Amar Não É Pecado
13 Capítulo 12 – Dia dos namorados ou desconhecidos
Notas iniciais
Boa leitura =)
No I can't forget this evening,
And your face as you were leaving,
But I guess that's just the way the story goes.
You always smile but in your eyes your sorrow shows.
Yes it shows.
I can't live if living is without you.
I can't live, I can't give anymore.
I can't live if living is without you.
I can't give, I can't give anymore.
(Mariah Carey – Without You)
5 anos antes…
PDV Bella
6 meses haviam se passado.
6 meses desde que Edward me deixara.
6 meses em que aprendi a fingir ser quem não era.
6 meses de pura sobrevivência.
Todas os dias eu sonhava com ele, observava mais uma vez o seu rosto, relembrava as suas expressões, e escutava com exatidão as suas palavras. Era inevitável. E todas as madrugadas terminavam do mesmo modo… Eu acordando sufocada, com lágrimas correndo pela minha face, consequentes daquelas malditas memórias que não me abandonavam, as memórias do adeus.
O meu pai estava preocupado, eu sabia disso. Na manhã seguinte, depois de Edward sair da minha casa, foi Charlie que me encontrou, em posição fetal, deitada no chão. Ele não fez uma única pergunta, apenas se aproximou e me pegou no colo, me embalando como se eu fosse um bebê. O calor afetuoso que senti, não era o que eu esperava. Isso porque o que eu necessitava era o aconchego dos braços de Edward. Aquele abraço que eu nunca mais teria, aquela proteção que eu nunca mais sentiria. O choro que tinha cessado, depois de tanto tempo, voltara com força, e o aperto do meu pai era tudo o
que me restava. Não sei por quanto tempo ficamos assim, até porque algum tempo depois naquela sala, adormeci de exaustão.
Despertei no dia seguinte, já perto da hora de almoço. Apaguei durante dia e meio, a única explicação era o cansaço emocional que eu possuía. A minha tia ficou do meu lado, durante horas, sem tocar no assunto que me levara aquele estado. Não falávamos, não trocávamos olhares, apenas estávamos juntas. Eu sabia que ela imaginava, ou pelo menos suspeitava do que poderia ter acontecido. Quando acabei por me levantar, murmurei um obrigada, e pedi para ficar sozinha. Lembro do olhar triste que ela me lançou, mas sem dizer uma palavra, agiu do modo que eu queria. Vaguei pelo meu quarto, derramei mais algumas lágrimas, e me isolei do resto do mundo.
Os dias foram passando, sem que eu nem desse por isso. Nem o meu pai, nem a minha tia, me pressionaram para conversar. Não tocaram no nome dele, pois tinham noção que não era a hora a certa. Só um mês depois, é que eu decidi anunciar o que todos já sabiam, o término do meu namoro. Não que isso não estivesse mais do que esclarecido, Edward nunca mais aparecera, eu me limitava a ficar trancada em casa, sem falar com ninguém do mundo exterior.
Foram várias as tentativas de Alice, para que eu a recebesse, ou atendesse as suas chamadas. Assim como ela, outros amigos, inclusive o resto da família Cullen, tentaram me contatar. Mas eu não podia, eles não entenderiam a minha dor. A minha rotina era sempre a mesma, eu agia mecanicamente. Comia porque não queria dar motivo de preocupação, e o resto do tempo eu me jogava na cama, pensando nele, ou dormindo. Claro que a última opção não era a melhor, eu sempre acordava pior do que já estava.
A primeira vez que saí de casa, já tinham passado 3 meses sem notícias de Edward. Saí porque não aguentava mais os semblantes tristes da minha família. Eles respeitavam o meu espaço, mas os seus olhares misericordiosos, e as suas posturas de inquietação, me fizeram enxergar. Percebi que tinha que mudar, aqueles que me amavam não mereciam sofrer comigo. Foi então que decidi colocar uma máscara, daquelas invisíveis, para que todos pensassem que eu estava ultrapassando a situação. Não era fácil para mim, mas eu não faria difícil para os outros.
Hoje, 6 meses depois, eu quebrei mais uma vez. Porque motivo existia o dia dos namorados? Não conseguia controlar os meus pensamentos, tudo me remetia a um nome, Edward. Onde ele estaria? Como estaria? Ainda me amaria? Talvez eu estivesse mesmo no fundo do poço. Eu queria odiá-lo, mas isso jamais aconteceria. Os únicos sentimentos que enchiam o meu coração eram amor e saudade. Eu admito que cheguei a sentir raiva, não por ele ter partido, mas por ele me ter deixado. Uma coisa não implicaria a outra, eu esperaria por ele, talvez até me mudasse com ele para Los Angeles. Mas eu vi no seu olhar que ele não achava que o nosso relacionamento fosse capaz de sobreviver a isso, e era essa constatação que me matava lentamente. Edward estava lutando pelo seu sonho, eu não tinha o direito de lhe pedir para abdicar disso por mim. E esse era o motivo que ainda me deixava sã. Mesmo magoada, eu seguia um raciocínio lógico, aquele que eu sempre coloquei em primeiro lugar. Se para ver o homem que eu amava, feliz, eu tinha que passar por todo esse sofrimento, eu o faria sem hesitação.
Já era bem tarde quando cheguei a um pequeno bar de Manhattan, eu precisava de algo bem forte, que me pudesse fazer esquecer a droga de vida que eu estava levando. Todas as decorações nas vitrinas das ruas, os coraçõezinhos, os ursinhos de pelúcia, as jóias com formas elucidativas à data, estavam me deixando louca. Esse dia, que fora tão especial durante os últimos 5 anos da minha vida, agora só servia para me entristecer. Como ignorar o aperto no meu peito, só de imaginar que essa seria a primeira vez, depois de um longo tempo, que estaria sozinha? Nada de declarações românticas, nada de beijos apaixonados, nada de sorrisos contagiantes. Tudo o que me restava era a solidão, ainda que estivesse rodeada de gente, e a garrafa de whisky colocada à minha frente pelo barman.
O bar estava lotado, a mesa para onde eu me dirigia, tinha acabado de ser ocupada por um homem. Aquele não era o meu dia, definitivamente. Sem nada a perder, e querendo degustar mais da minha bebida, sem medo das consequências, andei até à mesa, e me sentei na cadeira mais próxima.
– Desculpe? – escutei a voz do outro cliente.
– Está desculpado. Eu demorei muito para me vir sentar, mas pode ficar aí, eu não me importo – dei de ombros, ignorando a verdadeira entoação com que ele me havia falado.
– Você é engraçada – respondeu o mesmo homem, rindo de alguma coisa que eu não entendi logo.
– Você não me conhece – disse irritada, batendo o copo na mesa, e encarando o cara pela primeira vez – Então me deixe em paz, eu só quero desfrutar da porra da minha bebida. Será pedir muito? – resmunguei, mesmo sabendo que a culpa não era dele.
– Quer partilhar? – perguntou, não desistindo.
– Vai pegar uma para você – retruquei, não muito simpática.
– Eu estava me referindo aos seus problemas, aqueles que te trouxeram hoje aqui – comentou de modo perspicaz.
– Porque é que você se importa? – balancei a cabeça – Eu sou apenas uma desconhecida. Não era mais fácil ignorar a minha presença, e seguir com a sua noite? – fiquei confusa com a sua súbita disposição em me escutar.
– Todo o mundo sabe que é mais fácil desabafar com um estranho, do que com um amigo. Você está aqui, eu também estou. Pensei que isso lhe faria bem – concluiu sorrindo amigavelmente.
– Você quer mesmo saber? – questionei intimidada com a sua confiança, e vi-o assentir – Tudo bem, você que pediu… — parei de resistir e acabei por despejar os últimos meses da minha vida, em cima de um completo desconhecido.
Eu expliquei tudo, desde a minha relação com Edward, até à sua despedida a meio da madrugada, e a vida fingida e estagnada que eu levava desde então. Riley, esse era o nome do desconhecido já não tão desconhecido, que eu acabara de conhecer, escutou tudo com atenção, sem me interromper, exceto quando me informou do seu nome. Suponho que não estivesse sendo prática, tendo em conta as enumeras vezes em que o chamei de desconhecido.
– E você pretende viver desse jeito? É assim que você quer que a sua vida seja? – perguntou quando eu terminei de falar.
– Como assim? Eu acho que já expliquei a minha posição. Eu não sei viver sem ele… — suspirei, e engoli todo o conteúdo líquido que havia no copo.
– Pelo que entendi, o tal Edward foi embora, e não deixou dúvidas quanto ao fim do relacionamento de vocês – eu confirmei, mesmo não querendo admiti-lo novamente – Ele está vivendo, seguindo a sua vida. Não acha que é justo você fazer o mesmo? – inquiriu, arqueando a sobrancelha esquerda.
– Eu o amo – murmurei, sentindo a humidade que se acumulara nos meus olhos.
– Você vai esquece-lo um dia. Essa dor que você está sentindo, irá passar. Você só precisa querer seguir em frente, e isso não significa fingir estar bem, quando na verdade está péssima – repreendeu o meu comportamento.
– Nunca, isso não vai acontecer. Eu vou ama-lo sempre, você é que não entende – falei duramente, enchendo o meu copo, pela quinta vez – O meu sentimento por Edward jamais morrerá, eu sei disso, é uma verdade incontestável – justifiquei melhor – É como se o meu coração tivesse voado com ele, e só o meu corpo me mantivesse em pé.
– Isabella… – disse o meu nome, o qual eu também já lhe tinha dito – Você não pode se fechar para o amor. Edward parece ter seguido com a sua vida, você precisa fazer o mesmo. – eu ia interrompe-lo mas ele foi mais rápido e continuou o seu discurso – Eu compreendo que nesse momento você não acredite nisso, mas um dia você terá que deixá-lo ir.
– Eu já disse que sempre o irei amar – reafirmei, não querendo escutar o que Riley me dizia.
– E ele? Você acha que ele também te irá amar para sempre? Foi por amar você que ele te deixou? – tocou na ferida, me deixando ainda mais irritada.
– Eu sei que ele me ama – eu estava praticamente gritando – Ele me deixou porque o seu sonho chamou por ele – tentei justificar a sua atitude, mesmo que eu não estivesse completamente certa disso.
– Se eu amasse alguém, do jeito que você o ama, eu jamais a deixaria – respondeu, e se encolheu na cadeira, pondo um fim à nossa conversa.
O silêncio permaneceu durante uma hora, mais ou menos. Eu já não sentia nada, a minha visão estava turva, e a vontade de rir era mais forte do que qualquer outra coisa. Já não conseguia encher o copo, e isso me fez perceber que estava realmente bêbada. Ótimo, o meu objetivo tinha sido cumprido. As sensações que eu estava sentindo eram agradáveis, como já há muito não sentia.
Estava na hora de voltar para casa. Foi com esse intuito que tentei me colocar de pé. Os meus movimentos estavam lentos, e na primeira tentativa, quase me estatelei no chão. Se não fosse por Riley, que ainda estava presente, eu teria me machucado feio. Escutei ele falando comigo, enquanto me segurava pela cintura, mas eu não conseguia responder. Sentia vontade de fechar os olhos, e foi exatamente isso que fiz. A escuridão me tomou e eu não quis saber de mais nada.
xxx
Abri os olhos e senti a minha cabeça explodir de dor. Com dificuldade, obriguei o meu corpo a erguer-se da cama, e só então visualizei o comodo onde me encontrava. Compreendi rapidamente que não estava em casa, e ao contrário do que era esperado, o medo não me dominou. Pode parecer loucura, mas eu já não tinha nada a perder. Deveria haver alguma explicação lógica para eu me encontrar no lugar onde estava.
– Boa tarde dorminhoca – Riley entrou no meu campo de visão, exibindo aquele seu sorriso que parecia característico.
– Estranho? – falei roucamente, tentando me ambientar com a claridade que vinha da janela.
– Pensei que já tivéssemos ultrapassado essa fase – brincou – Trouxe esse comprimido para você, a sua ressaca não deve estar fácil – disse, me entregando o remédio, junto de um copo com água.
– Onde eu estou? – perguntei assim que engoli a sua oferta.
– No meu apartamento – sentou na ponta da cama – Você desmaiou nos meus braços, eu não sabia muito bem o que fazer. Primeiro pensei em ligar para algum dos seus contatos – apontou para o meu celular, que só agora notei estar ao meu lado – Mas depois julguei que você não quisesse preocupar a sua família – completou, esperando a minha opinião.
– Bom, obrigada – agradeci – Lidar com a minha família, no estado em que eu estava, não seria nada bom – mordi o lábio.
– Parece que estamos em sintonia – acenou.
– Sim, parece que sim – abanei a cabeça – Oh meu Deus, você disse boa tarde? Eu dormi tanto assim? O meu pai e a minha tia devem estar preocupados comigo – me inquietei, já saindo da cama, e me preparando para ir embora.
– Calma Isabella, está tudo bem — tentou me acalmar – Eu tomei a liberdade de enviar uma mensagem do seu celular, avisando o seu pai que você estava bem e que iria dormir fora de casa. Tudo como se fosse você mesma informando-o do fato.
– Oh… — soltei surpresa – Você pensou mesmo em tudo, hein? – fiquei sem graça – Obrigada mais uma vez.
– O que me diz de tomar um bom café da manhã? Não me parece que almoço seja algo que queira, pois acabou de acordar – explicou – Depois sim, poderá ir para casa descansar – provavelmente imaginou que a minha dor de cabeça não daria tréguas tão cedo.
– Tudo bem – concordei, seguindo-o em seguida.
xxx
Os 7 meses seguintes foram menos tumultuosos. Riley, o desconhecido do bar, se transformou num verdadeiro amigo, e isso me ajudou muito. Aos poucos, a minha vida ia sendo mais fácil de seguir, mesmo que a saudade e o amor por Edward, ainda fizessem parte de mim. Começava a acreditar nas palavras que Riley me havia dito naquela noite, no bar. Mas sabia que ainda teria um longo caminho a percorrer, até o dia em que pudesse dizer que estava recuperada.
Link da música do capítulo:
http://www.youtube.com/watch?v=J8vZUqxlW88
Notas finais
Olá meninas! Como estão? ;)
Esse capítulo me lembrou muito o rompimento de Beward em Lua Nova... então coloquei Possibility para ouvir enquanto betava. Chorei horrores. Chorei pela dor de Bella. Por Edward. Por toda a situação que os levou ao ponto final. Por Charlie ter sido tão carinhoso com a filha... tão pai! Bella acredita que foi trocada pela carreira de Edward, que por sua vez acredita que ela é sua irmã. Meu Deus! Realmente acho que a separação esteja sendo dificil para ambos. Bella está tentando se reerguer à maneira dela. Fingindo ser quem não é. E Edward? Bom, imagino que ele esteja fazendo exatamente a mesma coisa. Os dois não estão vivendo... estão sobrevivendo. Um dia após o outro. E nada mais. Agora, o destino trouxe Riley para a vida de Bella, em um depressivo dia dos namorados. Sabemos que eles se tornaram grandes amigos e posteriomente namorados, como já lemos no prólogo. Planejavam se casar. Mas, o que o destino reserva para esses três corações? Nunca quis tanto que ANEP voltasse ao presente, como depois que li esse capítulo.
Agora vamos para os reviews meninas? E recomendações? Vamos deixar a Jess feliz, hein?! ANEP está cada dia mais PERFEITA! Sou fã demais!
Fiquem com Deus e até o próximo capítulo.
Bjsss,
Juh Cantalice
Notas da autora:
Oi gente!
Então, tal como eu tinha falado, nesse capítulo o tempo já começou a passar. Estive pensando e acredito que voltaremos ao presente daqui a 3 capítulos. Os próximos dois, tal como este, se concentraram nos anos que a Bella e o Edward estiveram separados.
O que acharam do capítulo de hoje? Eu e a Juh estivemos falando sobre o Riley... Ele é realmente um fofo! ahah Será que Biley existe? Bom, caso não exista, acho que agora irá existir rs
Tentei não dramatizar demais a dor que a Bella está sentindo. Não quis deixar o capítulo muito pesado, espero que me tenha saído bem.
Me deixem reviews, hein? Tem cada vez mais gente lendo a fic, mas parece que não gostam de deixar a opinião... Eu apreciaria okay? Até porque, como já referi, isso me ajuda e incentiva muitooo!
Até o próximo capítulo =)
Beijosss,
JessicaC
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