Amandil - Sombras da Guerra

12 No reino da Floresta - Parte dois


Notas iniciais
mais um capítulo pra vocês! Estou agilizando porque a semana de folga está acabando, e não sei quando poderei postar outra vez, com o retorno às aulas. Então, aqui vai. Agradeço a todos que vêm comentando nesta história, fazendo meus dias mais felizes e me incentivando a continuar. vocês são demais!

– Sinto muito, meu rei: por mais doloroso que seja o processo, não posso lhe dar qualquer droga para a dor. – explicou Amandil, enquanto esmagava folhas de mallörn com flores de Athelas – consegue suportar?

– Já suportei nas outras vezes, Amandil. Posso suportar novamente. – declarou o soberano, cuja debilidade estava, agora, bem clara para a princesa. Não apenas a ferida estava inflamada e sangrando, como a maldição parecia sugar a energia do rei; examinando seu sogro, ela constatou que ele já perdera bastante peso e que o ferimento se espalhara alguns centímetros pelo rosto.

– Por que não pediu por ajuda mais cedo, majestade? – perguntou ela, aproximando-se da cama de Thranduil, onde o fizera se deitar. Era a primeira vez que entrava no quarto do rei, desde seus tempos de menininha, mas não havia tempo para se impressionar com isso, por mais belo e luxuoso que fosse o aposento. – a dor certamente deve ter retornado há várias luas! Por que não chamou por Lady Galadriel, ou por mim, ou mesmo por Mithrandir?

– Cada um de vocês estava engajado em suas próprias missões. – explicou ele, tentando mover a boca o mínimo possível, devido à dor no rosto – depois de trezentos anos, pensei que poderia suportar...

– E agora, o progresso que havia sido feito se perdeu, pois a ferida tornou a se espalhar, milorde! – censurou ela, abaixando-se junto ao elfo para observar melhor. Cuidadosamente, espalhou a pasta de ervas pelo rosto do monarca, cobrindo os nervos e músculos com o remédio, o qual impediria o tecido de necrosar ou infeccionar. Terminando de fazê-lo, limpou novamente as mãos e falou a seu sogro:

– Volto em um instante. Não se levante.

Ele riu baixinho – que força tinha aquele homem, para rir em tal situação? – e brincou:

– Como quiser, nenith (mãe).

Sorrindo também – era o melhor modo de fazer um paciente se sentir melhor – a jovem deixou o quarto, deparando-se com Legolas e Tauriel. Já havia explicado a situação a eles, mas havia algumas coisas mais a serem ditas:

– Ele está fisicamente debilitado... Esperou tempo demais para pedir por ajuda, e isso o enfraqueceu. Senti a força da maldição que origina a ferida, e acho que posso fazer um encantamento forte o bastante para não ter de ser repetido, contudo...

– Contudo? – Legolas estava ansioso e nervoso com a fraqueza de seu pai, enquanto Tauriel mordia os lábios de preocupação, silenciosa e tensa.

– O feitiço vai debilita-lo muito mais do que o habitual. Ele ficará enfraquecido por dias, talvez até mesmo uma lua inteira. Você terá de assumir o comando do reino, Leg; sugiro que entrem e falem com ele agora, pois ele não vai conseguir falar tão cedo, depois do processo.

Se entreolhando brevemente, os irmãos entraram no quarto sem se preocupar em manter a formalidade; cada um deles se colocou de um lado do leito, e perguntaram em uníssono:

– Como você está, ada?

– Ainda não morri. – respondeu o rei aos filhos – nem vou morrer. Mas acho que Amandil já lhes falou que estarei, bem... Fora de combate, por algum tempo.

– Sim – concordou Legolas.

– Conto com vocês dois – e então se corrigiu – com vocês três, para serem responsáveis e fortes em meu lugar. Assumam minha função; Legolas, você é um excelente administrador; Tauriel, não tenho queixas a fazer quanto a seu desempenho como capitã da guarda, e sei que manterá os soldados na linha. E Amandil... – a moça se aproximou – você é a melhor em política externa. Não deixe Legolas declarar guerra contra metade do mundo. – Pelo modo como o rei, sempre tão sério, estava brincando, Amandil percebeu que ele temia morrer; ao seu próprio modo frio e distante (tornara-se assim após a perda de sua amada esposa, alguns séculos atrás) estava se despedindo, e dando aos jovens uma última boa lembrança de si, dizendo-lhes que confiava neles, e que se orgulhava de quem se haviam tornado. Este era Thranduil: dizia muito em poucas palavras.

– Não se preocupe, pai – disse Tauriel, segurando a mão direita do elfo – cuidaremos de tudo, até que esteja bem. Eu prometo.

– Sei disso. – afirmou o homem, segurando a mão de ambos os filhos. – agora vão, e façam o que têm de fazer, enquanto Amandil tenta me matar.

Os jovens se curvaram para seu pai e rei, e antes de sair falaram à mais moça:

– Por favor, cuide bem dele.

– Sabe que vou cuidar. – devolveu a filha de Galadriel, refletindo na voz uma confiança que não sentia. Depois que seu noivo e a irmã deixaram o quarto, ela voltou para junto de Thranduil. Tirando a capa que vestira, ela murmurou sem jeito:

– Meu rei, preciso... Preciso que tire a camisa...

– Não fique tão constrangida, Amandil – disse o elfo, enquanto abria os botões da camisa – Lady Galadriel também mo pedia. Sei que a maldição se aloja no coração.

Aliviada por seu “paciente” já conhecer o procedimento, e desviando os olhos do corpo bem definido que ele expunha sem constrangimento, ela explicou uma última vez:

– compreende que vou tentar uma cura diferente, não é? Não será paliativa, mas um bloqueio definitivo à expansão do ferimento. Ainda não tenho forças para curá-lo deste mal, mas posso fazer com que não precise passar por esta provação a cada poucos séculos. É perigoso, e vai exigir muito de sua força, que já está consumida. Tem certeza de que quer fazer isso?

– Um rei fraco não é um rei, Amandil. Se o que vai fazer puder garantir que esta... Coisa – ele apontou o próprio rosto – não me debilite outra vez, então enfrentarei o que precisar. Se eu não sobreviver... Legolas será um bom rei. Seja uma boa rainha.

– Não diga bobagens, majestade. – repreendeu a moça, ajudando-o a tirar a camisa e fazendo-o deitar novamente. Com respeito, pousou a mão sobre o peito do nobre, sentindo-lhe o bater do coração contra sua palma; podia sentir a semente do mal alojada dentro daquele peito, como acontecia com toda maldição. Fechando os olhos, respirou fundo e começou a se concentrar, evocando sua força e sua magia; a pele da mulher começou a brilhar e formigar, e um canto baixo e suave começou a escapar de seus lábios.

Embalado pelo hipnótico canto da jovem elfa, o rei assistiu a cada um dos seus sentidos se dissolver, misturando-se uns aos outros até desaparecerem por completo; mergulhado no Vazio, sentindo apenas o torpor e o formigamento que o tomavam – e que em breve se transformariam em dor intensa — compreendeu que não havia volta: ou seria curado, ou morreria, e tudo dependia do poder de sua futura nora.

*

– Não, Thranduil, não! – Amandil sentiu o coração dele parar sob sua palma, e os gemidos de dor cessaram completamente. O desespero transparecia na voz da moça – Não faça isso comigo! Você não vai morrer! – o encantamento fora bem sucedido, mas exigira demais da força do rei. Fazer regredir a maldição de um dragão exigia o poder conjunto do curandeiro e do paciente, empregado numa longa, dolorosa e difícil batalha. E se aquilo havia consumido quase totalmente a vitalidade da elfa, o que não teria feito ao já debilitado senhor da floresta?! – não! Você não pode desistir! – ela lhe tomou o rosto entre as mãos, em pranto – volte! Volte!

Mas Thranduil parecia já ter cruzado o limite a partir do qual não havia volta. Lágrimas escorreram pelo rosto da jovem, que já estava exausta após mais de vinte horas naquele longo processo... O que mais poderia fazer? O que poderia fazer, se o coração dele já não batia?

– Thranduil, volte, por favor! – criando um orbe de energia concentrada na mão, que consumiu ainda mais suas forças combalidas, ela o pressionou contra o peito de Thranduil. A luz penetrou direto no coração inerte, que voltou a bater fracamente, enquanto uma respiração profunda e ruidosa fazia subir o peito do homem; ela se aliviou, mas não tanto... Aquele retorno era breve, e ele logo teria outra parada, se não lhe desse forças... Mas como podia fazê-lo, se mal tinha energia para si?!

Foi então que Amandil se lembrou de um encantamento, algo que só vira sua mãe usar uma vez, mas que podia ser a resposta; iria deixa-la fraca, provavelmente a faria desmaiar, mas seria a salvação para o rei élfico! Que os Valar a ajudassem, e lhe dessem poder para concluir o que começara!

Ela fechou os olhos novamente, concentrando-se em sua respiração: aquela era a fonte pela qual todos os seres viventes absorviam sua energia vital e, através dela, podia-se passar essa energia de um ser a outro. Movida por pura vontade e amor por aquele a quem via como mestre, amigo e – por que não? – outro pai, deixou que todas as forças que lhe restavam se concentrassem em seus pulmões. Curvando-se sobre Thranduil, pousou seus lábios sobre os dele e soprou calidamente dentro de sua boca; uma luz dourada fluiu da boca da moça para a do rei, cuja respiração se tornou mais forte, profunda e regular, enquanto o coração ganhava vigor e regularidade em sua pulsação. De algum modo, por graça de algum Valar, ela conseguira. Após vinte longas horas de uma ferrenha luta contra uma energia mais negra do que já conhecera, ela conseguira bloquear a maldição. Não seria uma cura definitiva, mas faria com que a ferida terrível nunca mais se espalhasse ou infeccionasse. Thranduil não precisaria de outros feitiços para se manter vivo.

Mal podendo se manter em pé, a vista escurecendo, ela abriu a porta do quarto; o guarda que ali se postava se surpreendeu ao ver o estado da princesa, e exclamou:

– Amandil! – por reflexo ele a segurou, bem no instante em que as pernas dela vacilavam – o que aconteceu?

– Chame os pajens do rei, Elther. – sussurrou ela para o guarda, exausta, mas feliz – ele precisa ser banhado e vestido com roupas confortáveis. Seu rei ficará bem.

– Acredito nisso – disse o guarda, que conhecia Amandil desde que esta era um bebê, erguendo-a então nos braços – mas você não está nada bem! – ele parou uma elfa que vinha seguindo pelo corredor, e falou:

– Airmid, chame os pajens, e o príncipe também.

Compreendendo o que se passava, a moça correu a fazer o que lhe fora pedido. Não tardou para que Legolas surgisse, seguido de perto pelos pajens. Enquanto estes se dedicavam a cuidar de seu rei, de acordo com as instruções previamente deixadas por Amandil, Legolas carregou sua amada para o quarto. Ela ainda estava desperta, lutando contra a inconsciência, e sorriu para seu amado:

– Consegui, Leg. Ele vai ficar bem. – foram suas últimas palavras antes de adormecer nos braços de seu amado.

*

Radiante após ter visto seu rei e pai, mas sabendo que ele levaria algum tempo para despertar, não restava a Tauriel nada a fazer, além de esperar. Legolas estava com Amandil – se conhecia os dois, ficariam um bom tempo no quarto – e ela caminhava pelas masmorras, apenas se certificando de que os prisioneiros estavam bem. Entretanto, algo a fez parar em seu caminho: o anão mais jovem, o arqueiro de cabelos negros. Alguma coisa na ousadia, no orgulho e intrepidez que o jovem mostrava, a intrigavam e – era difícil aceitar isso para si mesma – atraíam; curiosidade, certamente! Não podia ser qualquer outra coisa.

O moço jogava para cima um pequeno seixo rolado, de tom azul-escuro. Intrigada, a guerreira parou diante da cela e perguntou:

– A pedra em sua mão... O que é?

– Por que acha que pode se dirigir a mim, elfa? – ele soou ríspido, como ela o fizera quando o conduzira até a cidade.

– Talvez porque você responda minhas perguntas – devolveu ela, também lembrada daquele diálogo. Sorrindo discretamente para o jovem (ele era tão alto e bonito para um anão!), tornou a perguntar – o que é esta pedra?

– Alguns dizem que é um talismã. Que qualquer um que leia as runas, sem ser um anão, será amaldiçoado para sempre – ele estendeu a pedra de modo que a capitã pudesse ler as inscrições na língua anã, o que a fez recuar um passo, mais por instinto do que por medo. Aquilo divertiu o jovem , que riu– Mas depende do quanto acredita nisso; é só uma runa! Um presente de minha mãe, para que eu me lembre de minha promessa.

– Promessa? – ela se aproximou outra vez.

– De que eu voltaria para ela. Ela se preocupa comigo... Acha que sou irresponsável.

– E você é?

– Não. Apenas acho que a vida merece ser vivida. – respondeu o moço, com um sorriso saudoso. – Mas por que a capitã da guarda, Tauriel, desce ao nível dos prisioneiros?

– Talvez para ver se os prisioneiros estão sendo tratados tão bem quanto o rei exigiu que o fossem. – devolveu a guerreira – você já sabe meu nome, mas eu ainda não conheço o seu.

– Kili. – o moço se aproximou das grades, curioso com a bela e elegante elfa que, agora, mostrava-se tão gentil. Neste movimento a pedra escapou de sua mão, quicando para a escadaria. Tauriel a interceptou, e por um instante o arqueiro achou que a runa lhe seria confiscada, mas a mulher apenas lhe devolveu o objeto, dizendo:

– Não a perca... Kili – o jovem se sentiu encantado com o modo como a elfa pronunciou seu nome, naquela voz tão sonora e pura — O amor de uma mãe é o talismã mais poderoso que há. – e com essas palavras, ela partiu, deixando o anão extremamente confuso: por que, afinal, sentia-se atraído por uma elfa? E uma que já o ameaçara de morte, ainda por cima? Ah, devia estar ficando louco com aquele cativeiro!

Tauriel, por sua vez, via-se confusa: sempre pensara que os anões eram rudes, mal-educados, trapaceiros... Verdadeiras bestas sem refinamento. Mas alguns de seus prisioneiros – especialmente Kili – pareciam ir contra todos os conceitos que tinha; que estranho, aquele jovem anão! Talvez ela voltasse ali, para que pudessem falar outras vezes!

*

Amandil despertou em seu quarto. Não se lembrava de ter chegado ali, nem de ter vestido camisola, mas estava deitada em sua cama, muito bem acomodada; certamente Legolas a trouxera, depois que desmaiara pelo esforço mágico realizado no tratamento do rei.

Empurrando as cobertas para o lado, percebeu que lhe fora deixada uma farta refeição sobre sua mesa de trabalho; ia se levantando, quando sentiu uma presença junto a si. Já sabendo de quem se tratava, murmurou:

– Apareça, Bilbo. Eu sei que você está aí.

Descoberto, o halfling retirou o anel que usava; vinha se escondendo há três dias, desde que haviam chegado àquela cidade, sobrevivendo de furtos, dormindo nos recantos que encontrava, seguindo Amandil de longe para tentar falar com a moça, mas ainda não havia ficado sozinho com a princesa. Era óbvio que ela o detectaria, com aquela intuição estranha que possuía.

– Olá, Amandil. – saudou ele, com um aceno de cabeça.

– Olá, meu esperto e corajoso hobbit. – saudou ela, ajoelhando-se e abraçando o amigo. – boa estratégia, manter-se invisível.

– Estou procurando um modo de livrar os anões – declarou o Pequeno – mas ainda não encontrei nada.

– Ah, pode se juntar a mim, pois estou na mesma situação. – a elfa meneou a cabeça, desgostosa e preocupada — E creio que não poderei ajuda-lo tão cedo, querido, pelo menos até que lorde Thranduil se recupere de sua doença. Seria uma traição abominável.

– Mas estamos perdendo tempo, Amandil! – o halfling se irritou: ela não percebia a gravidade da situação?! — O Dia de Dúrin será em menos de quatro meses!

– Sei disso, Bilbo... Mas até mesmo quando se é um quebrador de regras, há limites que não podemos ultrapassar. – ela fitou o amigo com olhos que pediam desculpas – você me compreende, não é? Thranduil é minha família, também... Não posso atraiçoa-lo deste modo!

O halfling imaginou o quão difícil seria aquela situação para sua amiga; já desobedecera a tantas regras, a tantas tradições e costumes de seu povo... Embora, sob o aspecto da amizade, o mais certo a fazer fosse aproveitar a debilidade do rei para libertar os prisioneiros, todos os sentidos de lealdade não lhe permitiriam fazê-lo.

– Eu entendo, Amandil. – disse ele, enfim. – Talvez possamos usar este tempo para convencer Thorin a aceitar a ajuda dos elfos.

– Excelente! – exclamou a moça satisfeita – mas terá de ser você a fazer isso. Vou tentar falar com Thorin e os outros, mas creio que Escudo-de-Carvalho tentará me estrangular, quando me vir.

– É bem provável. – Thorin já gritara tantas pragas contra a jovem, na masmorra, que seria bem capaz de arrebentar a porta da grade para poder matar a elfa.

Fitando Bilbo, Amandil percebeu que ele ainda não se trocara – tinha teias de aranha nas roupas e cabelos, restos de sangue seco salpicado no corpo — e falou:

– Não pode ficar pelo castelo, sobrevivendo de furtos e dormindo pelos cantos. Esconda-se aqui, em meu quarto, onde poderá se banhar e dormir numa cama macia. Darei um jeito de lhe trazer as refeições.

– Ah, eu não poderia dormir em seu quarto, princesa... – o Pequeno corou violentamente.

– Se está preocupado com meu pudor, tranquilize-se: dormirei no quarto de meu noivo. – ela não tinha muita certeza se aquelas palavras tranquilizavam ou horrorizavam o Sr. Baggins, conservador como este era. Dando de ombros, dirigiu-se para a mesinha em seu quarto, onde havia uma bandeja de comida – tem comida suficiente para nós dois aqui, Bilbo! Venha e aproveite!

Por quase uma hora ela e o halfling conversaram enquanto se deliciavam com frutas, leite cremoso, pãezinhos dourados e mel. Discutiam sobre como convencer o teimoso Thorin – e o mais teimoso ainda Thranduil – a trabalharem juntos, quando a moça alertou:

– Coloque o anel, Bilbo. Alguém está vindo, e não devem encontrar você!

O hobbit se ocultou com o anel que o tornava invisível, e escondeu-se sob a cama da moça. Para a felicidade da dama, quem adentrou o quarto foi seu amado Legolas; ao ver sua futura esposa desperta e se alimentando, seu semblante se iluminou com um sorriso:

– Finalmente acordou, dorminhoca! Dormiu quase um dia inteiro! – provocou, tomando sua Amandil nos braços. Rindo, ela devolveu:

– Claro, porque eu não fiz quase nada, afinal! Só parei o efeito de uma maldição que tem vários milênios! – devolveu a guerreira, fingindo-se indignada antes de beijar seu amado. – Como ele está?

– Dormindo, como você disse que estaria. Mas está bem: os sinais vitais estão fortes, e tenho certeza de que aquele teimoso, cabeça-dura vai acordar muito antes do que imaginamos.

A moça suspirou em alívio, uma vez que pouco ou nada se lembrava de suas últimas ações antes de desmaiar. Mas Legolas parecia tranquilo e confiante, então ela também ficaria! Olhando pela janela, constatou que era noite, e isso lhe deu alguma idéias.

– Já é noite fechada... Não esperam que o príncipe regente se ocupe a esta hora de assuntos de Estado, esperam? – perguntou, sussurrando ao ouvido do jovem, que lhe sorriu com malícia ao responder:

– Acho que já tenho um compromisso, esta noite. – e tomando a jovem nos braços, puxou-a consigo para seu quarto, cuja porta era bem em frente ao da princesa, que sorriu duplamente: não apenas conseguira tirar Legolas de seu quarto, a fim de que não descobrisse Bilbo, como ainda teria uma noite maravilhosa pela frente.

O casal entrou no quarto e tratou de trancar a porta – apenas uma medida de segurança anti-Tauriel. Fitaram-se mutuamente por alguns segundos, um segurando as mãos do outro, para então se envolverem num beijo intenso e apaixonado. Ele a ergueu nos braços e levou até a cama ampla, de dossel verde – o quarto do príncipe era bem parecido com o dela própria, tendo apenas menos adornos pintados na mobília. Numa brincadeira, simplesmente deixou-a cair no leito, ao que Amandil protestou:

– Ai! – e bateu no peito dele, sem força — Se eu fosse um pouco mais frágil, você me quebraria, seu brutamontes!

– Se você fosse um pouco mais frágil, não teria me quebrado tantas vezes, no passado – riu-se o moço, beijando-a com paixão. Quando estavam juntos, nunca havia tristeza, pois sempre brincavam e provocavam um ao outro. Eram noivos, eram amantes, mas, acima de tudo, eram melhores amigos.

Tirando a camisola de sua noiva, o guerreiro a contemplou com admiração, deslumbrado com a beleza dela; Amandil, por sua vez, não perdeu tempo em tirar a camisa de seu amado e abrir-lhe o cinto, desejosa de ver diante de si o corpo perfeito do príncipe, modelado por séculos de esgrima, cavalgadas, escaladas... Ele tinha porte atlético e músculos definidos sem exageros; ombros largos, quadris estreitos, abdome definido sem perder a elegância. A pura expressão da perfeição masculina, e inteiramente dela!

Deitados no leito, trocavam carícias íntimas, ora delicadas, ora intensas, em meio a sussurros que morriam entre os beijos apaixonados; havia cinco anos que não ficavam daquele modo juntos, e todo o amor e desejo afloravam de uma só vez, aumentados pelas saudades. Sem preocupação com anões, reis ou guerra em suas mentes, deixando longe de seus corações tudo que não fosse eles dois, amaram-se por toda a noite, até adormecerem enfim, felizes e satisfeitos, nos braços um do outro, quando o Sol já nascia.

Notas finais
O que acharam? Gostaram? Odiaram? Um pouco dos dois? Green Laufeysson, aqui está a cena que você queria, hahaha! Acho que a Lyn Black vai ficar com ciúmes do Legolas, mas isso já é de praxe, então... Agora, Thranduil está incapacitado, talvez até mesmo por uma lua inteira, e a lealdade de Amandil a impede de libertar seus amigos - embora sua lealdade a eles a torture, insistindo que deveria fazê-lo. Como resolver isso?! E Bilbo finalmente apareceu! Ah, esse pequenino corajoso, que rouba meu coração com tanta bravura! É sério, eu queria ter um Bilbo pra mim! É muita fofura e coragem num hobbit só! E já tivemos o primeiro contato entre Tauriel e Kili... Pra quem já leu A Filha das Estrelas, sabe no que isso vai dar. O que acharam da cena? Bom, espero realmente que tenham curtido, meus amores. Se gostaram, favoritem, acompanhem, recomendem, deem o Orlando Bloom, o Aidan Turner e o Lee Pace de presente pra mim... O que acharem melhor, ok? kisses