Amantes de Sangue

8 Capítulo 8 ARROGANTIAE Arrogância


Notas iniciais
Bem, ♥galera amada!! O que dizer? Estou de volta, agora em férias e com tempo para concluir a fic. Peço desculpas pela longa ausência, mas vocês me conhecem e sabem que eu sempre concluo as fics que posto e essa não será diferente. Obrigada pelo carinho, pela paciência, pelas MPs carinhosas me perguntando sobre a fic, enfim, pela presença!! Bjs e vamos lá!♥

“Fugienti superbia infirma

et in specie sit securus!”

(A arrogância é a fuga dos fracos e a máscara dos inseguros)

Venília olhou em volta, a domus de Shion era imponente e os criados pareciam felizes em trabalhar ali. No entanto, ela tinha a missão de envenenar o patrício e assim, abrir caminho para que sua senhora continuasse a ganhar espaço na vida do imperador.

— Seus aposentos ficam ali. – disse um dos criados.

— Aposentos? – perguntou ela, admirada.

— Sim, domini nos mantém em aposentos coletivos, mas confortáveis. – respondeu o jovem de pele cor de oliva.

A escrava sorriu e seguiu a indicação do jovem. Logo, a pequena Júlia surgiu, enfrentando o olhar de Venília e lhe pareceu já ter visto aquela mulher...

— Olá, pequena domina.— disse ela.

— Olá. – respondeu a menina com um sorriso aberto e verdadeiro.

Shion apareceu para dar algumas ordens e logo se retirou. Júlia foi ao seu encontro, recebendo um afetuoso carinho nos cabelos e sorrindo.

— Vovô, podemos brincar de luta com espadas, mais tarde?

A expressão do nobre passou de séria a desconfiada.

— Luta com espadas?

— Sim, quero aprender a lutar, assim posso defender o senhor!

Com um sorriso nos lábios, Shion abaixou-se para ficar no mesmo nível que a neta.

— Eu sou quem tem de defendê-la, minha querida. A você cabe brincar e aproveitar a vida.

— Mas eu quero proteger o senhor que nem o Mi...

Antes que a menina dissesse o nome, Shion levou o dedo, gentilmente, aos lábios dela.

— Você deve descansar, agora. Depois eu pensarei no seu caso, está bem?

Júlia concordou e com os olhos brilhando, percebeu que o avô queria segredo sobre o assunto.

— Sim, vovô. – disse ela.

De longe, Venília observava a cena e experimentava certo constrangimento. Aquele homem, apesar de maduro e de alta posição, agia com ternura, não só com a neta, mas também com seus escravos. Ela o imaginava diferente... Paciência, eu vim aqui para executar uma missão e não para ficar tendo drama de consciência. Sou uma escrava e quero minha liberdade. Tudo tem um preço nesta vida!

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Estava anoitecendo quando, Milo, Camus, Shina e Violate chegaram ao novo esconderijo. Todos já se encaminhavam para a finalização de tarefas a fim de comer e descansar. Aldebaran os recebeu com um sorriso largo e um olhar de admiração. Nunca tinha visto uma mulher daquele porte e com tantas cicatrizes. Estava claro que ela era uma gladiadora e a julgar pela agressividade no olhar, ela era fodona.

Milo desmontou rápido, sendo seguido por Camus, Shina e Violate.

— Deba, esta é Violate. – apresentou o gladiador.

— Seja bem-vinda! – disse Aldebaran estendendo a mão forte.

A gladiadora experimentou uma estranha inquietação ao apertar com força aquela mão grande e quente. Aldebaran continuou sorrindo, enquanto mantinha a mão calejada entre as suas, até Violate puxar a mão e olhar para Shina que estava sorridente por estar entre os seus.

— Você vai gostar de ficar conosco. – disse Shina puxando Violate pelo braço.

Camus olhou para Milo que observava Aldebaran.

— Sabia que ia gostar grandalhão... – disse o gladiador com um tom malicioso.

Aldebaran ficou sério, depois desconversou. Fazia muito tempo que não sentia aquilo dentro do peito. Era um desassossego e, ao mesmo tempo, uma euforia diferente do prazer de lutar.

— Só vou te dar um conselho... – murmurou Milo bem próximo do ouvido do amigo. – Essa aí é jogo duro. Não dá mole com ela.

— Eu sei. Ela é uma guerreira. Seria desrespeitoso subestimá-la.

Os olhos azuis de Milo brilharam e ele abraçou o amigo. Juntos se encaminharam para o pequeno salão improvisado onde as vozes alegres de todos já ecoavam.

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Titus vestiu a cota de malha e tomou o elmo nas mãos. Ele mesmo tomaria a dianteira do ataque ao covil dos escravos fugidos. “Vis aliquid fecerit, facias!” (Deseja algo bem feito, faça você mesmo) repetiu para si mesmo ao olhar-se na superfície espelhada que jazia próxima a parede.

César, estamos sob as suas ordens! – disse um dos generais mais antigos da Legião se apresentando.

— Ponha os homens em forma, Fulvinus! Sairemos assim que eu terminar minhas instruções aqui no palácio.

O general o saudou, enquanto Pandora adentrava a sala com um olhar coberto de admiração.

— Fica muito bem em trajes de combate, César!

— Eu trarei aquele escravo de arrasto e o farei de exemplo!

— Pretende trazê-lo vivo?

— Sim! Vou crucificá-lo em praça pública, desmembrá-lo e mostrar o que acontece a quem ousa me enfrentar!

— Mal posso esperar para vê-lo fazer isso, meu senhor... – sussurrou Pandora acariciando a mão de Titus.

— Espero que quando eu voltar, aquele assunto já esteja resolvido. – disse ele olhando fundo nos olhos violáceos da amante.

— Estará, meu amor... Com Shion morto e o escravo também, seu poder se estenderá além de Roma.

Titus sorriu.

— E você estará ao meu lado. – disse ele tocando-a no seio.

Pandora baixou a cabeça com um sorrisinho malicioso e logo, o imperador a deixou. Ela olhou em volta, imaginando-se domina e imperatriz de tudo. Um dos soldados olhou-a com um brilho de desejo nos olhos, porém quando ela o encarou ele disfarçou. Era uma ousadia imperdoável demonstrar interesse pela amante do imperador e ele o sabia. No entanto, enquanto tentava manter-se ereto e frear a excitação que tomava conta das partes baixas do seu corpo, Pandora se aproximou e fitou-o com visível interesse.

— Acompanhe-me, soldado... – disse ela com um tom sugestivo.

O homem obedeceu, engolindo em seco e, ao mesmo tempo, tão excitado que ficava difícil caminhar.

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Venília se sentia cada vez mais desconfortável naquela imensa casa. Júlia a fitava com tanta intensidade, os olhos escuros e vivos pareciam sorrir a cada ato seu.

— O que foi pequena domina? – questionou ela, enquanto fazia a contagem do estoque de ânforas de vinho no depósito de provisões.

— Seus cabelos... São tão bonitos! Aliás, você é muito bonita, sabia? – respondeu a menina.

A escrava surpreendeu-se com o elogio e corou.

Domina é muito gentil.

— Não gosto quando me chama de domina.

— Por quê?

— Porque não é assim que amigas se tratam. – respondeu a menina fazendo um bico.

— Mas... eu sou uma escrava, pequena domina. Não podemos ser amigas.

— Meu avô não pensa assim. Ele não gosta da escravidão. Então podemos ser amigas! – disse a menina sorrindo e tocando a mão da escrava.

Um pequeno tremor tomou conta da escrava. Aquilo não estava nos planos! Sentir-se acolhida e amada era uma novidade com a qual não estava acostumada.

— Bem, vá brincar um pouco e logo eu me juntarei a...senhora, quer dizer... a você. – falou Venília.

— Eu vou esperar você! – disse a menina e saiu correndo.

Assim que ela deixou a despensa Shion entrou, os olhos verdes fixos na escrava.

— Júlia gostou de você.

Um sorriso trêmulo brotou nos lábios de Venília.

— A pequena domina é muito gentil. – disse ela com a cabeça baixa.

Shion se aproximou e, tocou o queixo da escrava, elevando-o.

— Aqui, todos que trabalham para mim são considerados cidadãos. Como veio parar aqui Venília?

Os olhos de Venília encontraram os de Shion e ela viu a verdade no verde profundo. Aquele homem era diferente de todos os que ela havia conhecido e a constatação fez seu coração apertar e as palavras saírem sem controle da sua boca.

— Oh, domini eu não mereço!

O cenho do patrício fechou-se. Ele conhecia a natureza humana no seu melhor e no seu pior.

— Fale.

— Eu... eu vim à mando da domina Pandora! Ela ordenou que eu o envenenasse! – disse a escrava se prostrando.

— A amante do imperador... — murmurou ele sem demonstrar surpresa.

— Sim, ela mesma. O imperador saiu à caça dos gladiadores fugidos e eu... eu devia livrar-me do senhor.

— E porque mudou de ideia?

— Porque... Porque... eu nunca conheci alguém tão bondoso e justo como o meu senhor! Pode castigar-me, eu mereço! – disse ela com o rosto banhado em lágrimas.

— Levante-se. – disse Shion no mesmo tom sereno. – Não vou castigá-la.

— Não?

— Não. Vamos fazer o seguinte... – disse ele e logo, um novo plano foi revelado à escrava que sorriu e acreditou que os deuses, finalmente, lhe sorriam.

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O amanhecer no esconderijo despontou ao som de gládios se enfrentando. A rotina de exercícios era feita antes do desjejum. Milo e Camus davam instruções e lutavam em conjunto, aprimorando golpes e mantendo a forma.

Violate observava até Aldebaran se aproximar.

— Me daria a honra de uma luta? – perguntou ele.

A gladiadora olhou-o de cima a baixo. Com um discreto sorriso, pegou o gládio de madeira girando-o num movimento de pulso.

— Vamos ver de que material você é feito, gladiador.

Ao término da frase, Violate atacou com força, fazendo Aldebaran recuar um passo. O grandalhão sorriu e avançou com tudo, as espadas criando uma coreografia de sons abafados de madeira.

A gladiadora se movia como uma predadora, atacando Aldebaran com uma agilidade impressionante. O longo cabelo avermelhado e trançado movendo-se como um chicote, enquanto ela brandia a espada com uma força que se equiparava a de um homem.

Aldebaran exultou, concentrando-se na luta. Sob o sol da manhã, o corpo rijo de Violate revelava suas habilidades de batalha, os músculos firmes e definidos recobrindo o corpo feminino. Por alguns segundos, o gladiador se viu preso àquela beleza singular e isso quase lhe custou a luta. Com um grito de guerra, lançou-se sobre ela desarmando-a, mas ainda assim, recebendo um chute baixo que o fez recuar, novamente.

Milo observava a luta com a sobrancelha elevada, enquanto Camus permanecia com o semblante impassível de sempre.

Violate rolou pelo chão recuperando a espada, porém Aldebaran não lhe deu tempo de organizar o golpe. Precipitou-se com a espada apontada para o ombro da gladiadora que esquivou golpeando-o no flanco. Rapidamente, o gladiador se recuperou e tornou a atacar, agora com vigor renovado.

Nenhum dos dois dava sinais de cansaço e, em certo momento, pareciam divertir-se juntos como se descobrissem uma intimidade de batalha, uma linguagem particular que os tornava tão próximos como se fossem amantes.

Minutos se passaram até as respirações se tornarem ofegantes e o suor escorrer por ambos os corpos.

— Acho que o Deba achou uma parceira de cama... – murmurou Milo.

— O que o faz pensar nisso agora? Os dois estão lutando forte e nenhum quer perder para o outro. – falou Camus.

— Por isso mesmo... Quanto quer apostar que os dois vão ficar com tesão depois de se enfrentarem deste jeito?

— Você não tem jeito, Milo. Tudo para você se resume em sexo.

— Nem tudo.

Camus franziu o cenho com um olhar descrente.

— Só o básico. – completou o loiro sorrindo.

Alheios aos comentários, Aldebaran e Violate continuavam golpeando até que um sino foi tocado, interrompendo a luta dos dois. Era Saga e, ao lado dele, estava um menino franzino que parecia assustado.

— O que foi? – perguntou Milo.

— Este jovem trouxe uma informação importante. – falou Saga. – Titus convocou as legiões e ele próprio está no comando.

Um murmúrio se espalhou com a notícia. Com tantos homens, o imperador demoraria, no máximo, uma semana para chegar até ali. Era preciso decidir uma estratégia de combate de imediato.

— Milo, Camus! Reúnam os homens no salão!

— As mulheres também. – gritou Violate, sendo seguida por um coro de vozes femininas adultas e infantis.

Saga sorriu.

— Sim, as mulheres também.

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Uma chuva fina caía, intermitente, enquanto as legiões avançavam pela mata. Pelos cálculos dos generais, o esconderijo dos escravos fugidos não poderia ser muito longe daquele que fora destruído. Certamente, eles teriam avançado rumo à montanha e estariam em alguma reentrância das muitas cavernas dispostas ali. O percurso levaria sete dias com tempo bom, porém com aquela chuva demoraria um pouco mais.

Titus cavalgava em silêncio, observando cada detalhe e ruminando as muitas formas que teria para fazer Milo e os outros pagarem pela afronta que lhe fora causada. Pensou em Pandora e seu corpo feminino e quente, sem sequer imaginar que, naquele momento, ela estava nos braços de um de seus soldados e gemia deliciada, enquanto era penetrada com força e beijada com ardor.

— Fulvinus, vamos parar. Mande os homens erguerem minha tenda e depois reúna os outros generais.

— Sim César!

A tenda foi erguida e vinho foi trazido. Os generais se reuniram em volta do mapa e Titus marcou os pontos onde os destacamentos ficariam de prontidão. Forçaria os escravos a descer a montanha e os esperaria em terreno aberto para caçá-los.

Fulvinus olhou as marcações, reconhecendo algumas propriedades dos nobres. Alguns dos generais seguravam o queixo, outros disfarçavam a vontade de perguntar... Ele, porém, não tinha medo. Era amigo do imperador há muitos anos, haviam lutado juntos e tinham a mesma visão.

César, algumas destas propriedades pertencem aos patrícios. Creio que a situação se tornará delicada se nossa presença for imposta sem aviso. – disse ele.

— Eu sei. Por isso vou enviá-lo à frente, Fulvinus. Leve meu selo e diga que é o imperador quem requer ajuda para acabar com estes escravos. A existência deles ameaça o poder de Roma!

Fulvinus bateu no peito, os outros acompanharam a saudação de lealdade. Depois, todos beberam vinho e foram descansar. A chuva se intensificou e tudo mergulhou na densa umidade que se infiltrou na floresta.

Titus deitou-se na esteira e ficou olhando para o teto da cabana. O sono abateu-se sobre ele do mesmo modo que a chuva se lançava sobre a lona.

E na escuridão, o sonho se fez tão intenso que se impôs a realidade vivida. Nele, seus filhos sorriam e dançavam... Estavam felizes e isso o deixou feliz também. Afrodite exibia os dentes alinhados e brancos, enquanto Albafica apenas acenava e tocava o chão com delicadeza, parecendo colher estranhas e belas flores...

Então o cenário lúdico se transformou, seus filhos estavam com as vestes manchadas de sangue e o chão coberto com ossos e crânios! O sangue vivo emergia deles e vertia rubro e abundante cobrindo o chão. E, de repente, não havia mais chão, nem mesmo os seus filhos, havia apenas sangue...

César!

O chamado o despertou de forma abrupta. Titus levantou-se, levando as mãos aos cabelos já não tão fartos. Bebeu um gole de vinho e abriu a porta da tenda. Ainda estava escuro e a umidade tornava a respiração um tanto difícil.

— O que foi? – perguntou ele.

— O rio está enchendo depressa. Vamos ter que levantar acampamento e ir para um lugar mais alto. – disse o soldado.

O imperador juntou suas coisas e logo estavam se deslocando para um local mais elevado. Quando o acampamento foi, novamente montado, Titus deitou-se, novamente, mas não dormiu. O sonho o deixara inquieto e os pensamentos se tornaram fardos que preferiu ignorar.

Era o imperador de Roma, o seu deus encarnado! Que os sonhos rastejassem de volta ao submundo de onde tinham vindo! Repetiu para si mesmo, enquanto inspirava fundo e abria a porta da tenda, observando que a chuva permanecia forte e regular.

Fulvinus juntou-se a ele, estendendo a ânfora com vinho.

— Um pequeno desvio, César. Isso o aborrece?

— Não importa. Logo terei a cabeça daquele gladiador em minhas mãos.

— Os deuses estão do nosso lado. – disse o general tomando um gole de vinho.

— Assim espero, general. – respondeu o imperador com o olhar fixo na escuridão.

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Shura tocou em seu tórax, o ferimento fechara e a fisgada de dor diminuíra consideravelmente. Estaria pronto para o combate em um ou dois dias. Olhou para o lado e viu sua espada e vestimenta dobrada sobre um banco improvisado. Fechou os olhos e sentiu o cheiro dele. Afrodite possuía um aroma peculiar em sua pele... Quando estava febril sentira o toque suave e gentil das mãos dele e as imaginara em outro contexto... Maldição! Precisava esquecer, sepultar em sua mente e em seu coração aquele sentimento absurdo!

— Saga está chamando os homens, centurião. –falou Afrodite.

O chamado trouxe-o de volta a realidade.

— Obrigado. – disse, simplesmente.

Afrodite se aproximou olhando-o com atenção. Verificou as ataduras e sorriu.

— É, creio que já está quase bom.

Shura encarou-o, mergulhando naquele azul cristalino que o fitava.

— Devo isso a você.

— Não, deve ao meu irmão. Ele é quem selecionou as ervas para curá-lo.

— Mas foi você quem cuidou de mim.

— Eu lhe devia isso, centurião.

— Então agora estamos quites. – disse Shura se aproximando e estendendo a mão.

Afrodite sorriu e o coração de Shura palpitou.

— Sim, estamos. – disse o loiro apertando a mão estendida e se afastando. – Titus está vindo com as legiões...

— Ele não vai parar até subjugar a todos e crucificar Scorpionis. Mas, você e seu irmão podem escapar.

Uma risada sarcástica brincou nos lábios de Afrodite.

— Nós dois seremos os primeiros a morrer, centurião. Somos a prova irrefutável que o imperador tem fraquezas.

— Ele precisa de um descendente varão. Mesmo sendo bastardos, você ou seu irmão terão a chance de herdar o poder, se ele os reconhecer.

— Shura... Shura... para um centurião, você é muito ingênuo. Titus nunca reconhecerá que fodeu com uma mulher casada. Ele tomará Pandora e a transformará de vadia em imperatriz! Terá filhos com ela e, mesmo sem saber se são seus ou de um soldado qualquer, ele os colocará como seus sucessores com muito orgulho.

Seu nome pronunciado naquele tom quase sussurrado fez o general sentir uma fisgada no baixo-ventre.

— Como pode ter tanta certeza?

— Porque homens como Titus são previsíveis.

— Homens como ele? Me parece que você aplica este conceito a todos os homens.

— Todos não. Alguns permanecem um mistério... – disse o loiro piscando o olho e deixando o aposento.

Shura levou a mão aos cabelos desalinhados e suspirou. Tinha de manter o foco e parar de devanear cada vez que ficava próximo ao loiro. Olhou, mais uma vez para o seu uniforme e então se encaminhou para o salão.

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Hyoga conversava com os meninos quando Shun se aproximou. Os olhos azuis do loiro brilharam de encontro ao verde intenso do amante.

— Eu gostaria de aprender a lutar. – disse Shun.

— Posso ensiná-lo, mas...

— Mas o quê?

— As coisas estão andando rápido, Titus está a caminho com as legiões. Não dá para aprender em tão pouco tempo.

— Eu só quero me defender.

Hyoga sorriu.

— Está bem, depois da reunião vamos treinar um pouco.

Shun sorriu e Yohma olhou-o com piedade. Era mais jovem que aquele nobre e, no entanto, estava mais preparado para a vida que ele. Olhou para o lado vendo Verônica treinar com Shina e sorriu. A menina estava desenvolta e manejava a espada com garra. Correu os olhos pelo corpo mignon e notou que os seios dela já despontavam sob a túnica de algodão. Sentiu uma excitação que fez secar sua boca. Ultimamente se sentia estranho perto dela, mas conseguia disfarçar. Então desviou os olhos dando de cara com Mu que lhe tocou o ombro.

— Vamos, Saga já nos espera no salão. – disse o gladiador.

O garoto sorriu e, olhando novamente na direção das mulheres, gritou para Verônica:

— Ei, vamos! Estão chamando todos os guerreiros.

Shina olhou para a companheira de luta e sorriu. Verônica fitou Yohma e assentiu com um movimento de cabeça.

— Ele gosta de você. – disse Shina próximo ao ouvido da menina.

— Somos apenas amigos. – respondeu Verônica sentindo o rosto quente.

— É assim que começa... – completou Shina e a menina percebeu que também gostava muito de Yohma.

— Shina, eu... não sou bonita, mas...será que...

— Ele gosta de você! O amor não se prende às aparências.

— Amor?!

— Sim, amor. Agora, vamos, depois tornaremos a falar sobre esse assunto.

Verônica assentiu e olhou na direção do garoto. Na mesma hora ele também olhou e ambos sorriram meio sem jeito.

No salão, Saga colocou todos a par dos últimos acontecimentos e Kanon traçou estratégias para proteger o esconderijo.

— Vamos descer a montanha e interceptar as legiões. Faremos isso em pequenos grupos com o objetivo de dispersar as tropas. Não podemos enfrentá-los em bloco. – disse o general.

— Mas, talvez seja isso que Titus espera. – disse Camus e todos os olhares se voltaram para ele.

Kanon era um general experiente, assim como Shura. Os dois franziram o cenho, mas reconheciam a capacidade do ruivo em analisar toda e qualquer situação com um olhar bastante aguçado.

— Explique Camus. – disse Saga.

— Titus trouxe as legiões para nos encurralar, mas sabe que estamos fortificados na montanha. Avançar em nossa direção pode custar muitos homens. No entanto, se nos atrair para campo aberto, mesmo em pequenos grupos, ele terá a chance de separar-nos e lançar as legiões sobre nós em grande número.

— Sim, essa hipótese é válida. Mas nós deixaremos que eles pensem estar com a vantagem. Enviaremos grupos de assalto e os atrairemos a determinados locais. Vamos preparar armadilhas e desfalcá-los. – disse Kanon.

— Com a chuva Titus deve ter escolhido um lugar alto para acampar. Podemos esperá-los descer e então atacar. – falou Shura.

Os olhares se concentraram no centurião e Kanon se aproximou dele.

— Fico feliz que esteja recuperado, general. Sua experiência será de grande ajuda.

— Titus é um ditador. Terei um imenso prazer em impedi-lo de permanecer no poder.

Urros de vitória ecoaram no recinto. Porém, Milo permaneceu quieto e pensativo. Derrotar Titus não era, apenas, uma questão de vingança. Significava, acima de tudo, a segurança de seus amigos, de seu avô e também da pequena Júlia.

Camus notou a sobriedade na expressão do amante.

— Sei o que está pensando. – disse o ruivo.

— Sabe? Então me diga. – desafiou o loiro.

— Tudo isso adquiriu um sentido maior, não apenas uma revanche. – respondeu Camus com serenidade.

Milo sorriu. Sim, Camus o conhecia bem. Talvez, até melhor do que ele próprio se conhecia.

— Vem cá. – disse o gladiador puxando o ruivo para um canto.

Ali, na semiescuridão, Milo puxou Camus contra si e beijou-o com avidez. Os lábios grossos cobriram a boca do ruivo e Camus se rendeu ao ataque, devorando a boca de Milo com fervor. Quando as bocas se afastaram, Milo acariciou o rosto do amado com ternura, mas também ansiedade.

— Eu te amo, Camus e vou te amar até o pós-vida.

— Eu também te amo, Milo... hoje e sempre.

— Ei, Kanon está chamando vocês dois. – falou uma voz grave e alegre.

Os dois olharam na direção do som, vendo Aldebaran observá-los com uma expressão cúmplice.

Milo estendeu a mão ao amigo.

— Vamos lá. E... Deba, não deixa passar a chance. Aquela mulher é a sua alma gêmea.

— Eu sei, só espero que ela concorde. – respondeu o gladiador com um sorriso largo.

Milo cochichou algo e Camus revirou os olhos, enquanto Aldebaran soltava uma gargalhada.

Quando todos foram esclarecidos do seu papel no esquema de ataque, Saga elevou um cálice com vinho e falou bem alto:

— Nós não tememos a morte! Somos homens livres e se temos de morrer, acolheremos a morte com honra! No entanto, antes de nos encaminharmos ao nosso destino, vamos celebrar a vida, a liberdade e o prazer! Hoje, senhores e senhoras, vamos pedir que Baco nos honre com sua sagrada presença!

Todos elevaram copos e gritaram em uníssono. Dali a algumas horas enfrentariam as legiões de Titus e estariam de frente com a morte. Porém, antes disso, celebrariam a vida que pulsava em seus corpos e corações.

Notas finais
♥ Agradecimentos a todos que passam por aqui, que favoritam, recomendam, comenta, silenciam!!! Bjs a todos e muito, mas muito ♥OBRIGADA! SEMPRE!