Amandote
1 Capítulo único
I
O apartamento de Santiago ficava no último andar, na cobertura com vista pro mar. Lorenzo achava aquilo tudo um exagero, era um andar inteiro só pra uma pessoa.
O salão de recepção quase sempre estava vazio, e naquele dia não era exceção. Ele cumprimentou a secretária, fazendo o caminho de rotina até o elevador. Durante a subida, o universitário esperava ansiosamente, fazia duas semanas que o trio não se encontrava. Era complicado encaixar a agenda de um cantor, um estudante e um dono de gravadora ao mesmo tempo.
O moreno tinha uma cópia da chave da residência, quando o elevador chegou no andar foi só abrir a porta de madeira. A sala principal era decorada com móveis vintage, igual ao resto do lugar. Santiago tinha seus gostos peculiares, no qual Lorenzo vivia dizendo o quão brega e ultrapassado eram.
Foi até o sofá e jogou sua mochila ali de qualquer jeito, indo na cozinha em seguida. Ele estranhou o silêncio em que a casa se encontrava, e levou um susto quando alguém o abraçou por trás.
Estevan depositou um beijo de leve no pescoço de Lorenzo, com as mãos o agarrando pela cintura. O moreno estremeceu com o toque familiar, fazia muito tempo que não o sentia.
— Que susto, porra. — Lorenzo reclamou, mas não o parou de continuar fazendo as carícias. — Nem me dá oi direito e já vai agarrando.
— Mudou de shampoo porquê? O de côco era melhor. — Ignorou o xingamento, colocando o rosto no cabelo rebelde do moreno. Estevan amava essa região, era super macia e cheirosa, de acordo com ele.
— Você e esse seu fetiche de cabelo. — Deu um selinho nele, se desvencilhando logo em seguida, recebendo um bico emburrado dele. Adorava o provocar. — Cadê o San? É melhor esperar ele.— Contornou o balcão.
— Ele não vai se importar se a gente começar primeiro. — O seguiu.
Lorenzo contiu a andar envolta da bancada da cozinha, rindo, mas como Estevan era mais rápido, logo estava nos braços dele novamente.
A mão boba do moreno foi descendo até a bunda de Lorenzo, o apalpando com vontade. O último também não ficou atrás, desabotoando a camisa de Estevan, e esfregando os membros de ambos.
Gemidos começavam a serem ouvidos, e a pegação mais ardente. O universitário pulou repentinamente no colo dele, sendo carregado com pressa até o lugar macio mais próximo, no caso o sofá, tudo ocorrendo sem se afastarem por um segundo.
O cantor jogou com violência no chão a mochila de Lorenzo, que estava concentrado demais para reclamar, montando em cima de Estevan no móvel.
Quando o clima tinha ficado mais quente, e as coisas avançariam de nível, Santiago surga da entrada do apartamento, sem ser notado. Pensou em interromper a cena, um pouco indignado por não terem o esperado, mas resolveu aproveitar e entrar no pique também.
Sendo a segunda vez naquele dia em que agarram sem delicadeza, Lorenzo sentiu o calor no baixo ventre aumentar ao ser pego pelo quadril com força. Não precisava ser gênio para deduzir que essa terceira pessoa era Santiago.
O menor dos três estava quase indo a loucura com os parceiros. Como se encontrava no meio dos dois, sentia a pressão da ereção do ruivo atrás, e a esfregação do pênis de Estevan na frente. Com certeza teria que colocar a bermuda jeans para lavar depois da transa.
Cansado de tantas preliminares, foram partir logo para a ação. Em poucos minutos as roupas foram jogadas pelo cômodo, e os três já se encontravam pelados.
Santiago ficou ajoelhado na frente de Lorenzo, que estava de quatro, com o moreno o chupando sem timidez. O primeiro, apesar de ter uma pegada forte, ás vezes revela seu lado cuidadoso.
Fazia carinho no cabelo de Lorenzo, o incentivando a sugar a glande com mais intensidade. Ele não se fez de rogado, enfiou até onde conseguia na boca, com movimentos de ida e volta. Intercalava com lambidas por toda a extensão e masturbação enquanto depositava beijos na ponta, sempre observando suas reações de baixo.
Santiago não costumava gozar fácil, mas o moreno jogava duro. O pré-gozo tocava os fios de cabelo, e o empresário fez o favor de jogá-los para atrás da orelha, pois sabia que Lorenzo era extremamente cuidadoso com essa parte do corpo.
Na parte traseira, Estevan, também ajoelhado, fazia os preparamentos para a penetração, encarando o boquete com excitação. Enquanto pegava o lubrificante no bolso da calça no chão, esfregava rapidamente para cima e parar baixo a região prazerosa de Lorenzo, o provocando, sem chegar a colocar dentro. Isso fazia ele arquear um pouco as costas e empinar a bunda por mais, ao mesmo tempo em que gemia abafado com o pênis na boca.
O líquido gelado desceu tortuosamente lento pela pele escura. Estevan não economizou na quantidade, e espalhou bem o lubrificante pelas bandas. Dois dedos foram de primeira, deslizando sem tanta dificuldade. Era evidente que ele já tinha se preparado antes de vir ali.
Ficou pouco tempo na preparação, indo até o terceiro dedo e o retirando. Antes de pôr seu membro na entrada, se lembrou da pergunta crucial. Eles eram parceiros fixos, mas não custava perguntar uma última vez se tinham feito teste de HIV nos últimos tempos. Felizmente, os três estavam limpos, e prosseguiram sem mais delongas.
O pênis entrou numa metida só. Ardeu um pouco para Lorenzo, mas não uma dor muito gritante. O prazer não demorou a vir, e as estocadas já começaram com velocidade.
Estevan sabia o que estava fazendo, pressionava no interior dele com precisão. A próstata era frequentemente focada, fazendo o moreno perder um pouco de firmeza na felação. Sebastian se inclinou para beijar Estevan com intensidade, sentido o piercing de metal do cantor. Lorenzo não deixou a cena passar batido, e ficou mais excitado com a mesma, aumentando a frequência das chupadas. Pela cara de prazer de Santiago, foi comprovado que ele sentiu aquilo.
Lorenzo começou a se movimentar também, forçando a bunda para frente para trás, em busca de mais contato com a ereção. Isso combinava com o ritmo das estocadas, e deixaram os dois de pau duro mais ainda —se aquilo era sequer possível.
O cantor, sem aviso, agarrou a cintura dele com força a cintura dele, metendo com bastante intensidade e velocidade, sinal de que estava perto de gozar. Lorenzo aproveitou para brincar com as bolas de Santiago também, o sentido perto do ápice. O primeiro não parava de soltar gemidos altos, enquanto os outros dois parceiros eram mais reservados.
Para completar a situação, Estevan inventou de se inclinar e sussurrar putaria no ouvido do moreno, algo que nunca tinha feito, enquanto masturbava seu membro com uma mão, sem deixar de continuar o ritmo intenso de estocadas com a outra.
A essa altura, os três estavam no limite. Lorenzo tirou o pênis da boca e iniciou uma masturbação forte, com a língua de fora e a boca aberta, encarando o parceiro intensamente. Santiago gozou quase que no mesmo instante, retribuindo o olhar enquanto o sêmen espirrava na cara do moreno abaixo de si.
O próprio Lorenzo foi o segundo a gozar, não resistindo ao estimulamento no membro e as metidas atrás ao mesmo tempo.
— Goza dentro, vai... — Lorenzo teve dificuldade em pronunciar uma simples sentença. Sabia que era um saco tirar aquilo de dentro de si depois, mas no calor do momento topava até isso. Qualquer coisa, ele pediria para um deles ajudar no trabalho.
E Estevan ejaculou dentro do amigo, grunhindo em satisfação. Com o pênis semi-duro, chegou a dar umas últimas estocadas, extendendo o prazer para ambos.
Suados e cansados, os três foram com preguiça até a cama, deitando relaxados. O cansaço tomou conta dos amigos, que relutavam em fazer qualquer movimento. Acabaram que Estevan ficou no meio, com Lorenzo e Santiago repousando a cabeça em seu peitoral.
— Que sono. — Lorenzo bocejou, se aninhando mais no cantor ao receber carícias no cabelo. — Isso foi...
— Intenso. — Estevan o completou.
— Ainda tô me sentindo traído que vocês não me esperaram. De novo. — Santiago manifestou sua indignado. — Não é justo, da próxima vez eu vou ser o primeiro a ficar em cima.
— Falando nisso, você tem certeza de que não tentar tentar mudar de posição? Nenhuma vez? — Estevan se referiu ao moreno, que se declarou totalmente passivo, enquanto os outros dois eram reversíveis.
— Tenho certeza absoluta. Não me enche o saco sobre isso de novo, já disse o que acho. — O mau humor típico de Lorenzo sempre o acompanhava.
Dito isso, os três caíram no sono, sem se preocupar em se limpar por hora. Estavam muito cansados para isso.
Depois de aproximadamente duas horas, Lorenzo acordou com a sensação de que tinha esquecido algo. O ruivo e o outro moreno continuavam a dormir, com o sono pesado que tinham.
O universitário se desvencilhou sorrateiramente, sem fazer muito alarde, catou seu celular, percebendo que alguém tinha ligado para si. Enrolou uma toalha na cintura que achou aleatoriamente pelo apartamento, só para não ficar complemente pelado na varanda onde ia.
Olhando com detalhes, viu que teve sete chamadas perdidas de Samuel. Esse era um cara que tinha conhecido nas aulas de teatro, e eles meio que desenvolveram uma amizade com um sentimento a mais, mas no máximo não passaram de beijos e carícias. Não tonha contado para nenhum dos amigos, com medo da reação deles sobre esse novo "relacionamento". Ele estava confuso com seus sentimentos, e tentava justificar suas ações com o pensamento de que ele e seus outros parceiros sexuais não tinham nada oficializado.
Lorenzo cultivava um sentimento a mais pelos amigos, queria ser mais do que apenas encontros para sexo casuais. Mas ele era mole, não tinha coragem suficiente para isso. Era locura amar duas pessoas ao mesmo tempo, seus amigos de infância. Foi por isso que experimentou tentar uma química com outra pessoa, e o seu plano era ver como isso se desenrolaria, quem sabe futuramente poderia se desprender dor dois. Isso era mais complicado do que imaginava, os três passaram por diversas situações juntos, Santiago e Estevan se tornaram seu pilar.
Tentou ligar de volta para Samuel, mas não foi atendido, ele tinha sido chamado uma hora atrás. E foi naquele momento que a ficha de Lorenzo caiu.
Seria justamente naquele dia em que ocorreria um festival de música regional, onde Samuel estaria concorrendo. Ele tinha totalmente esquecido disso, estava animado demais em rever Santiago e Estevan.
Tentou mandar mensagem se explicando, afirmando que estaria lá em poucos minutos, mas foi interrompido por um Estevan pelado, que estava lendo descaradamente as mensagens atrás de si.
— Quem é Samuel? — Perguntou inocentemente.
— Que susto de novo moleque! — Lorenzo reclamou. — Eu tenho que ir, tchau. — Não deu explicações e passou por ele, colocando rapidamente sua roupa de volta, sem se preocupar em fazer a devida limpeza no baixo ventre primeiro. Tinha prioridades.
— Que pressa é essa? O que tá acontecendo, Lorenzo? — Disse intrigado, aquilo não era normal.
— Depois eu explico. — Inventaria uma mentira depois.
Ele pegou sua mochila e saiu voado, sem dar tempo de Estevan o retrucar novamente.
O moreno corria contra o tempo para estar no local do evento. Montou na sua moto e foi até lá no pique, chegando ao ponto de fazer ultrapassagens indevidas.
Mas todo o esforço não serviu para nada. Chegando na praça do festival, o pessoal do evento estava era desmontando os estandes e o palco, já tinha acabado e era tarde demais.
Lorenzo praguejou por ser tão idiota. Como se o universo estivesse o culpando por isso, começou a chuver fortemente, trovajendo um pouco. Mesmo prestes a pegar um resfriado, foi insistente e dirigiu na moto até a casa de Samuel, na expectativa.
Estacionou a moto com rapidez, subindo os degraus do prédio. Tocou a campainha várias vezes, o chamando ao mesmo tempo. Para sua felicidade, ele abriu, mas não estava com uma cara boa.
— Oi, sou eu... Eu posso explicar... — Começou a se embolar na fala, e para sua surpresa, Samuel apenas ficou quieto e o deixou entrar, trancando a porta logo em seguida. Algo em Lorenzo sentia que alguma coisa não estava certa.
— O que você quer? — Álcool. O bafo dele fedia a vodka, provavelmente estava bêbado. E reparando ao redor, o moreno notou a quantidade grande de garrafas de bebida vazias no cômodo. — Não vai voltar correndo pra dar pra aqueles idiotas porquê?
— Quê? Do quê você tá falando? — Começou a suar frio, e Samuel se aproximava mais de si.
— Você acha que eu sou idiota né? Olha. — Ele pegou uma revista em cima da mesa, e jogou na direção de Lorenzo.
Era um revista de fofoca, com a capa principal uma foto de Lorenzo, Santiago e Estevan aos beijos. Eles derem mole e algum paparazzi os flagrou na cena: Um cantor de pop famoso, um dono de gravadora e um zé ninguem —no caso, o Lorenzo.
Agora o mundo dele caiu. Com essa notícia revelada, o escândalo e a polêmica tomariam conta da vida dos três, suas carreiras estavam arruinadas na certa.
— Calma, me escuta, por favor.— Tentou o acalmar.
— Escutar porra nenhuma. — O pegou com violência, pressionando contra a parede com força, fazendo as costas do moreno doer. — Que merda é essa?! Porquê você não disse que tava de putaria com outros caras?! Deve ter rolo com a metade da cidade e eu aqui, igual a um idiota querendo algo sério, caralho! — O bafo de vodka era insuportável.
— Para com isso, tá me machucando! — Lorenzo u um empurrão forte nele, que quase o fez cair para trás. Isso acendeu a pólvora necessária para o caos se instalar.
Samuel, agressivo, deu um soco no rosto de Lorenzo, seguido de chutes e pontapés. Ele continuou e não parou, mesmo com o moreno sangrando bastante, tentando se defender falhamante.
O arrependimento descia amargo na garanta de Lorenzo. Samuel não aparentava ser uma pessoa agressiva asism. Não mediu suas ações, e agora estava pagando o preço delas. Se envolveu com a pessoa errada,
Estava sendo praticamente espancado ali, sem chance de defesa. As agressões continuaram por diversos minutos, mas a esperança o antigu novamente. A porta foi batida com força, e arrombada logo em seguida.
A polícia tinha chegado, tomando frente e tirando Samuel de cima de Lorenzo. Santiago e Estevan, preocupados, vinham logo atrás.
A visão do moreno estava meio embaçada, e ele não tinha mais forças. Na confusão, foi sendo socorrido pelos amigos.
Lorenzo foi se deixando levar pela fraqueza, com o corpo ficando mole e mais mole. Foi fechando os olhos, até que a visão ficou totalmente escura, ficando alheio a tudo.
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