Notas iniciais
Olá, sejam bem vindos á mais um capítulo, comentem bastante o que acharam e se estão curtindo a história, isso ajuda bastante nós escritores.

Nos dias atuais....

Depois da minha formatura do ensino médio, meus pais me pressionavam a respeito de qual faculdade seguir. E apesar de quase nunca estarem presentes e eu praticamente ter me criado sozinha, ainda sim me sentia na obrigação de deixá-los orgulhosos. Mas isso era realmente o que eu queria?

A minha vida toda eu li, para ser sincera é possível que tenha lido a maior parte ou até mesmo todos os livros da nossa biblioteca particular e da biblioteca da cidade. Sempre fui apaixonada por história, cultura, mitos, aquilo me fascinava de uma forma que não posso explicar. Mas em uma tarde quase no início do verão que eu o achei, o templo de Allah. Eu já havia pesquisado muito a respeito, e mesmo nunca imaginado que passaria minhas férias na Arábia Saudita sozinha, eu estava determinada. Pesquisei algumas excursões com empresas de turismo e fechei um pacote, quinze dias viajando pela Arábia, e depois disso, teria que aceitar meu destino.

— Você pegou tudo Melanie? — Alice perguntava ao telefone, sim, eu não a chamava de mãe e nem ele me chamava de filha, o primeiro nome bastava. E como sempre, o trabalho em primeiro lugar, ela não estava presente nem quando eu iria voar para o outro lado do mundo. Talvez estivesse aliviada por eu estar. Eu tentava não a julgar, sabia que tudo que ela fazia era para o meu bem, mas era difícil não se sentir importante.

Meu pai era um homem maravilhoso, eu me sentia como se fosse uma princesa quando me derretia entre seus braços, ainda me lembro da sensação. Infelizmente a vida o tirou de mim quando ainda tinha quatro anos. Desde então minha mãe tem convivido com muitos homens a fim de preencher o vazio que ele deixara. E foi quando completei doze anos que ela se casou novamente com Matt, sua ex-esposa também havia passado pelo mesmo fim trágico que meu pai, e ele carregava duas menininhas com ele. Ao menos eles eram felizes e eu me entendia muito bem com suas filhas, apesar de ainda sentir que ele não me queria perto delas.

— Sim Alice, não se preocupe, vou ficar bem! — Disse e ouvi sua respiração lenta e calma, algo a preocupava, talvez fosse o trabalho ou algo do tipo.

— Tem certeza de que precisa ir? — Ela perguntou enquanto eu colocava as malas no carro, segurando com cuidado para que o telefone não caísse.

— Tenho sim, se você e Matt querem me mandar para uma faculdade no Canadá...essa é a minha condição. — Ela suspirou novamente e se despediu. A semana inteira ela havia me importunado dizendo que eu estava obcecada e algo estava errado comigo.

Quando saí de casa as meninas ainda estavam dormindo e Matt não estava la, para a minha sorte. Peguei um taxi e recostei a cabeça na janela, por um momento eu pensei em desistir, que loucura que você está fazendo Melanie?, mas empurrei aquele pensamento o mais profundo na minha mente e tentei me manter com pensamentos positivos. Assim que o carro parou, lhe entreguei o dinheiro e me dirigi até o setor de embarque. Estava relativamente vazio, claro, ninguém em santa consciência larga tudo para ir para Arábia né?.

— Destino interessante... – Um homem alto sorriu para mim, arqueei as sobrancelhas e escondi meu passaporte.

— O destino? Pode até ser, mas eu diria que interessante mesmo é um desconhecido vim bisbilhotar aquilo que não lhe diz respeito. – Eu disse e ele colocou a mão no peito como se tivesse sido acertado por um tiro, ele sorriu e se afastou. Tudo bem, eu sei que fui grossa, mas eu não estava de bom humor e não suporto quando bisbilhotam minha vida.

Não demorou muito para que o meu avião decolasse, era um voo de 26 horas, o que me daria tempo o bastante para reler algumas histórias a respeito do lugar e escrever no meu diário. Depois de mais ou menos 8 horas que decolamos, eu mergulhei em um sono profundo.

Eu estava em um palácio, observava a imensidão do jardim pela janela, caminhei até um espelho e me assustei com a imagem que vi, eu estava belíssima, vestia um vestido enorme típico da realeza do século XII. Meu cabelo estava preso com alguns cachos se desenrolando ao redor do meu rosto. Me virei quando ouvi alguém se aproximando, um homem vestido como príncipe, medalhas percorriam seu traje, mas seu rosto estava embaçado, e por mais que eu me esforçasse, não conseguia vê-lo. Ele tocou meus lábios com as pontas dos dedos e meu corpo todo estremeceu, era provável que a sensação também lhe provocara o mesmo efeito, pois ele sorriu radiante.

— Eu contei os dias para que você me encontrasse, waradati – Seu sorriso logo se desfez quando percebeu que estava prestes a acordar, ele recostou os lábios no meu ouvido e sussurrou – Não a perderei dessa vez.

Acordei com meus olhos lacrimejando, eu estava chorando? Rapidamente enxuguei as lágrimas com a manga do meu suéter e tentei não pensar no sonho estranho que tivera, para minha sorte não faltava muito para pousarmos, uma gentil comissária se aproximou me entregando o cardápio, já era meio dia e pousaríamos as 15:00.

— Só uma salada por favor – Disse e ela sorriu, recolheu o cardápio, ajeitou meu assento para que ficasse mais confortável e saiu andando pelo corredor. Por mais que eu tivesse dormido por mais de 10 horas, eu não estava com fome, meu estomago se embrulhava e um calafrio percorria meu corpo toda vez que meu pensamento se voltava ao homem do sonho. Gostaria de ter visto o seu rosto.

Assim que pousamos fui até a área de desembarque, um homem de camisa cor de creme me esperava, provavelmente era o dono da empresa de turismo que eu contratei. Ele sorriu alegremente e me cumprimentou balançado meu braço várias vezes.

— Seja bem vinda Sra. Crawford, o seu carro já está aqui, ficamos muito felizes que tenha optado por se aventurar conosco. – Ele me puxou pelo braço indagando que o seguisse, entramos no carro e ele começou a contar a história do templo — Allah é a palavra utilizada no árabe para designar Deus. A palavra possui divergências em outras línguas semíticas, tais como Elah em aramaico, ʾĒl em canaanita e Elohim em hebraico. Embora o termo seja mais conhecido no Ocidente devido ao seu uso pelos muçulmanos para se referir a Deus no Islã, é utilizado pelos falantes do árabe de todas as fés abraâmicas, incluindo judeus e cristãos, para se referir à divindade monoteística. Os cristãos árabes utilizam o termo antes mesmo do advento do Islã. Também é utilizado, embora não exclusivamente, por babistas, bahá'ís, cristãos indonésios e malteses e judeus mizrahim. Cristãos e sikhs da Malásia Peninsular também têm usado a palavra para se referir a Deus.

— Achei que o nome de Allah só pudesse ser utilizado por muçulmanos – Disse e ele pulou de alegria.

— Você é bastante inteligente Sr. Crawford, tem razão existem leis no país que proíbem o uso da palavra por não-muçulmanos, por isto tem causado controvérsia política e legal aqui. – Ele prosseguiu explicando as belezas que encontraríamos ao longo do caminho durantes essas duas semanas. Ao chegarmos no hotel ele me instruiu que descansasse pois partiríamos bem cedo para o primeiro templo, também acrescentou que levasse comigo um livro pois era costume dos árabes lerem seus livros favoritos ao redor do templo, eles acreditavam que os deuses entenderiam o quanto você era conhecedor das histórias do mundo.

— Gostaria de ter trazidos livros sobre a sua cultura, tenho apenas anotações, livro mesmo só romance – Suspirei e ele segurou minhas mãos junto as suas.

— Não conte a ninguém, os árabes amam um romance – Ele sussurrou sorrindo e eu assenti. Nos despedimos e fechei a porta do quarto, estava exausta. Fui rapidamente tomar um banho escovar os dentes, assim que terminei vesti meu pijama de flanela e me deitei na cama com meu diário. Registrei tudo que o homem havia me dito e só escrevendo que pude perceber que não perguntara o seu nome, que constrangedor Melanie. Acabei caindo no sono enquanto escrevia e naquela noite eu não tive sonhos.

Acordei com o sol entrando pela janela, a vista era fantástica, finalmente consegui avaliar o quarto, era lindo. Sua cor era dourada com prata, alguns detalhes se estendiam em vermelho e laranja, na verdade me lembrava mais a Índia do que a Arábia. Fui até o banheiro tomar banho e quando voltei coloquei algumas coisas em uma mochila que trouxera.

— Sra. Crawford temos que ir – Ele dizia e o respondi que não iria demorar. Peguei alguns lanchinhos que estavam na prateleira e fui ao seu encontro.

— Desculpe se fui inconveniente ontem por não perguntar seu nome – Disse e ele sorriu.

— A Sra nunca foi inconveniente, meu nome é Gahin. Agora venha, o carro já está partindo – Concordei e seguimos até o carro, algumas pessoas estavam lá também, deduzi que seriam turistas assim como eu e optaram pela mesma agência. – Hoje iremos visitar o templo de Hubal, existe um em meca e um parecido aqui em Amã. – Ele continuou a falar sobre tradições, sobre Hubal e as três deusas, e finalmente chegamos.

O templo era enorme, e como ele havia dito, haviam vários muçulmanos e turistas sentados ao redor da entrada lendo livros de sua preferência, pensei até ter visto um Shakespeare ali, mas foi enganação. O livro que eu escolhera foi “Orgulho e Preconceito” de Jane Austen, um dos meus romances preferidos. O grupo foi olhar mais a fundo sobre a mitologia, avisei que eu iria para o lado oposto. O templo parecia uma caverna, as paredes eram rochosas e a iluminação era escassa, caminhei em direção a estátua de Hubal, eu o admirava, considerado como o deus dos deuses e um dos mais notáveis.

— “Estive meditando sobre o grande prazer que um par de olhos esplêndidos no rosto de uma mulher bonita pode lhe proporcionar” – Um homem se aproximou e sorriu para mim, meu corpo deu uma leve tremida, era de fato o homem mais bonito que meus olhos foram capazes de enxergar. Era árabe, mas não tinha traços fortes, seus olhos eram verdes como se percorressem as florestas, seu sorriso poderia derreter o coração de qualquer mulher. Ele era alto e forte, sua pele era morena bronzeada e seus cabelos...eram pretos feito a noite.

— Ã...h...o que disse? – Consegui dizer depois de um longo tempo o admirando, corei assim que percebi que ele me olhava curioso.

— Orgulho e preconceito – Disse apontando para o livro em minhas mãos.

— Ah, Sr. Darcy, é o prazer conhecê-lo pessoalmente – Disse sorrindo e ele arqueou as sobrancelhas – “Não pense que sou uma mulher elegante tentando incomodá-lo, mas uma criatura racional dizendo a verdade de seu coração”.

— Muito bem, então como deveria chama-la Elizabeth? – Ele se virou ao meu encontro observando minhas expressões.

— Melanie, me chamo Melanie – Disse estendendo à mão em cumprimento, ele a tocou e levou até os lábios, meu corpo estremeceu e ele sorriu. Eu sentia meu rosto pegar fogo.

— Um nome digno da sua beleza, eu asseguro. – Ele disse e se aproximou – Me chamo Arthur, e se eu soubesse que Hubal atraía tal tipo de beleza, já teria vindo antes...

Notas finais
Eai? O que acharam? Vejo vocês no próximo capítulo.
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.