Amar Não É Pecado

16 Capítulo 15 – Aparências


Notas iniciais
Foram 2 anos sem atualizar essa fanfic. Não imagino que exista alguém que ainda se lembre dessa história, ainda assim, prometi a mim mesma que um dia voltava. Aqui estou, cumprindo essa promessa. Se alguém estiver dando uma nova oportunidade a ANEP, e a mim, peço pra que leia as notas finais. Explicarei o motivo do meu sumiço e os planos pra essa minha volta. Boa leitura!

Look at me
You may think you see
Who I really am
But you'll never know me
Every day
It's as if I play a part
Now I see
If I wear a mask
I can fool the world
But I cannot fool my heart

(Christina Aguilera – Reflection)

3 anos antes…

PDV Edward

Ainda era estranho escutar alguém gritar por mim na rua, pedindo pra tirar foto, dar autografo, etc. Tem horas em que me pergunto como consegui chegar até aqui. De estudante focado no conservatório de música, a cantor reconhecido nessa mesma indústria. Não sei explicar exatamente o que aconteceu mas a minha vida deu uma acelerada nos últimos anos, depois que me mudei pra LA. Impossível dizer que tudo foi fácil, muito pelo contrário, mas a nível profissional, depois de tanta dedicação, havia finalmente me realizado. O trabalho era a única coisa a qual me entregava com verdadeira paixão e também o único objetivo que tinha alcançado com sucesso. Não podia, nem queria falhar.

A minha ligação com a minha família continuava restrita. Nunca mais voltei a pisar Nova Iorque, esse era um assunto mais do que discutido com os meus pais. Ambos sabiam da minha relutância e mesmo não sabendo os motivos que me levaram a isso, aceitavam. Alice era um caso à parte. A minha querida irmã não perdia uma oportunidade pra me jogar na cara o quanto eu era teimoso por não querer regressar. Ainda lembro da primeira festividade que trouxe os meus pais até mim, e também a ausência do membro mais novo da família. Não posso dizer que culpasse Alice pela sua escolha, afinal de contas a decisão de me manter afastado era minha, não era justo ela ter que mudar a sua rotina e abandonar Jasper, mesmo que por poucos dias, pra celebrar seja o que fosse comigo. Ainda assim, doeu. Não ter a minha irmã por perto era mais um lembrete do quanto a minha vida havia mudado.

Entre shows e entrevistas, programas televisivos e photoshoots, a minha agenda estava sempre completa. Não tinha muito tempo livre e isso funcionava às mil maravilhas porque toda e qualquer hora em que estivesse desocupado, os meus pensamentos se encaminhavam para a mesma direção de sempre, Isabella. Os anos seguiam mas o meu amor por ela jamais seria ultrapassado. Era difícil esconder a tristeza e a saudade que sentia mas lutava contra isso do jeito que conseguia. Admito que foi complicado quando soube que ela tinha finalmente seguido em frente, que estava se recuperando e encontrando novamente a felicidade nos braços de outra pessoa, de outro homem.

Flashback On

– O que foi Alice? – perguntei após alguns minutos de conversa ao telefone – Tem alguma coisa te incomodando? – estranhei o jeito nervoso com que ela falava.

– Acho que preciso te contar uma coisa mas não sei se devo, ou se você quer ouvir. – respondeu desanimada – Eu te amo, você é meu irmão. Mesmo com todos esses seus defeitos… – reclamou incomodada – continuo sentindo a necessidade de te proteger e não quero te magoar. – respirou fundo.

Suspirei e fiquei em silêncio.

Não precisava ler mentes pra entender o motivo da inquietação da minha irmã. Depois de tudo o que tinha acontecido só existia uma pessoa capaz de provocar o meu sofrimento, mesmo que indiretamente.

– Ela tem alguém – soltei sem querer pensar no significado daquelas palavras.

– Edward… — escutei baixinho o lamento da mulher baixinha, do outro lado da linha – Eu não sei o que dizer. – continuou tristemente – As coisas poderiam ter sido tão diferentes, mas foi você que decidiu assim meu irmão.

– Eu sei Alice – ignorei a dor que aos poucos se alastrava dentro de mim – Fui eu que a deixei e pronto. – não havia mais nada que eu pudesse dizer.

– Eu não entendo Edward. Já sei que você não quer falar sobre isso mas até hoje não consigo entender como é que você pode ter abandonado a mulher da sua vida – arrematou irritada – Eu sei que você a ama e essa desculpa de a ter deixado pra seguir os seus sonhos musicais não passa disso mesmo, uma desculpa. Ridícula e infeliz. – reafirmou mais uma vez.

– Fiz o que tinha que ser feito – retruquei – Não peço pra que você compreenda mas que respeite. Acabou Alice – fui firme – Acabou há muito tempo e não existe mais nada pra falar sobre esse assunto. Se ela está feliz, pra mim é o suficiente. – concluí sem ser interrompido.

Flashback Off

Desde esse dia que não tive mais notícias sobre Bella. Sabia apenas, esporadicamente, e através do meu pai, que estava tudo bem com os Swan e isso bastava. Nunca perguntei, nem teria coragem, pra saber mais detalhes. Tal como tinha dito a Alice, o importante é que Bella estivesse feliz, com o resto eu aguentava.

Dois anos jamais seriam suficientes pra que me esquecesse da vida que possuíra em Nova Iorque. Eu podia estar concentrado no meu trabalho, feliz pelo meu empenho ser reconhecido, mas ainda assim eu sentia saudade do antigo Edward. Vivi vários momentos tensos, ainda vivo, e acredito que nunca consiga recuperar a cem porcento. Quantas vezes não desejei correr para o colo da minha mãe e chorar feito criança, pegar o avião e acabar a noite tomando um porre junto com os meus melhores amigos, desabafar com o meu pai e pedir ajuda. Todas essas ideias passaram pela minha cabeça mas tão rápido quanto vieram, foram embora. Eu tinha feito uma escolha, uma que doía todos os dias, mas uma que eu iria levar até o fim.

– Edward está tudo pronto – escutei a voz de um assistente de produção – Você entra em 2 minutos. – saiu batendo a porta.

Me olhei no espelho, encarado o reflexo à minha frente. Agora eu era apenas Edward Cullen. Homem realizado e satisfeito perante o olhar público, desiludido e infeliz longe do escrutínio da sociedade.

PDV Esme

Quando era criança a minha brincadeira favorita era fingir ser mãe, fosse de bonecos, amigos, ou até do coitado do Ralph, meu cachorrinho amado. Acho que sempre tive um instinto protetor dentro de mim, mesmo quando não imaginava a complexidade que seria educar filhos na realidade.

Lembro que quando Edward nasceu, o meu maior medo era não saber lidar com as adversidades que surgiriam na sua vida, dia após dia. Eu queria ser a melhor mãe, aquela que educava, respeitava e apoiava o seu menino, fosse em que situação fosse. Falhei com esses ideais, logo após o primeiro ano da sua existência. Assim que perdi o meu segundo bebê, a dor e a depressão que se instalou dentro de mim não deixou com que o amor pelo meu primogênito fosse priorizado.

Carlisle lutou por mim de um jeito que mais ninguém faria. Apesar de todas as discussões, da negligência em relação a Edward e da falta de lucidez que se apoderava de mim, eu tinha noção de que outro homem teria pedido o divórcio por não aguentar a pessoa descontrolada em que me tornei. Felizmente, Carlisle ficou. Confesso que não foi fácil saber que o meu marido havia me traído, porém, acho que foi o abanão que eu tanto precisava pra despertar e lutar pelo meu casamento, pela minha família.

O nascimento de Alice foi um ponto de viragem. Tudo o que importava era o amor que sentia pelos meus filhos e pelo meu marido. Tentava me redimir todos os dias perante Edward, demonstrar que ainda poderia ser a mãe que tanto desejei. Reconstruia, aos poucos, a minha relação com Carlisle e aproveitava a união que o novo bebê trouxe pra toda a família.

Foram anos diferentes mas bem aproveitados. Vi meus filhos crescerem num ambiente harmonioso, com muito afeto. Carlisle e eu, assim como tantos outros casais, tínhamos as nossas discussões. Momentos em que palavras duras eram trocadas, assuntos que há muito deveriam ter sido enterrados mas que na hora da raiva vinham à tona. Não posso dizer que me orgulhe disso, mas a vida é assim mesmo, cheia de lembranças que nem sempre conseguimos esquecer.

Edward se transformou num homem incrível. Estudou dedicadamente durante vários anos e conseguiu alcançar a profissão que sempre desejou. Hoje meu menino, não tão menino assim, era um cantor com muito prestigio. Me sentia muito orgulhosa por todo o seu percurso e alegre por todas as suas conquistas. Porém, enquanto mãe, mesmo não vivendo perto de Edward, sentia que ele não estava bem. Todas as vezes que nos encontrávamos, ou falávamos por telefone, ele fazia de tudo pra não demonstrar fraqueza mas eu sabia que alguma coisa estava errada. Apesar de nunca termos conversado diretamente sobre o assunto, tinha certeza que o que impossibilitava o meu menino de ser realmente feliz, aproveitando tudo o que tinha de bom na vida, era o vazio que possuía o seu coração. Vazio que tinha nome e sobrenome, Isabella Swan.

O destino prega partidas na vida de todo o mundo. Eu aguentei todos os obstáculos que surgiram no meu caminho, mesmo tendo tropeçado em alguns deles. O que o destino não me havia preparado era pra esse sentimento de incapacidade, o querer ajudar mesmo sem saber como. A única esperança que me restava era de que um dia tudo se resolveria por bem, porque o amor tudo cura, mesmo quando nos iludimos com o contrário.

Notas finais
Nem acredito que estou postando esse capítulo depois de tanto tempo. Pra quem acompanhava as minhas fanfics, as minhas profundas desculpas. Acredito que depois de 2 anos já ninguém esperasse esse meu regresso. Posso dizer que foi surpreendente também pra mim. Escrevi esse capítulo durante a madrugada e senti necessidade de postar. Sobre o motivo que me levou a afastar do Nyah... Não sei quem sabe, ou se alguém sabe, mas no dia 6 de Novembro de 2013, a minha querida amiga/beta Juh sofreu um acidente de carro e não sobreviveu. Foram tempos bem difíceis de lidar, pra ser sincera, ainda não é fácil. Entrar aqui, postar algo que não foi revisado por ela é uma dor e tanto. A Juliana era daquelas pessoas que me incentivava a ser melhor, uma amiga que acreditava em mim e que compartilhava desse meu amor pela escrita, assim como pela leitura. Não tenho palavras pra explicar o sentimento que é voltar a esse lugar sem ela, não acho que vá existir um dia em que entre aqui e não sinta a sua falta. Por esse motivo, me afastei do Nyah durante tanto tempo. Não tive coragem pra enfrentar isso tudo sozinha. Ainda nem sei como estou fazendo isso agora, mas estou. Prometi a mim mesma que um dia voltaria e prometi a ela que não deixaria ANEP incompleta. O aniversário da partida da Juh está chegando, passei grande parte do dia de ontem lembrando as nossas conversas e vendo o apoio que ela sempre me deu em relação às minhas histórias. Talvez seja essa razão que hoje me trouxe aqui, talvez seja a Juh que mesmo no céu continua me ajudando e mostrando o melhor caminho a seguir. Se você está lendo essa mensagem, obrigada. Por esperar por mim, por continuar aqui e por acreditar que ainda posso concluir algo que me é tão querido. E se você é um novo leitor, muito obrigada por esse voto de confiança! E pra terminar essa nota que já está maior do que devia, peço desculpa pelos eventuais erros de escrita e pelo capítulo não tão maravilhoso quanto eu gostaria. Foi muito tempo parada, não é desculpa mas é um fato. Continuarei postando, não falta assim tanto pra que a história chegue ao fim. Um beijo, JessicaC