Notas iniciais
Demorou, mas finalmente a inspiração voltou aos poucos.

Althea e Melyane haviam acabado de chegar do Outro Lado e assistiam ao noticiário local junto com Leila, ja que Kelly e Gabriel foram cuidar da vampira.

Uma espécie de interferência atingiu rapidamente a televisão, uma lufada de ar entra na sala, com força, nenhuma das três entendia o que estava acontecendo, ate que Melyane cai desacordada no chão.

– O que aconteceu?! _ Leila correu até Melyane.

– Você nunca veio a Terra, não é? _ Althea perguntou calmamente.

– Não! O que aconteceu com ela?!

– Foi chamada de volta. _ Althea acercou-se do corpo e olhou Leila como se nada houvesse acontecido.

– Como assim?! Ela está responsável por uma missão, não pode ser chamada de volta!

– Não devia, mas para levarem ela assim deve ter acontecido algo algo lá em cima.

– Então se ela foi, Gabriel também foi?

–Talvez, Não temos como saber agora. Não era o que Leila queria ouvir, mas não podia ir contra Althea.

–Por que o corpo não sumiu?

– Porque arrancaram ela dele. Melyane não teve tempo de tomar de volta aenergia do corpo.

–Então ela está fraca. Espero que esteja bem.

Althea somente concordou com movimento de cabeça.

–Vamos por o corpo na cama.

Leila pegou o corpo inerte e extremamente leve nos braços quando ouviu o primeiro estalo.

O som pegou as duas de surpresa, olhando em volta não conseguiram ver nada que pudesse causar o estalo ouvido. de duvida continuou ate que Leila sentiu um tremor em seus braços.

O corpo sem vida tremia e estalava conforme algumas pequenas rachaduras se formava na pele exposta.

– O que é isso?!

Althea não conteve o medo crescente.

– O corpo não está conseguindo reter a energia dela. _ a preocupação tomou conta do ambiente.

– O que isso significa? _ Leila beirava o pânico.

– Um Arcanjo sem energia não serve para nada, sem poderes, literalmente inútil.

– A energia não volta para ela?

– Não, o céu é inalcançável até para a energia de um Arcanjo. O corpo se rompe como um vaso e a energia se dissipa de forma violenta.

Lassiter chegou correndo ao hospital, tamanho foi seu nervosismo que ele não pensou em tomar forma apenas próximo ao hospital.

O mar de repórteres de todos as partes do estado se amontoavam tentando passar pela guarda policial montada às portas da Emergência. O Anjo soube que era grave somente pela quantidade de homens fardados dentro e fora do lugar, dava para sentir a tensão de cada um.

Andou de um lado para outro na recepção esperando a moça sentada atrás do balcão chamar o Dr. Manello. Quando o médico apareceu Lassiter havia decidido que nunca mais olharia tanto o relógio, os dez minutos que o doutor demorou para chegar pareceram

horas. Quero vê-la. _ a pressa não surpreendeu Manelo.

– Não pode. _ o semblante calmo do médico deixou Lassiter mais nervoso.

– Por quê? Ela me mandou uma mensagem,

disse que estava bem. Fui à casa dela, mas não tinha ninguém. _ os olhos do médico

fixados no chão denunciaram algo errado.

– Manuel se quiser que a Payne veja sua cara inteira novamente, sugiro que comece a falar.

Após um pesaroso suspiro o doutor começou a falar.

– Ela levou um tiro que acertou o fígado, perdeu sangue demais e está sendo submetida a uma cirurgia para conter a hemorragia. A bala já foi levada pelos peritos. O melhor que pode fazer é se acalmar e esperar.

O médico saiu deixando oculto que Taylor talvez não saísse viva dessa operação.

O Anjo permaneceu parado, alheio aos ruídos e movimentos a sua volta.

Melyane acordou sentindo-se fraca, não lembrava de ter subido, mas lembrava da dor de ser arrancada de sua forma humana, parecia que a esquartejavam viva e sabia quem poderia ter feito aquilo.

Levantou-se com muita dificuldade, movida inteiramente pela vontade de saber a razão de tal atitude. Por onde passava, o Arcanjo era olhado com espanto, mas estava focada demais para se importar.

Depois de sentir que havia andado por horas, Melyane chegou a um campo verdejante, florido e arborizado, cortado por um riacho límpido, viu Miguel junto a um Querubim na margem oposta. Pôs-se a andar em direção a eles e logo sentiu seus pés fracos e doloridos tocarem a água cálida.

– Melyane! Devia estar descansando! _Miguel dispensou o Querubim com um gesto rápido e logo estava junto a Melyane.

– Por que me trouxe de volta? Sabe que devo ficar lá! Tenho uma missão lá! _ela tentava gritar com ele, mas sua voz soava fraca.

– Preciso de você aqui minha irmã. Teremos o conselho em pouco tempo.

– Conselho?! Me arrancou da Terra por um conselho Miguel?! Eu...

– Lassiter será castigado. _ ele a interrompeu.

– Por quê? O que ele fez de tão grave que justifica você me arrancar de lá dessa forma?! Acha que por a mim e dezenas em risco vale a pena por um mero castigo Miguel!?

– Nosso Pai não poupou de duro castigo os anjos que desceram para se relacionarem com humanas e com ele não será diferente! _ pela primeira vez Miguel levantou a voz para Melyane.

– Lassiter caiu, ao menos uma vez em toda a existência dos dois, deixe ele em paz.Esquece esse conselho e me deixe voltar! _ Melyane deu as costas ao irmão e seus pés novamente tocavam a água quando a verdade lhe foi revelada.

– A punição a ela ja foi dada, não podemos parar agora. Se que o ama, sei que somos irmãos, mas ele falhou conosco e isso não será aceito.

Não era preciso virar-se para saber que Miguel mal continha sua fúria e ela tiraria vantagem disso se assim conseguisse voltar.

– O que sinto emanar de você é ira irmão? Ahh, Miguel, olhe a sua volta, a mais perfeita ordem de maravilhas se concentra aqui e você pensa em guerra e exala sua ira sempre que possível.

– Está sendo injusta irmã. Eu não faço o que diz. _ a voz dele era límpida e calma, contrariando o que ela podia sentir vindo dele.

– Pois pensemos juntos agora, se eu fico aqui e apoio essa demonstração de poder desnecessária minha energia na Terra se dissipa e matará dezenas naquele lugar. Sem minha energia eu sou um fardo inútil, não poderei fazer nada mais que não seja esperar que o tempo passe e o que restou de minha força renasça. Agora me diga Miguel, prefere guerreiros ou fardos? _ ela sabia que suas palavras tirariam a chance de ele argumentar, desde que Lúcifer fora banido, Miguel queria Anjos guerreiros e Arcanjos cada vez mais preparados e poderosos, ele não aceitaria que justo ela ficasse sem sua energia.

– Vá embora se é o que quer. _ Melyane não esperou que ele pensasse em algo diferente e pôs-se a andar, mas a voz dele interrompeu seus passos. — Mas vá sabendo que com ou sem sua ajuda, Lassiter será castigado, assim como a humana.

Malyane permaneceu parada por pouco tempo e logo voltou-se para ele obviamente surpresa.

– O que você fez?!

– Eu sinto muito irmã, mas não pode ir. Ainda não.

Kelly e Gabriel ja não tinham nada a fazer pela vampira ainda desacordada, o mal dentro dela lutava bravamente com a força dos Anjos pelo controle daquele corpo. Gabriel não entendia o seu dever naquele lugar, ajudar vampiros, ajudar uma raça pagã e descrente em seu Pai, ele se sentia um traidor dos ensinamentos que tivera desde o início dos tempos.

– Gabriel, está tudo bem irmão?

O Arcanjo tremia e envolvia seu corpo com os braços, preocupada, Kelly tentou se aproximar quando o grito de Gabriel ecoou forte pelo lugar e uma onda de força espalhou-se a partir dele, os pássaros voaram assustados e Kelly foi lançada com brutalidade contra as pesadas portas dos aposentos da deusa vampira.

Quando conseguiu se levantar, viu que Gabriel estava caído no chão, imóvel. Não precisou se aproximar muito para que visse as rachaduras pelo corpo, nem passou muito tempo ate aquela fora inerte se contorcesse e convulsionasse, Kelly correu para as portas que se abriram repentinamente e a deusa vampira apareceu e logo as duas serem lançadas para dentro pela nova onda de força desprendida do corpo.

Com a força liberada do corpo do Arcanjo, Payne saltou da cama como se acordasse de um pesadelo. Olhando em volta a vampira viu as duas mulheres recuperando-se e se surpreendeu.

– O que estou fazendo aqui?

Vendo a filha de pé a Virgem Escriba logo pôs-se ao lado dela sem temos de ser rejeitada.

O Arcanjo entrou naquele lugar cambaleando e logo caiu no chão, exausto.

– O que está acontecendo aqui? Por que eu estou aqui? _ a vampira ficava pálida a medida em que seu nervosismo crescia.

Kelly levantou-se com dificuldade e foi ate o Arcanjo. Estava desacordado.

– Tenho que levá-lo embora, preciso saber o que houve.

Nenhuma palavra mais foi dita e nem era necessário, prioridades em primeiro lugar. Os Anjos saíram sendo enviados pela Virgem Escriba à sua provisória morada no mundo.

– Me manda de volta. Agora. _ Payne não estava inclinada a ouvir nada vindo de sua mãe.

– Calma, ainda está fraca, agitar-se lhe fará mal filha.

– Me mande de volta, agora.

Resignada, a deusa permitiu que sua filha fosse embora e logo a solidão se acometeu sobre ela novamente.

– Esse cara parece o Coringa. Não vai parar de rir?! _ um dos policiais que vigiavam o interrogatório perguntou.

James apanhou sua pasta e virou-se para a porta.

–Logo ele para. Guy, vem comigo.

Os dois peritos entraram na sala de interrogatório sendo recebidos pelo desgosto audível do preso.

– Onde está a corajosa? Ou devia dizer estúpida? _ ele levou as mãos algemadas ao queixo como se pensasse. — É, acho que estúpida fica melhor para ela. Então, onde está?

– Não interessa. _ a resposta direta de Guy surpreendeu James pela firmeza e ao preso pelo tom.

– Eu a matei não foi? _ não houve resposta o que provocou mais uma argalhada. — Eu sabia que iria conseguir!

– Você matou aquelas mulheres? _ James deu início às poucas perguntas que tinha antes de a polícia assumir.

– Matar mulheres? Não! Eu só joguei o lixo fora.

– Por que as matou?

– Não mereciam viver. _ a frieza das respostas enojava James.

– Sabe que provavelmente pegará prisão perpétua ou pior? _ Guy assumiu as perguntas.

– Não importa se o Estado condena quem faz o certo.

– Acha certo matar pessoas?

– Já disse que não eram pessoas! _ a voz exaltada não surpreendeu os interrogadores. — Eram lixo! LI — XO!

Sem mais palavras James levantou e dirigiu-se até a porta, mas Guy não o seguiu, apenas inclinou-se por sobre a mesa e vociferou.

– Você não a matou imbecil!

Os peritos foram embora deixando para trás um insano surpreso.