Amar Não É Pecado

23 Capítulo 22 – O que eu quero na minha vida


Notas iniciais
Penúltimo capítulo. Boa leitura!

You can't see me, no

Like I see you

I can't have you, no

Like you have me

And I want you in my life

And I need you in my life

Love

Love

Love

You can't feel me, no

Like I feel you

I can't steal you, no

Like you stole me

And I want you in my life

And I need you in my life

(The Pretty Reckless – You)

PDV Bella

Senti um cheiro gostoso vindo da cozinha e segui na sua direção. Eram apenas 07.30h mas, como sempre, tia Ângela já deveria estar preparando o café da manhã. Desde pequena que convivia com esse seu hábito de acordar cedo, preparar a nossa comida, e só então nos chamar para a mesa. O meu pai não tinha um horário fixo pra se levantar, dependia dos seus turnos no hospital, mas se estivesse em casa pela manhã, fazia questão de nos acompanhar nesse costume familiar.

A cena que vi à minha frente me fez sorrir. Tia Ângela estava de costas pra mim, preparando alguma coisa no fogão, enquanto o meu pai lia em voz alta uma matéria que havia saído no jornal. Não era a primeira vez que me deparava com isso, nem seria a última. O que me alegrava era presenciar a rotina que os dois mantinham, mesmo quando eu não estava por perto. Só um cego não via o amor que aqueles dois nutriam um pelo outro, embora nenhum admitisse. Acho que ambos tinham medo do que os outros pensariam, ou pior, do que eu pensaria. Talvez essa fosse a ocasião para que eu fizesse algo, mostrar pra eles que o mais importante era serem felizes. Quem sabe!

— Espero que haja espaço para mais uma. – denunciei a minha presença.

— Oh, Bella! – exclamou a minha tia, largando o que fazia e vindo até mim, me envolvendo nos seus braços. – Que saudades meu amor.

— Eu também tive saudades suas tia. – respondi, abraçando-a mais forte – E suas também papai. – confessei, olhando para o meu pai, por cima do ombro da minha tia.

— A casa não é a mesma sem você. – disse Charlie, chegando perto e depositando um beijo na minha testa.

— Então ainda bem que eu estou de volta. – afirmei, sabendo que ambos precisavam da minha confirmação. – Agora, será que podemos degustar as maravilhas que a Dona Ângela cozinhou? O meu estômago agradece. – pedi, estando realmente com fome.

Rindo da minha franqueza, seguimos juntos até aos nossos lugares, e não demoramos pra comer. Já no acolhedor sofá da sala, entre conversas e gargalhadas, as horas foram passando, e só demos por isso quando a campainha soou, interrompendo o nosso momento. Não precisava de nada para ter certeza de que as pessoas atrás da porta eram os meus amigos, ainda assim, fui eu que me voluntariei em atender.

— Bella! – gritou Alice pulando em cima de mim, quase nos derrubando se não fosse por Emmett nos prestando auxílio. – Nunca mais volte a viajar por tanto tempo, escutou mocinha? – reclamou, não me dando oportunidade de falar – Agora temos que conversar muito. Ah se temos! – me encarou com os olhos brilhando de curiosidade.

— Amor, será que a gente pode cumprimentar a Bella também? – perguntou Jasper, ainda do lado de fora.

— Como é que você controla essa sua namorada cara? Aposto que é a baixinha que veste as calças lá em casa – debochou Emmett, sendo instantaneamente atingindo pelo cotovelo de Rosalie. – Ouch, Rose! Isso doeu. – a loira ignorou o seu protesto, empurrando todo o mundo e entrando no local.

— Vamos nos comportar como os adultos que já somos, ou é pedir muito? – revirou os olhos entediada – Bella, como foi a viagem? Você parece ótima, fico contente. – sorriu sincera – Alice tem razão, precisamos conversar. Mas primeiro… — olhou para o meu pai e para a minha tia – Oi tio, oi tia! – acenou.

Aproveitando a deixa, todos os meus amigos andaram até à sala, saudando a minha família.

— Bom, vamos deixar os mais novos em paz. Eles têm um mês para pôr em dia.

O meu pai assentiu, caminhando em direção às escadas.

— Pai? – Chamei, decidida a dar um empurrão no destino. Corri até ele, que havia parado com a minha fala, puxando-o para baixo, para que pudesse sussurrar no seu ouvido – Porque é que você não convida a tia Ângela para passear? Almocem fora, aproveitem esse dia tão bonito. – pisquei o olho – Às vezes perdemos muito tempo lutando contra o que o nosso coração nos pede. Não é isso que quero para você pai, nem para a tia Ângela. – declarei, esperando que ele entendesse as minhas palavras.

Perplexo com o que havia escutado, o meu pai apenas esboçou um sorriso agradecido. Festejei internamente, confiante de que o Dr. Swan seguiria o meu conselho. Voltei à realidade quando o vi se afastar. Estava na hora de enfrentar as feras, digo, as meninas.

— Quem é que quer começar? – questionei, um pouco intimidada pelas suas expressões, recebendo risadas da parte de Emmett e Jasper.

xxx

Após escapar com vida ao inquérito rigoroso feito por Rosalie e Alice, o qual não havia sido respondido de acordo com o que as mesmas desejavam, conseguimos pedir umas pizzas e almoçar entre as palhaçadas do costume. Assim como eu imaginava, o meu pai havia mesmo convidado a tia Ângela para sair, o que levou os casais – e eu — a soltar um aleluia quando os viram passar a porta da rua.

Pelas 16h os meus amigos se despediram. Rosalie e Emmett tinham algum compromisso, embora eu ache que era apenas uma desculpa para os namorados aproveitarem a tarde de domingo no aconchego dos seus lençóis, e Alice e Jasper ficaram de lanchar na casa dos Whitlock.

Agora sozinha, não demorou para que os meus pensamentos se voltassem para Edward. Alice havia me dito que o mesmo aguardava a minha ligação, após ter sido notificado sobre a minha intenção de o contatar. Eu estava decidida em relação a Edward, sabia o que queria fazer, e não tinha motivo para adiar a nossa conversa. Com esse intuito, peguei na minha bolsa e saí de casa.

xxx

— Bella? – Esme abriu a porta, surpresa por me ver.

— Oi tia. – falei sem graça, lembrando a traição da minha mãe e Carlisle – Posso entrar? – apontei para o interior, vendo-a assentir e me dar passagem.

— A Alice não está. Na verdade até fiquei com a ideia de que ela estaria em sua casa – comentou confusa – Mas talvez esteja em casa de Jasper. Aqueles dois não vivem juntos mas é como se vivessem.

— Eu não vim ver Alice. – balancei a cabeça – Já estivemos juntas mas não foi por ela que vim até aqui. Eu queria falar com Edward, se isso fosse possível. – expliquei.

— Oh! – exclamou sem se conter – Eu não contava com isso mas faz sentido. – parecia estar falando consigo própria – Ele não está, saiu com Carlisle. Mas não deve demorar. – completou.

— Não tem importância. Posso procura-lo em outra ocasião – desviei o olhar para a saída – Se você não se incomodar, poderia dizer que eu estive aqui e pedir-lhe pra me ligar?

— Claro. – concordou – Mas se você não estiver com pressa, eu gostaria de trocar algumas palavras com você. – solicitou com gentileza.

— Hm… – murmurei, desconfortável com a situação – Eu não sei Esme. – mordi o lábio – É que… — não conclui a frase, sendo interrompida.

— Eu compreendo Bella e é por isso que eu preciso falar com você. – fez sinal para que eu me aproximasse, e sentasse perto de si.

— Tudo bem. – suspirei, cedendo.

— Desde o primeiro minuto em que te conheci, acho que tive certeza de que você faria parte da minha vida permanentemente. – afagou a minha bochecha, carinhosamente – Você sempre foi uma pessoa especial, não só pela sua relação com Edward e Alice, mas pelo jeito amoroso com que sempre me tratou. Eu tinha as minhas dúvidas Bella, mas apesar disso, nunca me consegui distanciar de você. Muito pelo contrário. – parou, acho que recordando os nossos momentos juntas – Você é como uma filha pra mim Bella, tal como Rosalie. As duas se integraram na nossa família naturalmente, assim como Jasper e Emmett o fizeram um pouco mais tarde. O que eu quero dizer com isso é que nada mudou, nem nunca mudará. – afirmou convicta – O que aconteceu no passado, não é culpa sua, e mesmo que você fosse filha de Carlisle, isso não alteraria o sentimento que tenho por você. – entrelaçou os nossos dedos, apertando com força — Eu imagino que esteja sendo complicado pra você, digerir todos esses segredos que por tanto tempo foram guardados. Você e Edward acabaram por sofrer as consequências de algo que não foi inicialmente provocado por vocês. E por isso, eu sinto muito. Mais do que alguma vez poderei exprimir. – os seus olhos estavam repletos de lágrimas não derramadas – Eu não sei o que a vida tem destinado para você e Edward. Não sei o que você está sentindo e o que vai fazer agora que sabe tudo. A única coisa que eu quero que você saiba, é que eu continuo aqui, como sempre estive. Apoiando e amando você da mesma maneira. – uma lágrima escorreu, sendo seguida por outras que agora já não eram contidas – Se você não se sentir confortável perto de mim eu vou entender. Mas se você se quiser afastar por mim, achando que isso me vai fazer sentir melhor, eu preciso dizer que não. Eu estou em paz Bella, com tudo e todos. Você vai fazer sempre parte da minha família. – concluiu.

— Eu… — ciciei, tendo dificuldade em expressar o que estava sentindo – T-ia – funguei, me jogando nos seus braços, aliviada pelo que havia escutado.

Permanecemos na mesma posição durante alguns minutos, saboreando a sensação de conforto que transmitíamos uma à outra. A tia Esme sempre foi um exemplo de mulher na minha vida, tal como a tia Ângela. Saber o que aconteceu no passado me deixou sem chão, não só pela desilusão que senti em relação à minha mãe e Carlisle, mas principalmente por imaginar todo o sofrimento a que essa mulher tão maravilhosa foi sujeita. No entanto, o meu maior medo foi pensar que a minha presença traria ainda mais dor a Esme. Eu não queria fazer parte disso, ela já havia aguentado muito. Ouvir o seu desabafo foi um peso tirado de cima de mim. Não só poderia relaxar, sabendo que não a estava magoando, como também poderia continuar a ser parte da sua vida.

— Obrigada. – falei baixinho, assim que me acalmei.

— Não tem nada que agradecer meu bem. – sorriu emocionada, beijando o topo da minha cabeça – Posso dizer só mais uma coisinha? – perguntou de repente, me fazendo prestar atenção – O nosso coração quebra, mais vezes do que gostaríamos. Ele consegue ser frágil, mesmo sendo forte. A vida me ensinou que o amor é o sentimento mais difícil de controlar, tanto que uma hora estamos bem e na outra parece que o mundo virou de pernas para o ar. – colocou as suas mãos na minha face, me enxergando profundamente – Vale a pena Bella. Pode machucar, levar tempo pra reerguer, mas vale a pena.

— O quê? – sussurrei.

— Amar e ser amada.

xxx

Aceitei o convite de Esme para lanchar na sua companhia. Carlisle havia lhe enviado uma mensagem, avisando que ele e Edward estavam presos no trânsito, e ela insistiu para que eu esperasse. Duas horas depois de eu chegar, o barulho de chaves me fez encarar a entrada da casa dos Cullen.

— Desculpa a demora querida. Saímos para comprar os ingredientes que faltavam para você fazer a sua deliciosa lasanha e acabámos trazendo outras coisas, culpa do seu filho. – acusou Edward, sem notar a minha presença.

— Não inventa pai. Até parece que você também não… — Carlisle olhou para o filho, esperando que ele terminasse a frase – Bella? – Edward pronunciou o meu nome, espantado por me ver.

— Hey! — só então Carlisle se apercebeu que eu estava no sofá, junto a Esme.

— Oi Bella. – cumprimentou o patriarca – Talvez você pudesse me ajudar com essas compras amor? – Esme apenas levantou, pegou nas sacolas que Edward tinha, e desapareceu com o marido pelo corredor.

— Eu não sabia que você estaria aqui quando eu voltasse. Se eu soubesse que você viria, nem teria saído. – puxou os seus cabelos revoltos com a mão, um hábito que nunca sumiria – Eu estou sendo ridículo não é? Você deve ter vindo ver Alice, ou veio com ela. – abanou a cabeça frustrado consigo próprio.

— Eu vim ver você Edward.

— Sério? – questionou desacreditado.

— A sua irmã te disse que eu também me queria encontrar com você. – relembrei-o.

— Sim, eu sei. – sentou ao meu lado, mantendo uma determinada distância – Então, você está aqui para conversarmos?

Sorri com o seu nervosismo, incapaz de sentir raiva ou qualquer outra coisa ruim pelo homem que me encarava.

— Eu vim aqui porque decidi que ainda quero você na minha vida, Edward.

Notas finais
Oiii gente! Você quer o quê Bella? ahaha Ela quer o Edward na vida dela. Agora... Como? Conhecidos, amigos, amantes, namorados? Hmmm. Esse é mesmo o penúltimo capítulo e talvez o próximo capítulo vos surpreenda. Essa história é Beward, o meu epílogo é Beward. Apenas avisando! Próximo e último capítulo vai ser focado apenas no casal. Teorias? Estou realmente curiosa para saber o que vocês estão pensando. Me digam! ;) Beijos, JessicaC