Amanhecer: Novos Começos

18 Pelo o que eu luto - Parte 1


Notas iniciais
Cheguei, e agora pra ficaaar. (estamos a 0 dias sem atras um cap, nosso record é de 0 dias). Mas brincadeiras à parte xuxus, é a vida dando dessas sabe, está um pouco complicado para mim, mas tenham certeza que eu estou fazendo o meu melhor. Enfim, estou trazendo essa primeira parte hoje, para dizer que amanhã já sai a segunda, como eu disse que faria agora com caps divididos em 2. Então boa leitura.

Quando eu terminei com a maioria das explicações e lendas, já estava quase amanhecendo. Nós tínhamos passado a noite inteira conversando, ou melhor, apenas eu falava sem parar, desesperado para garantir que Joshua não saísse correndo e gritando para chamar a polícia. Mas quanto mais me explicava, mais parecia com um completo lunático. Eu pulei propositalmente algumas partes vitais, como a nossa rixa com vampiros, por exemplo. Tudo já estava bem confuso apenas com o meu tipo, e eu não queria encher a sua cabeça com mais coisas as quais ter pesadelos daqui em diante. De toda forma, eu estava exausto.

Joshua ainda encarava um ponto distante atrás de mim, enquanto absorvia todas as informações sobre magia, mitos e a minha vida. Suas feições mudando de “total descrença”, até “piada de mal gosto” e “confusão absoluta” em um piscar de olhos. Eu ainda esperava que ele surtasse, gritasse ou pelo menos surgisse com alguma pergunta, mas ele se mantinha assustadoramente calado. Alguns minutos a mais passaram em total silêncio, e eu comecei a temer que talvez tivesse feito ele entrar em curto-circuito. Eu precisaria de Joshua mentalmente bem quando fosse fazê-lo jurar que não contaria nada a ninguém.

— Então deixe-me ver se eu entendi... — Ele finalmente falou, e eu quase soltei um grande grito de alívio. Meus músculos relaxaram instantaneamente, pois eu não tinha feito seu cérebro derreter no final das contas. — Nada do que eu aprendi nos filmes é real? — E depois desse tempo todo, era essa a sua primeira pergunta? Se eu não estivesse pisando em ovos aqui, provavelmente teria rido, ou socado a sua cara. É difícil entender os sentimentos que estão surgindo dentro de mim agora

Eu sempre levei o nosso segredo muito a sério, pois não é algo que trata somente sobre mim. Eu podia tornar a vida dos outros muito difícil também, então tudo a partir de agora deveria ser feito com calma. Infelizmente, pensar não era muito meu forte. — Basicamente? Sim. — Tentei responder no mesmo bom humor. Queria manter o tom da conversa leve, se isso fosse realmente possível.

— Sem lua cheia?

— Não

— E morder para criar outro de você?

— Também não — E meu jantar se revirou no meu estômago.

— Balas de prata?

— Mais um mito.

— E o que é real?

— Eu me transformo em um lobo, por exemplo. — Disparei, e fiquei satisfeito por ter conseguido arrancar um meio sorriso dele. Mas apesar da tentativa de brincar com a situação, eu percebia que ele fazia um grande esforço para não surtar. E eu admirava isso. Foi mais do que eu fui capaz de fazer na primeira vez que eu vi Sam se transformando.

— Céus… — Joshua suspirou pesado, assim como o pai fazia. — Acho que não importa o que você diga, eu ainda acho difícil de acreditar que tudo isso é real. — O seu rosto se iluminou por um momento, e eu pude perceber o quanto ele estava cansado. Não só por ter ficado acordado a noite toda, mas pelo tanto de informação que ele recebeu em pouco tempo. Não é fácil perceber que você sabe muito pouco sobre um mundo que achava que conhecia muito. — Na verdade… Eu ainda estou esperando acordar bêbado na minha cama, e tomar conta que tudo isso não passou de um sonho bizarro. — E a ideia me atingiu novamente, pois eu conhecia bem demais essa sensação.

— Você me vê — Eu estava tentando ser paciente, lembrar de como era difícil acreditar nas lendas, até para nós, que nascemos ouvindo elas. — Eu não sou real o bastante para você?

— Não é isso, é que essa história toda não me parece palpável. — Ele levantou lentamente, e se aproximou da garrafa que horas antes estava em suas mãos. Ela havia se quebrado quando eu o assustei, em vários caquinhos verde-brilhante. Joshua se ajoelhou ao lado da poça grudenta de álcool, e começou a pegar os pedaços. Eu me concentrei no que ele estava fazendo, para que o cheiro podre do álcool não me deixasse irritado. — Tem certeza que você não é um sonho? — Ele riu mais uma vez, sem humor nenhum na voz. O homem não me encarava.

— Você pode me tocar se quiser. — Ri novamente e dei de ombros. — Eu sou todo carne e osso. — Joshua apenas me olhou alarmado por um momento, e no segundo em que a vermelhidão começou a tomar conta de suas bochechas, ele virou o rosto.

Eu demorei mais algum tempo para entender a reação dele, até me lembrar que, na verdade, eu ainda estava nu dentro da gaiola. Ele havia me dado a sua camiseta para cobrir as partes principais, mas mesmo assim, era estranho. O que me fez ficar envergonhado também. — Foi mal… — Eu tossi para disfarçar meu incômodo. — Então... Eu acho que eu ainda preciso te falar mais uma coisa. — O garoto ainda não me encarava, mas eu fazia de tudo para tomar uma postura mais séria, e menos assustadora, enquanto eu continuava. — É extremamente importante que você mantenha segredo de tudo que eu te disse hoje, ok? Eu nem deveria estar te contando metade dessas coisas mas… — Ele virou o olhar para mim nessa hora, e eu fui pego encarando seus olhos novamente. A sensação de incômodo subiu rapidamente pelas minhas costas, me fazendo perder o raciocínio por um momento. — Entenda, o segredo não é meu, então… — O ar de seriedade que eu tentei construir tinha ido embora, e eu lutava desesperadamente para recobrar o meu raciocínio.

— Tudo bem, eu entendo… — Ele concordou ao se levantar, na sua mão estavam dezenas de cacos de vidro. — Não vou dizer uma só palavra para ninguém.

— Não vai? — A aceitação me pegou de surpresa, foi muito fácil. Fácil demais.

— Não vou. Primeiramente porque ninguém acreditaria em mim de qualquer maneira. — Agora era a vez de Joshua dar de ombros. — Se eu sair por aí contando que lobisomens existem e coisa parecida, você acha que alguém compraria a minha ideia? Acredito que nem meu pai me daria essa confiança toda — E por um milésimo de segundo, eu consegui ver dor no seu olhar. Mas com a mesma velocidade que ela veio, também foi embora. — Além disso, eu não sou do tipo que tenta destruir as vidas das pessoas por ego ou algo parecido, não quero causar problemas para o seu povo. — E após alguns segundos. — Ou para você.

— Certo, eu agradeço… — Eu aceitei a sua palavra, mas ainda estava desconfiado. Não estou acostumado com as coisas sendo fáceis na minha vida.

— Não, eu que te agradeço Paul. Foi legal você ter contado tudo isso para mim, eu sabia que tinha algo especial no lobo que eu resgatei, dava para ver em seus olhos. Só não sabia que ele seria assim tão especial. — Ele sorriu com ternura, e me pareceu que finalmente ele estava começando a se recuperar do choque. O que era um alívio gigantesco para mim. Menos uma coisa para eu me arrepender mais tarde.

— Não diria que “especial” é o termo adequado para me descrever. — Falei, enquanto tentava espantar os pensamentos mórbidos novamente. — Mas vou aceitar por agora. — E pensei como a palavra “anomalia”, que o velho tinha usado para me descrever antes, se encaixava bem melhor no meu perfil.

— E sejamos sinceros, também seria burrice irritar o homem que se transforma em um lobo gigante. — Ele completou rapidamente. — Vai que ele me devora, tipo a vovó da chapéuzinho vermelho. — Um arrepio percorreu pelas minhas mãos quando ele falou isso, pois não posso dizer que essa possibilidade nunca tinha passado pela minha cabeça. E após alguns segundos de tensão macabra, Joshua explodiu em risadas. Que tipo de humor negro sacana ele tinha, não? Acho que nós nos daríamos bem, se essa fosse uma possibilidade, é claro.

— Você vai perceber que humanos não estão no topo da nossa cadeia alimentar.

— Posso continuar ouvindo o que mais você quiser me contar sobre a sua rotina de lobo. Mas antes... — Ele apontou, ainda sem me olhar, para a camiseta que eu segurava na minha virilha. — Vamos te arranjar algumas roupas, tá legal? E também seria bom você sair dessa gaiola.

Certo, eu tinha me mantido preso aqui enquanto eu explicava sobre as coisas, para tentar passar para ele algum sentimento de segurança. Mas Joshua encarou a situação melhor do que eu imaginava. Pelo jeito ele é do tipo que nunca para de surpreender.

— Eu aceito a oferta. — Disse enquanto eu jogava a camisa emprestada na direção dele, só pelo prazer de ver seu rosto ficando vermelho de novo. — Mas não precisa se incomodar em achar uma camiseta.

E apesar da expressão de desconfiança, ele não protestou.

***

Após algum tempo esperando, Joshua finalmente tinha retornado. Ele foi até a sua casa, que ficava alguns quilômetros daqui, para tentar arranjar algumas roupas que me servissem. Ele tinha problemas muito sérios com a minha nudez.

— Consegui pegar algumas coisas do meu pai. — Ele me entregou o pacote por de trás da entrada, e ficou esperando do lado de fora enquanto eu me vestia. — Acho que as minhas roupas ficariam apertadas em você.

— Agradeço muito. — E realmente as roupas do velho serviram perfeitamente em mim, eu tenho sorte dele estar acima do peso.

— E também tem um par de tênis que eu ganhei da minha avó no natal. Eles são dois números maiores, então talvez sirva em você. — E apesar dos sapatos ficarem um pouco apertados, já era algo que me ajudava. Eu não sabia o porquê dessa grande hospitalidade dele, mas eu não reclamaria por enquanto. Apenas manteria a minha guarda levantada. E após algum tempo de silêncio, completou. — Tem certeza que você não quer uma camiseta?

— Na verdade, eu prefiro ficar sem. Elas me incomodam por causa da minha temperatura.

— E é normal vocês ficarem sem roupas na sua reserva?

— Não… O que você pensa que nós somos? — Eu finalmente tinha saído de dentro do lugar, só para confirmar a minha suspeita que o lugar que eu estava “hospedado”, é realmente um celeiro. E de fato, é um bom lugar para guardar um animal. — Um bando de nativos que andam nús e usam ferramentas de pedra? — Eu sei qual a imagem que as pessoas tinham de nós, mesmo em Forks. E apesar de me irritar, eu não conseguiria levar isso como ofensa, não vindo dele. Joshua tinha esse ar de inocência quase infantil, o que não me deixava perder a cabeça com ele. Mas é claro, não me impedia de tirar sarro da cara dele também.

— Não! Eu não penso nada, é que… — Joshua gaguejava e se embaralhava com as palavras, o que, como eu imaginava, era extremamente engraçado. E apesar de nós já estarmos acostumados com muita pele exposta lá na reserva, ainda haviam limites a serem respeitados. Era sempre um desconforto quando se via alguma coisa de relance, apesar de ter pessoas como Jared e Jacob que não se importavam nada em se exibir por aí. O grande problema apareceu mesmo quando Leah entrou para a alcatéia, e os pensamentos tiveram que ser mais controlados.

— Tudo bem Joshua, eu não vou te devorar por isso. — E tomando um ar mais sombrio, completei. — Ainda…

O menino se arrepiou dos pés à cabeça, mas retomou a compostura quando viu que eu estava rindo. — Muito engraçado Tem… Paul. — Ele se corrigiu rapidamente. Ouvir meu nome verdadeiro saindo de sua boca, me causou um sentimento estranho. Como se eu tivesse que me acostumar a ser humano novamente, depois de tanto tempo como lobo. — E pode me chamar de Josh, se você quiser. Só meu pai me chama de Joshua.

— Certo, Josh — E o sorriso que ele deu depois desse pequeno gesto de compaixão foi brilhante. Assim como assustá-lo, também era muito fácil fazer ele feliz. Era exatamente como eu pensava, depois de ver seus olhos, Joshua não tinha filtros ou segredos. Ele era o que você via, tudo que você precisava saber estava na superfície e transparecia em seu rosto. Uma lagoa rasa, era a imagem que me vinha à cabeça, quando eu olhava para ele, principalmente pela cor de seus olhos.

Nós tínhamos começado a nos mover em direção a “Central”, como ele chamava. Que era o centro de operações deles, e onde estocavam alguns medicamentos e arquivos dos animais que passavam pelas suas mãos. O celeiro, que ficava vários metros no sentido oposto, era apenas para comportar grandes animais, quando eles tinham a “sorte” de encontrar algum vivo. Com ele e seu pai, trabalhavam ainda mais três pessoas, e dois voluntários, mas todos haviam ido para casa por causa das férias. Joshua e seu pai permaneceram, porque eles moram em uma pequena casa vermelha que agora eu conseguia ver atrás da Central. — Aqui era uma fazenda, que compramos e reformamos para conseguir fazer o resgate de animais. — Ele continuava me explicando enquanto andávamos.

Também me contou um pouco da sua história aqui, como a família trabalha a gerações no resgate de animais. Inclusive a sua irmã, que está agora no Brasil fazendo alguns trabalhos voluntários na Amazônia. — E esse é o único meio de sair daqui. — Ele bateu a mão na traseira de um jipe pequeno. — Nós temos uma picape também, mas o meu pai pegou para ir à cidade. A internet não é muito boa por aqui, então temos que levar o trabalho para lá após alguns dias. — Ele me olhou nos olhos, mas dessa vez eu resisti a tentação de desviar o olhar. Não deixaria o que quer que fosse esse sentimento de desconforto me controlar. — Eu presumo que você não vá ficar muito mais tempo, não é mesmo?

Eu neguei com a cabeça. Josh era tão bom em ler os pensamentos das pessoas quanto os próprios lobisomens, parecia que nada escapava desse homem também. Se eu tivesse ouvido isso de qualquer outra pessoa, talvez pensasse que fosse um convite, mas vindo de Joshua eu percebia que não era nada disso. Talvez ele realmente tenha gostado da minha companhia, talvez ele só quisesse mais informações sobre esse mundo incrível que havia se aberto na frente de seus olhos, mas que agora iria embora. Não importa, um lobisomem por perto nunca é algo bom. E eu sei que, não importa para onde eu vá, eu arrasto problemas comigo.

— Não… Eu preciso ir andando.

— Voltar para a sua família, certo? Eles devem estar preocupados.

Eu concordei com a cabeça, sem forças para dizer a verdade para ele. Eu ainda sofria, se é que essa palavra poderia ser usada comigo, pelas coisas que me haviam feito fugir. Os problemas que eu certamente causei na reserva, primeiro com minhas atitudes idiotas, e após isso, com o meu desaparecimento. Foi burrice, e eu não passava de um covarde. Eu planejava passar na cidade e informar que estava bem, que o segredo estava guardado, mas eu não voltaria. Havia dor demais lá, além daquelas que eu tinha causado. Não podia voltar, pois não queria fazer mais pessoas que me são importantes sofrerem. Então só me restava continuar andando. — Quando não se tem para onde voltar, não importa muito para onde está indo -, e o pensamento deixou um gosto amargo na minha boca.

— Entendo… — Ele disse.

Não, você não entende. É o que eu gostaria de responder. Mas em vez disso, permaneci em silêncio, agora incapaz de sustentar o seu olhar preocupado. Será que ele percebeu? Espero que não, não gosto que as pessoas me olhem com pena. Me sinto patético, como meu pai era.

— Bem, de qualquer modo, me deixe te dar uma carona. Acho que vai ser menos cansativo para você, e agora não tenho mais nada o que fazer por aqui mesmo. — Ele deu um risinho fraco, e contornou o jipe para o banco do motorista.

Eu segui seus movimentos, e fui me encaminhando para o passageiro, quando eu percebi algo que me chamou atenção. Na parte traseira do carro, havia uma mancha escura de sangue seco. Eu não precisava ser um gênio para saber de quem era, mas o cheiro já denunciava que era meu.

— Ah, desculpe. — Josh gritou enquanto se ajeitava no banco do motorista. — Foi uma loucura todos esses dias, então não tive tempo de limpar aí atrás. — Ele me olhava com preocupação novamente, e só então eu notei que tinha estendido meu braço, e tocava de leve o sangue escuro.

— Sem problemas. — Eu falei apressado, recobrando a consciência. — Foi aqui que vocês me trouxeram? — Eu andei mais rápido, e em poucos passos eu tinha pulado para dentro do jipe também.

Joshua concordou com a cabeça. — Eu utilizo esse jipe para fazer as rondas no final do dia, para saber se os caçadores estão respeitando a temporada de caça, ou ver se algum animal precisa de cuidados médicos.

“Então eu procurava me manter sempre na estrada principal, pois qualquer desvio teria que ser feito a pé, o que é muito perigoso por aqui. Mas quando eu estava voltando da ronda naquele dia, eu vi que tinha alguma coisa errada. Perto da estrada, havia vários galhos e folhas esmagadas espalhadas pelo chão, onde não tinha nada antes. E quando eu cheguei mais perto, eu vi as gotas de sangue. Eu não sabia o que tinha deixado o rasto, mas pelo tamanho do estrago só podia ser coisa grande. E, sabe… Nós estamos proibidos de resgatar animais grandes por essas áreas, por causa do pouco pessoal disponível. Mas eu não sei explicar, alguma coisa me fez pular do carro e correr pelas trilha que você tinha deixado. Mas eu não sabia ainda que era você. E no final dela, estava um lobo grande, muito machucado. Quer dizer….” — Ele olhou rapidamente para o meu peitoral, e desviou o olhar novamente. — “Na época você estava mais magro, então não parecia tão grande quanto atualmente. Enfim, eu nem me lembro de ter pensado nisso, ou melhor, eu não pensei em nada. Por que eu corri para perto de você, ignorando todos os protocolos que eu deveria seguir para me aproximar de um animal grande. Mas você parecia estar morto de qualquer maneira.” — Ele se recostou no banco do carro, e fitou em algum ponto distante na nossa frente. — “Quando eu encostei no seu pelo, eu percebi que ele ainda estava quente, e uma respiração baixinha e aguada saia da sua boca, parecendo um assovio. Seus ferimentos eram graves, o osso da sua pata estava totalmente exposto, mas você ainda lutava para sobreviver. Então eu não podia te deixar ali. Eu não sei da onde eu tirei a minha força naquela hora, mas eu consegui te arrastar até o jipe, e te coloquei ali na traseira. E depois de ter dirigido como um louco, e levado um sermão do meu pai por ter sido tão irresponsável, ele concordou em fazer uma cirurgia de emergência em você.”

— Nossa… — Era como se um filme estivesse passando na minha cabeça enquanto ele narrava o que aconteceu. E depois de tudo isso que ele fez por mim, eu não tinha dúvidas de que nunca conseguiria agradecer o suficiente a esse homem. — Você realmente salvou a minha vida. Não sei nem como retribuir essa dívida, Josh.

Ele desviou o rosto corado, provavelmente não gostava de ser chamado de salvador ou algo do tipo. — É só o meu trabalho. — E após se recompor um pouco. — Não precisa me agradecer.

— De qualquer maneira. Se tiver algo que estava precisando enquanto eu ainda estou aqui. — Eu dei de ombros, sabia que nada que ele pedisse seria o bastante para quitar a dívida que agora eu tinha com ele. Não há preço em salvar a vida de alguém, era a lei dos lobos. E agora eram duas pessoas que eu precisava compensar pela mesma coisa.

Lembrar novamente de Bella fez meu estômago se contorcer. Eu tinha feito tanto mal a ela, e fugido como um tolo. Mas eu não podia deixar isso assim. Eu não podia ser como meu velho, que fugia sempre que havia um problema, como um grande covarde. Eu posso não acreditar muito em toda essa história da Deusa e de suas bênçãos, mas se essa oportunidade foi me dada, não importa por quem seja, eu sentia que deveria aproveitá-la agora. Agarraria essa chance para tentar fazer pelo menos alguma coisa certa na minha vida. Também não podia deixar todo o esforço que Joshua fez para me salvar e cuidar de mim, ser jogado no lixo como se não fosse nada. Eu também devia isso a ele.

Então agora que eu estou agradecido, por realmente ter continuado vivo, seria uma boa oportunidade de consertar alguns dos meus erros. E só então, eu poderia ir embora de vez.

— Na verdade. — Joshua falou, recobrando a minha atenção. E pela primeira vez eu consegui ver um tom de malícia em seu olhar. — Tem algo em que você pode me ajudar.

Notas finais
Surtos, elogios ou alguma perguntinha, podem me mandar no comentário. Até logo ♥