Amantes de Sangue

9 Capítulo 9 CARPE DIEM (“colha o dia ou aproveite o momento”)


Notas iniciais
♥Gente!!! Muito tempo sem postar essa fic. Peço perdão para quem acompanha, mas muitas coisas impedem a gente, principalmente o "chamado" da realidade com suas responsabilidades e desafios. Porém, aqui estou. Obrigada pela paciência e vamos ao penúltimo capítulo da fic!! Bjs a todos!!

"Odes"

Colha o dia, confie o mínimo no amanhã.

(Carpe diem quam minimum credula postero)

Não pergunte, saber é proibido, o fim que os deuses

darão a mim ou a ti, Leuconoe,

com os adivinhos da Babilônia não brinque.

(Tu ne quaesieris, scire nefas, quem mihi, quem tibi

finem di dederint, Leuconoe, nec Babylonios

temptaris números).

É melhor apenas lidar com o que cruza o seu caminho.

(ut melius, quidquid erit, pati.)

Se muitos Invernos, Júpiter te dará, ou se este é o último,

que agora bate nas rochas da praia com as ondas do mar.

(Seu pluris hiemes seu tribuit Iuppiter ultimam,

quae nunc oppositis debilitat pumicibus maré)

Seja sábio, beba o seu vinho e, para o curto prazo,

reveja as suas esperanças.

(Sapias, vina liques et spatio brevi

spem longam reseces.)

Mesmo enquanto falamos, o tempo ciumento está a fugir de nós.

(Dum loquimur, fugerit ínvida)

Colha o dia, confie o mínimo no amanhã.

(Carpe diem quam minimum credula postero.)

Poeta romano Horácio (65 — 8 AC)

Depois de comer e beber bastante, cada um buscou comemorar sua última noite de paz a seu modo. Alguns se entregaram aos prazeres, outros se recolheram para orar ou dormir. Lá fora, uma brisa fria soprava do norte devido à chuva, prenúncio do outono que se aproximava.

Violate não costumava beber, porém aquele vinho estava delicioso e a fez sorrir mais que de costume. Sua cabeça estava leve e ela percebia tudo a sua volta com mais intensidade. Aldebaran a observava. Tinha se sentido atraído por ela na primeira vez que a vira. Porém, não era, apenas, luxúria, era algo mais. Aquela mulher parecia compreender a alma de um guerreiro, porque era uma guerreira formidável. Ela sabia que era preciso abrir mão de muitas coisas para se tornar uma arma viva, principalmente no que tocava às emoções.

Aldebaran notou que ela também o olhava e elevou a taça de vinho. Ela sorriu e algo dentro dele se aqueceu, assim como uma parte de seu corpo enrijeceu. Estava diante da primeira mulher capaz de fazê-lo “estremecer” na base.

Violate de aproximou, olhando-o de cima a baixo e o gladiador não conseguiu ocultar o desejo que ela lhe despertava.

— Você tem companhia para esta última noite antes da batalha? – perguntou ela.

Aldebaran sorriu, achando certa graça naquele convite explícito, pois Violate não parecia dominar a arte da sedução.

— Terei se me der este prazer. – respondeu ele.

O rubor tingiu as faces angulosas da guerreira e ela pareceu dar-se conta do que havia proposto, como se houvesse duas mulheres dentro de si e, uma delas, resolvesse mostrar uma faceta desconhecida de si mesma.

— Perdoe-me, acho que bebi demais. – disse ela se afastando.

Aldebaran sentiu faltar-lhe a respiração. Sua musa guerreira se arrependera de tê-lo abordado!

— Espere.

Violate saiu rapidamente, seus pensamentos embolados com a vergonha por tamanha ousadia, logo ela que nunca havia experimentado os prazeres que um homem tinha a oferecer. Havia experimentado a crueldade, o abuso e até mesmo a violência, mas nunca o amor ou o prazer.

Quando atravessou a porta que dava para o pátio, trombou com um guerreiro embriagado que lhe sorriu e fitou-a com os olhos vidrados, levando a mão ao seu seio. Indignada, ela agiu rápido dando-lhe um chute no joelho, o suficiente para que sentisse dor, mas não para ficar inutilizado para a batalha.

— Se afaste, homem! – disse ela com raiva.

O homem vacilou, mas entorpecido pela bebida não sentiu tanta dor e tornou a abordar Violate.

— Ei, belezinha... Você é grandona, mas o meu pau também é. Vamos aproveitar a noite, podemos morrer amanhã.

Violate suspirou, furiosa e se preparou para esmurrar aquele bêbado atrevido, porém a voz grave de Aldebaran se fez ouvir.

— Pare com isso, Pethrus. – disse o grandalhão empurrando-o.

Com os olhos injetados pelo vinho, Pethrus fitou Aldebaran e Violate. Em seguida, riu alto.

— É... acho que vocês dois nasceram um pro outro. Perdão, madame. – disse ele se afastando de forma trôpega.

— Não leve Pethrus a sério, ele é um bom homem, mas às vésperas da batalha ele bebe demais e fica inconveniente.

— Obrigada por me impedir de lesioná-lo. Mais um pouco e a cólera me faria quebrá-lo por me tocar.

— Você é uma mulher bonita e diferente das outras que vivem aqui. É natural que desperte o desejo e a admiração dos homens. Estamos diante de uma batalha histórica, ex-escravos enfrentando as melhores legiões de Roma. Muitos irão adentrar o reino de Plutão, amanhã.

— Você teme a morte?

A risada alta de Aldebaran ecoou.

— Eu temo não viver tudo o que gostaria. E você?

— Muitas vezes, ansiei por ela, mas... assim como você, eu temo não ter tempo para viver algo diferente de sentir o gosto do sangue e do calor da batalha.

— Violate... – disse Aldebaran tocando gentilmente o rosto da guerreira.

Ela cobriu-lhe a mão com a sua.

— Jamais estive com um homem por vontade própria.

— Você deseja ficar comigo?

— Sim.

Diferente de todas as vezes em que uma mulher aceitava se deitar com ele, Aldebaran sentiu uma emoção diferente. Violate era forte, mas despertava nele a vontade de agradá-la, protegê-la, fazê-la saber que era uma mulher especial. Tomou-a pela mão e fitou-a bem dentro dos olhos.

— Venha... Esta noite será única para nós dois.

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— E então? Como é a domus do patrício Shion? – perguntou Pandora bebendo um gole de vinho.

Venília ajoelhou-se diante da domina, com os olhos baixos como era esperado de uma escrava. Não conseguia parar de comparar o ambiente do palácio com o da domus de Shion. Jamais imaginara que um nobre romano pudesse ser tão justo e bom. Tão diferente desta mulher e daquele que representa Roma.

— A domus é grande e ele possui muitos escravos.

— Dizem que ele trata os escravos com excessiva benevolência. É verdade?

— Sim, domina. Ele permite uma proximidade...diferente com eles.

— Levante-se! – ordenou Pandora.

Obediente, a escrava elevou os olhos, encontrando um brilho cruel nos olhos de Pandora.

— Ele por acaso quis foder você?

— N-não, domina! Nunca! Acho que Domini Shion não aprecia as mulheres, pois não o vi procurar uma enquanto estive lá..

— Verdade? – falou Pandora deixando escapar uma risada sonora. – Deve ser a idade, ele já é um velho! Diga-me o que fez, já que não o agradou ao ponto de ele levantar o pau.

—Eu me tornei ama da pequena Júlia e assim, posso escutar as conversas do domini e fazer o que me ordenou.

— Como assim? Você ainda não começou a envenená-lo? Eu lhe disse que o queria morto em três dias!

— Perdão, domina, mas pensei que gostaria de saber sobre uma conversa que achei interessante para a senhora.

Após analisar a escrava de alto a baixo, Pandora suspirou.

— Fale, criatura desobediente e talvez eu não mande chicoteá-la!

— O tal Scorpionis...

— O que tem ele?

— É neto do patrício Shion.

— O quê?! Que bobagem é essa?

— É verdade, domina. A pequena Júlia me contou e pediu segredo. Ela disse que seu avô descobriu que Scorpionis era seu neto, filho de sua filha Penélope com um escravo.

Pandora franziu o cenho. Aquela informação era um trunfo inesperado. Talvez fosse melhor que o veneno. Chantagear Shion e obrigá-lo a apoiar Titus no senado seria uma estratégia poderosa, quando tudo acabasse. Ela o teria nas mãos com uma informação como esta!

— Fizeste bem, Venília. – disse ela, bem-humorada e com o ardil expresso no olhar. – volte e me traga uma prova do que disse.

— E o que seria, domina?

— O velho, certamente, deve ter escrito essa informação em algum lugar. Orgulhoso como é, saber que tem um neto varão, mesmo que ilegítimo, deve ter registrado essa descoberta. Descubra se ele fez isso e traga a prova para mim.

— Sim, domina.

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Na penumbra da cabana, Violate sentia os lábios grossos de Aldebaran nos seus, a língua dele tocando a sua, o gosto do vinho enriquecendo aquele festival de sabores... Um torpor havia tomado o seu corpo, aquela respiração ofegante próxima de seu pescoço, o membro viril roçando em suas coxas...

Passiva, ela deixou que ele a explorasse com a boca cada parte do seu corpo. Sabia manejar uma espada e lutar, mas não conhecia as sensações que Aldebaran estava lhe despertando. De repente, como se acordasse de um sonho, ela passou a retribuir as carícias e ser mais ativa, apertando as costas largas do gladiador e beijando seu torso nu.

Surpreso, Aldebaran gemeu, ficando ainda mais excitado. Levou a língua aos mamilos excitados e os acariciou, envolvendo-os com o calor de sua boca, enquanto apertava as coxas grossas. Devagar, ele deslizava as mãos, sentindo-a estremecer e colar ainda mais o corpo junto ao seu.

Os dedos grossos abriram caminho por entre as pernas de Violate, acariciando-a, sentindo a umidade e o calor... Logo, o nariz e a língua substituíram os dedos, fazendo Violate gemer, estremecer e gritar com o primeiro orgasmo da sua vida.

Suada, Violate sorriu e afastou um pouco mais as pernas. Aldebaran fixou o olhar nos olhos dela e, devagar, começou a se introduzir dentro do corpo convidativo. Por um instante, ela fechou os olhos esperando a dor que não veio. Foi apenas uma pressão, seguida de uma deliciosa sensação de preenchimento. Mãos grossas e quentes a seguraram com força pelas nádegas até que os movimentos começaram, longos e carinhosos evoluindo para profundos e selvagens, conduzindo-a a uma fome insaciável que banhava os corpos de suor.

De repente, sucessivos espasmos a fizeram contrair todos os músculos e prender a respiração. O prazer foi tanto que ela gritou sem conseguir se controlar. Levado pelo mesmo encantamento, Aldebaran intensificou os movimentos, o rosto se contorceu e ele grunhiu ao derramar-se dentro de Violate.

Passado o turbilhão, ficaram abraçados no silêncio. Violate sorria, sentindo um misto de alegria e tristeza. Como se adivinhasse seus pensamentos, Aldebaran a beijou, fazendo-a aninhar a cabeça junto ao seu peito.

— Está tudo bem?

— Sim.

A resposta curta o fez franzir o cenho. Será que ela tinha gostado?

Então foi a vez dela perceber a hesitação do gladiador. Ela deslizou a ponta dos dedos pelos músculos firmes e os mamilos, seguindo uma trilha de pelos que conduzia até onde se uniam as coxas musculosas. Aldebaran ofegou.

— Violate...

Subindo os dedos, ela agora sorria e apertava os mamilos escuros do gladiador até senti-los endurecidos.

— Você me fez descobrir algo muito bom... Podemos repetir?

Em resposta, ele tomou a mão calejada dela e a fez pousar em seu sexo. Gemeu quando ela acariciou a pele fina, sentindo-lhe a textura e o tamanho até tocar a extremidade, contornando-a com os dedos e sorrindo, maliciosa.

Aldebaran a empurrou com uma exclamação, fazendo-a abrir as coxas outra vez e penetrando-a em uma única estocada.

— Isso responde a sua pergunta? – murmurou ele antes de beijá-la com volúpia.

Violate sorriu e gemeu, arqueando o corpo de encontro ao dele. Agora, era uma mulher completa, descobrira o prazer e levaria no corpo e na alma o olhar apaixonado de um homem. Carpe diem! O amanhã não importava...

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Aproveitando a retirada de todos, Afrodite fez algo que deixara de fazer há tempos. Dançou quando ouviu, ao longe, alguém tocar uma música lenta e sinuosa com a flauta. Mexendo os quadris, foi arrancando aplausos e assovios de Máscara da Morte que já havia bebido muitos odres de vinho e brindava com Shura que também bebia tentando não pensar no que poderia ter acontecido entre ele e Afrodite.

Uma coisa era certa, havia um laço forte entre o gladiador e o filho bastardo de Titus. Shura sentiu inveja e também ciúme daquela cumplicidade que jamais experimentara. Era um servidor de Roma e sempre colocara sua espada, força e lealdade acima da vida pessoal. Eu sou um tolo! Disse para si mesmo enquanto buscava mais vinho para beber.

Alheio às divagações do centurião, Afrodite fitou-o sorrindo e, em seguida, fez o mesmo com Máscara da Morte. Chamou ambos para dançarem com ele e, tanto Shura, quanto o gladiador, aceitaram o generoso convite. Como se estivesse possuído por uma divindade sensual, Afrodite tocou a face de ambos, provocando-os...

Por um instante, Máscara da Morte encarou Shura com animosidade, porém Afrodite se aproximou e sussurrou próximo aos lábios do amante:

— Não sabemos o que nos aguarda amanhã... Vamos viver o prazer sem tabus.

Máscara da Morte sabia que o centurião sentia algo por Afrodite. Tesão, amor, ele não sabia. Mas, se morresse em combate, desejava que Afrodite tivesse um protetor à altura. Aproximou-se de Shura e falou-lhe próximo ao ouvido:

— Jure proteger Afrodite, acima da própria vida e eu deixarei que o tenha.

Shura assentiu de imediato e Máscara da Morte sentiu-lhe a excitação. Os olhares se encontraram e uma estranha faísca de desejo queimou entre ambos, como se comungassem do mesmo sentimento forte, magnético e trágico...

Em seguida,os dois se abraçaram ao loiro, iniciando um movimento conjunto, roçando os corpos, iniciando um jogo sedutor onde todas as barreiras iam sendo rompidas, lenta e prazerosamente.

Shura abraçou Afrodite por trás, cheirando a nuca do loiro, roçando os lábios de leve na curva entre o pescoço e o ombro, enquanto Máscara da Morte passava a língua nos lábios entreabertos e levava a mão ao tórax alvo, acariciando cada contorno daquele corpo, para depois voltar à boca, agora aberta e ávida, a língua insinuante, implorando maior contato. Entre os dois corpos, Afrodite sentiu a pressão de duas ereções contra si, gemendo ao sentir a do gladiador na sua e, ao mesmo tempo, a de Shura em suas nádegas.

As bocas foram se alternando, com Shura indo de encontro a boca de Máscara da Morte, enquanto mantinham Afrodite ainda entre si. Ardentes, ambos acariciavam em uníssono o corpo do loiro, a mão do gladiador no membro intumescido, a mão de Shura nas nádegas bem feitas, enquanto as línguas se caçavam selvagens, quentes, úmidas. Por um instante, os três provaram da pele, da saliva, do olhar lascivo que se aprofundava mais, exigindo uma entrega total, uma transcendência de limites do que era certo ou errado.

Logo, os guerreiros se despiram, revelando os corpos fortes e suas cicatrizes em contraste com a delicadeza e maciez do corpo de Afrodite. Shura era mais alto, o corpo mais esguio, a tatuagem da legião no braço direito contava a história de um guerreiro a serviço de Roma gravada na pele ardente. Máscara da Morte era mais corpulento, os músculos forjados na batalha constante na arena, as cicatrizes como registro da luta pela vida.

Afrodite percorreu a tatuagem com a língua e os dentes, puxando o centurião de encontro a si, enquanto Máscara da Morte chupava o pescoço e descia até os mamilos, mordendo-os e sugando-os, arrancando gemidos entrecortados, vendo o amante sofrer espasmos de prazer.

O gladiador desceu ainda mais tomando o pênis ereto em sua boca, enquanto Shura colhia o gemido alto de Afrodite na sua... sentindo a língua quente estremecer de tesão.

Máscara da Morte fazia tudo lentamente, passando a língua em toda a extensão do membro, sentindo o prazer do amante gotejar em seus lábios e então, Afrodite o fez parar, os olhos vítreos o puxaram para um abraço forte, embriagado pelo prazer vivenciado.

Os olhos escuros de Shura encontraram os do gladiador e um beijo sôfrego reiniciou entre os três. Havia um laço entre eles, algo que se revelara naquele momento crucial, a noite que antecedia ao enfrentamento dos soldados romanos. Shura sentia como se parte de si se desvelasse em um reconhecimento daquela estranha relação...

De repente, o lugar ficou carregado, quente... Ambos sorriram e Afrodite deitou-se num catre de peles, afastando as coxas torneadas, abrindo os braços para acolher Máscara da Morte entre elas. Ficaram um tempo, apenas abraçados, para depois puxarem Shura para o meio deles, enchendo-o de beijos, lambidas e toques íntimos...

O loiro ergueu o quadril para receber Shura dentro de si, esfregando-se, gemendo, pedindo a invasão que veio voraz, intensa, rija. Um ofego de prazer escapou da boca dos dois e Máscara colou-se às costas do centurião, lambendo-o e fazendo-o sentir o tamanho de sua excitação.

Enquanto com uma mão, Shura puxava Afrodite de encontro a si, aprofundando-se dentro dele, com a outra, buscou o corpo de Máscara da Morte, sinalizando desejá-lo também em si.

O gladiador posicionou-se entre as nádegas de Shura e o penetrou, sentindo-o estocar Afrodite com força, enquanto afastava as pernas para ser invadido mais fundo e mais forte. Moviam-se desatinados, adentrando o corpo um do outro, sentindo cada vez mais intrínseco a pulsação do falo, o peso dos corpos se esfregando, suando, comungando dores e prazeres, tornando-se um só...

Afrodite gritou, abraçando Shura, ao sentir o sêmen quente preenchê-lo e derramando-se no amante que arfava tendo Máscara da Morte, também gozando dentro de si. Como uma melodia perfeita, os três chegaram ao orgasmo em acordes tomados de luxúria, para em seguida, desabarem, exaustos, mantendo os olhos fechados e os corpos ainda unidos...

Mais tarde, Afrodite acolheu Máscara da Morte em seu corpo, o olhar cheio de desejo e agradecimento envolveu o gladiador, fazendo-o aprofundar-se no corpo do amante com uma ternura inédita. O orgasmo chegou junto para os dois e os gemidos foram engolidos pelo beijo profundo que trocaram.

Shura saiu do catre, enquanto ainda estava escuro. Olhou para Máscara da Morte e Afrodite que dormiam abraçados e suspirou. Tinha se permitido ir além do proibido, dos tabus e vivenciado uma experiência única. Jamais esqueceria este dia, talvez o único momento em que, realmente, se sentira vivo...

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Saga estava nos braços de Kanon, olhando as estrelas, em silêncio. Então, Saga tocou o rosto do irmão, olhando-o com admiração.

— Quase deu certo, não é?

— Deu certo. – respondeu Kanon tocando os lábios de Saga, antes de beijá-lo.

O beijo foi profundo e intenso. Kanon admirava o irmão, Saga era um visionário, um homem adiante do seu tempo.

— Eu... quero lutar ao seu lado, Kanon.

— Você não é um soldado, Saga. Você não tem o direito de privar o futuro das ideias que podem mudar tudo o que conhecemos e fazemos hoje.

— Camus combaterá ao lado de Milo. Ele se tornou um guerreiro pelo homem que ama.

— Convença-o a ir junto com você para as montanhas. Camus é inteligente e visionário com você. Ele será de grande valia nos novos tempos.

— Está dizendo que você, Milo e os outros são dispensáveis por serem aqueles que irão nos defender? Isso é um absurdo, Kanon. Um guerreiro é tão importante quanto um pensador!

— Guerreiros são fáceis de forjar, uns mais que outros, mas ainda assim, a força é sempre mais abundante na natureza humana. Já um pensador, este é uma joia rara entre homens que só visam o poder e o engrandecimento de si mesmos. Roma afundará em guerras e sangue se Titus continuar no poder.

Saga se afastou dos braços do irmão e tornou a olhar para o firmamento.

— Eu compreendo a vontade de Camus e o deixarei decidir.

Kanon suspirou e tornou a abraçar Saga.

Carpe diem, irmão. – sussurrou o general junto ao ouvido daquele que amava.

Sem dizer nada, Saga afundou o rosto no ombro de Kanon. Em seguida, entraram na cabana e se entregaram ao amor.

Perto dali, Camus sentia a mão de Milo masturbá-lo devagar... Seus testículos e períneo, logo foram tomados em uma carícia gostosa, quente e ritmada e, os quadris do ruivo foram de encontro à mão grande e forte que o levava a patamares altos de prazer e seus lábios se abriram em gemidos profundos, entremeados pela respiração entrecortada.

Logo, Milo retirou as suas roupas e substituiu a mão pelo próprio corpo, fazendo Camus arquejar, estremecendo com a fricção dos corpos, os músculos se retesando enquanto sua pele queimava pela forma prazerosa como o gladiador o tocava, e se movia contra ele...

— Eu adoro esse seu corpo, ruivo...

Ofegante, Camus dobrou os joelhos, perdendo o controle das próprias reações. Com um gemido rouco, Milo deslizou, lentamente e o ruivo sentiu o hálito quente e úmido seguido por um toque dos lábios na parte interna da coxa. Então Milo começou a subir pouco a pouco até alcançar o falo pulsante, lambendo-o, beijando-o e provocando-o com o roçar dos lábios e nariz.

Camus ergueu os quadris num movimento involuntário e instintivo, se oferecendo por completo. Milo emitiu um som áspero e excitado... Sorrindo, deslizou as mãos por baixo das nádegas de Camus, suspendendo-o e levando a língua até a entrada que se contraía, arrancando gemidos angustiados.

O gladiador se deliciou com as reações de Camus e o jovem, por sua vez, descobriu que seu amante podia ser completamente impiedoso, quase um sádico... Ele usava a língua de um jeito que quase o fazia implorar, os dedos para manipulá-lo prazerosamente, os lábios para fazê-lo arfar e perder-se ao ponto de se questionar até quando suportaria tanto prazer...

Quando por fim, Milo sentiu Camus desesperado para senti-lo, posicionou-se para penetrá-lo. Como se fosse um deus encarnado, Milo tomou o ruivo em seus braços com uma segurança e um sentimento de posse que deixava a sua marca na pele alva. Não havia regras, medo ou hesitação... Camus era seu e ele era de Camus. Nada, nem os deuses, nem a morte poderia destruir o que sentiam um pelo outro.

O ruivo ofegou sentindo-se, totalmente possuído por emoções profundas e, intimamente, ligadas ao significado daquele ato, do que Milo podia tão facilmente provocar dentro dele. Observou-o descer sobre o seu corpo com aquele olhar intenso e afiado que parecia devassá-lo e, ao mesmo tempo, atraí-lo para si, tornando-o seu. Apertou os olhos com força, enquanto sentia o corpo arder e o coração se expandir...

— Milo... – sussurrou Camus num tom baixo e rouco, o sexo ardente levando-o para além do prazer, até o ponto de se sentir indefeso contra ele. Sua pele parecia ter vida própria e seus sentidos tiniam deixando-o com a respiração cada vez mais curta e rápida.

Milo segurou Camus pelos cabelos revoltos e fitou seus olhos. O jovem sentiu uma emoção tão forte e inexplicável que apertou, ainda mais, os olhos... Sentiu lágrimas involuntárias inundar-lhe os olhos e surpreendeu-se consigo. Seria sempre assim?Esse sentimento jamais feneceria?

— Olhe para mim... – disse Milo com a voz grave e enrouquecida pela excitação.

Camus obedeceu e franziu o rosto, embalando-se contra ele... Milo abriu-lhe as pernas com suas coxas e penetrou-o numa graduação excruciantemente lenta e profunda sem deixar de olhar em seus olhos...

Estarrecido pelo choque de prazer e dor, Camus gemeu alto e abraçou Milo com força, sentindo-se ser preenchido e olhado com a luxúria explicita se expandindo nas íris azuis do gladiador.

Emaranhando os dedos nos cabelos e travando a boca nos lábios de Camus, Milo começou a se mover furiosamente dentro dele, tocando-o tão fundo que o jovem gemeu e gritou tomado por fortes ondas que se espalhavam por todo o seu ser, fazendo-o consciente do próprio corpo e o corpo do gladiador como se ambos fossem um só.

O falo do jovem pulsava junto ao ventre de Milo, a fricção triplicando o prazer que sentia com as estocadas e com o calor da pele do ruivo ardendo sobre a sua...

Vigoroso e quase selvagem, Milo continuava adentrando as profundezas do corpo apertado, o falo buscando o ponto prazeroso, enquanto sua boca continuava a beijar e morder, deixando Camus cada vez mais perto do orgasmo.

Músculos ondularam e retesaram, as bocas arfaram juntas e palavras roucas escaparam em meio ao suor. Os quadris se chocavam com o característico som da possessão e da entrega, as peles brilhavam no resvalar erótico, deixando marcas impressas em ambos os corpos...

Camus sentia o orgasmo chegando e seus dedos afundaram na carne rija de Milo. Suas mãos escorregaram pelo suor abundante da pele bronzeada e a presença viril entre as suas pernas o fez sentir-se parte do corpo do gladiador e também, em outras instâncias mais profundas...

Milo sentiu os tremores abaixo de si, a força do corpo de Camus engolindo-o, apertando-o... Em meio ao furor de todo aquele prazer, os dois se abraçaram tão forte que os corpos ardentes pareceram incendiar. Tudo pareceu ficar rubro como o fogo dos cabelos de Camus e, em seguida, tão claro e explícito quanto o olhar de Milo...

Então, um grito abafado e rouco escapou da garganta do ruivo ao ser sacudido pelo clímax violento e Milo tomou sua boca, engolindo o som, apertando-o junto a si, enquanto grunhia e também sentia seu corpo estremecer com fúria e o orgasmo irromper devastador não só no corpo, mas também no coração do guerreiro.

O sêmen abundante inundou o corpo de Camus, assim como o prazer do jovem derramou-se no torso de Milo...

Interno, externo, carne e alma, saliva, sêmen e suor... Os corpos vivenciavam o poder do momento presente, a entrega de quem se deixa possuir e daquele que possui...

Os lábios arfantes e trêmulos se encontraram em um beijo molhado, quente e devorador... Milo deixou-se desabar sobre Camus. Os batimentos do coração de ambos retumbavam, parecendo dois tambores conversando entre si.

O rosto alvo de Camus estava afogueado e, incrivelmente, lindo e relaxado aos olhos de Milo que agora retirava alguns fios vermelhos da testa suada e acariciava-o como se quisesse gravar aquela expressão em seus olhos, em seu coração, dentro de si...

— Camus...

— O que foi? – perguntou o ruivo acariciando o rosto de Milo.

— Amanhã, quando marcharmos para enfrentar Titus, quero que proteja Saga e os outros. Você é um guerreiro formidável e tem duas missões na vida: proteger o físico, mas também as ideias que Saga ousou por em prática. Ele sacrificou muita coisa para perder tudo assim. Ele e os outros precisam de alguém forte para conduzi-los à salvo. — disse Milo pegando uma taça com vinho e estendendo-a para o ruivo.

— Você está querendo dizer que eu não lutarei ao seu lado? — questionou Camus bebendo o vinho oferecido.

— Não, eu estou dizendo que preciso de uma estratégia e de um trunfo contra Titus. Ele quer me matar, mas isso não impedirá a mudança que as ideias de Saga trouxeram. Você é a arma mais fatal que teremos contra ele. Portanto, você não irá batalhar neste primeira investida.

Camus franziu o cenho sentindo o corpo tensionar.

— Você não me engana, Milo. Eu não vou permitir que você enfrente Titus sozinho.

— Eu não estarei sozinho e se você usar a razão da qual tanto se orgulha, verá que eu estou certo.

— Não existe razão que se sobreponha ao que eu sinto por você.

Milo olhou-o intensamente e sorriu.

— Eu sei. Agora descanse.

— Milo... o que você...?

Camus sentiu os olhos se fecharem contra a sua vontade, a imagem de Milo evanescendo, o calor do corpo dele o envolvendo como um manto e... a escuridão.

Milo acariciou a face do amado.

— Viva, Camus e eu viverei em cada ato e palavra sua. Eu amo você. – disse o gladiador e deixou a cabana para encontrar-se com os outros guerreiros.

Dali a algumas horas, amanheceria e o destino de todos estaria lançado.

Notas finais
♥ Agradecimentos a todos que leem, comentam, silenciam, dão aquela espiada no celular, enfim, obrigada pela energia, pela paciência e pelo carinho!!! Até a próxima e tenham uma boa semana!!XD
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.