Amar Não É Pecado
19 Capítulo 18 – Decisões
Notas iniciais
In the mirror is where she comes
Face to face with her fears
Her own reflection now foreign to her
After all these years
All of her life she has tried to be
Something besides herself
Now time has passed and she's ended up
someone else with regret
What is it is that makes us feel the need
To keep pretending
Gotta let ourselves be
Don't be scared
To fly alone
Find a path that is your own
Love will open every door
See in your hands the world is yours
Don't hold back and always know
All the answers you will unfold
Don't wait no more
Spread your wings and soar
Presente
PDV Edward
Quando você está desesperado, sem saber que rumo tomar, não existem impossíveis, apenas incertezas. A primeira decisão foi a mais fácil. Depois de me acalmar, durante aquela manhã complicada, onde descobri a verdade sobre a paternidade de Bella, não pude deixar de lado as várias questões que ainda pairavam na minha cabeça e coloquei todas as dúvidas pra fora.
Flashback On
— Se você tem certeza de que Bella não é minha irmã, porque é que a mamãe considerou essa hipótese? – encarei meu pai – Eu lembro das palavras que saíram da boca dela, da sua preocupação comigo, do medo que a sua voz transmitia ao gritar que eu e Bella poderíamos ser irmãos.
— A sua mãe achou que eu não tinha a certeza, que eu apenas tinha acreditado na palavra de Renée. – vi minha mãe assentir.
— E não tinha?
— Eu acreditei nela, sim. Quando soube da sua gravidez, através de Charlie, ponderei a situação e procurei respostas. Liguei para ela, querendo saber se a criança era minha mas Renée garantiu que não. Apesar de querer confrontá-la pessoalmente, a sua mãe estava num estágio de gravidez avançado, e não queria deixa-la até Alice nascer. Quase um mês depois da sua irmã ter vindo para casa, recebi um telefonema de Charlie… — o seu semblante triste ficou visível – Renée tinha sofrido uma queda e tinha sido levada de urgência para o hospital. Precisaram fazer uma cesárea e retirar Isabella de dentro dela rapidamente pois a probabilidade de perderem as duas era grande. Ao saber do ocorrido, viajei imediatamente para Nova Iorque. Charlie precisava de um amigo, e eu precisava ter certeza de que Isabella não era minha. Quando cheguei ao hospital, fui informado que o prognóstico de Renée era bastante reservado e, apesar de estar consciente, não havia muita esperança de que sobrevivesse às próximas 48h.
— Você conseguiu falar com ela? – perguntei, interrompendo as suas lembranças e tentando, de certa maneira, ajudá-lo a pular algumas partes dessa história que, notavelmente, mexia com ele.
— Sim, por alguns minutos. Charlie não podia estar perto de Renée e, ao mesmo tempo, acompanhar a filha no berçário, por isso aproveitei uma das suas visitas a Isabella para conversar um pouco com Renée. — as suas memórias eram sofridas, toda a sua postura o denunciava, ainda assim continuou – Tentei dar-lhe algum conforto e sorrir para ela. Renée sabia o que eu queria, estava na cara, e mesmo estando debilitada, não demorou para reafirmar o que me havia dito meses atrás. Isabella era filha de Charlie! Ela parecia realmente sincera e nunca tive motivos para desconfiar da sua palavra. O problema é que para um pai, e eu já sabia o que isso significava na época, é difícil conciliar os seus sentimentos e descartar fora a possibilidade de existir mais um pedaço seu no mundo.
— O que você fez?
— O que tinha de ser feito. – suspirou – Um teste de DNA.
— Naquele dia… — olhei para a minha mãe – Você estava falando que ele precisava de fazer o teste. Mas se ele já tinha sido realizado… — puxei os cabelos, sem entender o que estava ouvindo.
— Eu não sabia. – Esme se pronunciou – Eu e o seu pai não discutimos muito sobre o que tinha acontecido, ele apenas me disse que Bella não era sua filha. Fiquei chocada, nem sabia que Renée estava grávida, só descobri no dia em que sofreu o acidente. Seu pai me quis poupar, com Alice e tudo mais… Enfim. Depois da morte de Renée, tentámos seguir em frente. Anos depois, quando nos mudámos para Nova Iorque, algumas discussões e a presença de Bella nas nossas vidas fizeram as dúvidas sobre a paternidade de Bella ressurgir na minha mente. Admito que grande parte da culpa foi minha, nunca deixei seu pai me explicar tudo do início ao fim, acabei sempre por interrompe-lo, movida pela dor da traição e pelo medo de que ele pudesse ter realmente outra filha. Se tivesse parado para o escutar, saberia desde cedo que ele havia realizado o teste e tido certeza de que a criança era de Charlie.
— E quando é que você descobriu a verdade? – meus pais trocaram um olhar.
— No dia da discussão, a que você presenciou. — respondeu baixo.
— Mas eu não… Vocês estavam falando e… não ouvi nada disso… – sussurrei confuso.
— Você ficou até o final? – questionou meu pai – Depois da sua mãe me dizer para fazer o teste?
— Não. – soltei um grunhido – Eu não conseguia ouvir mais nada. Saí de casa o mais rápido que consegui.
— Se tivesse ficado… — mamãe pegou na minha mão – Se tivesse ficado um pouco mais, teria percebido que eu estava errada. Carlisle me contou sobre o teste de DNA e tudo ficou bem.
— Se eu tivesse ficado… Bella… — tapei o rosto – Tudo teria sido diferente.
Eu ainda teria Bella.
Flashback Off
A segunda decisão foi ficar sozinho. Viajei de repente, sem avisar ninguém, e me escondi durante um tempo. Não queria que os paparazzi me encontrassem, perderia os momentos de paz que tanto necessitava. Durante dois meses estive repensando a minha vida, tendo concluído que mesmo sabendo a verdade, nada mudaria. Bella tinha seguido em frente, sem nenhuma culpa das minhas escolhas.
No terceiro mês voltei pra casa, melhor dizendo, o lugar onde morava, Los Angeles. Continuei a vida que levava, infeliz com o rumo que as coisas tinham tomado. Alice sempre me ligava, assim como meus pais, mas sempre dava um jeito de terminar rapidamente a conversa.
No quarto mês decidi que estava na hora de seguir em frente, tal como Bella. Mas quem disse que consegui? Se durante quase 5 anos não obtive resultado, era mais do que certo o meu fracasso na nova tentativa.
No quinto mês comecei a desesperar. A minha vida não fazia sentido, estava pior do que nunca. Fiquei fora de mim e negligenciei o meu trabalho. Fui apanhado bêbado e fotografado em figuras lastimosas. Precisei de um puxão de orelhas da minha mãe, mesmo aos 28 anos de idade, para me recompor e concordar que estava no meu limite.
E foi então que, três dias atrás, recebi uma visita inesperada.
Rosalie Hale.
Após ser presenteado com um belo tapa na cara, seguido por um abraço forte, recebi o maior sermão dos últimos anos. Rose me contou sobre a tristeza em que a minha mãe se encontrava, na ansiedade de Alice e nas poucas palavras que o meu pai ia trocando com as outras pessoas. Disse que a minha família estava sofrendo por saber que eu não estava bem e mesmo sem entender o que vinha acontecendo nos últimos anos, estava decidida a terminar com tudo isso.
Flashback On
— Você ainda ama a Bella? – abanou a cabeça – Que pergunta idiota, está estampado no seu rosto. Um amor como o vosso não termina nunca! – declarou convicta.
— Rosalie, os meus sentimentos já não importam. – comentei frustrado.
— Como não? Edward Cullen, pode parar já com essa atitude derrotista! – avisou.
— Ela vai casar. Além do mais, fui eu que a deixei. É normal que ela tenha encontrado outra pessoa para amar. – disse com amargura.
— Ainda não casou. E mesmo estando com alguém, não significa que está feliz, ou que o ama. – chegou mais perto – Só tenho uma pergunta pra você, e quero que pense muito bem no que vai responder porque não vou tolerar mudança de ideias. – engoli seco e concordei – Você quer a Bella de volta?
Se eu quero a Bella de volta? Sim.
Se a mereço? Provavelmente não.
Se ela ainda me quer? Está a poucos dias do seu casamento com outro homem… Por isso a resposta lógica é não.
Se eu poderia lutar por ela? Sim. Mas até que ponto isso poderia resultar?
— Edward para! – Rosalie gritou – Eu sei que pedi pra você pensar, mas não quero que fique reavaliando todas as burradas que provavelmente fez e que nos trouxeram até aqui. Se foque no principal! Se você tivesse a possibilidade de ter a Bella de volta, você quereria? Sim ou não.
— Sim. É óbvio que sim!
— Ótimo! Porque eu tenho um plano. – piscou pra mim, sorrindo com vontade.
Flashback Off
E foi esse plano que me trouxe até aqui, Nova Iorque. Depois de escutar a ideia louca da minha amiga, e mesmo acreditando que a percentagem de vir a ser bem-sucedido seria mínima, segui com o combinado. Num programa televisivo, de alcance mundial, me declarei cantando a sua música, a nossa música.
Sabia que não era o suficiente, nunca seria, mas seria um começo… Se Bella deixasse.
PDV Bella
Não sei quanto tempo andei, nem tão pouco o rumo que estava levando. Algo dentro de mim me guiava sem eu saber. O destino estava escolhendo o caminho por mim e por agora, eu só podia agradecer. Mais tarde sim eu acabaria tendo que optar, razão ou coração. Me restava aguentar, embora no fundo eu soubesse para que lado recairia a minha decisão.
(excerto do primeiro capítulo)
— Bella? – uma voz soou perto de mim – Está me ouvindo? O que aconteceu?
As lágrimas escorriam pela minha face e os soluços não me deixavam comunicar.
— Vou telefonar para Riley, ele não vai demorar a chegar. – escutei alguém dizer.
Riley?
Meu Deus, Riley! Eu preciso falar com ele. Será que consigo?
Sem me aperceber dos minutos que passaram, ainda presa na minha bolha de choro e falta de ar, desvio o olhar para me deparar com os olhos castanhos de Riley me observando de volta.
Me dou conta de que estou parada à porta de sua casa. Vejo os seus pais se afastarem, nos deixando a sós, e entendo que foram eles quem o chamaram.
— Riley… — sussurro com dificuldade, ainda sem controlar o meu corpo.
— Você não quer casar comigo. – constatou ainda mantendo a distância.
Fechei os olhos, tentando me acalmar, sabendo que ele merecia mais do que o meu silêncio.
— Me desculpa. – pedi – Sei que não estou sendo justa com você, fazendo isso no dia de hoje, mas agora vejo que venho errando há muito tempo. Errei comigo, achando que poderia levar isso adiante, e errei com você, meu melhor amigo, aquele que merecia o meu melhor e acabou sendo arrastado para essa confusão.
— Eu te amo Bella. – sorriu triste — Todas as escolhas que fiz foram conscientes. Não culpo você por ter tentado. Só não entendo o porquê de você parar de tentar agora. – se aproximou, enlaçando os nossos dedos — Não acha que podemos ser felizes juntos?
— Eu também te amo Riley. Mas preciso ser honesta, com você e comigo mesma. – suspirei – Sei que não seria infeliz ao casar com você. Sei que a nossa relação seria baseada em companheirismo, amizade, respeito e carinho. Tal como vem sendo até aqui. O problema é que seria apenas isso. Poderíamos casar, ter filhos e morrer juntos, mas não seriamos verdadeiramente felizes. E a culpa não é sua, é minha. Sou eu que estou danificada, ou algo parecido, porque por algum motivo não consigo me apaixonar por você e te amar como uma mulher deve amar um homem.
— É o fim não é? – perguntou baixinho.
— Nunca quis te magoar Riley. Se existe alguém no mundo que merece tudo de bom é você! Mas essa felicidade, esse amor que você quer e precisa partilhar, não pode ser comigo. Você merece o melhor e eu desejo, do fundo do meu coração, que você consiga achar uma mulher especial que consiga reciprocar todos os seus sentimentos.
— Obrigado Bella. – senti um beijo ser depositado na minha testa e por um segundo acreditei que tudo ficaria bem.
Todas as minhas decisões me trouxeram até esse momento. Talvez poderia ter escolhido diferente mas não o fiz. Demorei pra ser leal a mim própria, ao que sentia, a tudo o que vinha ignorando nos últimos anos. Essa era hora de me libertar, de respirar fundo e erguer a cabeça.
O primeiro ponto final da minha história tinha sido colocado. Restava saber se seria o único!
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