Amanda, a cearense em South Park
7 Show de talentos
Notas iniciais
– Ah, Butters, já ia me esquecendo — afirmei, assim que chegamos a escola juntos.
– O quê? — perguntou Butters.
– Qual foi o motivo para o Cartman subir na janela do quarto do Kyle ontem?
– Bem, era porque ele esperava que o Kyle estivesse dormindo para depois poder riscar seu rosto — respondeu — Mas, como pôde ver, ele se deu mal — dei uma pequena risada após me lembrar da situação, enquanto Fernanda observava conversa seriamente — E o motivo de você ter feito ele cair foi por vingança, né?
– Pois é — respondi, dando um pouco mais de risada.
– Mas, precisava gritar no meu ouvido?
– Precisava — respondi — Porque você estava segurando ele com aquela vara de pescar.
– Mas, não poderia pensar em algo melhor?
– Er...até que podia — respondi — Mas, achei mais engraçado assim — Butters suspirou e Fernanda balançou a cabeça para os lados.
De repente, fui supreendida com Cartman me agarrando pela blusa com força e expressão de raiva.
– Qual foi o seu problema!? — berrou, que fez todos olharem para nós — De me fazer cair daquele jeito ontem!?
– Calma, Cartman. Calma! — disse — Foi só uma brincadeira.
– Brincadeira uma ova! — berrou, me empurrando para trás, quase me fazendo cair — Você estava rindo como se quisesse mais do que isso! — suspirei e logo, disse toda a verdade.
– Ok. Vou contar toda a verdade — comecei — Você prejudicou a mim e a minha irmã no nosso primeiro dia de aula, e precisei fazer uma vingancinha pra você.
– Olha que eu não tive nada a ver com isso, ok? — afirmou Fernanda.
– "Vingancinha" — disse Cartman, mexendo os dedos indicadores e médios de ambos as mãos, pra cima e pra baixo.
– Ta, não foi uma "vingancinha", foi uma grande vingança — corrigi — Mas, espero que tenha aprendido algo com isso, Cartman — Cartman grunhiu.
– Você que vai aprender uma coisa! — ameaçou-me e logo, se virou e se afastou de mim.
– Eu te disse que você está em uma baita encrenca — comentou Fernanda, passando na minha frente.
"Arriégua, que tédio!" pensei enquanto copiava a lousa. De repente, alguém me deu um pedaço de folha de caderno rasgada, onde estava escrito o seguinte: "Oi. Vire-se para direita". Quando me virei, vi uma menina de cabelo encaracolado longo e ruivo escuro, e acenei pra ela. Logo, ela rasgou mais um outro pedaço de papel e escreveu, que por alguns segundos, me entregou. Estava escrito: "Te vi ontem na casa do meu primo". Fiquei atônita e também rasguei um pedaço de uma folha do meu caderno e escrevi: "O seu primo, por acaso, é o Kyle?". Entreguei pra ela, que logo, assentiu com a cabeça que sim para mim.
A menina logo, me deu um outro pedaço de papel onde estava escrito: "Outro detalhe é que eu também sou vizinha dele". Depois de alguns segundos, me deu um outro pedaço: "Você fez aquilo com meu namorado porque estava com raiva dele por ele ter prejudicado a você e sua irmã ontem aqui na escola?" Eita! A prima do Kyle namorando o Cartman!? Nossa, que coisa mais irônica, não acha? Me pergunto como é esse namoro.
Ela me deu um outro pedaço de papel: "Sei que o Cartman é assim ignorante e eu sou a namorada dele, e também prima de seu rival, mas tipo, meio que consigo aguentar isso, e de vez em quando dou uma conversinha com ele sobre isso". Logo, escrevi em um outro pedaço de papel e a entreguei: "Ah! Isso é bom para um relacionamento sério". A menina sorriu e entregou o último pedaço de papel de hoje: "Pois é. A propósito, meu nome é Natalie, mas pode me chamar de Nate".
Assim que Nate fez isso, o sinal da escola tocou, anunciando a hora de ir para o recreio.
– Muito bem, crianças, o segundo turno acabou. Aproveitem o lanche — anunciou o Sr. Garrison, saindo de sua mesa.
– Foi um prazer conhecê-la — disse Nate se aproximando de mim.
– Igualmente — respondi e logo, Nate saiu da sala.
– Quem era a ruiva? — perguntou Fernanda atrás de mim.
– Nate — respondi.
– Ela é prima do Kyle e namorada do Cartman — concluiu Butters. Fernanda ficou boquiaberta.
– Valamideus! — suspirou Fernanda.
– Sei como é — comentei e assim, saímos da sala.
Durante o recreio, fiquei tocando violão e cantando para minha irmã e meus amigos de até agora, Butters, Kyle, Stan e Craig.
– Você poderia participar do Show de Talentos, Amanda — sugeriu Butters.
– É mesmo, né? — concordei — Quando é?
– Bom, as inscrições já estão abertas — respondeu Stan.
– Legal — disse — Mas, que dia será?
– Dia 20 — respondeu Kyle — Será um show de talentos da primavera.
– Que irônico — comentei com ironia.
– O quê que é irônico? — perguntou Kyle.
– Fazer um show de talentos da primavera em um lugar que neva todo ano, mas eu só estou sendo irônica — respondi e todos caíram na gargalhada. Logo, me virei para Fernanda que estava olhando o celular de Craig, enquanto ele usava — E a Fernanda só no aconchego, né?
– Cala a boca — insistiu.
– Realmente, você não é muito de falar, né, Craig? — perguntei. Ele virou os olhos para mim com seriedade e voltou ao celular, dando um suspiro.
– Pois é — respondeu em um tom sério.
– Que ta fazendo aí nesse celular? — perguntei, erguendo a cabeça para o celular.
– Ah, nada. Só jogando — respondeu ainda mais sério.
– Legal! Five Nights at Freddy's! — disse, após reconhecer o jogo.
– É, pois é — disse Craig — Eu gosto de jogar quando estou sem fazer nada.
– Eu também — comentei. Logo, me virei para Fernanda novamente, mexendo as sobrancelhas pra ela, que por sua vez, fez "pfffffftttttttt".
Depois das aulas, fui logo ao quadro de panfletos da escola para me inscrever para o Show de Talentos.
– Hum...onde é que está o panfleto de inscrição...? — perguntei-me, enquanto checava os panfletos. Até que em alguns segundos, encontrei o do Show de Talentos — Ah! Ta aqui! — afirmei por mim mesma e logo, assinei meu nome na lista. De repente, um garoto deficiente veio em minha direção me pedindo licença, na qual, dei.
O garoto também tinha assinado seu nome na lista do Show de Talentos, assim que dei licença pra ele. Depois que terminou, ele se virou pra mim.
– V-você é a n-n-nova aluna, não é? — perguntou o garoto, sem nervosismo nenhum, apenas estava gaguejando.
– Sim — respondi.
– M-m-muito prazer, eu sou J-J-J-J-J-J-J-J-J-Jimmy Valmer.
– Muito prazer, Jimmy — disse sorrindo — Já conhece minha irmã, Fernanda? — disse apontando para ela, que por sua vez acenou para Jimmy.
– N-Não. Ainda não t-t-t-t-t-tive o prazer — Jimmy apertou a mão de Fernanda.
– Então, o que sabe fazer de bom para se inscrever para o Show de Talentos? — perguntei curiosamente.
– B-Bom, eu c-c-conto piadas.
– Sério? — perguntei — Conta algumas? — Jimmy ficou contando algumas piadas, fazendo eu e Fernanda morrer de rir.
– Que piadas boas, Jimmy — elogiou Fernanda.
– É — concordei.
– O-O-O-O-O-O-O-O-O-O-Obrigado, meninas — agradeceu Jimmy — A-A-Agora, eu p-p-p-preciso ir. Até amanhã!
– Até amanhã, Jimmy! — despedi, juntamente com Fernanda.
Fiquei treinando para o Show de Talentos dia após dia, inclusive eu até apresentei para meus amigos, que me deram vários apoios.
Assim que chegou o dia do show, comecei a ficar nervosa, ainda mais porque tinha só que ter apenas um vencedor e o prêmio era um troféu não muito grande.
– V-V-V-V-Você está nervosa? — perguntou Jimmy, assim que se aproximou de mim.
– Como adivinhou? — perguntei.
– Da pra ver c-c-claramente em seu r-rosto — fiquei com mais vergonha ainda — M-Mas, relaxa. E-E-Eu sei que é s-s-s-s-s-s-sua primeira vez que vai se apresentar no Show de Talentos d-d-daqui, mas tenho certeza que você vai se dar bem — sorri pra ele.
– Obrigada, Jimmy — agradeci.
Se passaram muitos minutos durante o Show de Talentos e eu ainda estava esperando minha vez, mas enquanto isso, ficava praticando. Porém, cheguei a ver alguns shows, incluindo o de Jimmy, que não pude deixar de ver e rir bastante, e isso ajudou a me acalmar quando chegar minha vez.
Depois que Cartman apresentou seu teatro individual, o Sr. Garrison finalmente chamou meu nome. Cartman encostou a mão em meu ombro, que logo, me virei para ele. Estava fazendo uma expressão irônica, como se quisesse que eu me desse mal, o que não me supreendeu.
– Boa sorte — apoiou Cartman ainda mais irônico. Não respondi nada, apenas me afastei dele e fui ao palco, arrastando um banco e o violão preso em minhas costas.
O Sr. Garrison pegou um pedestal e prendeu o microfone nele, fazendo apontar para meu rosto.
– Boa sorte, Amanda — sussurrou para mim e logo, saiu do palco.
Olhei a multidão por alguns segundos e então, comecei a falar.
– Boa noite — disse e todo fez a mesma coisa para mim — Meu nome é Amanda Fonseca Ximenes e vou tocar uma música de origem do meu país, Brasil. O nome dela é "Pais e Filhos", que no inglês significa "Parents and Children", do Legião Urbana — todos aplaudiram e assim, comecei a tocar e cantar.
Depois do meu show, todos aplaudiram novamente e eu fiquei muito emocionada. Me reverenciei para a plateia e logo, agradeci a todos. O Sr. Garrison subiu ao palco assim que eu sai.
– Muito bem, Amanda — elogiou ele — Foi uma música linda — Após voltar aos bastidores, Jimmy e muitos outros dos concorrentes me deram elogios, e Cartman me olhou desinteressado.
Depois de mais alguns outros shows, o Sr. Garrison finalmente pôde anunciar o vencedor.
– E o vencedor do Show de Talentos da primavera deste ano é... — começou a falar, enquanto abria um envelope com o nome do vencedor dentro e eu ficava nervosa — Amanda Fonseca Ximenes! — fiquei atônita, mas ao mesmo tempo mais emocionada ainda. Todos aplaudiram e os outros competidores me deram parabéns, exceto Cartman, que deu um grunhido.
Subi ao palco novamente para receber meu prêmio. Ao fazer isso, peguei o troféu e o microfone das mãos do Sr. Garrison e ele ficou no meu lado, ouvindo meu discurso, enquanto a plateia parava de aplaudir.
– Obrigada — agradeci — Bom, eu sou novata nessa escola, ou seja, é minha primeira vez que me apresento aqui e com isso, nem cheguei a pensar que seria a vencedora, mas aqui estamos. Estou muito emocionada. Obrigada a todos — terminei, levantando o troféu para o público, enquanto aplaudia novamente.
Ao sair do palco, fui em direção aos meus pais e minha irmã, que me deram um abraço.
– Meus parabéns, filha — elogiou meu pai.
– Nada mal pra sua primeira vez — comentou Fernanda.
– Obrigada, gente — agradeci ainda mais emocionada.
Depois do abraço, nós fomos para saída e Cartman passou do meu lado rapidamente, me olhando com desprezo.
– Quem era aquele garoto que te olhou com desprezo, Amanda? — perguntou minha mãe, assim que Cartman saiu de perto de mim.
– Era o Cartman — respondi, depois de dar um suspiro.
– Então, era aquele garoto que você vive criticando? — perguntou meu pai.
– É, pai. É — respondi, mesmo sem nenhum interesse de conversar sobre isso.
Fale com o autor