Amar Não É Pecado
21 Capítulo 20 – Nunca parei de te amar
Notas iniciais
If we'd go again
All the way from the start
I would try to change
The things that killed our love
Yes, I've hurt your pride, and I know
What you've been through
You should give me a chance
This can't be the end
I'm still loving you
I'm still loving you, I need your love
I'm still loving you
(Scorpions – Still Loving You)
PDV Edward
Quando recebi a mensagem de Rosalie, explicando que Bella tinha desaparecido logo após a minha atuação, fiquei perdido. Por alguns instantes me senti confuso, sem saber o que fazer, como agir depois dessa última noticia. Sabia que precisava procura-la, pedir para que me escutasse, só não sabia se teria sucesso. Deixei que Emmett me levasse a tomar café e acabei me acalmando. Colocando os pensamentos em ordem, cheguei à conclusão que Bella só me deixaria chegar perto quando, e se, a mesma quisesse. Querendo acreditar que ainda conhecia um pouco da mulher pela qual sempre fui apaixonado, me despedi do meu amigo, agradecendo por tudo, e apanhei um táxi que me levou até ao único lugar onde poderia vir a encontra-la.
Bella entrou no apartamento, cerca de duas horas depois de mim, em completo silêncio. Parecia estar perdida em memórias, assim como eu estive no primeiro momento em que aqui cheguei. Quando ganhei coragem e me dirigi até ela, falando a primeira frase, senti o ar sumir dos pulmões, temendo a sua reação. Entendi rapidamente que tinha motivo para isso pois a sua resposta foi automática, e a sua voz não deixou dúvidas da frieza com que me iria tratar, ou pelo menos tentar.
Pedi o seu perdão, mesmo antes de explicar alguma coisa. Tinha noção de que não o merecia, teria que lutar por isso, e estava disposto a fazê-lo, se ela me desse essa oportunidade. Continuámos conversando, ela me acusando de a ter deixado pela minha carreira, eu querendo convencê-la do contrário. Estávamos no limite, eu podia ver nos seus olhos o quanto a havia magoado, as lágrimas que agora corriam pelo seu rosto eram a pior sensação do mundo, mas o momento tinha chegado e não podia deixá-lo escapar.
— Eu achei que você iria conseguir me esquecer mais facilmente se não soubesse que eu era seu irmão. – afirmei, observando a sua postura enrijecer e vendo-a me encarar minuciosamente, procurando um sinal de mentira nas minhas palavras.
PDV Bella
Não desviei o meu olhar de Edward, nem por um segundo, tentando encontrar algo, um único indicio que me fizesse acreditar que o que acabara de ouvir não era verdade. Senti o impulso de gritar, falar que era impossível, desdenhar da desculpa que ele tinha inventado… Mas não conseguia, por mais zangada que estivesse, mesmo não compreendendo, sabia que ele não estava mentindo.
— Nós somos… irmãos? – coloquei a mão na boca, balançando a cabeça, incapaz de lidar com a gravidade da situação.
Me aproximei da parede, sentindo os joelhos darem de si, e me deixei escorregar pela mesma, alcançando o chão, sem me importar com mais nada.
— Não Bella, nós não somos. Merda… — puxou os cabelos, irritado – Eu estou fazendo tudo errado, mais uma vez. – disse nervoso – Não queria te deixar assim, isso foi exatamente o que quis evitar, anos atrás. Nós não somos irmãos – esclareceu se aproximando de mim – Mas durante os últimos quatro anos e meio, eu realmente achava que sim. – confessou.
— Como? – perguntei confusa, querendo entender o que ele estava dizendo.
— Eu ouvi uma conversa entre os meus pais, onde a minha mãe acusava o meu pai de não saber se você era filha dele.
—Porque é que Esme diria algo assim? – Edward abriu a boca mas voltou a fechá-la, sem se pronunciar. – Eu quero saber a verdade. Eu mereço isso! – exigi.
— Na época eu não sabia a história completa, caso contrário jamais teria ido embora. O meu pai e a sua mãe… — acenei para que continuasse – Eles dormiram juntos, uma única noite.
— Dormiram juntos? – esbocei um sorriso irónico – Eles traíram o meu pai e a sua mãe. Essa é maneira correta de expressar o que eles fizeram. – concluí amargurada.
— Não significou nada Bella. Eu sei que é grave, também não fico feliz por saber disso, mas é passado e não podemos mudar o que aconteceu. – amenizou.
— O meu pai sabe? – me assustei com a possibilidade.
— Não. – suspirei de alivio – Foi um ato impensado, tanto o meu pai, como a sua mãe, não quiseram magoar Charlie.
— Ele não merecia. – murmurei.
— Ninguém merece ser traído. A minha mãe sofreu muito com isso mas, felizmente, conseguiu ultrapassar. – comigo perto não deve ter sido fácil, pensei – Eu não sei os motivos que levaram o meu pai, ou a sua mãe, a fazer o que fizeram. E sinceramente? Prefiro não saber. Por mais difícil que seja, isso não muda a relação que tenho com o meu pai. Se a minha mãe o perdoou, quem sou eu para o julgar? – encolheu os ombros, avançando – Espero que você não seja dura com a sua mãe. Ela já não está entre nós para se defender. Só lembre o quanto ela te amava, o quanto ela lutou por você. – aconselhou.
— Me conta o resto. — pedi, mudando ligeiramente de assunto.
— Quando ouvi aquela conversa, o meu mundo perfeito ruiu. – a sua expressão ficou séria – Hoje sei que deveria ter confrontado os meus pais, exigido respostas… Bella, eu quero que você saiba que o meu amor por você nunca foi posto em causa, eu te amo demais e nem o tempo mudou isso, nem mesmo enquanto eu pensei que eramos irmãos. – explicou atormentado – Eu fiquei desesperado, a minha mãe estava demasiado preocupada, tudo levava a crer que você era mesmo minha irmã. Admitir isso foi o mais complicado, eu me senti perdido, sem ninguém para desabafar.
— E eu? – falei chorosa – Você nunca ponderou a possibilidade de me contar? Eu tinha tanto direito de saber, quanto você! – acusei.
— Eu sei. Meu Deus Bella, você acha que eu não sei? – se abaixou, ficando mais perto – Eu não queria te destruir, da maneira que eu estava destruído. Tudo o que eu fiz foi por te amar demais. – admitiu, não segurando as suas lágrimas.
— Você me destruiu da mesma forma. – constatei arrasada – Você me destruiu no minuto em que me deixou.
— Me perdoa Bella, me perdoa por favor. – implorou, agarrando as minhas mãos, me fazendo chorar com mais força.
— Eu não acho que consiga. – sussurrei.
PDV Edward
Não posso dizer que estou surpreendido com a sua resposta, o que não significa que o meu coração não tenha partido do mesmo jeito. Por vezes imaginamos situações menos boas, mas isso não nos prepara para a intensidade com que as vivemos na realidade. Esse é o exemplo perfeito, por mais que eu soubesse a severidade do problema, uma pequena parte de mim manteve fé. Porém, de um segundo para o outro, qualquer positividade que ainda possuía, simplesmente evaporou. Bella estava sendo honesta e eu tinha que respeitar, mesmo sofrendo com isso.
— Eu compreendo. – me obriguei a dizer – Será que algum dia você vai conseguir entender o meu lado, e me desculpar? – tive que perguntar.
— Eu acho que entendo os motivos que te levaram a fazer o que você fez. – pronunciou baixinho – Só não concordo. Eu preferia mil vezes saber a verdade, por mais dura que ela fosse, do que acreditar que o seu amor por mim não era suficiente para te fazer ficar.
— Eu te amo Bella – declarei sem medo – Saber que eu te fiz duvidar disso… É imperdoável. – assumi.
— Não te condeno Edward. – apertou as nossas mãos, entrelaçando-as – Eu falei que não concordava com o que você fez comigo, mas não posso garantir que não teria feito o mesmo, no seu lugar. – mordeu o lábio consternada – Isso faz de mim uma hipócrita, não é mesmo? E ainda assim não encontro em mim uma maneira de te perdoar.
— Você é apenas humana, nada mais que isso.
PDV Bella
Um misto de sentimentos batalhava dentro do meu coração. Raiva, tristeza, dor… E também uma dose de amor. Confuso? Muito. Eu tinha Edward à minha frente, não censurando a minha atitude, apesar de desejar o inverso. Saber que ele me tinha deixado por um segredo, e não por não me amar, era algo importante demais, mesmo que eu não o admitisse em voz alta. Mas o que fazer com todo o sofrimento? Será que podia esquece-lo?
— Você não disse o porquê de só me procurar agora. – vi-o arrastar os olhos pelo vestido de noiva, sufocando um grunhido.
— Sei que não foi a ocasião mais oportuna. Quando descobri a verdade, seis meses atrás, você tinha acabado de ficar noiva. – ergui a sobrancelha, surpresa com a revelação – Cometi várias besteiras nos meses seguintes. Não me orgulho, obviamente, mas não soube lidar com as novidades. Primeiro Alice me liga, falando que você vai casar, depois descubro que te larguei por um engano… — lamentou.
— E o que mudou? O que fez você viajar até aqui?
— Rosalie. – sorriu envergonhado.
— Rose? O que ela tem a ver com isso?
— Ela me lembrou que enquanto existir amor, existe esperança. – explicou sucintamente.
Permanecemos em silêncio.
Cada um preso nos seus próprios pensamentos.
Larguei as suas mãos, chamando a sua atenção.
Por instinto, sem certeza se algum dia voltaria a fazer o mesmo, joguei os meus braços na sua direção, puxando-o para um abraço.
Eu estava magoada, isso não tinha mudado.
Mas era Edward.
Edward estava ali e eu aproveitei por um instante.
A força com que me agarrava… O medo de me perder…
Será que já não tinha perdido?
Eu realmente não conseguia perdoa-lo naquele momento.
Inalei fundo, deixando o seu cheiro instalar-se dentro de mim, e me afastei.
— Eu preciso ir embora. – levantei, caminhando lentamente até à porta, deixando pra trás um homem devastado.
Me sentia tão quebrada quanto ele.
Talvez por isso tenha parado, já perto da saída, e sem me virar na sua direção falei.
— Edward? Eu também nunca parei de amar você.
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