Amar Não É Pecado

18 Capítulo 17 – Um motivo pra não desistir?


Notas iniciais
O presente dessa história se passa no ano 2012, ou seja, 1986 é o ano em que a Bella nasceu. A primeira parte é um texto escrito pela Renée, no seu diário. Boa leitura, nos falamos mais nas notas finais!

Hurry up and wait

So close, but so far away

Everything that you always dreamed of

Close enough for you to taste

But you just can't touch

(…)

You believe, and you doubt

You're confused, you got it all figured out

Everything that you always wished for

Could be yours, should be yours, would be yours

If they only knew

(…)

When you can't wait any longer

But there's no end in sight

(When you need to find the strength)

It's the faith that makes you stronger

The only way we get there

Is one step at a time

(Jordin Sparks – One Step At A Time)

17 de Agosto, 1986

Acordei sentindo a minha pequena Isabella chutar. Essa criança já tão amada é o motivo de todos os meus sorrisos nos últimos 8 meses. Sentir que a minha existência protege e acolhe outro ser dentro de mim, é um sentimento inexplicável. Desde que descobri estar grávida que os meus dias são mais alegres, o mundo lá fora deixou de ter tanto significado e as minhas prioridades se tornaram outras. Isabella preenche todos os espaços da minha vida e ainda nem nasceu, mal posso esperar pra ter, finalmente, a minha filha nos braços.

Falando em nascimento… Soube que Alice Cullen nasceu. Carlisle continua tentando manter algum contato com Charlie e foi através do mesmo que eu recebi a notícia. Apesar da separação, Charlie e eu estamos mais próximos do que nunca. Parece estranho mas é a realidade. Depois que saí de casa acho que o meu marido recebeu o choque que precisava e lembrou da verdadeira importância que é ter uma família.

Quando contei a Charlie que me sentia miserável no nosso casamento, ele desvalorizou. Achou que eu estava sendo dramática demais, exigindo demais. Fiquei ainda mais desiludida com o homem que amava e não demorei pra cometer um deslize, Carlisle. Ao contrário do esperado, pensar naquela noite não me deixa triste, nem revoltada com a minha ação. Sim, eu traí a pessoa a quem jurei fidelidade, eu ignorei a realidade e me entreguei a uma antiga paixão. Nunca esquecerei o que fiz, e apesar de ser errado, não posso ser indiferente a algo que acabou me dando coragem pra enfrentar Charlie e lutar por uma vida melhor. Se não fosse aquela noite, se não fosse Carlisle, eu teria continuado a viver infeliz e não teria encostado Charlie à parede, pedindo pra que ele também lutasse pelo nosso casamento. Ainda recordo como joguei tudo na sua cara, todas as minhas frustrações… Também contei da minha traição, sempre fui mulher suficiente pra lidar com as consequências dos meus atos. Claro que ele ficou furioso, gritou e me julgou, mas no final, ambos conseguimos nos acalmar. Foi então que eu pedi um tempo e ele concordou. Não estávamos colocando um ponto final mas dando espaço para que o nosso relacionamento pudesse vir a dar certo mais tarde.

Charlie não sabe que a pessoa com quem o traí foi Carlisle. Não por falta de coragem da minha parte, mas por ter noção de que isso seria uma dor maior do que aquela que ele merecia. Ele estava feliz por ter o amigo de volta e aquela situação jamais voltaria a se repetir. Consegui ficar em paz comigo mesma, e mais tarde, quando descobri sobre a minha gravidez, acabei esquecendo todos os problemas e foquei somente nessa novidade.

Hoje tomei a decisão de que voltaria para casa, e para Charlie, assim que Isabella nascesse. Não quero que a minha filha cresça num ambiente conturbado, por isso demorei tanto pra me decidir, quis ter certeza de que Charlie estava preparado para assumir um compromisso desses. Tendo em conta que os seus horários eram imprevisíveis, e nos últimos anos a sua ausência foi mais sentida do que o contrário, foi complicado acreditar que ele mudaria esse ritmo em alguns meses. Admito que ele me surpreendeu, provou em pouco tempo que estava a altura do desafio e mostrou que me queria de volta. Eu e Isabella.

Agora tenho que encontrar uma roupa que ainda me sirva. Provavelmente um vestido solto que não me deixe incomodada com o calor. Preciso ser rápida porque demorei mais do que pretendia, enquanto escrevia isso, e agora já estou atrasada para ir jantar fora.

O papai que nos espere, Bella.

Renée Swan

6 meses antes…

PDV Edward

Tomei um comprimido para a dor de cabeça, mesmo achando que não surtiria efeito. Passei a noite em claro, pensando em todas as coisas que deram errado na minha vida e, principalmente, no que tinha perdido para sempre. Depois de ligação que recebi de Alice, perto da meia-noite, não tive mais dúvidas de que a minha dor estava longe de terminar.

Bella estava noiva. Ia casar com outra pessoa. Tinha conseguido esquecer o futuro que idealizámos. Seguiu em frente e estava feliz… Sem mim.

Foram tantas as vezes em que nos deitámos, aconchegados nos braços um do outro, fazendo planos, imaginando o que alcançaríamos em alguns anos, mas nunca colocando em causa a presença do outro nesses momentos tão importantes. Trabalho, casamento, cachorro, filhos… Tudo isso fazia parte do pacote mas nada disso se cumpriu. E agora… Agora tudo isso iria acontecer, mas eu não seria o homem que dividiria as alegrias e tristezas ao seu lado.

Uma pequena parte de mim, a que não era egoísta, estava satisfeita por saber que a minha partida não tinha privado Bella de voltar a amar. O problema era a outra parte, aquela que preenchia quase todo o meu ser, a que gritava de sofrimento e chorava por saber que mais uma vez, de forma diferente mas não menos dolorosa, estava perdendo a mulher da minha vida.

xxx

Amanheceu sem que eu desse por isso. Estava quase cedendo ao sono — que não deu as caras durante toda a madrugada — quando escuto alguém batendo à porta.

Olho o relógio e são apenas sete horas.

Abro a porta de casa e fico surpreso com as duas pessoas à minha frente.

– Mãe? – mexo no meu cabelo bagunçado tentando ficar apresentável – Pai? – mesmo confuso com a visita surpresa, dou espaço para que entrem na cobertura.

– Não olhe pra mim Edward. – responde o meu pai, parecendo tão ou mais confuso do que eu – A sua mãe é que decidiu viajar até aqui de uma hora para a outra, sem dar nenhum tipo de explicação.

– Coisas de mãe, Carlisle. – retrucou a linda mulher ao seu lado – Agora, porque é que você não vai até o quarto de hóspedes deixar as nossas malas e me deixa conversar um pouco com o nosso filho? – pediu, quase empurrando o meu pai para fora da sala.

– Está acontecendo alguma... – interrompi a frase ao sentir a mão de Dona Esme na minha boca.

– Eu quero que você me escute até ao fim, mesmo que depois fique chateado e fale que esse assunto não é da minha conta, ok? – perguntou não dando tempo para que eu respondesse.

Assenti, me acomodando no sofá.

– Eu sei que você não esperava essa minha visita mas não consegui ficar em casa sabendo que o meu filho precisava de mim. – quase abri a boca mas lembrei rapidamente de que a minha mãe não queria ser interrompida – Alice também me contou a novidade. – olhou pra mim com um ar triste – Já sei sobre o noivado. — fechei os olhos, confirmei com a cabeça – Edward, eu sinto muito meu amor. Imagino que você esteja sofrendo com tudo isso mas não posso dizer que a culpa não seja sua. – acusou, me fazendo encará-la novamente – Estou aqui porque sou sua mãe e sei que mesmo tendo abandonado Bella, ainda a ama. Sempre soube, e continuo não entendendo o porquê de a ter deixado. – cerrei os lábios, me forçando a ficar em silêncio – Eu quero saber o que está acontecendo com você Edward. O que vem acontecendo há quase 5 anos, o motivo pelo qual deixou tudo e todos para trás.

Levantei irritado. Não entendia a origem dessa conversa e não queria tocar nesse tema.

– Mãe eu estou bem – afirmei mesmo sem a convencer – Não precisamos de falar sobre isso.

– Edward pode parar com esse teatro – elevou a voz – Sou sua mãe e conheço bem o filho que tenho. Alguma coisa grave fez com que você largasse a sua vida e fosse embora de NY. Você não está bem, assim como nunca esteve bem depois que veio para cá.

– Interessa o que aconteceu? Já passou tanto tempo… — suspirei – O porquê disso agora mãe?

– Errei muito na minha vida. Comigo mesma, com o seu pai, mas principalmente com você Edward. – se aproximou pegando a minha mão – Quando você era criança, antes de Alice, nem sempre tive a melhor atitude em relação a você. Mas pensei ter aprendido com as minhas falhas… — esboçou um sorriso triste – Estava enganada. Voltei a falhar com você!

– A culpa não é sua mãe. – tentei explicar – O que me fez ir embora…

– É culpa minha sim! – declarou convicta – Eu deveria ter impedido que você arruinasse a sua vida fugindo, porque foi isso que você fez. Eu não sei o que aconteceu mas não importa, seja o que for, a gente tinha que ter enfrentado isso, juntos. Eu deixei que você fugisse, mesmo sabendo que você estava sofrendo, mesmo sabendo que você não queria ir embora. Deixei que você decidisse o que fazer, ignorando o meu papel enquanto mãe, e nisso eu errei mais do que qualquer outra pessoa. Você ainda poderia ter vindo para cá, mas pelo menos saberia que eu estava do seu lado, que eu ajudaria você a encontrar uma solução para o seu problema sem que você tivesse que abandonar tudo aquilo que mais amava. – desabafou.

– Mãe, você não pode pensar assim – abracei-a com carinho.

– Mas penso. – sussurrou ao meu ouvido – Ontem quando Alice me falou que a Bella estava noiva de outro homem… — engoli em seco – Eu vi a dor que aquilo estava causando na sua irmã. E não era porque ela não estivesse feliz pela melhor amiga, era porque ela estava triste por você, o irmão dela. Alice sabe que você não está bem, que você ama aquela mulher e que provavelmente a perdeu por algo estúpido. – neguei com a cabeça – Algo estúpido sim – voltou a afirmar – Não existe nada no mundo que não se resolva, a menos que seja uma doença, ou a morte. – olhou para mim inquieta – Você não está doente, está Edward? – inquiriu preocupada.

– Não, claro que não estou. – a sosseguei.

– Então me conta o que aconteceu, por favor.

Esgotado. Acho que é uma palavra boa para me definir. Quase 5 anos guardando um segredo que acabou com a minha paz e sinto que alcancei o meu limite.

– Estou cansado mãe – admiti – Tão cansado – senti as lágrimas tentando se libertar.

– Eu estou aqui meu menino. Pode parar de carregar esse peso que você tem nas costas, e partilhá-lo comigo. – incentivou.

– Queria tanto poder esquecer o que ouvi – falei baixo, sabendo que ela estava perto o suficiente para escutar – Aquela maldita tarde… Se eu tivesse saído mais cedo, se eu não tivesse escutado a vossa conversa… — parei, não sabia como continuar.

– Conversa? Edward, do que você está falando? – me afastou um pouco – O que você ouviu que te deixou nesse estado?

– Você e o meu pai estavam discutindo no escritório. Eu estava passando perto e parei, não é hábito vocês discutirem e eu estranhei. Não queria ficar ouvindo a vossa conversa mas acabei escutando o meu nome e fiquei curioso. – o rosto de Esme não demonstrava nenhuma expressão — Lembra? – ela balançou a cabeça, incerta – Você disse que o pai tinha te traído, e que podia ter um filho… Ou devo dizer, filha? – concluí sentindo uma lágrima percorrendo a minha face.

– O que é que você disse? – a voz de Carlisle preencheu o ambiente, enquanto a minha mãe me encarava incrédula.

– Que eu sei a verdade – gritei me sentindo perdido.

– Verdade? – caminhou até mim – Edward, o que é que você ouviu exatamente?

– Que você traiu a minha mãe e que a Bella é minha irmã – respondi angustiado.

– Oh Edward – senti os braços da minha mãe me envolverem – Eu sabia que tinha culpa, só não imaginava que a responsabilidade fosse completamente minha – chorou agarrada a mim.

– Mas você não fez nada mãe… — apertei-a com mais força.

– Não, não fez. Mas filho, precisamos conversar – meu pai completou.

– Eu não quero falar mais sobre isso, eu já sei… — não prossegui ao ver a reação impaciente da minha mãe.

– Carlisle! – pronunciou se dirigindo até ele – Fala logo de uma vez.

– Eu não sei o que é que você ouviu, ou pensa ter ouvido, durante a minha conversa com a sua mãe, mas eu posso afirmar que Bella não é minha filha. – declarou sem demora.

Posso afirmar que Bella não é minha filha.

Posso afirmar que Bella não é minha filha.

Posso afirmar que Bella não é minha filha.

Posso afirmar que Bella não é minha filha.

O quê?

Como?

Fiquei paralisado.

Não conseguia falar.

Mal conseguia raciocinar.

Bella não era minha irmã?

Durante 5 anos vivi na incerteza, mas quase certo de que Bella era filha do meu pai. Se não fosse, porque é que a minha mãe estava tão desesperada? Ela acreditava realmente nisso, certo? Eu queria perguntar, tirar as minhas dúvidas, mas não conseguia. Estava perdido, confuso, sem saber que direção tomar.

Se Bella não era minha irmã, se isso era verdade, significa que eu joguei uma vida inteira no lixo? Eu não queria que ela sofresse, mas também não achei que tivesse outra opção.

Eu queria protege-la e agora descubro que tudo o que fiz foi em vão.

E agora?

Bella não é minha irmã. Porra, Bella não é minha irmã!

Mas está noiva. Noiva de outro homem. Noiva de alguém que nunca quebrou o seu coração.

E agora?

Me sinto a sufocar, não sei o que sentir. Será que a perdi pra sempre?

E agora?

Pela primeira vez em 5 anos, não sabia o que fazer.

– Edward? – mãe! – Filho respira fundo.

O meu olhar desesperado encontrou o dela.

– Tudo ficará bem. – escutei meu pai falando.

– Um passo de cada vez. – ciciou a minha mãe.

Um passo de cada vez?

Será que posso lidar com isso?

Tudo o que aguentei durante esses últimos anos…

Posso afirmar que Bella não é minha filha.

Posso afirmar que Bella não é minha filha.

Sim, posso lidar com tudo.

Um passo de cada vez.

Notas finais
Boa noite!! O capítulo de hoje foi bem esperado né? Edward sabe a verdade, finalmente. O que acharam? Ainda farei um flashback, no próximo ou daqui a dois capítulos, sobre o resto da conversa que Edward teve com os pais. Porque no capítulo de hoje ele fica sem reação e não consegue perguntar tudo o que quer. Não se preocupem, mais para a frente irei juntar todas as pontas soltas! Sobre o próximo capítulo... Prontos para voltarem ao presente? Demorou mas foi! Quando voltei a postar pensei que não teria ninguém interessado nessa história mas acabei me enganando. Muita gente nova começou a acompanhar e as estatísticas mostram que tem muitas pessoas lendo. Agora, comentários? Só três pessoas. Isso não me incomoda como antigamente, tanto que estou postando, e vou concluir a história de qualquer jeito. Ainda assim, continuo achando que não custa nada deixarem uma critica por capítulo. Me ajuda a mim, e ajuda vocês a lerem algo melhor. Aos fantasminhas, que surpreendentemente são muitos, obrigada do mesmo jeito. A quem comenta (que por acaso são leitores antigos e me deixam muitoooo feliz) um grande obrigada por continuarem a acreditar em mim. Beijos e até à próxima atualização! JessicaC