Notas iniciais
Aeee, meninas! demorei, mas estou com internet de novo. Minha frequência de postagens deve cair um pouco, pois comecei a faculdade, e é impressionante a habilidade que os professores têm de marcar todos os projetos e trabalhos para o mesmo dia... Mas vou fazer o possível para continuar atualizando com regularidade, ok? Espero que curtam esse capítulo

Amandil cavalgou velozmente através do campo; podia ouvir a voz de Radagast a chamar pelos orcs, atraindo a atenção de parte do grupo, enquanto ela própria conduzia outra parte dos caçadores para si. Por duas ou três vezes um warg chegara perigosamente perto – o bastante para que ela pudesse ver a marca de Gundabad queimada na pele do orc que o cavalgava – apenas para encontrar a morte no fio da espada da moça; incitando sua montaria a ir ainda mais depressa, ela conseguiu travar contato visual com Radagast, e gritou:

– Radagast, fuja! Já cruzamos o Bruinen! Deixe-os comigo!

Compreendendo o que a mulher queria dizer, o Mago Castanho virou seus coelhos numa manobra rápida que fez os lobos virarem nos calcanhares tentando alcança-lo; a princesa élfica, contudo, cortou-lhes o caminho, dando-lhe nova presa. Agora, todo um grupo de cinquenta orcs e quinze wargs estava ao encalço da guerreira, que continuou em frente através da planície: conhecia bem aquela região, e sabia que a ajuda não tardaria a chegar.

Com efeito, menos de um minuto se transcorreu antes que, assobiando rente à orelha da elfa, uma seta de plumas brancas voasse direto no olho direito do warg mais próximo da moça. O lobo ganiu e caiu morto de imediato, enquanto mais flechas de penas claras choviam sobre a horda; um clarim soou, e nove cavalos brancos e cinzentos surgiram de trás da colina adiante, montados por cavaleiros que envergavam armaduras prateadas e portavam espadas longas. A jovem reconheceu de imediato o que encabeçava o grupo: Lorde Elrond, senhor de Rivendell, pai de Arwen, Elladan e Elrohir, e esposo de Celebrían. Ele lutava com golpes poderosos e indefensáveis, que derrubavam qualquer um em seu caminho; emparelhando sua montaria à do soberano, ela se juntou ao combate, até que todos os invasores das terras élficas estivessem mortos.

Enquanto os soldados rolavam os cadáveres e os empilhavam para incinera-los, o lorde élfico aproximou-se da jovem princesa; era um homem alto e moreno, de cabelos compridos presos para trás, trajando vestes vermelhas sobrepostas por uma armadura dourada brilhante. Seu rosto possuía uma força e inteligência aguda nas feições angulosas, e o mais feliz dos sorrisos brilhava em seus lábios quando, descendo do cavalo, abraçou Amandil.

– Que saudades, minha filha! – sussurrou ele, cingindo-a contra o peito, antes de afastar-se para fita-la melhor – Mas o que está fazendo por aqui, e perseguida por um bando de orcs? Espero que tenha uma explicação muito boa para isto!

– Estou em uma viagem com Mithrandir, papai. – respondeu ela, sorrindo com ar de culpa – estávamos sendo perseguidos, e desviei os orcs para cá, onde eu sabia que os guardas da fronteira os liquidariam. Apenas não esperava que o Senhor de Rivendell aqui estivesse, também!

Rindo com a imensurável alegria que preenchia seu peito, o monarca abraçou outra vez sua filha; embora fosse o verdadeiro pai de Amandil, os dons especiais com que a garota nascera haviam feito com que forças sombrias se voltassem à procura da recém-nascida... Assim, o elfo permitira a Lady Galadriel – avó materna da menina – que a levasse para ser criada como sua filha, de modo a esconder a localização e a identidade da princesa, até que esta fosse mais velha. Uma decisão da qual se arrependia todos os dias...

– Teremos tempo para isso, Ada – a voz da moça interrompeu seus pensamentos — agora temos de lidar com os corpos. – e assim dizendo, a princesa se aproximou da pilha de cadáveres, fazendo um gesto para que os demais se afastassem.

Com uma respiração profunda, a guerreira juntou as mãos diante do rosto e se concentrou; deixou que o calor de seu corpo crescesse e aumentasse até parecer que havia chamas líquidas a correr por suas veias, quando então abriu os olhos e, em um sopro rápido, deixou que toda aquela energia fluísse para os cadáveres, os quais se incendiaram de imediato. As labaredas arderiam até que nada mais restasse dos corpos.

– Cada dia mais parecida com Lady Galadriel – declarou Elrond, orgulhoso das habilidades da filha – Aceitaria nosso humilde convite para visitar o Vale, princesa de Lothlorien? Talvez possa nos contar a respeito de sua “viagem” com o mago, e explicar como acabaram se encontrando com orcs. – havia divertimento na voz do rei, algo não muito frequente de se ver.

– Com todo o prazer, Majestade – a jovem devolveu a provocação, saltando para as costas de seu cavalo. O grupo se voltou na direção do vale, e incitou os cavalos a um trote moderado; não apenas o soberano, mas todos os elfos do destacamento, regozijavam-se em ter a princesa novamente consigo.

*

A perplexidade se espalhou no rosto de toda a Companhia quando Amandil se juntou aos amigos para o jantar; já haviam percebido que a jovem era muito bonita, e isso quando a haviam visto em trajes masculinos, cabelos sempre presos para trás, sem qualquer adorno... Agora, ela vinha até eles vestida como uma princesa élfica, usando um longo e vaporoso vestido de seda lilás, com mangas longas que quase se arrastavam no chão; os cabelos da cor de mel escuro cascateavam soltos em ondas perfeitas, emoldurando o rosto e anelando-se até os quadris, aos quais se prendia um cinto prateado de flores. Uma tiara de flores brancas adornava-lhe a cabeça, e um colar de gemas brancas pousava no colo delicado; ela parecia uma estrela descida dos céus, e até mesmo Thorin se engasgou e perdeu o fôlego, momentaneamente atordoado ao contemplar a companheira de viagem.

(Vestido Amandil)

– Boa noite, meus amigos – saudou ela – Boa noite, Lorde Elrond... Perdoem-me o atraso, mas muitos amigos me fizeram parar pelo caminho até aqui.

– Está belíssima esta noite, Princesa dos Galadhrim – disse Elrond, erguendo-se e conduzindo a jovem pela mão até a cadeira à sua esquerda – Lothlorien possui muitas belezas, mas não creio que alguma delas supere a sua.

– É muito gentil, meu senhor. – respondeu a moça, sentando-se com elegância antes de se dirigir aos anões e ao hobbit – espero que tenham passado bem estas últimas horas.

– Lorde Elrond é um excelente anfitrião – foi Bilbo quem se manifestou, sem dar a Thorin a oportunidade de dizer alguma besteira que insultasse os elfos – e já vi mais maravilhas nestas poucas horas do que em toda uma vida anterior.

– O Vale de Imladris tem muitas belezas para revelar, Bilbo. Talvez um dia eu lhe possa mostrar com mais calma – respondeu a jovem, perfeitamente encaixada em seu papel de dama, tanto quanto se encaixara no papel de viajante e guerreira, naqueles dias anteriores.

– O que me leva à minha pergunta – começou o anfitrião da Companhia – o que leva um grupo tão inesperado a cruzar esta região? Hobbits são pouco comuns, fora do Shire, e não é sempre que se vê um mago e uma dama de Lórien acompanhando uma comitiva de guerreiros e príncipes anões.

– Nossos assuntos são particulares – respondeu Thorin – vir para Rivendell não estava em nossos planos, mas fomos emboscados por orcs, e este era o único caminho seguro.

– Ainda assim, de acordo com Gandalf, precisam de minha ajuda; de que natureza seria tal ajuda?

Thorin fuzilou Gandalf com os olhos, mas o mago apenas sorriu, esquivando-se à pergunta do amigo:

– Por que não deixamos este assunto para mais tarde? Tenho algo a lhe mostrar que achará realmente interessante!

O soberano trocou um olhar significativo com a filha, que riu baixinho das esquivas do mago, as quais sempre exasperavam o senhor de Rivendell. Enquanto isso, o mago retirou do cinto a espada embainhada, e a apresentou ao elfo.

– De acordo com a senhorita Amandil, tratam-se de armas do reino de Gondolin; trago esta comigo, e Escudo-de-Carvalho empunha outra. – continuou o Istari, enquanto o senhor da cidade examinava o objeto.

– De fato, Mithrandir, trata-se de uma espada de Gondolin. Esta é Glamdring, o Martelo do Inimigo, forjada para Turgon, na Primeira Era, usada outrora pelo rei de Gondolin; brilhará com luz branca à presença de inimigos. — Thorin também apresentou sua espada, satisfeito em desviar a atenção do elfo de seus assuntos – e esta é Orcrist, a Fende-Orc, que pertenceu a Ecthelion da Fonte. Espadas das primeiras guerras, forjadas com artes que não se possui mais, nos dias correntes. Onde as conseguiram?

– Uma caverna de trolls – foi Fili quem respondeu, já começando a se sentir à vontade naquela cidade de maravilhas, mesmo estando cercados por um povo tido como hostil por seus parentes – havia três na floresta.

– Trolls? – Elrond estava realmente surpreso – quando foi que trolls vieram tão para o sul, nesta era?

– Não vieram. Não desde que poderes sombrios vagaram por nosso mundo. – respondeu Gandalf. Bilbo olhava longamente para a própria espada, incerto se devia apresenta-la ou não; Balin, gentil mas franco, respondeu-lhe:

– Não creio que esta arma tenha um nome, rapaz... Nomes de armas vêm de seus feitos em batalha... A sua parece ser antes uma faca longa do que uma espada.

– Pode nomeá-la por si mesmo – sussurrou Amandil para o hobbit, que estava sentado ao seu lado – de acordo com os feitos que realizar.

– Vamos esperar que não haja feitos a realizar – devolveu o anão idoso – e que tudo isso corra da melhor forma possível.

– Bem, então, ele poderia nomeá-la Boa-Sorte, pois só com muita sorte não teremos de lutar – riu-se a garota, em voz baixa.

O jantar terminou em relativa tranquilidade; o sisudo Thorin pouco falou, mas felizmente não foi grosseiro, tampouco o foi qualquer um dos demais. Podia-se ver que a atmosfera de paz e acolhimento de Rivendell atingia a todos, acalmando os ânimos e desfazendo as predisposições a rixas e discussões. Finda a refeição, o soberano se levantou e dirigiu-se aos convidados:

– pedirei às aias e aos pajens que os levem a seus aposentos. São todos muito bem-vindos aqui, e estarão em segurança pelo tempo que decidirem permanecer. – moças e rapazes elfos surgiram na varanda às palavras do rei, todos muito gentis e sorrindo, e guiaram os anões e o hobbit à ala que lhes fora destinada. Amandil também ia se levantando para acompanhar os amigos, quando a voz de seu pai a impediu:

– Amandil, você fica em nossa companhia. – ela se sentou de novo, esperando que todos os anões houvessem saído, quando então perguntou com tom de quem espera uma reprimenda:

– O que foi que eu fiz, agora?

– É o que lhe pergunto. Sua avó, Galadriel, não sabe dos objetivos desta missão, sabe? Até onde você lhe falou, ia ao encontro de Mithrandir. O que está escondendo?

– Eu fui ao encontro de Mithrandir! – defendeu-se a garota – apenas não disse que objetivos teríamos depois de nos encontrarmos.

– São esses os objetivos que me preocupam. O que realmente poderia levar uma princesa élfica a viajar com um grupo de anões e, mais ainda, levar os anões a aceitarem a presença de uma mulher élfica entre si?

A jovem olhou de modo suplicante para Gandalf, como que lhe implorando que a livrasse disso; o olhar que o mago lhe devolveu não deixava margem para dúvidas: ela não devia falar nada. Ele resolveria o problema.

– Não posso falar, Ada. – respondeu Amandil, enfim – porque não diz respeito a mim, e sim, à companhia. Apenas Thorin, como o líder da expedição, tem o direito de lhe contar nossos planos, se assim achar que o deve.

– Amandil...

– Por favor, pai, não pergunte aquilo que eu não posso responder! – pediu a guerreira, levantando-se da mesa depressa, angustiada – dei a minha palavra, e não posso voltar atrás. Somente Thorin ou, talvez, Mithrandir, podem lhe responder o que quer saber.

Elrond franziu o cenho, surpreso e admirado com o comportamento da filha; ela honrava a palavra dada acima de tudo, e esta era uma característica valiosa... Contudo, poderia coloca-la em perigo! Sabia-se lá o que mais ela prometera aos anões, e ele sabia que chegaria mesmo a morrer antes de quebrar uma promessa... Sua filha mais nova... A melhor e mais complicada pessoa que já conhecera. Meneando a cabeça, comentou:

– Não sei como Thranduil não ficou louco com você, nos anos em que já passou em Greenwood.

– Ele ficou... Algumas vezes. – brincou a moça, beijando a testa do pai – com sua licença, Ada, vou me retirar. Você e Gandalf têm muito a conversar.

– E também você – falou o rei – há uma pessoa à sua espera, no caramanchão de flores. Alguém que não vai se satisfazer com respostas vagas como eu.

– Quem? – a angústia apertou o coração da elfa, que temeu se tratar de sua mãe adotiva, da qual não havia como esconder algo.

– Por que não descobre? – sorriu o soberano, desaparecendo com o mago por uma porta que dava para o interior da ala leste. Tensa e preocupada, Amandil tomou o caminho do caramanchão, imaginando quem poderia estar à sua espera... Ninguém sabia que ela estaria ali! Como poderiam estar esperando por ela, então?

Ela cruzou o bosque e atravessou a ponte sobre o riacho; estava a apenas alguns passos do caramanchão quando seus olhos viram a pessoa que a aguardava, e seu coração deu um salto dentro do peito: mais belo do que ela se lembrava, com seus cabelos louros e olhos azuis, trajado de prata e com olhos luminosos, o príncipe Legolas, filho do rei Thranduil da Floresta Verde, aguardava por ela. A única pessoa para quem nunca conseguiria mentir, a pessoa que podia ler sua alma com um simples olhar... Seu noivo, seu amado.

Notas finais
Quem gostou desse capítulo?! Ééééé, fãs do Legolas... A coisa vai ferver. O príncipe de Mirkwood não vai gostar nada de saber que sua noiva está cruzando a Terra-Média com um bando de anões, e que Erú livre a Amandil de Thorin descobrir quem é o noivo da moça. O circo esta armado! hahaha! Espero que tenham curtido, e se gostaram, favoritem, recomendem, comentem, dêem o Orlando Bloom de presente pra mim... façam o que acharem que a fic merece, ok? kisses, flores do meu jardim