Amanhecer em Chamas
4 Capítulo 3 - Vagalumes
Notas iniciais
P.O.V GRUPO 2
Os cinco se alimentavam do animal sem dizer nada. A carne não era boa, e estava um pouco queimada, mas era o que tinham no momento. Quando terminaram, Curt disse:
– Bom, o plano é o seguinte: Como todos procuram água durante a noite, estão expostos aos insetos. Mas é obvio que não existe água na superfície, o sol a evaporaria em um segundo. Portanto, iremos descansar agora e, de manhã, iremos procurar água nessa caverna. Se não encontrarmos, iremos para outra gruta e assim por diante. Vocês concordam?
Todos fizeram que sim com a cabeça, e continuaram sentados em volta da fogueira. Ninguém dizia nada, até que Mary Ann Wakeford, a pequena garota de longos cabelos ondulados, disse:
–Vamos conversar! Quando eu acampava, ficávamos na fogueira contando sobre nossas vidas. Não conheço nada sobre vocês, assim como vocês não me conhecem. O que acham? – Todos olharam para a garota como se ela fosse um alienígena bebê – Vamos lá! Não é tão difícil. Eu começo. Sou Mary Ann Wakeford, mas podem me chamar de Mary. Tenho 18 anos, e tenho um irmão, Axel. Ele está no outro grupo. Moro com minha mãe, meu pai e minha avó, que adoeceu. Precisamos de água para que o tratamento da minha avó seja feito. Espero encontrar água e salvar a vida dela.
–Tudo bem, é a minha vez. – Disse a garota e longos cabelos loiros e lisos. Olhos esverdeados e sobrancelhas que quase sempre estavam arqueadas. – Sou Catrina Harvey. Tenho 17 anos, e vivo sozinha. Tenho minha própria casa, meu próprio trabalho e estudo. Vim aqui em busca de água e, é claro, uma aventura. Fui despedida do trabalho, e por isso não me importo de morrer. Mas não irei facilitar para a Morte, essa vadia sem coração, que leva quem mais amamos para sei-lá-onde.
–Evan Walker. – Disse o garoto loiro e alto, com corpo atlético. – Tenho 19 anos e moro com meu tio, que tem uma quitanda. Precisamos de água para cuidar das plantas, mesmo que eu saiba que a água que irei conseguir aqui não será suficiente.
–Curt J.E. Bromance. Há dois anos, eu vim aqui buscar água. Quando eu voltei, minha família estava morta. Fim.
Todos olharam para Gareth, o garoto com óculos de armação preta. Ele revirou os olhos e disse:
–Gareth diAngeles. Vinte anos.
Mary Ann abaixou a cabeça. Pelo jeito, sua tentativa de fazer todos se comunicarem e virarem amigos foi por água abaixo.
–Duas e meia da manhã. Vão descansar, acordarei vocês às seis horas.
Cada um foi para um canto da caverna. Todos mergulhados em seus pensamentos obscuros, principalmente Gareth. O garoto não dizia nada, apenas encarava a aprede da caverna. Mary, com olhar assustado, fitava cada um dos seus colegas de grupo. Não importa o quanto tentava, não conseguia pegar no sono. E nem Evan Walker. O garoto levantou-se e caminhou até Mary, sentando-se ao lado da garota.
–Também não consegue dormir? – Perguntou ele, quase num sussurro. Os dois estavam muito próximos, tentando não acordar os outros.
–Não. Nunca fiquei longe do meu irmão. – Respondeu Mary.
–Eu imagino o quanto deve ser difícil. Você me parece ser bem meiga e...
–Ingênua? – A menina sorriu – Todos dizem isso. E falam que sou infantil também. Mas ninguém sabe do que sou capaz. E nem eu sei. – Evan sorriu e disse:
–Eu finjo que sou forte, sabia?
–Na verdade, não. – Mary sorriu.
–Legal da sua parte tentar fazer com que viremos amigos. – Evan sorriu, segurando a mão da garota. – Eu sei que estou tomando uma decisão meio precipitada, e que nem nos conhecemos direito, mas eu tentarei te proteger, mesmo que eu nem consiga me proteger direito.
–Obrigada, Evan.
–Não há de quê.
~~~~~~*
P.O.V GRUPO 1
–Melina! – Gritou Ada – Encontrei uma caverna!
Todos do grupo correram até Ada. Melina se aproximou da garota enquanto estudava a caverna.
–Bom trabalho, Ada! Georgina, Elliot, Axel e Leonard! Escutem-me! Encontramos um local para passar o dia. Porém, como vocês bem sabem, as cavernas são escuras. Peguem grandes troncos de árvores, que vão servir como tochas. Precisamos também de gravetos para a fogueira e principalmente folhas e animais para servir como alimento.
–Divida-nos. Alguns pegam troncos, outros pegam gravetos, e outros caçam. – Sugeriu Leonard. Melina concordou. – Bom, irei dividir. Eu e Melina iremos caçar com as armas que eu trouxe. Ada Mary, pelo que lembro dos anos que estudamos no mesmo colégio, você era ótima em Ciências. Você pegará as folhas comestíveis. Georgina, Elliot e Axel, vocês pegam os troncos e galhos. Lembrando que, se por acaso alguém encontrar algo interessante, podem pegar. Levem tudo para a caverna e lembrem-se de não irem para muito longe. Vão!
Cada um seguiu o caminho que lhe foi pedido. Ada, que se destacava com sua inteligência, encontrou muitas folhas comestíveis. Não pensou que seria tão fácil encontrá-las, mas se enganou. Porém, se por acaso encontrasse a folha errada, estaria colocando a vida daquelas pessoas em risco.
No relógio de Melina os ponteiros marcavam duas e meia da manhã. Precisavam encontrar tudo antes das quatro. Leonard olhava atentamente para todos os lados, até que encontrou uma família de alguma espécie que ainda não conhecia. Pareciam coelhos, porém não tinham pelos. Melina e Leonard se entreolharam e direcionaram as armas aos animais. Haviam quatro, pelo menos dois eles deveriam acertar. Leonard contou, num sussurro : 1, 2, 3, e... Já. Os dois apertaram o gatilho das armas com poucos segundos de diferença. O tiro de Melina foi certeiro, matou um dos animais. Porém, o tiro que Leonard lançara havia apenas machucado uma das patas do animal. Assim que Melina notou, atirou no animal que o homem mirara, acertando-o momentaneamente. Dois animais de jantar, que boa jogada.
Elliot Darkfire e Axel Wakeford procuravam as tochas e gravetos enquanto conversavam. Os dois moravam na mesma rua, e Elliot era muito próximo de Mary, a irmã de Axel. Georgina apenas ouvia a conversa dos dois garotos enquanto pegava os gravetos que julgava em boas condições. Até que viu um inseto que lembrava um... vagalume. Existiam vagalumes no Mundo Selvagem? A menina se lembrou do que Leonard dissera, mas não conseguia segurar a curiosidade. Correu atrás do inseto que voava e estendeu o dedo indicador para o respectivo vagalume, que logo pousou no dedo da menina. Georgina não pôde segurar um sorriso, lembrando-se de quando pegava borboletas na mão. Olhou em volta e viu vários desse inseto. Todos piscavam com luzes verdes foscas e um pouco fracas. A menina corria atrás de todos, e tentava segurar vários na mão. Então ela se esqueceu dos gravetos e tudo mais, pensando apenas nos insetos brilhantes que encontrou.
Fale com o autor