Amante Amado
21 Vinte e um - Vishous
Eu adorava montar cenas de crimes. Não fazíamos isso constantemente nem raramente. Era um meio termo saudável. Mas em geral tínhamos que fazer isso porque algum de nós escorregou quanto à regra número um por aqui: Não deixar pistas.
Dessa vez não é exatamente por isso, mas é tão divertido quanto. Phury e eu entramos na casa de Butch dia seguinte à reunião, para verificar o espaço e planejar algo. Depois de um rápido diálogo com Butch, decidimos que vamos fingir que ele morreu.
Primeiro precisamos arrumar um cadáver no mesmo porte físico que Butch, e para isso nós tínhamos contatos com as pessoas do IML de Caldwell. Só que eu não pude ir buscar o corpo, contanto essa tarefa ficou para Phury e Rhage. Enquanto eles foram, eu desativava todos os telefones e objetos que servem de rastreadores de Butch.
Inicialmente, Butch insistiu em pegar roupas da sua casa, mas era óbvio que se as roupas sumissem, a perícia perceberia. Ele não ficou nada satisfeito, é claro. Quando já estava quase tudo pronto, me deparei com um furo no meu plano: Butch morava em um apartamento. Se chegássemos lá e destruíssemos tudo, faria barulho o suficiente para sermos delatados.
Para piorar, o corpo que Rhage e Phury trouxeram não era muito parecido com o porte físico de Butch, e eles alegaram que esse era o mais parecido. E então, como se o barraco não estivesse armado, Wrath me chama no escritório. Ele estava mexendo em papeladas, todo ocupado com a nova exigência de ser rei, nem olhou para mim:
— V. vocês poderiam deixar Butch resgatar pelo alguns objetos pessoais, se despedir da casa e ajudar com a tarefa.
Ergui uma sobrancelha, e espiei os pensamentos de Wrath. Butch havia ido pedir a ele que falasse comigo. Era muito estranho por vários motivos: um, ele não gosta de W., e tem uma desconfiança tremenda em relação à ele. Dois, Butch me considera o mais normal dos irmãos, logo uma conversa comigo seria mais fácil. Três, ele já havia pedido e eu, negado.
Algo no modo com o que Wrath falou fez parecer que tinha mais coisa por trás disso. Mas eu decidi apenas seguir as ordens. Quando saia do escritório, topei com o tira. Ele estava elegante, com roupa formal. E eu imaginava o porquê disso, não havia nenhum motivo para ele se vestir assim. Muito pelo contrário. Ele estava no segundo passo de perder toda sua antiga vida.
— Você quer vir conosco? — Eu pergunto, sem encará-lo muito. Decido ir direto ao ponto, já que algo no seu jeito hesitante parecia pedir por isso.
— Ahn sim, eu quero. Mas, o que o fez mudar de ideia quanto a me levar?
— Eu não disse que não podia ir. Disse que não podia pegar seus pertences.
Ele me lançou um sorriso. — Quando?
— Teria que ser hoje... Mas estou com um puta problema...
***
Rhage gostou do plano de que Butch deu para reverter à situação. Phury achou melhor fazer primeiro, e avisar Wrath depois. Então, eu sai em busca do material que precisaríamos, e Phury montou uma estratégia.
O tira apenas observava, e quando houve a divisão de grupo, ele fez questão de ser do grupo que iria depredar a casa. Zsadist foi quem desformou o corpo, e o carregaria até o apartamento. Rhage ficou num prédio abandonado que tinha no mesmo quarteirão para por em prática a distração, e Phury ficou em outro ponto na mesma intenção que Rhage.
Eu fui com Butch depredar o apartamento. Por causa do corpo e de Butch, não podíamos nos desmaterializar para dentro da casa. Iriamos invadir o condomínio. Para nossa sorte, era uma segurança fraca e falha, e a cerca elétrica é algo que eu sei desativar.
Então, depois de alguns minutos codificando, eu desativei-a. Zsadist estava neutro ao meu lado e fez sinal para Phury quando conseguimos. Já B. estava uma pilha de nervos, completamente diferente de minutos antes.
Eu dei a volta no prédio, e tracei a trajetória dos vigilantes. Rapidamente achei uma falha, um lugar especifico que demoraria mais para ser vigiado novamente, então voltei e contei a Z.
Ele, B. e o corpo se apressaram para o lugar indicado. O corpo foi o mais difícil de passar, como eu fui o primeiro a atravessar, tive que erguê-lo para o outro lado. Butch estava de tocaia, pois, caso um dos vigias nos visse, ele poderia distrai-lo sem chamar a atenção, afinal ele morava lá.
Z. foi o último a atravessar, e feito isso, Butch voltou ao nosso lado e nos mostrou o caminho da escada de emergência. A escuridão ajudou a nos despistarmos.
Subir o corpo morto e que fedia pra caramba por quatro andares era fácil para vampiros, e Z. quis fazer isto sozinho. Portanto, Butch foi alguns degraus na frente, e eu, alguns degraus atrás. Quando chegamos ao quarto andar, eu tomei as rédeas e codifiquei uma imagem estática para a câmera de segurança. Foi tudo muito rápido.
Depois que B. abriu o apartamento com a chave que ele ainda trazia consigo, e Z. correu com o corpo para dentro, nossa primeira etapa estava concluída.
Fechou-se então a porta da sala, Z. levou e derrubou o corpo na banheira, e ficou de prontidão esperando sinal. Butch foi para a cozinha e eu fui até a varanda, fazer sinal a R., que por sua vez, faria sinal a P.
Quando o primeiro rojão estourou, aguardamos. Esse era o sinal para P., eles iriam depois de dez segundos quanto ao primeiro rojão, soltar vários e vários rojões para produzir som o suficiente. Som que distrairia a atenção de coisas sendo quebradas dentro do apartamento de Butch.
Voilá.
A rajada começou, e nós três que estávamos no apartamento começamos a quebrar tudo o mais rápido possível. Teríamos dois minutos de fogos, e isso teria que ser o suficiente.
Após meio minuto, Z. foi para o quarto. A casa inteira deveria ser quebrada. Não posso dizer que não me diverti, mas estava bastante apreensivo. Olhando de relance para B., ele parecia estar à vontade.
Assim que os últimos fogos foram estourados, paramos bruscamente nossa destruição. Eu respirava fundo para manter o controle, mas conseguia escutar respiração ainda mais funda vinda de Butch.
Era hora de avaliarmos o estrago: satisfatório. Segunda etapa concluída.
Agora eram apenas os retoques... Espalhar sangue pela casa. Z. cuidou disso, dando alguns minutos para o tira despedir-se da casa. Não reparei se ele, de fato, pegou algum pertence para si.
O tempo estava acabando, agora era a hora de sairmos dali. Troquei rápidas palavras com Z., concluindo que ele se desmaterializaria e eu fugiria com B. em um carro que nos esperava na rua de trás.
Acontece que logo após que Z. se desmaterializou, eu percebi um problema: os fogos atraíram a atenção dos vizinhos (é óbvio) e agora o corredor até a escada estava cheia de gente. Butch notou isso também, pela expressão aflita que ele comportava.
— Se desmaterialize — disse ele por fim. — Essa ainda é minha casa, eles não vão estranhar de me ver sair daqui.
Analisei os fatos. — Não. — Ele me encarou — se alguém te ver sair agora de casa, logo liga os fatos de que você fugiu após matar o cara da banheira. E você seria procurado. Não queremos isso.
Ele soltou o ar, como se estivesse prendendo há muito tempo no pulmão. — Cara, o que vamos fazer?!
As saídas pareciam se fechando. O tempo acabando. E não tínhamos opções.
Droga.
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