Amantes de Sangue

7 Capítulo 7 MENDACIIS ET VERIS mentiras e verdades


Notas iniciais
Oi, galera!!! Demorou, mas aí está mais um capítulo. Não temam, pois eu não vou abandonar a fic e ela será concluída, pois esse é um compromisso que tenho com vocês e comigo também. As demoras se dão devido ao fato que a vida adulta não permite, somente, prazeres e tem momentos que ela exige muito da gente... Mas, um grande beijo a todas e a certeza que, apesar de tudo, eu sempre continuo por aqui!!!XD

“As mentiras mais cruéis são frequentemente ditas em silêncio...”

Titus olhava o seu busto esculpido, quando passos decididos se fizeram ouvir no piso frio. Os guardas abriam passagem para Shion que caminhava altivo e com uma expressão grave no rosto.

— Minhas saudações, César!— disse ele encarando, com firmeza, o imperador.

— Shion... Aconteceu alguma coisa? – perguntou Titus escondendo sua surpresa e decepção.

— Fui atacado e vim reportar o fato ao senado.

— Atacado? Malditos rebeldes! Vou mandar a guarda caçá-los imediatamente!

— Então vai ter de começar pela própria guarda pretoriana! Lacínio, Galeso, Valerius! Tragam os corpos! – ordenou Shion.

De imediato, os servos depositaram os três corpos que haviam sido trazidos em uma padiola. Shion fez um sinal e o lençol que os cobria foi retirado. A marca da legião foi exposta e Titus fingiu indignação.

— Mas, são soldados romanos! Como isso é possível? Será que estou cercado por traidores?

— Eu quero reunir-me com o senado. Esse ato de traição não pode ficar assim. – disse Shion sem desviar os olhos do imperador.

— Tem razão, meu sogro. Todo o cuidado é pouco. – disse Titus com uma expressão preocupada.

— Não vai perguntar sobre Júlia? – questionou Shion com o cenho franzido.

— Ah, Sim. Como está minha filha?

— Está bem. Ainda estou em forma, apesar da idade. Não é qualquer um que pode me matar ou ferir quem me é caro.

— Fico feliz em saber. Venha, vamos beber vinho e agradecer a Júpiter por tal feito.

— Perdoe-me, César, mas minha prioridade é reunir-me com os senadores, ainda hoje. O agradecimento aos deuses já foi feito. Quanto ao vinho, esse pode esperar.

Titus percebeu a ênfase dada a cada palavra e também a resistência de Shion. O orgulho falou mais alto que o comedimento, não se deixaria intimidar, afinal, ele era o imperador de Roma e não um qualquer.

— O senado responde a mim, meu sogro. Insisto que, enquanto mando reunir a todos, o senhor me a honra de acompanhar-me.

— Novamente, peço que me perdoe, César, mas terei de declinar de tal honra.

Antes que Titus retrucasse, a guarda adentrou o palácio.

— Ave, César! Temos notícias! O covil dos rebeldes foi destruído, mas a grande maioria fugiu pela rota das montanhas.

— Mande Flavínius vir até aqui. – falou Titus contrariado.

— Como vê, César, a urgência das questões a serem tratadas falam por si. – disse Shion.

— Como sempre, meu sogro, sua presteza causa em mim uma grande admiração.

Shion fez uma saudação com a cabeça e despediu-se.

— Daqui a uma hora, eu voltarei. Agora vou cuidar dos corpos. – disse ele.

— Cuidar dos corpos? Não há o que cuidar. Traidores devem ser expostos em praça pública, eles não têm direito ao funeral e enterro.

Shion olhou bem dentro dos olhos de Titus.

— Eu conheço a lei, César. No entanto, estes homens estavam subordinados à alguém poderoso o suficiente para assegurar-lhes a confiança para tal ato. E como minha linhagem é a mais antiga de Roma, reivindico o direito de tomar as providências que considero necessárias.

Nesse momento, Titus sentiu o sangue ferver. Até então, estava disputando aquele jogo, cheio de observações nas entrelinhas, mas seu orgulho já tinha sido pisado demais...

— Pode pertencer à linhagem antiga, mas eu sou seu imperador! Sua insolência também pode ser considerada um ato de traição, Shion!

— Insolência? Creio ter me expressado mal, César e, por tal ato, peço desculpas.

A fala serena e firme de Shion fez Titus recuar, porém havia uma animosidade forte entre eles.

— Agora peço que se retire. Mando chamá-lo quando reunir o senado. E deixe os corpos aí, eu cuidarei disso!

Shion não retrucou, apenas fez uma saudação silenciosa e deixou o salão. No caminho, encontrou Pandora que saudou-o, respeitosamente, sendo observada por ele de forma enfática.

Quando entrou no salão, a jovem encontrou Titus irritado.

César...— disse ela de forma sussurrada.

— Eles falharam! Imbecis! – vociferou Titus.

— O que pretende fazer agora?

— Shion quer uma reunião do senado. Ele sabe! Sabe que fui eu.

— Então não podemos deixar que isso aconteça.

— E o que você sugere?

— Que terminemos o serviço que os imbecis não fizeram!

— Nunca pensei que diria isso a outra mulher, mas... Amo você, Pandora. Quando a cabeça de Scorpionis e todos os rebeldes estiverem em uma estaca, vou fazê-la minha imperatriz. – disse Titus se aproximando da jovem.

Pandora sorriu, deliciada com aquelas palavras e exultante por ter conseguido conquistar o imperador. Faria de tudo para tornar-se a esposa perfeita, vigilante e poderosa!

— Eu também o amo, César... (E o poder que representa, principalmente!)

— Titus... Quando estivermos às sós, me chame pelo nome... Gosto de estar em sua boca.

— Titus... Titus... – repetiu ela, enquanto se abaixava em direção ao falo do imperador, roçando os lábios na ereção que se formava e fazendo-o gemer.

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O choque das espadas e as faíscas que escapavam das lâminas dominavam o ar no pátio da Ludus Maxima.

— Isso! Vamos! Ataque Shina! – gritou Sage.

Shina ofegava, porém segurava firme a espada. Violate a encarava e a deixava atacar. O restante observava, algumas gritavam palavras de incentivo, outras se fixavam na gladiadora mais experiente e mais exigida da ludus.

— Você parece uma menininha! Ataque com garra! – gritou Violate ao perceber que Shina começava a perder força.

— E-Estou cansada... – disse ela.

— Diga isso a sua rival na arena e ela sairá de lá com a sua cabeça! – devolveu Violate atacando com mais força e obrigando Shina a defender na mesma proporção.

Os muros da ludus eram altos e feitos de madeira. Do lado de fora, curiosos tentavam espiar pelas frestas e, entre eles, estava um certo loiro, acompanhado de um ruivo. Milo mantinha o capuz, assim como Camus e ambos verificavam as redondezas.

— Vamos voltar à noite. – disse Milo.

— Eu observei a guarda, tem apenas dois, mas à noite pode dobrar. – falou Camus.

— Beleza. Voltaremos assim que escurecer.

— Certo.

Os dois deixaram o local, enquanto o movimento começava a fervilhar pelas ruas. Vendedores, crianças, animais, soldados... Milo percebeu que havia algo no ar e Camus também. Em seguida, viram uma tropa de soldados e, à frente, uma carroça onde três corpos sem vida podiam ser vistos sacolejando como se fossem objetos inertes. Junto da carroça, três cruzes de madeira eram transportadas por escravos.

— Ei, você viu aquilo? – perguntou Milo para o ruivo.

— Sim e até sei quem são. – respondeu Camus.

— Como sabe se estão cobertos? – devolveu Milo.

— São os soldados que nós matamos. Shion deve tê-los trazido e, pela lei de Roma, traidores são expostos em praça pública e não tem direito ao enterro. Vão ficar ali até serem comidos pelos abutres.

Milo franziu o cenho e pensou em Shion, seu avô. Ainda era estranho pensar nele desta forma, mas, ao mesmo tempo, era bom saber-se pertencente a uma linhagem honrada e forte como a dele.

Os corpos foram retirados da carroça e pregados na cruz. A população se dividia entre os murmúrios, a surpresa e, em seguida, ao apedrejamento e insultos. A cena macabra se completaria mais tarde, quando os abutres começassem a descarnar os corpos, espalhando sangue e vísceras na areia...

Camus tocou o braço de Milo.

— Vamos aproveitar a multidão e dar o fora.

O loiro concordou e os dois se misturaram aos corpos que disputavam espaço nas ruas. Acabaram se dirigindo às catacumbas para esperar o anoitecer e então, dar continuidade ao plano.

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Albafica trazia água do córrego, olhando ao redor e verificando que estavam protegidos ali, embora fosse um local mais alto e frio. Havia muita vegetação e recantos escondidos nas pedras, muitos deles agora usados para vigiar o lugar.

Quando subia com os baldes improvisados, El Cid aproximou-se para ajudá-lo.

— Deixe que eu leve isso. – disse o moreno e Albafica sorriu.

— É muito gentil, gladiador, mas posso levá-los eu mesmo.

— Faço questão. – insistiu El Cid.

Sabendo que não adiantava discutir, Albafica cedeu e antes de deixar que o amante pegasse os baldes, tomou o rosto anguloso do moreno entre as mãos e o beijou. El Cid estremeceu com a maciez da pele de Albafica, sentindo seu membro pulsar.

— Ah, Albafica... – gemeu ele puxando-o mais para si.

O olhar de Albafica escureceu, o desejo foi preenchendo todos os espaços do seu corpo e do seu coração.

— Eu te amo, Cid. – disse ele e beijou-o, novamente, trazendo para mais perto o corpo musculoso do gladiador.

El Cid possuía muitas cicatrizes, todas revelando sua índole guerreira e foi nelas que Albafica encostou seus lábios e as percorreu como se pudesse apagá-las, curá-las, venerá-las...

O gladiador gemeu e arrastou-o para um recanto que costumava ser usado à noite para vigília. Era semelhante a uma pequena caverna cujo teto era constituído de ervas que se entrelaçavam criando um espaço protegido. Havia ali um cobertor e uma trompa para dar o alarme. Foi ali que Albafica permitiu-se desnudar e deixou que as mãos e boca de El Cid o percorressem com ardor, fazendo-o sentir tanto prazer que nada mais importava. Os movimentos dele eram intensos e o silêncio do lugar só era quebrado pela respiração alterada, pelos suspiros de prazer, pelo som da pele de um deslizando na pele do outro...

Os olhos de ambos se encontraram e pactuaram em silêncio... Albafica sufocou um grito diante da investida poderosa do falo dentro de si. Agarrou-se às costas largas e o desconforto desapareceu, dando lugar ao prazer intenso de estar completamente ligado ao homem que amava...

O gladiador enterrou a cabeça no ombro de Albafica, roçando-lhe os lábios com o cabelo e movendo-se num ritmo lento e poderoso. Seus quadris se chocavam a cada investida e os gemidos entrecortados aumentavam, trazendo o prazer que logo explodiria em gozo.

— Eu... Te amo... – murmurou El Cid puxando-o para si ao sentir que o amante chegava ao orgasmo.

Albafica mordeu o lábio com força, mas mesmo assim deixou escapar um grunhido do fundo da garganta ao atingir o clímax. El Cid sorriu e, em seguida, desmanchou-se dentro dele, apertando-o junto ao corpo e estremecendo...

Um abraço forte, os fez perceber o coração um do outro, o pulsar e o latejar da pele... El Cid sorriu junto aos lábios avermelhados de Albafica e recebeu outro beijo apaixonado, correspondendo de forma ardente e estreitando o corpo esguio contra o seu.

Mais tarde, ambos voltaram ao refúgio, encontrando Máscara da Morte e Hyoga assumindo o ensino das espadas aos meninos, enquanto Shun tomava a lição das meninas como Camus havia lhe instruído.

Afrodite olhou para o irmão percebendo os cabelos em desalinho e a expressão relaxada. Sorriu, intuindo o que havia acontecido e quando virou a cabeça, viu que Shura havia levantado, apesar de ter-lhe dito para não fazer esforço.

— O que está fazendo de pé, centurião? – perguntou-lhe, sério.

— Não fui feito para ficar acamado. – respondeu Shura.

— Seus ferimentos foram profundos. Se forçar demais, eles vão se abrir.

— Estou bem, Afrodite. Obrigado.

O loiro encarou-o, mas deu de ombros.

— Você é seu próprio juiz. Depois não diga que eu não avisei.

Máscara da Morte lutava com um dos meninos, quando observou Shura conversando com Afrodite. Parou a luta e foi até eles.

— Então, centurião, está pronto para o combate? – perguntou ele.

— Quase. – respondeu Shura, enquanto encarava o olhar inquisidor de Máscara da Morte.

— O que pretende fazer? — questionou o gladiador.

— Por enquanto, curar-me.

— Fico me perguntando o que leva um centurião a tornar-se um traidor. Mas, conhecendo Afrodite, não me admira que você tenha caído de amores por ele... Ele é mesmo alguém por quem vale a pena perder a cabeça.

Shura olhou sério para Máscara da Morte e se perguntou como o gladiador tinha percebido. Respirou fundo, antes de falar.

— Não posso negar algo que já notou, gladiador. Porém, vejo que você e ele...

— Sim, nós somos amantes. – interrompeu Máscara da Morte. – E é bom que isso fique bem claro.

— Eu percebi.

— Ótimo. Apesar de ser um romano, você é um guerreiro de valor. Detestaria ter que arrancar a sua cabeça por um motivo passional. Guerreiros morrem na batalha e não porque pensaram com o pau, ao invés da cabeça. – disse Máscara se afastando do centurião e voltando a lutar, agora com Hyoga.

Shura ficou olhando o gladiador se afastar. Máscara da Morte era um típico guerreiro e possuía uma franqueza que lhe causava admiração. Desviou o olhar e recaiu, novamente, sobre Afrodite que conversava e sorria de modo encantador.

Merda, Shura! Pare com isso! Ele ama aquele gladiador e é amado com a mesma intensidade. Esqueça-o! Os pensamentos invadiram sua mente, enquanto continuava com os olhos fixos em Afrodite. Então o loiro o fitou e sorriu, fazendo-o experimentar um calor e, ao mesmo tempo, um desconforto em seu peito...

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A noite caiu sobre o céu de Roma como um manto negro salpicado de pontos luminosos. Camus e Milo retornaram à Ludus Maxima, agora às escuras. Havia, apenas, um ponto de luz que cintilava em uma das celas onde dormiam as gladiadoras. Milo apontou para Camus que fez um movimento com a cabeça, sinal que entendera a intenção do gladiador e tratou de verificar a posição da guarda.

— São dois, Milo, e estão bebendo vinho.

— Vamos ter que passar por eles, não tem jeito. – disse Milo.

— Deixa que eu os distraia, enquanto você encontra a cela onde Shina está.

— Certo.

Camus foi em direção ao ponto onde estavam os guardas e usou da estratégia de fazer barulho, atraindo-os para o outro lado do pátio. Um tanto altos por conta do vinho, os dois caíram na armadilha e o ruivo posicionou-se com rapidez entre os dois usando o cabo da espada para estocar no esterno de um e na testa do outro, deixando-os inconscientes em um tempo recorde. Assim que os dois desabaram, ele assoviou e Milo correu pelo pátio em direção às celas.

Shina massageava o braço inchado de tanto manejar a espada. Os treinos eram extenuantes e mesmo que ela já estivesse com certo nível, ainda assim seu corpo e sua mente se ressentiam do esforço contínuo e brutal.

Violate olhava o céu pela pequena janela com grade, o corpo, excepcionalmente relaxado... Para ela era natural ser guerreira, lutar e forçar até o último sopro. Gostava do combate, afinal, era a sua natureza. No entanto, ao conviver com Shina, percebia que ela não era fraca, mas sim que negava seu instinto agressivo e isso não era bom para uma gladiadora.

— Tome, use isso. – disse Violate atirando uma pequena bolsa de couro na direção de Shina.

— O que é? – perguntou ela, franzindo o cenho.

— É uma pasta feita de ervas e argila. Diminui o inchaço.

— Obrigada.

A gladiadora não respondeu e voltou a olhar pela janela quando um rosto surgiu de repente fazendo-a saltar para trás.

— Mas o quê?! – disse ela.

Milo ignorou-a e espichou o olhar até ver Shina que o olhava com os olhos arregalados.

— M-Milo... – murmurou ela, não acreditando no que estava vendo.

— Onde é a entrada? – perguntou Milo.

— É-É... Por ali, mas tem dois guardas aqui dentro. – disse Shina, baixinho.

— Está bem, deixa comigo. – respondeu ele e saiu do ângulo de visão das duas mulheres.

As celas eram pequenas e, em cada uma, ficavam de duas a três mulheres. Algumas dormiam nuas, outras aproveitavam o momento para desfrutar de alguma intimidade entre si. Os guardas permaneciam vigilantes e eram proibidos de envolver-se com elas sob pena de serem açoitados ou até enforcados.

Um deles bebia vinho doce e contava piadas ao outro que tinha uma expressão carrancuda e fixava o olhar em uma das gladiadoras que tinha o nome de Leona cujos cabelos longos e crespos recaía sobre os seios à mostra.

— Não adianta ficar olhando... Se comer uma delas, já sabe o que acontece. – disse o guarda que bebia vinho.

— Cala a boca. Quem disse que eu quero foder?

— Seu pau!— respondeu o outro com uma gargalhada.

— Vá pro inferno. – disse o homem tentando disfarçar a ereção sob a subligária.

Assim que o homem bebeu seu último gole de vinho, Milo surgiu tão rápido que ele engasgou.

— I-Intruso! – disse o homem e foi sua última palavra.

Ao contrário de Camus, Milo não poupou a vida dos dois. Passou a espada no ventre avantajado e, aproveitando o impulso, desferiu um chute no outro guarda, saltando sobre ele, em seguida, cortando-o na garganta.

As mulheres sorriram ao ver o loiro e uma delas o reconheceu.

— É o Scorpionis!

Um alarido se fez presente e Milo levou o dedo indicador aos lábios pedindo silêncio. O ato só aumentou a excitação e, enquanto ele retirava as chaves do corpo de um dos guardas, muitas começaram a pedir que as soltasse.

— Eu gostaria muito de atender aos pedidos, mas só estou aqui para...

— Por favor! Por favor! Leva a gente com você!

Milo coçou a cabeça. Não esperava aquele tipo de recepção e, ao mesmo tempo, tinha vontade de libertar todos que ainda eram escravizados. Foi nesse momento que Camus chegou e compreendeu o dilema do amante.

— Neste momento, não podemos levá-las todas. Não viemos preparados para isso, mas se forem pacientes, podemos voltar com uma estratégia. – disse o ruivo.

Houve um murmurar de descontentamento.

— Esse dia jamais chegará. – disse Violate e sua voz forte calou as demais.

Ela encarou Milo e Camus com desdém, mas Shina percebeu que havia algo mais na fala da gladiadora. Era algo sutil, como se ela estivesse acostumada a desprezar a fatalidade como uma forma de proteger-se das frustrações que a vida lhe impusera.

— Por favor, eu estou viva graças a ela. Deixa ela vir com a gente. – disse Shina olhando para Violate e depois para Camus e Milo.

Violate franziu o cenho.

— Quem disse que eu que eu quero me juntar a vocês?

— Você é durona e gosta de lutar, eu sei. Mas não nasceu para ser escrava. Venha com a gente, por favor...

O pedido de Shina deixou Violate surpresa. Ela sempre fora dura com a jovem, exigira o máximo e mais um pouco. Nunca pensaria que ela desejasse tê-la por perto.

Milo olhou para a gladiadora de cima a baixo. Em sua avaliação, Violate parecia forte e combativa, mas também um tanto irascível.

— Precisamos de braços fortes para continuar lutando e criando estratégias para libertar os demais. Como Camus disse, não temos como levar todas agora, mas você pode ser a primeira, se desejar. – disse Milo.

Violate olhou para as outras e, em cada olhar sentiu a súplica de cada uma. Era como se depositassem nela um pouco de si mesmas. Eram competitivas, mas também cúmplices, em alguns momentos.

— Vá, Violate! – gritou Leona. – Assim poderei tomar o seu lugar na arena. – completou em tom desafiador.

A gladiadora percorreu aquele lugar com os olhos. Era a principal atração da ludus, mas apenas uma escrava cujas regalias se restringiam ao fato de ser o animal de estimação do imperador. Libertar-se de tudo aquilo e ainda assim, continuar lutando exercia uma atração sobre si.

— Ir com vocês não quer dizer que trocarei um senhor por outro. – disse ela, por fim.

Milo sorriu e estendeu a mão.

— É claro que não. Vamos, nosso tempo aqui já está acabando.

Camus olhou para as demais e fez um movimento de despedida com a cabeça. Algumas delas atiraram beijos ao ruivo, fazendo-o corar.

— Adeus, ruivinho delicioso... Vamos esperar que cumpra o que prometeu. – disse uma delas.

Com um olhar malicioso, Milo se aproximou de Camus e beijou-o na boca, emudecendo as demais.

— Delicioso e... meu!— disse o gladiador, enquanto o ruivo balançava a cabeça e sorria, sem jeito.

Os quatro deixaram a ludus, sob o olhar vigilante das gladiadoras, cada uma tecendo um sonho, uma esperança ou oportunidade...

Leona apertou as grades de sua cela, vendo-os sumir na penumbra. Com Violate fora, ela seria a principal atração da Ludus Maxima e seu nome ecoaria no Coliseu como era o seu desejo.

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Titus estava pensativo quando Pandora voltou ao palácio.

— Está feito. – disse ela colocando os braços ao redor do pescoço do imperador.

— Tem certeza que dará certo, desta vez? – questionou ele.

— Certifiquei-me de escolher a pessoa certa. A escrava é nova e ambiciosa. Armei para que seja aceita na casa de Shion, ainda hoje.

— Não podemos nos dar ao luxo de falhar, Pandora.

— Eu sei, César... Convocou o senado?

— Sim, alguns estavam viajando, então combinamos que a assembleia será amanhã, bem cedo.

— Ótimo. Teremos um dia e uma noite para que o serviço seja feito.

— E depois?

— Nos livraremos da escrava e ninguém desconfiará. Shion terá o mesmo destino que a sua pobre filha...

— O que faremos com Júlia?

— Por um tempo, nós a criaremos com todo amor até o momento em que ela será dispensável. Ela é uma criança frágil, não é mesmo? Eu lhe darei um varão, César.

Titus lembrou-se dos filhos e, por um momento, pensou em dividir aquele segredo com Pandora. No entanto, quando as palavras estavam prontas para escapar de sua boca, um soldado entrou com uma expressão grave e, saudando-o, falou:

César! Houve uma fuga de duas escravas, gladiadoras da Ludus Maxima!

— O quê? Como isso aconteceu?

— Disseram que o próprio Scorpionis veio buscar uma delas.

Scorpionis?

— Sim, César. Ele matou dois guardas e deixou os outros dois vivos.

— Aquele maldito! Ele ousou atacar a minha ludus! Onde estão os guardas que sobreviveram?

— Estão aqui, César, esperando ordens suas.

Com o sangue latejando nas têmporas, Titus fez um sinal e logo um dos guardas do palácio trouxe a sua espada. Assim que os dois entraram no grande salão, ele sinalizou para que se aproximassem e seus olhos faiscavam com fúria.

— Ajoelhem-se! – gritou ele.

Os dois homens obedeceram com a cabeça baixa. Titus olhou-os com desprezo e, em seguida, golpeou-os, passando a lâmina em seus pescoços de forma que ambos caíram juntos numa poça de sangue.

Pandora ficou firme, assim como a guarda. Nenhuma palavra foi dita, até Titus romper aquele silêncio trágico.

— Quero todos os generais disponíveis aqui e agora! Eu mesmo vou caçar esse gladiador e arrancar-lhe a cabeça! – gritou ele, enquanto apertava com força a espada ensanguentada.

Notas finais
Agradeço, de coração, às MPs, a quem comenta, favorita, lê em silêncio no celular, enfim, o meu MUITO OBRIGADA a todas!!! **** Próximo capítulo: Violate chega ao refúgio ( que vai passar por algumas mudanças importantes) e atrai a atenção de um certo gladiador; Shion acolhe uma víbora em seu lar; Titus empreende sua caçada particular e... muito mais!!!! Bjs, XD