Notas iniciais
Tudo o que eu queria, era esquecer que fomos quase condenados a pena de morte pelos Volturi. Isso era uma das coisas que dificilmente eu iria apagar de minha mente.

Já passara quatro anos desde a vinda dos Volturi à Forks. Ainda vivíamos na mansão dos Cullen, todos em harmonia, mas sempre temendo os Volturi. Eu, Edward e Renesmee, ficávamos um pouco em nosso chalé e um pouco na mansão.

Nessie já estava com 4 anos, ou 16 (biologicamente), devido ao seu crescimento acelerado. A cada um ano para uma criança humana, são quatro anos para Nessie. E por sinal muito linda igual ao seu pai, Edward.

O cenário de Forks está igual ao inverno de 2006, a neve presa ao chão. Jacob ainda continuava bobo por minha filha, devido ao imprinting, não desgrudava um momento se quer de Nessie.

Edward estava sentado em uma poltrona, no canto da sala, lendo. E eu também estava sentada em uma poltrona, mas pensando em tudo o que eu e Edward passamos para podermos ficar juntos. Mas eu faria tudo de novo. E meu maior presente, é a família que ganhei. Eu realmente amava todos ele: Emmett, apesar de suas futilidades, ele era meu irmão; Rosalie era séria e na sua, mas agora nos dávamos bem; Alice, a pequena fada, adorava escolher as roupas de todos nós, Cullen, e era minha melhor amiga desde a época em que eu era humana; Jasper, sempre muito sensato e tentando controlar minhas emoções quando eu ficava furiosa; Carlisle, era um pai pra mim e a alma da família Cullen; Esme, era uma mãe pra mim, e o coração da família; Renesmee e Edward, minha filha e meu amor, as pessoas que eu mais amava no mundo.

De repente, Edward interrompeu meus pensamentos.

– Bella?- ele falou em tom de curiosidade.

– O que foi meu amor?- respondi.

– Só queria que você tirasse seu escudo, para que eu pudesse ler sua mente- ele disse rindo.

– Arg., esta bem, Edward... — projetei meu escudo pra fora de minha mente.

–Ah meu amor! Eu te amo tanto. Adiro-lhe por conseguir superar tudo isso. Obrigado por ter acreditado em nosso amor, Bella- sibilou ele, com um brilho nos olhos, após ter lido minha mente. Se ele fosse humano, naquele momento ele estaria chorando de felicidade.

– Edward, não me admire por isso. Eu acreditei em nosso amor, porque você me deu razões para isso, meu amor. Eu que o admiro e agradeço, por ter conseguido me manter viva até eu me transformar numa vampira, porque antes disso, sempre fui um imã para o perigo, como você mesmo dizia- falei em um tom de zombaria.

– Mas você era mesmo um imã para o perigo. Primeiro James queria caçar você; Depois o próprio Jaspe queria beber seu sangue, quando você se cortou com o papel de presente, no seu aniversário; Logo ainda, Victória estava atrás de você; Aro também desejou provar seu sangue; Laurent também era outro; E fora eu, que a toda hora queria pular em seu pescoço- grunhiu ele rindo.

E logo continuou.

– Mas é exclusivamente culpa minha, por você ter passado por esses perigos todos- Edward fez uma cara de triste.

Eu odiava ver ele triste, odiava! Meu Edward, meu. Faria de tudo para vê-lo sorrir novamente.

– Meu amor, esqueça tudo isso. Não passam de tristes lembranças. Mas no final, tudo deu certo. Eu, você e Renesmee juntos para a eternidade, e é isso o que importa. E falando nela, cadê a mocinha?- tentei mudar de assunto.

– Está dormindo. Até parece que ela é sua filha, Bella. Porque ela é igual a você quando era humana, dorme exageradamente ás vezes- brincou ele.

Minha investida de mudar de assunto deu certo, ele novamente estava rindo.

– Até pode ser minha filha. Mas pode ser sua também, porque você ainda dorme bastante- brinquei ironicamente, zoando da cara dele, porque vampiros não dormem.

– Acho melhor acordarmos ela. Jacob deve aparecer, para levá-la caçar. Já faz um mês que Nessie não caça, e é meio perigoso ela atacar o pescoço dele qualquer dia desses- Edward garantiu, rindo.

– É, vou chamá-la- respondi.

Fui em direção ao quarto de Renesmee, e quando cheguei lá, ela ainda estava dormindo, e pelo jeito estava em um sono pesado, porque eu abri a porta, entrei em seu quarto, fechei-a novamente, e nada; Ela ainda continuava a dormir. Fiquei de pé observando-a. Como era linda minha filha, ela tinha um jeito tão angelical, igual a Edward.

Sempre que eu a fazia um elogio, me lembrava dele. Os dois eram lindos, perfeitos. Tinham muito em comum, tanto físico, como a personalidade.

Nessie se mexeu em baixo das cobertas, e finalmente acordou.

– Bom dia, mãe- disse ela com um sorriso lindo estampado em seu rosto.

– Bom dia, meu amor. Dormiu bem?- sibilei carinhosamente a ela.

– Sim, mãe- ela afirmou- tive pesadelos, eu acho- ela resmungou baixinho.

– Mas pesadelo com o quê, filha?- perguntei ansiada por sua resposta.

Ela projetou seus pensamentos em minha mente.

Como Alice não podia ver o futuro dos lobos, os Volturi resolveram ir diretamente a La Push atacar a matilha de Jacob, e depois a matilha de Sam. Assim as matilhas estariam sozinhas, porque Alice não teria como avisá-los sobre a vinda dos Volturi a La Push. Enfim, eles acabaram com as duas matilhas, numa luta horrorosa. Realmente, era tudo horroroso o que Nessie me mostrou. E esse era o pesadelo que ela teve.

– Mãe, sempre que os Volturi puderem, eles vão procurar motivos para vir a Forks. Eles querem meu pai, você, tia Alice, tio Jasper e eu, para servi-los na guarda, porque cada um de nós possuímos dons. Mas eles sabem o motivo que não queremos se juntar a eles. Nós somos diferentes de muitos clãs de vampiros, uma família cheia de talentos e nos amamos, e nunca deixaríamos vovô Carlisle, vovó Esme, Tio Emmett, e tia Rosalie, para se juntar a eles. Nunca trocaríamos nossa família, pela regalia que os Volturi nos ofereceriam. Não é mesmo?- Nessie estava tensa.

– Claro filha. Tenha calma. Mas em certo ponto você tem razão. Eles nos querem, e sempre vão achar motivos para eliminar os que não são úteis para eles- respondi- mas um dia isso vai acabar- afirmei.

– Tomara mãe, eu amo vocês demais- agora ela estava chorando. Se eu pudesse, eu também estaria chorando com ela.

– Tudo vai se resolver no seu devido tempo. Eu te amo, Renesmee. Nunca se esqueça disso- abracei a, confortando-a.

Passou um filme na minha cabeça. Tudo o que ela acabara de falar, tinha sentido. Nessie tinha razão. Eles não iriam parar de implicar com os Cullen, enquanto nós não fosse os servir na guarda.

Pensei na hipótese de nós os servir, para deixarem nossa família em paz.

Mas já tirei esse pensamento hipócrita de minha mente. Eu e nem minha família, nunca conseguiríamos fazer isso. Os Volturi tinham costumes totalmente diferentes dos nossos. Eles bebiam sangue humano, e queriam tudo pra si. Utilizavam vampiros para ajudá-los em batalhas, e depois que aqueles não os fossem mais úteis, matavam sem a menor piedade.

Sempre foi assim, todos os clãs temiam os Volturi. Ninguém ousava afrontá-los, quem fizesse isso com certeza não permaneceria mais com vida. Eles amavam batalhas sangrentas, que por sinal, sempre derrotavam o adversário.

Jorrei todos esses pensamentos de minha mente. Apesar de eu ser uma péssima atriz, como Edward mesmo dizia, tentei parecer normal, para retornar à sala, onde ele estava.

– Nessie já acordou?- perguntou ele.

– Sim, amor. Ela só vai tirar seu pijama e vestir uma roupa do mini closet que Alice deu para ela- disse rindo, em relação a Alice, que amava moda.

– Tudo bem. Ela deve estar com fome, não é mesmo?- Edward deu o sorriso torto, que eu amava.

– Você tem razão. Nós poderíamos levá-la para a mansão, Esme deve ter bastantes comidas saborosas, ela sabe do que Nessie gosta- minha filha adorava as comidas de Esme; Ela cozinhava super. bem, através de livros de receitas, programas de culinária na televisão, entre outros.

– Bom dia, pai- Renesmee foi ao encontro de Edward, abraçando-o.

– Bom dia, filha. Está bem?- disse ele.

– Sim, pai. Melhor agora- disse Nessie.

– Vamos para a mansão, Nessie? Esme deve ter bastante comida para você- ela estava tentando caçar só uma vez por mês, mas de comida, ela se alimentava diariamente.

– Sim, vamos. Acordei faminta- disse ela se lambendo.

Chegamos à mansão em segundos. Era perto, e nós, vampiros, tínhamos habilidade em ser rápidos. Quando chegamos lá, estavam todos na sala, Carlisle, Esme, Emmett, Jasper, Alice e Rosalie. Opa? Jacob não estava esperando na frente da mansão, como de costume. Mas, tudo bem, quem sabe ele teve que patrulhar a noite inteira algum perímetro.

– Bom dia a todos- dizem Nessie saltitando.

– Vá à cozinha, e veja o que a espera, querida- disse Esme, num tom amoroso.

– Esta bem, vovó- Renesmee correu até a cozinha.

Eu, por curiosa, fui até a cozinha. Quando cheguei lá, ela já estava comendo as comidas de Esme. As comidas pelo jeito estavam muito boas. Quando eu era humana, provei das comidas de Esme, e eram muito deliciosas.

– Bella, Bella, Bella, que estilo é esse o seu? Kahn? Eu lhe dou um closet, com roupa e tudo, e em forma de agradecimento, você veste essa combinação horrorosa? Eu te dei as roupas para você usar, Bella. Então por favor, tire esse moletom, porque não tem nada a ver com essa bota. E não repita mais os looks, os Cullen não usam e mesma roupa duas vezes- Alice agora estava realmente irritada comigo.

Cada um dos Cullen tinha um enorme closet. Alice não permitia que eles repetissem roupas. Cada peça era utilizada uma única vez.

– Tudo bem, Alice. É que eu saí pra vir aqui. Pensei, ‘vou vestir qualquer roupa’- Alice arregalou seus olhos pra mim.

– Está brincando, Bella? Os Cullen sempre tem que andar bem vestidos, assim...- ela me mostrou, girando seu corpo. Realmente, Alice estava sempre uma diva.

Mas ela continuou, agora foi tirar satisfações com Nessie.

– E você, mocinha? Também pensou, ‘vou vestir qualquer roupa’, ou é a convivência com sua mãe, que também está deixando você nesse estilo? Se for a convivência com sua mãe, não deixo mais você morar com Bella e Edward no chalé. E vou reforçar mais uma vez, os Cullen sempre tem que andar bem vestidos. E vá trocar essa roupa imediatamente, se não quer que Jacob se assuste- ela disse rindo, dando um beijo na bochecha de Renesmee.

Eu estava estranhando Jake ainda não estar ali conosco. Geralmente, quando Nessie acordava, ele esperava a na porta da mansão dos Cullen, mas hoje não fora assim. Realmente eu estava preocupada, já era pra ele ter chegado.

– Está bem, tia. Vou me trocar, mas para agradar você, porque eu sei que Jake não se assustaria de mim, porque ele sempre diz que sou linda de qualquer jeito- Nessie falou rindo e atirou a língua para Alice.

– Nessie, Nessie, não seja tão convencida, ok?- Alice brincou.

– Tudo bem. Alice, você viu Jake, hoje? Ele passou por aqui?- Renesmee estava preocupada.

– Não, Nessie, mas por quê?- respondeu ela.

–Seja sincera. Você não viu nada?- perguntou Nessie para Alice.

–Não, querida. Eu não consigo ver o futuro dos lobos e nem o seu- respondeu Alice.

– É que antes de eu acordar, ele sempre me espera aqui, e hoje nada. A primeira vez que acontece isso, dentro de um ano. Mãe? Será que...?- sibilou Nessie.

Eu já adivinhara o que Renesmee me perguntaria.

Mas só para não responder antecipadamente sem ter certeza, perguntei.

– O que, filha?- falei.

– Lembra-se do sonho que mostrei a você, mãe? Será?- ela falou.

– Não, Nessie, nem pense nisso- afirmei a ela.

E os outros ali na sala ficaram perdidos na conversa, exceto Edward, que invadia a mente de Nessie.

Minha filha pensou que pudesse ter acontecido com Jake, o que ela sonhou. Mas eu a dei segurança, e a abracei protetoramente. Era estranho Jacob ainda não ter dado as caras.

– Mãe pode ir a La Push?- Nessie me encarou com cara de cão sem dono.

– Mas não mesmo. Não quero você se misturando com aquele bando de vira latas- Rose rebateu.

– Calma Rosalie- protestei.

– Não filha, você não pode ir. Tem o tratado, e não podemos cruzar a fronteira, exceto você, mas eu não deixaria você ir sozinha, é muito perigoso- Edward disse com um tom autoritário.

– Seu pai tem razão, filha. Ele aparecerá, tenha calma- eu tentava acalma- lá, mas não estava sendo nada fácil.

Rose estava feliz por Jacob não ter aparecido. Os dois viviam discutindo por futilidades.

– Mãe, se ele não aparecer hoje, eu vou atrás dele- disse ela irritada.

Alice parou na sala como uma escultura, e com os olhos arregalados. Jasper foi ligeiramente ao seu encontro.

– Alice?- falou Jasper.

– Mas como? Por quê?- disse Edward.

–Por favor, dá para me incluir na conversa?- agora eu estava nervosa.

– Calma querida. Não dever ser nada de mais- disse Esme, com sua voz doce.

– E não é nada de mais mesmo, Esme. Realmente não é nada, Bella. Alice viu algum clã nômade, contendo quatro vampiros, três homens e uma mulher, vindos em direção a Forks. Neste momento estão em La Push, mas logo chegarão a Forks. Estão fugindo de alguém- disse Edward num tom severo.

Aquilo tudo estava estranho. Não sei por que, mas estava. Clã nômade, Jake sem dar as caras... Estava tudo muito estranho mesmo. Ou seria só excesso de preocupação minha.

Algo estava me dizendo que não fora o clã nômade que Alice vira. Era outra coisa. E Edward sabia, mas com certeza não iria me contar. Isso estava me dando agonia.

Todos nós temíamos os Volturi. Quando pensava neles, parecia que eu estava sobre uma corda bamba, a beira de um precipício. Cada célula do meu corpo se amolecia, apesar de meu corpo ser duro como mármore. Meu coração parece que iria sair pela boca, apesar de estar congelado eternamente.

Minha família toda estava preocupada com relação aos Volturi.

– Podem desaparecer várias pessoas, e com certeza chamaremos a atenção dos Volturi- disse Carlisle.

– É. Os Volturi sempre acharão motivos para implicar, mesmo que não for nós os verdadeiros culpados pela matança que poderá vir a ocorrer- disse Edward.

– Exato. Muito sangue poderá ser derramado, e a culpa caber a nós, sem fazermos ideia sobre esse clã, quem são, da onde vieram, e estão procurando o que, em Forks, mais precisamente- disse Alice, agoniada por não ter conhecido nenhum dos vampiros em sua visão.

Mas Alice continuou.

– Espera, espera! De novo! E... esses rostos são familiares. Os conheço de algum lugar. São recém -criados, não representam perigo a nós, mas com certeza aos habitantes de Forks sim, estão com muita sede- afirmou Alice.

Agora tudo estava começando a ter sentido. Jacob e a matilha deviam ter visto o rastro do clã nômade, e com certeza estavam tentando pegar esses vampiros. Por isso ainda não aparecera na mansão.

Expliquei a situação para Nessie com o propósito de acalmá-la. Mas foi em vão, ela ficou ainda mais preocupada.

– Mãe, será que ele está bem?- perguntou Renesmee.

Edward antecipou minha resposta.

– Sim, filha. Eles darão conta do recado. São dez lobos (Sam, Paul, Jared, Jacob, Collin, Brady, Seth, Leah, Quil e Paul), contra quatro vampiros. A matilha está em vantagem. Será muito fácil- disse Edward, dando o sorriso torto que eu amava.

– Mais uma de suas ‘invasões de mentes’- disse sarcasticamente.

–Meu amor, calma. Não tem como eu não ler. É como um imã... — disse ele.

– Queria poupar você, Edward. Mas é difícil. Mesmo não lendo minha mente, você invade as mentes das pessoas que estão ligadas a mim- sibilei.

– Mas, me poupar do que, Bella? – perguntou ele.

– Não sei bem do que. Mas é algo semelhante ao o que aconteceu há quatro anos, quando os Volturi vieram a Forks, e só eu sabia da fuga de Renesmee com Jake. Poupei você daquilo, pra Aro não ver a fuga em sua mente. Eu ainda temo e sinto que devo poupar você de algumas coisas, mas você tem razão. Esse não é o caso que eu precise esconder algo- disse nervosa.

– Eu te amo, amor. Não me subestime. Não fique achando que Aro vai aparecer a qualquer momento para ler minha mente- ele falou tão amoroso. Tive vontade de agarrá-lo, beijá-lo, mas Emmett ia fazer piadinhas.

– Eu também te amo, meu amor. Pra sempre- disse, abraçando-o.

Se Emmett fosse leitor de mentes, como Edward, eu pensaria que ele tivesse lido minha mente naquele momento.

– Olha só, Rose, que romântico. Eu também te amo pra sempre- Emmett disse à Rosalie, zombando de mim, e de Edward.

Simplesmente ignorei o que Emmett acabara de falar, e tentei manter o foco pra responder Nessie, que estava esperando a minha resposta.

Renesmee nunca se intrometia quando estávamos conversando assuntos como esse. Ficava quieta. E quando queria falar, esperava sua oportunidade.

– Sim, Nessie. Jacob está bem. Como seu pai já disse, eles darão conta do recado, facilmente- eu disse. Logo, dei-lhe um beijo em sua testa.

Eu sempre tentava passar segurança para Renesmee. Minha filha era muito insegura em relação com perder nós algum dia. Ela temia os Volturi.