Amar Não É Pecado
14 Capítulo 13 – Sentindo falta?
Notas iniciais
I miss you, like everyday
Wanna be with you, but you're away
I said, I miss you, missing you insane
But if I got with you, could it feel the same?
It don't matter who you are
It's so simple
A feeling
But it's everything
No matter who you love
It is so simple
A feeling
But it's everything
(Frank Ocean – I Miss You)
5 anos antes…
PDV Edward
Los Angeles, 13 de Setembro, sinônimo de mais um dos piores dias da minha vida.
Nunca imaginei que uma data tão importante, e tão especial, se tornaria tão difícil de ser vivida. A saudade que até agora tentei reprimir parecia ter disparado em flecha, bem no meio do meu coração. O pensamento de que a minha menina, aquela que eu fizera mulher, estava comemorando mais um aniversário, e dessa vez sem a minha presença, me dilacerava por completo.
Há 7 meses que eu tentava me focar nos estudos, me concentrar ao máximo para tirar o único proveito que ainda tinha dentro de mim, o meu talento como músico. O conservatório estava me fazendo evoluir a passos largos, principalmente porque eu não tinha mais vida, além disso. Mal falava com a minha família, não tinha amigos, só queria ocupar o meu tempo e amenizar o vazio que sentia. Tenho noção que apesar de todos os meus esforços, tal não foi realizado com sucesso. Por mais que eu dedicasse a grande maioria das minhas horas praticando tudo o que podia, a imagem dela nunca me abandonava. A minha Bella… Sempre nos meus sonhos, sempre me lembrando dos melhores anos da minha existência, todos passados ao seu lado. E hoje estou aqui, preso nesse inferno a que chamo de vida, não podendo dizer o quanto a amo, sem a parabenizar pelos seus 22 anos de perfeição, impossibilitado de levá-la para jantar fora e terminar a nossa noite perdidos nos braços um do outro, amando como sempre nos amavámos.
O que estaria ela fazendo? Estaria com os nossos amigos? Ou talvez com a sua família… Tantas perguntas na minha cabeça, todas elas sem resposta.
Das poucas vezes que falara com os meus pais, eles nem tocaram no tema “Bella”. Não sei se respeitaram o meu espaço, ou se apenas ficaram com medo que eu me afastasse ainda mais. Na verdade nem eles, nem ninguém, sabia do verdadeiro motivo que me levou a terminar a minha relação com ela. E continuaria assim, pois eu não estava preparado para confrontá-los com a tão dolorosa descoberta. Estava magoado, no fundo havia uma parte de mim que os culpava pelo meu sofrimento, por isso preferi me manter o mais afastado possível.
Se com os meus pais evitar assunto era fácil, o mesmo não poderia ser aplicado à minha pequena e insistente irmã. Ainda hoje ela tenta entender o que aconteceu para que eu jogasse tudo para o alto e me mudasse de malas e bagagens para LA, deixando Bella para trás. Se havia alguém que tinha a certeza do meu amor absoluto por Bella, esse alguém era Alice. A minha desculpa foi a mesma, disse que precisava lutar pelo meu sonho e o relacionamento estava me condicionando. Claro que Alice jamais acreditaria nisso, mas pelo menos parou de perguntar. Ainda assim, isso não a impossibilitou de me contar algumas novidades sobre a Bella, mesmo eu repetindo que não estava interessado. Por mais que me custasse não ter noticias dela, o sentimento de saber que ela estava levando a vida em frente, e ultrapassando o término do nosso namoro, me deixava ainda mais arrasado. Mas era isso que eu queria, certo? Que ela seguisse em frente e me esquecesse. Que fosse feliz, conhecesse outra pessoa, amasse e fosse amada, doendo em mim ou não.
– Cullen é a sua vez – fui tirado dos meus pensamentos pelo professor que me indicava o caminho para o piano.
Era hora de voltar à realidade.
PDV Bella
Mais um ano para somar aos meus vinte e um anteriores.
Sorri enquanto abria o presente do meu pai. Ele parecia animado, e confesso que já estava curiosa para saber o porquê de tanto mistério.
– Uma viagem Sr. Charlie? Não me diga que agora, depois de finalmente tomar coragem e assumir a sua relação com a minha querida tia, resolveu se livrar da sua única filha? – brinquei com ele, enquanto piscava o olho para a tia Ângela, que ao seu lado me olhava envergonhada.
– Ora Bella, você sabe que eu jamais te afastaria de mim, a não ser por alguns dias – respondeu de pronto – Ainda assim, sei que você anda nervosa para saber os resultados do conservatório, e achei que uma breve viagem te deixaria mais relaxada.
Os resultados do conservatório… É verdade. Movida pelo encorajamento da minha família e dos meus amigos, resolvi insistir mais uma vez nesse meu grande sonho. Não tinha nada a perder, e ao menos ficaria com a consciência tranquila, pois saberia que não desisti a primeira tentativa falhada. O pior de tudo é que esse meu ato me fez lembrar mais dele. Eu estava conseguindo não pensar tanto, mas quando esse meu lado musical aparecia, ficava impossível não associá-lo a Edward. Ambos sempre quisemos o mesmo, e ele sempre me incentivou a não desistir dos meus objetivos. Talvez ele ficasse feliz por saber que eu havia colocado os meus medos para trás das costas, e me apresentado mais uma vez no conservatório, ou talvez não se importasse assim tanto com isso, tendo em conta esses sete meses de silêncio em relação a mim.
– Bella? – tia Ângela chamou por mim – Está tudo bem? Você parece estar longe daqui… – perguntou com um ligeiro sinal de preocupação estampado no rosto.
– Desculpem, estava divagando sobre os lugares que quero conhecer em Paris – menti, desviando o assunto para a viagem que acabara de ganhar – Acho que preciso procurar alguns lugares na internet, me informar melhor sobre o que há de mais bonito para visitar – terminei sincera, pois realmente faria essa pesquisa.
– Já pensou em quem vai levar com você? – papai interveio.
– Ainda não tive tempo para isso – ponderei – Acho que vai ser complicado levar alguma das meninas sem que a outra não fique chateada – referi já imaginando o bico de Alice se eu escolhesse Rosalie, ou a postura ofendida da loira caso eu optasse pela baixinha.
– Porque não leva o seu novo amigo, Riley. Não é esse o nome dele? – questionou atrapalhado.
– Pai, por favor – levantei do sofá onde estava sentada, e andei até à janela mais próxima – Eu sei aonde você quer chegar, e sinceramente não quero falar sobre isso – declarei aborrecida.
Desde que apresentei Riley à minha família as coisas mudaram. Conseguia ver esperança no rosto do meu pai, e apoio no da minha tia. Estavam claramente de acordo com um possível romance entre mim e Riley, na realidade, mais de acordo do que eu própria estava.
Com o passar dos meses eu e Riley ficamos bem próximos, saímos várias vezes juntos, e para além de apresentá-lo ao meu pai e a minha tia, também o apresentei ao meu grupo de amigos. Dispensável dizer que esses últimos não o receberam com a melhor da simpatia, o que até originou uma pequena discussão entre mim e as meninas.
Flashback On
– Posso saber por que é que estão tratando o Riley dessa forma? – acusei Alice e Rosalie assim que pedi licença da mesa onde nos encontrávamos com os meninos, e as reboquei até ao banheiro.
– De que forma é essa? – Alice empinou o nariz e fingiu não entender – Está entendendo Rose? – sorriu amarelo.
– Eu também não sei Alice – respondeu a loira rapidamente – Acho que a Bella é que está muito preocupada com o seu novo amigo. – encolheu os ombros tentando disfarçar.
– Chega! – elevei a voz — Vocês duas podem parar com essa infantilidade agora mesmo. Não vou admitir que fiquem insinuando coisas que não têm razão alguma.
– Então posso saber por que é que ele te trata daquele jeito? – Alice cruzou os braços e começou a exemplificar em Rosalie – “Oh Bells, não é desse jeito bobinha” – apertou o nariz de Rose – “Ah, acho melhor você não beber isso tudo, ambos sabemos como é que você termina a noite depois de um porre” – afagou a face da minha outra amiga, e deu um beijo no seu rosto – Quer que eu continue demonstrando todo o excesso de carinho que o seu novoAMIGO parece possuir por você? Ou posso sempre fingir que sou você, e dar uns sorrisinhos dengosos, e nervosinhos, cada vez que ele diz alguma coisa. – Rosalie me olhou e acenou com a cabeça, mostrando que concordava com tudo o que Alice acabara de dizer.
– Eu não acredito que estou escutando isso – bufei irritada – Vocês sabem que eu demorei em voltar a agir normal em público, a estar com vocês e me divertir, e agora estão se queixando da minha aproximação a um amigo que me tem ajudado tanto? – perguntei desacreditada na reação das minhas melhores amigas.
– O problema é esse Isabella – Alice continuou me apontando o dedo – Você só deixa esse seu amigo te ajudar. Andou nos ignorando a todos durante vários meses, e agora joga na nossa cara que é, ou foi, eu sei lá… o fantástico Riley que te trouxe de volta. Você não acha que isso nos machuca? – contorceu o rosto, parecia bem magoada.
– Ali… — choraminguei perante o seu desabafo.
– Eu sei Bella, eu sei que ele te deixou sem chão, mas você não precisava fugir da gente, nós nunca te abandonámos, estivemos sempre aqui – se aproximou – Você é nossa irmã, sabe o quanto nos custou perder os dois ao mesmo tempo e não poder fazer nada para mudar isso? – fungou.
– Eu nunca tentei substituir vocês… Só não sabia como chegar até vocês, não depois dele me ter… — parei sem conseguir concluir essa frase – Não depois do que aconteceu – reforcei.
– Oh minha amiga – Rosalie também se aproximou me abraçando de lado – Nós jamais te viraríamos as costas, ou te forçaríamos a falar de algo que você não quisesse. Só queríamos estar do seu lado, te dando força, te ajudando a reerguer, e você nos negou isso.
– Me desculpem, essa não foi a minha intenção – falei sincera – Eu só queria ficar bem para seguir em frente, e voltar a ser como era.
– E já voltou? – Alice questionou desconfiada – Acha mesmo que já superou tudo? – a dúvida estava refletida no seu olhar.
– Alice, não vamos falar nisso – fechei os olhos e respirei fundo antes de continuar – Eu só preciso que vocês sabem que não existe ninguém capaz de vos substituir, e que Riley é só um bom amigo que eu fiz durante essa fase menos boa da minha vida.
– Tudo bem– a baixinha sorriu de leve – Toma o seu tempo, quando precisar desabafar a gente estará aqui para te ouvir, não é Rose? – buscou ajuda na loira.
– Com certeza. Sempre estivemos, é por isso que somos melhores amigas – confirmou sorridente.
– Agora podemos voltar lá para fora, sem que vocês pareçam querer pular em cima do Riley e esganar o pobre coitado? – pedi incerta.
– Eu prometo tentar, mas ele que fique esperto – revirei os olhos – É sério Bella, você pode não perceber, mas ele te olha de uma forma nada “amigável”, se é que você me compreende.
– Isso é tudo fruto da sua mente louca Alice – soltei uma risada para desanuviar – Rosalie?
– Eu não vou acrescentar mais nada porque não quero prolongar esse assunto, mas saiba que estou de olho nele, assim como a Alice – avisou, retirando em seguida um batom da bolsa e retocando os lábios.
– Eu tenho as amigas mais paranóicas do mundo – ambas me olharam torto – Mas as mais amadas também – conclui, puxando as duas para um abraço.
Eu sabia que a preocupação delas era mais uma prova do quanto se importavam comigo. Estaria sempre grata por ter uma amizade tão forte como essa, tal como elas referiram, nós éramos mais que amigas, éramos irmãs.
Flashback Off
Depois dessa noite também eu comecei a reparar mais nas atitudes do Riley, e mesmo não reconhecendo, acabei concordando com as suspeitas das duas. Riley era um bom amigo sim, disso não tinha dúvidas, mas o seu apego por mim estava bem longe de ser um mero interesse de amizade. Não que ele alguma vez tivesse tocado nesse assunto, mas com o tempo as suas intenções ficaram mais claras, e eu me apercebi que mais cedo ou mais tarde, teríamos que ter uma longa conversa.
– Tudo bem filha, não falaremos mais em Riley se isso te deixa desconfortável – o meu pai voltou a falar, me trazendo novamente para a conversa.
– Obrigada papai – assenti, agradecida por não ter que dar nenhum tipo de explicação.
Junto à janela, aproveitando o quentinho do sol que batia na minha cara, junto da leve brisa de ar fresco que corria pela casa, suspirei de saudade.
Saudade da vida que eu tinha e amava.
Saudade de como tudo era mais fácil.
Saudade dele.
O tempo passa e cura algumas marcas, mas outras… Outras nem o tempo é capaz de levar. A dor diminui, mas a saudade está enraizada dentro de mim. Infelizmente ou não, apesar de toda a aprovação por parte da minha família, e de uma melhoraceitação por parte dos meus amigos, nem mesmo Riley parecia ser capaz de destruir a força desse sentimento tão forte que é a saudade.
Link da música do capítulo:
http://www.youtube.com/watch?v=uiKUOczdJWo
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