Amantes de Sangue
1 Capítulo 1 PRÓLOGO
Notas iniciais
Os gritos pareciam ecos distantes, o som surdo dos pés batendo nas arquibancadas criava um coro selvagem e estimulante... Mais uma vez, o Coliseu vibrava em uníssono pelo sangue vertido nos jogos, o divertimento momentâneo entorpecendo as vidas cheias de dificuldades...
Na arena, o suor pingava do rosto feminino, porém seus olhos violetas mantinham-se atentos e seus lábios entreabertos ofegavam. Alguns fios de seus cabelos lisos e longos haviam se grudado ao suor e ela os ignorou, enquanto segurava a espada curva com a mão esquerda e o tridente com a direita. O corpo musculoso e cheio de cicatrizes havia perdido um pouco da feminilidade, mas isso, para ela, constituía-se em motivo de orgulho. Sua vida tinha sido permeada pela dor e pela morte, mas na arena, resgatara a força que herdara de seus ancestrais e era isso que a mantinha viva e não o sexo que a natureza lhe dotara.
Violate de Behemoth era uma gladiadora, a última novidade oferecida pela Ludus Maxima e a única que disputava tanto com homens, quanto com mulheres. Tinha sido escravizada na última batalha de seu povo, os celtas, com os romanos. Lutara como uma leoa e quando descobriram que, sob a vestimenta de combate havia uma mulher, houve uma comoção no exército romano e o tal comandante conhecido como Ikki de Fênix a mandara para o imperador, para que ele decidisse o que fazer.
O jovem general a reconhecera como uma guerreira à altura e impedira que fosse maltratada ou violada por seus homens e ela o admirara por isso, sendo ele o único homem a quem ela se permitiu saudar com uma reverência respeitosa.
Mate-o! Mate-o! Mate-o! Gritava a massa, sobrepondo-se às lembranças que ela ainda guardava.
Com um movimento forte e rápido, ela derrubou seu adversário e pisou em seu pescoço sem dar-lhe a chance de mover um músculo sequer. O imperador sorriu, discretamente, quando ela olhou na sua direção, esperando o gesto final.
– Acha que devo ser piedoso? – perguntou ele para jovem de longos cabelos negros que agora o acompanhava em todas as festividades.
– Creio que o público deseja sangue, César... – respondeu Pandora com um olhar malicioso.
Titus sorriu, também, e mostrou o polegar virado para baixo. Violate enterrou o tridente no corpo do adversário que estremeceu e, em seguida, afundou-se em uma poça de sangue. O público delirou e ela elevou o tridente ensanguentado, colocando a espada na bainha que levava às costas. O seio descoberto e a faixa amarrada na coxa direita eram a marca de seus status e, enquanto ela deixava a arena e ouvia seu nome ecoar pelas paredes, outra mulher tremia em uma das galerias e se perguntava o porquê de tudo aquilo...
Eu nunca ofendi os deuses... Por quê? Por que isso está acontecendo comigo? Pensava Shina, enquanto as lágrimas quentes caíam de seus olhos, e ela olhava para as algemas em seus pulsos e tornozelos.
Fazia um mês que fora arrastada de sua casa, após ver seu marido ser preso por traição.
– Seu marido foi denunciado por fontes fidedignas que afirmaram que ele contribuiu para a fuga dos gladiadores responsáveis pela morte do senador Hades! Ele ficará preso e você será levada para a Ludus Máxima!
– É mentira! Nós nunca nos envolvemos nisso!
– Vai dizer que não os conhecia, também? Sabemos que você serviu na Casa de Gemini e era amiga do Scorpionis!
– S-Sim, mas depois que o senador Saga nos libertou, nós nunca mais nos encontramos e...
– Mentirosa! Levem-na! – gritou o soldado.
Agora, ali estava ela, seminua e tremendo. A cabeça doendo e girando pelos últimos acontecimentos, quando Violate retornou, olhou-a com desprezo e, por fim, pegou-a pelo braço fazendo-a gemer de dor.
– Escute aqui, se vai continuar a agir como um rato assustado, eu posso cuidar para que o seu sofrimento acabe de uma vez!
Shina encarou os olhos violetas e frios da gladiadora. Ela não parecia humana, nem mesmo uma mulher. No entanto, ao mesmo tempo em que a temia, via nela uma força que desejava para si. Não queria morrer assim, depois de tudo que tinha enfrentado. Se conseguisse sobreviver, talvez um dia fugisse e se juntasse aos amigos fugitivos.
– E-Eu nunca peguei em uma espada ou qualquer outra arma.. – gaguejou Shina.
– Pois aprenda ou morra! Não sei a razão de o imperador ter poupado a sua vida, nem o porquê de ordenar que eu a transforme em uma gladiadora. O fato é que eu estou pouco me importando com você, entendeu? Agora se levante! – vociferou Violate.
Trêmula, Shina obedeceu, sentindo o cheiro de sangue nas vestes da gladiadora. Acompanhou-a, enquanto ela caminhava duro, tendo ao seu lado Sage, o doctore da ludus do imperador.
– Fez uma boa luta. – disse ele, tocando o ombro da gladiadora.
– Aquele verme era fraco. – respondeu ela com um suspiro profundo.
– Você é que precisa de mais desafios... Direi a Radamanthys que seu nível está acima dessas lutas menores. Enquanto isso treine com essa aí. O imperador a quer na arena, logo. – falou Sage.
– Eu sei. Mas, agora, preciso de um bom vinho!
– Venha, vamos beber à sua saúde!
Shina os ouvia falar como se ela não estivesse ali, porém, apesar de ter ganhado sua liberdade, não era novidade para si aquela condição. Fechou os olhos, apertando-os e rezando para que tudo não passasse de um terrível pesadelo...
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Shura olhava para o uniforme de centurião e sentia-se dividido entre a lealdade ao homem que o salvara de um destino de escravidão e àquele que encarnava o poder de Roma, o homem que jurara defender e obedecer até o momento de sua morte.
O plano de Titus era inteligente e incluía a sua participação de forma decisiva. Teria de liderar a tropa que retornara de Cápua e, em seguida, fingir abandoná-la para juntar-se aos gladiadores da Casa de Gemini e descobrir onde estavam vivendo durante todo esse tempo.
Meio ano havia se passado e Titus empreendera muitas modificações no cenário político de Roma. Entretanto, as pedras soltas, aqueles homens que haviam sido libertos e ousado atacar a guarda pretoriana, extinguindo-a, assim como matar um senador importante como Hades, precisavam ser quebradas. No entanto, conhecendo aqueles homens, Titus sabia que a força bruta ou o ataque direto não teriam chance de vitória. Era necessário um ardil, uma estratégia inteligente e muito bem engendrada. Era ali, que ele, Shura, tornava-se a peça chave... Devo muito ao general Kanon e fiz o que foi possível para amenizar os horrores que a Casa dele sofreu. No entanto, sou um centurião e jurei defender Roma acima de tudo e, agora o imperador coloca-me como seu peão nesse jogo sangrento.
Por alguns instantes, lembrou-se de Afrodite, do olhar orgulhoso e direto. Nunca havia visto um homem tão belo e de língua tão afiada. Muito tempo depois de tudo ter acontecido, ainda sentia o perfume dele e, não raro, sonhava que o tinha nos braços e o possuía muitas e muitas vezes, acordando suado e com uma terrível excitação que custava arrefecer.
Tocou o símbolo da águia e, ao sentir-lhe a textura fechou os olhos e suspirou. Cumpriria parte do que lhe fora destinado e pediria perdão aos deuses pelas decisões que tomaria dali para frente...
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Pandora sorria, enquanto tocava no busto esculpido em mármore branco. As chamas das tochas tremulando no aposento do imperador...
– Céus, nunca me diverti tanto. Foi uma ideia genial incluir mulheres gladiadoras em sua ludus, César!
– Gostou tanto assim? – Titus sorriu. – O povo precisava de novidades. Desde que aquele homem deixou a arena, nenhum outro conseguiu tomar-lhe o lugar.
– Fala daquele que matou meu primo, o odioso Scorpionis! – disse Pandora, mas sem nenhuma ênfase na voz.
– Sim, mas deixemos esse assunto para mais tarde. – falou Titus e, num impulso, tomou Pandora nos braços.
Ela o fitou por alguns segundos. Ao ver o desejo nos olhos escuros, enlaçou-o pelo pescoço e o beijou apaixonadamente. Titus a segurou pelo rosto e se entregou à carícia, prensando-a contra a parede e deslizando as mãos até os seios pequenos, envolvendo-os com ânsia.
Pandora gemeu baixo e sorriu ao perceber que o imperador estava excitado. Ele a beijava no pescoço, nos lábios, ao mesmo tempo em que continuava a explorá-la com as mãos quentes e ávidas, percorrendo as coxas e as nádegas para puxá-la mais contra si.
– Papai?
A voz infantil penetrou a bruma sensual que tomara conta do corpo de Titus e Pandora estremeceu ao ver o rostinho encarando-os com extrema curiosidade.
– Júlia... O que está fazendo aqui, criança? – perguntou Titus afastando-se de Pandora.
– Estou com medo, tive... um pesadelo. – falou a menina correndo de encontro ao pai.
– Onde está sua mãe? – perguntou ele de forma fria, sem ao menos tocar na menina.
– Mamãe não acorda... Sei que está viva, porque está ressonando, mas não se mexe. – respondeu ela.
Titus suspirou e então tomou a menina em seus braços. Márcia deve estar bêbada, como sempre. Pensou, enquanto rumava com Júlia para os aposentos.
Pandora piscou e levou as mãos aos cabelos um tanto despenteados. Por um momento pensou em algo cruel como livrar-se da mãe e da filha, tendo Titus somente para si. No entanto, isso tinha de ser feito com muito planejamento, cuidado e no momento certo. Foi até a pequena mesa de centro e serviu-se de vinho, enquanto aguardava o retorno do imperador, teria muito tempo para pensar no que fazer com toda aquela situação... Vingarei Hades e me tornarei esposa do imperador. O primeiro passo é dar-lhe um filho, um varão. Depois, livrar-me dessa criança estúpida e sua mãe infeliz!
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O entardecer nas montanhas parecia um manto dourado que se aconchegava nas rochas e florestas. O refúgio que Saga e os outros haviam encontrado e transformado, agora era tomado pelas conversas e risadas, antes da reunião final do dia, onde aqueles que tinham papéis de liderança faziam um balanço das atividades desenvolvidas.
Muita coisa havia sido construída e as relações começavam a amadurecer e despertar. Meninos viravam homens e mulheres geravam novas vidas, naquele lugar.
Shun estava nervoso. Ele pertencia à casta dos jovens que chegavam à época de amar... Fazia algum tempo em que trocava carícias com Hyoga, mas nunca ia até o final. Às vezes o via ficar corado e afastar-se, como se sentisse dor. Quando perguntava sobre isso ele desconversava e dizia que precisava treinar. No entanto, decidira que já era hora e, neste exato momento, estava nu com Hyoga deitado ao seu lado, apoiado em um cotovelo olhando-o com extrema atenção, mas sem tocá-lo...
– N-Não me quer mais? – perguntou estremecendo sob aquele olhar.
Hyoga repirou fundo, os olhos azuis estreitando-se de prazer. Nunca na vida se deparara com uma situação semelhante. Seu corpo já vivenciara o prazer com homens e mulheres e, geralmente, não tinha tanta paciência assim para esperar. No entanto, com Shun descobrira um novo sentimento, algo que o fazia sentir-se responsável e preenchido por emoções intensas e profundas. Desde que se descobrira apaixonado por ele, evitava o sexo com outros parceiros e aderia ao prazer solitário.
– Não quero ser apressado. Você é muito especial prá mim,quero fazer amor com você, devagar... – murmurou Hyoga aproximando os lábios dos de Shun.
As palavras de Hyoga causaram uma verdadeira revolução dentro de Shun. O coração disparou e a boca secou, porém quando sentiu o beijo carinhoso, suas mãos buscaram a nuca do loiro, seu corpo estremeceu e seus mamilos ficaram túrgidos.
Experiente, o jovem gladiador posicionou-se sobre o corpo alvo e esguio de Shun, tomou-lhe os mamilos rosados com a boca, enquanto levava a mão ao falo pulsante dele, fazendo-o arfar...
Shun soltou uma exclamação e o segurou pelos cabelos, extasiado.
– O que está fazendo comigo, Hyoga? – indagou, tremendo dos pés à cabeça, a pele em fogo, o coração disparado...
– Te dando prazer... — falou Hyoga, intensificado a masturbação que iniciara e buscando a boca de Shun para beijar de forma mais profunda.
Shun fechou os olhos e seus lábios se abriram, emitindo gemidos roucos e longos. Um prazer intenso apoderou-se de seu corpo quando Hyoga substituiu a mão que acariciava seu falo pela boca e, junto a isso, introduziu um dedo dentro do corpo virgem, movendo-o devagar...
O corpo de Shun se retesou, a cabeça pendeu para trás quando a felação se intensificou e Hyoga lambeu e sugou até fazê-lo estremecer e derramar-se na boca do amante.
– Pelos... deuses... – murmurou Shun, enquanto Hyoga passava a língua nos lábios e buscava a boca arfante para beijar.
Os olhos de Shun estavam estreitos e sua face corada. O peito arfante exibia algumas gotículas de suor e ele sorria...
– Isso é apenas o começo... – disse Hyoga.
Shun sentiu a pele quente de Hyoga colar-se à sua, o falo do amante roçar sua entrada, devagar...
– Seja meu... abra-se para mim, Shun...
Ao ouvir a voz rouca de Hyoga e sentir a invasão lenta, Shun franziu o cenho, gemeu e agarrou-se aos lençóis, deixando os dedos mais brancos que o comum pela força que fazia. O falo de Hyoga parecia grande demais para ser acolhido por seu corpo, a pressão era intensa e dolorida.
– Ahh... Hyoga... – murmurou ofegante. – Dói muito...
Hyoga parou dentro de Shun e mordiscou seu queixo, roçando os lábios e beijando-o nos olhos apertados.
– Vai passar... no início dói bastante, mas depois o prazer substitui a dor... – disse Hyoga levando a mão ao falo de Shun, tentando diminuir o desconforto, masturbando-o.
Shun afastou mais as coxas e tentou relaxar. Seu corpo parecia querer fugir daquela invasão, mas seu coração desejava a entrega e também o prazer que sabia existir. Sentiu a mão forte de Hyoga acariciando seu membro e fazendo-o endurecer. O toque era ritmado, assim como a movimentação de Hyoga para dentro de si. Ele sentiu os cabelos grudarem-se em sua testa e entreabriu os lábios em gemidos entrecortados...
Hyoga controlava-se ao máximo para não investir com força. Estava excitado com aqueles gemidos e com o aperto quente e prazeroso em seu membro. Seu corpo estava sendo tomado pelo ardor e pela vontade de estocar mais rápido e mais fundo, seus olhos cristalinos já estavam dilatados e quando ele sentiu seu membro tocar em um ponto específico, gemeu alto e viu que Shun fez o mesmo, agora mostrando prazer nas faces afogueadas...
Arquejante, investiu estocando mais fundo, seu membro era acolhido e recebido com mais facilidade e Shun agarrava-se a si com força, mas também com um sorriso nos lábios. Pendendo a cabeça para trás e mal acreditando nas sensações deliciosas que se sobrepunham à dor, Shun sentiu-se arrastado para uma voragem que lhe sacudia o corpo e o fazia sentir uma angústia boa, como se estivesse prestes a se desmanchar...
Hyoga investia contra ele, seguidas vezes, até quase fazê-lo desfalecer de prazer e um pouco de dor...
Shun teve vontade de rir e chorar, tal intensidade com que o gladiador o amava e o fazia sentir-se pleno e vivo.
O loiro franziu o cenho, sentindo o orgasmo irromper em suas células e moveu-se com força, estocando uma última vez... Shun arqueou o corpo, quase incapaz de respirar, então se contorceu, arqueou a coluna e gozou...
Um sorriso de satisfação iluminou o rosto de Hyoga ao ouvir o gemido longo e sentir o sêmen respingar em seu tórax. Ele grunhiu, desfazendo-se dentro de Shun, sentindo a liberação preencher o interior do corpo que acabara de iniciar no sexo e no amor.
– Pelos deuses! – gritou antes de desabar sobre o corpo de Shun.
Os dois sorriram e beijaram-se devagar, ainda ofegantes. Hyoga acariciou a bela e corada face de Shun.
– Te amo... Agora somos amantes de verdade... – disse o gladiador depositando beijos curtos nos lábios que ainda estavam entreabertos e ofegantes.
– Também te amo, Hyoga... – falou Shun, sentindo um ímpeto de energia apoderar-se de seu corpo que aproveitou para puxar o amante de encontro a si.
Hyoga sorriu e, em meio ao abraço, ouviu o tinir do aço. Certamente, estavam treinando! Pensou, enquanto aproveitava do calor e da suavidade de Shun junto ao seu corpo.
– Daqui a pouco sou eu quem estará fazendo gemer o aço... – murmurou junto aos lábios rosados de Shun.
– Tenho que admitir que você é um exímio desencadeador de gemidos... – respondeu Shun, rindo.
Mais uma vez, os dois se beijaram sentindo aquela deliciosa intimidade que iniciava e se estabelecia entre eles.
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No pátio, Milo jogou um pouco de água no rosto e tornou a empunhar a espada. No centro do pátio, dez pares de pequenos olhos se fixavam nele com suas espadas de madeira feitas pelo habilidoso Mu.
No outro extremo, Camus tomava a lição das outras crianças que, em sua grande maioria eram meninas. Ambos lideravam grupos de aprendizado. Milo ensinava a lutar, enquanto Camus ensinava a ler.
Aos poucos, aquele refúgio tornava-se a realização de um sonho, o sonho que Saga construía, auxiliado por aqueles que libertara. Tudo estava em paz e progredindo, havia espaço para o amor, a partilha e o aprendizado. Pelo menos, era o que parecia...
– Não quero aprender a ler, quero lutar! – gritou a menina.
Camus, pacientemente, soltou o manuscrito e chamou-a. A menina franzina e de olhar agressivo empinou o queixo e foi até ele.
– Todos aqui têm as mesmas tarefas e lições. Chegará a vez de essa turma tomar lições de luta com Scorpionis. Eu entendo a sua ansiedade, mas para tudo funcionar bem, temos que respeitar os horários, certo? Até lá, espero que se dedique à leitura e escrita com a mesma dedicação. Combinado, então?
– Sim, senhor Camus. – respondeu a menina, agora com o olhar mais ameno.
O ruivo era sério, mas tinha habilidade em motivar as crianças, assim como Milo que se mostrava mais expansivo, mas igualmente exigente. Quando o sino tocou, todos se encaminharam para o pátio comum. Lá, Milo os recebeu e trocou com Camus que levou os meninos para um lanche e, depois para as lições de leitura e escrita.
Misty observava a tudo, entediado com aquele ambiente calmo e sem maiores conflitos. Até aprendera alguns movimentos básicos com a espada, na esperança de chamar a atenção de Milo. Porém, tudo havia sido em vão e ele via o gladiador cada vez mais envolvido pelo ruivo. Agora que treinavam juntos, então... Milo não tinha olhos para mais ninguém!
Por um momento, pensou no que aconteceria se aquele paraíso monótono sofresse uma pequena modificação... Mordendo o mindinho, analisou a sua situação ali e decidiu que daria uma pequena escapada em direção a cidade... Vamos ver como andam as coisas por lá e se o imperador esqueceu-se do homem que humilhou Roma...
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