Amaldiçoados por Deus
2 Alaya - Capítulo 1
O relógio ao lado de minha cama marcava 5:01 AM o que já era normal pois eu acordava todos os dias nesse mesmo horário acerca de três meses, os pesadelos estavam cada vez pior, as vezes eu podia jurar que aquele lugar era real, estava cada vez mais real, mais e mais real, agora eu já podia ver aquelas figuras mesmo estando acordada, todos achavam que eu estava louca mas eu sabia que era real, tinha que ser pois não importava quantos remédios eles me dessem, mas as visões não iam embora e muito menos os pesadelos. Depois de minha segunda tentativa de digamos deixar tudo aquilo para traz, agora eu estava amarrada em uma cama de hospital para que não fosse possível eu voltar a fazer algo como aquilo.
Em 2 horas eu iria ser levada contra minha vontade mas para meu próprio bem, como minha mãe dizia, a um hospital psiquiátrico que ficava em uma cidade com cerca de 7 mil habitantes, o lugar se chamava Blessed Bee era a joia da cidade.
Já eram 7:02 AM, dois minutos de atraso, dois minutos a mais amarada a aquela cama, dois minutos de liberdade antes do inevitável inferno. Detesto atrasos. Policiais e enfermeiros vieram me buscar, estavam 17 minutos atrasados. Eu estava com fome a mais de duas horas, pois antes de ser internada eu deveria passar por exames em jejum e dentre eles exames toxicológicos, como se eu fosse idiota o suficiente para usar qualquer coisa nociva a minha própria saúde.
Blessed Be ficava no alto de uma colina extremamente verde e cheia de arvores, era lindo mas assustador de se imaginar, o lugar era um hospício e eu estava sendo levada para lá, ele podia ser visto até mesmo de pequenas cidades vizinhas por sua estrutura imponente, eu diria que o lugar existia a algumas dúzias de décadas por conta de 4 estruturas, sendo 3 prédios laterais, e um prédio central, o lugar era cercado por grades, a estrutura que a minha vista ficava a esquerda era maior que os outras e tinha uma grande letra B pintada em sua lateral, sua estrutura lembrava a casarões antigos e estava pintado de azul royal com o grande B em branco, todas as janelas possuíam grades. O prédio central, C, era mais moderno e pintado de cor branca, igualmente grande ao B, porem com bem menos andares, no máximo 4, enquanto o B tinha aparentemente uns 7 ou 8. A frente ao B havia um prédio azul claro com a letra D com no máximo 3 andares de aspecto antigo, ao seu lado há uma estrutura bem menor que se parecia com uma capela. O prédio A era assustador mesmo visto de longe e ficava a direita dos outros e mais afastado, sem dúvidas era o menor e sua cor era vermelha, talvez a estrutura mais antiga do lugar.
Quando cheguei ao lugar, depois de fazer todos os exames necessários, me foi entregue uma pequena pilha de roupas de tom cinza escuro que consistia em uma calça, uma camiseta gola V de botões, uma blusa de mangas cumpridas, um vestido que deveria ir até os joelhos e uma meia calça branca, além de um par de sapatos (menores que o meu tamanho) de tecido e solado emborrachado no tom cinza escuro. Vesti a calça e a camiseta.
— Com licença enfermeira- chamei a mulher que estava ao lado de fora do banheiro onde eu me trocava, ela vestia uma roupa azul clara, olhou em minha direção- será que você não teria sapatos tamanho 36? — Ela não me pareceu muito amigável, mas quem sabe... – e meias talvez?
— Qual o tamanho desses? – ela ralhou.
— Estes são 34. – franzi a boca.
— Então esses vão ter que servir, termine de se vestir logo e saia daí, não tenho a manhã toda! – ela era grande e rabugenta, deve ter uns dois metros de altura, melhor não discutir com ela, ela poderia pisar em mim sem muita dificuldade devido ao meu tamanho... melhor não.
Eu a segui por um extenso corredor até saímos do prédio, então ela guiou-me até o prédio com o grande B e me disse que lá ficava o refeitório em uma estrutura menor ao seu lado e os dormitórios, me disse também que o C era o central, o D era a ala hospitalar e ao seu lado era a capela, disse dramaticamente que eu nunca deveria chegar perto do A pois lá ficavam as pessoas perigosas. Depois de passarmos por várias grades nos corredores, como em prisões, e por vários andares finalmente chegamos ao meu quarto, ele ficava no sexto andar de 8 andares no total.
Algumas horas se passaram, agora já era noite, um enfermeiro chegou com minha medicação para "loucura", aqueles remédios me deixavam sonolenta...
Fale com o autor