Amarras do Passado
31 I Should Go - Levi Kreis
Notas iniciais
Dias atuais
Peeta
"... It's so hard
Keeping my composure
And pretend I don't see how your body
Curves beneath your clothes
And your laugh
Is pure and unaffected
It frightens me to know so well
The place I shouldn't go
But I know I gotta take the noble path
Cause I don't want you to question
The intentions that I have
I should go…”
***
Uma vez quando criança, em uma festa de virada de ano no Distrito Doze, o tipo de festa que acontece na praça de lá, onde a maioria dos moradores se reúne para festejar mutualmente. Eu me lembro de estar brincando com meus irmãos mais velhos em frente a nossa padaria. Ela não estava fechada, como o meu pai gostaria que estivesse, mas por insistência da minha mãe, o meu pai fez várias fornadas especiais de seus mais deliciosos pães doces e deixou a padaria aberta para o publico.
Eu estava brincando com meus irmãos na frente da Padaria, nós três estávamos fazendo uma guerra de bolas de neve. Logicamente eu estava perdendo, sendo o mais novo eu não conseguiria ganhar sozinho.
Meus irmãos começaram a correr entre as pessoas na praça do Distrito e eu empolgado pela brincadeira corri atrás deles, ainda era muito pequeno para ficar sozinho em meio a uma multidão, acho que tinha sete anos de idade ou um pouco mais que isso. E foi isso o que aconteceu. De uma hora para a outra eu estava sozinho. Muitas pessoas andavam a minha volta, e pela minha visão de criança, todos pareciam gigantes amedrontadores. Eu passei do riso e da brincadeira, para um medo absurdo de ser abandonado sozinho em um mundo de adultos estranhos.
Onde estavam os meus irmãos? Onde estava a padaria, e o calor dos braços do meu pai? Onde estavam todos os que eu conhecia e amava?
Eu já frequentava a escola nessa época e podia ver, entre uma multidão de adultos, um ou outro colega da escola. Todos estavam devidamente acompanhados de seus familiares.
Eu era o garoto perdido entre os adultos. Não conseguia encontrar a direção da padaria dos meus pais, e estava ficando desesperado pelo medo de ficar sozinho no mundo.
Quando nós somos crianças, tendemos a exagerar os nossos sentimentos e os levamos ao extremo de nossas imaginações.
Acho que em um momento qualquer eu comecei a chorar. Não abertamente como as crianças menores fazem, eu apenas mantinha as minhas mãos perto do rosto e soluçava nas palmas, elas estavam cobertas por grosas luvas para impedir a neve de me machucar. Eu sabia que era errado chorar, porque a minha mãe sempre me dizia que meninos não choravam, era feio para um homem chorar, então saber que naquele momento além de perdido eu estava decepcionando a minha mãe, me deixava ainda mais triste e me dava ainda mais vontade de chorar.
Eu vagava sozinho e perdido entre as pessoas, quando eu a ouvi.
É claro que eu já tinha ouvido a menina cantar antes, estudávamos na mesmo escola. E eu a achava a coisa mais linda do mundo com suas trancinhas balançando em suas costas enquanto ela corria e brincava.
A primeira vez que eu a ouvi cantar, eu corri para casa e disse aos meus pais que tinha visto um anjo, minha mãe me disse para não ser ridículo. Meu pai foi mais complacente e depois de sorrir disse que as vezes nós encontrávamos anjos de maneiras muito inusitadas.
Agora eu a ouvia novamente. E é claro que eu sabia que ela não era um anjo, era apenas uma criança. Mas, acho impossível descrever a primeira impressão que ela me causou.
Como um desesperado eu segui a voz dela em meio a multidão, e foi quando eu os vi. A família dela estava reunida próximo ao chafariz congelado no centro da praça lotada.
Katniss estava sentada no colo de seu pai e ambos cantavam animados uma balada de amor. O pai dela era enorme, um sujeito muito grande, mas que sempre estava com um sorriso no rosto. A mãe de Katniss estava ao lado do marido com uma menina muito menor nos braços.
Algumas pessoas em volta paravam o que estavam fazendo para ouvi-los cantar, é claro que o pai dela a estava dando muito espaço na música, permitindo que ela brilhasse em sua canção. E ela brilhava, na minha mente infantil eu achava que ela brilhava mais do que todas as estrelas no céu.
Eu não tenho certeza de como aconteceu, mas de repente eu me vi na frente deles, o pai de Katniss me intimidava um pouco por isso eu fui me agarrar as pernas da mãe de Katniss.
A mulher me olhou com curiosidade e pena. Ela sabia quem eu era, e logo ficou visível que eu estava perdido.
Ela queria me pegar pelas mãos e me levar em segurança até os meus pais, mas o marido não permitiu, ele disse que Katniss deveria me levar. Ele a chamava de minha menina corajosa o que a fazia ficar com as bochechas escarlates.
Katniss me olhava com olhos desconfiados sem saber o que me dizer, eu podia notar curiosidade em seu rosto. E fiquei muito confuso porque o pai dela queria deixar que ela me levasse sozinha para a padaria, no meio daquela multidão de pessoas.
Eu estava com muita vergonha de falar com ela, eu nunca a tinha visto tão de perto e Katniss estava bem pertinho de onde eu estava. Ao contrário de mim, ela parecia cheia de energia.
– Você tem certeza? — Perguntou a mãe dela para o marido.
– Sim. Nosso menina precisa aprender isso, ela deve saber se virar nessas situações e ser muito corajosa. Não é mesmo, passarinho? — Disse ele ao passar as mãos nos cabelos da filha.
Katniss levantou o rosto da maneira mais corajosa possível. Uma postura reta ao fingir ser mais alta do que era na verdade.
– Eu sei fazer isso mamãe, eu sei onde fica a padaria. — Eu a ouvi dizer ao meu lado. — Eu sou muito corajosa.
– É claro que você é. Sua mãe e eu vamos esperar você aqui, passarinho. Agora vá e não demore, pegue na mão dele e o deixe de frente da padaria, depois volte direto para cá. — O pai dela disse, e imediatamente Katniss esticou a mão e pegou na minha. Eu nunca estive tão em choque como naquele momento.
Seu aperto na minha mão era forte enquanto ela se virava e me fazia segui-la.
– Não precisa ter medo, eu vou te deixar em casa. — Ela me disse, e essa foi a primeira vez que ela falou comigo.
Seus olhos eram lindos, tinham tantos cores brilhando dentro deles. Nós começamos a nos afastar dentro da multidão, Katniss não me deixava para trás em nenhum momento, e eu apenas a seguia sem conseguir fazer nada mais.
Ela era bonita para uma menina.
– Por que você chorou? — Ela me perguntou logo em seguida. — Você estava com medo?
– Desculpe. — Eu disse para ela, foi difícil achar a minha voz pelo nervosismo. — Eu não queria ter chorado. Meninos não devem chorar.
– Por que meninos não devem chorar? — Volta a me perguntar no mesmo instantes, lentamente íamos abrindo caminho entre as pessoas ao nosso redor.
– Por que homens não choram. — Respondi para ela a mesma coisa que minha mãe me disse.
– Mas, e se você cair e se machucar? E se tiver um sonho ruim, ou se brigarem com você? Você não poderia chorar nessas situações? — As perguntas dela tem lógica, mas não sei explicar os motivos porque meninos não deviam chorar. — Se você tem olhos e lágrimas, por que não choraria?
– Eu não sei...
– Mas e se você arrancar um dente e ele sangrar, você tem que chorar quando os seus dentes caem. — Os seus olhos cinzentos brilhavam curiosos agora.
– Bom, eu acho que posso chorar se um dente meu cair. — Isso me parecia muito justo, já que eu odiava arrancar os meus dentes.
Ficamos em silêncio logo em seguida, mas não me sinto desconfortável ao estar com ela. Gosto de ter a sua mão na minha. Talvez eu possa mandar um cartão de dia dos namorados para ela esse ano. Meu pai me ajudaria a fazer um bem bonito. Sinto meu rosto queimar com essa possibilidade. Eu gostaria muito de fazer isso, mas tenho vergonha.
Para a minha tristeza, eu logo vejo a fachada da padaria, o que significa que a missão dela estava acabando e ela logo iria me deixar. E mesmo criança eu não gostei disso, não gostei de não ter as mãos dela nas minhas.
– Pronto. — Me disse ela ao me deixar bem na porta da padaria, eu podia ver um pequeno movimento de clientes lá dentro, os meus irmãos não estavam em parte alguma. E meus pais estavam atendendo. — Agora você esta seguro.
E antes que eu pudesse agradecer ela já tinha se soltado da minha mão e estava correndo para dentro da multidão a nossa frente, suas trancinhas pulavam em suas costas enquanto ela seguia rápido para longe.
Eu nunca me esqueci desse dia, mas aposto que Katniss não se lembra mais disso.
Agora, voltando ao presente, aqui estou eu mais uma vez, sofrendo sozinho por estar perdido sem achar o caminho de casa.
E esperando ansiosamente que Katniss venha e me pegue pela mão, que me olhe nos olhos e me garanta que homens podem chorar tanto quanto as mulheres, que me ensine os caminhos para amá-la novamente. Estou desesperando esperando que ela me leve para casa mais uma vez, que me mostre o caminho para longe da minha incerteza. O mundo é um lugar confuso e sombrio, mas quando eu estou com ela, tudo parece se encher de luz, e de alguma forma eu posso estar em paz.
Esses últimos três dias tem sido bem miseráveis para mim, não consigo render no trabalho, estou relapso e desligado. Quero me encontrar com Katniss mais uma vez, e não sei onde procurar, não faço a minima ideia de onde começar. Tenho que falar com o Haymitch, nem que seja para implorar pela ajuda dele.
Saber que ela esta tão próximo a mim e ao mesmo tempo tão distante, tão inalcançável, faz o meu coração apertar de dor. Eu acho difícil explicar o que eu sinto, pois como podemos explicar o amor? Ou porque amamos alguém? Não faz o menor sentido amar alguém, sentir tanto por uma pessoa.
Tenho de admitir que me sinto ligado a Katniss desde o momento que coloquei os meus olhos nela. Eu tinha cinco anos quando aconteceu. E ela sempre foi importante na minha vida, de uma forma ou de outra, e eu sei que ela sempre vai ser, mesmo que eu não fique com ela. Katniss sempre vai ter um lugar enorme no meu peito, sempre vai significar muito para mim.
E sim, eu me recinto que a vida a tenha tirado das minhas mãos. Eu não entendo porque aconteceu, quais foram os motivos que ela tinha para me abandonar.
Eu não entendo. Mas, eu quero entender.
Quero falar com ela novamente, quero muito mais do que apenas um "Peeta. Quanto tempo.", eu mereço isso, mereço todas as explicações que eu quero. Ela me deve isso.
Katniss não é o tipo de pessoa covarde, eu a conheço e sei disso. E isso é o que mais me intriga. Ela foge como se eu tivesse feito algo impensável com ela, como se eu a tivesse magoado de uma forma inimaginável. O que não faz sentido, pois eu nunca a magoaria desse jeito.
Sim. Eu fui um idiota imaturo quando jovem, mas nós resolvemos os nossos problemas naquela época. Eu viajei e quando eu voltei ela já não estava mais aqui na Capital, e eu nunca consegui encontrá-la. Nunca.
Até três dias atrás. Quando o meu mundo todo virou do avesso e os olhos cinzentos voltaram a se transformar em tudo o que eu conseguia enxergar.
Eu deveria tê-la agarrado. Deveria tê-la beijado e abraçado tão apertado que ela seria incapaz de se distanciar de mim novamente.
Não me importo nem um pouco com esse namorado dela, ou seria o seu marido? Não sei e não me importo. Katniss não é dele, e nunca será. Ela não pode não sentir nada por mim. Sei que me reencontrar foi algo que ela não estava planejando, mas a vida tem as suas surpresas e sei no fundo do meu peito que ela ficou tão abalada quanto eu.
Eu não consegui falar com Haymitch nesses dias todos, é bem provável que ele já saiba que eu a reencontrei. Katniss deve ter contado para ele sobre isso, mas ainda estou pensando em como lidar com essa situação, como conversar com ela, como fazê-la abrir os olhos sobre tudo isso.
Eu estou morrendo por tocá-la mais uma vez, por tê-la em meus braços, em minha vida, em minha pele, na minha cama. Estou com tanta saudade de ouvir o som da sua voz, da sua risada, dos seus gemidos em meus ouvidos quando nós fazíamos amor. Quero olhar para ela todos os dias da minha vida e ter a certeza que eu nunca mais vou me separar dela.
Se eu estava ansioso por colocar os meus olhos nela mais uma vez, antes do nosso reencontro, o sentimento que tenho agora é de desespero.
Sem poder me aguentar mais eu apenas pego o meu telefone e ligo de uma vez para o meu antigo mentor.
Ele atende depois do terceiro toque.
– Haymitch, sou eu Peeta. — Digo para ele. — Como vai?
– Bem, estou bem. — Responde ele sua voz grossa ressoa como um trovão pelo telefone. — E você, garoto? Está bem, eu fiquei sabendo que você encontrou algo que queria muito, andando por ai...
– Sim, eu a reencontrei. Você deveria ter me dito que ela estava na Capital. Eu já deveria tê-la reencontrada à muitos meses atrás. Essa brincadeira de gato e rato já perdeu a graça. — Respondo para ele.
– Eu é o que o diga. Sou eu que tenho que ouvir você reclamar sem parar sobre isso. Já pensou em ir atrás de outra mulher? Tem tantas por ai, alguma iria te querer afinal você é padeiro, e você sabe que o amor passa, mas a fome não... — E eu o escuto gargalhar de sua piada sem graça. Essa piada sobre padeiros. Como se eu nunca tivesse ouvido isso antes.
– Muito engraçado, Haymitch. — Digo sem rir nenhum pouco. Ir atrás de outra mulher é algo que eu não penso em fazer. O que eu faria com outra mulher, sendo que eu amo a Katniss? Eu tentei isso com a Glimmer e não deu muito certo. Foder por foder não é o que eu gosto. — Sua velhice esta te transformando em um piadista.
– A vida sem humor é muito triste, rapaz. Você vai aprender isso com o tempo. — Continuou a me dizer, sem fazer caso da minha critica. — O que foi dessa vez, a queridinha de teu um gelo e você ficou triste? Sinceramente garoto, eu não esperava outra atitude dela. Ou você esperava que ela fosse se jogar nos seus braços?
Era justamente isso que eu estava esperando de nosso reencontro. Algumas lágrimas, algumas explicações, promessas de nunca mais nos separarmos e muito sexo para matar a saudade. Me sinto um menino por esses pensamentos tão infantis. Katniss e eu nunca tivemos o tipo de relação comum, esperar um reencontro fácil entre nós dois é o mesmo que esperar chuva no deserto.
– Foi horrível Haymitch, ela nem ao menos olhava para mim. — Respondo ao deixar que um pouco da minha frustração escapasse por minha voz. — Foi tão fria como um bloco de gelo, praticamente fingiu que eu não estava no recinto com ela. Mas, tratou Finnick e Annie muito bem.
– Ah o amor, realmente faz de nós uns idiotas. Mas, não finja estar tão triste assim, você sabe que gosta dela justamente por sua teimosia. — Disse ele depois de um longo suspiro. — O que pretende fazer agora?
– Conversar com ela. Ela disse para você que iria pensar, e eu já dei tempo suficiente para ela fazer isso. Katniss me deve explicações, Haymitch. — Digo para ele.
– Bom, você já parou para pensar que talvez não esteja preparado para ouvir o que ela tem a dizer? — Ouço-o perguntar de forma muito sútil, ele esta me escondendo alguma coisa, sabe de algo que eu não sei.
– O que você sabe? O que eu não sei, Haymitch? Estou cansado de ficar no escuro com você e ela dividindo segredos enquanto eu sou feito de otário. — Retruco irritado, e estou mesmo bravo com isso. Tantos anos se passaram e eu ainda não sei porque Katniss foi embora.
– Esse não é meu segredo para ser contado, garoto. Você tem que perguntar para a docinho esse tipo de coisa. — Me responde ele sem se abalar com o meu o tom mais grosseiro em minha voz.
Nesse momento eu passo a mão que não esta segurando o aparelho telefônico pelos meus cabelos com força. Tenho que respirar algumas vezes para me controlar e acabar gritando com o meu antigo mentor, sem que ele mereça isso. Ele acabou de me confirmar que existe um motivo para ela ter ido embora, e não me disse nada disso em anos.
– E como é que eu vou perguntar para ela essas coisas, se eu não faço a menor ideia de onde encontrá-la? — Pergunto sarcasticamente.
– Olha, olha titio o que a titia me deu...- ouço uma voz doce e infantil pelo telefone, alguma menina falando com Haymitch.
–Espera um pouco, Peeta.- Ele me diz e eu tenho que esperar enquanto ele fala com a menina. — Essa é uma fita de vestido muito bonita.
– Não é de vestido, titio. — A menina diz para ele do outro lado da linha, eu fico encantado com a voz suave da menininha. — É uma fita da cabelo, a titia disse que combina com os meus olhos, é verdade titio? Combina?
– É claro que combina com os seus olhos azuis. Olha só que cor linda. — Responde ele com uma voz séria, e a menininha começa a rir feliz do outro lado da linha. — Sabe o titio esta falando com alguém muito importante, você não quer dizer um oi para a pessoa do outro lado da linha?
– Eu posso? — Pergunta a garotinha feliz. — Eba, por telefone eu só falo com você, com a titia Effie, com a titia Johanna...
– Eu sei que sua lista telefônica é imensa...vem cá falar com o moço do outro lado da linha. — Nesse momento Haymitch volta para o telefone. — Peeta, você vai conversar com alguém extremamente importante, seja educado e depois eu te ajudo a encontrar a docinho.
– Ok. — Digo sem entender muita coisa, esse Haymitch esta caducando agora que esta ficando velho.
A linha fica muda por alguns instantes, depois se enche de um riso infantil.
–Aló? — diz a voz de uma menina pelo outro lado.
– Olá. — Digo para ela, não posso evitar que um sorriso escape de meus lábios. — Tudo bem?
– Tudo bem, sim. Você gosta de chocolate? — A menina pergunta, a voz é de uma criança bem nova.
– Chocolate? Eu adoro. — Responde depois de sorrir. — E você gosta de chocolate?
– Eu gosto muito de chocolate, mas minha mamãe não deixa eu comer todo dia...- Me responde ela, sua voz fica séria como se ela estivesse pensando sobre o que acabou de falar.
– Bom, sua mamãe esta certa. Chocolate todo dia faz mal. Quantos anos você tem? — Pergunto curioso, estou tentando entender o que uma criança tão nova esta fazendo na casa de Haymitch.
– Eu tenho três anos, mas vou fazer quatro. Sou a menina mais inteligente da minha idade. — Diz ela com uma voz toda orgulhosa o que me faz gargalhar. — Você pode me trazer chocolate? Eu queria muito chocolate, e a Bubu também quer comer chocolate.
– Quem é Bubu? — Eu pergunto divertido.
– É minha boneca. — Responde ela feliz. — Ela é a boneca mais bonita do mundo todo...
– A mais bonita? E a boneca que eu te dei? — Ouço Haymitch perguntar ao lado da menina.
– Não. — Diz ela rapidamente pelo telefone, seu risinho infantil de esperteza enche o meu coração de calor. — A boneca que o titio me deu é a mais bonita do mundo todo.
– Eu acho que conheço essa boneca. — Digo para ela, ao me lembrar que encontrei uma boneca perdida na sala de Haymitch.
– Sua mãe não ficaria brava se eu te levasse chocolate? — Eu pergunto, Acho que posso passar rapidamente em uma loja de doce e levar alguns bombons na casa de Haymitch.
– Ela vai ficar, mas ela é a mamãe mais bonita do mundo, e quando ela esta brava eu a abraço e ela não fica mais brava. — Responde a menina toda faceira. E eu volto a rir de sua esperteza.
– Vem cá, sua pequena chantagista. — Ouço Haymitch dizer. — Antes que você vá embora eu vou de dar chocolate, sua mãe já vai me matar mesmo de qualquer jeito.
– Eba! — Ouço-a gritar e tenho que afastar o meu ouvido do telefone.
– Ei. — Digo para chamar a sua atenção. — Meu nome é Peeta. Qual é o seu nome?
– Peeta? — Repete e menina. — Seu nome é bonito. Eu sou o passarinho.
Meu coração dispara na hora. Passarinho?
Como assim passarinho? Que apelido curioso.
– Me passa o telefone agora e vai brincar. Você já falou demais com o Peeta. — Ouço Haymitch dizer ao pegar o telefone das mãos da menina, a menina apenas dá risada. — Peeta, você esta ai. Não traga chocolate para essa chantagista.
– Passarinho? — Eu pergunto para ele. Esse é o nome dela?
– Um apelido bobo, mas que ela adora. — Haymitch diz rindo. — Escute você queria saber de Katniss, não? Vamos voltar ao assunto mais importante.
Sim. Grita o meu cérebro no mesmo momento. Katniss é o assunto mais importante de todos.
Ainda assim eu não vou deixar passar esse assunto de passarinho tão facilmente não. Pretendo voltar nele mais tarde, depois que eu resolver os assuntos mais importantes com Katniss.
– Eu não posso te falar muita coisa, pois prometi que não contaria, mas existe um lugar que ela vai todo dia. — Haymitch diz, sua voz muito natural.
– Que lugar é esse? — Pergunto curioso.
– Eu não sei o nome do lugar fica perto da Universidade, é algum tipo de lanchonete. — Ele me diz, e parece sincero.
– O Valentine's, eu sei onde fica. — Falo eufórico, meu coração esta tão disparado no peito.
De repente eu me sinto o mais idiota de todos os homens do mundo. É lógico que se Katniss voltou para a Capital, que em algum momento ela iria parar no Valentine's. Quando estudávamos juntos, ela amava aquela lanchonete, nós a frequentávamos quase que diariamente. O chocolate quente de lá era o seu preferido.
– Bom, não diga que eu te contei, eu não quero ser perseguido por seu arco e flecha. Você se lembra da mira dela? — E ele volta a rir novamente.
– Titio, titio vamos comer sorvete? — A voz da menina volta a perguntar do outro lado da linha.
– Sorvete? De novo? E depois você ainda vai querer aquele chocolate... Você é uma formiga de açúcar, baixinha. — Ouço-o responder ao apelo infantil todo carinhoso.
Um Haymitch carinhoso é algo que eu nunca achei que veria na vida.
– Peeta, já fiz a minha parte. Esta na suas mãos agora, padeiro. — Diz ele para mim.
– Obrigado Haymitch, eu...
– Sei, sei. Não precisa ficar me agradecendo. Apenas resolva logo essa situação com a docinho, antes que eu enlouqueça. — E em seguida ele desliga o telefone.
Esse é o Haymitch. Sua forma de ajudar é sincera e cruel ao mesmo tempo. Poucos conseguem aguentar o seu jeito irônico e sarcástico, mas se você der uma oportunidade ele pode se transformar em um grande amigo.
É até desconcertante saber que ele participou do último Jogos Vorazes da história. Na verdade, ele participou do segundo Massacre Quartenário e foi o grande vitorioso de uma arena sangrenta, que tinha o dobre de tributos do que nos jogos anteriores.
As vezes eu me pergunto o que teria acontecido com ele, se a revolução de libertação de Panem não tivesse acontecido naquela época, o que seria de Haymitch? Onde ele estaria? Ele seria mentor de uma infinidade de crianças, todas transformadas em tributos para entreter a grande massa dos nascidos na Capital.
Mas, não quero pensar nisso. Não quero pensar em tempos sombrios e em crianças morrendo.
Tenho que me preparar para o meu encontro com a Katniss no dia de amanhã, dessa vez ela não vai escapar tão facilmente de mim.
***
É claro que eu tive que esperar algum tempo até vê-la entrar no Valentine's, tive que chegar aqui muito cedo já que eu não sabia que horas ela apareceria aqui. E depois de mais ou menos uma hora que eu estava esperando eu a vi se aproximando do lugar, seus passos rápidos em saltos altos pretos.
Ela vestia uma saia social justa que desenhavam os seus quadris, e uma camiseta social branca, de uma tecido muito leve, meia calça preta fina, que só servia para um homem pensar em subir sua saia para ver sua coxas cobertas de forma tão sedutoras. E por falar em seduzir, os seus cabelos estavam presos em uma rabo de cavalo alto, o que enfatizava o seu rosto bonito.
Eu estava sentado em uma mesa nos fundos, graças ao horário não haviam muitas pessoas no local, pela minha experiência passada, a lanchonete só ficaria cheia daqui a mais ou menos uma hora. Katniss não olhou em volta, apenas se dirigiu até a fila de fazer o pedido e o pagamento. Eu já tinha pedido um pãozinho para ficar beliscando enquanto eu a esperava.
Sem que ela percebesse eu me levantei e fui ficar atrás dela na fila.
– Olá, bom dia. Por favor, eu gostaria de um chocolate quente e um pão de queijo grande. — Pediu ela e depois começou a mexer em uma bolsa de mão preta, provavelmente atrás de sua carteira. Eu iria fingir que sem querer a encontrei aqui. Afinal de contas, eu frequentava esse local também, à muitos anos atrás.
Mas, Katniss não estava olhando para trás como eu pretendia. Vou ter que abordá-la. Hora de mudar para o plano B.
– Droga. — Ouço-a exclamar depois de um momento. -De novo não.
Eu sei o que aconteceu, ela deve ter esquecido a carteira em casa. Maravilha, hoje realmente é o meu dia de sorte.
– Moça, desculpe acho que esqueci a minha carteira. Pode cancelar o meu...
– Não é necessário. — Eu digo com toda a coragem do mundo. — Olá senhorita, bom dia. Pode acrescentar no pedido outro chocolate quente, por favor. Nada para a viagem.
Katniss estava congelada no lugar, seus músculos das costas estão tensos quando ela escuta a minha voz.
Eu ofereço para a balconista o meu cartão, para que o valor do pedido fosse debitado e dou a volta de onde estou, ficando ao lado de Katniss. Mantenho os meus braços cruzados no peito, e um olhar brincalhão no rosto.
– Bom dia. — Digo para ela, olhando os seus olhos cinzentos sempre tão expressivos. Agora eles me dizem que ela está muito surpresa de me encontrar aqui.
– Peeta. — Ela me diz, sua voz baixa é quase um sussurro. — O que você está fazendo aqui?
– Comprando um chocolate quente. — Respondo a sua pergunta com o meu tom mais inocente. A balconista logo me devolve o meu cartão de debito e eu volto a guardá-lo na carteira, depois coloco a carteira no bolso detrás da minha calça jeans.
O perfume de Katniss enche os meus pulmões, e é difícil controlar a vontade que eu tenho que enterrar o meu rosto em seu pescoço esbelto e me afogar em seu cheiro.
– Eu frequento o Valentine's à quase um ano e eu nunca te vi aqui antes. — Ela me diz com sua voz contida, eu quase posso ver as engrenagens de seu cérebro se movendo em sua batalha para sair dessa situação.
Não dessa vez, Katniss. Penso ao olhá-la cheio de saudade. Você não vai fugir dessa vez.
– Sabe como é. — Eu desconverso sem nem ao menos fingir arrependimento. — Eu fiquei com saudade do chocolate quente daqui. Você lembra que nós sempre tomávamos café da manhã aqui?
– Lembro. — É apenas o que ela me responde. — Você não precisava pagar o meu café da manhã.
– Não, eu não precisava. Mas, eu quis pagar de qualquer jeito. — Respondo sincero ao me encaminhar até a balcão de entrega que ficava ao lado. — É engraçado que nada aqui tenha mudado em todos esses anos, você não acha?
– Eu acho que muita coisa mudou. — Me responde de forma seca. Seus olhos não estão nos meus quando ela diz isso, o que me deixa muito desconfortável.
– Eu queria ter conversado com você naquele dia, mas você estava acompanhada e com muita presa. — Eu digo, já que tenho que cutucar a onça com uma vara curta, é melhor eu fazer o trabalho sem medo algum.
– Sim, eu estava. E não creio que nós tenhamos muito o que dizer, Peeta. Por que você esta aqui? — Pergunta ela me olhando curiosa e irritada.
– Eu acho que nós temos muito o que dizer. — Respondo depois de dar de ombros. — Você esta aqui na Capital à quase um ano, foi o que você disse? E nunca veio falar comigo?
– Eu? Conversar com você? E o que você acha que nós temos que conversar? Ou melhor dizendo, eu voltei para cá só para te ver, é isso o que você quer que eu diga? Eu estaria mentindo, Peeta. E você sabe que eu sou uma péssima mentirosa. — Ela me diz ainda mais seca. Seus braços bonitos estão firmes ao seu lado. — Eu achei que você estava casado com Glimmer.
– Eu e ela não fomos feitos para ser um casal...
– Engraçado, eu soube que vocês era um casal até alguns meses atrás. — O rosto de Katniss esta mais vermelho que antes. — Você tem que parar de mentir para si mesmo, Peeta. Hipocrisia nunca combinou com você.
Nós pegamos os nossos pedidos e com a minha mão livre eu seguro em seu braço. É a primeira vez em anos que eu a toco, no mesmo momento em que nossas peles se tocam eu posso sentir uma onda de energia percorrer o meu corpo. Tenho certeza que Katniss sentiu o mesmo, pelo olhar que ela me lançou, seus olhos assustados.
– Sente-se comigo. — Peço já a puxando para uma mesa mais afastada, ela me segue, mas dá para ver que não queria estar fazendo isso. — Só por alguns minutos.
– Eu tenho que trabalhar, Peeta. Não tenho tempo para perder. — Isso doeu. Penso depois de ouvi-la.
– Vai ser rápido. — Digo depois de vê-la se sentar. Só então eu me deixo cair em uma cadeira ao lado da sua. Katniss esta com a copo de chocolate em suas mãos, e um prato pequeno com um pão de queijo redondo e perfeito em cima, mas não parece que vai aproveitar nada disso. — Onde você esteve, Katniss? O que faz aqui na Capital?
– Não vejo como essas perguntas possam ser da sua conta, Peeta. Não entendo o que você quer de mim. — Me responde ela me olhando intensamente. Seus olhos tem tanto ressentimento que me machuca olhá-los.
– São da minha conta já que você sumiu por anos, e eu nunca pude encontrá-la. — Digo amargamente. Esse querer tocá-la e não poder esta me matando.
– Não quero você me seguindo aqui na Capital, não vou me demorar aqui, logo estarei indo para bem longe, e você e sua noiva não vão precisar se preocupar comigo. — Sua voz e ríspida.
– Eu não tenho noiva, Katniss. Glimmer foi um erro enorme na minha vida. E eu não teria ficado com ela se você não tivesse sumido. — Digo sincero.
– Pare de mentir, eu não suporto que mintam para mim. E estou tão cansada das suas mentiras, Peeta Mellark. Eu quero que você esqueça que eu estou aqui, esqueça que me viu e vá viver uma vida longe de mim. — Me diz ela, seus olhos não estão nos meus, então desconsidero os seus pedidos. Ela não diz isso de forma sincera. Fala porque esta com raiva.
Agora, raiva de que? É o que eu me pergunto. Quando ela diz que eu menti, eu menti sobre o que? Ela sabia que eu não queria ficar com Glimmer.
– Não vou esquecer de nada disso. Sabe o quanto eu sofri todos esses anos te buscando e sem saber para onde você tinha ido. — Sem que eu consiga mais aguentar a minha mão se estica e vai tocar a dela.
Katniss enrijece na mesmo momento e afasta a sua mão de meu agarre.
– Não me toque. Você perdeu esse direito à muitos anos. — Diz ela muito secamente, deixando o copo de chocolate e o pão de queijo ainda intocados sob a mesa. — Isso foi um erro, sentar aqui foi um erro. Apenas me deixe em paz, Peeta.
Sem que eu posso impedi-la ela se levanta e sai o mais rápido possível da lanchonete. Logicamente que eu vou atrás.
Não gosto de nada do que esta acontecendo entre nós dois, mas não vou desistir tão facilmente.
Consigo alcançá-la quando estamos perto de um beco entre dois grandes prédios comerciais. Não sabia que uma mulher podia andar tão rápido com saltos altos. Tomando um cuidado para não chamar a atenção de pessoas ao nosso redor, eu a seguro pelo braço e a faço entrar no beco comigo.
Tenho todo um cuidado para não arrastá-la, ou machucá-la. Essa nunca foi a minha intenção. Mas, eu tenho algumas coisas para dizer para Katniss, e nada nesse mundo vai me impedir de dizê-las.
– Peeta, o que você pensa que esta fazendo? — Me pergunta ela ao olhar em volto. Graças aos céus que pelo horário muito cedo, o beco esta vazio, só existe nós dois aqui.
– Eu preciso te dizer umas coisas antes que você vá trabalhar. — Digo quando chegamos em um lugar mais afastado dos olhos curiosos dos pedestres.
– Isso é muito inapropriado...
– Foda-se isso, eu não me importo. Você sabe o que passei nesses anos todos longe de você? Tem alguma ideia do mal que me fez? — Pergunto sem conseguir me conter.
– Eu te fiz sofrer? Eu? — Katniss esta me olhando com olhos em chamas.
– Sim, você fez. E eu juro que estou tentando ser paciente e entender a sua atitude, mas fica difícil quando tudo o que eu sei é que você me abandonou e sumiu, e que agora voltou, que esta aqui à quase um ano e nem ao menos teve a decência de me procurar. O que diabos passou na sua mente? Será que você é mesmo tão egoísta e mesquinha que não...
Não consegui terminar de dizer, ou melhor desabafar o que estava em meus pensamentos, porque Katniss me bateu. Isso mesmo. A mão dela veio rápido e forte até o meu rosto, e logo em seguido eu senti a minha bochecha queimar.
– Não ouse nunca mais me chamar de egoísta e mesquinha. — Ouço a sua voz dizer, seus olhos estão grudados nos meus e estão insanamente nervosos. — Você não tem a minima ideia do que eu tive que passar em todos esses anos, enquanto você estava fodendo a Glimmer, e comprando anéis de diamante para ela. Você e aquela puta se merecem, faça um favor e esqueça que eu algum dia estive na sua vida. Eu queria nunca ter posto os olhos em você.
Katniss me dá as costas e começa a se afastar, eu mal posso suportar vê-la se afastar de mim. Não depois que eu a reencontrei. As suas palavras doem em meu coração, o seu tapa foi quase nada. Não me recinto dele, não me importo com isso, eu apenas não posso deixar que ela se vá, sem me escutar antes.
Com rapidez eu volto a segurá-la pelo braço e a puxo de encontro ao meu corpo. Katniss não esperava o meu gesto então apenas me olha cheia de desconfiança, seus olhos cinzentos estão marejados, o que me leva a crer que ela se recente de ter me batido.
Eu deveria deixar ela ir e tentar uma nova abordagem depois, quando nós dois não estivéssemos tão afoitos e nervosos. Mas não consigo me conter.
Meus braços estão em volta de sua cintura e eu a aperto em um grande abraço, logo os meus lábios descem nos dela, e eu não posso evitar de gemer um pouco nessa hora.
Como Katniss foi pega de surpresa, ela não sabe como reagir, seu corpo apenas esta ali quieto. Mas, tudo mudo quando ela percebe os meus lábios tentando abrir os seus, ela tenta reagir para longe de mim, tenta me afastar, mas eu não permito que ela faça, eu apenas aprofundo as caricias de meus lábios nos dela e sou recompensado logo depois, quando a sua boca reticente do meu beijo se abre um pouco o que permite que minha língua entre e encontre a dela.
Katniss não luta mais contra o meu agarre, e sua boca passa a me beijar com bastante desejo. Sinto uma de suas mãos entre os cabelos da minha nuca, apertando de leve, e a outra mão dela esta em volta dos meus ombros me mantendo preso a ela.
E é essa a Katniss que eu conheço e amo. Essa mulher apaixonada que me agarra com tanta paixão que me deixa tonto de desejo.
Lentamente eu a encosto em uma parede qualquer, e pressiono o meu corpo no dela, eu a escuto gemer discretamente, mas isso é música nos meus ouvidos.
Meu corpo todo vibra ao segurá-la tão apertado, uma sensação enorme de ligação se apodera do meu corpo, eu nunca tive isso com nenhuma outra mulher, apenas com Katniss. E é tão bom sentir essa sensação novamente.
Katniss é o meu paraíso, e estar com ela novamente em meus braços é muito mais do que eu já pensei que conseguiria da vida. Quero ajoelhar no chão e agradecer a todas as forças do universo o milagre de tê-la novamente em minha vida.
Eu nunca vou me separar dela. Não posso. Não quando ela me corresponde com tanto desejo, quando a sua língua acaricia a minha com tanta entrega. Eu não sei como eu consegui sobreviver todos esses anos longe dela.
Seus seios cheios estão pressionados no meu peito, e eu quero tanto tocá-los, quero tanto subir a saia dela e me enfiar entre as suas pernas. Katniss pode me negar, mas o seu corpo não mente e ela me deseja tão desesperadamente quanto eu a desejo.
Separo os nossos lábios para que possamos recuperar o fôlego.
– Eu senti tanto a sua falta. — Digo para ela, meus braços a apertam mais, enquanto eu enterro o meu rosto em seu pescoço mais uma vez. Seu cheiro é muito bom, Katniss tem o melhor perfume nos cabelos que eu já senti, tudo nela me chama. Eu não posso resistir. — Oh, Katniss. Nunca mais faça isso comigo, nunca mais vá embora.
Antes que ela me responda eu volto a atacar os seus lábios em outro beijo longo e molhado. Dessa vez eu deixo que uma de minhas mãos desçam para a sua nádega esquerda e eu aperto a carne com carinho, minha outra mão vai até o seu seio e eu a aperto mais levemente, o monte macio cabe perfeitamente em minha mão, o que me leva a crer que Katniss foi feita para mim. E eu fui feito para ela.
Nossas respirações estão bem ofegantes.
– Peeta. — Ouço-a gemer o meu nome quando eu desço os meus lábios para o seu pescoço, estou lambendo essa parte com muito empolgação. Minha saudade por ela não vai ser saciada tão cedo. Principalmente quando eu a escuto gemer o meu nome dessa forma tão doce e necessitada.
– Eu amo você, Katniss Everdeen. Eu errei muito no passado, eu não te disse isso em nenhum momento, mesmo amando você por toda uma vida. — Eu digo quando a forço a me olhar nos olhos. — Não vou fazer isso nunca mais, eu nunca mais vou te esconder nada, tudo vai ser diferente dessa vez. Eu te amo, amo tanto e quase morri quando você foi embora.
Katniss apenas me olha com seus olhos nublados pelo desejo. Eu me inclino e volto a tomar a sua boca na minha. Minha vontade de colocá-la em uma cama e amá-la sem parar só cresce em meu peito. Estou tão duro por ela que doí.
Encosto o meu quadril no dela, fazendo com que ela perceba o jeito que me deixa, Katniss volta a gemer em meus lábios enquanto ondula o seu corpo sensualmente no meu.
Eu apenas queria não estar na rua agora, ou eu apenas a faria minha aqui mesmo. E somente me imaginar enterrando o meu pau em sua boceta molhada quase me faz perder o controle.
– Você é minha Katniss. — Eu digo para ela, ao levar uma de suas mãos até a minha ereção, a faço segurá-la por cima da calça jeans. — E eu sou teu, vê o quanto você me deixa doido, me excita. Eu preciso de você.
A mão de Katniss se fecha sob a minha ereção a ela a aperta com posse, o que me faz gemer de desejo.
– Eu amo você Katniss, e não vou perdê-la para ninguém. — Termino de dizer e logo volto a atacar os seus lábios carnudos e inchados dos meus beijos brutos. Ela volta a me aceitar com ardor. Depois voltamos a nos separar. — Eu estou hospedado em um hotel aqui perto, vamos até lá. Quero passar o meu dia amando você.
Deixo que meus lábios desçam novamente para o seu pescoço, mas tão rápido quanto o desejo começou nela, ele logo foi embora, eu pude sentir a mudança como um soco. Katniss tira a sua mão da minha ereção e com as duas mãos livres ela segura em meus ombros e me afasta dela. Eu reluto em me separar de seu corpo.
E só faço isso quando vejo as grossas lágrimas escorrendo por seu rosto.
– Não posso fazer isso. Não posso, Peeta. — Ela chora em meus braços, não esta me abraçando, apenas continua tentando me afastar dela. — Não posso passar por isso novamente, eu não sobreviveria. Você me destruiu uma vez, eu não posso sofrer aquela dor novamente. Você tem que me deixar ir, tem que me soltar, por favor.
Eu a solto, sem entender a dor que ela esta sentindo. Como assim eu a destruí uma vez? Não entendo o que ela esta falando. Meus olhos estão cheios de uma dor antiga. Me sinto muito pequeno agora, não estou mais excitado, estou preocupado.
– Eu não entendo, Katniss. Juro que não entendo o que você esta falando. — Digo ao passar a mão em seu rosto bonito.
– Você não pode mais me procurar. Não quero que procure, eu estou feliz com o Darius. Estou refazendo a minha vida, quantas vezes mais você pretende me machucar, me usar. — Katniss limpa as lágrimas dos olhos e tenta se recompor. Eu continuo a observá-la sem entender do que ela esta me acusando.
– Você vai ter que me explicar isso, Katniss. — Minha voz tem um toque de exigência, mas não posso evitar, eu quero mesmo saber do que ela esta falando.
– Apenas fique longe. Não me procure mais. — Katniss não me olha mais nos olhos, ela pega a bolsa preta que estava no chão aos nossos pés e se afasta sem me dizer mais nada, eu a permito ir dessa vez.
Ela esta muito abalada agora, precisa de um tempo para pensar, e eu também preciso desse tempo para colocar os meus pensamentos em ordem. Com o meu desejo barrado eu já sei que vou sentir uma dor dos diabos depois. Mas, não me importo, tudo o que me preocupa é descobrir a verdade nas palavras dela.
Vou deixar que ela vá embora dessa vez, mas na nossa próxima conversa, e eu vou tratar de fazer com que ela não demore para acontecer, eu não vou permitir que ela vá embora sem me contar tudo.
Não vou desistir de Katniss. Eu não sei o que esse Darius sente por ela, mas seja lá o que for não pode ser maior do que o que eu sinto por ela. E Katniss pode fingir esse relacionamento o quanto quiser, mas eu comprovei hoje que ela ainda me quer.
E isso me enche de esperança para lutar por ela mais uma vez.
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