Amanhecer de um Eclipse

2 Capítulo 2 - Despertar


Notas iniciais
desculpe pela demora, me ocupei com muitas coisas ;-;

Arco I — Treinamento — Capítulo 2 — Despertar

23 de Fevereiro

• Tarde

Soltei um bocejo cansado enquanto olhava os alunos saírem da sala um atrás do outro e formarem seus grupinhos de amizade; olhei para a fileira do meio, vendo Kurumi se levantar e pegar um livro, abrir e começar a ler enquanto saía da sala; olhei a cena até que lembrei de que ia atrás dela fazer perguntas.

— Ah! Essa não, acabei esquecendo! – Me levantei em um pulo e saí para o corredor, procurando Kurumi com o olhar.

Comecei a andar pelos corredores na direção do refeitório, onde os estudantes estavam todos pegando suas refeições ou brigando por algum lanche bom que estivesse vendendo, assim que cheguei lá, comecei a virar a cabeça pros lados, até que vi os cabelos de Kurumi saindo do refeitório e corri para segui-la. Porém eu cometi um erro que ninguém quer cometer no primeiro dia de aula, eu esbarrei num daqueles tipinho de brutamonte, um daqueles que virou para mim com um olhar escrito "Morte" e as mãos fechadas já para brigar.

— Eu sei o que você tá pensando... — comecei a falar quando percebi que numa das mãos tinha uma caixinha de suco e de seu queixo caía algumas gotas, ele tinha espirrado suco na cara porque eu esbarrei nele, merda.

— Então sabe como merdinhas iguais você acabam depois desses tipos de acidentes, não é? — Ele disse sorrindo enquanto batia um punho no outro, se aproximando de mim. Ele era grande, 1,90 quase, cabelo raspado, bem raspado mesmo... Aquilo que refletiu na cabeça dele foi a luz do sol?

Mal tive tempo de pensar, o punho dele veio como uma bola de aço no meu estômago, durante o relance, olhei para o corredor e Kurumi estava me olhando, ela me olhava e a aura branca que saía dela agora emanava de forma violenta e seus olhos brilhavam em azul; ao mesmo tempo, senti algo estranho surgir em meu corpo, como se fosse um sentimento de excitação, adrenalina, sim, pura adrenalina.

— UH! — Escutei o brutamontes careca exclamar o gemido de dor enquanto batia as costas no chão com força, e o centro do movimento de queda dele era eu, eu tinha puxado seu braço e o arremessado contra o chão... Eh? Como? Eu sou tipo o super-homem?

Olhei para Kurumi e sua aura havia sumido, ao mesmo tempo senti meu corpo enfraquecer e quando olhei para o brutamontes... Escuridão.

• Tarde ( só que mais tarde ainda )

Abria os olhos lentamente, olhando automaticamente pra cima eu vi um teto branco, um teto que eu podia não conhecer mas tinha uma ideia de onde estava; me ergui e sentei na cama, olhando pros lados... Eu sabia, enfermaria.

— Aí... Aquele cara ficou bem puto mesmo. — Olhei para meu próprio rosto ao abrir a câmera do meu celular, um esparadrapo em cima da minha bochecha direita, uau, aquele cara podia ter quebrado meu maxilar... ESPERA, mais importante, onde está a Kurumi agora? Esse horário é reservado as atividades de clube, ela foi pra casa? Ou está em um clube? E que aura é aquela? Que brilho foi aquele? E principalmente, que força foi aquela? — Eu posso ter uns bons nervos pra demorar a questionar algo... Mas até eu tenho limites, droga.— Comentei comigo mesmo enquanto me levantava da cama e olhava pro lado, cabelo azul escuro, pele de bebê, seios grande, seios bem grandes, KURUMI!

— Ei, Ei, Ei, Kurumi-san. — Engoli minha própria saliva enquanto aproximava minha mão trêmula do ombro de Kurumi para acordar a mesma, extremamente corado respirei fundo e fui chegando mais perto, mais perto, mais perto; até que ela do nada segurou minha mão ainda de olhos fechados e a lambeu.

"PUTA MERDA, QUE SUSTO, MEU PAI!" eu pensei enquanto ela abria os olhos e me encarava com um sorriso brincalhão no rosto.

— Bom dia, Haruki-san. — Ela disse enquanto segurava ainda minha mão e a beijava, larguei a mão dela na velocidade da luz e segurei minha mão com a outra recolhida, olhando pra Kurumi enquanto tremia.

— É fraco com contato físico? Ou será que...Haruki-san... É fraco com garotas? — ah, meu ponto fraco, ela cravou as palavras nele, eu reuni toda a força de vontade que eu tinha e neguei com a cabeça repetidas vezes.

— Mesmo? — Ela me perguntou com um sorriso sapeca em seu rosto se aproximando de mim lentamente. Colocou, logo após a aproximação, as mãos em meus ombros e lambeu um lado do meu pescoço, virou o rosto e cheirou o outro lado do meu pescoço, rindo em seguida; durante aquele ato dela eu acabei perdendo a consciência de tantos sentimentos misturados, mas quando ela riu e parou, eu lembrei meu objetivo e em um ataque de coragem, a joguei na cama e fiquei sobre ela.

— PARE DE BRINCADEIRA! eu tava te procurando pra fazer uma pergunta! Eu disse enquanto elevava a voz, a vi me encarar com um rosto surpreso mas ela logo tomou a compostura e confirmou com a cabeça.

— Eu sei, você quer saber sobre três coisas... Primeiro, o que é a Aura que está vendo sair de algumas pessoas, Segundo, porque está vendo e Terceiro, o que foi sua super habilidade no intervalo dentro do refeitório, não é? Eu posso responder todas... Se sair de cima de mim. — Essa última frase ela dizia virando o rosto pro lado e corando levemente, aparentemente constrangida pela posição.

Após a gente acertar as posições, fiquei ao lado dela sentado na cama, a mesma olhava pra frente enquanto parecia refletir algo.

Kurumi-san?— Estendi minha mão na direção dela e a garota pareceu acordar quando encostei em seu ombro.

— Desculpe, me perdi em pensamento tentando ver como iria explicar isso de uma forma que entenda... Mas vamos lá, Haruki-kun. — Ela disse enquanto se virava na minha direção e me encarava nos olhos, não pude deixar de ficar nervoso com o olhar sério dela sobre mim.

Contocomvocê.— Eu respondi automaticamente e rápido o suficiente pra sair embolado, a fazendo rir.

Bem, há muito tempo, seres surgiram nesse mundo, seres poderosos que surgiam por coisas ruins, esses seres eram fortes e podiam matar as pessoas facilmente. Mas os humanos acharam uma medida de contra ataque, na verdade, todo humano tem dentro de sí uma força pra ser despertada, um fluxo de energia que pode dar capacidades aumentadas aos seres humanos; despertando esse fluxo, abre uma porta de possibilidades pra pessoa, mas voltando ao principal, esses seres foram chamados de espíritos corrompidos. Eles são a forma física de algo ruim que o humano pode criar, um desejo obsessivo pode criar um, uma necessidade fora do normal, quando alguém morre sem realizar algo que desejava, e mesmo que não crie um ser próprio, a pessoa pode se tornar um corrompido, mas eu, por exemplo que tenho meu fluxo de energia despertado, luto contra esses seres, as escondidas claro, afinal, eles são espíritos, não são todos que conseguem ver... Hmmm, já viu Bleach? Noragami? Esses animes de bichos que não podem ser vistos? É a mesma coisa, apenas os que despertaram o Fluxo podem ver esses seres.— Ela gesticulava enquanto contava, sorrindo quando dava uma pausa para respirar, prestando a atenção no meu rosto pra ver se eu estava assimilando tudo.

— Entendi o princípio, mas, mesmo que seja uma coisa estranha de se ouvir, dá pra sentir que a Kurumi-san está falando sério, então eu confio, mas existem coisas que ainda não fazem sentido pra mim, como por exemplo, o porque de eu estar vendo sua aura.. Ou melhor, seu fluxo de energia, ou ter ficado forte naquela hora do intervalo, ou mesmo, engolir que existem monstros que ninguém pode ver. — Eu dizia enquanto ela confirmava com a cabeça e ria com minhas palavras, fazia mesmo sentido ser algo difícil de acreditar.

— Sim, eu sei, mas você vai ver agora que está com o seu fluxo despertado, você não percebeu? Você estava forte porque aumentou a sua aura, vou explicar sobre isso agora. Existem dois tipos de fluxos de energia, o Fluxo de Luz, também chamado de "Aura da Calma", ela aumenta seus atributos físicos brutos, como força física e resistência, eu fiquei surpresa quando desmaiou com aquele soco, não devia ter sido nada pra você... Mas eu vi que quando o derrubou, sua aura sumiu, você não a despertou totalmente e por isso ela ativou em um momento de perigo e como não tem controle. Você vê as auras dos que despertaram o fluxo durante as 24 horas do seu dia a dia. — Ela disse e colocou a mão dela sobre a minha, segurando a minha mão com força e a levantando lentamente.

— E-Eu entendi, coisas bem loucas, né? — Gaguejei pelo contato físico com ela, a pele dela era macia, a mão pequena, minha nossa, ela me explicando que existem poderes e monstros e eu pensando na pele dela, a mente das pessoas pode ser horrível.

— Haruki Saito-kun, você gostaria de me ajudar a salvar as pessoas dessa cidade comigo e com a Meili-san que conheceu mais cedo?

EH? eeeeh? Eu queria saber sobre isso, não virar um combatente ou um herói, mas ela está me olhando com uns olhinhos que é difícil negar... Mas são monstros.. Eu posso morrer, não que eu tenha muito a perder... Mas ainda sim, jogar minha vida fora por causa de um olhar de uma garota?

— Sim, eu ajudo.— Puta merda, eu sou gado?

— Ótimo, já que aceitou e está bem, vamos para a sala do clube de literatura, Meili está lá, somos as únicas que estão lá e juntas vamos explicar melhor algumas coisas e te ajudar a treinar.— Ela sorriu de forma doce e se levantou da cama, ajeitando a saia do uniforme escolar dela com alguns tapinhas, enquanto eu ligava os pontos de algo.

— Como você sabe que eu falei com a Meili-Senpai mais cedo?— Ela deu um pulo, como se não esperasse essa pergunta e se virou para mim.

— Não é como se eu estivesse te observando da janela porque te achei fofo ou algo do tipo.— Ela dizia e fazia um biquinho após o fim da explicação, olhando pro lado.

Ah, então foi isso.

Narrador POV

Saito e Kurumi estavam na frente da sala do clube nesse momento, Saito estava visivelmente nervoso enquanto Kurumi achava a tensão de Saito uma coisa engraçada e ria ao abrir a porta.

Relaxa, Meili-san não morde e além disso, depois de tudo que escutou, estar nervoso porque vai conversar com uma garota mais velha é até uma coisa decepcionante, sabia?— Ela disse enquanto entrava na sala e via Meili sentada em uma cadeira, lendo um livro exatamente como alguém do clube de literatura estaria fazendo.

— Desculpe, você mesmo disse que sou fraco com mulheres e também, falar com alguém pra mim é difícil por causa da timidez que eu tenho próximo de gente que eu não conheço.— Ele disse entrando ao mesmo tempo e percebendo Meili ali, Saito na mesma hora paralisou e parou de falar.

Mas comigo você falou normal, a gente até fez algumas coisas naquela cama.— Kurumi disse enquanto sorria sem mostrar os dentes, dando um tapinha no ombro de Saito e indo na direção de Meili.

Agora que disse... É verdade, porque será?— Ele se perguntou em voz baixa enquanto seguia Kurumi ao encontro de Meili, a garota que estava lendo percebeu a aproximação dos dois e fechou o livro, olhando para ambos e sorrindo de uma maneira fofa, mas que parecia esconder raiva ao mesmo tempo.

Ora Ora, Kurumi-san, então você se atrasou para o Clube por estar namorando por aí? Que irresponsabilidade para a Líder do clube.— Ela disse ao deixar o livro em cima da mesa e andar até Kurumi, colocando ambas as mãos em seus ombros, apertando, enquanto Kurumi olhava para o lado.

— Aconteceu várias coisas e...ah! E-E-E ele não é meu N-Namorado, não entenda errado! Ele é um membro novo do clube!— Kurumi esclarecia, enquanto se livrava das mãos da garota e tentava esconder o rosto vermelho da visão de Saito após ser chamada de namorada dele por Meili, "Kurumi-san, que fácil te ler" Saito pensou naquele momento.

— E você... Saito, certo? Se essa garota te trouxe aqui, você sabe das coisas, certo?— Meili perguntou enquanto cruzava os braços e usava a perna pra afastar Kurumi, andando até o rapaz e o olhando de perto, pra ser exato, a centímetros de seu rosto.

Sim, apesar de ser um pouco demais pra digerir assim.— Ele respondeu, sem piscar, corar ou gaguejar, sendo apenas sincero e sorriu em seguida.

— Hihi, certo! Eu gostei de você e aprovo como uma pessoa do nosso grupo, qual o seu poder personal?— Meili deu um tapa nas costas de Saito e sorriu mostrando os dentes.— Meu o que?— Ele respondeu e olhou pra moça confuso.— Eh? — Meili olhou para Kurumi.
— Eu não tinha terminado a explicação ainda. — Kurumi respondeu com um suspiro enquanto dava de ombros e fechava os olhos.

Saito POV

Escutei sobre o poder personal e fiquei confuso, será que ela estava falando sobre a super força?

— Ei, o que é isso?— Eu perguntei chamando a atenção das duas, Kurumi parou de falar com Meili e se virou para mim.

— Além de capacidades sobre-humanas físicas, alguém que despertou tem mais uma capacidade que é liberar poderes próprios, algo individual, um poder, basicamente, existe gente que fica invisível até gente que controle a gravidade, são muitos poderes e muitas possibilidades, e o seu poder evolui com o tempo, alguns até se transformam em algo novo, como se fosse uma evolução, entendeu?— Kurumi retomou o tom de voz de quando explicou sobre o básico na enfermaria e cruzou os braços abaixo dos seios logo em seguida, dando um pequeno sorriso.

— E nós vamos descobrir qual é o seu poder.— Meili completou, dando um passo pra frente e jogando o cabelo pra trás.

— Isso soa legal, o que a gente vai fazer?— Eu perguntei inocentemente, sorrindo para as duas, nem vi quando Meili segurou-me pelos braços me levantando em seguida enquanto Kurumi abriu minha blusa.

Eh? Eeeh? O despertar é um abuso sexual?

— Então, eu vou fazer o despertar do poder, você pode se debater então a Meili-san vai te segurar, pra funcionar, eu tenho que inserir minha aura dentro de você, normalmente, a pessoa desperta sua aura e seu poder personal, mas parece que o seu despertar foi incompleto, inclusive, se soubesse o que pode ter ocasionado seu despertar, eu gostaria que me contasse...— Kurumi disse enquanto andava na minha direção, segurando meu rosto com ambas as mãos, ela ficou um pouco vermelha.

— Eh? — Eu soltei um barulho antes de sentir uma sensação quente e macia em minha bochecha, fiquei um tempo carregando a imagem na minha mente e conforme entendia o que estava acontecendo, eu começava a corar e a suar.

Um beijo na bochecha, o primeiro rito de passagem para a vida adulta, o beijo na bochecha é o primeiro passo, foi o que eu escutei.

A-Ahhhh...— Soltei um protesto quase como um gemido, Kurumi se separou de mim e suspirou, ela me encarou sério enquanto eu ainda tentava entender o que tinha acontecido... Minha nossa, meu rosto estava queimando naquele momento, queimando até demais; quando percebi, meu corpo estava doendo, me sentia como se estivesse em chamas.

N-Argh... O-O que é isso?— Perguntei com a voz fraca enquanto caía no chão, Meili tinha me soltado, o motivo? Ela correu até a janela e a abriu, ela deu um passo pra trás com a mão na boca, enquanto minha visão estava turva e eu rolava pelo chão com a mão deslizando pelo meu corpo inconscientemente por causa da sensação de queimação.

Narrador POV

— Não pode ser, esse garoto, ele tem um poder elemental, ouvi dizer que só poderes elementais tem um despertar que afeta natureza!
Ele é como você, Kurumi! — Meili disse enquanto Kurumi confirmava com a cabeça, as nuvens do céu que antes estava aberto e ensolarado, haviam se juntado em uma grande tempestade sobre a escola, raios e ventos fortes se formavam, balançando as janelas; até que um grande tornado desceu do céu e cobriu o prédio que Saito, Kurumi e Meili estavam, porém não o destruindo como se fosse mágica, parecia mais uma barreira de vento. Lentamente o corpo de Saito flutuou do chão e o vento e a tempestade cessaram, quando Kurumi se virou para Saito, o rapaz estava flutuando, com correntes de vento visíveis o rodeando, o mesmo tinha parado de sentir dor e parecia estar desmaiado, Kurumi se aproximou do garoto e estendeu os braços, o vento levou o corpo de Saito até ela, que o segurou.

— Um Guerreiro elemental do Vento? Francamente,Haruki-kun , assim você fica parecendo bem legal. — Kurumi disse enquanto o abraçava desacordado e sorria.

Notas finais
é isto
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.