Amargo

1 Capítulo 1


Notas iniciais
Deem um desconto nos meus erros ortográficos, afinal eu escrevi tudo por um celular com tela toda trincada. Boa leitura!!

Respirei fundo e deixei que o cheiro de café do ambiente entrasse em meus pulmões.

Era minha décima vez que vinha na cafeteria em apenas um dia. Café era como uma droga para mim.

Não havia lugares vagos para que pudesse me sentar, então procurei rapidamente um rosto que pudesse ser amigável, na qual aceitasse minha companhia. Escolhi um garoto que estava sentado em uma mesa onde tem uma luz queimada logo em cima, o que deixava o ambiente a sua volta um pouco escuro. Caminhei com passos rápidos até ele e puxei a cadeira para se sentar. Dispensei cerimônias.

― Você pode se sentar, fique à vontade. ― disse o garoto com tom irônico.

― Eu meio que já fiz isso.

A garçonete parecia ser novata, pois caminhava tentando equilibrar os pratos e xícaras em cima da bandeja de prata. O suor escorria em seu rosto, apesar de estar frio na cafeteria, o que entregava que estava tendo dificuldades. Me levantei e peguei a bandeja de suas mãos. Não estava pesado e para mim, não era tão difícil equilibrar tudo.

― É para aquela mesa, certo? ― perguntei e ela confirmou balançando a cabeça e enxugando as mãos que estavam suadas em seu avental.

― Me desculpe, não sou boa com isso. ― ela olhou em volta, para confirmar que ninguém estava olhando. ― Te devo uma.

Sorri de volta em resposta e levei para a mesa. O garoto ergueu o olhar que antes estavam fixos em um livro. Ele não parecia incomodado por eu estar ali, na verdade, ele não estava nem ligando.

― Não sabia que era garçonete. ― de novo o tom irônico.

Apenas o ignorei e coloquei o prato com os ovos fritos na mesa, em seguida a xícara de cappuccino. Me sentei novamente e coloquei a bandeja na cadeira ao lado que estava desocupada. O observei levar a xícara até sua boca rosada e o pomo de adão denunciava o momento em que o líquido passava pela sua garganta. Não sentia aquela sensação há algumas horas e eu precisava sentir.

Me lembrei da primeira vez em que provei café. Eu era apenas uma criança e observava meu pai trabalhando, com os olhos fixos no computador, fazendo cálculos na folha em branco. Seus óculos caíam constantemente de cima de sua cabeça, o que deixava irritado e quando perguntei porque ele simplesmente não os tirava, ele disse que gosta do complicado. O seu modo de pensar era um pouco estranho, mas foi o que o levou alcançar o seu objetivo de ser um grande empresário. Em um criado-mudo, ao lado da mesa do computador, tinha uma garrafa de café, mas não sabia o que tinha dentro até o momento em que ele me ofereceu um pouco.

― Você parece cansado. ― ele comentou e pegou sua xícara favorita, que estava um pouco suja, mas retirou um pano de dentro de seu bolso e a limpou. ― Você vai melhorar se tomar um pouco disto.

Vi o líquido preto cair na xícara e o vapor subindo. Foi a primeira vez que deixei que o cheiro de café entrasse meus pulmões e depois disso nunca mais parei. Depois do cheiro, experimentei o sabor amargo que queimava minha língua. Senti meu coração ficar mais rápido e um calafrio percorrer meu corpo. Eu tinha amado aquela sensação.

― Você está viajando ― o garoto comentou ainda não demonstrando curiosidade ou qualquer sentimento de inquietação que fosse. ― Se vai ficar por aqui, preciso pelo menos saber seu nome.

Eu o encarei procurando algo que eu ainda não sabia. Era a primeira vez que o encarava naquele jeito e notei a cor de seus olhos, do lado direito eram acastanhado como mel, e do lado esquerdo, verde escuro. Esse fato me deixou encantado por si só, mas também gostei da forma como os fios de seu cabelo marrom escuro bagunçado caíam em sua testa. Ele pigarreou.

― Alexander.

Ele levou a xícara novamente a boca antes de falar novamente.

― É um bonito nome. Sou o Kevin. ― ele me olhou com expectativa que eu dissesse algo, talvez um elogio, mas ele apenas prosseguiu. ― Não é bonito como o seu, mas eu gosto dele. As pessoas dizem que combina com minha aparência.

― Elas tem razão.

Ele tomou mais alguns goles e terminou o café. Engoli em seco ao notar que mais uma vez o líquido lubrificava sua garganta. Chamei a garçonete que havia ajudado mais cedo. Ela terminou de atender um cliente e veio me atender.

― É, bem, será que você pode me trazer uma xícara de café? ― perguntei quase num sussurro.

― Claro que sim. Você quer só o...― eu a interrompi.

― Não. Eu bem.. Não tenho dinheiro, não poderia me vender em troca daquele favor de mais cedo?

Ela sorriu e concordou, mas antes que ela saísse para buscar, Kevin disparou:

― Eu pago. ― ele parecia irritado.

― Tudo bem então. Vai custar $0,75 dólares.

― Sem problemas.

Depois que a garçonete se virou, eu o encarei, procurando de novo algo que eu ainda não sabia, mas estava começando a entender. Seus olhos encaravam o abismo de meus olhos escuros e vi os músculos de seus braços ― apesar de quase não haver nada ― se contrair. Ele desviou o olhar e respirou fundo, como se estivesse tentando se acalmar. Algo havia o irritado.

― Ela é bonita, não é? ― acho que ele estava se referindo a garçonete, pois estava olhando na direção dela.

― Sim ― eu a achava bonita sim, mas não tanto. Ela tinha cabelos longos, presos em uma trança que ia até a metade da costas e tinha olhos azuis, mas não via nada demais nela. ― Ela achará um namorado fácil.

Ele voltou a me encarar e mais uma vez os músculos se contraiam. Ele parecia desconfortável sentado na cadeira e notei que ele ainda estava sentado ali comigo, mesmo que eu fosse um estranho e ele já ter acabado seu café.

― Você seria? Digo, namorado dela? ― ele perguntou com hesito.

Eu ri.

― Não. Não mesmo.

Ele pareceu relaxar e eu estava começando a entender sua preocupação, mas uma parte de mim não queria entender. Sorri como forma de uma resposta a sua descontração.

― E você? Seria?

― Definitivamente não.

Quando a garçonete trouxe o café, ele se levantou e foi embora. Não o obriguei a ficar, mesmo que quisesse, algo me dizia que a gente ia se ver de novo e que nos conhecíamos de algum lugar. Em menos de um minuto, terminei o café e ao me levantar notei que ele havia deixado o seu livro em cima da mesa. Sabia que ele não tinha esquecido, ele tinha deixado lá para que eu pudesse devolvê-lo como uma mensagem dizendo que a gente deveria se ver de novo.

Notas finais
Espero que tenham gostado de verdade!!