Amarga Distração
2 Meu motivo, a Detetive...
Notas iniciais
O trabalho no Departamento de Polícia de Boston, principalmente na Divisão de Homicídios, havia triplicado nas últimas semanas, graças à ação de um Serial Killer pelas redondezas. Esse era o Serial com o maior número de vítimas num curto espaço de tempo nos últimos quinze anos em Boston. Em três semanas já somava doze mortos.
Dr. Lance, o legista careca de quarenta e poucos anos contratado para trabalhar junto com Maura, já estava examinando um corpo quando a loira chegou afoita jogando sua bolsa de lado e colocando o jaleco e as luvas.
- Bom dia Dra. Isles!
- Bom dia Dr. Lance! Quantos corpos hoje?
- Quatro. Bom, cinco contando com aquele que, bem, nem parece um corpo. – disse o legista apontando para um saco plástico preto em cima de uma das macas.
Ao olhar dentro do saco Maura viu o que parecia ser uma tentativa fracassada de fazer carne moída humana. Olhando assim ela não poderia dizer se era homem, mulher, criança ou idoso. Terei trabalho com esse! – pensou ela.
Os outros corpos tinham algo em comum: um pequeno hematoma arredondado na nuca, como se a ponta de algo tivesse sido pressionada com força no local, e um ferimento no abdômen, na região do estômago. As vítimas do Serial Killer até agora eram rapazes entre 20 e 25 anos. Curiosamente todos tinham os olhos azuis.
Já estava no fim da 2ª autópsia quando seu celular apitou. Era uma mensagem de Jane pedindo para que ela fosse até sua sala, pois precisava lhe mostrar algo urgente. A loira hesitou, mas acabou indo.
A cada passo que dava pelos corredores até a sala dos detetives seu coração dava um salto no peito e suas mãos suavam. Pára com isso Maura! – pensava consigo mesma – E por favor, seja direta ao falar com ela, não piore a situação. Ok, sorria e encare Maura Isles, você consegue!
Ao chegar à porta da sala a doutora respira fundo e a abre. Vai direto até a mesa de Jane sem nem mesmo olhar para os lados.
- Bom dia Maura!! – grita Frost de sua mesa
- Bom dia Frost. – responde ela rapidamente sem nem olhá-lo. – E então Jane, o que tem de tão urgente pra me mostrar?
- Bom, primeiro bom dia pra você também! E segundo, o relatório da sua autópsia naquele rapaz morto no assalto não está assinado. O que está acontecendo com você Maura? Cavanaugh não está gostando nada desses seus momentos de distração, está começando a atrapalhar seu trabalho. Tive que dar uma enrolada nele, de novo, disse que eu havia pego o relatório antes de você terminar e não tinha visto que estava sem a assinatura. Você nunca foi de deixar assuntos pessoais interferirem na sua profissão!
- E aí pessoal, como estão? – Korsak entra na sala juntamente com Elsie, a cachorra de Casey que estava sob seus cuidados. A cachorra corre até Jane e a morena brinca um pouco com ela.
- E aí garotona, aprontando muito na casa do Tio Vince? Quantos sapatos você já mordeu e escondeu?
- Nenhum Jane! Elsie não é mais um filhote e é muito bem adestrada. Não é Elsie? Pega a bolinha!
Enquanto a cachorra corria atrás da bolinha pela sala e Jane perguntava ao detetive sobre Casey, Maura tentava arranjar uma explicação para o que a amiga havia dito antes de Korsak chegar. Bom, explicação tinha, mas ela não poderia falar agora, então pensava em uma resposta alternativa.
- E então Maura, não vai me dizer o que está acontecendo? – Jane torna a perguntar. A loira abre a boca para falar, mas a fecha novamente. Faz isso mais duas vezes até que finalmente toma coragem. É agora! – pensa ela – Jane precisa saber, e vai ser agora. Aproxima-se da morena e aproveita que todos estão entretidos com Elsie para lhe contar.
- É... então Jane, lembra-se de ontem à noite quando estávamos conversando na varanda e você disse que ainda ia descobrir o motivo da minha distração?
- Claro que lembro! Lembro também de você quase se estatelando no chão quando sussurrei no seu ouvido!! – Jane diz rindo e já colocando a mão no rosto se protegendo de um provável tapa, que não acontece. Maura apenas sorri docemente, olha Jane com carinho e continua.
- Pois é Jane, você disse que parecia que eu estava – ela hesita um segundo – apaixon...
- Bom dia pessoal! – uma voz feminina ecoa na sala vinda da porta e Maura congela. Frankie, que havia chegado há alguns minutos e estava perto da porta a cumprimenta efusivamente. Frost e Korsak respondem educadamente e a mulher passa pela mesa de Jane indo em direção à sua.
- Bom dia Jane! – cumprimenta a mulher.
- Bom dia! – diz Jane apenas por educação.
- Bom dia Maura! — e então passa pela loira.
- B-Bom dia Detetive Miranda! – gagueja Maura com um fio de voz.
Charlie Miranda era a nova detetive contratada pelo Departamento juntamente com o Dr. Lance para ajudar nos casos. Aparentava ter seus 30, no máximo 32 anos. Morena, alta, magra e com longos cabelos ondulados, a detetive vinda de Las Vegas era muito parecida com Jane, tanto na aparência quanto na personalidade e também talento na resolução dos casos, o que fazia com que o pessoal da Homicídios brincasse dizendo que as duas eram irmãs. Isso deixava Jane irritada, não gostou nada da idéia de outra mulher na sua Divisão, e muito menos uma que se parecesse tanto com ela. No fundo, Jane tinha medo que a Detetive Miranda “roubasse” seu lugar.
Maura seguiu-a discretamente com o olhar até sua mesa. Miranda sentou-se e começou a folhear alguns papéis dos últimos casos. Sentiu o olhar da loira e a fitou. Sorriu e voltou aos seus afazeres. Jane pigarreou e Maura voltou sua atenção à ela.
- Maura, não vai assinar o relatório?
- É... claro, claro. Deixe-me ver! – deu uma passada de olho para conferir e assinou. – Mais alguma coisa? Preciso terminar as autópsias!
- Não, pode ir! – Jane notou uma leve inquietude em Maura, e pensou ter visto a amiga olhar mais de uma vez para o lado.
Maura virou-se e saiu apressada. Com passos rápidos chegou à sala de autópsias, passando pelo Dr. Lance que tentou abordá-la para falar sobre um dos corpos.
- Dra. Isles, notei que este daqui possui uma coloração estranha em dois dedos da mão direita, o que pode ser um...
- Só um minuto, por favor, Dr. Lance! – ele a olhou e deu de ombros. A doutora estava bastante estranha, inquieta e distraída, mas devia ser apenas por causa do stress do trabalho, afinal de contas ele também ficaria assim se tivesse que examinar todos aqueles corpos sozinho.
Maura entrou em sua sala e desabou na cadeira. Jogou a cabeça para trás e soltou um longo suspiro. Por que ela havia chegado justo naquele momento? Logo quando estava prestes a contar tudo para Jane! Contar que era ela. É, é ela Jane. A Detetive Charlie Miranda é o motivo da minha distração...
Notas finais
Feliz Ano Novo!!! ♥
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