Amaldiçoado

6 Capítulo VI - A Essência


Notas iniciais
Olá, desculpem a demora. Falta de inspiração e coragem para escrever. Fora a atualização de outras fanfics. Enfim, vamos ao que interessa. Boa Leitura :3

Tenten estava transtornada, um estranho sentimento de perda havia se instaurado em seu ser. Era como se estivesse caindo num abismo sem fim.

"Mas você foi a tola, ele nunca se importou com você" ouviu seu lado racional e fechou os olhos.

Ainda não havia saído do Hospital, na verdade aguardava a volta de Temari para irem juntas para o apartamento da mesma. A morena além de se sentir perdida, também sentia que havia forçado as coisas para o lado de Hinata, que aparentemente não estava confortável com aquela situação.

Depois de quase quinze minutos esperando na entrada do local, ela olhou para o interior na tentativa de ver a amiga loira se aproximar. Olhou para os lados e em seguida suspirou, era melhor ir ver o que havia acontecido. Provavelmente algo em relação ao Gaara fez a Sabaku demorar tanto.

Caminhou pelos corredores até encontrar o quarto para o qual Gaara havia sido transferido. Teve medo de estar interrompendo algum momento, já que a porta estava fechada, então decidiu bater algumas vezes. Após ouvir um entre cansado do ruivo, ela abriu a porta com cuidado e pôs a cabeça para dentro do recinto.

O Sabaku estava sentado na cama e com os olhos esmeraldas fixos na janela. Como o final de ano estava chegando, alguns prédios e monumentos da movimentada cidade de Tókio já estavam sendo preparados para a data. Ele não se deu ao trabalho de olhar quem era, na verdade, já sabia bem. Havia sentido a presença da Mitsashi a metros de distancia.

– Olá Tenten... — disse calmamente. Embora sua voz ainda estivesse cansada. Aparentemente o calmamente havia feito efeito — Desculpe pelo show mais cedo — completou

– Está tudo bem Gaara — ela disse sorrindo e olhando para os lados

– Procura algo? — questionou, a morena olhou na direção do rapaz e notou que o mesmo lhe observava. Seus olhos cansados, mas sempre atentos.

– Na verdade, eu imaginei que a Temari estava aqui. É que depois que saí do quarto da Hinata eu não tive notícias dela. Estava esperando na entrada do Hospital, mas nada... Então achei que ela havia vindo falar com você — respondeu sincera e viu o cenho ruivo se franzir

– Temari não vem aqui desde que... — pensou um pouco — Bem, eu lembro de apagar devido a injeção e quando acordei ela disse que ia visitar uma nova amiga — falou

– É a Hinata! — exclamou — Ela é uma ótima pessoa, você iria adorar conhece-la — sorriu de canto — Mas acho que a Ino não ia gostar — pôs a mão na boca e riu sem jeito, Gaara apenas esboçou um sorriso — Bem, então já que é isso, acho que ela ainda está lá — falou simplesmente indo em direção ao ruivo e dando-lhe um abraço amigável — Fique bem, certo? — sentiu ele assentir e se afastou — Assim que possível eu virei fazer uma outra visita e espero que já esteja recuperado — ela sorriu, seu sorriso único e amigo. Gaara olhou para a morena com pesar e Tenten imaginou que ele queria falar algo. Na verdade, seus olhos praticamente diziam isso por si só — Está tudo bem ? — ele assentiu baixando a cabeça e ela franziu o cenho — Tudo bem... — falou ainda suspeita — Então é isso, eu vou indo — e virou-se seguindo em direção à porta.

Mas antes que Tenten conseguisse se afastar o suficiente, sentiu uma mão firme segurar-lhe o braço e instintivamente se virou para olhar quem o fazia. Os olhos verdes opacos estavam arregalados na direção da Mitsashi. Em seguida ele falou, quase como quem forçava a voz a sair de sua garganta. Como se sentisse uma dor imensa ao fazê-lo:

– Fuja! — exclamou e ela se assustou com aquelas palavras. Gaara olhou para os lados mais uma vez, parecia procurar alguém. Ela voltou sua atenção na direção em que o mesmo olhava e nada viu — Eles não param de falar seu nome Tenten, fuja! — falou num tom ainda mais baixo e de notório desespero. E Tenten não soube porque, mas sentiu sua garganta ficar seca com as palavras do Sabaku

– Tudo bem, Gaara. Obrigada pelo aviso — ela disse simpática e com um sorriso delicado. Mesmo que algo dentro de si gritasse para não ignorar as palavras do ruivo, ela sabia que ele não estava em seu melhor estado de saúde. Todavia também não iria destrata-lo como fazia Ino. Com cuidado ela segurou o pulso do rapaz e o retirou de seu braço, sentindo certo alívio no processo, virou-se para seguir e sair dali quando:

– Veja... Eles não param de falar de você — novamente sentiu ele puxa-la, entretanto agora pelo pulso direito. Tenten se limitou a olhar na direção em que Gaara falava, e mais uma vez seus olhos nada captaram. Sentiu um puxão repentino, demorou dois segundos para se dar conta de que estava quase encima do paciente — Eles falam que aquele Clã antigo de... — parou pensativo e pensou — De...De Anjos. Que está na missão de seu resgate — sussurrou muito próximo ao seu ouvido, os olhos esmeraldas ainda direcionados ao lugar qualquer da sala. Parecia até que prestava atenção em uma conversa alheia enquanto falava.

– Anjos, Gaara ? — ela perguntou com um sorriso simpático — Antes demônios, agora anjos ? — ele pareceu não dar atenção ao tom de voz levemente debochado da morena e estava pensativo.

– O Clã Hyuuga...Eles disseram — falou com certa incerteza. Ouvir a pronuncia daquele nome fez a Mitsashi sentir um frio atravessar sua espinha instantaneamente. Só poderia ser uma brincadeira de mal gosto, de onde Gaara iria saber sobre os Hyuuga's se faltara as aulas desde a chegada dos mesmos ? Limitou-se a se imaginar estrangulando Temari assim que fosse possível. Já não bastava fofocar para a própria Hinata, tinha que fazê-lo ao seu irmão enfermo ?

– Certo Gaara — ela falou como quem tentava falar com um animal acuado, mas tentando conter o ímpeto de sair dali correndo — Prometo que vou me cuidar, está bem? — sorriu de sua maneira mais amigável e o cenho ruivo se franziu.

O Sabaku observou em silêncio a jovem Mitsashi sair da sala, sabia que aos olhos dos amigos estava parecendo um louco. Drogado, possivelmente. Viu de forma inexpressiva sua namorada passar pela morena e chegar perto de si, não dava atenção a nenhuma palavra que a Yamanaka falava. Sentiu um local da cama afundar ao seu lado, como se alguém sentasse ali. Mas sabia que não era a loira, já que a mesma ainda estava à sua frente, falando enquanto gesticulava com as mãos. Baixou a cabeça, limitando-se apenas a ouvir, mas não a namorada.

Gaara, sabe que não deveria contar nada do que está acontecendo no Céu e no Inferno, não é?– ele teve vontade de responder. Quis gritar e indagar o porque daquilo estar acontecendo com ele, já que ele jamais pediu algo assim. Mas ao recordar-se da presença de Ino, olhou rapidamente para a mesma e baixou a cabeça ainda mais, suspirando pesadamente. Sem responder a nenhum dos dois ele se levantou da cama e seguiu em direção ao banheiro.

– Ei, Sabaku! — a voz de Ino era de pura repreensão, não precisava olha-la para saber que ela estava com a mão na cintura e cara de poucos amigos — Onde pensa que vai ? — parou como se fosse responder, mas logo em seguida voltou a percorrer seu caminho e trancou-se no banheiro. Não suportava aquilo, precisava de outra dose. Pegou sua seringa e olhou sua imagem refletida no espelho. Nem se reconhecia mais. Todavia, todos os problemas que estava enfrentando pareciam empurra-lo para aquilo caminho. E pior, ninguém acreditava nele. Nem mesmo aquela que dizia tanto lhe amar, não parava sequer para ouvi-lo.

" E agora, Gaara ? "– indagou-se mentalmente.

E agora ? Agora tinha que correr para o único refúgio que encontrara desde que descobrira sobre seus poderes– se é que poderia chamar assim, mais parecia uma maldição — sobrenaturais. As drogas!

***

Faltavam apenas três dias para o tempo que Neji dera para Tenten estudar e apresentar-lhe o trabalho se esgotasse. A Mitsashi tentava copiosamente se esforçar para adquirir uma boa nota, mas a apreensão em pensar que estaria na mesma sala que o Hyuuga e com a atenção do mesmo voltada pra si, lhe deixava nervosa.

Desde do ocorrido no Hospital a jovem tem evitado o professor, mas não Hinata. Mesmo com a conversa louca de Gaara. Anjos e Demônios ? O quadro médico do Sabaku realmente estava preocupante, não era atoa que Temari vivia com os nervos à flor da pele. Qualquer coisa parecia ferir os sentimentos da loira e era por isso que ela e Tenten tem ficado cada vez mais distantes. A morena queria dar um tempo para engolir toda aquela tensão e — principalmente — a informação de que Neji era casado. Aquilo parecia algo difícil de engolir, estava preso em sua garganta o fato de que estava se apaixonando por um homem proibido. E o pior de tudo, que nunca lhe mostrara sinais de interesse nela. Chegou até a cogitar a possibilidade de aceitar ser amante do moreno caso ele quisesse, mas o mundo caiu sob suas costas quando se lembrou de sua mãe e todos os ensinamentos que ela lhe deu. Uma das maiores virtues da falecida Senhora Mitsashi era a união em família. Que tipo de pessoa seria Tenten se destruísse isso ? Não gostava de imaginar o que aconteceria caso a esposa do Hyuuga descobrisse sobre ela. E se ele tivesse filhos? Seu coração se apertou ao pensar nas crianças, pequenas miniaturas de Neji e sua misteriosa esposa.

"Você que se iludiu todo esse tempo, Tenten"– seu lado racional mais uma vez se fazia presente. Fazendo com que os olhos da Mitsashi marejassem.

Foi com o pensamento e recordações de sua mãe que a morena se manteve o mais distante possível do Hyuuga. Não importa as circunstâncias, sempre o evitava. Não passava perto dele. Em suas aulas mantinha-se cabisbaixa — tinha medo de se perder nos olhos raros de Neji e acabar cedendo ao seu corpo — apenas ouvindo o que ele explicava. Aquilo lhe parecia uma tortura, sua voz era como uma deliciosa melodia, fria e vazia... Mas que ao mesmo tempo parecia tão... Quente.

Hinata curiosamente parecia entender a situação da nova amiga e sempre que possível tentava fazê-la esquecer do primo. Mas olhar para a Hyuuga lhe fazia se perder em seu rosto angelical e olhos enluarados... Eram os mesmos dele. Todavia ainda assim, diferentes. Os olhos de Neji continham superioridade, arrogância, sedução e perigo. Já os de Hinata era sinônimos de carinho, singularidade e timidez.

Estava andando pela faculdade, os olhos castanhos passavam por todos os locais a medida que se locomovia. Parecia tentar encontrar alguém, ao mesmo tempo em que seu corpo dava sinais de que era uma fuga. Tenten tentava se preparar psicologicamente para o momento em que ficaria frente à frente com o seu desejo mais íntimo em forma de ser humano. Sempre que possível evitava sair da sala para não esbarrar com ele em qualquer corredor, porque pela ironia do destino aquilo parecia a sina de ambos. E em todas as vezes ela ficou com cara de tacho enquanto ele sempre parecia analisa-la discretamente.

"Foco Tenten" balançou negativamente a cabeça ao notar o rumo dos seus pensamentos. Tinha que focalizar e ser realista. Neji não perderia seu tempo olhando-a.

Naquele momento ela caminhava em direção à biblioteca para fazer uma pesquisa sobre um dos assuntos que perdera. Já havia assistido à vídeo-aulas inúmeras vezes, mas parecia não entender o que era falado. Por isso optou ir atrás de alguns livros.

Ao chegar no local desejado, parou de frente à porta e suspirou aliviada por não ter encontrado o Hyuuga pelo caminho. Adentrou o recinto que se localizava na Ala de lazer e seguiu diretamente para onde a bibliotecária ficava. Seria muito mais fácil pedir ajuda à mesma. Todavia ao chegar no local se surpreendeu por não encontrar a mulher de meia idade e de bigode. Mas sim seu jovem ajudante e um dos melhores alunos da faculdade. Uchiha Sasuke. O garoto certinho e solitário. Nunca era visto com nenhuma garota, mesmo que boa parte das meninas fossem apaixonadas por ele e só iam a biblioteca para vê-lo. Bem, pelo menos elas faziam algo de útil com esse amor juvenil.

Entretanto esse não era o caso de Tenten. Ela estava ali por um motivo fixo e duvidava se o Uchiha conseguiria lhe ajudar. Caminhou apressada em direção à mesa em que o moreno se encontrava. Os olhos que pareciam um par de ônix pousou sobre si, deixando em evidência o cenho franzido do mesmo.

– Com licença — pediu assim que parou a uma distancia relevante do rapaz

– Sim? — ele deu as mãos em frente ao corpo e apoiou os cotovelos na mesa cheia de papéis e livros

– Eu preciso de um ou mais livros que relatem sobre células, neurônios e sistema nervoso — ela respondeu — Por acaso o senhor pode me indicar o melhor corredor para minha pesquisa ? — ela indagou e ele baixou o olhar e encostou o queixo nas mãos dadas, parecia pensativo

– Bem...Você pode encontrar isso sessão de biologia e ciências... — fez uma careta e ela franziu o cenho — Mas receio que precisarei ir junto — ele se levantou da cadeira e ela arregalou minimamente os olhos

– Desculpe ? — questionou como se não houvesse entendido. Certo, Sasuke não fazia parte da sua lista de prioridades, mas tão fogosa como estava ultimamente — culpa de um certo Hyuuga — qualquer homem bonito e sexy poderia lhe tirar a sanidade.

"Tenten, de uma vez por todas. A.C.O.R.D.A." gritou seu lado racional "Depois reclama quando acaba iludida" quase pôde imaginar seu lado sã cruzando os braços e bufando irritado.

– É que o local foi fechado apenas para funcionários da faculdade. Houve um pequeno acidente por lá. E se não fosse a ausência da Senhora Joana eu certamente também não teria permissão para ir até lá — ele falou dando um sorriso de canto. A Mitsashi não entendeu, mas por instinto desviou seu olhar do dele e corou levemente. Podia jurar que havia ouvido um tom diferente por trás das palavras do Uchiha.

– Tudo bem — foi tudo que ela respondeu.

Limitou-se a apenas seguir o moreno enquanto andava pelos corredores e passava por algumas mesas onde alunos se juntavam para pesquisar e estudar. Já que alguns livros não podiam sair das paredes da biblioteca devido à sua raridade. Mas muitas das jovens que ali estavam, apenas admiravam Sasuke enquanto ele parecia alheio à tudo. E certamente o olhar que Tenten recebia delas não lhe agradava.

" Era só o que me faltava " pensou emburrada

– É aqui — disse ele apontando para um local restrito. As sessões eram divididas por portões que diariamente eram fechados para evitar o furto ou sumiço de algum dos livros. Tudo era registrado e catalogado por Joana — a bibliotecária velha e de bigode — ou no caso, como naquele dia, pelo próprio Sasuke.

O moreno pegou um molho de chaves e após verificar a numeração ele se aproximou do portão de metal e o abriu. Dando passagem para a Mitsashi que lhe sorriu agradecida e adentrou o mesmo. Ótimo. Agora Tenten tinha um outro problema para se preocupar. Não fazia a mínima ideia de onde poderia achar os livros. E ao olhar para trás uma nova surpresa. O rapaz a seguiu e agora fechava o portão com o cadeado.

– O que está fazendo ? — ela indagou receosa praticamente se agarrando ao portão e ele a olhou de forma curiosa. Certamente estava escrito nos olhos castanhos da jovem que ela não desejava ficar presa — literalmente — no mesmo lugar que o Uchiha. Bem, antes ele que o Hyuuga.

– Desculpe, mas creio que não saiba onde procurar — ele falou como se fosse a coisa mais normal do mundo ao perceber a expressão assustada da garota

– Oh...! — foi o único som que emitiu

– E para acompanha-la eu preciso garantir que ninguém entrará aqui sem permissão — completou simplesmente e ela sorriu sem jeito se achando a pessoa mais ridícula do mundo. Claro, porque não pensou nisso antes ?

"Porque você é uma iludida e preferiu achar que ele fez isso pra ficar à sós com você. Meu Deus Tenten, olha pra cara desse garoto. Ele tá quase implorando pra não precisar ficar aí com você" ao pensar nisso ela olhou para o rapaz de olhos ônix à sua frente. Era verdade, ele tinha uma expressão que fugia um pouco do seu habitual estilo indiferente e frio. Mas algo dentro da Mitsashi a alertou que aquele não era o motivo para o brilho de dor e um silencioso pedido de socorro que ele emitia através de olhar.

Depois de algum tempo olhando fixamente para ele, ela percebeu o quão inconveniente estava sendo. Desviou o olhar como quem não queria nada e aguardou que ele se virasse para mostra-la o caminho, para só então respirar fundo e balançar a cabeça para clarear as ideias.

– Siga-me senhorita Mitsashi — ele falou em seu tom cordial, fazendo-a pular com o susto

***

Pelos corredores da faculdade de Konoha, uma jovem de cabelos negros-azulados praticamente corria enquanto andava. Mal prestava atenção nas pessoas que faziam o caminho inverso, e acabava por esbarrando em algumas delas e se desculpando sem olhar para trás. Em meio a esse tumulto não percebeu quando esbarrou num rapaz de cabelos castanhos e espetados com olhos felinos. Kiba Inuzuka.

– Ei moça... — ele chamou assim que ela passou por ele e quase o derrubou, e puxou seu braço para faze-la olha-lo

– Desculpe — pediu a voz baixa, assim como o olhar

– Hinata — ele falou e ela levantou os olhos perolados na direção do mesmo, arregalando-os minimamente no processo — Está fugindo de mim e da Temari ? — ele perguntou num tom brincalhão e ela arregalou ainda mais os olhos em surpresa. O que ele queria dizer afinal ? Hinata ainda era inocente demais para entender algumas coisas, tais quais as brincadeiras que os amigos tiravam entre si.

– O-O que ? — questionou um pouco envergonhada e ele gargalhou alto

– Calma mulher, é brincadeira — a voz feminina fez a Hyuuga virar-se e ver Temari se aproximar — Mas se bem que é isso que parece... — a fala da Sabaku fez a morena arregalar ainda mais os olhos e ficar mais rubra, se era possível. Sentia-se acusada, e se eles acabassem por se afastar dela ? Complicaria e muito sua missão. Sem contar que a jovem adorava a companhia de ambos — Hinata... — chamou — Isso também foi brincadeira — ela disse um tanto quanto séria ao perceber como a jovem era afetada com aquilo, provavelmente algum trauma do passado, foi o que a loira imaginou. Após isso o Anjo baixou o olhar e sorriu tímida, dando de ombros.

– Desculpe — falou sincera. Realmente, tinha muito o que aprender.

– Tá tudo bem — disse o Inuzuka — Vem, vamos até o pátio lateral. Tenho que te apresentar meu fiel escudeiro — nem esperou resposta e já saiu puxando a Hyuuga

– Gente eu... — sua fala foi cortada por uma curiosa Temari

– Trouxe o Akamaru para faculdade, é sério Kiba ? — suas expressões não eram as melhores e o moreno apenas deu de ombros

– Pessoal — chamou a pequena mais uma vez — Eu preciso encontrar a Tenten — tentou se explicar. Realmente, sua protegida parecia estar fugindo dela nos últimos tempos. Hinata se assustou pensando que a mesma estivesse se encontrando escondida com seu primo e ele tivesse lhe dito que ela mentira, e o pior não era isso.

– Então é isso ? — indagou uma Temari com falsa raiva pondo as mãos na cintura — Você e a Tenten estão muito amiguinhas pro meu gosto — cruzou os braços e ergueu o queixo. Mais uma vez a morena ficou sem saber o que fazer

– É-É... — as palavras não saiam

– Acho que ela está pesquisando, se não me engano ela vai ter que apresentar um trabalho para a o professor Hyuuga em três dias, aquele que é seu primo — Kiba falou sem dar muita atenção enquanto voltava a puxar a morena pelos corredores do Bloco

– Tra-Trabalho ? — ela indagou, mas sua maior preocupação não era essa e sim a quem ela apresentaria

– É — respondeu simplesmente

– E onde ela está ? — parou bruscamente, forçando o Inuzuka a fazer o mesmo e olha-la de forma curiosa

– Na biblioteca, eu acho... — ele respondeu pensativo e antes que voltasse a olhar aqueles lindos olhos que tanto lhe intrigavam, viu a morena sair correndo na direção oposta e apenas gritar um "Obrigada"

– Falei, estão muito amiguinhas — Temari mantinha seu bico

– Deixa de ciúmes Tema, sabe que Tenten é a pessoa mais sociável desse colégio — Kiba riu da forma como a outra agia

– É, mas nessa brincadeira elas vão acabar passando mais juntas, depois irão começar a sair juntas e nos deixar de lado, até chegar o momento em que combinarão as coisas sem nem falar com a gente antes — disse em notável desespero como se suas palavras já fossem a realidade

– Mulheres... — foi tudo que o moreno se limitou a falar enquanto revirava os olhos e ia em direção ao pátio lateral ver o amigo canino.

***

Estar a mais de quarenta minutos sendo monitorada pelo Uchiha não era o maior dos problemas de Tenten, e sim o fato de que eles estavam à sós e o rapaz não parava de fita-la, literalmente. Ele mantinha-se impassível do outro lado mesa, seus braços cruzados e uma típica expressão de indiferença estampava seu belo rosto. A presença dele lhe intimidava um pouco e tirava-lhe a concentração, mas não tanto quanto um certo Hyuuga. Na verdade, temia se aproximar demais de um homem e acabar se magoando.

– Já disse que não precisa se incomodar com a minha presença senhorita Mitsashi — ele falou pela enésima vez sem mudar sua expressão

– Sim, disse. Mas fica difícil fazer algo com alguém lhe encarando — disfarçou a voz o máximo que pode para parecer indiferente. Neste momento os olhos ônix se encontraram aos castanhos e nele ela pode ver um brilho diferente, algo que ainda não havia notado antes — Está tudo bem? — perguntou quase que num impulso e em seguida mordeu a própria língua pelo ato.

– O que? — foi a rápida resposta de Sasuke

– Nada... Me desculpe — falou rapidamente se levantando e ajeitando as coisas. Não havia pesquisado o suficiente, mas o pouco das informações seriam suficientes para jogar na internet e retirar de lá algo útil para seu trabalho — Eu já estou indo — ela disse meio sem jeito. O moreno mantinha-se na mesma posição que antes, a não ser pelos olhos e o cenho franzido. Estava perplexo com a pergunta, imaginou-se extremamente transparente diante da percepção que a garota possuía. Seus olhos possuíam um ínfimo brilho misterioso, ele tinha certeza que ela podia ver-lhe a alma todas as vezes em que era observado por ela.

Tenten não sabia, mas herdara do pai uma habilidade única de enxergar a essência das pessoas. Era algo que fazia sem se dar conta, como respirar, nem percebia. Dan reconhecia a garota como a melhor de suas criações, nunca a havia visto, mas antes mesmo de seu nascimento planejara com detalhe cada uma de suas habilidades. Mas dentre tudo, a única coisa que era imutável — até para ele — seria a personalidade que ela possuiria. Este fora um dos maiores motivos de escolher a mãe dela. Precisava de alguém de confiança para ensinar-lhe os melhores caminhos. E naquele momento ela fazia aquilo, sem perceber, ela observava a essência de Sasuke. Seus olhos ônix tão frios e indiferentes, tão cheios de desgosto e raiva, também demonstravam uma dor. Algo em sua vida não estava certo. Mas dentre todos os seres humanos, apenas ela detectaria isso. Porque para qualquer um que não o conhecesse, Sasuke seria apenas mais um jovem revoltado. E esta era a sensação que ela causava toda vez que usava dessa habilidade, uma sensação de entorpecimento, a vítima — por assim dizer — sentia-se alheia ao resto do mundo pelo tempo em que o brilho de seus olhos castanhos atravessassem os seus.

– Senhor Uchiha — a voz pareceu desperta-lhe do transe momentâneo. Por um breve momento Sasuke se viu vivendo novamente todo o motivo de sua angustia interna, há muito reprimida e vencida. Ou pelo menos assim pensava ele.

– Sim... ? — falou ainda voltando a realidade, quando viu a jovem passar diante de si falando algumas coisas das quais ele não dera ouvidos. Em seguida levantou-se bruscamente segurando o pulso da Mitsashi que o olhou assustada — Mitsashi Tenten... ? — ela não teve certeza se aquilo fora uma pergunta ou uma simples afirmação pela forma que ele falou. Franziu o cenho diante da repentina mudança de personalidade do rapaz que agora parecia recobrar a pessoa que costumava ser, indiferente — Perdão senhorita — olhou para os lados e para a mesa que ocupavam — Creio que já terminou seu trabalho, certo ? — indagou e ela assentiu — Pois bem, pode ir. Assumo o resto daqui — falou simplesmente caminhando na direção dos livros e em seguida arrumando-os nos seus devidos lugares.

Sentindo-se um pouco incômoda, ela caminhou lentamente de volta para o local. Recebendo uma breve olhadela do Uchiha que não falou nada. Fingia ler os títulos nas capas, afim de restabelece-las em suas respectivas prateleiras.

– Posso ajudá-lo — não foi um pedido, e antes mesmo de terminar a frase ela começou a separar as peças de acordo com o ano, assunto e referência. Continuaram ali no mais absorto silêncio, cada um perdido nos próprios pensamentos.

E por mais que quisesse evitar, os pensamentos da morena sempre se voltavam para um belo par de olhos perolados, ao qual vira pela última vez no refeitório enquanto o dono dos mesmos andava calmamente por entre os alunos alvoroçados. Mas notou que o peso das orbes enluaradas não caíam exclusivamente só por seus ombros, como naturalmente era. Como também sob a mais nova amiga, Hyuuga Hinata. Era como se o rapaz procurasse uma forma de se aproximar da Mitsashi sem a mesma por perto, o que na maioria das vezes acabava como uma tentativa frustrada. Já que na faculdade as jovens sempre estavam juntas. Estudavam na mesma sala, sentavam próximas e eram praticamente inseparáveis. A não ser talvez pelos momentos em que precisavam ir para suas respectivas casas. Tenten havia se encantado com a essência pura que Hinata possuía, era algo extremamente acolhedor e surreal, como um amor incondicional de mãe... ou irmã. Com Neji era diferente, mesmo sentindo todos os seus sentidos a alertando, ela se sentia cada vez mais presa ao Hyuuga, como se as orbes peroladas tivessem o dom de devorar sua alma para o interior do mesmo. Com a visível indiferença entre os primos, a jovem Mitsashi se perguntava constantemente se havia algo de errado com ambos. Assim como sentia que estava no meio de uma guerra. Onde os dois lados tinham um único objetivo, ela.

" Ora Tenten, divagando com a possibilidade de ser o que o Hyuuga quer novamente ? " a voz de sua consciência a tirou de seus devaneios. Mas não retirou de si a possibilidade de ser real. Afinal, mesmo tão indiferente, frio e arrogante, Neji gritava pelos poros que ela não era uma pessoa qualquer para ele. Tinha vontade de enfrentá-lo, perguntar quais eram suas intenções para consigo. Mas ainda temia parecer uma completa idiota diante do moreno. Por que no fim, também havia a possibilidade dela ser só mais uma aluna problemática para o mesmo.

Estava tão absorta em seus pensamentos que não percebeu que já era noite quando terminou de ajudar o Uchiha, ambos ainda estavam na biblioteca e ela se aproximava da janela que se localizava no centro do corredor entre duas extensas prateleiras com livros diversificados. Lá ficou observando a lua por incontáveis minutos, ouviu passas leves e depois o mais absoluto silêncio. Mas não se importou. Assustou-se ao sentir a presença o rapaz atrás de si, mas tentou não demonstrar. Passou algum tempo e o jovem não se pronunciara, o que acabou por fazer com que a morena sentisse o peso do olhar do mesmo nas suas costas. Sentia que era analisada minuciosamente. Decidiu por fim se virar e perguntar se havia algum problema, mas no momento em que o fizera, fitou um par de luas que falavam muito, ao mesmo tempo que nada. Sentiu todo o corpo gelar e o estomago embrulhar no momento em que se deu conta de que estava a sós com o Hyuuga ali. Naquele momento, mil perguntas sambaram em sua mente. A principal delas era, o que ele estava fazendo ali ? Já haviam acabado as aulas. Instintivamente recuou o passo e sentiu a parede atrás de si, sentou-se no parapeito da janela e apoiou as costas no vidro gelado da janela. Seus olhos estavam baixos e a voz não saia, como acontecera em todas as vezes que esbarrou com o mesmo após descobrir sua condição amorosa. Casado. E mais uma vez o peso dessas palavras caiam sob seus ombros, sentiu vontade de chorar, mas se conteve. Sentia-se ridícula por desejar de forma tão intensa um homem tão distante e que nunca lhe dera sinais claros de suas intenções. O que só castigava ainda mais o coração da pequena Mitsashi.

– Faltou a aula hoje, Mitsashi — a falta do "senhorita" antes de seu sobrenome fez com arrepio de horror e medo percorrer sua espinha e se alastrar por todo seu corpo. A entonação na voz do mesmo deixava claro que ele estava irritado. Mas irritado com o quê, afinal ?

– De-Desculpe professor... — quis dar um belo soco na própria cara por estar parecendo uma idiota na frente dele gaguejando daquela maneira. Mais uma vez. Parecia um animal acuado e assustado, encurralado por seu predador. Quando na verdade, mal sabia ela que era exatamente assim que o Hyuuga a queria, assustada, encurralada e excitada. Sim, Tenten estava excitada e ele podia ver claramente os sinais em seu corpo. Talvez o torpor ocasionado pelo medo repentino a impedisse de perceber isso, mas aos olhos analíticos do melhor guerreiro que um dia o Clã Hyuuga já tivera, isso era notório. As pernas um pouco tremulas pelo medo e desejo, a respiração descompassada, a pele corada e a nítida necessidade de algo para se apoiar. O que fez no momento em que sentou-se no parapeito da janela — Eu vim até a biblioteca para estudar, pesquisar um dos assuntos que precisarei para o trabalho — embora não tenha gaguejado dessa vez, ele ainda percebia o receio que ela possuía em falar. Evitando olhar nos seus olhos. E aquilo era deveras excitante para o Hyuuga que tinha que se controlar para não ficar duro ali, em frente a ela. Tão inocente.

Não, não podia. E era exatamente por isso que havia se aproveitado de uma outra aluna qualquer que visivelmente também o desejada, praticamente gritava isso. Depois do súbito encontro no corredor, das primeiras impressões, do primeiro contato, o segundo... As provocações de sua parte no hospital e por fim, a fuga repentina que ela sempre fazia quando o via. Tudo isso pareceu acender dentro de Neji uma chama incontrolável de prazer e excitação, a qual precisava urgentemente ser apagada ou pelo menos diminuída. Ele sabia que só ela poderia apaziguar de vez isso, mas uma mera distração talvez ajudasse. Afinal, já estava a um bom tempo sem sexo. Mero engano dele, que, mesmo após devorar sexualmente uma aluna da mesma sala que a Mitsashi, ainda sentia o corpo ferver na presença daquela garota esperta e fugaz.

Um botão de sua camisa listrada, o mais próximo ao pescoço, estava propositalmente aberto. Após a transa, ele decidiu procurar mais uma vez pela a aluna. Aquilo parecia um jogo. Um viciante e delicioso jogo de perseguição. Ledo engano achar que o seu desejo pela menina Anjo diminuiria. E aquilo o frustrou. Mesmo após um intenso sexo, ainda continuava com os nervos a flor da pele. Todavia, uma certa sensação de deleite no interior do Hyuuga ao perceber para onde ela olhava. Sim, Tenten havia notado aquilo que ele queria. Era uma mulher esperta afinal. Os olhos castanhos agora analisavam cuidadosamente — e nada discretamente — o corpo de Neji. Passou pelas pernas e a calça, um pouco amassada, assim como a blusa que tinha uma parte da borda para fora. Uma pequena parte, como se tivesse sido deixava ali acidentalmente. Mas para a mente rápida dele, um sinal para que ela desconfiasse. Se fosse esperta. E os cabelos, ah sim, os cabelos. Embora estivessem devidamente alinhados e presos num rabo de cavalo frouxo, alguns fios da raiz do mesmo estava um pouco colada em sua testa, assim como em partes do pescoço. Sinal de que havia suado — e muito — para conseguir tal proeza.

Ele a viu desviar o olhar rapidamente, parecia não querer ver o que ele lhe mostrava claramente. Até parecia uma forma de provoca-la. Queria ver até onde ia os instintos primitivos da Mitsashi, se era ciumenta. Mas eles não tinham nada afinal. E era isso que tornava o jogo realmente interessante. Vê-la se contorcer de raiva. Calada. Enquanto o corpo viril demonstrava claros sinais de breve cansaço pós-orgasmo.

– Posso saber porque a senhorita anda fugindo de mim? — aquele tom arrogante e insensível, oh sim, o Neji que ela conhecia ainda estava ali. E mais uma vez, seu tom mostrava irritação. Mas com o que afinal ? Oras!

– Mas eu não estou fugindo de ninguém... — estou se explicar, mesmo sabendo que era a mais pura mentira. Ele não precisava saber disso.

– Pois é bom que não esteja mesmo, caso contrário irei entender isso como um " Não quero passar neste semestre " — ela abriu os olhos em surpresa, num claro sinal de desentendimento. Literalmente, aquele homem era um mistério para ela desvendar.

– Certamente, professor — limitou-se apenas a baixar a cabeça diante do olhar perturbador que ele lhe enviava. Fez menção de se levantar do parapeito para sair, mas um barulho estrondoso de uma porta se abrindo ecoou pela biblioteca silenciosa e chamou a atenção de ambos. Ela arregalou os olhos e num ímpeto de segurança abraçou o próprio corpo olhando na direção que vinha o barulho, todavia as muitas prateleiras que ali haviam dificultavam e muito a sua visão. Neji por sua vez virou bruscamente o pescoço e mirou com olhos assassinos a pessoa que — com seus sentidos aguçados — sabia perfeitamente por onde a mesma corria. Num nítido desespero.

" Eu vou acabar com você, sua imprestável..." o pensamento foi interrompido ao sentir seu corpo ser chacoalhado. Controlou a vontade de quebrar o pescoço da Mitsashi ali mesmo pela intromissão. Mas não se virou para fita-la, algo estava errados e os seus sentidos percebiam isso.

– Professor... — sua voz continha certo desespero — O que houve, está tudo bem ? — indagou assustada e ele franziu minimamente o cenho. Ela não estava preocupada com o barulho, e sim com ele. Qual o problema? Ao perceber os sinais do próprio corpo, percebeu ter ativado o primeiro estágio da maldição enquanto seu rosto estava parcialmente virado na direção do intruso. Possibilitando uma difícil visão de suas veias pulsantes ao lado do seu olho esquerdo, mas ainda assim, os cabelos e a falta de iluminação impossibilitaram a jovem de ver realmente o que acontecera. Fazendo-a acreditar que ele estava em algum tipo de transe, ou até mesmo tendo um ataque. Desfez sua expressão macabra e balançou a cabeça como quem tentava disfarçar o recente ocorrido. Lentamente os olhos enluarados se encontraram aos preocupados castanhos, que ainda lhe fitavam de forma intensa. As duas mãos pequenas segurando seu braço direito, pode constatar as mesmas geladas. Suando frio. Os olhos perolados automaticamente se dirigiram para as mesmas, e a jovem, ao perceber o quão próxima estava do homem que lhe tirava a sanidade, recuou nervosa — Pe-Perdão professor Hyuuga... — disse dando as mãos em frente ao corpo

– Neji... — disse ele também incomodado pela proximidade, frustrado por não ter anulado-a por completo quando teve chance — Me chame de Neji — completou sem perceber. Levantou o olhar para fixar-se nos dela e percebeu a surpresa estampada em suas orbes castanhas, e não era para menos. Havia visto uma face diferente do habitual do rapaz, ou melhor, duas. Uma de fúria e outra de incompreensão. Onde na segunda ele parecia perdido com os próprios pensamentos. Os olhos perolados fitavam os castanhos de forma intensa, quase como uma súplica para que ela fizesse o que ele pedira, mas ela não fez. Resignado por não conseguir ouvir seu nome ser dito por aquela linda e tremula boca, e o Hyuuga se virou na direção de onde finalmente a intrusa aparecia. Visivelmente cansada, sua respiração descompassada, o rosto corado e os cabelos de quem havia corrido bastante. Se aproximou dos dois, sendo fitada pelo olhar mortal que ele lhe direcionava e o da amiga de puro desentendimento.

– Hina... — ela sussurrou olhando a amiga se aproximar desconfiada. Sabia que algo havia acontecido ali, temia ter chegado tarde demais. Os olhos perolados da Hyuuga alternavam entre os confusos da Mitsashi e os furiosos do primo. Que apenas com o olhar, lhe dizia como seria interessante tortura-la pelos próximos mil anos pela intromissão. Mas ela não se intimidou, continuou a andar na direção da protegida. Tinha um trabalho afinal. Uma missão! E se orgulhava disso.

Mais frustrado que antes por ouvir a garota falar o apelido da prima e recursar-se a falar seu nome, Neji cerrou o punho direito e respirou fundo para não perder o controle ali. Seria realmente interessante deixar o primeiro estágio de sua maldição voltar naquele instante, vendo a prima acuada tentando lutar contra os próprios medos. Sabia que ver novamente aquele olhar, traria para ela lembranças dolorosas do dia em que os vira pela primeira vez. O dia em que choveu sangue no Clã Hyuuga. Mas também seria deveras perigoso com a Mitsashi ali. Poderia assusta-la e perde-la para sempre. E isso ele não queria.

– Algum problema, senhorita Hyuuga ? — praticamente cuspiu as palavras e a moça de cabelos negros-azulados balançou negativamente a cabeça e baixou o olhar, em seguida erguendo-a novamente e voltando a fita-lo.

– Ne-Nenhum Ne-Neji... — disse incerta das palavras. Ao olhar a cena, Tenten enfim pode respirar um pouco aliviada. Afinal, não era só para ela que o Hyuuga era assustador.

– Professor Hyuuga — disse ríspido sem piscar os olhos — Pra você... — as palavras fizeram a Mitsashi franzir o cenho, havia sido colocada naquela conversa de forma indireta. Ela sabia que aquilo havia sido um claro aviso do que ele queria. Mas não o faria.

– Professor Hyuuga! — respondeu rapidamente e olhou para Tenten, um pouco mais acuada e próxima a janela de vidro — A...A..Ten.. — não soube ao certo o que falar, como chama-la. Então apenas seguiu seus instintos — Amiga! — as palavras proferidas pela boca da Hyuuga fizeram um sorriso singelo nascer dos lábios da outra e uma sensação de nojo passar semblante de Neji que não conteve o ímpeto de revirar os olhos. Deixando claro para a Mitsashi que aquela amizade não lhe agradava. Mas dane-se o que ele queria, afinal, ele não tinha nada a ver com sua vida pessoal. Sua relação para com o mesmo era apenas de aluna e professor. Será?– Precisamos ir — falou Hinata tirando-lhe de seus devaneios — Todos já foram embora — Tenten apenas assentiu e seguiu para mesa onde pegou suas coisas e seguiu para a saída da biblioteca, mas antes de perder o rapaz de vista, virou-se para ele e falou:

– Tenha uma boa noite, professor Hyuuga– não esperou resposta. Sendo seguida pela outra que não se deu o trabalho de olhar para trás.

" Está querendo me provocar, não é ? Brincando com o perigo menina. Você não sabe o que te espera... " pensou com os punhos cerrados. Ótimo, Tenten havia conseguido o que queria. Se dependesse de Neji eles brincariam daquele jogo de perseguição durante muito tempo, até que ela se cansasse e viesse implorando por ele. Pelo seu prazer. Mas não, optou por se fazer de difícil. E agora ele também partiria para seu plano B. E se caso este falhasse, teria o C, o D, o E... e bem, sabemos o resto do alfabeto. Incluindo as letra K,W e Y. Até os infinitos números se necessário. Mas hora ou outra, ele teria aquela garota. Disso tinha certeza. E quando o fizesse... Sorriu de canto com o pensamento, mais uma vez as veias pulsando ao redor dos olhos incolores. Dando uma vida demoníaca aos mesmo. De Anjo à Demônio. Que belo jogo de sedução...

Afinal, como faria ela gemer seu nome se a mesma sequer o proferia ? "Um passo de cada vez, Hyuuga" pensou, sem se importar se teria que dar fim a vida da inútil prima no decorrer dos seus planos.

Notas finais
E então ? haha, como notaram coloquei mais um personagem, mas de uma forma um tanto indireta. Iremos entender mais sobre o passado dele nos próximos. E claro, também já estou começando a revelar as habilidades de Tenten. Comentem, me inspirem. Obrigada! Beijos, até mais :*