Amar Não É Pecado
8 Capítulo 7 – Entre amigos e família
Notas iniciais
You can count on me like one, two, three
I'll be there
And I know when I need it
I can count on you like four, three, two
And you'll be there
Cause that's what friends are suppose to do
Oh yeah
(Bruno Mars- Count On Me)
5 anos antes…
PDV Bella
Acordar com Edward do lado era a melhor sensação que podia existir logo pela manhã. Me espreguicei feito uma gatinha mimada e soltei um gemido de satisfação. Olhei para o lado e observei atentamente a expressão serena que habitava no rosto do meu namorado. Ainda que não tivéssemos o costume de passar a noite no nosso apartamento, havia dias que era impossível matar a saudade em apenas algumas horas. Essa última noite tinha sido um desses exemplos perfeitos.
Com cuidado, passei a mão pela face de Edward e apreciei a textura macia da sua pele. Eu nunca me acostumaria com a beleza que ele possuía. Não me considero uma daquelas mulheres que só se interessa por alguém com um aspeto físico atrativo, muito pelo contrário, a perfeição vem do interior de cada um. Porém, não podia negar que as qualidades de Edward iam muito além disso. Ele conseguia reunir ambas as belezas e, ainda assim, não era um homem que vivesse se gabando perante a sociedade. Acho que foi esse seu jeito tão genuíno que me arrebatou desde o primeiro instante.
O barulho que os ponteiros do relógio faziam, me trouxe de volta à realidade. Precisava levantar se quisesse preparar um reforçado café da manhã, antes que Edward acordasse. Um pouco sem vontade, por ter que me afastar do calor agradável que a proximidade do corpo de Edward trazia, saí da cama e vesti a sua camisa. Andei lentamente, tentando fazer o mínimo alarde possível, até à porta do quarto, e abandonei o cômodo para caminhar até à cozinha.
Uma das coisas que me dava mais prazer, era fazer um monte de comida saborosa, para que pudéssemos ganhar energia para o dia que teríamos pela frente. Edward sempre elogiava a maneira com que eu me dedicava à culinária e, de certa forma, eu compreendia o que ele queria dizer. Sempre tive gosto em cozinhar, embora no começo apenas os doces fossem o objeto da minha curiosidade em aprender tal arte.
Desliguei o fogão e retirei os ovos mexidos e o bacon frito que estavam no ponto, tal como Edward amava. Eu sempre os deixava para último, para que não esfriassem enquanto eu preparasse outras coisas como panquecas, torradas, suco, salada de frutas, etc. Dividi a porção pelos dois pratos colocados em cima da mesa e rumei até ao quarto. Estava na hora de Edward acordar, se não fosse por ele mesmo, eu daria uma pequena ajuda.
xxx
– Isso estava simplesmente divino– comentou lambendo os lábios em sinal de aprovação.
– Será que você nunca se cansará da minha comida? – perguntei feliz – Eu espero que não, pois não pretendo deixar o meu futuro marido passar fome o resto da vida – brinquei piscando o olho.
– Ah meu amor, eu não vejo que isso seja um problema. Se depender de mim, você terá longos anos para me deliciar com essas suas refeições maravilhosas – disse sorrindo.
– Você é muito espertinho Cullen. Sabe sempre o que dizer para me deixar satisfeita – tentei manter uma postura séria, mas falhei redondamente – Ok, eu gosto dessas suas respostas e espero tê-las até sermos beeem velhinhos – dei uma risada com a careta que Edward fez.
– Quer dizer que eu nunca poderei falar mal da sua comida? – coçou a cabeça, fingindo pensar – Acho que posso lidar com isso – se aproximou beijando a minha boca.
– Que tal se hoje fizermos um programa caseiro? – sugeri quando nos sentamos no sofá.
– Sozinhos ou com os nossos amigos? – falou me lembrando de Alice, Rosalie, Jasper e Emmett.
– Acho que podíamos ligar para eles, não nos juntamos há algum tempo – depositei a minha cabeça sobre o ombro de Edward, observando a sua mão procurar o celular no bolso da sua calça.
– Vou tratar disso agora mesmo – concordou, digitando o primeiro número que lhe veio à cabeça e explicando os nossos planos para os nossos amigos que, por sinal, estavam juntos.
– E então? – quis saber o que haviam decidido, assim que Edward desligou a chamada.
– Pode se preparar, a cambada está a caminho e Emmett fez questão de dizer que está morrendo de fome – soltou uma gargalhada e me puxou para o seu colo – Agora me deixa aproveitar os últimos minutos a sós com a minha namorada.
– Com todo o prazer baby – enrolei os braços em volta do seu pescoço e me deixei levar pelos carinhos trocados com Edward.
xxx
Os nossos amigos tinham chegado uma hora depois. Ficamos falando sobre várias bobagens, os meninos aproveitaram para jogar vídeo game, assim que nos apanharam desprevenidas, e tanto eu como Alice e Rose, fingimos ficar bravas. Claro que no final, roubamos o controle dos nossos respetivos namorados e tentamos sim tentar é a palavra mais apropriada para essa situação, jogar uma partida de futebol.
O tempo passou rapidamente e quando nos demos conta, estávamos espalhados pelo chão da sala, degustando várias fatias de pizza que havíamos encomendado para o almoço. O bom humor era coletivo e essa era a melhor parte de poder conviver com os meus amigos.
Rosalie e Emmett eram um casal totalmente diferente. Enquanto ela era uma pessoa que gostava de manter uma postura séria em público, Emmett era uma criança grande, sempre preparado para fazer das suas artes, em plena praça pública. Quando o namoro dos dois saiu, só os mais próximos perceberam o que ambos tinham visto um num outro, de forma a que se apaixonassem e decidissem ficar juntos. Rosalie precisava de alguém brincalhão como Emm, era ele que trazia à tona a parte divertida da minha amiga. Já Emmett via em Rosalie, a possibilidade de observar a vida com outros olhos, de uma maneira mais real. Isso porque com a presença dela na sua vida, o futuro já não era uma aventura e sim algo importante e que necessitava de ponderação e atitudes mais adultas que teriam de serem tomadas. Ambos se completavam e era isso que fazia da sua relação um sucesso.
No caso de Alice e Jasper, os dois eram tão apaixonados que não precisavam de muitas demonstrações de afeto para que os outros percebessem o tamanho do amor entre eles. Alice sempre foi uma pessoa animada, mas no que diz respeito a compromissos amorosos, a realidade é outra. Nesse quesito, Alice era muito mais calma e bastante sonhadora. Quando Jasper apareceu na sua vida, foi como se uma peça fundamental tivesse encaixado no seu coração. Ele sempre foi muito mais reservado que ela, mas eles combinavam tanto no sentido amoroso, que o resto não incomodava. Os sorrisos que trocavam, os olhares cúmplices, tudo isso era a prova que mais importava e era assim que eles deixavam os outros perceberem que pertenciam um ao outro.
– Podíamos fazer um jogo – Alice propôs assim que paramos de comer – Sem ser de vídeo game, claro – revirou os olhos com a animação visível dos garotos.
– Mímica? – uma Rosalie, não muito convencida, sugeriu.
– É uma boa, mas tem que ser meninas contra meninos. Eles são muito ruins para ficar com a gente! – Alice falou muito séria, o que desencadeou um ataque de riso da minha parte e da de Rosalie e uma cara de incredulidade por parte dos nossos namorados.
– Amor, isso é mesmo necessário? – Jasper tentou com que Alice mudasse a sua opinião, mas não foi o suficiente.
– Jasper, você sabe que eu te amo, mas você e os seus amigos são terríveis nesse tipo de jogo. Eu gosto de ganhar sabia? Por isso eu fico com as meninas e você com esses dois – sorriu com a explicação e me puxou para que, juntas, fossemos sentar do lado de Rosalie e combinar a nossa estratégia.
Tal como Alice previra, a gente acabou com os garotos. Eles eram realmente péssimos nesse jogo e, por isso mesmo, conseguiram nos divertir ao longo das suas tentativas, fracassadas, de fazer com que os elementos do seu grupo adivinhassem a mímica que o outro fazia. Não tinha a certeza qual dos três era pior, mas me atrevo a dizer que Jasper parecia ser o que menos tinha jeito para imitações. Agora entendia perfeitamente o ponto de vista de Alice e o porquê dela querer ficar no grupo rival.
Já era de tarde quando o celular de Edward tocou e ele atendeu, vendo que era a sua mãe.
– Sentiu saudade dona Esme? Isso foi rápido – falou convencido assim que colocou o aparelho junto ao ouvido.
– Esse meu irmão é tão convencido – Alice atirou uma almofada na direção de Edward, mas acabou não acertando porque ele se desviou.
– Hum, não sei. Estou no apartamento com Bella e com os outros 4 – Esme sabia a quem a última parte se destinava e por isso Edward não teve que dar mais detalhes.
– A gente tem nome, sabia? – Emmett tentou falar com a boca cheia, estava comendo, novamente, a pizza que tinha sobrado.
– Ai Emm – lhe deu um beliscão – Não fala enquanto estiver mastigando, isso é nojento – Rose o repreendeu.
– AHH! – se queixou, andando para o lado de forma a manter distância da loira – Isso dói linda – fez biquinho, como se fosse uma criança tentando derreter a fúria da mãe.
– Você não toma jeito seu babaca – Jasper entrou na conversa – Nem parece um homem, o tamanho realmente engana – provocou.
– Sou muito homem sim, seu mané – exibiu os seus músculos – A sua irmã que o diga – retrucou de propósito.
– Demasiada informação – Rosalie avisou e Jasper concordou com um aceno de cabeça.
– Certo mãe, vou transmitir o seu recado para eles. Até logo, um beijo para você – ouvi Edward se despedir antes de desligar e voltar a sua atenção para nós.
– O que a sua mãe queria amor? – senti os seus braços rodeando a minha cintura e o seu queixo se apoiando no meu ombro.
– Fomos todos intimados para jantar na casa dos Cullen, os seus pais e tia – no meu caso – também já foram convidados.
– Tudo bem. O que faremos até lá? – perguntei sem ter nenhuma ideia.
– Eu quero uma revanche – Jasper disse nos surpreendendo.
– Como? – Edward arregalou os olhos sem acreditar no que escutava.
– Isso mesmo que você ouviu. Precisamos mostrar para essas garotas, de que é que somos feitos – parecia bastante convicto.
– Cara, você tem certeza? – Emmett se pronunciou sobre o assunto.
– Sim. Então… — encarou as meninas – Vocês aceitam?
Nos entreolhamos e sorrimos disfarçadamente, até que Alice tomou a iniciativa e concordou.
– Vamos lá amigas, deixemos que eles se humilhem mais uma vez!
Essa tarde seria mais uma daquelas para recordar.
xxx
O jantar na casa de Edward correu na perfeição. Éramos como uma grande família, onde todos davam a sua opinião e brincavam uns com os outros. Vinda de uma família onde os parentes eram poucos, não tinha como não adorar essa nova família emprestada. Eu gostava da vida compartilhada que tínhamos, era bom saber que os mais velhos nos apoiavam e se importavam com as nossas escolhas.
Essa noite Edward e eu já dormiríamos nas nossas respetivas casas, por isso, um pouco depois do jantar, saímos sorrateiramente e seguimos até o seu quarto. Aproveitámos para namorar mais, a saudade parecia intensificar o desejo que já sentíamos um pelo outro. Não sei bem quando foi que aconteceu, mas acabamos por adormecer abraçados e cientes do conforto que nos rodeava.
– Talvez seja melhor deixá-la dormindo aqui, parece estar num sono aconchegante – uma voz entrou pelo meu ouvido, ainda que o meu sono permanecesse inalterado.
– Tem razão, eles devem estar mesmo cansados. Não tem nem meia hora que subiram e já adormeceram – outra voz, agora mais forte, soou.
– Já tivemos a idade deles, sabemos como é bom ficar junto da pessoa que gostamos – disse alguém com naturalidade.
– E ficaram algum tempo longe um do outro. Pensei que a minha filha iria enlouquecer – reclamou num tom divertido.
– Vamos sair daqui antes que acordemos algum – os passos se distanciaram mas alguém voltou atrás.
– Eles estão descobertos, ainda podem se constipar – sussurraram – Vou tratar disso.
Essa foi a última coisa que o meu subconsciente conseguiu captar. Senti algo fofinho e quente ser colocado em cima de mim e voltei a sucumbir ao mundo dos sonhos.
Link da música do capítulo:
http://www.youtube.com/watch?v=yJYXItns2ik
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