filhos apenas me faz rir, eu devo ter morrido e estou no céu.

— Katniss, eu não posso imaginar a minha vida sem você. — Ele me diz quando algumas lágrimas escorrem de seus olhos azuis. Posso ver tantas emoções dentro dele. — Eu não pretendia de pedir em casamento hoje, mas não posso esperar mais nenhum minuto, nenhum dia, nenhum segundo sequer. Você aceita ser minha?

— Sim. — Digo sem nem ao menos perceber que disse sim. Meu corpo inteiro treme por causa da adrenalina. — Eu aceito.

É muito meigo quando vejo Peeta abaixar a cabeça e chorar, sua mão ainda está segurando a minha por isso dessa vez sou eu que me ajoelho para ficar da mesma altura que ele e quando estamos nivelados eu o abraço.

— Eu sei que não sou boa em expressar meus sentimentos, então eu quero que você tenha certeza de uma coisa Peeta Mellark. — Falo enquanto o sinto soluçar em meus braços, por isso me inclino e coloco a minha boca o mais próximo de seu ouvido. — Você é o amor da minha vida e eu também prometo te amar por uma eternidade.

Nesse momento Peeta volta a me olhar, estamos conectados e levemente ofegantes. É com prazer que aceito o seu beijo, seus olhos azuis são hipnotizantes.

E abraço o meu destino com o coração disparado de amor. Peeta é o meu presente e o meu futuro, enquanto nós dois estivermos juntos não vou temer nada.

FIM

Notas finais
É isso ai. Como a gente achou que ia ser, a vida tão simples é boa, quase sempre... Não quis enrolar no final de ADP, quis que esse último capítulo fosse suave e emocionante. Eu estava certa de que o Peeta não desistiria dela e Katniss apenas tinha que abrir seu coração para o futuro. Mas, ADP ainda não acabou. Por isso não esqueçam de ler o Epílogo. E já estou organizando o meu próximo projeto de escrita. Curiosas? Por favor, não esqueçam de comentar e nos vemos no Epílogo! =)