Amare
2 Capítulo II
Tiago S. Potter
Jardim
2 de Setembro — 10:00
Eu e Hugo conversávamos no jardim, esperando para dar o horário das nossas próximas aulas.
—Então, em que posição de Quadribol você vai jogar? – pergunto me sentando no chão, encostado numa árvore.
—Artilheiro. Eu queria tentar ser o Apanhador, mas a Rose seria muito melhor que eu. – responde, se deitando na minha frente.
—Ela vai participar dos testes?
—Sim, eu e ela treinamos com o seu pai durante as férias. Ela é bem mais rápida do que eu, então não tenho nem chance.
—Hugo, ser o Apanhador não é só ser rápido. Você também tem que ser atento, senão perde o Pomo de vista. Eu realmente acho que você tem que tentar, pelo menos.
—É, tentar não mata ninguém, né? – rimos. – E você? Vai tentar ser o Apanhador também?
—Não. – suspiro. – Vou tentar ser o Batedor.
—É por causa do ano passado, né? Por causa da Domi?
Não respondo, apenas começo a encarar o chão.
—Foi culpa minha, Hugo. – falo, depois de alguns minutos de silêncio.
—Não foi, Tiago. Aquele jogador da Sonserina que jogou o balaço nela. Não foi você.
—Eu sei, mas mesmo assim... Eu podia ter impedido.
Ficamos em silêncio por algum tempo. Eu fiquei apenas encarando o lago, pensando na Domi e no time de Quadribol.
—E aí, pessoal? – Lily se aproxima da gente, acompanhada de Albus e Scorpius.
—Oi, Lily... – diz Hugo, nervosamente.
—Adivinha o que eu fiz essa manhã? – pergunta Scorpius, sentando-se ao meu lado.
—O que? – pergunto, sem interesse algum.
—Mandei uma mensagem, pedindo à Dominique pra me encontrar hoje, depois das aulas.
Me levanto num estrondo, e encaro Scorpius, com a maior cara de bravo que consegui.
—Você tá louco? – grito, fazendo Scorpius se levantar, assustado. – Eu te falei pra não tentar nada!
—É, mas eu faço o que eu quiser! Quem você acha que é pra ficar mandando em mim? – ele grita em resposta.
—Não comecem a brigar! – fala Albus. – Chega!
Fingimos não o ouvir, e continuamos a gritar um com o outro.
*
Dominique Weasley
Corredor
2 de Setembro – 11:00
O bilhete que Scorpius havia me mandado não saia da minha mente.
“Dominique,
Me encontre hoje, depois das aulas, na Floresta Proibida. Venha sozinha, quero te conhecer melhor.
Scorpius.”
—Você pode sair com ele se quiser, sabe? – Rose tagarelava do meu lado, mas eu quase não ouvia o que ela falava, estava muito perdida nos meus próprios pensamentos. – Eu já superei ele, totalmente.
—Rose, fica calma. – digo, interrompendo-a. – Eu não vou encontrar ele.
—Ah... Obrigada.
Mudamos de assunto, e continuamos a andar pelos corredores do castelo, enquanto não tínhamos nenhuma aula.
De repente, ouço vozes. Pareciam estar gritando.
—Rose, está ouvindo isso? – pergunto, procurando de onde estavam vindo as vozes.
—Sim, parece pessoas brigando...
Andamos um pouco mais, e encontramos um grupo grande de alunos assistindo à alguma coisa.
—Com licença... – peço à pessoa na minha frente, tentando ver o que estava acontecendo.
—Tiago, para! – ouvi alguém gritar.
Reconheci a voz quase imediatamente: era de Albus.
Comecei a empurrar as pessoas, desesperada para chegar onde ele estava, com Rose logo atrás de mim. Finalmente passo, e encontro Tiago segurando a gola da camisa de Scorpius contra uma árvore, com Albus tentando separá-los, mas sem sucesso.
—Você não vai sair com ela! – grita Tiago, pronto para socar o rosto de Scorpius.
—Eu faço o que eu quiser! – responde Scorpius, tentando soltar o punho de Tiago de sua camisa.
—O que tá acontecendo aqui? – grito, chamando a atenção dos três.
—Domi, sai daqui! – diz Tiago.
—Não! Você tá louco? Solta ele! – me aproximo deles.
—Já disse que é pra você sair daqui!
—E eu já disse que não!
Tiago solta Scorpius bruscamente, e se aproxima de mim. Dou um passo pra trás, com medo.
—Quer saber? Cansei de te defender. – diz, me encarando com uma expressão brava.
—Me defender? Batendo no Scorpius? – pergunto, com a mesma expressão que ele no rosto.
Ele não responde, apenas me encara por mais alguns segundos e sai do Jardim.
—Tiago! Volta aqui! – grita Rose. Ele não para de andar, e ela vai atrás dele.
—Você tá bem? – pergunta Albus, se aproximando de mim.
—Sim, mas o que tava acontecendo? –pergunto.
—Bom, o Tiago não gostou muito da ideia do Scorpius tentar sair com você, e acabou pirando.
—Como assim, ele não gostou?
Albus apenas dá de ombros, e vai ajudar Scorpius. Vou para os corredores, afim de achar Rose. Procurei sua cabeleira ruiva, mas sem sucesso. Viro à direita, já me sentindo meio perdida nos enormes corredores de Hogwarts.
—Domi? – ouço alguém perguntar.
Viro minha cabeça em direção à voz, e me deparo com Tiago me olhando sem jeito, meio envergonhado.
—Que foi? – pergunto, sendo o mais grossa possível.
—Queria pedir desculpa...
—Ah, sério? Pelo quê? Por ficar rindo de mim de manhã? Por ficar olhando minha calcinha? Por bater no Scorpius? Ou por achar que pode ficar decidindo a minha vida? – ele dá um passo pra trás, assustado pelo tom que eu estava usando.
—Olha, desculpe por hoje de manhã, mas você acha que eu deixaria o Scorpius sair com você?
—”Deixar”? E desde quando você tem que escolhe os caras que eu vou pegar?
—Desde que... – ele olha em meus olhos, como se procurasse o que dizer.
—Desde quando, Tiago?
—Desde não sei, tá bom? – ele grita. Dessa vez, eu não me afasto, fico o olhando, como se o desafiasse. – Eu não sei o que aconteceu comigo. Desculpe, tá bom?
Ficamos nos olhando por algum tempo, sem dizer literalmente nada, apenas encarando os olhos do outro.
—Gente? Tá tudo bem? – Lily pergunta.
Paramos de nos olhar. Tiago começa a encarar o chão, como sempre faz quando está nervosa ou com vergonha.
—Sim. – respondo, indo em sua direção, deixando Tiago sozinho naquele corredor.
—O que tava acontecendo entre vocês dois? – perguntou, quando já tínhamos nos afastado de Tiago.
—Nada.
—Domi, pode confiar em mim.
—Eu sei. – digo suspirando. – Mas, sério, não estava acontecendo nada.
—Se você diz...
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