Notas iniciais
Primeiro capítulo: Amandil conhece a Companhia de Thorin.Espero que gostem!

Gandalf abriu a porta da estalagem e observou longamente o ambiente: havia poucas pessoas ali, naquela hora, e isso era ótimo – sua convidada não gostava de estranhos ouvindo suas conversas. A taverna estava enfumaçada, e o cheiro de comida quente chegou até o mago, misturado ao aroma de tabaco de má qualidade, madeira queimando e cerveja; as velas e lanternas a óleo queimavam lentamente, fornecendo uma luz morna e pouco intensa, aumentando as sombras dos seis indivíduos presentes no amplo salão. Foi à última daquelas pessoas, um vulto sentado na mesa mais próxima ao canto, que ele se dirigiu; puxando uma cadeira, sentou-se de frente para o vulto encapuzado:

– Bebendo cerveja? Isso é inusitado. – provocou o mago, fazendo a mulher à sua frente erguer os olhos muito azuis e abrir um leve sorriso – fico feliz que tenha vindo. Sua rainha conhece os motivos de sua vinda?

– Se souber, não foi por minha boca, mas por sua própria magia – a voz da moça era sonora e agradável, mesmo em sussurros – mas não creio: ela nada mencionou, tampouco tentou impedir-me, o que certamente faria, se conhecesse meus motivos. Para todos os efeitos, respondi ao seu chamado, Mithrandir. – a dama bebericou a cerveja amarga que lhe matava a sede. Não costumava beber, mas quisera chamar o mínimo de atenção para si, pedindo então o que qualquer homem pediria — Fez bem em me mandar uma mensagem tão vaga.

– a companhia vai se reunir amanhã à noite, na casa do halfling.

– Tem certeza de que ele aceitará ser seu ladrão? Tudo o que ouvimos foram boatos acerca de Bilbo Baggins ter uma incomum ânsia por aventuras.

– Eu o conheci, no passado – o ancião encheu seu cachimbo com erva de fumo e o levou à boca – e se ainda for o mesmo hobbit, então acabará aceitando. – em seguida virou-se para a jovem que servia as mesas, uma adolescente de cabelos louros e corpo volumoso – pode me servir uma cerveja forte, pão e queijo, por favor?

Enquanto a garota humana se afastava para buscar o pedido de Gandalf, a outra mulher se aproximou de seu acompanhante e lhe passou discretamente uma chave e um mapa; ele nada falou, mas seus olhos pareciam indagá-la.

– Exatamente onde falou, Mithrandir. No lugar onde você os deixou.

– E os boatos dos Ermos? Soube algo sobre Thrain?

– Apenas boatos. Não creio em nenhum dos que dizem tê-lo visto outra vez... Delírios do excesso de fumo, ou apenas vontade de chamar a atenção. – a moça dissipou a fumaça do cachimbo com a mão – argh! Precisa baforar esta coisa em mim, Mithrandir?! Vou levar um século para me livrar do cheiro!

– Você tem a eternidade para fazer isso. – respondeu o velho, rindo em silêncio – vai estar lá, amanhã?

– Para a infelicidade de Thorin Escudo-de-Carvalho, sim. – anuiu a garota, terminando de esvaziar seu copo – vou subir para meu quarto: tenho que manter as aparências de humana, para não dar margens a falatórios. Está hospedado aqui?

– Vou pedir um quarto. – respondeu o homem – vemo-nos amanhã?

– Conte comigo. Boa noite, Mithrandir.

– Boa noite, Amandil.

*

– O contratante não se responsabiliza por eventuais ferimentos, incluindo, mas não limitados a: lacerações, evisceração... Incineração?! – Bilbo Baggins estava à beira do pânico enquanto lia aquilo. Ao mesmo tempo em que sentia enorme excitação em relação à perspectiva de uma aventura, os termos daquele contrato o estavam pondo em tamanho pavor que os sonhos de viagens sumiam por trás da névoa de medo. De repente soaram novas batidas à porta, e o silêncio se espalhou pela sala. Quando as batidas tornaram a ecoar, Thorin perguntou:

– Estava esperando alguém, senhor Baggins? – Quem poderia ser, uma vez que todos os da Companhia estavam ali?

– Só um minuto – pediu o halfling, correndo para atender, rezando secretamente para que não fosse outro anão. Contudo, nada poderia prepara-lo para a pessoa que o aguardava à soleira: era simplesmente a mais bela mulher que o hobbit vira em toda a sua vida! Alta e elegante, tinha cabelos castanho-dourados que cascateavam pelas costas até os quadris, olhos azuis e profundos como o mar, salpicados com pontos de prata qual um céu estrelado. O rosto era gentil e forte a um só tempo, com suas feições angulosas sem exageros, sobrancelhas curvilíneas e ascendentes, lábios róseos e cheios. O corpo era perfeito em suas formas, perceptíveis mesmo por sob a camisa e calça negras que ela vestia; não era esguia demais, mas tampouco tinha qualquer excesso nas elegantes curvas dos quadris, cintura e busto, ou nas coxas bem torneadas. A pele alva contrastava com as vestes negras, e o olhar azulado estava carregado de um poder inédito, mas também de gentileza e alegria. As orelhas pontudas, deixadas à mostra pelos cabelos presos para trás, a denunciavam como uma jovem elfa, que aparentava ter acabado de chegar à idade adulta.

(Trajes Amandil)

Por longos segundos o halfling apenas fitou a visitante, surpreso e maravilhado, sem saber como reagir, até que a moça sorriu e tomou a iniciativa na conversa:

– Boa noite, senhor Baggins. Importa-se se eu entrar?

– É claro que não! – respondeu o Pequeno, recobrando-se rapidamente do estupor e dando passagem à dama, que teve de se curvar para entrar na casa. Em movimentos elegantes ela se livrou do arco, da aljava e da espada, que deixou sobre a arca junto à porta; a isso vieram se juntar duas facas longas e um punhal, antes que ela se voltasse novamente para ele:

– Perdoe-me pelo atraso; foi difícil encontrar sua casa... O povo do Condado é bastante reservado quanto a estranhos, não é? – ela lançou um sorriso gentil para seu anfitrião, que sentiu como se uma dúzia de borboletas batessem asas dentro de seu estômago! Aquela mulher, pouco mais que uma menina, o assustava e fascinava de um modo que nada fizera, até aquele momento. O pavor do dragão não era mais que uma memória distante, ante a confusão de emoções que o tomavam ao ver aquela dama, claramente uma guerreira élfica, adentrar sua casa. – Os outros já estão aqui?

– E... Na cozinha – balbuciou o moço, guiando a guerreira até o lugar onde os anões haviam voltado a trocar fanfarronices, contidos apenas pela seriedade de Thorin. Quando a jovem irrompeu no ambiente, quatorze rostos manifestaram as mais diversas emoções: Gandalf sorriu abertamente; alguns dos anões, entre eles Óin e Balin, pareceram maravilhados com a presença da bela mulher; outros, como Fili e Kili, estavam claramente confusos e incertos quanto a como reagir... Mas nenhum reagiu como Escudo-de-Carvalho! Este, ao ver a elfa, ergueu-se de um salto e esbravejou com voz que soou como dez trovões:

– O que esta criatura está fazendo aqui?!

Sem se deixar desconcertar pela zanga do anão, a dama reagiu com algo que poderia ser tomado como a mais perfeita diplomacia, realizando uma elegante reverência:

– Boa noite, Thorin, filho de Thrain, filho de Thror, herdeiro de Durin e senhor dos Filhos de Aulë, e boa-noite a todos os seus companheiros. – alguns segundos de silêncio se seguiram – eu sou Amandil, guerreira de Lothlorien, e estou aqui a pedido de Gandalf.

Thorin se voltou com fúria para o mago:

– Como se atreve a chamar um elfo para esta reunião?! Ainda mais uma fêmea! – Gandalf não se alterou. Calmamente, levantou-se e foi saudar a amiga, beijando-lhe a mão com deferência e conduzindo-a até a cadeira que deixara vaga, antes de responder:

– Lady Amandil não é uma elfa qualquer, Thorin... É a filha de Lady Galadriel e Lorde Celebörn, a legítima herdeira ao governo de Lothlorien, e você faria bem em ser mais cortês com uma dama, ainda mais uma de sua estirpe.

– Poderia ser filha do próprio Ilúvatar – devolveu o anão, furioso – Por que a chamou?!

– Porque você vai precisar de mim, Escudo-de-Cavalho – respondeu a moça, com autoridade e confiança na voz – em sua jornada, talvez tenha de ir a Rivendell, e é certeza de que precisará usar a antiga trilha do elfos, na Floresta Sombria... Tendo de passar por um, talvez dois reinos élficos, você certamente precisará de alguém que lhe traga a boa vontade dos Lordes Thranduil e Elrond.

– Não confiaria novamente em sua raça, nem se minha vida dependesse disso – cuspiu o guerreiro, com verdadeiro desprezo na voz – não vou aceita-la nesta companhia. – Mas Balin interrompeu seu senhor, falando-lhe em voz baixa:

– Talvez não seja má idéia... Ela é de Lothlorien, não de Mirkwood, e nada tem a ver com sua rixa com Thranduil. Conhece a habilidade dos elfos tão bem quanto eu, rapaz, e cada espada ou arco a mais contará, quando enfrentarmos o dragão. – e ante a expressão de desagrado do rei anão – pelo menos pense, antes de negar.

O lorde ficou em silêncio por longos minutos; Fili e Kili, seus sobrinhos, tentaram falar algo, mas ele os silenciou com um olhar. Afinal voltou-se para a elfa, seus olhos duros ao perguntar:

– Que motivos teria a princesa de Lórien para nos procurar, se não o ensejo de nos impedir?

– O mundo não se restringe ao meu lar, filho de Thrain – respondeu Amandil – o mal escondido na Montanha Solitária é muito maior do que a perda de uma cidade. Se Smaug se aliar a seres mais tenebrosos do que ele, é impossível mensurar a destruição que causaria; só o que me interessa é matar aquele dragão, que trará dor e morte ao meu povo, se despertar. Sei que não confia em mim, mas, se usar a lógica, verá que não tenho motivos para traí-lo.

– O que um elfo não diz é mil vezes mais importante do que suas palavras – rosnou o guerreiro moreno, ameaçador, tentando perscrutar a alma da elfa com o olhar, seus olhos fixos nos dela numa luta onde um tentava se impor ao outro. Não viu ali, contudo, nada além de firme vontade – sua raça tentará nos impedir. Por que você não tentaria?

– Porque eu sei o mal que um dragão pode causar. – Amandil não recuou ante a avaliação do rei, encarando-o com a mesma firmeza e autoridade, sem permitir que ele sequer vislumbrasse sua mente – e eu não sou os demais de minha raça. Sei que me odeia, e que derramaria meu sangue se pudesse, mas no fundo temos exatamente o mesmo desejo: matar o dragão. Você, para recuperar seu lar... Eu, para proteger o meu. Foi por isso que Gandalf me chamou. Ninguém de meu povo concordaria com tão insensata aventura, mas uma companhia de anões, por outro lado... Ou lhes sobra coragem, ou lhes falta bom-senso. De um modo ou de outro, temos a mesma intenção.

Thorin foi obrigado a concordar que a jovem parecia extremamente sincera. Em verdade, ela não parecia o tipo manhoso ou arguto... Seria antes uma guerreira, uma mulher de ação e palavras diretas, do que uma trapaceira. Mas como saber se não estava mentindo, como os de sua raça faziam com tanta habilidade? Como saber se ela não fazia parte de um plano para frustrar a jornada? Voltando-se para Mithrandir, Thorin declarou:

– Não confio nela, Gandalf... Mas confio em você. Pode me garantir que ela não nos trairá?

– Lady Amandil é fiel à palavra dada. – assegurou o mago – é uma guerreira muito habilidosa, curandeira de dons invejáveis, e conhece os caminhos da Floresta Sombria, a qual teremos de atravessar.

Ainda incerto e cheio de desagrado, o nobre se voltou para seus companheiros de viagem e perguntou:

– O que acham? Temos lugar para um elfo nesta companhia?

– Prefiro ter um guia quando precisar pisar naquelas florestas do norte – disse Balin – Lady Galadriel é famosa por sua honra, e não tenho motivos para suspeitar de que sua filha seja diferente da mãe. – o velho anão sorriu para a dama – temos sua palavra de que não tem a intenção de nos impedir?

– Juro por minha honra e por minha vida que minha mais firme intenção é a de auxiliá-los a alcançar aquela Montanha.

– Tio – começou Kili – vai confiar na raça dela? Já nos traíram antes!

– Não confio – respondeu Thorin – mas creio que, talvez, precisemos mesmo dela. – e para os que ainda não haviam se manifestado – o que acham?

Alternaram-se opiniões favoráveis e desfavoráveis, mas, afinal, todos reconheceram que a participação de uma elfa seria uma grande vantagem, a despeito de quaisquer conflitos existentes a nível pessoal. Contudo, reinava a desconfiança. Foi só então que Bilbo se manifestou, lembrando a todos que ainda estava ali:

– Eu não sei que lendas e histórias vocês anões ouvem... Mas eu li muito sobre o mundo, e se tiver de enfrentar todas as coisas que podem existir lá fora, garanto que prefiro ter um guerreiro elfo comigo... ou uma guerreira elfa, no caso. – e ante os olhares de desagrado dos anões, assinou o contrato – assinei o contrato, e isso me faz membro da Companhia... Se meu voto tiver alguma relevância, voto pela participação de Lady Amandil. – ele olhou para a elfa, trêmulo e assustado com o que fazia; era loucura entrar em tamanho perigo por vontade própria, mas sentia que outra oportunidade não lhe surgiria, se descartasse aquela. E se aquela dama os acompanhasse, bem... O hobbit podia ver nos olhos dela que ali havia um poder e força muito maiores do que seu belo rosto demonstrava. Por alguma razão ilógica, ele sentia que podia confiar a própria vida àquela guerreira... Que entrar naquela missão era o certo a fazer.

Thorin parecia extremamente contrariado, para não dizer furioso: odiava os elfos e, ainda assim, precisava de um deles para ajuda-lo em sua aventura. Preferiria mil vezes lutar contra um exército inteiro daquelas criaturas a ter uma em sua companhia, mas descartar aquele auxílio poria em perigo a vida de seus amigos e parentes – algo que não poderia se dar o luxo de fazer. Por lealdade àqueles que o seguiam, e por nada mais, ele se obrigaria a engolir o orgulho e aceitar... Mas não confiava naquela mulher, de modo algum! Com olhos ferinos, voltou-se para Gandalf, o causador de tão desagradável situação:

– Você fica responsável por ela, mago. Não confio nesta mulher, e ela não é um de nós. Não porei a vida de um anão em perigo para salvá-la, nem arriscarei o resultado da missão – ele se voltou para a dama – se estiver em perigo, vai ter de contar consigo mesma, ou com o mago. Você não é um anão, e tampouco é desta Companhia. Está aqui por causa de Gandalf, mas não me responsabilizarei por sua sorte. Compreende isto?

– Não precisa se responsabilizar por mim, Thorin – respondeu a dama, como se já esperando as palavras do anão – não estaria aqui, se fosse para atrasá-los. Mas pode dormir tranquilo: se eu quisesse prejudica-los de algum modo, bastar-me-ia enviar uma carta a Thranduil, que poria seu exército entre vocês e a Montanha, poupando-me uma de longa viagem até aqui e do risco de ser degolada por você, se não chegássemos a um acordo.

O rei resmungou algo como “ainda não descartei essa hipótese” antes de se voltar para os demais:

– bem, senhores, parece que adquirimos uma acompanhante inesperada. – e falou em khuzdûl para os outros, sem saber que a elfa compreendera cada palavra – se ela ficar para trás, será deixada para trás. A vida de um elfo não significa nada, ante a vida de um de vocês.

Arqueando as sobrancelhas, ela fitou Gandalf, que sorria triunfante; o mago parecia já ter planejado toda aquela conversa, e saber que rumos tomaria. Quando enfim a agitação causada pela chegada de Amandil se reduziu, o Istari tomou a palavra:

– Temos, então, o nosso ladrão; e melhor ainda, temos também uma embaixadora. Preparem-se para sair amanhã, ao raiar do dia. – ele se aproximou de Bilbo – sabia que faria a opção certa, meu amigo.

Bilbo parecia tenso, enquanto os anões se reuniam em sua sala; com medo, ele perguntou ao mago que conhecia desde criança:

– Você pode garantir que eu vou voltar?

– Não. – a voz de Gandalf era gentil e compreensiva — E se voltar, nunca mais será o mesmo.

– Imaginei que diria isso... – havia preocupação na voz do halfling, que começava a se perguntar por que, raios, a presença do elfa o inspirara a cometer tal loucura! Mal pensou nisso, ouviu a voz dela, suave e agradável:

– Pense de outra forma, Bilbo: se não tivesse assinado, iria se torturar eternamente, imaginando como seria se houvesse aceitado. – ela se ajoelhou junto ao hobbit, que ficou ainda mais surpreso ao constatar que ela realmente era pouco mais que uma adolescente – sabemos o que teria acontecido se você não aceitasse. Mas o que vai acontecer, agora? Ninguém pode dizer, e isso é exatamente o mais empolgante: escrever a história com sua própria mão.

– Não gosto da idéia de ser um dos personagens que morrem, nesta história. – respondeu ele.

– então, escreva um final diferente para si. – devolveu a jovem, num sorriso que inspirou novamente o Pequeno e o encheu de confiança. Era impressão sua, ou a mulher parecia emanar uma luz própria? – escute: sei que está com medo, e tem razões para estar... Mas de que vale uma vida não vivida? De que valem mil anos, se estes não forem preenchidos por algo que vale à pena?

– Acha que vale à pena morrer por esta aventura?

– Acho que vale à pena viver esta aventura, e descobrir o que te espera lá fora. – havia tanta paixão na voz de Amandil, que era impossível não se sentir contagiado.

– O mundo não está em seus livros, Bilbo – disse Gandalf, aprovando as palavras da princesa de Lothlorien – está lá fora. E se não o viver, lamentará pelo resto da vida as oportunidades que não aproveitou.

– É fácil para vocês falarem, não é? São imortais! Devem ter o que, dez... Doze mil anos?!

– Um pouco mais – disse Gandalf, com displicência – mas não é isso que conta. O que importa é o que fazer do tempo que nos resta, Bilbo, não importa que sejam dias ou séculos. Você teve a oportunidade, e a agarrou... Agora, só resta ver o que vai acontecer. – o mago foi se reunir aos anões, deixando um hobbit pensativo no corredor. Sentindo sua tensão, a elfa lhe segurou a mão como se fossem velhos amigos:

– Sou jovem pelos padrões de meu povo, Sr. Baggins, mas tornei-me uma boa guerreira nestes quatorze séculos que vivi... Prometo fazer tudo o que estiver ao meu alcance para mantê-lo a salvo, e garantir que voltará para contar sua história.

O halfling encarou a moça ao seu lado com um misto de gratidão e empatia no olhar; havia nos olhos dela tanta bondade e, ao mesmo tempo, tanta força, que ele se sentiu forte. Sentiu-se capaz de enfrentar as tempestades que viriam, mas não conseguia deixar de imaginar por que ela se importaria.

– Por que se preocupa comigo, princesa? Acabamos de nos conhecer...

– Talvez haja em você muito mais do que imagina, pequeno hobbit... Quem pode dizer? Uma coisa eu sei: é o mais corajoso de todos nós. Não é um guerreiro – ela baixou o tom de voz – e sabemos que nunca roubou nada, embora saiba se passar por despercebido. Ainda assim vai partir conosco para o desconhecido... Quão grande é o coração de um halfling, para deter tanta bravura?

– Se soubesse como estou tremendo por dentro, não diria isso. – a elfa riu de suas palavras, e seu riso era cristalino:

– Precisaria ser louco para não estar! Vá se reunir aos outros: anões são barulhentos e ranzinzas, mas vai se sentir melhor se os conhecer um pouco. Acredite: não poderia pedir companheiros de viagem mais leais. – o hobbit começou a andar pelo corredor, mas se surpreendeu ao ver que não era seguido:

– Você não vem?

– Partimos pela manhã, e não quero estragar ainda mais o humor de nossos “amigos”. A mulher se levantou, por pouco não batendo a cabeça no teto – mas estarei aqui à hora da partida. Descanse, meu amigo, pois temos uma longa jornada esperando por nós. – ela caminhou até a porta – boa noite – com um aceno de cabeça, ela deixou o lugar tão subitamente quanto chegara... Aquela estava sendo a mais louca e estranha noite da vida do Sr. Baggins, que já não tinha certeza de estar acordado ou sonhando. Os risos que vinham da sala, contudo, confirmaram não se tratar de um sonho: nem seus devaneios mais loucos poderiam imaginar alguém tão barulhento quanto aqueles anões!

Notas finais
E então? O que acharam? Amandil causando agitação desde o começo... Alguém aí acha que ela vai trair sua palavra? Alguém acha que Thorin vai aceitar tal intromissão pacificamente?Deixem suas reviews, queridos!kisses