Amante Recuperado
1 Capítulo 1 - Olhos verdes
Notas iniciais
JackieW
Após a morte de Welsie, Tohrment se fechou em sí mesmo, como se fosse uma concha. Seu sofrimento era palpável, nada do que os irmãos fizessem para ajudá-lo agia como atenuante ou apaziguava aquilo que sentia. Nem mesmo John, conseguiu aplacar a sua dor. O ódio que sentiu pelos redutores era imenso, mas nem a necessidade de vingar a morte da amada e seu filho, fez com que ele reagisse. Resolveu ir embora e não voltar mais, ou até poderia voltar, mas precisava de um tempo para tentar melhorar as suas feridas emocionais. Como ele poderia comandar a irmandade, se não conseguia comandar sua própria mente, seu corpo? Tudo era cinza, nada para ele parecia ter mais cor. A morte da sua companheira, sua amada, tudo era terrível!
Um belo dia, depois de achar que já havia sofrido tudo e um pouco mais, voltou para a irmandade. A felicidade dos irmãos ao vê-lo era tão grande, que resolveram ir ao Screamer’s comemorar. Foram todos, inclusive Wrath, que nunca abandonava Beth por nada desse mundo! Entraram no salão escuro do Screamer’s. A fumaça e a musica alta do rock pesado o trouxeram um clima familiar, tantas vezes estivera com seus irmãos em situações semelhantes! Caminharam juntos rumo a uma mesa que havia num canto escuro, e se sentaram escarrapachados. Uma garçonete morena e alta se aproximou deles, mascando um chicletes de forma displicente, e como sempre faziam, se insinuou para eles. Anotou cada um dos pedidos e olhou para ele de forma interrogativa, resolveu pedir uma vodka pura, queria alguma coisa forte.
Enquanto os amigos conversavam no costumeiro tom de voz alto, Tohrment olhou em volta como se tentasse descobrir alguma coisa de diferente naquele lugar. A última vez que esteve ali, a fumaça de cigarro era densa, e assim permanecia, o amontoado de pessoas também, de fato tudo ali estava do mesmo jeito, apenas ele havia mudado. Ao passar os olhos por um dos cantos, sentiu sua atenção ser atraída por uma massa de cabelos extremamente vermelha. Forçou um pouco a vista, tentando perceber melhor através da neblina a quem pertenciam aqueles cabelos.
De repente a pessoa se virou lentamente como se percebesse que estava sendo observada, e o encarou. Os olhos da mulher afundaram nos dele, verdes, vivos e brilhantes, pareciam invadir o seu ser, pareciam sorrir para ele. Ela era tal qual um felino, enfeitiçando-o, pronto para dar um bote sobre ele. Um sorriso enigmático surgiu em seus lábios, brincando sensualmente com ele. Tohr balançou a cabeça, tentando se libertar do magnetismo que o olhar daquela fêmea provocava nele.
Sem pensar, ele voltou o rosto para os amigos, e tentou com todas as suas forças, prestar atenção ao que diziam, mas os olhos verdes faiscantes e extremamente sensuais não saíam da sua cabeça, e sem querer voltou a olhar na direção onde a mulher estava, notando que ela permanecia na mesma posição de antes, os olhos verdes presos nele. Por Deus, quem era aquela fêmea? O que afinal ela queria com ele?
Resolveu então dar uma ida ao banheiro, passar uma água no rosto, afastar aquele .... aquele.... rosto da sua cabeça! Tohrment levantou num ímpeto fazendo com que a cadeira caísse no chão, e sem dar importância ao fato, caminhou rapidamente em direção ao toalete sem olhar em volta, não queria vê-la novamente. Empurrando algumas pessoas que estavam paradas na porta do sanitário, entrou irritado indo direto para a pia e abriu a torneira, enfiando a cabeça debaixo da água. Levantou o rosto e encarou seus olhos azuis escuros no espelho, mas os malditos olhos verdes estavam ali, presentes, nunca o abandonando. Raios!!! Raios!!! Fechou os olhos com força, não queria nada nem ninguém em sua vida além de sua Wellsie.
Sentiu então que mãos o abraçavam por trás, e subiam lentamente desde a sua cintura até o seu peito, pressionando-o. O rosto mantido preso às suas costas, mostravam a ele a estatura pequena de quem o abraçava. Sentindo-se estremecer com o toque quente em seu corpo, Tohrment abriu os olhos e mirou seu corpo no espelho, assustando-se com as pequenas mãos que apertavam os músculos do seu tórax. Virando-se de uma vez, ele fez com que a pessoa se afastasse e o encarasse. Novamente os olhos! Era ela!
Ele a fitou de baixo até em cima assustado. A fêmea possuía a pele bem clara, chegava a ser translucida de tão pálida, nos pés usava um coturno negro e trajava uma mini saia de couro preto, camiseta preta cujos seios apareciam fartos no decote profundo e por cima uma jaqueta de couro negra. Os cabelos muito vermelhos caíam fartos em cachos pelos seus ombros. Os olhos verdes, verdes e intensos e enigmáticos. Era ela linda!
A garota continuava a encará-lo sem se importar com a sua estupefação. O cheiro claro e intenso de sua excitação invadiu os seus sentidos, deixando-o entorpecido e extremamente duro. Após um tempo fitando seus olhos, ela se aproximou dele como um felino, seus passos eram lentos e leves. Tohrment estava completamente embriagado por aquela fêmea, totalmente preso nela. Ela veio até ele, e pegando forte em seus braços musculosos, deslizou lentamente em direção aos ombros e nuca, seus pequenos dedos trançaram em seus cabelos negros e curtos, fez isso sem desvencilhar seu olhar do dele por um só instante.
Ficando na ponta dos pés, ela aproximou seu rosto do dele, e colou seus lábios. O calor daquele contato fez com que ele se sobressaltasse, foi como se ele levasse um choque de 10000 volts, mas o susto não o deixou desviar dela, muito antes pelo contrário, seus dedos afundaram naquele mar de cachos vermelhos a puxando ao seu encontro. Seus lábios se entreabiram automaticamente, permitindo que suas línguas se envolvessem, procurando um ao outro, explorando suas bocas sedentas. A boca da fêmea era delicada, seu sabor delicioso, ao mesmo tempo doce e picante. O aroma que vinha dela demonstrava claramente o que ela sentia: desejo. O odor da excitação da fêmea o tomou por completo, sentiu-se livre, sua mente se desanuviou. Tohr inclinou seu rosto ampliando o contato de seus lábios e suas línguas. Prendeu uma das mãos em seus cabelos enquanto a outra desceu para a cintura dela. A mão grande de Tohr trouxe-a para mais perto, pressionando-a em seu corpo rígido pela excitação. O membro pronto para afundar-se nela e senti-la em volta de si, sentir seu calor intenso envolvendo-o, esmagando-o.
Tohrment se perdeu naquele beijo, era um misto de luxuria e descoberta. Ele então agarrou nas coxas da garota, levantando-a e levou-a até a bancada da pia, apoiando-a. Abriu automaticamente suas pernas e entrou no meio delas, agarrando em seu traseiro, fazendo com que seu sexo ficasse colado ao dela, roçando violentamente em sua intimidade úmida. O beijo se aprofundou mais, Tohrment não só devastava a boca da garota, como também agarrava um de seus seios pela abertura do decote. Ele apertou o bico turgido com força, fazendo com que ela gemesse em sua boca.
Sua cabeça estava um turbilhão, já não pensava em mais nada, a não ser tomá-la para si. Abandonou seus lábios e mergulhou em seu pescoço, sentindo o cheiro do sangue dela, imediatamente suas presas se expandiram, arranhando o alvo pescoço, ele ia tomar dela, beber seu sangue picante. Sua vontade naquele momento era cravar seus dentes na fêmea e sugá-la, enquanto seu membro afundava profundamente naquela carne cheia de luxuria, naquele sexo ensopado de desejo por ele.
Tohr estava perdido, nunca havia beijado e nem tocado ninguém que não fosse sua Wellsie..... Wellsie, sua companheira, seu único amor! A lembrança da amada o fez despertar para o que fazia. Ele não..... podia! Não! Ele não podia trair a lembrança da única mulher a qual havia amado com todo o seu ser, sua alma! Afastou a fêmea de si, puxando seus braços de seu pescoço com violência, e saindo dali.
Mas era realmente muita ousadia! Como ela teve a audácia, a ousadia de tocá-lo? Pior, como ELE, Tohrment, o vampiro mais controlado e dono de suas ações, tinha tido a coragem de beijar e principalmente, sentir o que sentiu por outra fêmea que não fosse Wellsie? Ele ia beber seu sangue, ia..... ahhhhhh......estava tudo errado! Passou as mãos pelos cabelos curtos completamente fora de si, irritadíssimo com aquela situação absurda, furioso com seu corpo, com sua mente.
Ao chegar à mesa, Rhage olhou para ele e deu um sorriso. Como sempre percebeu que havia alguma coisa no ar e soltou uma das suas pérolas habituais.
-Está suado Tohr, andou se esfregando por ai? Tá na hora mesmo de botar toda a energia de macho prá fora!
-Não enche Rhage! – respondeu ríspido.
-Ihhh... calma! Vamos bebe ai a sua vodka, acho que tá precisando! Hummm... mas me diz, morena, loura ou .... ruiva? — Rhage olhou para o lado do bar, fazendo com que Tohr arrepiasse por inteiro. Olhou para o irmão e viu que ele inclinava a cabeça para aquele lado, indicando-lhe alguma coisa. Seu coração deu um salto ao perceber os olhos verdes que tanto o assombravam em cima dele. Sem pensar em mais nada, pegou a garrafa de vodka, encheu o copo novamente e virou de uma vez o liquido na boca, engolindo-o em seguida.
-Pelo visto ela mexe com você! Não me surpreende, ela me parece uma bomba de sexo, pronta para explodir!
-Fica calado ao menos uma vez Rhage!
-Bom, eu se fosse você pegava ela antes que V. o faça, sabe como ele é, e sabe também o que ele pode fazer com ela!
-Quantas vezes vou ter que te mandar fechar a matraca Hollywood? — Tohr trincou os dentes tentando conter seu nervosismo.
Rhage levantou os braços em sinal de rendição, ele não ia dizer mais nada sobre aquilo, mas sabia que o irmão estava louco pela fêmea, era só uma questão de tempo, e ela seria dele. Tudo bem que ele não tinha as visões de Vishous, mas sabia que Tohrment estava com os quatro pneus arriados pela mulher. Tohr fechou a cara e abaixou a cabeça, concentrando-se na bebida, não ia mais olhar para aquela garota, apesar dos intensos olhos verdes não lhe saírem da mente, por mais que bebesse.
Depois de um tempo infindável, Tohr conseguiu que os irmãos se levantassem e fossem embora. Tá certo que eles estavam felizes com seu retorno, e gostaram de sair para comemorar, como nos velhos tempos, mas a presença daquela fêmea estava impossível de tolerar por mais tempo. Todos haviam bebido bastante, e a “felicidade” reinava entre eles, que gritavam e pulavam como se fossem crianças, até Butch parecia um idiota. Antes de entrar no Escapade, foram surpreendidos com o cheiro forte de talco de bebê, redutores, Tohr respirou fundo tentando segurar a raiva e o ódio que sentia deles.
Cada um deles se afastou preparando-se para o ataque. Rhage como sempre, partiu para cima dos redutores, a ponta do seu casaco enorme se agitando com o vento que batia sobre ele. Wrath voou sobre outro, sua adaga em punho. Vishous, Zadist e Phury atacou o outro grupo, enquanto Butch correu e se escondeu em um canto afastado.
Tohrment olhou em volta, sentia que havia alguma coisa estranha naquele ataque. De repente sentiu que alguém pulava sobre ele, imobilizando-o, rodou o corpo no ar, dando um golpe no homem e lançando-o longe, mas não ficou muito tempo livre, dois outros avançaram para ele, mantendo-o preso junto ao piso do estacionamento. Ouviu um clique de uma pistola, tentou se soltar, mas o pé sobre suas costas o impediu de fugir. Fechou os olhos e esperou pelo disparo, rezando para que o redutor fosse rápido, porém não foi o que aconteceu, a pressão que as criaturas faziam sobre ele, cessou. Tohr abriu os olhos e viu uma mancha vermelha e preta rodando em volta dele, os redutores voavam de um lado ao outro, sendo mortos um a um. Ele se levantou lentamente tentando entender o que acontecia, e quando o borrão finalmente se desfez, ele percebeu os grandes olhos verdes que o haviam deixado desconcertado, novamente sobre ele. Ela tinha salvado a sua vida!
Fale com o autor